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				<journal-title>Revista de Administração Pública</journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0034-7612</issn>
			<issn pub-type="epub">1982-3134</issn>
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				<publisher-name>Fundação Getulio Vargas</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/0034-7612144002</article-id>
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					<subject>Artigo</subject>
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				<article-title>Profissionalização da burocracia federal brasileira (1995-2014): avanços e dilemas</article-title>
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					<trans-title>La profesionalización de la burocracia federal brasileña (1995-2014): avances y dilemas</trans-title>
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					<trans-title>The professionalization of Brazilian federal bureaucracy (1995-2014): advances and dilemmas</trans-title>
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				<institution content-type="original">Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Brasília / DF - Brasil</institution>
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				<institution content-type="original">Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Brasília / DF - Brasil</institution>
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			<author-notes>
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					<p>Pedro Cavalcante Doutor em ciência política e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). E-mail: cavalcante.pedro@gmail.com.</p>
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					<p>Paulo Carvalho Mestre em psicologia clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e assessor da Escola de Governo em Saúde - Fiocruz, Regional Brasília (DF). E-mail: pascarval@gmail.com.</p>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Feb</season>
				<year>2017</year>
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			<volume>51</volume>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O objetivo deste artigo é analisar o processo de profissionalização da burocracia brasileira no âmbito da administração pública federal. Nesse sentido, a pesquisa se propõe a responder quais seriam os avanços e dilemas persistentes no período democrático recente, entre 1995 e 2014. Após uma revisão de literatura da evolução histórica da burocracia federal, o trabalho discute dimensões centrais relativas à profissionalização do serviço público no país. Conclui-se que houve um conjunto amplo de avanços no que tange a recomposição e diversificação da força de trabalho, valorização pecuniária, aumento da qualificação, entre outros. Todavia, permanecem dilemas e desafios, sobretudo, no enfrentamento do fosso histórico entre carreiras e cargos na administração pública federal.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>Resumen</title>
				<p>El objetivo de este trabajo es analizar el proceso de profesionalización de la burocracia brasileña del gobierno federal. En este sentido, la investigación pretende responder cuáles son los avances y dilemas persistentes en el período democrático reciente entre 1995 y 2014. Después de una revisión de la literatura sobre la evolución histórica de la burocracia federal, el artículo analiza las dimensiones clave relacionadas con la profesionalización del servicio público de país. De ello se concluye que existe una amplia gama de avances con respecto a la recuperación y la diversificación de la fuerza laboral, la valoración financiera, el aumento de la formación, entre otros. Sin embargo, los dilemas y desafíos permanecen, sobre todo para hacer frente a la brecha histórica entre carreras y puestos en la administración pública federal.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>The paper analyzes the professionalization process of Brazilian federal bureaucracy, aiming to uncover advances and persistent dilemmas that have been present in Brazil’s recent democratic period, between 1995 and 2014. Following a literature review of the historical evolution of federal bureaucracy, the paper discusses key dimensions related to the professionalization of the public service. It concludes that there was a wide range of advances with regard to recovery and diversification of the workforce, financial valuation, and training, among others. However, dilemmas and challenges remain, especially related to the historical gap between careers and positions in federal public administration.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>burocracia</kwd>
				<kwd>profissionalização</kwd>
				<kwd>reformas</kwd>
				<kwd>administração pública federal</kwd>
				<kwd>Brasil</kwd>
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				<title>Palabras clave</title>
				<kwd>burocracia</kwd>
				<kwd>profesionalización</kwd>
				<kwd>reformas</kwd>
				<kwd>gobierno federal</kwd>
				<kwd>Brasil</kwd>
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				<title>Keywords</title>
				<kwd>bureaucracy</kwd>
				<kwd>professionalization</kwd>
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				<kwd>federal government</kwd>
				<kwd>Brazil</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>1. Introdução</title>
			<p>O objetivo principal deste artigo é analisar o processo de profissionalização da burocracia brasileira no âmbito da administração pública federal. O trabalho discute a formação histórica do serviço público no país e foca, sobretudo, as mudanças recentes que impactaram a profissionalização da burocracia federal. A pesquisa procura descrever a configuração atual da burocracia federal brasileira de modo a analisar se as mudanças dos governos democraticamente eleitos (1995 a 2014) avançaram no aperfeiçoamento da burocracia e também superaram o problema histórico das desigualdades dentro do quadro de pessoal do Executivo federal.</p>
			<p>O termo burocracia pode ser compreendido de inúmeras formas. Para fins deste trabalho, a burocracia significa o corpo permanente do Estado, isto é, atores não eleitos do Estado, sejam eles membros de carreiras ou não. A burocracia é um dos pilares institucionais para o eficiente funcionamento do sistema democrático e para a aplicação do estado de direito, por possibilitar maior continuidade, coerência e relevância às políticas públicas e por assegurar maior imparcialidade e objetividade à autoridade pública (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Stein et al., 2006</xref>). Por outro lado, sua fragilidade tende a gerar ineficácia e desperdício de recursos públicos, cenário comum em países latino-americanos.</p>
			<p>Nesse contexto, o estudo seminal de <xref ref-type="bibr" rid="B13">Evans e Rauch (1999</xref>) analisa a relação entre a burocracia, a partir de uma “escala weberiana” que mensura aspectos de recrutamento meritocrático e estrutura de carreiras, e crescimento econômico de 35 nações em desenvolvimento entre 1970 e 1990. Os resultados sugerem forte correlação entre as características weberianas das burocracias e maiores taxas de crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) dos países analisados. O caso dos países denominados Tigres Asiáticos reflete bem essa relação, uma vez que a burocracia altamente profissional e meritocrática de Estados fortes e autônomos são consideradas determinantes do desenvolvimento dessas nações (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Stein et al., 2006</xref>).</p>
			<p>É importante salientar que, embora fundamental no Estado, a burocracia continua subordinada aos governos, sejam eles eleitos ou não. Não obstante, seu grau de autonomia, que varia de acordo com o sistema de mérito - adoção de regras impessoais e inflexíveis para ingresso e promoção na carreira -, a estabilidade e a remuneração adequada tendem a refletir na capacidade da burocracia em formular e implementar políticas públicas (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abrucio, Loureiro e Pacheco, 2010</xref>). Em outras palavras, quanto mais autônoma, menores as chances de arbitrariedade e interferência de critérios fisiológicos e particularistas.</p>
			<p>Em três décadas de retomada da democracia no Brasil, o país vive crescente consolidação das atribuições do Estado democrático, com contradições e diferenciados níveis de amadurecimento entre as diversas áreas da administração pública e as esferas federal, estadual e municipal.</p>
			<p>No âmbito federal, estudos vêm demonstrando que o grau de profissionalismo da burocracia brasileira é alto em relação aos demais países em desenvolvimento (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Evans e Rauch, 1999</xref>), sendo a profissionalização relacionada com o grau de cumprimento dos requisitos do modelo burocrático clássico. Do mesmo modo, em comparações na América Latina, <xref ref-type="bibr" rid="B33">Stein e colaboradores (2006</xref>), com base em indicadores que combinam características de autonomia e capacidade funcional, colocam o Brasil, em conjunto com Chile e Costa Rica, como os países que possuem uma burocracia do tipo meritocrática, isto é, com um nível de formação ou conhecimento especializado, composta por servidores públicos permanentes, contratados com base no mérito e incorporados em carreiras profissionais com incentivos. Por conseguinte, nesses países, servidores costumam expressar opiniões e agir com forte influência sobre o processo decisório.</p>
			<p>Entretanto, não se trata de uma concepção absoluta; ao contrário, as avaliações das burocracias são relativas, sobretudo porque os níveis de desenvolvimento variam muito entre países e também entre momentos históricos. No Brasil não é diferente. O que explica, portanto, o desenvolvimento profissional da burocracia federal? Se, por um lado, a literatura descreve a burocracia federal brasileira como profissional, por outro, a história do serviço público no Brasil remonta ao velho dilema da disparidade de qualificação e valorização entre os burocratas. Para melhor compreender o cenário atual, este artigo debate a formação histórica da burocracia federal e investiga os efeitos das mudanças recentes.</p>
			<p>Um recorte temporal de análise evidencia que, desde o início da democratização (1985), o serviço público vem passando por várias e profundas transformações, desde a reforma gerencial de meados dos anos 1990 e, mais recentemente, pela reestruturação do aparelho de Estado sob o discurso da retomada do desenvolvimento nacional. Esse período é caracterizado por relativa estabilidade monetária, ampliação do acesso a políticas sociais (preconizado pela Constituição Federal de 1988) e por políticas expansionistas que fortaleceram o mercado de consumo interno e diminuíram a pobreza e a desigualdade social.</p>
			<p>Para analisar a evolução da burocracia federal brasileira ao longo desse período, o trabalho aborda as seguintes dimensões: composição e ingresso do quadro de pessoal, política salarial, avaliação de desempenho, ocupação de cargos de livre nomeação e formação/qualificação. Nesse último aspecto, cabe analisar o papel exercido pelas escolas de governo na formação e no aperfeiçoamento de carreiras específicas da administração pública federal e no desenvolvimento técnico-gerencial da ampla gama de servidores engajados nas políticas públicas coordenadas pelo governo federal.</p>
			<p>Além desta introdução, o artigo traz uma abordagem objetiva da evolução histórica da profissionalização do serviço público no país, de modo a contextualizar a configuração do cenário atual. Em seguida, são traçadas análises, de 1995 a 2014, de variáveis centrais, como evolução do quadro de pessoal e ingresso, médias salariais, sistemas de avaliação e desempenho, ocupação de cargo de confiança, entre outras. Por fim, são tecidas considerações finais sobre os avanços e os dilemas presentes no processo de profissionalização da administração pública brasileira.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. Histórico da burocracia no Brasil</title>
			<p>Obviamente, a institucionalização de um quadro de pessoal não é consequência de um único momento histórico ou fruto da decisão de um governo. Ao contrário, a complexidade inerente ao corpo burocrático de um Estado envolve um conjunto abrangente de mudanças suscetíveis a transformações socioeconômicas e que não necessariamente são convergentes do ponto de vista ideológico. Logo, a análise conjuntural que vise a explicar a configuração da burocracia deve remeter à sua evolução histórica, uma vez que se trata de um processo de formação com determinantes de diversas ordens.</p>
			<p>Cabe ressaltar que, a despeito das transformações por que a burocracia brasileira passou, mesmo sendo avaliada positivamente em comparações internacionais, muitos resquícios negativos seculares são perceptíveis até os dias atuais.</p>
			<p>No caso brasileiro, esse processo remonta ao longo período do Brasil colônia, no qual coexistiam a atuação centralizadora da Coroa portuguesa, normalmente pouco efetiva, e a força do poder público patrimonialista local marcado pelo personalismo e a privatização do espaço público (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Abrucio, Loureiro e Pacheco, 2010</xref>). Essa mistura de modelos de administração pública era viável devido ao fato de a Coroa se restringir, em boa medida, à coleta de impostos, enquanto a administração pública era de responsabilidade dos políticos locais, como bem exposto por <xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho (2011</xref>:1):</p>
			<disp-quote>
				<p>A função pública era basicamente arrecadadora e assumia a forma delegada, isto é, a Coroa transferia os negócios públicos aos poderosos locais. Esses, por sua vez, embora não fossem funcionários da Coroa, tinham o poder de nomeação aos cargos públicos, respeitados os limites fixados pela Coroa.</p>
			</disp-quote>
			<p>O poder dos clãs locais na condução dos negócios públicos envolvia a nomeação ao serviço público, considerada uma honraria e também uma estratégia de cooptação dos denominados “homens bons”. Sem nenhum critério meritocrático, a estrutura da administração pública constituía, assim, a continuidade do poder dos clãs para além da esfera econômica e militar de que já dispunham (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Viana, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Leal, 2012</xref>).</p>
			<p>Apesar de algumas mudanças introduzidas pelas reformas pombalinas (lideradas pelo marquês de Pombal, secretário de Estado do reino português entre 1750-77) do século XVIII, foi com a transferência da Coroa portuguesa para o Brasil, em 1808, que se inicia a construção do Estado nacional, sobretudo de uma nova elite de brasileiros. A necessidade de estruturação da burocracia era consequência natural do avanço de obras e de novas instituições públicas que foram intensificadas após a independência, diante do desafio de construção da unidade nacional e da soberania (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho, 2011</xref>).</p>
			<p>Nesse período, surgem as primeiras sementes do funcionamento do Estado brasileiro. A burocracia do Império era pouco eficaz e, predominantemente, caracterizada como meio de aliciamento e prática de clientelismo. O poder das oligarquias no controle dos cargos públicos foi pouco alterado, o que refletiu no caráter estável da ocupação de cargos, que variava de acordo com a composição do Parlamento e do Conselho de Estado, em detrimento de fatores como competência técnica.</p>
			<p>Por outro lado, dá-se início à formação de uma elite burocrática selecionada por mérito, que possui formação acadêmica bastante homogênea, principalmente realizada na Europa. Embora com um mínimo de meritocracia, o processo de inserção na máquina pública ainda se constituía bem afastado do modelo clássico weberiano.</p>
			<p>Em suma, a denominada “elite de letrados”, composta, predominantemente, por advogados, engenheiros e médicos (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Viana, 1999</xref>), tornava-se cada vez mais influente no Estado brasileiro e convivia com outro segmento da burocracia com perfil menos qualificado e com forte componente patrimonialista (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Faoro, 1958</xref>).</p>
			<p>Com a proclamação da República, em 1889, a expectativa era de transformação da administração pública, haja vista o discurso de modernização revolucionário do período. Entretanto, a Primeira República (1889-1930) é marcada pelo enfraquecimento do Estado brasileiro, sobretudo na esfera federal. Com a política dos governadores, prevalece a patronagem subnacional via liderança de chefes locais, conhecidos como “coronéis” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Leal, 2012</xref>), em detrimento da profissionalização da burocracia, salvo as carreiras militares e a diplomacia.</p>
			<p>Em termos de dimensionamento da força de trabalho, na Primeira República, predominava a população na zona rural, com pouca demanda por serviços públicos. A atuação do governo era muito limitada e refletia um período de reduzido emprego público, como expõe <xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho (2011</xref>:42):</p>
			<disp-quote>
				<p>A dimensão diminuta do emprego público em relação à população era a contrapartida da reduzida oferta de serviços públicos no País. Até os anos 1930, priorizava-se o apoio às atividades exportadoras, à arrecadação de tributos e à manutenção da ordem pública nos centros urbanos, deixando em segundo plano serviços como correios e telégrafos, escolas, hospitais e faculdades isoladas, nas quais os serviços eram providos de maneira pontual e restritos às grandes cidades.</p>
			</disp-quote>
			<p>A título de ilustração, entre 1872 e 1920, a razão entre empregados públicos civis e militares e a população se elevou de 0,37% a 0,6%, ou seja, uma parcela ínfima, se comparada aos padrões atuais ou de países desenvolvidos (<xref ref-type="bibr" rid="B25">OCDE, 2010</xref>). Além da inexistência de inchamento da máquina administrativa, duas outras características se mantiveram na transição entre o Império e a República: i) a continuidade do ingresso da maioria dos servidores com base em critérios personalistas; e ii) a elitização de quadro altamente qualificado e bem remunerado na ocupação do alto escalão (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Graham, 1968</xref>).</p>
			<p>Após mais de 100 anos de país soberano, somente nos anos 1930, a administração pública brasileira inicia seu primeiro processo de reforma. As transformações da sociedade e do Estado atreladas à transição do Brasil agrário para um perfil mais industrial e, por conseguinte, ao projeto de desenvolvimento econômico nacionalista demandavam a modernização das estruturas do aparelho estatal, capaz de introduzir as mudanças necessárias (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lustosa, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Torres, 2012</xref>).</p>
			<p>Durante o primeiro governo do presidente Getúlio Vargas, de 1930 a 1945, foi criado um amplo conjunto de órgãos e empresas estatais, inclusive no setor produtivo, como Vale do Rio Doce e Companhia Siderúrgica Nacional. Aliado a isso, o Estado também atua no sentido de reestruturar o funcionalismo. A proposta de reforma na administração pública tinha como diretriz a profissionalização da burocracia nos moldes do modelo weberiano clássico. Para tanto, foram adotadas algumas regras que valorizassem o caráter meritocrático do quadro de pessoal do governo federal, tais como: concurso público, estabilidade no emprego e organização de carreiras.</p>
			<p>Boa parte das mudanças foi formulada após a criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp) em 1938, que tinha como objetivo principal a promoção da racionalização burocrática do serviço público, a partir de uma forte influência da organização do serviço civil norte-americano (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho, 2011</xref>). De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B27">Abrucio, Loureiro e Pacheco (2010</xref>:36), “criou-se uma burocracia, a um só tempo, voltada ao desenvolvimento, institucionalmente ligada ao mérito e ao universalismo, sendo a primeira capaz de produzir políticas públicas em maior escala”.</p>
			<p>No entanto, os resultados da reforma administrativa do Estado Novo (1937-45), embora valorosa no seu empenho de superação do patrimonialismo secular por um padrão de administração pública mais racional e eficiente, não alcançaram os objetivos preestabelecidos. Sem dúvida, significou uma mudança importante; todavia, muitos obstáculos na implementação de um sistema de mérito universalista ocorreram devido ao caráter ambíguo com que o presidente Vargas lidava com as oligarquias. O preenchimento dos cargos via concurso público era bem inferior àqueles de indicação política. Como consequência, algumas carreiras e órgãos passaram a se constituir como insulamentos burocráticos, qualificados e meritocráticos, bem distintos da grande maioria do serviço público.</p>
			<p>Se no período democrático de 1945 a 1964 não se observam mudanças significativas na burocracia federal, o mesmo não ocorre durante o Regime Militar. O Decreto-Lei n<sup>o</sup> 200 de 1967, sob forte influência da Comissão Especial de Estudos da Reforma Administrativa (Comestra), pode ser considerado a segunda reforma administrativa do país. Além dos seus princípios, a norma também estabelecia a organização da administração pública federal, regras de administração orçamentária e financeira, compras governamentais e organização de pessoal civil.</p>
			<p>A principal diretriz, num contexto de expansão da intervenção do Estado na economia, envolvia um amplo processo de descentralização ou, mais precisamente, de desconcentração das atividades da administração direta. O planejamento e as atividades de coordenação e controle são priorizados, tendo em vista o incentivo à flexibilidade gerencial, sobretudo na administração indireta. Nesse sentido, foram criadas algumas carreiras de Estado baseadas em princípios meritocráticos, além da modificação do estatuto do funcionalismo de estatutário para celetista, com regras trabalhistas mais semelhantes às da iniciativa privada (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Torres, 2012</xref>).</p>
			<p>Apesar dos avanços na ocupação no setor público, a reforma reforçou o fosso entre o Estado tecnocrático e moderno na administração indireta e o Estado burocrático, formal e defasado da administração direta. Não por acaso, o processo de insulamento foi intensificado, o que foi bem caracterizado pelo fenômeno de anéis burocráticos. Esse fenômeno envolve a constituição de ligações de negociações entre o Estado e os interesses de certos grupos da sociedade civil, mas sob a singular forma de não se caracterizarem como grupos de pressão genuínos e autônomos, e, sim, fazendo parte do próprio aparato estatal, normalmente sob a liderança de um funcionário do Estado (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Cardoso, 1973</xref>).</p>
			<p>A redemocratização, iniciada em 1985, trouxe alguns importantes avanços em termos de profissionalização do serviço público. Entre eles, vale destacar a universalização do princípio de concurso público para recrutamento do servidor e o estabelecimento do Regime Jurídico Único (RJU), ambos instituídos na Constituição Federal de 1988. Esse último amplia para as autarquias e fundações a estabilidade já existente aos servidores da administração direta. Ademais, a criação de escolas de governo, como a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e o Centro de Desenvolvimento da Administração Pública (Cedam), ambos vinculados à Secretaria de Recursos Humanos, indica a crescente preocupação com a formação e a capacitação do quadro de pessoal, até então pouco priorizado.</p>
			<p>Após um período com poucas mudanças relevantes nos governos Fernando Collor (1990-92) e Itamar Franco (1992-94), a gestão de Fernando Henrique Cardoso (FHC) se inicia com um discurso reformista que associava a continuidade da estabilidade monetária e a retomada do crescimento econômico a um processo de reforma administrativa voltado para mais eficiência no setor público (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Souza, 2001</xref>).</p>
			<p>Com base nas premissas da nova gestão pública - <italic>new public management</italic> (NPM) - internacionalmente difundidas, sobretudo em nações mais desenvolvidas, o projeto reformista propunha uma reformulação no escopo de intervenção estatal e a superação do modelo de administração pública “burocrática”, supostamente ineficaz e permeada de interesses clientelistas e pouco universais, pelo modelo gerencial. Em síntese, <xref ref-type="bibr" rid="B8">Carneiro e Menicucci (2011</xref>:10) caracterizam a nova gestão pública ou <italic>new public management</italic> (NPM) como:</p>
			<disp-quote>
				<p>Um rótulo dado por consultores para definir as reformas do setor público, de modo a enfatizar os elementos comuns, e cujo modelo atacava o núcleo das doutrinas básicas da administração pública progressiva, particularmente substituindo a ênfase em regras gerais pela ênfase em resultados. Essas transformações estão vinculadas ao movimento político e ideológico, com raízes também econômicas, de propostas e ações no sentido de uma reforma do Estado.</p>
			</disp-quote>
			<p>No Brasil, a proposta, em boa medida, se materializou no Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado (PDRAE) de 1995. O pressuposto básico era que a crise latino-americana era uma crise do Estado. Além de reduzir as atividades do Estado, via privatização e publicização de alguns setores, a gestão do denominado núcleo estratégico deveria ter como foco o papel de regulador e ser pautada pelo modelo gerencial da administração pública (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Matias-Pereira, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 1995</xref>). Isto é, em vez da rigidez e da ineficiência que marcavam a máquina administrativa, o serviço público se voltaria para a gestão por resultados nos moldes da iniciativa privada.</p>
			<p>Em termos práticos, entre os eixos centrais de mudanças institucionais que foram incorporados na Emenda Constitucional n<sup>o</sup> 19 de 1998, à exceção das privatizações e da consequente instauração das agências reguladoras, em termos institucionais (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho, 2011</xref>), os resultados das demais mudanças propostas pela reforma do Estado foram menos efetivos, especialmente na avaliação estrutural (racionalização) e na criação das agências executivas (flexibilização) e de organizações sociais (publicização).</p>
			<p>Assim como nas experiências internacionais (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Pollit e Bouckaert, 2011</xref>), a reforma gerencial brasileira não transformou o funcionamento do aparelho estatal, conforme preconizava o PDRAE. O projeto capitaneado pelo ministro da Administração Federal e da Reforma do Estado (Mare), Bresser-Pereira, é defendido como uma ampla estratégia de reforço da constituição dos corpos burocráticos permanentes do Estado (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bresser-Pereira, 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Pacheco, 2010</xref>). No tocante à profissionalização do servidor público, o foco do Plano se voltava para a valorização do núcleo estratégico, ou seja, o fortalecimento das carreiras de Estado, tanto em termos de capacitação quanto de remuneração (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Pacheco, 2010</xref>).</p>
			<p>Passada a reforma de 1995 e a alternância da Presidência da República, em 2003, o novo governo não apresentou proposta de reforma administrativa consolidada. Ao contrário, o período foi marcado pelas constantes críticas à onda reformista, em especial a ideia da necessidade de uma máquina administrativa reduzida como uma das soluções para enfrentar a crise fiscal do Estado. O debate pretendia ultrapassar a dicotomia entre Estado mínimo e máximo. A constante demanda por desenvolvimento econômico, superação dos obstáculos de infraestrutura históricos, as pressões previdenciárias e o discurso de resgate da “dívida social” brasileira - o enfrentamento à pobreza e à desigualdade - impunham a necessidade de uma burocracia em condições não apenas quantitativa, como também qualitativa, para fazer frente a esses desafios. Assim como no governo Brasil (2003-10), a gestão de Dilma Rousseff (2011-14) também não adotou um discurso oficial reformista, apesar de ambos terem implementado um conjunto de iniciativas relacionadas com a gestão de pessoas. No período, a temática, todavia, continuou na agenda governamental, sobretudo, em função de uma forte pressão dos sindicatos de servidores por reposição do quadro funcional e melhorias salariais.</p>
			<p>Nesse sentido, este trabalho visa a aprofundar a compreensão dos resultados, em termos de profissionalização da burocracia, das políticas de cinco gestões presidenciais (FHC, Lula e Dilma), de 1995 a 2014, e assim responder a seguinte pergunta: quais seriam os avanços do período e dilemas que persistem na administração pública federal?</p>
			<p>Para abordar o processo de profissionalização da burocracia nesse período, o artigo analisa a evolução das seguintes variáveis: i) quadro de pessoal e ingresso; ii) política salarial no setor público; iii) avaliação de desempenho; iv) ocupação de cargo de livre nomeação; e v) formação e capacitação.</p>
			<sec>
				<title>2.1 Evolução no quadro de pessoal e ingresso</title>
				<p>Conforme mencionado no tópico anterior, as transformações políticas e econômicas durante os primeiros anos de redemocratização do Brasil tiveram bastante impacto não apenas no perfil, mas, especialmente, na configuração da força de trabalho da administração pública federal.</p>
				<p>A primeira variável relevante para analisar o quadro de pessoal é justamente seu quantitativo dos servidores ativos do Poder Executivo. Considerando o papel crucial que a Constituição Federal de 1988 desempenhou na estruturação do quadro de pessoal, o <xref ref-type="fig" rid="f1">gráfico 1</xref> ilustra essa evolução a partir dessa data até o fim de 2014.</p>
				<p>
					<fig id="f1">
						<label>Gráfico 1</label>
						<caption>
							<title>Evolução do quantitativo de servidores civis ativos do Poder Executivo (1988-2014)</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gf1.jpg"/>
						<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil (2015)</xref>. Elaboração própria.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Os dados retratam com clareza um forte processo de redução do quantitativo de servidores no governo federal entre 1989 e 2000, que passa de aproximadamente 700 mil servidores para menos de 500 mil. Entre as principais explicações, vale salientar a intensificação das privatizações e do processo de descentralização aos governos subnacionais de determinadas áreas de políticas públicas. Ademais, ocorre uma forte pressão das aposentadorias, uma vez que a média de concessão de benefícios entre 1995 e 2003 ultrapassa os 20 mil anuais, justamente englobando os dois períodos de reformas previdenciárias (1998 e 2003) que geraram certa “correria” por aposentadorias devido à insegurança quanto às alterações das regras estabelecidas. O fenômeno é amenizado a partir de 2004, quando a média se reduz pela metade (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil, 2015</xref>).</p>
				<p>Nesse cenário, podemos dividir o período em dois momentos bastante distintos: um de redução (1995-2002) e outro de reversão ou recomposição do quadro de funcionários ativos do Executivo Federal (2003-14). A desaceleração das aposentadorias, sem dúvida, tem influência sobre o primeiro momento; todavia, outro diferencial está no fato de o governo federal ter iniciado a ampliação, de forma significativa, do número de concursos públicos, o que elevou o quantitativo anual de novos servidores. A média de ingressos anual entre 2003 e 2014 é de mais de 21 mil, enquanto entre 1995 e 2000 o quantitativo médio de servidores novos por ano gira em torno de 8,5 mil<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil, 2015</xref>).</p>
				<p>O discurso, que muitas vezes é fomentado pela opinião pública, de inchaço da máquina pública, portanto, não encontra base empírica, na medida em que, mesmo com o processo de reposição de pessoal pós-2003, o quantitativo atual continua bem longe de 25 anos atrás. Cabe ressaltar que, nesse ínterim, o governo federal ampliou o leque de atuação, em especial nas políticas sociais, de acordo com os dispositivos estabelecidos na Constituição Federal. Aliado a isso, dados da <xref ref-type="bibr" rid="B25">OCDE (2010)</xref> demonstram que o emprego público no Brasil, incluindo os três níveis de governo, gira em torno de 11%, enquanto a média dos países-membros dessa organização é de aproximadamente o dobro.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>
				</p>
				<p>Outra característica interessante do período envolve os movimentos distintos no perfil das carreiras e cargos que foram admitidos desde 1995. Os dados do Boletim Estatístico de Pessoal (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil, 2015</xref>) confirmam que, durante o processo de implementação da reforma gerencial (1995-2000), houve a priorização do ingresso de carreiras do núcleo estratégico<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>, em consonância com o Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado (PDRAE). Essas carreiras correspondem em média a 25% de todas as admissões, enquanto a média do período de 2003 a 2014 é de aproximadamente 10%. Entretanto, se nesse primeiro momento o ingresso se restringiu a apenas 14 carreiras/cargos, no segundo ocorre uma diversificação significativa. Além do número supracitado, mais 34 carreiras/cargos, sejam elas antigas ou recém-criadas, receberam novos admitidos.</p>
				<p>Em síntese, de fato, observam-se dois momentos distintos em relação à estruturação da força de trabalho do Executivo federal que refletem tanto estratégias políticas diferentes como também são afetados pela conjuntura econômica e mudanças nas regras previdenciárias. A recomposição do quadro funcional pós-2003 é, em boa medida, influenciada pela política expansionista do governo que se refletiu em medidas deliberadas de fortalecimento da capacidade estatal como forma de enfrentar os desafios do desenvolvimento do país, o que justifica, por exemplo, a criação das carreiras de analista de infraestrutura, analista de políticas sociais e de especialista em regulação.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>2.2 Política salarial no setor público</title>
				<p>A política salarial no setor público é um aspecto determinante na compreensão da profissionalização da burocracia. Além de ser o maior incentivo pecuniário, o salário também pode ser analisado sob a ótica da valorização do servidor. Uma política remuneratória adequada tende ainda a exercer importante função de atratividade de bons profissionais, competindo com as opções da iniciativa privada.</p>
				<p>Devido à complexidade do setor público, em especial o Poder Executivo federal brasileiro, coexistem dezenas de cargos e carreiras diferentes. Logo, é natural que haja uma hierarquia salarial (ordenamento das remunerações) no setor público que, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marconi (2010</xref>), normalmente é influenciada por: i) complexidade das atribuições; ii) competências requeridas; iii) responsabilidades inerentes ao cargo; iv) desempenho do servidor.</p>
				<p>Todavia, raramente, essas variáveis são mensuradas e comparadas com precisão e transparência. Aliadas a isso, a disponibilidade orçamentária e financeira, as pressões políticas de corporações, sejam elas numerosas ou com acesso mais próximo ao alto escalão, como também a estratégia da política de gestão de pessoas do governo são determinantes nas decisões sobre remuneração na administração pública.</p>
				<p>Para se analisar as políticas salariais adotadas, o <xref ref-type="fig" rid="f2">gráfico 2</xref> retrata a evolução da remuneração média de dois dos principais grupos de servidores civis ativos, carreiras do núcleo estratégico<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> e do Plano de Carreiras e Cargos (PCC), depois alterado para Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE), tendo como referência o valor inicial da carreira. Embora ambos correspondam a quadros de nível superior, os dois grupos encontram-se nos extremos da política remuneratória do governo federal.</p>
				<p>
					<fig id="f2">
						<label>Gráfico 2</label>
						<caption>
							<title>Evolução da remuneração média de servidores civis ativos do poder executivo, 1996-2014 (r$ corrigidos pelo ipca)<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>
							</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gf2.jpg"/>
						<attrib>Fontes: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil (2015)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B18">IBGE (2016)</xref>. Elaboração própria.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Os dados indicam políticas salariais bastante distintas. O primeiro aspecto relevante é o fato de que, apesar da priorização, entre 1995-2002, de ingresso de carreiras do núcleo estratégico, em termos remuneratórios, em média, esses servidores sofreram diminuição do poder aquisitivo dos seus vencimentos. A redução, entre 1996 e o fim do mandato (2002), é de cerca de 35% - cinco por cento inferior à perda do pessoal do Plano Geral de Cargos.</p>
				<p>O cenário se altera com a política salarial do governo entre 2003 e 2009. Com forte valorização das carreiras do núcleo estratégico, também denominadas típicas, que obtiveram incremento de aproximadamente 230% da remuneração em valores reais. Desde 2010, entretanto, os aumentos nominais dessas carreiras não conseguem fazer frente à desvalorização inflacionária, logo, as remunerações vêm perdendo seu poder aquisitivo. Por outro lado, os servidores do Plano Geral de Cargos não tiveram reajustes até 2005, todavia nos últimos 10 anos o aumento ultrapassou os 80%.</p>
				<p>O discurso, nesse período, envolvia não apenas a valorização do servidor público, como também a necessidade de equiparar os salários aos da iniciativa privada. É importante considerar ainda a pressão e a relação dos movimentos sindicais, historicamente vinculados ao Partido dos Trabalhadores, nesse processo de incremento salarial dos servidores públicos federais. Ademais, a política de incremento constante das remunerações reflete, em grande medida, momentos de crescimento do Produto Interno Bruto, principalmente, entre os anos de 2004 e 2010.</p>
				<p>Apesar dos avanços na valorização do funcionalismo, a disparidade entre as remunerações se apresenta como um dilema relevante. Até 2002, a remuneração média do Plano Geral de Cargos se manteve em torno de 40% da remuneração média das carreiras do núcleo estratégico. Não obstante, essa diferença se ampliou consideravelmente nos anos seguintes. Fato que corrobora a interpretação de valorização maior das carreiras típicas, que inclusive passaram a receber subsídios em vez de remuneração variável, como veremos no próximo tópico. Nos últimos cinco anos analisados, a disparidade volta a se reduzir, retornando ao mesmo patamar de 29% observado em 2003, devido às melhorias nos salários médios do Plano Geral de Cargos e à desvalorização real das remunerações do núcleo estratégico.</p>
				<p>Naturalmente, a política salarial não apenas é determinada pelo contexto orçamentário-financeiro das contas públicas e pelo crescimento da economia, mas também exerce impacto sobre ambas as variáveis. Nesse sentido, os gastos com pessoal devem ser analisados sob o ponto de vista da sua sustentabilidade. O <xref ref-type="fig" rid="f3">gráfico 3</xref> ilustra a evolução dessas despesas entre 1997 e 2014. Com valores deflacionados, as barras representam a evolução da despesa em valores absolutos (R$ bilhões), enquanto a linha se refere ao percentual da despesa em relação ao PIB brasileiro.</p>
				<p>O primeiro ponto interessante é a relativa estabilidade das despesas quando se utiliza o PIB como referência. No período, os gastos não ultrapassaram a barreira dos 5%. Observa-se ainda que o incremento significativo das remunerações, exposto no <xref ref-type="fig" rid="f2">gráfico 2</xref>, apresenta forte impacto em termos absolutos, elevando as despesas em aproximadamente R$ 70 bilhões entre 2003 e 2010. Todavia, quando comparado ao PIB, os percentuais se mantiveram estáveis, principalmente em função de anos com considerável crescimento econômico vivenciado no período. Diferentemente dos últimos quatro anos, quando o arrefecimento no crescimento do PIB é refletido na redução dos gastos com pessoal.</p>
				<p>Logo, é nítida a sustentabilidade desse elemento despesa nos últimos 20 anos, considerando que o período mais recente foi marcado não apenas pela recomposição do quadro de pessoal, como também por melhorias significativas na média salarial do servidor público federal. Mesmo com essas mudanças, a despesa com pessoal da União em 2014 (3,98% do PIB) é menor do que em 1997 (4,27% do PIB), de acordo com os dados da Secretaria do Tesouro Nacional.</p>
				<p>
					<fig id="f3">
						<label>Gráfico 3</label>
						<caption>
							<title>Evolução da despesa de pessoal da união - 1997 a 2014 (r$ corrigidos pelo ipca)</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gf3.jpg"/>
						<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B34">STN (2016)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B18">IBGE (2016)</xref>. Elaboração própria.</attrib>
					</fig>
				</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>2.3 Avaliação de desempenho</title>
				<p>No serviço público, a avaliação de desempenho é uma questão bastante complexa, que possui interface não apenas com a remuneração do servidor, mas também é central no debate acerca da valorização e profissionalização da gestão pública. O tema se torna ainda mais relevante diante das mudanças recentes na configuração da administração pública federal discutidas nos tópicos anteriores. Com o processo de recomposição da força de trabalho, reorganização das carreiras e reajustes salariais crescentes, avaliar o desempenho dos servidores é um mecanismo de gestão essencial para lidar com diversas finalidades, tais como aprovação em estágio probatório, progressão funcional, promoção e pagamento de gratificações. Mas qual é o conceito de avaliação de desempenho? De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B2">Balassiano e Salles (2004</xref>:6):</p>
				<disp-quote>
					<p>É um diagnóstico sistematizado sobre a relação de compromisso existente entre os indivíduos e a organização e sobre os incidentes críticos, tanto positivos quanto negativos, que ocorrem ao longo de um período. Como tal, ela serve para instrumentalizar a elaboração de projetos e programas de melhoria contínua. Portanto, avaliar desempenho deve ser uma ação integradora com as estratégias organizacionais, buscando cumprir o estabelecido em sua missão e atingir o preconizado por sua visão de futuro. Avaliar desempenho é estratégia de gestão.</p>
				</disp-quote>
				<p>Trata-se de uma perspectiva abrangente que, logicamente, nem sempre é vista de forma positiva. Se, por um lado, alguns afirmam que têm contribuído para o alcance de vários fins, como transparência de custos e resultados, melhoria da qualidade dos serviços prestados e motivação dos funcionários (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Goldsmith e Effers, 2006</xref>), por outro, críticos afirmam que a simples transferência de práticas gerenciais da iniciativa privada tende a trazer mais problemas do que soluções.</p>
				<p>De todo modo, assim como nos países desenvolvidos, no Brasil, a prática tem avançado de forma significativa nas últimas décadas. No âmbito do governo federal, a iniciativa que criou as bases do sistema de avaliação de desempenho atual surgiu em meados da década de 1970, com a Lei n<sup>o</sup> 5.645, de 1977, e seus decretos de regulamentação. As normas estabeleciam regras para o desenvolvimento das carreiras dos servidores da administração direta (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Velasco e Silva, 2010</xref>).</p>
				<p>Com a Lei n<sup>o</sup> 8.112, de 1990, a avaliação de desempenho se torna obrigatória para fins de aprovação no estágio probatório. O tema também é incorporado na Constituição Federal (Emenda n<sup>o</sup> 19, de 1998), que amplia inclusive a possibilidade de perda de cargo, em caso de desempenho insatisfatório; entretanto, tal dispositivo nunca avançou da forma planejada.</p>
				<p>A partir de 1995, inicia-se um processo de proliferação de sistemas avaliativos direcionados mais especificamente às gratificações dos servidores. Na prática, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B36">Velasco e Silva (2010</xref>), elas foram se desvirtuando com os anos, na medida em que passaram a pagar valores fixos, devido aos obstáculos de implantação de sistemas avaliativos eficazes.</p>
				<p>Em 2008, a Lei n<sup>o</sup> 11.784 estabelece uma nova sistemática de avaliação de desempenho, que se propõe a implementar um monitoramento sistemático e contínuo da atuação individual e institucional do servidor nos órgãos e entidades que compõem o conjunto de carreiras e cargos do Sistema de Pessoal Civil do Executivo federal. A nova regulamentação, além de subsidiar a política remuneratória, visa ainda a colaborar nos processos de capacitação, desenvolvimento na carreira e movimentação de pessoal. A principal inovação do sistema<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> é a introdução de mecanismos de avaliação participativa, a saber: a avaliação 360º, instituição da Comissão de Acompanhamento da Avaliação de Desempenho (CAD) e do Comitê Gestor da Avaliação de Desempenho.</p>
				<p>No mesmo ano, entretanto, um conjunto de carreiras típicas passa a ser remunerado por subsídios fixos, ou seja, os vencimentos e gratificações vinculados às avaliações de desempenho desses servidores foram extintos. Não obstante, para os membros dessas carreiras, é criado o Sistema de Desenvolvimento na Carreira (Sidec)<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref> que, em linhas gerais, estabelece critérios objetivos e de cunho meritocrático para progressão e promoção, entre eles, a ocupação de cargos em comissão, o aproveitamento em atividades de capacitação e a produção técnica ou acadêmica. Embora com princípios voltados para o fortalecimento da profissionalização do burocrata, o Sidec não foi regulamentado desde 2008.</p>
				<p>Apesar da expansão dos subsídios para um conjunto de carreiras típicas, de acordo com dados do Boletim Estatístico de Pessoal (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil, 2015</xref>), cerca de 45% dos servidores do Executivo federal (237 mil) recebem remuneração variável de acordo com a avaliação de desempenho, tanto individual quanto institucional. A despeito da heterogeneidade das avaliações, são salutares tanto a abrangência de sistemas avaliativos quanto as tentativas de aperfeiçoamento do modelo de avaliação de desempenho introduzidas a partir de 2008.</p>
				<p>Notoriamente, a implementação efetiva de um sistema mais amplo, que não se restrinja à remuneração, apresenta-se como o grande desafio nessa dimensão da profissionalização da burocracia na administração pública federal. Contudo, vale destacar o avanço nos últimos anos, não apenas no alcance da prática avaliativa em considerável conjunto dos servidores, mas também com a instituição de regras formais e inovadoras de avaliação de desempenho na burocracia estatal brasileira.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>2.4 Ocupação de cargos de livre nomeação</title>
				<p>Como todo regime democrático, a administração pública brasileira não foge à regra, ao possuir, na sua estrutura, uma parcela de cargos em comissão ou de livre nomeação. No governo federal, predomina o Sistema de Cargos de Direção e Assessoramento Superiores (DAS), que inclui aproximadamente 23 mil cargos distribuídos por todos os ministérios e determinados órgãos da administração indireta. O sistema engloba um conjunto de cargos de assessoramento, gerência e diretorias que decrescem quantitativamente, de acordo com a complexidade das posições que se iniciam com cargos menos seniores e de nível intermediário até cargos de direção e secretarias nacionais.</p>
				<p>A sigla DAS refere-se a “Direção e Assessoramento Superior”, forma como são designados os “cargos de direção e assessoramento superiores da administração, cujo provimento deve ser regido pelo critério da confiança” (Lei n<sup>o</sup> 5.645 de 1970, art. 3<sup>o</sup>). Os DAS 6 correspondem aos seguintes cargos: secretários de órgãos finalísticos, dirigentes de autarquias e fundações e subsecretários de órgãos da Presidência da República; os DAS 5 correspondem a: chefe de Gabinete de ministro de Estado, diretor de Departamento, secretário de controle interno e subsecretário de planejamento, orçamento e administração. O cargo DAS 4 corresponde a coordenadores-gerais, chefes de Gabinete de autarquias e fundações e chefes de assessorias de Gabinete de ministros. O cargo DAS 3 é atribuído a coordenadores, o DAS 2 é designado para chefe de divisão e o DAS 1 é para chefe de seção e assistência intermediária.</p>
				<p>Criados no âmbito da reforma administrativa de 1967, diversas mudanças nas competências e atribuições foram introduzidas desde então, sem, contudo, deixar de ser um dos principais grupos de funcionários na estrutura do governo federal (<xref ref-type="bibr" rid="B12">D’Araújo e Lameirão, 2011</xref>).</p>
				<p>Alterações também envolveram as suas formas de provimento. No decorrer desse período, porém, a ocupação dos cargos manteve sua característica principal de flexibilidade. O sistema brasileiro é classificado como de emprego (<italic>position-based</italic>), por permitir que os ocupantes de DAS sejam recrutados tanto na burocracia concursada como de fora do serviço público, diferentemente do modelo puro de carreira (<italic>career-based</italic>) que segue o tipo weberiano ou organizacional, ao restringir a ocupação de cargos comissionados a servidores com vínculo formal com a administração pública (<xref ref-type="bibr" rid="B25">OCDE, 2010</xref>).</p>
				<p>Ambos os modelos apresentam vantagens e desvantagens. No caso adotado no Brasil, assim como nos Estados Unidos, o sistema de pessoal flexível e de alta mobilidade abre um espaço maior para preenchimento de cargos-chave com profissionais com trajetórias e experiências diversificadas e de notório saber. Tal prática é fundamental, principalmente em áreas de atuação recente do poder público e/ou com forte vínculo com a iniciativa privada ou terceiro setor, nas quais essas <italic>expertises</italic> podem ser disseminadas na administração pública. Do ponto de vista político, o modelo possibilita que o presidente e seus ministros tenham certo grau de liberdade para compor equipes com aliados, cooptar opositores e gerenciar recursos de poder, aspectos centrais para a manutenção da governabilidade em um sistema democrático.</p>
				<p>É importante salientar que a profissionalização da burocracia não necessariamente é prejudicada em nenhum dos modelos, uma vez que existam salvaguardas que mantenham a impessoalidade e a racionalidade na atuação dos servidores. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B21">Longo (2007</xref>:59), “A administração profissional é aquela dirigida e controlada pela política, mas não patrimonializada pela política, o que exige a preservação de uma esfera de independência e imparcialidade em seu funcionamento, por questões de interesse público”.</p>
				<p>Outra questão importante sobre os DAS é sua configuração em termos quantitativos. O <xref ref-type="fig" rid="f4">gráfico 4</xref> retrata a evolução percentual de cada um dos seis DAS existentes, bem como o seu total entre 1997<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> e 2014.</p>
				<p>
					<fig id="f4">
						<label>Gráfico 4</label>
						<caption>
							<title>Crescimento percentual dos cargos de das (1997-2014)</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gf4.jpg"/>
						<attrib>Fontes: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil (2015)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B18">IBGE (2016)</xref>. Elaboração própria.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>O primeiro aspecto importante é o fato de que até 2002 se manteve, em boa medida, uma estabilidade no total de cargos, embora com certa heterogeneidade na composição geral. Privilegiou-se o aumento do número dos DAS maiores, em detrimento dos cargos 1 e 2. O mesmo padrão de crescimento pode ser observado nas gestões seguintes, todavia, com uma intensidade bem maior, especialmente entre 2003 e 2010.</p>
				<p>O motivo central do aumento de 27% do total de DAS e, sobretudo, de cargos maiores (4 a 6) nesse período está relacionado com a elevação no número de pastas com <italic>status</italic> ministerial. Após a posse, o presidente Lula (2003) criou um conjunto amplo de novos ministérios e secretarias dentro de uma priorização de determinados setores tidos como estratégicos. Nesse sentido, muitas secretarias passaram a possuir <italic>status</italic> ministerial, sobretudo nas áreas social, como o Ministério de Desenvolvimento Social e Secretarias de Políticas para as Mulheres, e na infraestrutura, como as Secretarias de Aviação Civil e de Portos. O argumento dessa nova configuração ministerial remonta à estratégia de construção de um Estado necessário para enfrentar os desafios do desenvolvimento, em suas múltiplas dimensões.</p>
				<p>Por outro lado, se analisarmos a partir da razão do número de DAS sobre o total de servidores ativos no Executivo, identificamos que, na verdade, a relação entre os cargos comissionados e o total de servidores se mantém bastante instável. Tanto em 2003 quanto em 2014, essa relação era de apenas 3,6%.</p>
				<p>No que tange à profissionalização da burocracia, três variáveis relativas ao provimento dos cargos de DAS podem ser analisadas: relação de vínculo com a administração pública, formação acadêmica e gênero.</p>
				<p>Conforme mencionado, o modelo de ocupação é de emprego (<italic>position-based</italic>), ou seja, com um alto grau de discricionariedade do dirigente. Como se trata de um grande quantitativo de cargos, o tema é constantemente debatido na opinião pública brasileira; segundo <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pacheco (2008</xref>:3), predomina no país “a visão homogeneizadora de que os cargos de livre nomeação sempre foram preenchidos pela lógica clientelista ou político-partidária”. Em outras palavras, a grande maioria seria ocupada por servidores sem vínculo com a administração pública (sem necessidade de concurso para admissão e sem estabilidade no cargo) e com base em laços pessoais com os dirigentes, sem, contanto, possuírem formação ou qualificação adequada.</p>
				<p>Todavia, os dados empíricos desmentem tal percepção, ou seja, a maior parcela dos DAS é provida por servidores de cargos e carreiras do Estado, principalmente do governo federal, conforme fica evidente na <xref ref-type="table" rid="t1">tabela 1</xref> do Anexo, elaborado a partir dos dados do Boletim Estatístico de Pessoal (BEP) (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil, 2015</xref>).</p>
				<p>Ao analisarmos a evolução dos DAS nos últimos anos, não é possível também observar alteração significativa na dinâmica de ocupação desses cargos por servidores sem vínculo, uma vez que desde 1998 correspondem a aproximadamente 25% do quantitativo total. Notam-se, contudo, diferenças entre os próprios cargos, justamente pelo fato de representarem níveis de competência e complexidade diferenciados. Nos cargos de DAS 1 a 3, os percentuais de ocupantes sem vínculo tendem a ser menores, o que pode ser creditado à sua remuneração mais baixa e, logo, exerce pouca atratividade aos profissionais da iniciativa privada, sobretudo os não residentes na capital federal - Brasília. Por outro lado, os DAS 4 a 6 apresentam uma participação maior desse público, não apenas pelos benefícios pecuniários, mas também pelo fato de constituírem cargos de maior responsabilidade e, por conseguinte, envolverem características de natureza política fundamentais à dinâmica democrática. Por essa razão, naturalmente, quanto maior o cargo em comissão, menor a participação de servidores públicos de carreira. Entretanto, observa-se que esse último representa a maioria dos ocupantes de DAS alto, parcela que vem crescendo a cada ano.</p>
				<p>Essa é, normalmente, a abordagem utilizada pela literatura para discutir a questão da politização da burocracia. Tais dados convergem com as conclusões de boa parte dos acadêmicos que vêm trabalhando com o tema. As pesquisas de <xref ref-type="bibr" rid="B12">D’Araújo e Lameirão (2011)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B29">Praça, Freitas e Hoepers (2011</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B3">Barberia e Praça (2014</xref>) demonstram que há uma valorização de fatores como experiência profissional e qualificação na ocupação dos DAS, que normalmente variam em grau de acordo com o nível do cargo. Os mesmos resultados foram identificados em pesquisa recente, focada nos burocratas de médio escalão (DAS 1 a 5) do governo federal (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Cavalcante e Lotta, 2015</xref>), que indicam, entre os fatores mais influentes no processo de nomeação de cargos comissionados nos órgãos, a competência técnica e experiência profissional em detrimento das afinidades partidárias.</p>
				<p>A desmitificação da ideia de partidarização dos DAS na administração pública federal foi ainda reforçada com a publicação do Decreto n<sup>o</sup> 5.497, de 2005, que estabeleceu que 75% dos cargos de DAS níveis 1 a 3 e 50% dos cargos de DAS nível 4 deveriam ser ocupados, exclusivamente, por servidores de carreira, ou seja, funcionários públicos efetivos. É importante ressaltar que não há problemas na ocupação de cargos por profissionais sem vínculo com a administração pública, inclusive porque a oxigenação democrática é bem-vinda em muitos dos setores do Estado. O problema ocorre quando somente esse segmento domina os cargos de gerência e direção, prática comum em países classificados como de burocracia paralela (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Stein et al., 2006</xref>). Por outro lado, o recomendável é o equilíbrio, principalmente porque a participação de servidores efetivos não apenas tem como resultado a valorização da burocracia, como também tende a gerar maior continuidade, coerência e assegurar maior imparcialidade e objetividade às políticas públicas.</p>
				<p>Nessa direção, é essencial que os ocupantes de cargos comissionados sejam qualificados e preparados. Ao analisarmos o perfil dos DAS de acordo com o nível de escolaridade (<xref ref-type="table" rid="t1">tabela 1</xref> do Anexo), observa-se que a grande maioria possui nível superior ou pós-graduação, parcela bem acima da média dos cargos do serviço público federal, conforme veremos no tópico seguinte. Enquanto em 2014 a média de comissionados apenas com ensino médio girava em torno de 20%, essa parcela na totalidade dos servidores públicos do Poder Executivo ultrapassa 40%. Por outro lado, o percentual de ocupantes de DAS com no mínimo nível superior é de quase 80%, ao passo que a média do quadro de pessoal não chega a 50%. Além disso, nota-se que, quanto maior o DAS, mais qualificado tende a ser seu ocupante. Em outras palavras, prevalece uma correlação direta entre o maior grau de complexidade e responsabilidade das funções comissionadas com profissionais mais especializados.</p>
				<p>Por fim, a variável gênero também se apresenta como um fator relevante na análise da profissionalização da burocracia federal, na medida em que o desenvolvimento de uma sociedade pressupõe mecanismos de igualdade entre os sexos. Logo, espera-se que o amadurecimento de uma estrutura democrática acompanhe o equilíbrio entre homens e mulheres na força de trabalho, principalmente no aparelho do Estado.</p>
				<p>Os dados do <italic>Boletim estatístico de pessoal</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil, 2015</xref>) indicam que 46% dos servidores civis do Poder Executivo são do sexo feminino, percentual que se tem alterado pouco no decorrer dos últimos anos, mas que está muito próximo do observado no mercado de trabalho do país.</p>
				<p>Entretanto, o principal problema quando se analisa a ocupação de cargos de direção e assessoramento é a participação mais discreta das mulheres. Se, por um lado, os percentuais de DAS do sexo feminino aumentaram, proporcionalmente, de 1996 para os dias atuais, por outro, a disparidade se eleva na medida em que aumenta o nível do cargo. Enquanto, em 2014, o percentual de mulheres nos DAS 1 a 3 se aproximava de 45%, isto é, condizente com sua parcela no quadro funcional do Executivo, nos DAS 5 e 6 não alcançava 30%.</p>
				<p>Vale ressaltar, porém, que o cenário tem evoluído bastante nas últimas duas décadas, sobretudo nos cargos de maiores responsabilidades. A <xref ref-type="table" rid="t1">tabela 1</xref> reforça essa percepção, que também é nítida na análise do alto escalão do governo Dilma Rousseff. Em 2014, 10 mulheres ocupam cargos de ministra, número recorde e expressivo, se comparado ao histórico de 121 anos de República até 2011, quando somente 18 mulheres haviam ocupado postos semelhantes (<xref ref-type="bibr" rid="B32">SPM, 2013</xref>).</p>
				<p>Constata-se, portanto, que, mesmo com um sistema de nomeações flexível, a burocracia federal tem sido mais valorizada, o que vem refletindo na parcela cada vez maior de servidores efetivos em cargos de alta direção, um grau elevado de qualificação e um crescente equilíbrio no que tange à questão de gênero.</p>
				<p>O ponto mais crítico desse sistema não envolve seu alto grau de discricionariedade (<xref ref-type="bibr" rid="B12">D’Araújo e Lameirão, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">OCDE, 2010</xref>), mas, principalmente, o fato de inexistirem processos de seleção e recrutamento para ocupantes de DAS com base em critérios impessoais, transparentes e que fomentem ainda mais a meritocracia por meio da valorização de conjuntos de habilidades e competências predefinidas.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>2.5 Formação e capacitação</title>
				<p>A quinta dimensão abordada remete à importância da qualificação do burocrata na administração pública federal, com ênfase em questões relativas à formação e capacitação dos servidores.</p>
				<p>É notório que, quanto mais preparado, maior a propensão do servidor em desempenhar funções de alta complexidade, como também desenvolver competências múltiplas como liderança, por exemplo. Nesse sentido, o primeiro aspecto a ser analisado é o nível de escolaridade dos cargos no Poder Executivo federal, exposto no <xref ref-type="fig" rid="f5">gráfico 5</xref>.</p>
				<p>
					<fig id="f5">
						<label>Gráfico 5</label>
						<caption>
							<title>Evolução do quantitativo dos cargos de servidores civis ativos do poder executivo, segundo o nível de escolaridade</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gf5.jpg"/>
						<attrib>Fontes: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil (2015)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B18">IBGE (2016)</xref>. Elaboração própria. Nota: “Sem informação” corresponde aos cargos que não apresentam, na sua norma constituinte, definição de escolaridade.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Cabe ressaltar que os dados do <xref ref-type="fig" rid="f5">gráfico 5</xref> se referem aos níveis de escolaridade exigidos para o ingresso nos cargos do Executivo e não propriamente à formação atual dos servidores. No entanto, a abordagem temporal possibilita perceber uma forte mudança no perfil de formação inicial para ingresso na burocracia federal. É nítida a inversão na predominância entre cargos de nível médio ou técnico e de nível superior que, recentemente, constituem a maioria do quadro de pessoal desse Poder. Apesar de ser difícil mensurar imediatamente, a expectativa é que esses perfis de escolarização mais alta tendam a gerar, no médio prazo, influência positiva sobre a produtividade na administração pública.</p>
				<p>Tal fenômeno pode ser interpretado a partir de duas tendências claras: i) entre 1997 e 2002, há uma clara redução do quantitativo de servidores de nível médio, o que pode ser explicado tanto pela “corrida” pelas aposentadorias nesse período como também pela diminuição das contratações desse perfil devido à intensificação da terceirização de determinadas atividades administrativas de caráter mais operacional; ii) a partir de 2003, um processo crescente de admissão de cargos/carreiras com maior nível de especificidades, sendo a formação superior apenas a exigência mínima. Conforme já discutido, desde então, o ingresso de novos servidores tem atendido carreiras mais antigas, bem como um amplo rol de novos cargos especialmente direcionados às áreas sociais e de infraestrutura.</p>
				<p>A tendência de maior escolaridade observada no perfil dos servidores também reflete as mudanças da política de ensino superior no Brasil ocorridas no período. De acordo com o censo do ensino superior (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Inep, 2013</xref>), a taxa de matrículas entre 1995 e 2013 foi quadruplicada, com predomínio da rede privada e, mais recentemente, retomada também de vagas no ensino público.</p>
				<p>Além de maior exigência de formação como pré-requisito de ingresso, é importante mencionar que os concursos públicos no governo federal são cada vez mais disputados. A título de ilustração, concursos para as carreiras do ciclo de gestão, consideradas núcleo estratégico do Estado, ultrapassam a relação de candidatos-vaga de 100 para 1. Em outras palavras, a admissão nesses cargos demanda não apenas uma boa formação acadêmica como muito preparo no processo de seleção.</p>
				<p>Seguindo os padrões de nações consideradas detentoras de uma burocracia profissional e meritocrática, o governo federal vem desde o fim da década de 1980 investindo na capacitação continuada de carreiras burocráticas. Assim como na França, Itália e Canadá, determinadas carreiras incorporam na última etapa do processo seletivo a obrigatoriedade de curso de formação (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Cruz, 2010</xref>). No âmbito do governo federal, a prática se iniciou na diplomacia há muitas décadas, mas se ampliou, no atual período democrático, para a maioria das carreiras consideradas típicas de Estado, tais como gestores governamentais, áreas de auditoria e jurídica.</p>
				<p>Embora não obedeça a configurações rígidas, o curso de formação desempenha papel central na constituição, reconhecimento e identidade (maior coesão e maior homogeneidade no interior da categoria) dos servidores como integrantes de uma burocracia estatal. Nesse processo, é fundamental destacar o papel das escolas de governo, responsáveis pela formação inicial dos novos burocratas, bem como por atividades de desenvolvimento continuado, pós-graduação e pesquisa, e disseminação de conhecimento em gestão pública, dimensões cruciais em processos de profissionalização e valorização do servidor público.</p>
				<p>A despeito de a crescente demanda por qualificação no serviço público brasileiro ter se intensificado após o processo de redemocratização nos anos 1980, apenas em 1998 as escolas de governo passam formalmente a ser incluídas na Constituição Federal brasileira. A Emenda n<sup>o</sup> 19, de 1998, estabelece que os governos federal e estaduais devem manter escolas de governo com vistas à formação e ao aperfeiçoamento do quadro funcional.</p>
				<p>Em nível nacional, tornou-se comum o fenômeno de proliferação de escolas de governo com a missão de permanente capacitação dos servidores em todas as esferas de governo da federação e em todos os Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário). Desde 2003, foi constituída a Rede Nacional de Escolas de Governo, coordenada pela Enap, de que participam cerca de 200 instituições (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fonseca et al., 2015</xref>).</p>
				<p>Em âmbito federal, um conjunto de 17 escolas compõe o Sistema de Escolas de Governo da União (Segu) e é responsável pela qualificação dos servidores. O leque de atuação dessas escolas vem se ampliando, haja vista que não se restringem apenas à formação inicial dos burocratas. A maioria desses órgãos desempenha atividades de desenvolvimento de competências tanto com foco em todo o quadro de pessoal como também voltadas para o corpo gerencial dos seus órgãos vinculados.</p>
				<p>Mais recentemente, as escolas passaram ainda a atuar na provisão de cursos de pós-graduação para servidores com o escopo mais aplicado às questões específicas das respectivas áreas de atuação. Por fim, outra linha de atuação, fundamental para a profissionalização da burocracia e para melhoria da gestão pública, é o desenvolvimento de pesquisas e a disseminação de conhecimento e boas práticas no denominado “campo de públicas” (administração e políticas públicas).</p>
				<p>Vale destacar que, no âmbito da administração federal, foi editado o Decreto n<sup>o</sup> 5.707, em 2006, que estabelece a Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal (PNDP). A medida institui a capacitação como atividade permanente no decorrer de toda a trajetória profissional do servidor. A política ressalta o papel imprescindível das escolas de governo no desenvolvimento profissional da burocracia, com vistas à melhoria das suas funções, com qualidade e eficiência (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fonseca et al., 2015</xref>).</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>3. Considerações finais</title>
			<p>O presente trabalho almejou analisar o processo de profissionalização da burocracia federal brasileira a partir de duas estratégias complementares: abordagem da formação histórica e, principalmente, discutindo as mudanças recentes no contexto democrático, entre 1995 e 2014, que impactam a configuração atual do serviço público no Brasil. Nesse sentido, o artigo se propõe a responder quais seriam os avanços do período e dilemas que persistem na administração pública federal.</p>
			<p>A abordagem da formação histórica corrobora a percepção de que a configuração atual do serviço público brasileiro é resultante de processos contínuos de mudanças e não fruto de um único momento histórico ou de uma decisão de governo. As duas principais reformas anteriores à promulgação da Constituição Federal de 1988, a Reforma Daspiana e o Decreto n<sup>o</sup> 200/1967, introduziram inovações direcionadas à instituição de uma burocracia meritocrática e profissional, próxima do modelo weberiano. Entretanto, ambas as iniciativas obtiveram resultados inacabados que reforçaram a dicotomia histórica da administração pública brasileira: uma parte da burocracia qualificada e outra pouco profissional e clientelista.</p>
			<p>A abordagem das cinco dimensões selecionadas nas duas últimas décadas demonstra um conjunto significativo de avanços; entretanto, alguns dilemas históricos e desafios à profissionalização da burocracia federal precisam ser enfrentados.</p>
			<p>Por um lado, os dados empíricos comprovam um processo de recomposição do quadro funcional, sobretudo a partir de 2003, com diversificação no ingresso de carreiras já existentes, como também com a criação de novas carreiras e cargos em áreas como infraestrutura, política social e regulação. Quanto à política salarial, observa-se um incremento real na remuneração dos servidores com controle das despesas de pessoal no governo federal. Em relação à avaliação de desempenho dos servidores, é possível afirmar que houve sofisticação e ampliação dos sistemas. Na ocupação de cargos de livre nomeação, os dados indicam avanços no aumento de servidores efetivos em cargos comissionados, melhoria da escolaridade e maior equilíbrio de gênero. Por fim, no que tange à formação e capacitação dos servidores, nota-se elevação da escolaridade de cargos na administração pública federal e um processo contínuo de institucionalização do desenvolvimento de competências dos burocratas, especialmente mediante o fortalecimento do papel das escolas de governo.</p>
			<p>Por outro, dilemas e desafios presentes na administração pública federal reforçam o fosso histórico entre uma parcela minoritária da burocracia mais valorizada e a maioria menos profissionalizada. Primeiro, a despeito da recomposição do quadro funcional, o percentual em relação à população ainda é longe das nações desenvolvidas, especial aquelas que se propõem a prover políticas sociais com caráter universal. Segundo, o aumento real das remunerações também trouxe um agravamento do tratamento desigual entre carreiras e cargos. Problema esse também ampliado pela medida de pagamento por subsídios a algumas carreiras. Ademais, três outras questões se colocam como desafios à profissionalização: introdução de mecanismos avaliativos de desempenho para além da remuneração; implementação generalizada de critérios mais transparentes e impessoais na seleção e provimento dos cargos comissionados, e aumento da participação feminina nos cargos de maior escalão.</p>
		</sec>
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			<title>Referências</title>
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					<source><italic>Avaliação da gestão de recursos humanos no governo</italic> - relatório da OCDE</source>
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					<source>Profesionalización del empleo público en América Latina</source>
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					<source><italic>Public management reform:</italic> a comparative analysis - new public management, governance, and the neo-weberian state</source>
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					<chapter-title>Modernización de la administración pública en América Latina: evaluacion de los recentes cambios en la gerencia de los ministerios y las agencias reguladores</chapter-title>
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					<source><italic>Nueva gestión pública y regulación en América Latina</italic>: balances y desafios</source>
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					<source>Relatório anual socioeconômico da mulher</source>
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					<comment>Relatório 2006</comment>
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					<year>2012</year>
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					<source>Sistemática da avaliação de desempenho na administração pública federal</source>
					<conf-name>CONGRESO INTERNACIONAL DEL CLAD, XV</conf-name>
					<year>2010</year>
					<publisher-loc>Santo Domingo</publisher-loc>
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					<source>Instituições políticas brasileiras</source>
					<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
					<publisher-name>Senado Federal</publisher-name>
					<year>1999</year>
					<comment>(Biblioteca Básica Brasileira)</comment>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Opta-se em excluir as informações no BEP referente aos anos de 2001 a 2002 devido à inconsistência dos dados de ingresso nesses anos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>É importante considerar certa cautela nas comparações internacionais, haja vista que nem sempre consideram estruturas políticas-institucionais distintas como o tipo de organização estatal, se unitário ou federativo; a distinção entre pessoal civil e militar, e o pertencimento a todas ou somente a determinado Poder.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Consideram-se como carreiras do núcleo estratégico ou típicas as carreiras de gestão governamental, auditoria, diplomacia, jurídica e agências reguladoras.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Nesse caso, as diferenças entre as remunerações dessas carreiras são relativamente baixas, com um desvio-padrão em torno de 16% da média durante o período analisado.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Valores deflacionados com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE) (dezembro do respectivo ano × dezembro de 2014).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>O Decreto no 7.133, de 19 de março de 2010, que regulamenta os critérios e procedimentos gerais a serem observados para a realização das avaliações de desempenho individual e institucional e o pagamento das gratificações de desempenho.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Lei no 11.890, de 24 de dezembro de 2008.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>A análise não se inicia em 1995 devido à escassez de dados até 1997.</p>
			</fn>
		</fn-group>
			<!--fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>1</label>
				<p>Given the inconsistencies of the data referring to the years of 2001 and 2002, the choice was to exclude information from BEP regarding such years.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>2</label>
				<p>It is important to be cautious about international comparisons whenever considering different political and institutional structures such as the type of government, if unitary or federal, the distinction between civilian and military personnel and what is pertinent to all Powers or specific to one.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>3</label>
				<p>Careers in government management, auditing, diplomacy, judiciary and regulatory agencies are considered strategic core or typical careers.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>4</label>
				<p>Values deflated according to the <italic>IPCA/IBGE</italic> (Index of Prices to the Broad Consumer) (December of the respective year X December 2014).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>5</label>
				<p>Decree n<sup>o.</sup> 7.133, from March 19, 2010, regulates criteria and procedures that must be observed in individual and institutional performance evaluations and the payment of bonuses and performance gratification. </p>
			</fn-->
		<app-group>
			<app id="app1">
				<label>Anexo</label>
				<p>
					<table-wrap id="t1">
						<label>Tabela 1</label>
						<caption>
							<title>Percentual de ocupantes de das, segundo vínculo, escolaridade e gênero</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="tab1.png"/>
						<table-wrap-foot>
							<fn id="TFN1">
								<p>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil (2015)</xref>.</p>
							</fn>
						</table-wrap-foot>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1b">
						<label>Tabela 1 (Cont.)</label>
						<caption>
							<title>Percentual de ocupantes de das, segundo vínculo, escolaridade e gênero</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="tab1b.png"/>
						<table-wrap-foot>
							<fn id="TFN1b">
								<p>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil (2015)</xref>.</p>
							</fn>
						</table-wrap-foot>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1c">
						<label>Tabela 1 (Cont.)</label>
						<caption>
							<title>Percentual de ocupantes de das, segundo vínculo, escolaridade e gênero</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="tab1c.png"/>
						<table-wrap-foot>
							<fn id="TFN1c">
								<p>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil (2015)</xref>.</p>
							</fn>
						</table-wrap-foot>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1d">
						<label>Tabela 1 (Cont.)</label>
						<caption>
							<title>Percentual de ocupantes de das, segundo vínculo, escolaridade e gênero</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="tab1d.png"/>
						<table-wrap-foot>
							<fn id="TFN1d">
								<p>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil (2015)</xref>.</p>
							</fn>
						</table-wrap-foot>
					</table-wrap>
				</p>
			</app>
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	<!--sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
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					<subject>Article</subject>
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				<article-title>The professionalization of Brazilian federal bureaucracy (1995-2014): advances and dilemmas</article-title>
			</title-group>
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				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Cavalcante</surname>
						<given-names>Pedro</given-names>
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						<surname>Carvalho</surname>
						<given-names>Paulo</given-names>
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				<institution content-type="original">Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Brasília / DF — Brazil</institution>
			</aff>
			<aff id="aff4">
				<institution content-type="original">Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Brasília / DF — Brazil</institution>
			</aff>
			<author-notes>
				<fn fn-type="other" id="fn17">
					<p>Pedro Cavalcante - PhD in Political Science and researcher at the Institute for Applied Economic Research (Ipea). E-mail: cavalcante.pedro@gmail.com.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn18">
					<p>Paulo Carvalho - MsC in Clinical Psychology from Pontifical Catholic University of São Paulo and Advisor of the School of Government in Health — Fiocruz, Brasília (DF). E-mail: pascarval@gmail.com.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<abstract>
				<title>Abstract</title>
				<p>The paper analyzes the professionalization process of Brazilian federal bureaucracy, aiming to uncover advances and persistent dilemmas that have been present in Brazil’s recent democratic period, between 1995 and 2014. Following a literature review of the historical evolution of federal bureaucracy, the paper discusses key dimensions related to the professionalization of the public service. It concludes that there was a wide range of advances with regard to recovery and diversification of the workforce, financial valuation, and training, among others. However, dilemmas and challenges remain, especially related to the historical gap between careers and positions in federal public administration.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>bureaucracy</kwd>
				<kwd>professionalization</kwd>
				<kwd>reforms</kwd>
				<kwd>federal government</kwd>
				<kwd>Brazil.</kwd>
			</kwd-group>
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		<body>
			<sec sec-type="intro">
				<title>1. Introduction</title>
				<p>The main purpose of this article is to analyze the professionalization process of Brazilian federal bureaucracy. The paper discusses the historical formation of the country’s public service focusing foremost on recent changes that have impacted the professionalization of federal bureaucracy. The research attempts to describe the current configuration of Brazilian federal bureaucracy in order to analyze if changes implemented by democratically elected governments (1995 to 2014) have advanced on the improvement of bureaucracy and if they overcame the history of inequalities inside the federal executive personnel.</p>
				<p>The word bureaucracy may be understood in many different ways. In this paper, bureaucracy refers to the state’s permanent personnel, namely non-elected government agents, career members or not. Bureaucracy is one of the institutional pillars for the efficient functioning of the democratic system and for the enforcement of the rule of law, because it enables continuity, coherence and relevance in public policies and reassures greater impartiality and objectivity to public authority (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Stein et al., 2006</xref>). On the other hand, its fragility lead to ineffectiveness and misuse of public funds, commonly seen in Latin American countries.</p>
				<p>In such context, the seminal work by <xref ref-type="bibr" rid="B13">Evans and Rauch (1999</xref>) analyzes the relation between bureaucracy, using a ‘Weberian scale’ that measures meritocratic recruitment and career structures, and the economic growth of 35 developing nations between 1970 and 1990. Results suggest a strong correlation between weberian bureaucracy characteristics and higher growth rates in Gross Domestic Product (GDP) in analyzed countries. The case of the so-called Asian Tiger nations reflects this connection very well, considering that highly professional and meritocratic bureaucracy in strong and independent countries are regarded as decisive factors in the development of these nations (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Stein et al., 2006</xref>).</p>
				<p>It is important to highlight that, despite its fundamental role, bureaucracy is subordinated to the government, elected or not. Nevertheless, its degree of autonomy, which varies according to the merit system — adoption of impersonal and inflexible rules for career admission and advancement —,stability and adequate wage tend to reflect on the bureaucratic capacity to develop and implement public policies (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Abrucio, Loureiro and Pacheco, 2010</xref>). In other words, higher autonomy means lower chances of arbitrary acts or interference of politicization and particularism.</p>
				<p>In the three decades that followed the reinstatement of democracy in Brazil, the country has been living a growing strengthening of the attributions of the democratic state, with contradictions and differing levels of maturity between the various areas of public administration, and federal, state and municipal domains.</p>
				<p>In the federal domain, studies demonstrate that Brazilian bureaucracy shows a high degree of professionalism when compared to other developing nations (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Evans and Rauch, 1999</xref>), considering professionalization pertaining to the level of compliance with the requisites of the classic bureaucratic model. Likewise, comparing studies in Latin America, <xref ref-type="bibr" rid="B33">Stein and colleagues (2006</xref>), based on indexes that combine autonomy and operational capacity, place Brazil, and also Chile and Costa Rica, as countries that have a meritocratic bureaucracy, that is, with a certain level of instruction or specialized knowledge, composed by permanent public servants hired on a merit-based system and integrated into professional careers with proper incentives. Therefore, in such countries, public agents express opinions and strongly influence the decision making process.</p>
				<p>However, this is not an absolute concept; contrarily, bureaucratic evaluations are relative, especially because the level of development greatly varies between different countries and historic moments. Brazil is not an exception. What explains, then, the professional development of federal bureaucracy? If, on the one hand, literature describes Brazilian federal bureaucracy as professional, on the other hand, the history of the public service in Brazil points to the old dilemma of the gap in skill and valuation levels within public servants. In order to better understand the current scenario, this article will debate the historic development of federal bureaucracy and investigate the effects of recent changes.</p>
				<p>A timeline analysis will demonstrate that, since the beginning of the democratization process (1985), public service has been passing through many and deep transformations. It includes a managerial reform in the 1990’s, and more recently, the restructuring of the state apparatus under a discourse of restoring national development. The period is marked by a relative financial stability, broader access to public welfare policies (as proposed by the 1988 Constitution) and expansionist policies that strengthened the domestic market and reduced poverty and social inequality.</p>
				<p>In order to analyze the evolution of Brazilian federal bureaucracy during this period, the research will focus on the following dimensions: admission and composition of personnel, wage policies, performance evaluation, appointment of non-elected agents and education/skill level. Regarding the latter dimension, it is appropriate to analyze the role of government schools in the improvement of specific careers in federal public administration and in the technical-managerial development of the wide range of agents engaged in the public policies led by federal government.</p>
				<p>Besides this introduction, the article adopts an objective approach to the historic evolution of the professionalization of public service in the country, in order to contextualize the current configuration. Subsequently, key variables are analyzed, from 1995 to 2014, such as the evolution of personnel composition and admission, wage policies, performance evaluation systems, occupancy of political appointments, among others. Lastly, final considerations on the advancements and dilemmas found in the professionalization process of Brazilian public administration are presented.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>2. The history of bureaucracy in Brazil</title>
				<p>Evidently, the institutionalization of personnel is not a consequence of a single historic moment or a decision of one particular government. Instead, the complexity inherent to the bureaucratic makeup of a nation involves a broad set of transformations susceptible to socioeconomic changes that will not necessarily converge, from an ideological point of view. Therefore, a situational analysis intending to explain the makeup of a bureaucracy should refer to its historic evolution, once it regards a development process with several variables.</p>
				<p>It is worth noting that, in spite of the transformations that Brazilian bureaucracy went through, even though it has a positive evaluation in international comparisons, many negative secular aspects are still noticeable today.</p>
				<p>In Brazil, the process dates back to a long colonial period, in which coexisted the centralist action of the Portuguese Crown, usually not very effective, and the force of a local patrimonial public power, marked by personalism and the private usage of the public space (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Abrucio, Loureiro and Pacheco, 2010</xref>). This fusion of different models of public administration was viable due to the fact that the Crown, to a great extent, restricted itself to collecting taxes, while leaving the responsibility of public administration to local politicians, as <xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho (2011</xref>:1) exposed very well:</p>
				<disp-quote>
					<p>Collection was the basic function of the civil service, which took a delegated form, meaning that the Crown transferred public affairs to the local powerful. Those, in term, regardless of not being Crown officials, had the power to make political appointments, within boundaries set by the Crown.</p>
				</disp-quote>
				<p>The power of the local clans in the conduction of public affairs involved making political appointments, which was considered an honor and also a strategy for coopting the so-called “good man”. Without any merit-based criteria, the structure of public administration was, therefore, an extension of the power that the clans held, along with their economic and military dominance. (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Viana, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Leal, 2012</xref>).</p>
				<p>Despite some changes, introduced by the reforms promoted by the Marquis of Pombal, secretary of state of the Portuguese kingdom between 1750-77, in the XVIII century, it was when the Portuguese Crown moved to Brazil, in 1808, that the construction of a national state began, especially of a new Brazilian elite. The need for structuring the bureaucracy was the natural consequence of the advancements in construction work and caused the creation of new political agencies, which was intensified after the independence, with the challenge of building national unity and sovereignty (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho, 2011</xref>).</p>
				<p>Over this period, the seeds of the workings of the Brazilian state started to appear. The bureaucracy of the Empire was little effective and mostly featured as a tool for the practice of grooming and clientelism. The power of the oligarchies in command of the public offices was somewhat altered, reflecting on the stable character of office occupancy, which varied according to the composition of the Parliament and of the State Council, in detriment of factors such as technical skill.</p>
				<p>Conversely, the development of a bureaucratic elite selected by merit, with uniform educational background, mostly conducted in Europe, started taking place. However, the small amount of meritocracy of the public administration entry method was still very far from the weberian classic model.</p>
				<p>Essentially, the so-called “literate elite”, comprised mostly by lawyers, engineers and medical doctors (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Viana, 1999</xref>), became more influent in the Brazilian state and existed along another segment of bureaucracy, one with a less skilled profile and a strong patrimonial component (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Faoro, 1958</xref>).</p>
				<p>With the proclamation of the Republic, in 1889, there was anticipation of change in the public administration, considering the discourse of revolutionary modernization of the period. However, the First Republic (1889-1930) is marked by the weakening of the Brazilian state, especially in the federal level. With political power in the hands of state governors, the subnational patronage prevails, via leadership of local rulers, known as “colonels” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Leal, 2012</xref>), in detriment of the professionalization of bureaucracy, exception made for the military and diplomatic careers.</p>
				<p>In terms of proportion of the workforce, in the First Republic, rural population was predominant, with little demand for public services. Governmental action was very limited and reflected a period of reduced public employment, as exposed by <xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho (2011</xref>:42):</p>
				<disp-quote>
					<p>The small dimension of public employment compared with the population was the counterpart of the reduced offer of public services in the country. Until the 1930’s, the support of export activities, collection of taxes and maintenance of public order in urban centers were prioritized, granting a secondary place to services such as post offices and telegraphs, schools, hospitals and isolated colleges, in which services provided were very specific and restricted to large cities.</p>
				</disp-quote>
				<p>As an example, between 1872 and 1920, the ratio between public and military servants and the population rose from 0,37% to 0,6%, a very small fraction when compared with current standards or with developed nations (OECD, 2010). Besides the inexistence of swelling in the bureaucratic apparatus, two other characteristics were maintained in the transition between the Empire and the Republic: i) the persistence of public service admission based on personal criteria; and ii) the elitism of highly qualified and highly remunerated civil servants in top government office (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Graham, 1968</xref>).</p>
				<p>After more than 100 years as a sovereign nation, only in the 1930’s, Brazilian public administration begins its reform process. Societal and governmental changes connected to the transition from a more agricultural to a more industrial country and, consequently, to a nationalist economical development project, demanded the modernization of the state apparatus, in order to introduce the necessary changes (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lustosa, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Torres, 2012</xref>).</p>
				<p>During the first term of president Getúlio Vargas, from 1930 to 1945, a wide range of public agencies, moreover in the productive sector, such as Vale do Rio Doce and The National Steelworks Company were created. In addition, the State also acted towards restructuring public services. The public administration reform proposal had as a main guideline the professionalization of the bureaucracy following the weberian model. In order to implement such changes, a few rules were adopted, with the intention of valuing merit-based federal government personnel, such as: competitive tendering, job stability and career plans.</p>
				<p>A significant share of those changes was developed after the creation of the Public Service Administration Department (Dasp) in 1938, with the main purpose of promoting bureaucratic rationalization of the public service, having great influence from the organization of the North American civil service (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho, 2011</xref>). According to <xref ref-type="bibr" rid="B27">Abrucio, Loureiro e Pacheco (2010</xref>:36), “a bureaucracy was, at once, created aiming development, institutionally linked to merit and universalism, and being the first one capable of producing public policies in a larger scale”.</p>
				<p>However, the effects of the administrative reform in the Estado Novo (1937-45), even though valuable in its efforts to overcome secular patrimonialism in search for more rational and efficient standards of public administration, did not meet their initial goals. Undoubtedly, it meant a significant change; nonetheless, many obstacles for implementing a universal merit-based system derived from the ambiguous ways in which president Vargas handled the national oligarchies. The occupancy of public office via public tender was far inferior to the number of political appointments. Consequently, some careers and agencies became bureaucratic insulations, merit-based and qualified, very distinct from the majority of the public service.</p>
				<p>If in the democratic period from 1945 to 1964 significant changes were not observed, the same will not be true during the Military Regimen. The Decree-Law 200 of 1967, under strong influence of the Comestra (<italic>Special Committee for Studies on the Administrative Reform</italic>), may be considered the second administrative reform in the country. Beyond its principles, the norm also established the organization of federal public administration, rules for budgeting and financial administration, public procurement and civil organization.</p>
				<p>The main policy, in a context of state economic intervention, involved a wide decentralization process or, more precisely, a dispersal of the activities in direct administration agencies. Strategic planning and coordination activities become priorities, aiming to incentive managerial flexibility, especially for indirect administration. In this regard, some careers were created founded in merit-based principles, besides modifying public service statute from the regimented form to general consolidated labor laws, with labor rules more similar to the private sector (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Torres, 2012</xref>).</p>
				<p>Despite the advancements in public sector occupancy, this reform reinforced the gap between the technocratic and modern State of indirect administration and the bureaucratic, formal and lagged State of direct administration. Not by chance, the insulation process was intensified, which was very well characterized by the bureaucratic rings phenomenon. This phenomenon involves the establishment of negotiation liaisons between Government and the interests of certain civil society groups, with the peculiarity of not characterizing genuine and independent lobby groups, but actually taking part in the state apparatus, usually under the leadership of a State employee (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Cardoso, 1973</xref>).</p>
				<p>The re-democratization, started in 1985, brought some important advances regarding the professionalization of the public service. Among them, it’s worth highlighting the universalization of the public tender principle as means for admission in public service and the establishment of the <italic>RJU</italic> (Single Judicial System), both instituted by the Federal Constitution of 1988. The latter extends to autarchies and foundations the stability already existing for the servants in direct administration. Furthermore, the creation of governance schools, such as Enap (<italic>National School of Public Administration</italic>) and Cedam (<italic>Center for the Development of Public Administration</italic>), both linked to the Human Resources Secretariat, indicating a growing concern with the training and qualification of State personnel, previously never treated as a priority.</p>
				<p>After a period of few relevant changes in the Fernando Collor (1990-92) and Itamar Franco (1002-94) administrations, the Fernando Henrique Cardoso mandate begins with a reformist discourse, associating the continuity of financial stability and economic growth recovery with a process of administrative reform geared towards more efficiency in the public sector (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Souza, 2001</xref>).</p>
				<p>Based on the internationally widespread propositions of the new public management (NPM), especially in developed nations, the reformist project proposed a rearranging of the State’s intervention scope and the overrun of the bureaucratic public administration model, allegedly inefficient and surpassed by crony and not enough universal interests, by the managerial model. In short, <xref ref-type="bibr" rid="B8">Carneiro and Menicucci (2011</xref>:10) described the new public management (NPM) as:</p>
				<disp-quote>
					<p>A label, given by consultants to define the reforms in the public sector in order to emphasize the common elements with a model that attacked the core of the basic progressive public administration principles, especially substituting the emphasis on general rules by the emphasis on results. These transformations are attached to the political and ideological movement, with roots in economy concepts, of proposals and actions in the sense of a Government reform.</p>
				</disp-quote>
				<p>In Brazil, the proposal, to a good extent, was embodied in the <italic>PDRAE</italic> (Directive Plan for the Reform of the State Apparatus) from 1995. The basic premise was that the Latin American crisis was a State crisis. Besides reducing State activities, via privatizing and publicizing some sectors, the operation of the so-called strategic core was intended to have a regulatory role and be guided by the management model of public administration (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Matias-Pereira, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brazil, 1995</xref>). Therefore, instead of the inflexibility and inefficiency that were a mark of the administrative machinery, the public service would turn to a result based management format, similar to that of the private sector.</p>
				<p>In practical terms, the central axis of the institutional changes was embodied in the no 19 Constitutional Amendment from 1998, except for the privatizing endeavors and the deriving establishment of regulatory agencies, in institutional terms (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho, 2011</xref>), the results of the other changes proposed by the State reform were less effective, especially in the structural evaluation (rationalization) and in the creation of executive agencies (flexibility) and social organizations (publicization).</p>
				<p>Similarly to other international experiences (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Pollit and Bouckaert, 2011</xref>), the Brazilian management reform did not transform the workings of the state apparatus, as the <italic>PDRAE</italic> announced. The project lead by the Minister of Federal Administration and State Reform, Bresser-Pereira, is defended as a broad strategy for strengthening the composition of the State’s permanent personnel (Bresser-Pereira, 1996; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Pacheco, 2010</xref>). Regarding the professionalization of the public service, the Plan focused on promoting the strategic core, in other words, strengthening State careers, in both qualification and wages (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Pacheco, 2010</xref>).</p>
				<p>After approving the 1995 reform and the presidential alternation, in 2003, the government did not present a firm proposal of administrative reform. On the contrary, the period was marked by constant critique of the reformist wave, especially of the idea that a reduced state machinery was necessary to overcome the State fiscal crisis. The debate meant to go beyond the dichotomy between minimal and maximal State. The constant demand for economic development, overcoming historic infrastructure obstacles, the pressure towards social security and the discourse of the paying the Brazilian “social debt” — to address poverty and inequality — required a bureaucracy not only quantitatively, but also qualitatively, able to face those challenges. As in the Lula government (2003-10), the Dilma Rousseff mandates (2011-14) also did not adopt an official reformist discourse, although both implemented a set of measures regarding personnel management. During this period, however, the topic remained present in the public agenda, especially due to a strong pressure from public servant trade unions for personnel restitution and better wage conditions.</p>
				<p>In this respect, the present work seeks to deepen the understanding of the result, in terms of bureaucracy professionalization, of the policies of five presidential administrations (FHC, Lula and Dilma), from 1995 to 2014, and thereby answer the following question: what are the advancements and dilemmas from the period that remain in federal public administration?</p>
				<p>In order to approach the professionalization process of the bureaucracy in the period, this article analyzes the following variables: i) personnel and admission; ii) wage policies in the public sector; iii) performance evaluation; iv) political appointments; and v) education and qualification.</p>
				<sec>
					<title>2.1 Evolution in personnel and admission</title>
					<p>As mentioned in the previous topic, the political and economic transformation during the first years of the Brazilian re-democratization had a great impact not only in the profile but also especially in the format of the workforce in federal public administration.</p>
					<p>The first relevant variable to examine personnel is the quantitative analysis of active civil servants in the Executive Power. Considering the crucial role that the 1998 Federal Constitution played in the structuring of personnel, <xref ref-type="fig" rid="f6">Graphic 1</xref> illustrates this evolution from this date until de end of 2014.</p>
					<p>
						<fig id="f6">
							<label>Graphic 1</label>
							<caption>
								<title>Quantitative evolution of active civil servants in the Executive Power (1998-2014)</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gf6.jpg"/>
							<attrib>Source: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brazil (2015)</xref>. Specifically developed.</attrib>
						</fig>
					</p>
					<p>The data clearly portray a strong quantitative reduction process in federal government between 1989 and 2000, declining from 700 thousand servants to less than 500 thousand servants. Among the main explanations, it is worth highlighting the intensification of the privatizing efforts and the subnational government decentralization process in several public policy areas. Furthermore, there is a strong pressure form retirements, considering that between 1995 and 2003 it surpasses the number of 20 thousand retirements per year, exactly in the two periods of social security reform (1998 and 2003) which caused a “rush” to retirement due to the uncertainty regarding the alteration of established rules. The phenomenon is dampened from 2004, when the average drops by half (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brazil, 2015</xref>).</p>
					<p>In this scenario, it is possible to divide the period in two very distinct moments: one of reduction (1995-2002) and another one of reversion or re-composition of active personnel in the Federal Executive (2003-14). The deceleration in retirements undoubtedly influences the first movement; however, another difference is in the fact that the federal government started broadening, significantly, the number of public tenders, which raised the annual quantitative of entering servants. The annual admission rate between 2003 and 2014 is higher than 21 thousand, meanwhile between 1995 and 2000 the average quantitative of entering servants revolved around 8,5 thousand<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>1</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brazil, 2015</xref>).</p>
					<p>The argument, frequently fostered by public opinion, of swelling of the public machinery, does not find and empirical basis, considering that, even with the process of personnel replacement after 2003, the current quantitative amount is still very far from what it was 25 years ago. It is important to point out that, in the meantime, the federal government expanded its activity scope, especially in social policies, in agreement with what is disposed in the Federal Constitution. In addition to that, OECD data demonstrate that public employment in Brazil, considering the three government levels, revolves around 11%, while this average revolves around twice this percentage in countries that are members of the organization.<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>2</sup></xref>
					</p>
					<p>Another interesting aspect of the period involves the distinct changes in the career and position profiles that have been accepted since 1995. Data from the Personnel Statistic Report (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brazil, 2015</xref>) confirm that, during the process of implementing the management reform (1995-2000), admission in careers inside the strategic core were prioritized,<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>3</sup></xref> in consonance with the <italic>PDRAE</italic> (Directive Plan for the Reform of the State Apparatus). Those careers correspond to around 25% of all admissions, while the average for the period from 2003 to 2014 is around 10%. However, if in the first moment admission was restricted to only 14 careers/positions, in a second moment there was significant diversification. Besides the aforesaid number, another 34 careers/positions weather formerly or recently created, received new admissions.</p>
					<p>In sum, two different moments can be in fact observed regarding the structuring of the workforce in the federal Executive, which reflect different political strategies and the influence of the economic environment as well as the changes in the social security rules. The reconstitution of personnel after 2003 is, to a certain extent, influenced by the government’s expansionist policies that reflected on measures to intentionally strengthen State capacity in order to face the challenges of national development, what can justify, for example, the creation of the careers of infrastructure analyst, social policies analyst and regulation specialist.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>2.2 Wage policies in the public sector</title>
					<p>Wage policies in the public sector are a defining aspect in the understanding of the professionalization of bureaucracy. Besides being the greatest pecuniary incentive, the salary can also be analyzed in regards to the valuation of the public servant. An adequate wage policy tends to play a fundamental role in attracting good professionals, competing with the private sector.</p>
					<p>Due to the complexity of the public sector, especially in the Brazilian Federal Executive power, dozens of different positions coexist. Therefore, it is natural for a salary hierarchy to exist (wage framework) in the public sector, which, according to <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marconi (2010</xref>), is usually influenced by: i) the complexity of the duties; ii) required skills; iii) inherent responsibilities; iv) performance.</p>
					<p>Nonetheless, those variables are rarely precisely and transparently measured and compared. Additionally, financial and budgetary availability, the political pressure of corporations, weather in large scale or with access to high office, as well as the strategies for personnel management policies are decisive in determining wage composition.</p>
					<p>In order to analyze the adopted wage policies, <xref ref-type="fig" rid="f7">Graphic 2</xref> portrays the evolution of the average income of the two main groups of active civil servants, strategic core careers and <italic>PCC</italic> (Offices and Careers Pan), later altered to <italic>PGPE</italic> (Federal Executive General Personnel Plan), using the initial salary as reference. Even though both correspond to higher education careers, they correspond to the two extremes of the federal wage policy.</p>
					<p>
						<fig id="f7">
							<label>Graphic 2</label>
							<caption>
								<title>Evolution of average wage for active civil servants in the Executive Power, 1996-2014 (R$ adjusted by the IPCA)<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>4</sup></xref>
								</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gf7.jpg"/>
							<attrib>Sources: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brazil (2015)</xref> and <xref ref-type="bibr" rid="B18">IBGE (2016)</xref>. Specifically developed.</attrib>
						</fig>
					</p>
					<p>The data indicates very different wage policies. The first relevant aspect is the fact that, in spite of prioritizing recruitment for strategic core careers, in terms of salary, those servants have faced a decrease in purchase power. The reduction, between 1996 and the end of the political term (2002), is of around 35% — five percent lower than the income loss of the PGC personnel.</p>
					<p> The situation changes with governmental wage policies between 2003 and 2009. With a strong valuation of the strategic core careers, also known as typical careers, which obtained an increase of approximately 230% in their actual income figures. Since 2010, however, the nominal increases for those careers haven’t been able to stand up against inflationary depreciation, causing loss in purchase power. On the other hand, civil servants in the PGC careers didn’t have any income readjustment until the year 2005. Yet, in the last 10 years readjustments have exceeded 80%.</p>
					<p>The discourse, at this point, involved not only the valuation of the public service, but also the need to meet the incomes in the private sector. It is important to also consider the pressure from the labor unions, historically connected to the Labor Party (PT), in this process of wage increase for federal public servants. Furthermore, the policy of constant wage increase reflects, to a great extent, a moment of growth in the GDP, especially between the years of 2004 and 2010.</p>
					<p>Regardless of the advancements in the valuation of public servants, the wage gap presents itself as an important dilemma. Until 2002, the average wage of the PGC revolved around 40% of the average wage of the strategic core careers. Nonetheless, this difference has increased substantially in the following years. That supports the idea of a greater valuation of the typical careers, which also started to receive fixed bonuses instead of variable salaries, as we will see in the following topic. In the last five years analyzed, the gap once again decreases, going back to the 29% threshold observed in 2003, due to improvements in the PCG position wages and to the actual depreciation of the wages in the strategic core positions.</p>
					<p>Naturally, wage policy is not only defined by the financial and budgetary context of public finances and by economy growth, but it also exerts an impact in both of those variables. In this sense, public personnel costs must be analyzed in terms of their sustainability. <xref ref-type="fig" rid="f8">Graphic 3</xref> demonstrates the evolution of such expenses between 1997 and 2014. With deflated values, the bars represent the evolution of expenses in absolute values (R$ billions), while the lines represent the percentage of GDP taken by those expenses.</p>
					<p>The first interesting point is the relative stability of the expenses when using the GDP as reference. During this timeframe, expenses do not go beyond the 5% threshold. It is also possible to observe that an expressive increment in payment, as seen in frame 2, has a strong impact in absolute terms, raising expenses by around 70 billion between 2003 and 2010. However, when compared to the GDP, the percentage remained stable, mostly because of the years with significant economic growth. Unlike the last four years, when the decrease in GDP growth is reflected in the expenses with personnel.</p>
					<p>Consequently, the sustainability of this element in the last 20 years is clear, considering that the most recent period has been characterized not only by the reconstitution of personnel, but also by improvement of the average income of the federal public servant. Even counting those expenses, the federal expenses with personnel in 2014 (3,98% of the GDP) are lower than in 1997 (4,27% of the GDP), according to the numbers of the National Treasury Secretary.</p>
					<p>
						<fig id="f8">
							<label>Graphic 3</label>
							<caption>
								<title>Evolution of federal expenses with personnel — 1997 to 2014 (R$ adjusted by the IPCA index)</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gf8.jpg"/>
							<attrib>Sources: <xref ref-type="bibr" rid="B34">STN (2016)</xref> and <xref ref-type="bibr" rid="B18">IBGE (2016)</xref>. Specifically developed.</attrib>
						</fig>
					</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>2.3 Performance evaluation</title>
					<p>role in the debate concerning valuation and professionalization of the public administration. The topic becomes even more relevant when considering the recent changes in the settings of public administration discussed in the previous topics. With the processes of recomposing the workforce, reorganizing careers and growing wage adjustments, evaluating the performance of the public worker is an essential management mechanism in order to deal with the many purposes, such as admittance after probative internship, career development, promotion and gratifications. But what is the concept of performance evaluation? According to <xref ref-type="bibr" rid="B2">Balassiano and Salles (2004</xref>:6):</p>
					<disp-quote>
						<p>It’s a systemic diagnosis of the commitment between individuals and the organization and over critical incidents, both positive and negative, that take place during a certain period of time. As such, it enables the development of projects and programs for constant improvement. Therefore, performance evaluation must be an integrating action with organizational strategies, in order to fulfill what is established as its mission and reach what is foreseen as its future vision plan. Performance evaluation is a management strategy.</p>
					</disp-quote>
					<p>This is off course a very broad perspective, which, logically, is not always seen in a positive way. If on the one hand some say that it has contributed to the achievement of several goals, such as transparency in costs and results, improvement on the quality of the services and employee motivation (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Goldsmith and Effers, 2006</xref>), on the other hand, critics say that simply transferring practices from the private sector might bring more problems than solutions.</p>
					<p>Still, like what has been happening in developed nations, the practice has been growing significantly in Brazil in the last decades. In the federal government, the initiative that created the foundation for the current performance evaluation system appeared in the 1970’s, with Law 5,645, from 1977, and its regulatory decrees. The regulations established career development guidelines for civil servants in direct administration (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Velasco and Silva, 2010</xref>).</p>
					<p>With Law 8,112, from 1990, the performance evaluation becomes mandatory for admission after the probative internship. The topic is also embedded in the Federal Constitution (Amendment no 19, form 1998), which even widens the possibilities of removal from a public servant position, in the event of unsatisfactory performance; however, this provision never advanced as planned.</p>
					<p>Starting in 1995, a process of multiplication of the evaluation systems specifically directed to the definition of bonuses and gratification of public servants took place. In fact, according to <xref ref-type="bibr" rid="B36">Velasco and Silva (2010</xref>), they began to suffer distortions over the years as they started to pay fixed bonuses, due to obstacles in implementing efficient evaluation systems.</p>
					<p>In 2008, Law 11,784 establishes a new system for performance evaluation, which proposes a systematic and continuous individual and institutional evaluation of the public servant in the offices and entities that compose the Civil Personnel System of the federal Executive. The new regulation aims to not only subsidize the wage policies, but also to cooperate in training processes, career development and handling of personnel. The main innovation of the system<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>5</sup></xref> is the introduction of inclusive evaluation mechanisms, namely: the 360º evaluation, the establishment of the CAD (<italic>Performance Evaluation Monitoring and of the Performance Evaluation Managing Commissio</italic>n). Notwithstanding, the Sidec (<italic>Career Development System</italic>) is created for the members of those careers, establishing, in general terms, objective and merit-based criteria for career progression and promotion, among them, the presence in special commissions, presence in training activities and technical or academic production. In spite of its principles, aimed at the strengthening of bureaucracy professionalization, Sidec has not been regimented since 2008.</p>
					<p>Despite the expansion of bonuses for a specific group of typical careers, according to the data from the <italic>Personnel Statistic Report</italic> (Brazil, 2015), around 45% of federal Executive servers (237 thousand) receive variable wages according to their performance evaluation, both individual and institutional. Even with the diversity in evaluations, the comprehensiveness of the evaluation systems and the attempts of improvement of the performance evaluation model introduced since 2008 are beneficial.</p>
					<p>Notoriously, the establishment of a broader system, that is not restricted to payment, presents itself as the big challenge in this dimension of the professionalization of federal bureaucracy. It is, however, worth highlighting the advancements of the last years, not only in the outreach of the evaluation practices but also in the institution of formal and innovative rules for performance evaluation in Brazilian federal bureaucracy.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>2.4 Occupation of political appointments</title>
					<p>As in any democratic regime, Brazilian public administration has political appointment positions to fill. At the federal level, approximately 23,000 DAS (<italic>High Level Management and Advisory</italic>) positions are allocated within ministries and a few state-owned companies. The system encompasses a set of advisory and management positions that are more abundant at lower levels of responsibility and wages, and are scarcer as the ladder goes up to higher level positions, including the equivalent of “junior ministers”.</p>
					<p>The acronym DAS, as we mentioned, refers to High-Level Management and Advisory positions, which are organized and doled out according to a “criteria of trust”, citing Law 5,645/1970, Article 3. DAS-6 are secretaries, directors of public authorities (<italic>autarchies</italic>) and foundations, and undersecretary positions in the Presidential Office. DAS-5 positions are ministers’ chiefs of staff, department directors, internal control secretaries, and undersecretaries responsible for organizing budgets and human resources. General coordinators, chiefs of staff of foundations and heads of cabinet advisory fill DAS-4 positions. DAS-3 positions are doled out to coordinators, DAS-2 positions are filled by heads of division and DAS-1 positions are for section chiefs and minor advisories.</p>
					<p>Created during the 1967 administrative reform, a number of changes in jurisdiction for DAS positions have since been introduced, but these appointments are still one of the main categories of employment in the federal government (<xref ref-type="bibr" rid="B12">D’Araújo and Lameirão, 2011</xref>).</p>
					<p>Although the criteria for appointments have changed, DAS positions are still flexible. The Brazilian system is classified as “employee-based” because it allows political appointees to be recruited from a pool of outsiders as well as civil servants, unlike the pure “career-based” Weberian model in which only those who pass civil service examinations may fill political appointment positions.</p>
					<p>Both models have advantages and shortcomings. In Brazil and in the United States, the flexible personnel system opens a larger space for filling key positions with people from diverse backgrounds and professional experiences. This is especially interesting in policy areas with strong linkages to the private sector and NGOs. From a political point of view, this model allows the president and his ministers to have a certain degree of freedom to reward allies, coopt opponents and to manage power assets. Those aspects are crucial for coalition management in a multiparty democratic system.</p>
					<p>It is important to point out that the professionalization of bureaucracy is not necessarily impaired by any of the models, considering there are safeguards to maintain impersonality and rationality in the performance of the civil servants. According to <xref ref-type="bibr" rid="B21">Longo (2007</xref>:59), “professional public administration is directed and controlled by politicians, but does not respond to clientelist pressure, and requires the preservation of a field of independence and impartiality in its operation, for matters of public interest”.</p>
					<p>Another important issue about DAS positions is their quantitative configuration. <xref ref-type="fig" rid="f9">Graphic 4</xref> shows the proportional evolution of each of the six existing DAS levels, as well as their total between 1997 and 2014:</p>
					<p>
						<fig id="f9">
							<label>Graphic 4</label>
							<caption>
								<title>Proportional development of DAS positions (1997-2014)</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gf9.jpg"/>
							<attrib>Sources: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brazil (2015)</xref> and <xref ref-type="bibr" rid="B18">IBGE (2016)</xref>. Specifically developed.</attrib>
						</fig>
					</p>
					<p>The first important aspect is the fact that until 2002, stability in the total number of positions was maintained, despite some heterogeneity in the general composition. There was an increase in the number of higher-level DAS positions. The same pattern of growth can be observed with greater intensity from 2003 to 2010.</p>
					<p>During this period, DAS positions increased by 27%, especially at the higher level (DAS-4 to 6). This is due to the rise in ministerial portfolios from the beginning of president Lula’s government in 2003. He created ministries and secretariats linked to the Office of the President in strategic sectors, especially in the area of social policies — Social Development, Women’s Rights etc. — and infrastructure — Civil Aviation, Ports etc. The argument for this new ministerial configuration is the importance of building a state needed to meet the challenges of development in its multiple dimensions.</p>
					<p>On the other hand, if we analyze from the ratio of DAS positions compared to the total number of active civil servants in the Executive, we see that it is stable. In both 2003 and 2014, this ratio was only 3.6%.</p>
					<p>Regarding the professionalization of the bureaucracy, three variables related to the doling out of DAS positions can be analyzed: DAS appointees as civil servants or “outsiders”, their academic expertise, and their gender. </p>
					<p>As mentioned before, the Brazilian system is “employee-based” and gives political leaders a lot of discretion to decide who gets political appointments. This subject is highly debated in Brazilian public opinion. According to <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pacheco (2008</xref>:3), the predominant view in the country is that “political appointment positions have always been filled by clientelist or partisan logics”. In other words, the vast majority of the DAS positions, according to this argument, is occupied by “outsiders”, without any ties to the public administration (without the need for a competitive examination for admission and without job stability), and due to personal ties with the directors.</p>
					<p>Empirical evidence, however, shows that this is a wrong perception. Civil servants, mainly from the federal government, occupy most of the DAS positions. <xref ref-type="table" rid="t4">Table 1</xref> of the Appendix will show this, based on data from the BEP (<italic>Statistical Bulletin of Personnel</italic>) (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brazil, 2015</xref>).</p>
					<p>When analyzing the evolution of DAS positions in the last years, we do not observe an increase of “outsiders” in these positions. Since 1988, they correspond to approximately 25% of DAS appointees. We observe, however, differences within DAS-1 to 3 and DAS-4 to 6 positions. This is due to the different competences needed for these positions, entailing higher job complexity. The percentage of “outsiders” in DAS-1 to 3 positions tends to be lower, and this is because their lower salaries are unattractive for people who do not live in Brasília and/or work in the private sector. DAS-4 to 6 positions, on the other hand, are more occupied by outsiders, not only because wages are higher, but also because these positions are politically relevant and entail more responsibility over public policy. For this reason, career civil servants occupy a lower share of high-level DAS positions, but even so, “outsiders” do not hold most high-level DAS positions.</p>
					<p>This sort of empirical analysis is the usual approach used by academics to discuss the issue of bureaucratic politicization. Our data converges with the conclusions of many of the scholars who have been writing about this topic. <xref ref-type="bibr" rid="B12">D’Araújo and Lameirão (2011)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B29">Praça, Freitas and Hoepers (2011</xref>) and <xref ref-type="bibr" rid="B3">Barberia and Praça (2014</xref>) show that factors such as professional experience and qualification are relevant for doling out DAS positions, although their importance varies according to the position’s level. Similar results were identified in a recent survey, focused on the federal government’s mid-level bureaucrats (DAS-1 to 5) (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Cavalcante and Lotta, 2015</xref>), which indicate technical competence and professional experience as more important factors than partisanship for the appointment of DAS positions.</p>
					<p>The Decree 5.497, published in 2005, which established that 75% of DAS-1 to 3 and 50% of DAS-4 positions should be occupied exclusively by career civil servants, reinforced the demystification of the idea of high politicization of DAS positions in the federal public administration. It is important to emphasize that there are no problems in appointing “outsiders” for political appointment positions, especially because they bring different experiences that are welcome in many sectors of the state. But the problem is when “outsiders” dominate most management and direction positions, a common practice in countries that have “parallel bureaucracies” (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Stein et al., 2006</xref>). On the other hand, a balance between “outsiders” and civil servants is recommended, mainly because appointing civil servants means giving value to the bureaucracy and tends to generate greater continuity, coherence and ensure greater impartiality and objectivity to public policies.</p>
					<p>In this sense, it is essential that DAS appointees are qualified and prepared for their positions. When we analyze the education level of DAS appointees (see <xref ref-type="table" rid="t5">table 1</xref> in the Appendix), we observe that a vast majority has college degrees and/or master degrees and PhDs, well above the average for civil servants of the federal public service in general. While in 2014 the average number of appointees with only high school degrees was around 20%, this share in all public servants of the Executive Branch exceeds 40%. On the other hand, the percentage of DAS appointees with at least a college degree is almost 80%, while the average number for federal civil servants in general is less than 50%. Additionally, it is noticeable that higher DAS levels tend to have more qualified occupants. In other words, there is a direct correlation between the greater degree of complexity and responsibility of DAS appointees with more specialized professionals.</p>
					<p>Finally, the gender variable is also a relevant factor in the analysis of the professionalization of the federal bureaucracy, insofar as the development of a society presupposes mechanisms of gender equality between the sexes.</p>
					<p>Data from the Statistical Staff Bulletin (Brazil, 2015) indicates that 46% of federal civil servants in the Executive Branch are female, a percentage that has changed little over the last few years but which is very close to what is observed in the private sector.</p>
					<p>However, the main problem when analyzing the occupation of political appointment positions is a more discreet participation of women. If, on the one hand, the percentage of female DAS occupants increased proportionally from 1996 to the present days, on the other hand, the disparity increases as the level of the DAS position increases. While in 2014 the percentage of women in DAS-1 to 3 was close to 45%, in line with their share of the Executive’s workforce, for DAS-5 and 6 positions it did not reach 30%.</p>
					<p>Nonetheless, it should be noted that the scenario has evolved considerably in the last two decades, especially in positions of greater responsibility. <xref ref-type="table" rid="t6">Table 1</xref> reinforces this perception, which is also clear in the analysis of high-level positions during Dilma Rousseff’s government. In 2014, 10 women were ministers, while only 18 women held cabinet positions from 1890 to 2011 (<xref ref-type="bibr" rid="B32">SPM, 2013</xref>)</p>
					<p>Thus, even with a flexible nomination system, the federal bureaucracy has been more valued, which has been reflected in the growing share of effective officials in top management positions, a high degree of qualification and a growing gender balance.</p>
					<p>The most critical point of this system does not involve its high degree of discretion (D’Araújo and Lameirão, 2011; OECD, 2010), but mainly, the fact that there are no selection and recruitment processes for DAS appointees based on impersonal and transparent criteria, fostering meritocracy by relying on certain skills and competences which are defined previously.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>2.5 Education and training</title>
					<p>The fifth dimension we analyze is the importance of education and training of civil servants in the federal public administration. </p>
					<p>It is notorious that, the more prepared, the greater the civil servant’s ability to perform highly complex functions, as well as to develop multiple competencies such as leadership. In this sense, the first aspect to be analyzed is the level of education of civil servants in the federal Executive. <xref ref-type="fig" rid="f10">Graphic 5</xref> displays the aforementioned data.</p>
					<p>
						<fig id="f10">
							<label>Graphic 5</label>
							<caption>
								<title>Quantitative evolution of active civil servants in the Executive Power, according to educational level</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gf10.jpg"/>
							<attrib>Sources: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brazil (2015)</xref> and <xref ref-type="bibr" rid="B18">IBGE (2016)</xref>. Specifically developed.</attrib>
						</fig>
					</p>
					<p>It should be noted that the data in <xref ref-type="fig" rid="f10">Graphic 5</xref> refers to the level of education required for entry in the federal public service, and does not refer to the actual training of employees. Looking at the data over time, however, allows one to perceive a strong change in the initial educational profile for entry into the federal bureaucracy. There is a clear reversal in the predominance of mid-level and higher-level posts, which recently constitute the majority of federal civil servants. Although it is difficult to measure this now, the expectation is that the predominance of college level graduates tends to generate, in the medium term, a positive influence on the productivity of public administration.</p>
					<p>This phenomenon can be interpreted through the point of view of two trends. The first is that between 1997 and 2002, there was a clear reduction in the number of middle-level employees, which can be explained both by the race for pensions in this period and by the decrease in hiring people of this educational profile due to the option of outsourcing certain administrative activities. The second trend is that, as of 2003, there was a growing process of hiring college-level civil servants for more specialized activities. As we have already discussed, the entry of new civil servants since then has been positive for “older” careers, as well as for a wide range of new positions, especially in the infrastructure and social policy areas.</p>
					<p>The trend of higher educational level observed in the civil servants’ profile also reflects the changes in higher education policy in Brazil during the period. According to the census of higher education (Inep, 2013), the enrollment rate between 1995 and 2013 had a fourfold increase, with a predominance of private universities and, more recently, more relevance for public universities.</p>
					<p>In addition to higher educational level as a prerequisite for admission, it is important to mention that civil service exams for federal government positions are increasingly becoming more competitive. By way of illustration, civil service exams for the careers in the management area, considered the strategic core of the state, have more than 100 candidates for each position. In other words, admission to these positions demands not only a good academic background but also a lot of specific preparation for the exams.</p>
					<p>Following the standards of nations considered to be holders of a professional and meritocratic bureaucracy, the federal government has been investing in the continued training of bureaucratic careers since the late 1980s. As in France, Italy and Canada, certain careers incorporate a compulsory training course (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Cruz, 2010</xref>) in the last stage of their selection process. Within the federal government, the practice began in the diplomatic area many decades ago, but has since expanded to most of the careers considered typical of state, such as government managers, audit and legal policy areas.</p>
					<p>Although it does not follow a rigid configuration, training plays a central role in the formation, recognition and identity (greater cohesion and greater homogeneity within the category) of civil servants as part of a state bureaucracy. In this process, it is essential to highlight the role of the schools of government, responsible for the initial training of new civil servants, for activities of continuous development, postgraduate training and research, and the dissemination of knowledge about public management. These are crucial dimensions in professionalization processes and higher valorization of the civil servant.</p>
					<p>Despite the growth in demand for qualification in the Brazilian public service was intensified after the process of re-democratization in the 1980s, only in 1998 the government schools were formally included in the Brazilian Federal Constitution. Amendment 19, from 1998, establishes that the federal and state governments must maintain schools of government for the education and improvement of their personnel.</p>
					<p>At the national level, the phenomenon of the proliferation government schools has become a commonplace. Their mission is to guarantee permanent training of civil servants in all levels of federal government and in all government branches (Legislative, Executive and Judiciary). Since 2003, the National Network of Government Schools has been set up, coordinated by Enap, with the participation of some 200 institutions (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fonseca et al., 2015</xref>).</p>
					<p>At the federal level, 17 schools make up the Segu (<italic>Union Government School System</italic>) and are responsible for personnel training. The performance level of such schools has been increasing, and they are not restricted to the initial training of bureaucrats. Most of the schools perform skill development activities.</p>
					<p>More recently, schools have also started providing postgraduate training for more relevant servants in specific policy areas. Finally, another line of action, fundamental for the professionalization of bureaucracy and for the improvement of public management, is research development and the spreading of knowhow and good practices.</p>
					<p>Decree 5.707, published in 2006, is worth mentioning. It establishes the National Policy for Personnel Development (PNDP) for federal civil servants. The measure institutes training as a permanent activity throughout the entire professional career. The policy emphasizes the essential role of government schools in the professional development of bureaucracy, in order to improve its duties, with quality and efficiency (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fonseca et al., 2015</xref>).</p>
				</sec>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>3. Final considerations</title>
				<p>This article analyzed the professionalization process of the Brazilian federal bureaucracy using two complementary strategies: a historical analysis and a discussion of recent changes in the federal civil bureaucracy from 1995 to 2014. Along these lines, the article intended to identify the advancements of the period and dilemmas that persist in the federal public administration.</p>
				<p>The historical analysis corroborates with the perception that the current setting of the Brazilian public service is a result of continuous transformation processes and not the result of a single historical moment or a single government decision. The two major reforms prior to the enactment of the 1988 Federal Constitution, the Dasp Reform and Decree 200 of 1967, introduced innovations that intended to establish a merit-based and professional bureaucracy, closer to the Weberian model. However, both initiatives achieved partial results that reinforced the historical dichotomy of the Brazilian public administration: partly professionalized and qualified, and partly unprofessional and clientelist.</p>
				<p>Considering the five dimensions that were analyzed, over the last two decades, we observe significant advances. But there are historical dilemmas and challenges to the professionalization of the federal bureaucracy that need to be addressed.</p>
				<p>On the one hand, the empirical data show a process of restoration of the staff, especially since 2003, with diversification in admissions in existing careers, as well as the creation of new careers and positions in areas such as infrastructure, social policy, and regulation. Regarding wage policy, there was a true increase in employee remuneration meanwhile personnel expenses at the federal level remained controlled. Regarding performance evaluation, it is possible to assert that the systems went through sophistication and expansion. In the occupation of political appointment positions, the data indicate advances such as the rise of civil servants in appointment positions, higher education levels and more gender balance. Finally, with regards to the education and training of civil servants, there was an increase in the educational level of civil servants and a continuous process of institutionalizing the development of the bureaucrats’ competences, especially through the strengthening of the schools of government.</p>
				<p>On the other hand, dilemmas and challenges in the federal public administration reinforce the historical gap between a minority of “professionalized” bureaucracy and an “unprofessional” majority. Firstly, despite the hiring of more civil servants in the last decade, the percentage of civil servants relative to the population is still far from that of developed nations, especially from those that provide universal social policies. Secondly, the actual growth in wages has worsened the unevenness between different careers and positions. This problem has also been amplified by subsidizing some careers. Additionally, three other questions are posed as challenges to the professionalization of bureaucracy: the introduction of performance evaluation mechanisms to define part of the wages; the widespread implementation of more transparent and impersonal criteria for the selection and provision of appointment positions, and the increase of female participation in higher-level positions.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn16">
					<label>16</label>
					<p>{Translated version} Note: All quotes in English translated by this article’s translator.</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<app-group>
				<app id="app2">
					<label>Appendix</label>
					<p>
						<table-wrap id="t4">
							<label>Table 1</label>
							<caption>
								<title>DAS occupancy rates, according to labor bond, educational level and gender</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gt4.svg"/>
						</table-wrap>
					</p>
					<p>
						<table-wrap id="t5">
							<label>Table 1</label>
							<caption>
								<title>Continuation</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gt5.svg"/>
						</table-wrap>
					</p>
					<p>
						<table-wrap id="t6">
							<label>Table 1</label>
							<caption>
								<title>Continuation</title>
							</caption>
							<graphic xlink:href="0034-7612-rap-51-01-00001-gt6.svg"/>
							<table-wrap-foot>
								<fn id="TFN6">
									<p>Source: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Brazil (2015)</xref>.</p>
								</fn>
							</table-wrap-foot>
						</table-wrap>
					</p>
				</app>
			</app-group>
		</back>
	</sub-article-->
</article>