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<journal-id journal-id-type="redalyc">1394</journal-id>
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<journal-title specific-use="original" xml:lang="es">Vínculo - Revista do NESME</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher" xml:lang="es">Vínculo</abbrev-journal-title>
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<issn pub-type="ppub">1806-2490</issn>
<issn pub-type="epub">1982-1492</issn>
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<publisher-name>Núcleo de Estudos em Saúde Mental e Psicanálise das Configurações Vinculares</publisher-name>
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<country>Brasil</country>
<email>publicacoes@nesme.com.br</email>
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<article-id pub-id-type="art-access-id" specific-use="redalyc">139454198002</article-id>
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<subject>Sin sección</subject>
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<bold>QUEM TEM MEDO DOS GRUPOS TERAPEUTICOS? 

Paradoxos e Mais Valias<xref ref-type="fn" rid="fn3">*</xref>
</bold>
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<bold>WHO'S AFRAID OF THE THERAPEUTIC
GROUPS? 

Paradoxes and capital gains</bold>
</trans-title>
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<bold>¿QUIÉN TEME A LOS GRUPOS TERAPÊUTICOS? 

Paradojas y plusvalías</bold>
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<name name-style="western">
<surname>Manso Neto</surname>
<given-names>Isaura</given-names>
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<email>isauramansoneto@gmail.com</email>
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<institution content-type="original">Médica psiquiatra,
grupanalista, presidente da Sociedade Portuguesa de Grupanálise e Psicoterapia
Analítica de Grupo.</institution>
<institution content-type="orgname">Sociedade Portuguesa de Grupanálise e Psicoterapia
Analítica de Grupo</institution>
<country country="PT">Portugal</country>
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<pub-date pub-type="epub-ppub">
<year>2017</year>
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<volume>14</volume>
<issue>2</issue>
<fpage>1</fpage>
<lpage>17</lpage>
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<year>2017</year>
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<date date-type="rev-request" publication-format="dd mes yyyy">
<day>30</day>
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<year>2017</year>
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<year>2017</year>
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<abstract xml:lang="pt">
<title>Resumo</title>
<p> A autora aborda aspectos que sente como estranhos no corpo teórico-técnico da Grupanálise e dos Grupanalistas/Psicoterapeutas de Grupo. Centrou-se essencialmente em colocar algumas hipóteses para a compreensão de aspectos paradoxais inerentes aos processos grupais que, na opinião da autora, se constituem como factores de resistênciaà utilização dos grupos como ferramenta terapêutica eficaz, tanto nos que procuram ajuda como nos técnicos. </p>
<p> Os próprios grupanalistas podem encarar os grupos com ambivalência o que lhes retirará convicção na indicação dos grupos pequenos como paritária às formas de psicoterapia em contexto dual (psicoterapia analítica e psicanálise).A autora sugere algumas mais valias da Grupanálise/Psicoterapia Analítica de grupo como a caixa de ressonância empática que favorecem condições excepcionais para a análise do carácter, nomeadamente dos traços ego-sintónicos patogénicos e patológicos, tão difíceis de analisar na relação dual.A autora finaliza por enfatizar certos procedimentos técnicos que tendem a tornar a Grupanálise/Psicoterapia Analítica de Grupo como especialmente eficaz nas transformações da personalidade conducentes à criatividade, autonomia e liberdade. Apresenta alguns exmplos clínicos.</p>
</abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p> The author reflected on the themes proposed by the Organizing Committee of the event and decided to address some aspects which she feels as strange factors in the theoretical and technical context of the Group Analytic Psychotherapy and the Group Psychotherapists.   </p>
<p> Isaura Neto focused essentially on considering some hypotheses for understanding paradoxical aspects inherent to group processes, which groups resist to use as effective therapeutic tools for those who seek help as well as for the technicians.</p>
<p> The group analysts may themselves face the groups with some ambivalence, which makes them hesitate upon indicating small groups as equal forms of psychotherapy in dual context (analytic psychotherapy and psychoanalysis).</p>
<p> The author suggests some aspects of Group analysis/group Analytic Psychotherapy as excellent assets to foster exceptional conditions for character/personality analysis especially the ego syntonic and pathogens traits which are so difficult to analyze in the/a dual relationship.</p>
<p> The author concludes with the emphasis on certain technical procedures that tend to make the Group analysis/group Analytic Psychotherapy extremely effective in the transformation of personality conducive to creativity, autonomy and freedom.</p>
</trans-abstract>
<trans-abstract xml:lang="es">
<title>Resumen</title>
<p>La autora aborda aspectos que siente como
extraños en el cuerpo teórico-técnico de la Grupanálise y de los
Grupanalistas/Psicoterapeutas grupales. Se centró esencialmente en colocar
algunas hipótesis para la comprensión de aspectos paradojales inherentes a los
procesos grupales que, en la opinión de la autora, si constituyen como factores
de resistencia a la utilización de los grupos como herramienta terapéutica
eficaz, tanto nos que buscan ayuda como en los técnicos. La autora sugiere
algunas más valías de la Grupanálise/Psicoterapia Analítica grupal como la caja
de resonancia empática que favorecen condiciones excepcionales para el análisis
del carácter, expresamente de los trazos ego sintónicos patógenos y
patológicos, tan difíciles de analizar en la relación dual. La autora finaliza
por enfatizar ciertos procedimientos técnicos que tienden a hacer la
Grupanálise/Psicoterapia Analítica grupal como especialmente eficaz en las
transformaciones de la personalidad conducentes a la creatividad, autonomía y
libertad. Se presentaram algunos ejemplos clínicos.</p>
</trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave</title>
<kwd>Grupanálise</kwd>
<kwd>Psicoterapia Analítica de Grupo</kwd>
<kwd> Fenômenos destrutivos nos Grupos</kwd>
</kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title>Keywords</title>
<kwd>Group analysis</kwd>
<kwd> group analytical Psychotherapy</kwd>
<kwd> destructive phenomena in groups</kwd>
</kwd-group>
<kwd-group xml:lang="es">
<title>Palabras clave</title>
<kwd>Grupanálise</kwd>
<kwd>Psicoterapia Analítica de Grupo</kwd>
<kwd> fenómenos destructivos en los grupos</kwd>
</kwd-group>
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<equation-count count="0"/>
<ref-count count="17"/>
</counts>
</article-meta>
</front>
<body>
<sec>
<title>
<bold>Introdução</bold>
</title>
<p>O trabalho
está dividido em dez partes, como seguem:</p>
<p>
<list list-type="simple">
<list-item>
<p>I -Ressonância, Estranho, Familiar, na linguagem
coloquial.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>II - O Estranho em mim e noutros.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>III - O Estranho na conceptualização psicanalítica.</p>
</list-item>
<list-item>
<p> IV- O Estranho face aos grupos e nos grupos que tenho conduzido e ou que superviso - Características Paradoxais dos grupos. </p>
</list-item>
<list-item>
<p>V - Mais valias</p>
<list list-type="simple">
<list-item>
<p>V.1 - Os grupos Grupanaliticos como meio de
ressonância/expansão do Conhecimento Relacional Implícito com novas
experiências relacionais transformadoras.</p>
</list-item>
<list-item>
<p> V.2 - Os grupos grupanalíticos como meios preferenciais de análise de:  </p>
<p> - conflitos </p>
<p> - sentimentos e fenómenos estranhos/ difíceis/culpabilizantes. </p>
<p> - mal entendidos e traços de carácter patogénicos e patológicos. </p>
</list-item>
</list>
</list-item>
<list-item>
<p>VI - O meu Padrão- condições <italic>sine
qua non</italic> para que a potencial destrutividade se possa constituir como mais
valia.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>VII-
Os grupos grupanalíticos com risco de caixa de ressonância crítica – o fenómeno do bode
expiatório.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>VIII - Os grupos grupanalíticos como caixas de
ressonância empática.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>IX - Reflexões finais.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>X - Referências.</p>
</list-item>
</list>
</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>I- Ressonância, Estranho, Familiar, na linguagem coloquial</bold>
</title>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>II - O Estranho em mim e noutros 

 </bold>
</title>
<sec>
<title>
<bold>Ressonância:</bold>
</title>
<p>
<bold> Dicionário de Língua Portuguesa</bold>: Qualidade do que é ressonante.</p>
<p> Propriedade de aumentar a intensidade de um som. </p>
<p>
<bold>
<underline> Física</underline>
</bold>: condição em que um sistema vibrante toma o máximo de amplitude sob a acção de uma forma alternada excitadora de frequência igual a uma das frequências do sistema que ressoa. </p>
<p>
<bold>
<underline> Caixa de ressonância</underline>
</bold>: caixa de ar em certos instrumentos musicais ou em aparelhos de estudo da física que serve para reforçar o som produzido por cordas vibrantes ou por diapasões.  </p>
<p> Há muitas mais definições de Ressonância aplicadas à Física. </p>
<p> Psicologia: uma das 3 componentes do carácter, além da actividade e da emotividade; maneira como as impressões experimentadas ressoam na consciência do sujeito.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>O estranho/ A Estranheza</bold>
</title>
<p>
<bold/>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref4">
<bold>Dicionário de Língua Portuguesa</bold> (2011)</xref>: 1 não habitual; 2 esquisito; 3 desusado; 4 espantoso, extraordinário; 5 que é de fora, estrangeiro; 6 uma pessoa desconhecida, (do latim <italic>extraneu</italic>). </p>
<p>
<bold> População em geral (amigos, colegas)</bold>:Esquisito, diferente, que não se percebe, com que não se identifica. </p>
<p>
<bold> E o que provoca?</bold> Curiosidade, medo pelo desconhecimento da natureza desse estranho; medo da imprevisibilidade. </p>
<p> Os <bold>sonhos</bold> são frequentemente sentidos como estranhos. Talvez seja esta manifestação do funcionamento mental que mais frequentemente gera este sentimento de estranheza. </p>
<p> Penso que são frequentes as <underline>sensações de estranheza</underline> quando ouvimos a <underline>nossa voz gravada</underline> e não a reconhecemos. O mesmo pode ocorrer com a imagem corporal: quando vemos <underline>fotografias afastadas no tempo</underline>, temos, às vezes, dificuldade de nos reconhecer, sendo invadidos por sensações estranhas. </p>
<p>
<bold> Como eu lido</bold>.Uso pouco o termo de estranho/estranheza. Por quê? Porque rapidamente, face ao desconhecido e incompreensível tento perceber, dar um sentido e o sentimento de estranheza desaparece, passando a ser substituído por: prazer, curiosidade, medo, irritação etc. Houve poucas situações em que a vivência de estranheza foi muito forte e passavam pela incompreensão total e perplexidade face aos fenómenos que me estavam a ocorrer. Uma delas só foi clarificada e compreendida muitos anos depois. </p>
<p>
<bold> Experiência clínica como psiquiatra/psicoterapeuta: </bold>a despersonalização e a desrealização são sintomas de estranheza face ao próprio ou à realidade. </p>
<p> Tenho reparado, ao longo dos processos psicoterapêuticos, que as mudanças de representações sobre o próprio ou os seus objectos provocam momentos de estranheza, mesmo de despersonalização, a que poderá corresponder o conceito psicanalítico de mudanças catastróficas (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref17">Bion,1966, in: Zimerman, 2001</xref>). </p>
<p> Alguns sonhos e actos falhados deixam as suas características de estranheza logo que são interpretados.  </p>
<p> Durante o trabalho psicanalítico e grupanalítico sentimos os <italic>now moments </italic>isto é, momentos de urgência com alguma estranheza, embora predomine a ansiedade, como diz<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref14"> Stern, 2004</xref>.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>O Familiar</bold>
</title>
<p>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref4">
<bold>Dicionário de Língua Portuguesa</bold> (2011)</xref>: o que é da família, caseiro, conhecido, habitual, comum, íntimo. </p>
<sec>
<title>
<bold>O Familiar - o que nos provoca?</bold>
</title>
<p> Calma, bem-estar, prazer, mas, também pode provocar aversão, desprazer, levando a ser evitado, pelo menos conscientemente. </p>
<p> Talvez inconscientemente vamos procurá-lo para que algum dia possa ser diferente e prazeroso, tipo - “este grupo é-me familiar: preocupam-se comigo, ao contrário do que se passou na minha família”.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Eu e Outros</bold>
</title>
<p> Nem tudo o que é novo se constitui como estranho. </p>
<p> Nem tudo o que é estranho é predominantemente ameaçador. </p>
<p> Será que o que é familiar se pode constituir como estranho, sendo aparentemente antónimos?</p>
</sec>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>III – O Estranho na conceptualização psicanalítica</bold>
</title>
<p>
<bold> Dicionários de Psicanálise</bold> - procurando em “Unheimlich” de Freud - conceito de 1919, traduzido por “Uncanny”– e por “O Estranho”: </p>
<p>
<bold> Rycroft</bold>: não há qualquer referência </p>
<p>
<bold> Laplanche e Pontalis</bold>: não há qualquer referência </p>
<p>
<bold> Vocabulário Contemporâneo de Psicanálise</bold>, de David E. Zimerman (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref18">2001</xref>), vemos que Freud definiu O Estranho “como tudo o que já foi familiar para a vida psíquica, mas que foi recalcado. É tudo o que deveria ter permanecido oculto e secreto, mas que veio à luz, de modo que as en-tranhas psíquicas se tornam es-tranhas,</p>
<p>
<disp-quote>
<p>“É comum, no curso das análises, que o contacto com o estranho produza
uma sensação de confusão, loucura e morte tanto no paciente, por se defrontar
com o que sempre o aterrorizou, quanto é possível esse sentimento ser
despertado no analista. Isso ocorre porque as projeções transferenciais, que
hoje chamaríamos de identificações projetivas do paciente, provocando
contraidentificações projetivas no
analista, podem fazer com que ele funcione como uma espécie de duplo do
analisando.” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref18">ZIMERMAN, D. E., 2001, p131</xref>).</p>
</disp-quote>
</p>
<p>
<bold> Jean-Michel Quinodoz </bold>(2007) no seu livro “Ler Freud- Guia de leitura da obra de S. Freud" (p.184) define o estranho como: “Mil e uma facetas de um sentimento paradoxal”. </p>
<p> Freud abordou este tema em 1919 da Edição St. Brasileira,“Unheimlich” para falar de quê? Do inconsciente? Claro! Mais uma forma de manifestação dos poderes dos fenómenos mentais inconscientes.“O Estranho relaciona-se indubitavelmente com o que é assustador, com o que provoca medo e horror...”(<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref6">FREUD, 1919,275-276</xref>). </p>
<p>  Freud pretende investigar em que situações o familiar se pode tornar estranho e assustador. Afirma que só se pode dizer que aquilo que é novo pode se tornar facilmente assustador e estranho. Naturalmente, contudo, nem tudo o que é novo e não familiar é assustador. “Algo tem de ser acrescentado ao que é novo e não familiar para torná-lo estranho” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref6">FREUD, 1919, p. 277</xref>). Atribui o sentimento de estranheza à incerteza intelectual, a algo que não se sabe como abordar. </p>
<p> Freud começa por ir investigar o significado coloquial nas várias línguas: desconfortável, inquietante, sinistro, lúgubre; em árabe e hebreu: demoníaco, horrível. </p>
<p> No alemão, Unheimlich é o antónimo de Heimlich que por um lado significa o que é familiar e agradável e, por outro, é o que está oculto e se mantém fora da vista. Assim, Freud concorda com autores que afirmam que “unheimlich” é tudo o que deveria ter permanecido oculto, mas veio à luz. Unheimlich é uma subespécie de “heimlich”(<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref6">FREUD, 1919, p.283</xref>).</p>
<p>
<disp-quote>
<p>“A nossa
conclusão podia, então, afirmar-se assim: uma experiência
estranha ocorre quando os complexos infantis que haviam sido reprimidos revivem
uma vez mais por meio de alguma impressão, ou quando as crenças primitivas que
foram superadas parecem outra vez confirmar-se” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref6">FREUD,1919,p. 310</xref>).</p>
</disp-quote>
</p>
<p> E acaba: “No que diz respeito aos factores do silêncio, da solidão e da escuridão podemos tão somente dizer que são realmente elementos que participam da formação da ansiedade infantil, elementos dos quais a maioria dos seres humanos jamais se libertou inteiramente” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref6">FREUD, 1919 p. 314</xref>). </p>
<p> Faz-me pensar que, nesta hipótese, o estranho está ligado ao <italic>sofrimento infantil intenso e assustador que permaneceu incompreensível e poderosamente recalcado</italic>. Assim, a análise afastar-nos-ia de sentimentos de estranheza. Estes continuarão a surgir na <bold>transferência</bold> e nos <bold>sonhos</bold> de que curiosamente Freud não fala, na <bold>compulsão à repetição</bold> e <bold>noutras situações </bold>desencadeadas por estímulos que de algum modo evoquem o passado traumático. Nunca estaremos livres totalmente de experiências estranhas uma vez que nunca teremos acesso totalaao conhecimento não consciente.</p>
<sec>
<title>
<bold>
<underline>Exemplos clínicos </underline>
</bold>
<underline>–
Sonhos e sofrimento infantil (G.A. = Grupanalista)</underline>
</title>
<p> Rodolfo contou <bold>2 sonhos que apelidara de “Sem Saída” e “O casamento”</bold>. </p>
<p>  O<italic> “Sem Saída”</italic>: havia uma série de situações difíceis em que era acusado, incriminado de várias formas. Resolvia uma e logo outra acontecia, sempre acusado e incriminado. Resolveu sair do país, mas o passaporte caducara! Sem saída! </p>
<p> Trabalho grupal de sonho: </p>
<p>
<underline> Niel</underline>: Pelo menos parece que paraste com essa idealização de mudança de país!! </p>
<p>
<underline> G.A.</underline>: Rodolfo, o que sente e pensa do seu sonho? O Niel deu a interpretação dele mas, o sonho é seu!! </p>
<p>
<underline> Rodolfo</underline>: Senti sempre estes sentimentos toda a minha vida! Sempre me senti só, sempre a exigirem de mim, resolvendo situações; não estava lá ninguém para me ajudar; sobrevivi, mas,foi muito difícil; acho que percebi o meu sonho quase imediatamente.</p>
<sec>
<title>
<bold>“O
Casamento”</bold>
</title>
<p> Fui convidado para um casamento. Disseram-me que a noiva gostava de mim há muitos anos. Mas eu não sabia. Ela veio ter comigo muito triste. Contudo, subitamente casou-se, parecendo contente. Continuei na festa e subitamente a noiva voltou triste para o pé de mim o que me deixou terrivelmente ansioso. Tentei ajudá-la. Mas, ela desaparecia. Acontecia várias vezes o mesmo. </p>
<p> O Rodolfo estava visivelmente triste, interrompendo a narrativa. </p>
<p>
<underline> G.A</underline>. – O que é que está a sentir? </p>
<p>
<underline> R.</underline>: Foi sempre assim; quando o meu pai saía de casa a minha mãe ficava triste; eu sentia que tinha que ocupar o vazio deixado por ele e depois, subitamente vinha o tal homem 1 ou 2x por semana e a minha mãe ficava contente. </p>
<p> Depois ficava triste outra vez.  </p>
<p>  As lágrimas corriam. “Estes 2 sonhos… são a única forma de chegar emocionalmente à minha tristeza na infância e à minha solidão! Agora posso perceber que sempre escolhi mulheres tristes para namoradas; em vez de olhar para mulheres vivas e alegres, eu aproximava-me das que tinham um olhar triste. Que estranho”!</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Sonho -
Grupo com duas sessões por semana:</bold>
</title>
<p> Jovem adulto órfão de pai desde tenra idade. O pai morreu num desastre de viação num carro conduzido por ele em que também morreram 2 irmãos crianças, tendo ficados vivos só ele e a mãe. Esta e a avó sempre lhe contaram que o pai morrera no hospital vítima de atrasos no atendimento médico. Em sucessivas sessões de grupo contava um <bold>pesadelo estranho</bold>, de repetição, desde que se lembrava dele: era invadido por uma onda tsunâmica de vermelho que o afogaria. Acordava sempre em pânico. O trabalho do sonho em grupo foi-lhe permitindo refazer e interessar-se pela morte do pai e dos irmãos, assunto que toda a vida evitara. Após perguntar convictamente à mãe e avó o que realmente sucedera, ficou a saber que o pai tivera morte imediata com rotura da artéria carótida tendo provocado um mar de sangue assustador que ele presenciara numa fase pré-verbal tendo passado a pertencer ao seu <italic>vínculo K implícito</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref14">STERN, 2004, p.242</xref>)e que por isso não era passível de ser reproduzido numa narrativa directa sobre este traumatismo da sua vida. </p>
<p>  Numa <italic>conceptualização mais recente das teorias e técnicas psicanalíticas</italic>, resultante: da influência da Escola inglesa das Relações de objecto, da teoria da vinculação de Bowlby, Psicologia do Self de Kohut, da investigação sobre o desenvolvimento infantil, teoria biológica de sistemas, e neurociência afectiva desenvolvida pelo Boston Change Process Study Group (BCPSG), encabeçada durante muitos anos por Daniel Stern (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref14">2004</xref>) - e que é partilhada pelo que hoje se denomina Psicanálise Relacional - defende-se que o que se pretende desenvolver num processo analítico é a exploração de <italic>cada momento do processo interactivo </italic>terapeuta - cliente/doente - “present moments”, criando-se um clima de confiança, conforto, bonomia e segurança.  </p>
<p>  Por vezes, há roturas, desencontros, dificuldades, que exigem acções (não no sentido de acting-outs) diferentes do habitual /não familiares - “now moments” (momentos de urgência) que, se adequadamernte respondidos e ultrapassados, evoluem para <italic>“Moments of Meeting”</italic> momentos de encontro de grande potencial transformador.  </p>
<p>
<italic> Os momentos de urgência são, em minha opinião, às vezes, sentidos com alguma estranheza.</italic>
</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>IV – O Estranho face aos grupos e nos grupos que
tenho conduzido e ou que superviso - características paradoxais dos e sobre os
grupos</bold>
</title>
<p> Há temas que são <italic>familiares</italic> à maioria das nossas comunidades científicas. É talvez o caso de se aceitar que há inconsciente, transferência, que há contratransferência, relação, interpretação. E,que mais temas serão familiares a todos nós?  </p>
<p> E o que é que é diferente ou mesmo estranho entre nós -Grupanalistas/Psicoterapeutas de Grupo e na Grupanálise (GA)/Psicoterapia Analítica de Grupo (PAG)/Psicoterapia Grupanalítica? Estes nomes são-nos <italic>familiares</italic>. Aparentemente sabemos todos do que estamos a falar. Mas, se formos tentar aprofundar e definir encontramos muitas dúvidas e divergências. </p>
<p> A começar pelo <bold>nome </bold>que obviamente introduz a definição incluindo os objectivos: a GA e a PAG são formas de terapêutica de cada indivíduo no grupo e através do grupo? </p>
<p> Ou são formas de investigação dos processos de Grupo? De certo modo GA é um termo mais ambíguo e confuso; que nos induz a pensar que se pode analisar um grupo. E poderá. Mas, analisar um grupo implica poder tratar-se cada membro de per si? Alguns de nós pensam que não. PAG é uma denominação mais clara do que se faz/pretende fazer. Só que GA foi introduzido por Foulkes e seguidores para introduzir um processo terapêutico à semelhança da Psicanálise (PA). </p>
<p> A Escola Inglesa usa <italic>Group Analysis</italic> para designar a GA, a PAG e várias aplicações da GA a que tenho chamado <italic>espectro grupanalítico </italic>(<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref10">Neto e Centeno, 2006</xref>). Não seria mais correcto falar em Psicanálise em grupo? Seria/Será mais difícil/estranho fazer vingar esta denominação do que a de Grupanálise? Parece-me que <italic>Psicanálise em grupo </italic>é ainda mais desafiante! Grupanálise é um termo mais ambíguo: sugere que se trata de análise do grupo o que será bem diferente de analisar cada membro desse grupo à semelhança do que se faz em Psicanálise (PA)! </p>
<p> Estaremos todos de acordo com isto? Não foi fácil para Foulkes enfrentar a comunidade psicanalítica britânica implementando uma técnica tão diferente da PA, pelo menos no que concerne aos procedimentos: do divã, do evitamento do olhar para a exposição total num grupo. Causou estranheza e, se calhar, ainda causa alguma, pelo menos nalgumas sociedades psicanalíticas, entre alguns de nós atrevo-me a dizer. Será que o inconsciente só aparece no procedimento técnico do divã e da associação livre? Há quem pense que sim. E também há quem pense, como Alain Gibeault, ex-presidente da FEPA (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref7">2001</xref>)que a é um ideal para que se tende e só se consegue nas fases finais de uma Psicanálise. </p>
<p> Se os grupos são tão importantes no desenvolvimento do ser humano, <italic>não será surpreendente que o tratamento do indivíduo num grupo seja uma ideia estranha</italic>, difícil de aceitar pela maioria das pessoas, incluindo os terapeutas de grupo que expressam esta dificuldade? </p>
<p> Quando isso ocorre há uma grande falta de convicção, racionalizando com os receios de que os abandonos surgirão com mais facilidade; assim, os grupos não se constituem, entrando-se num círculo vicioso. </p>
<p> Tenho pensado muito para tentar perceber os motivos destas resistências aos grupos.Morris Nitsun (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref11">1996</xref>) no seu livro “The Anti Group - Destructive forces in group and their creative potential” foi o autor que mais me tem ajudado a compreender este problema através das “10 óbvias características dos grupos que podem conter elementos paradoxais escondidos, que afligem os participantes, dificultando, sobretudo as fases iniciais dos processos terapêuticos de grupo” <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref11">NITSUN, 1996</xref>:</p>
<p>
<list list-type="simple">
<list-item>
<p>1 - o grupo é uma
colecção de estranhos;</p>
</list-item>
<list-item>
<p>2 - o grupo não é
estruturado;</p>
</list-item>
<list-item>
<p>3 - o grupo é criado
pelos seus membros;</p>
</list-item>
<list-item>
<p>4 - o grupo é uma arena
pública;</p>
</list-item>
<list-item>
<p>5 - o Grupo é uma
entidade plural;</p>
</list-item>
<list-item>
<p>6 - o grupo é uma
experiência complexa;</p>
</list-item>
<list-item>
<p>7 - o grupo cria
tensões interpessoais;</p>
</list-item>
<list-item>
<p>8 - o grupo é
imprevisível;</p>
</list-item>
<list-item>
<p>9 - o grupo flutua
no seu progresso;</p>
</list-item>
<list-item>
<p>10 - o grupo é uma
experiência incompleta.</p>
</list-item>
</list>
</p>
<p>Passo a <bold>sintetizá-los</bold>,integrando a
minha experiência como grupanalista:</p>
<p>
<list list-type="simple">
<list-item>
<p> - Os grupos evocam mais facilmente os medos do sofrimento passado, pois, rapidamente surgem na transferência, as representações relacionais dos objectos primários, os padrões familiares.  </p>
</list-item>
<list-item>
<p>- O grupanalista é idealizado, mas os
restantes membros do grupo não.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>- A discussão livre
flutuante pode ser mais assustadora que a associação livre porque não podemos
controlar a associação livre dos Outros. Assim, a surpresa/a estranheza está sempre lá: é inevitável.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>- Receio da quebra da confidencialidade.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>- Medo de retaliação e vergonha sempre que surja a
expressão mais livre de conflitos e de sentimentos difíceis de mentalizar e
verbalizar.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>- A pluralidade e a diversidade podem ser
sentidos como ameaças no início de entrada num grupo.</p>
</list-item>
</list>
</p>
<p> O grupo é, pois, um meio de contínua desidealização, muito mais do que o meio dual. O ser-se Único não existe, há sempre <italic>um Outro</italic>; experiencia-se a partilha de espaço e disponibilidade dos terapeutas, desafiando a clássica confusão entre tempo e disponibilidade. Podemos estar com alguém sem estarmos em verdadeira relação. Isto traduz outro ponto, que é a gestão da forma como os analistas expressam a sua técnica, em que se inclui a gestão dos silêncios. </p>
<p> O <italic>conflito entre grupalidade e individualidade</italic> está sempre presente num grupo terapêutico grupanalítico, aparecendo no seu significado mais profundo: <italic>o conflito entre autonomia e simbiose</italic>. </p>
<p>  Gostaria de acrescentar que no meu entender o grupo introduz de forma clara e rápida a sexualidade, incluindo a dos analistas, afastando os membros da simbiose idealizada do narcisismo primário. Os grupanalistas/psicoterapeutas de grupo têm outros filhos que estão ali, que têm realidade concreta.  </p>
<p>  É diferente saber-se racionalmente que não se é o único analisando/doente/paciente, mas, os outros não se vêem, não se conhecem, não se confrontam. Dizia-me uma doente numa sessão de psicoterapia dual, após se ter cruzado com uma figura pública que detestava, e que seria também minha doente: “Não pode segui-la; diga-me que não é verdade; se gosta dela não pode gostar de mim!”. </p>
<p>  O encontro com a sexualidade, seja da criança ou dos pais, é um fator perturbador e disruptivo destruindo o sonho (idealização) da união total e eterna com a mãe (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref8">MOLLNOS, 2002</xref>). A psicoterapia dual pode manter essa idealização.  </p>
<p>  Os grupos introduzem, pois, também com rapidez e clareza, a <bold>dinâmica da fratria</bold>. Num livro interessante sobre este tema editado pela EFPP (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref16">2014</xref>) “Siblings”, Franz Wallendorf refere que os irmãos, ao contrário dos pais, não fazem falta ao bébé para que possa sobreviver. Aprender a conviver com outros seres seus pares, e tirar disso até prazer e vantagens, é um dos resultados da saudável transformação do narcisismo primário. É um processo difícil, em que surgem necessariamente rivalidades e conflitos de que decorrem sentimentos difíceis de suportar e aceitar, a par de amizade e cumplicidade. </p>
<p>
<bold> Penso que sem uma experiência de grupo terapêutico, um processo analítico fica incompleto. Será estranha esta minha afirmação? </bold>
</p>
<p>  Para <italic>facilitar a elaboração e a ultrapassagem destas difíceis situações, evitando drop-outs</italic> (abandonos), a Escola Portuguesa de Grupanálise tem introduzido alguns procedimentos técnicos: manter os doentes, futuros membros dos grupos em psicoterapia dual para estreitar/fortificar a aliança terapêutica; preferimos sessões mais frequentes – 2 ou 3 por semana. </p>
<p>  Tenho sentido e pensado que a diminuição do número de membros - 4, 5, em vez dos clássicos 6, 7, 8 é outro fator que me parece favorecer a análise de conflitos e sentimentos difíceis que tantas resistências provocam, necessitando de mais tempo de atenção a cada membro e às situações em si.</p>
<sec>
<title>
<bold>Vinheta:
Resistências de
cada um dos elementos do grupo</bold>
</title>
<sec>
<title>
<bold>Bianca</bold>
</title>
<p> Refere nas últimas sessões de psicoterapia dual que não queria falar do tema da sexualidade no grupo, e na última sessão dual o tema dominante foi a sexualidade (não consegue atingir o orgasmo com os homens); </p>
<p>Maior dificuldade na relação com os homens refere que com os homens não consegue ser espontânea; </p>
<p>Relativamente à espontaneidade “se eu me permitir dizer tudo o que sinto no grupo, fica mais vulnerável e os outros podem usar isso contra mim” (sic); </p>
<p>Refere na última sessão sentimentos de abandono em relação à psicoterapeuta; </p>
<p>Medo de perder a relação privilegiada com a psicoterapeuta. </p>
<p>Medo de não ter espaço no grupo (de não conseguir ter tempo para falar sobre si), dificuldades em impor-se;  </p>
<p>Medo de que os outros não se interessem por si; </p>
<p>Medo que a Grupanalista goste mais dos outros, e que os outros tenham vidas mais interessantes; </p>
<p>Refere que não quer que a psicoterapeuta ponha homens giros(bonito-interessante) no grupo, “tenho medo de me apaixonar e depois não me posso envolver fisicamente” (sic).</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Linda</bold>
</title>
<p> Refere nas últimas sessões de psicoterapia dual que não queria falar do tema da sexualidade no grupo, e na última sessão dual o tema dominante foi a sexualidade, e abordou a traição ao namorado -que não queria levar para o grupo; </p>
<p>Aparentemente Linda era a que referia estar menos resistente e mais entusiasmada à entrada no grupo, mas no fim-de-semana antes da 1ª sessão de grupo teve um acidente: caiu no chão, partiu a cabeça e o nariz;</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Simião</bold>
</title>
<p> Refere nas últimas sessões de psicoterapia dual que não queria falar do tema da sexualidade no grupo, e, na última sessão dual, o tema dominante foi as dúvidas sobre a sua orientação sexual; </p>
<p>Na última sessão dual, trouxe um sonho: sonhou que tinha tido um encontro romântico com um homem, e que lhe era agradável, mas apareceram 3 cães raivosos para o atacar. Associou os cães à sua família e à reação à sua possível homossexualidade. A Grupanalista fantasiou que os 3 cães também podiam simbolizar as novas 3 pessoas que ia conhecer no Grupo. O Simeão tem sempre muito receio de não ser aceite pelos outros, de que os outros não gostem de si; </p>
<p>Medo de não ser ouvido e percebido; </p>
<p>Medo que não respeitem a sua opinião, como acontece na família e amigos;</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Alma</bold>
</title>
<p>  Refere nas últimas sessões de psicoterapia dual que não queria falar do tema da sexualidade no grupo, e na última sessão dual, o tema dominante foi a sexualidade (dificuldades no momento da penetração); </p>
<p>Apresentou entusiasmo para entrar para o grupo, mas com alguns receios em conseguir impor a sua palavra e espaço, como acontece na sua família;</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>4,5
meses após o início do grupo:</bold>
</title>
<p>
<bold> Grupanalista: estava aqui a pensar, o que é que a vossa relação comigo mudou em cada um de vocês? </bold>
</p>
<p>
<bold> Bianca:</bold> … eu acho que a Psi nos devia avisar com 9 meses de antecedência da entrada de um novo membro. Por exemplo, quando vamos ter um irmão, somos sempre avisados mais ou menos com esse tempo de antecedência. Não percebo porque é que aqui não pode acontecer o mesmo… </p>
<p>  A Psi ajudou-me a acordar, a viver a vida. Claro que ainda tenho muita coisa para resolver, estou longe de estar bem, mas foi muito importante para mim. </p>
<p> Agora ainda estou a refletir os frutos do grupo, desta relação em grupo (refere em tom envergonhado). </p>
<p>
<bold> Alma:</bold> eu acho que o grupo ajuda mais porque os quatro podem dizer o que nos vem à cabeça, não somos os terapeutas uns dos outros, já a Psi tem que ter outro papel, não pode dizer tudo o que pensa. Tem um papel diferente dos nossos como terapeuta.  </p>
<p>  E no grupo sinto que as coisas são mais evidentes, mais claras, mais intensas também. Recordo-me daquela sessão em que me zanguei com a Psi, que não queria que a Psi falasse ou me fizesse perguntas. Acho que aqui no grupo não sei por que, é mais fácil zangarmo-nos. </p>
<p>
<bold> Simião: </bold>eu percebo-te perfeitamente. Eu sinto o mesmo. Mas estou-me a sentir muito bem no grupo, eu não estava à espera de me sentir bem. Aliás, tive muitas resistências para vir para o grupo, mas agora estou-me a sentir bem com vocês. </p>
<p>
<bold> Linda: </bold>eu também me estou a sentir bem. Só estou a tentar perceber qual é a diferença, a mais valia... Eu acho que acabamos por fazer o mesmo a nível terapêutico, pensamos sobre as coisas, refletimos, mas em grupo. Antes estava só com a Psi, era só a Psi que ecoava em mim. Agora são vários ecos. É bom. (clara referência à caixa de ressonância empática de que falaremos mais tarde).</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>V - Mais
valias:</bold>
</title>
<sec>
<title>V.1 - Meios terapêuticos onde a complexidade das
interacções espontâneas e autênticas na matriz permitem que se desenvolvam
novos padrões relacionais curativos.</title>
</sec>
<sec>
<title>V.2 - Os grupos são meios privilegiados para o
aparecimento, compreensão e análise de:</title>
<p>
<list list-type="simple">
<list-item>
<p> - Conflitos,  </p>
</list-item>
<list-item>
<p>- Sentimentos difíceis como a rivalidade, a vergonha,
o ciúme, os desejos de vingança,</p>
</list-item>
<list-item>
<p>- Mal-entendidos</p>
</list-item>
<list-item>
<p>- Traços de carácter ego sintónicos patológicos e patogénicos
parcialmente responsáveis pela psicopatologia relacional (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref9">Neto, 2014</xref>) que tende
a transmitir-se inter etransgeracionalmente como uma hereditariedade
psicológica (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref3">Badaracco, 1986</xref>). Nestes incluo os defices de empatia.</p>
</list-item>
</list>
</p>
<p>  Todas as características dos grupos que temos vindo a descrever facilitam que os chamados sentimentos difíceis e a agressividade surjam, sobretudo, pela maior espontaneidade que a relação entre pares possibilita. O medo da retaliação por parte da figura parental que é o analista/GA diminui se os conflitos forem mentalizados e expressos, sobretudo, na relação fraterna, inter-pares. </p>
<p>  Por outro lado, há traços de carácter que penso serem dificilmente analisáveis numa relação dual, directamente com o analista: os deficites de empatia que podem ter várias manifestações. São pessoas que estão sempre do lado daqueles de quem os outros membros do grupo se estão a queixar; estão sempre na posição de contratitude complementar, segundo Racker (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref13">1988</xref>). Trata-se, pois, uma forma de ser, por vezes racionalizada como altruísta, e que desencadeia irritação nos outros, correndo o risco de se constituír como bodes expiatórios. É difícil de analisar até porque este traço de carater vai de encontro a alguns preconceitos dos analistas que têm dificuldade em aceitar que os doentes/clientes/membros dos grupos se queixem dos seus objectos relacionais do passado e do presente.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Vinheta
- Défice Empático:</bold>
</title>
<p> Disse num grupo a uma pessoa que ela não conseguia empatizar com o sofrimento de outro membro porque me parecia que receava perder o controle das suas emoções, confundindo-se com ele. Respondeu que esta interpretação lhe permitia compreender as filhas e o seu desespero. “Nunca lhes dou razão”. </p>
<p>  Dizia Zimerman que o grupo mais do que qualquer outra modalidade psicanalítica, favorece a observação da normalidade e da patologia da comunicação, verbal ou não verbal, lógica ou primitiva, que permeia a vida de todos nós, a ponto de ser legítima a afirmativa de que “o grande mal da humanidade é o problema do mal-entendido da comunicação” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref19">ZIMERMAN, 2008, p.216</xref>)</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Vinheta: Mal-entendidos</bold>
</title>
<p> Grupo 3 sessões/semana</p>
<p>
<bold> Tatiana</bold>: voltando-se para todos, mas referindo-se a factos e situações relacionais mencionadas por Rudi: não estava cá quando contaste isso. O Rudi não lhe respondeu. <bold>Os outros membros</bold> do grupo insistiram com ele para que contasse. Rudi, dirigindo-se à Tatiana num tom irónico, mas, vagamente irritado: E queres saber?! Tatiana: agora já não quero! Rudi: pronto, então ficas sem saber, na realidade não estavas muito interessada!</p>
<p>
<bold> GA</bold>: que acham do que se está a passar?</p>
<p> Curto silêncio sentido na contratransferência como de mal estar, de tensão precedendo potencial conflito.</p>
<p>
<bold> GA</bold>: a Tatiana não estava mesmo interessada em saber? Concorda com o comentário do Rudi?</p>
<p>
<bold> Tatiana</bold>: Não; se não estivesse interessada não perguntava!</p>
<p>
<bold> Rudi</bold>: mas não me perguntaste a mim!</p>
<p>
<bold> Tatiana</bold>: Ai, isso é que perguntei, mas tu não respondeste.</p>
<p>
<bold> Rudi</bold>: Não me perguntaste a mim. Perguntaste a eles. É porque não estavas muito interessada!!</p>
<p>
<bold> GA</bold>: o Rudi não põe outra hipótese para a forma como a Tatiana fez a pergunta?</p>
<p>
<bold> Rudi</bold>: Não. Preciso sentir que as pessoas se interessam por mim a sério.</p>
<p>
<bold> GA</bold>: e a Tatiana o que precisa?</p>
<p>
<bold> Tatiana</bold>: muito tensa com as lágrimas a assomarem: não sei...</p>
<p>
<bold> GA</bold>, sentindo a aflição da Tatiana, a mais nova do grupo, com muito baixa autoestima, resolveu dar uma ajuda na mentalização da sua dificuldade e sugeriu ma interpretação para a sua dificuldade: será que teve receio que o Rudi não lhe respondesse?</p>
<p>
<bold> Tatiana</bold>: tenho sempre medo que as pessoas não me respondam, não liguem ao que eu digo.</p>
<p>
<bold> GA</bold>: parece claro o que constantemente acontece nas vossas vidas: o Rudi sente com dificuldade o interesse que desperta nos outros, precisando de manifestações muito exuberantes da parte deles; a Tatiana sempre com receio que não gostem de si, não se interessem, não expressa suficientemente o que sente e pensa. Assim, ambos acabam a confirmar as vossas crenças que trazem da infância.</p>
<p> Ambos dizem que nunca se aperceberam destes padrões relacionais, fazendo-lhes sentido o que estavam a ouvir, a pensar e a sentir.</p>
<p>  É difícil reconhecer algumas formas de estar e ser, alguns padrões relacionais como patológicos se eles não nos fazem sofrer. Contudo, eles podem ser deletérios para outros, sobretudo para quem está dependente de nós, sobre quem temos poder ou influência. São ainda por cima racionalizados como atitudes corretas eticamente, estruturantes, baseadas na cultura e educação recebidas. Podem provocar nos próprios um sofrimento secundário sob a forma de vitimização. Os outros membros podem queixar-se levando a ultrapassar resistências, desenvolvendo-se o insight. Estou a referir-me ao que chamo de Psicopatologia Relacional.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Vinheta - Psicopatologia Relacional</bold>
</title>
<sec>
<title>
<bold>Tina, há cerca de 9 meses em Grupanálise (GA) e depois de 3-4 meses em
psicoterapia dual:</bold>
</title>
<p>  Relação com os 3 filhos (16, 11 e 10 anos) marcada por intenso desprazer e tensão, oscilando entre o silêncio e oposição obstinadas, passivo-agressividade que, em certos momentos é quebrada por violência mais explícita verbal e mesmo física.</p>
<p>  Uma parte do trabalho psicoterapêutico tem-se centrado na tentativa de desenvolvimento da empatia atavés de estimulação da mentalização sobre o que poderá provocar da sua parte tanto ressentimento nos filhos. A <bold>GA</bold> interrogava o grupo e especificamente a ela o que os filhos poderiam sentir na relação com ela: várias hipóteses surgiram, depois do «não sei»: postura e fisionomia de tristeza, ordens e regras permanentemente impostas «como lhe fizeram a ela» (claramente estava em causa uma identificação maciça com o agressor). O <italic>grupo</italic> perguntava-lhe muitas vezes se não achava que não eram precisas tantas regras. A Tina insistia que os tinha de educar, que eles têm de ajudar em casa, etc. </p>
<p>
<bold>  GA </bold>pergunta-lhe um dia se realmente se sentia ajudada pelas filhas ou se preferia fazer sozinha as ditas tarefas domésticas. </p>
<p>
<bold>  Tina</bold>: prefiro fazer sozinha. Dá-me muito mais trabalho tê-las ao pé de mim.</p>
<p>  Outros membros do grupo comentavam que as /os filhos são, sobretudo educados pelo exemplo. Progressivamente os castigos, sermões e ralhetes culpabilizantes foram sendo reduzidos e, cada vez mais substituídos por carícias, elogios e viagens em conjunto. Diz que o filho está radicalmente diferente; agora é ele que lhe procura dar mimos e abraços. Ajudam-na todos espontaneamente.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>Vinheta - psicopatologia relacional:</bold>
</title>
<p> Xania, mãe de 4 filhos adultos, sofrendo de perturbação de personalidade Borderline, com vários surtos de depressão major no seu passado.  </p>
<p>  Xania tinha a tendência de ocupar o tempo das sessões em comunicações individuais. Os outros membros do grupo, de estrutura neurótica, ficavam habitualmente em conflito interno entre o amor por ela e o desejo de a ajudar, e a frustração por serem privados do seu espaço e atenção. </p>
<p> Havia certo risco de Xania se tornar o bode expiatório de ser a única que desejasse ser a preferida do e no grupo. </p>
<p>  Yves irritou-se numa sessão com a Xania porque ela não reconheceu o quanto fora bem tratada nas sessões anteriores, continuando a comportar-se e a exigir a atenção de todos só para si, todo o tempo novamente. </p>
<p>  Os outros membros do grupo concordaram com o Yves. A <bold>Xania</bold> ficou muito ofendida e muito ansiosa e disse que se ia embora e nunca mais voltaria. </p>
<p>  Um drop-out (abandono) estava iminente. </p>
<p>  Face à ausência da Xania na sessão seguinte, o GA perguntou ao grupo se concordariam que se mandasse uma mensagem sugerindo-lhe que voltasse e discutisse connosco o que se estava a passar. O grupo concordou e a mensagem foi enviada. A Xania voltou muito comovida com a mensagem. Este acting-out partilhado facilitou o surgir das emoções e recordações sobre abandonos e rejeições a propósito do abandono/rejeição da Xania </p>
<p>  Todos falaram sobre as suas experiências de vinculação inseguras e ambivalentes como filhos e como pais. Pela primeira vez a <italic>Xania e outro membro do grupo</italic> tiveram alguma compreensão e empatia sobre o sofrimento dos seus filhos parcialmente causados pelo seu comportamento instável e depressivo. </p>
<p>  Também foi possível que<italic> todos</italic> reconhecessem as suas próprias necessidades narcísicas primárias de serem especiais, únicos, preferidos, tendo-se assim evitado um fenómeno de bode expiatório conducente a um provável drop-out.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>VI - O meu Padrão - condições<italic> sine qua non</italic> PARA MIM para que a
potencial destrutividade se possa constituir como mais valia</bold>
</title>
<p>
<list list-type="simple">
<list-item>
<p>1 - Apesar de sermos todos, bombas relógio, transportando a nossa
própria morte, conseguimos, estranhamente, a capacidade de sermos felizes,
muitas vezes, vivendo, reprimindo aquele conhecimento.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>2 - A simbiose e a dependência são estados necessários aos bébés
humanos. Mas não as idealizemos. A imaturidade, a fragilidade, o
desconhecimento/incompreensão da realidade leva a situações de bem estar
extremo, mas também de terror sempre que se sente qualquer dor/frustração. Será
que os bebés sentem estranheza? Ou apenas medo como sugere Freud?</p>
</list-item>
<list-item>
<p>3 - Tendencialmente, em circunstâncias normais, o crescimento será
fonte dominante de prazer. A descoberta das nossas potencialidades e capacidades
de dar e receber dá força, confiança, levando-nos à realização de necessidades,
ambições e ideais.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>4 - Neste percurso do nosso desenvolvimento encontramos sempre outros,
inseridos em grupos, nos quais os conflitos e dificuldades surgem, mas, a
cumplicidade e amizade também.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>5 - Neste complexo processo que é a vida, tropeçamos, ferimo-nos,
paralisamos e entramos em sofrimento psíquico que necessita de apoio
especializado. Precisamos de psicoterapia.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>6 - Tendo a comparar um processo analítico de conhecimento e
transformação pessoal com o processo de crescimento.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>7 - Penso estimulando a autonomia progressiva, o confronto, a
discussão, exigindo-se responsabilidade e reciprocidade.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>8 - Nem sempre se pode ter tudo o que se deseja, seja na qualidade,
quantidade ou tempo. Cabe aos pais/analistas que terá de dar predominantemente
prazer a redescoberta/descoberta de capacidades, de correção de crenças
distorcidas, reencontrando-se/encontrando-se a esperança.</p>
</list-item>
<list-item>
<p> 9 - Como nas famílias, o ambiente tem de ser suficientemente bom, não intrusivo, mas, protetor, a criatividade e arte de ajudar a tolerar a frustração. A capacidade de vinculação/de relação/de amor, bonomia, a empatia, a criatividade e arte terão de pertencer à bagagem da personalidade dos analistas.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>10 - A Grupanálise/ psicoterapia analítica de grupo é um setting mais
propício que o dual ao acesso de áreas estranhas, núcleos de sofrimento
infantil fortemente recalcados. O acesso
ao inconsciente faz-se de forma diferente que no setting dual, mas, em minha
opinião, usa caminhos que nos surpreendem e dos quais não podemos fugir. A
autoestrada da associação livre é substituída pela espantosa rede de caminhos
sinuosos da comunicação em discussão livre. Penso que é mais fácil,
controlável, expectável, o trajeto em autoestrada, mas vêem-se mal as regiões
que se atravessam. Os núcleos relacionais sintónicos e eventualmente
patológicos não aparecem, pois não causam sofrimento no próprio; só nos outros
que estão numa posição de paridade ou dependência. Os objectos transferenciais
parentais são poupados e os conflitos deslocados para objectos de quem não se
depende tanto: a fratria cuja complexa dinâmica aparece com clareza e
profundidade num setting conduzido grupanaliticamente.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>11 - Considero, como os colegas da escola inglesa que um dos factores
curativos em Grupanálise e PAG é o
<bold>Treino do Ego em acção (“Ego Training in action”) </bold>que toma maior peso
emocional à luz da conceptualização de que vos já fiz uma referência sintética
acima (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_139454198002_ref15">BCPSG, p.210</xref>): a multiplicidade de relações atuais autênticas,
observáveis no verbal e não verbal, criam condições para promover a qualidade
relacional, desenvolvendo-se a confiança que permite que experiências e
sentimentos difíceis sejam sentidos como humanizados; a partilha com outros é
uma forma de tornar as experiências pessoais tão humanas quanto possível. <italic>Mais importante que os conteúdos partilhados
é saber como é possível dialogar com outros, como trocar material afetivo numa
relação, o que exige um padrão do grupanalista coerente e participante neste
diálogo.</italic>
</p>
</list-item>
</list>
</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>VII - Risco de caixa de ressonância Crítica - o fenómeno do bode
expiatório</bold>
</title>
<p>Os grupos, tal como as
relações duais e as famílias podem ser disfuncionais, criando-se o risco de
amplificar traumas e imagens/representações patogénicas e patológicas por N
razões transfero-contratransferenciais. Este risco existe sempre. Nos grupos
este risco pode surgir sob a forma de caixa de ressonância crítica adoptando o
que podemos chamar de <italic>fenómeno de bode
expiatório</italic>. Cabe ao grupanalista estar atento e interpretar numa
contratitude de bonomia, a destrutividade de modo a transformá-la numa mais
valia sempre que possível ponte para novos conhecimentos.</p>
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<title>
<bold>Vinheta:</bold>
</title>
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<title>
<underline>Grupo
grupanalítico (3sessões por semana) com 3 homens e 3 mulheres</underline>
</title>
<p>
<bold> Xavier</bold> era um homem que sofrera várias separações e rejeições e que reagia às frustrações relacionais pela vida, rompendo-as, afastando-se. Vivia numa grande solidão, envolvido num conflito com os seus filhos já adultos, que se recusavam a estar com ele, mesmo por curtos períodos ou ao telefone. Estava sempre a queixar-se de todos os objetos relacionais passados e presentes. Sentia-se incompreendido e maltratado por toda a gente. As suas narrativas eram sentidas como enfadonhas, sem esperança, predominantemente projetivas recusando-se/negando qualquer contribuição sua nos vários conflitos, em que estava permanentemente envolvido. Tinha, pois, uma personalidade com traços narcísicos e paranoides acentuados, negando também a reciprocidade das necessidades dos Outros no grupo, tendendo a ocupar sessões inteiras com aparente indiferença pelos Outros. </p>
<p>  Numa sessão em que este seu padrão relacional foi muito evidente, os <bold>outros </bold>demonstravam pela expressão corporal que estavam aborrecidos, irritados. <bold>Um dos membros</bold> do grupo expressou verbalmente, num tom irritado, que lá estava ele de novo a acusar os filhos que eram intrinsecamente maus.<bold> Xavier </bold>negou de imediato, entrando em contradições sucessivas, numa narrativa muito confusa e defensiva. Os outros membros do grupo acentuaram e criticaram este padrão relacional monotonamente acusatório e agressivo, sobretudo em relação aos filhos. O <bold>GA</bold> sentiu uma atmosfera de grande tensão e agressividade, de que também partilhava; tendo consciência da sua contratransferência negativa, percebeu que um fenómeno de bode expiatório se estava a desenvolver e tentou destacar-se da ressonância crítica, descontinuando outra melodia também comum e que estaria a ser defensivamente evitada, e perguntou a Todos: “O que é que haverá em nós que possa ser experienciado como imutável, frustrante, desencadeando uma extrema impotência”? </p>
<p>  Todos começaram a falar das suas partes do self que dificilmente mudavam, das frustrações e conflitos dificilmente mentalizáveis e verbalizáveis, mesmo em relação à grupanálise. Um fenómeno de bode expiatório foi evitado e a força destrutiva foi usada como fator de evolução, de elaboração.</p>
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<title>
<bold>VIII - Caixas de Ressonância Empática</bold>
</title>
<p>Mas, o que pretendemos
é que os grupos funcionem predominantemente como caixas de ressonância
empática, em que cada membro dá e recebe de outros, representações/imagens até
aí desconhecidas ou recuperadas; corrige as representações negativas,
deturpadas, estranhas do passado de modo a retomar o desenvolvimento do self.
Dinis (2003) descreveu este conceito como momentos de adequação mútuos de
autenticidade e intimidade, ocorrendo no campo do conhecimento relacional
implícito com grandes potencialidades de mudanças: a interpretação é a
resultante de um trabalho de todos e com todos os membros do grupo, adquirindo
um sentido comum de que resulta um potencial emocional transformador. Ouviram
algumas vinhetas em que os doentes faziam uma clara alusão a este conceito.</p>
</sec>
<sec>
<title>
<bold>IX - Reflexões Finais</bold>
</title>
<p> A Grupalidade proporciona a ressonância do estranho e do familiar. Prefiro dizer que pode proporcionar a ressonância do que é rígido e destrutivo, mas, pretende-se essencialmente que proporcione a ressonância do que é autêntico, criativo e livre.</p>
<p> Voltando à metáfora do desenvolvimento da personalidade para compreender o tratamento grupanalítico: na Escola Portuguesa de Grupanálise de que faço parte, tendemos a obviar as dificuldades e riscos destrutivos dos grupos com alguns procedimentos:</p>
<p>
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<list-item>
<p> - Tendemos a iniciar um processo grupanalítico por um período inicial variável de relação dual onde a aliança terapêutica se consolide, numa relação transferencial natural e inicialmente idealizada que permitirá o embate com o conhecimento da cena primitiva e da dinâmica da fratria. </p>
</list-item>
<list-item>
<p>- Tendemos a aumentar a frequência
das sessões (2 a 3/semana) não só por razões de estimulação do aparecimento dos
fenómenos transferenciais e sua compreensão/interpretação, mas também porque
pensamos que é preciso tempo para cada membro, para o seu passado e presente.
Tal como nas famílias os pais têm de prestar atenção a cada filho, tendo em
conta a família como um todo.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>- Tenho verificado que os grupos
terapêuticos que conduzimos, sobretudo no privado fora dos constrangimentos e
imposições institucionais, são mais pequenos, com um menor nº de membros.
Poderá ser resistência ao trabalho com a grupalidade, pode ser a crise das
nossas disciplinas, com a diminuição da procura que necessariamente dificulta a
formação e a manutenção de grupos. Mas cada vez é mais claro para mim que gosto
de trabalhar com grupos menos numerosos (5 membros idealmente) onde posso
ser/ter o padrão grupanalítico em que acredito e de que gosto, onde tento
proporcionar a cada membro do grupo a liberdade de pensar, sentir o seu passado e presente e a responsabilidade de
participação no seu destino e no de outros.</p>
</list-item>
</list>
</p>
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<bold>REFERÊNCIAS</bold>
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<title>Notas</title>
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<label>*</label>
<p> Apresentado como conferência de abertura no XI Congresso Brasileiro de Psicanálise das Configurações Vinculares; XIII Encontro Luso-Brasileiro de Grupanálise e Psicoterapia Analítica de Prupo; IX Encontro Paulista de Saúde Mental; XII Jornada da SPAGESP - Serra Negra, S. Paulo, Brasil, 18-21 de maio de 2017. </p>
<p> Como editores, optamos por deixar a escrita no padrão português de Portugal, apresentado pela autora.</p>
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