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				<journal-title>Ciência &amp; Educação (Bauru)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Ciênc. educ.
					(Bauru)</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1980-850X</issn>
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				<publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, Universidade
					Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências, campus de
					Bauru.</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1516-73132024000A</article-id>
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					<subject>EDITORIAL</subject>
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				<article-title>E quando a ciência divulgada é a Educação em
					Ciências?</article-title>
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					<trans-title>What if we think of Science Education as science to be
					popularized?</trans-title>
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						<given-names>Isabel Gomes Rodrigues</given-names>
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				<institution content-type="normalized">Universidade Federal do Rio de
					Janeiro</institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio de
					Janeiro</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Instituto Nutes de Educação em Ciências e
					Saúde</institution>
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				<email>isabelmartins@ufrj.br</email>
				<institution content-type="original">Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
					Instituto Nutes de Educação em Ciências e Saúde, Rio de Janeiro, RJ,
					Brasil</institution>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
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						seja corretamente citado.</license-p>
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		<sec>
			<title>O argumento</title>
			<p>Este texto apresenta a proposição de que devemos fazer a divulgação científica do
				conhecimento produzido pelo campo de pesquisa em Educação em Ciências. Tal ação se
				justifica como parte de um projeto de desconstrução de um imaginário desfavorável à
				educação pública que nega a potência de uma educação emancipatória e,
				potencialmente, leva ao aumento da desigualdade e à exclusão social. Para tanto,
				após a defesa do status científico do conhecimento que produzimos no campo da
				Educação em Ciências, comento sobre aspectos históricos e políticos da divulgação
				científica. A seguir, faço referência a aspectos particulares da divulgação
				científica de pesquisas em Educação em Ciências ao mesmo tempo em que discuto
				possíveis relações entre a divulgação científica de pesquisas em ciências e a
				divulgação científica de pesquisas em Educação em Ciências.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A motivação</title>
			<p>Repetidamente, e não é de hoje, defrontamo-nos com notícias veiculadas nos meios de
				comunicação acerca do mau desempenho dos alunos das escolas públicas brasileiras em
				avaliações de larga escala, nacionais e internacionais. Também são frequentes as
				críticas aos professores da educação básica, retratados como profissionais mal
				formados e pouco comprometidos com o trabalho; à escola, como instituição anacrônica
				e fora de sintonia com a evolução das tecnologias digitais de informação e
				comunicação; aos currículos, como desatualizados e inadequados frente às demandas de
				formação para o (mercado de) trabalho. Juntamente com tais críticas, surgem
				questionamentos acerca da possibilidade de um ensino de qualidade nas escolas
				públicas e defesas da transferência de recursos públicos para o setor privado, por
				exemplo, por meio da distribuição de <italic>vouchers</italic> que possam ser usados
				pelos pais que escolherem matricular seus filhos em escolas particulares. Aparecem,
				também, propostas curriculares centralizadas que enfatizam a necessidade de formação
				para o mercado em detrimento de uma formação, não menos comprometida com os
				conteúdos curriculares, porém, mais crítica e voltada ao exercício da cidadania de
				forma mais ampliada.</p>
			<p>Em menor proporção, encontramos notícias acerca de colocações de destaque obtidas por
				estudantes brasileiros de escolas públicas, que participam de competições e
				olimpíadas internacionais. Da mesma forma, o excelente desempenho dos alunos de
				escolas federais - comparável ao de estudantes dos países melhores classificados em
				avaliações internacionais de larga escala - também não é destacado com a mesma
				ênfase pelos meios de comunicação. Projetos e eventos de alta relevância acadêmica,
				desenvolvidos e realizados por profissionais das redes públicas de ensino, tendem a
				ser retratados como esforços pontuais de indivíduos especiais, valorizados em função
				do que representam em termos de superação individual, reforçando um ideário de
				meritocracia que encobre os esforços coletivos de diversos sujeitos e instituições
				que os tornam possíveis.</p>
			<p>Um fator importante na produção dessas narrativas que desacreditam a educação pública
				está relacionado à crescente tecnologização da comunicação, permitindo que
				informações sejam disseminadas de maneira ultrarrápida e desencaixadas das relações
				espaço-tempo, consentindo que elas sejam consumidas, descartadas, substituídas,
				antes de serem contextualizadas e criticadas.</p>
			<p>Tal cenário, no qual desigualdades educacionais não são propriamente contextualizadas
				ou analisadas, favorece a construção de um imaginário que desqualifica a escola
				pública, caracterizando-a como o <italic>lugar da falta</italic>: falta de motivação
				por parte dos alunos; falta de formação por parte dos professores; falta de recursos
				materiais e infraestrutura para o desenvolvimento das atividades de ensino; falta de
				projetos inovadores e relevantes.</p>
			<p>A construção de uma imagem do sistema educacional público como dispendioso,
				ineficiente, corporativista e burocrático justifica argumentos que clamam pela
				adoção de modelos de gestão baseados em indicadores de desempenho, competitividade e
				sistemas de recompensa. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B5">Ball (2012)</xref>,
				esta perspetiva se alinha com as tendências políticas globais em que a filantropia,
				as empresas e o governo formam redes políticas para além do quadro do Estado-nação.
				Neste contexto, a educação e a política educativa são mercantilizadas e as questões
				significativas do desenvolvimento e da qualidade são abordadas por meio de soluções
				orientadas para o mercado (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Ball, 2012</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B22">Silva, 2019</xref>).</p>
			<p>Contextualizando essas observações para o caso da realidade brasileira, e
				considerando que projetos educacionais são, em última análise, projetos de
				sociedade, cabe nos perguntar que sociedade está sendo construída a partir de
				valores como meritocracia, performatividade e <italic>accountability</italic>,
				típicos do ideário neoliberal, em um país como o nosso que, de fato, nunca
				experimentou a possibilidade da educação ser considerada um direito provido por um
				estado de bem-estar social.</p>
			<p>A intensidade e a capilarização de narrativas que descrevem, por um lado, uma suposta
				falência da educação pública e, por outro, um falacioso sucesso universal dos
				modelos privados, alertam-nos para a necessária análise dos pressupostos e
				argumentos que sustentam tais visões. Seria a privatização do sistema educacional o
				caminho a ser seguido? Chimamanda Adichie (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Adichie,
					2019</xref>) já nos advertia para o perigo da compreensão parcial e superficial
				dos fatos e dos limites que ela nos impõe para (re)conhecer e imaginar visões
				alternativas àquelas que são naturalizadas pela sociedade. Com base em episódios
				vivenciados, a autora mostra como estereótipos e visões naturalizadas podem impedir
				deslocamentos e contrapontos a visões hegemônicas, bem como sedimentar o que ela
				chama de uma <italic>história única</italic>, que nos aprisiona e nos aliena da
				complexidade da realidade.</p>
			<p>É a partir dessa provocação que, como educadora em ciências, quero me afastar do
				lugar de cúmplice da produção de uma história única acerca dos problemas da educação
				(em Ciências) no Brasil e, consequentemente, de uma solução única. Penso que nossa
				atuação deve se dar no sentido de produzir narrativas outras, nas quais a autonomia
				da profissão docente é valorizada, as culturas, aspirações e identidades dos
				estudantes são consideradas, e os saberes oriundos de diversos grupos possam ser
				respeitados. Grande parte de nosso trabalho é feito com professores, gestores e
				alunos nas escolas. Ao longo de nosso trabalho, testemunhamos seus esforços e
				realizações no sentido de formular questões, identificar parceiros, delimitar
				interesses, explicitar expectativas, valorizar o direito à educação e propor
				caminhos para enfrentar os desafios impostos pela falta de políticas de
				desenvolvimento profissional. Nosso trabalho tem demandado, constantemente, a
				construção de espaços e posturas horizontais de colaboração com todos os agentes do
				processo educativo, e a desconstrução de práticas nas quais o conhecimento serve a
				propósitos normativos e se torna coercitivo de formas alternativas de pensar. Isso
				não significa negar a especificidade ou a potência do conhecimento acadêmico gerado
				a partir do lugar das pesquisas educacionais. Ao contrário, uma forma de contribuir
				para a construção de diversas <italic>histórias</italic> é assumirmos a
				responsabilidade de divulgar - para fora de nossa comunidade de pares os resultados
				- nossas pesquisas, o conhecimento que produzimos, ou seja, fazer a
					<italic>divulgação científica</italic> da ciência produzida no campo da Educação
				em Ciências.</p>
			<p>Dessa forma, a necessidade de tomar parte em um diálogo com a sociedade, oferecendo
				dados e reflexões que permitam ampliar perspectivas e qualificar o debate acerca de
				questões, atravessa o cotidiano de pais, estudantes, gestores, professores,
				formuladores de políticas públicas e me parece, assim, mandatória para nós,
				pesquisadores em Educação (em Ciências).</p>
			<p>Tal proposição não deve, no entanto, ser subestimada, pois ela envolve deslocamentos
				de nossas zonas de conforto e requer análises da responsividade do nosso discurso:
				como compreendemos e nos posicionamos frente às questões educacionais? Qual a
				natureza dos conhecimentos que produzimos? Quais suas relações com outros
				conhecimentos e saberes? Quão prescritivos, por vezes, podemos ser? Estabelece-se,
				assim, o imperativo do dialogismo, envolvendo a necessidade de explicitarmos as
				motivações e a natureza de nossas práticas de pesquisa; a consideração das
				audiências com as quais queremos nos relacionar; a recontextualização de ideias de
				modo a dialogar com grupos sociais com os quais nem sempre interagimos de tão perto
				e a ampliação da presença das nossas ideias em espaços físicos e virtuais que nem
				sempre frequentamos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A hipótese de trabalho</title>
			<p>Inicio com uma espécie de ressalva. Neste texto, para fins de argumentação, assumimos
				que a Educação em Ciências é um campo científico. Fazemos isso reconhecendo que esse
				pode ser um território contestado, ou seja, para muitos, é necessário debater se a
				Educação em Ciências se constitui como um campo científico ou não. Entretanto, esse
				debate, que tem dimensões epistemológicas e sociológicas, excede o escopo deste
				trabalho e não será objeto de discussão. Não obstante, apresentamos algumas breves
				observações acerca das dimensões epistemológica e sociológicas como justificativa do
				nosso posicionamento sobre a cientificidade do campo da Educação em Ciências.</p>
			<p>A discussão das questões epistemológicas envolvidas na emergência e consolidação de
				campos científicos é tarefa complexa. No caso da Educação em Ciências, demandaria
				considerações acerca da natureza de seus objetos e das tradições filosóficas que
				sustentam as diferentes possibilidades das formas de conhecê-los. Entretanto, uma
				breve análise do campo da Educação em Ciências revela que este é tributário de
				tradições científicas características tanto das Grandes Áreas de Ciências Exatas, da
				Vida e da Natureza, quanto das Grandes Áreas de Ciências Humanas e Sociais. Ao longo
				de seu desenvolvimento, nosso campo tem dialogado e buscado uma apropriação crítica
				de bases epistemológicas dessas áreas. A História e a Filosofia da Ciência, a
				Epistemologia Genética de Piaget, e a Sociologia de Pierre Bourdieu são exemplos de
				alguns dos aportes teóricos com os quais nossa área tem tradicionalmente dialogado e
				têm permitido formular questões de pesquisa acerca de temas, como desenvolvimento
				conceitual ou desempenho, a partir de novos olhares. Não menos importantes são os
				esforços de teorização próprios do campo, que envolvem o reconhecimento do seu
				caráter interdisciplinar, o desenvolvimento de uma atitude crítica na adoção de
				princípios e procedimentos metodológicos, a preocupação com as dimensões
				sociocognitivas, culturais e políticas do conhecimento, e a proposição e análise de
				abordagens curriculares. Tais esforços são atestados pela proposição dos conceitos
				como os de Transposição Didática (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Chevallard,
					1985</xref>) e Perfil Conceitual (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Mortimer;
					El-Hani, 2014</xref>); pela investigação sistemática da gênese e do papel das
				Concepções Alternativas na formação de conceitos (Gilbert; Watts, 2008); pela
				problematização das relações Ciência Tecnologia e Sociedade (CTS) (<xref
					ref-type="bibr" rid="B2">Aikenhead, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21"
					>Santos, 2011</xref>); pela abordagem de questões sociocientíficas (<xref
					ref-type="bibr" rid="B10">Conrado; Nunes-Neto, 2018</xref>), pela discussão do
				conceito de letramento científico (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Martins,
					2011</xref>), entre outras.</p>
			<p>A dimensão sociológica da questão da cientificidade do campo da Educação em Ciências,
				por sua vez, pode ser discutida com base em considerações acerca da natureza e dos
				critérios que definem um campo científico, conforme propõe Pierre Bourdieu (<xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Bourdieu, 2003</xref>) em suas teorizações sobre a
				Sociologia da Ciência. Para o autor, um campo científico é um espaço no qual agentes
				interagem entre si por meio de relações objetivas que formam uma estrutura, que por
				sua vez depende do capital científico de cada um dos agentes e os posiciona e
				orienta suas ações. O capital científico pode ser observado em seu estado ‘puro’,
				quando é associado a dons pessoais, carisma ou reputação de indivíduos, mas também
				em seu estado ‘institucionalizado’. Este último é acumulado por meio da aprovação em
				concursos, vitória em eleições e recebimento de prêmios. No que diz respeito à
				autonomia do campo científico, esta é sempre parcial, pois ele sofre pressões
				sociais que, no entanto, são mediatizadas pela sua lógica interna. Essa lógica
				envolve o estabelecimento acerca de critérios de validação e confiabilidade em
				relação aos processos e produtos próprios do campo, como o escrutínio por pares e os
				eventos ou publicações que veiculam resultados de pesquisa. O campo tem suas ações
				ancoradas em espaços institucionalizados, como as universidades, que realizam ações
				de formação de professores e pesquisadores, fomentadas, certificadas e avaliadas por
				agências governamentais, e disseminadas por meio de periódicos científicos.</p>
			<p>No que diz respeito à dimensão sociológica, temos a organização dos agentes do campo
				em associações profissionais e de investigação, a consolidação de espaços de difusão
				do conhecimento produzido por meio de eventos e periódicos, contribuindo para o
				avanço do conhecimento e para a formulação de políticas públicas, de forma geral.
				Especificamente no Brasil, história de nossa área, a emergência e a consolidação dos
				programas de pós-graduação; a criação da área de Ensino de Ciências e Matemática na
				Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES); a regularidade
				e a abrangência de eventos científicos, como o Encontro Nacional de Pesquisa em
				Educação em Ciências (ENPEC); o crescimento do número de publicações especializadas;
				a existência de sociedades científicas, como a Associação Brasileira de Pesquisa em
				Educação em Ciências (ABRAPEC); a distinção acadêmica conferida pelo Conselho
				Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelas Fundações
				Estaduais de Amparo à Pesquisa; aos pesquisadores da área: à presença de nossos
				especialistas em espaços de formulação de políticas públicas, como o Plano Nacional
				do Livro Didático (PNLD), os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), e outros
				programas de valorização do magistério, como o Observatório da Educação.</p>
			<p>Essas breves considerações sugerem fortemente a viabilidade de nossa hipótese de
				trabalho: a de que a Educação em Ciências é um campo científico, que tem identidade
				e autonomia em relação a outros campos, e no âmbito do qual se produz conhecimento
				especializado. É dentro das potencialidades e limites desse suposto que
				desenvolveremos nossa argumentação que, a exemplo do que ocorre em outros campos, é
				possível e necessário pensar em práticas de divulgação científica em Educação em
				Ciências.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Divulgação científica: as questões de sempre</title>
			<p>A divulgação científica tem importantes interfaces com diferentes campos de
				conhecimento. Por exemplo, com a Comunicação, sobretudo por suas relações com o
				jornalismo científico, e com a História e a Historiografia, na medida em que envolve
				projetos de constituição de arquivo e preservação de memória. Da mesma forma, pode
				ser compreendida em termos do seu potencial educacional, já que grande parte das
				ações de divulgação científica é desenvolvida em museus e centros de ciência que
				trabalham em estreita colaboração com o sistema escolar. Não menos importante é a
				contribuição dos Estudos do Discurso com respeito a questões que exploram a natureza
				discursiva da divulgação como gênero e como prática social, além das estratégias
				retóricas de recontextualização e acessibilidade do discurso científico ao público
				de não especialistas. Finalmente, percebemos possíveis conexões entre a divulgação
				científica e temas explorados pelos Estudos Culturais, como a tecnologização da vida
				contemporânea, a convergência de meios e a ampliação das possibilidades de acesso
				por meio da comunicação eletrônica e redes sociais.</p>
			<p>De fato, a divulgação científica é um empreendimento tão antigo quanto as próprias
				ciências da natureza, aqui entendidas como uma prática social fundada na indagação,
				modelagem e sistematização de conhecimentos, instituída pela modernidade ocidental,
				que rompe com a tradição e é validada pelo escrutínio de pares. Nesse sentido,
				podemos tomar a fundação da Royal Society<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1"
					>1</xref></sup>, em 1660 e, sobretudo, da Royal Institution<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup>, em 1779 , como marcos das primeiras
				ações sistemáticas no campo da divulgação científica. No Brasil, encontramos
				registros dos primeiros esforços de comunicação da ciência ao público não
				especialista na forma de artigos dos jornais que surgiram após a transferência da
				corte portuguesa para o Brasil e a consequente suspensão da proibição da imprensa.
				Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Moreira e Massarani (2001)</xref>, o
				interesse pela divulgação científica se manifestou por meio de publicações como a
					<italic>Revista Brazileira: Jornal de Sciencias, Letras e Artes</italic>, em
				1857 (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Arantes, 2010</xref>); das Conferências da
				Glória, iniciadas em 1873; da criação da Sociedade Brasileira de Ciências, em 1916,
				e da revista <italic>Sciencia e Educação</italic>, em 1929. Desde então, práticas da
				divulgação científica se intensificaram em nosso país. Destacam-se os papéis de
				Roquete Pinto, responsável pela criação da Rádio Sociedade, em 1923, e do Instituto
				Nacional do Cinema Educativo, em 1936, e de José Reis, renomado cientista que se
				tornou um ícone da divulgação científica no Brasil pelo seu pioneirismo e pelo seu
				comprometimento ao longo da segunda metade do século 20, redigindo textos para
				jornais de grande circulação, editando a <italic>Revista Ciência e Cultura da
					Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência</italic>, inovando formatos,
				propondo pautas e constituindo largo acervo, hoje disponível na Casa de Oswaldo
				Cruz.</p>
			<p>Pode-se afirmar que o início das ações de divulgação científica tinha o objetivo de
				apresentar avanços tecnológicos e científicos para o público em geral. Entretanto,
				segundo <xref ref-type="bibr" rid="B20">Perrault (2013)</xref>, podemos observar, ao
				longo dos anos, mudanças significativas tanto no escopo quanto no perfil dos agentes
				envolvidos nessas ações:</p>
			<p>
				<disp-quote>
				<p>Compreendida em termos da situação retórica, a história da popularização da
					ciência é uma história de um conjunto de oradores, exigências e públicos, que
					está em constante processo de mudança. Entendida em termos dos tipos de
					conhecimento, é uma história de relações mutáveis entre episteme (conhecimento
					científico ou especialista) e doxa (conhecimento público). (<xref
						ref-type="bibr" rid="B20">Perrault, 2013</xref>, p. 37, tradução nossa).</p>
			</disp-quote>
			</p>
			<p>A decisão acerca do que, e como, comunicar depende tanto de demandas conceituais das
				audiências como de nosso imaginário acerca dos seus interesses, necessidades,
				expectativas e possibilidades de inteligibilidade. Tradicionalmente, essas escolhas
				são construídas com base em modelos que a comunidade de especialistas faz do
				público. Em geral, alguns autores reconhecem que interação entre especialistas e
				público em contextos de comunicação científica vem evoluindo em uma espécie de
				contínuo entre diferentes tipos de modelo, assim denominados: (i) o modelo da
				disseminação ou do déficit; (ii) o modelo contextual; (iii) o modelo de expertise
				leiga; (iv) o modelo da participação, sendo os três últimos propostos em resposta a
				críticas feitas ao primeiro (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Hetland, 2014</xref>;
					<xref ref-type="bibr" rid="B16">Lewenstein, 2003</xref>).</p>
			<p>De acordo com o <italic>modelo do déficit</italic>, as ações de divulgação científica
				são orientadas de modo a preencher lacunas de conhecimento do público não
				especialista a partir de uma agenda conceitual interna à ciência. Nessa perspectiva,
				o que importa ser divulgado é definido a partir da relevância científica do tema em
				questão. Por exemplo, a divulgação da ‘descoberta’ do bóson de Higgs ou da detecção
				da matéria escura vão ao encontro de uma suposta necessidade de superação de um
				déficit informacional ou conceitual por parte do público de não especialistas. Nessa
				perspectiva, os agentes da divulgação são aqueles que detêm o conhecimento e o
				público é visto como uma massa indiferenciada de pessoas que necessitam desse
				conhecimento. Subjacente a essa visão está uma valorização intelectual do
				conhecimento científico e de seu alto grau de legitimidade social. Muitas vezes,
				práticas de divulgação pautadas pelo modelo do déficit são justificadas pela a ideia
				de que todos devem ter acesso à ciência, seja por seu valor epistêmico, permitindo o
				desenvolvimento de habilidades intelectuais superiores, seja pelo seu potencial de
				informar decisões em nível público e privado. Tal visão, segundo <xref
					ref-type="bibr" rid="B16">Lewenstein (2003</xref>, p. 3, tradução nossa), “[...]
				negligencia aspectos contextuais bem como relações entre o conhecimento científico e
				outros saberes e conhecimentos que permeiam a vida cotidiana”.</p>
			<p>Por outro lado, os <italic>modelos contextuais</italic> buscam reconhecer a
				importância de experiências e conhecimento prévio no processamento de informações
				científicas. Por exemplo, informações acerca de efeitos carcinogênicos da radiação
				ionizante são potencialmente significados de forma distinta por pessoas que
				trabalham com materiais radioativos ou vivem nas vizinhanças de usinas nucleares. Ao
				considerar distintos públicos, com distintos graus de conhecimento e diferentes
				graus de implicação das pessoas em relação à ciência, os modelos contextuais
				enfatizam o papel do diálogo e valorizam o caráter ativo da recepção por parte da
				audiência na comunicação. Entretanto, modelos contextuais, por vezes, constituem-se
				apenas em uma versão mais sofisticada do modelo do déficit, pois, a exemplo deste,
				tratam o conhecimento público da ciência como uma espécie de apreciação pública dos
				benefícios da ciência para a sociedade. Assim, não problematizam aspectos sociais e
				políticos em situações que envolvem decisões sobre financiamento e políticas
				públicas que, por vezes, podem ir de encontro aos interesses dos trabalhadores ou
				habitantes de determinado local (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Lewenstein,
					2001</xref>).</p>
			<p>Outro modelo descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B16">Lewenstein (2003)</xref> é
				o modelo da <italic>expertise leiga</italic>. De acordo com esse modelo, não haveria
				uma hierarquização entre o conhecimento científico e conhecimentos locais na medida
				em que ambos podem ser mobilizados na solução de problemas. Assim, esse modelo opera
				por meio da valorização de saberes populares, ancestrais e indígenas e do reforço da
				sua legitimidade e potência na solução de problemas sociais. Nesse sentido, esse
				modelo não só se opõe à ideia de déficit, mas também considera que conhecimentos
				construídos com base na experiência podem e devem ser objeto de divulgação. Há uma
				sugestão de que, por questionar a superioridade do conhecimento científico, esse
				modelo seria mais democrático. Entretanto, o relativismo implícito nessa abordagem é
				tema de debate, sobretudo no contexto da necessidade de entendimento do estatuto
				científico e suas práticas. Iniciativas identificadas com esse modelo, que chegou a
				receber o rótulo de anticiência, enfrentaram resistência de modo que a mera oposição
				ou disputa entre conhecimentos não gera caminhos para o alcance de um maior grau de
				entendimento (sobre ciência) por parte do público (<xref ref-type="bibr" rid="B16"
					>Lewenstein, 2003</xref>).</p>
			<p>Embora o questionamento da superioridade do conhecimento científico sugira que
				modelos de divulgação baseados na expertise leiga possam ser mais democráticos, o
				reconhecimento de saberes locais por si só não garante que estes sejam mobilizados
				nas tomadas de decisão. Essa questão é explicitamente tratada por trabalhos
				identificados com o <italic>modelo participativo</italic>. Neles, há uma orientação
				em relação à democratização da ciência e em esforços para promover o engajamento e a
				participação do público nos debates e, eventualmente, nos contextos de tomada de
				decisão acerca de políticas científicas, como as audiências públicas. Dessa forma, o
				modelo participativo - ou modelo do diálogo -, não só combate a alienação do público
				em relação às pautas da divulgação científica como também promove o empoderamento
				político a grupos de cidadãos.</p>
			<p>Essa breve tentativa de historicizar algumas iniciativas em divulgação científica
				sugere tensões que refletem questões essencialmente políticas, no sentido que
				envolvem visões de mundo conflitantes, interesses contrastantes e disputas por
				hegemonia. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bensaude-Vincent (2009</xref>, p.
				359, tradução nossa), “[...] a recente mudança de um modelo de déficit para um
				modelo participativo muda profundamente os valores subjacentes à comunicação da
				ciência. Enquanto anteriormente esta comunicação era realizada em nome da Ciência,
				[agora] ela é realizada em nome da democracia.”</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A Educação em Ciências como objeto da divulgação científica</title>
			<p>O papel da democracia como motivação da Divulgação Científica é particularmente
				importante para os pesquisadores em Educação em Ciências que reconhecem a
				necessidade divulgar o conhecimento que produzimos para audiências de não
				especialistas. Nesse sentido, é importante considerar a heterogeneidade dos públicos
				para os quais nos dirigimos, buscando conhecê-los em suas especificidades; a
				natureza das práticas sociais que demandam o conhecimento que produzimos; o lugar
				que ocupamos nas redes discursivas das quais potencial e efetivamente participamos e
				problematizar aspectos do conhecimento que produzimos e suas relações com diferentes
				saberes que circulam na sociedade.</p>
			<p>Tais demandas colocam, primeiramente, a necessidade de uma reflexão sobre a natureza
				do conhecimento que produzimos e, em segundo lugar, a caracterização da prática de
				sua divulgação como um ato político<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3"
				>3</xref></sup>.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Natureza da Educação em Ciências</title>
			<p>Com respeito ao primeiro ponto, podemos dizer que um movimento que confere identidade
				ao nosso campo é a busca pelas formulações de questões e por enquadramentos
				teórico-metodológicos que não se reduzem àqueles que regem os campos das ciências da
				natureza e das ciências humanas e sociais. Embora tal característica nem sempre seja
				enunciada ou problematizada, ela está presente desde sempre, seja como compromisso
				explícito, seja como tensão implícita, e se reflete no pluralismo teórico e no
				ecletismo metodológico que estes, sim, caracterizam grande parte dos trabalhos do
				campo.</p>
			<p>Destarte, o reconhecimento dessa irredutibilidade apresenta um desafio. Se
				considerarmos que a divulgação científica vai além da difusão de fatos e informações
				científicas e deve incluir aspectos dos processos por meio dos quais o conhecimento
				é produzido, validado e legitimado, dentro e fora da comunidade científica, temos
				que considerar aspectos específicos que dizem respeito aos fundamentos
				epistemológicos dos campos das ciências da natureza e das ciências humanas e sociais
				como parte do conhecimento a ser divulgado. Essa me parece uma questão importante,
				uma vez que o conhecimento derivado da investigação tem a obrigação de se apresentar
				como fruto de um trabalho, prático e intelectual, situado socialmente, e não como
				dogma.</p>
			<p>O reconhecimento do caráter científico de nossas pesquisas não deve, entretanto,
				levar a práticas de divulgação assemelhadas àquelas identificadas com o chamado
				modelo do déficit. O conhecimento que temos produzido no campo da Educação em
				Ciências importa na medida em que dialoga com a sociedade e sugere novos
				enquadramentos e compreensões para questões intimamente ligadas à educação,
				entendida como “[...] um triplo processo de humanização, socialização e entrada numa
				cultura, singularização-subjetivação” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Charlot,
					2006</xref>, p. 15). Por outro lado, as distintas vivências em relação aos
				processos educativos que temos ao longo de nossas vidas - seja como estudantes, pais
				ou professores, por exemplo -, conferem àqueles que não são especialistas em
				educação um repertório conceitual e experiencial para interpretação das questões
				educacionais. Entretanto, essa multiplicidade de experiências não é suficiente para
				caracterizar uma expertise leiga em educação, mas legitima interesses, demandas e
				interpretações por parte dos diferentes públicos acerca dos conhecimentos
				científicos nesse campo. Além disso, a diversidade de interlocutores e agentes
				educacionais com quem desejamos e precisamos dialogar, bem como as nossas diferentes
				implicações nos diferentes espaços educacionais institucionais dos quais fazemos
				parte, demanda sensibilidade de nossa parte e reforça a necessidade do
				estabelecimento de agendas compartilhadas.</p>
			<p>Não menos importante é o imaginário social acerca do que é ciência, pesquisa
				científica e o que esperar dela. Em muitos casos, o adjetivo verdadeiro - em vez de
				confiável - é utilizado para descrever o conhecimento científico. De fato, muitas
				representações da ciência na mídia corroboram a confusão entre ceticismo e dúvida e
				tomam o caráter tentativo das explicações científicas como sinônimo de imprecisão.
					<xref ref-type="bibr" rid="B11">Fensham (2015)</xref> considera imperioso
				discutir tais características, sobretudo no cenário contemporâneo no qual ceticismo
				é significado como dúvida e dúvida se traduz em falta de confiança no conhecimento
				científico. Para o autor, a educação em ciências deve ter como horizonte a
				perspectiva de transformar o público em <italic>connoisseurs</italic><sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn4">4</xref></sup> da ciência, isto é, pessoas que têm
				um conhecimento mais maduro, capazes de compreender a questão da incerteza na
				ciência, as ideias de probabilidade e risco, as diferenças entre relações
				correlacionais e relações causais, entre outros aspectos. Esse tipo de apreciação
				também seria necessário para compreender de forma adequada o escopo e os limites dos
				resultados de pesquisas educacionais. Tais considerações são pertinentes ao
				pensarmos formas de comunicar o conhecimento produzido em nossa área e seu impacto,
				por exemplo, no desenvolvimento desde projetos pedagógicos em microescala até
				políticas públicas de larga escala.</p>
			<p>Tomemos como exemplo um dentre os muitos aspectos relacionados aos processos de
				produção de conhecimento científico: o potencial de generalização de resultados de
				pesquisa. Podemos dizer que, nas ciências da natureza, há uma tendência de
				justificar possíveis generalizações dos resultados de uma pesquisa em termos da
				confiabilidade dos procedimentos metodológicos na medida em que estes envolvem, por
				exemplo, a construção de modelos, indutivos ou dedutivos, ou análises estatísticas.
				De forma similar, guardadas suas orientações epistemológicas particulares, as
				pesquisas em ciências humanas também enfrentam demandas por resultados que possam
				ser, em alguma medida, generalizáveis, sobretudo quando estes são usados para
				referenciar políticas públicas e justificar destinação de recursos. Embora as
				concepções de generalização não se remetam à replicabilidade ou à extrapolação
				linear dos resultados, elas ainda permitem reconhecimento de padrões e inferências
				acerca dos objetos sob estudo em questão e seus congêneres (<xref ref-type="bibr"
					rid="B14">Larsson, 2009</xref>).</p>
			<p>Nessa perspectiva, surgem desafios para nós, produtores de conhecimento científico em
				Educação em Ciências. Em outras palavras, a provocação de que devemos fazer
				divulgação científica da pesquisa em Educação em Ciências leva ao questionamento do
				que entendemos como natureza da ciência em nosso próprio campo. Qual a natureza dos
				objetos do campo da Educação em Ciências? Como nos posicionamos frente a eles? Como
				esses posicionamentos se materializam em princípios e procedimentos de investigação?
				Em outras palavras: como se referir à ontologia, à epistemologia e à metodologia em
				nosso campo? Como considerar a dimensão axiológica de nosso trabalho? No âmbito das
				ciências da natureza e da saúde, tais questões se vinculam frequentemente a
				teorizações em torno da chamada <italic>Natureza da Ciência</italic>. Parte de nosso
				desafio, portanto, está na discussão do que seria a <italic>Natureza da Educação em
					Ciências</italic>.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Divulgação da Educação em Ciências como ato político</title>
			<p>A compreensão dos limites e possibilidades da ‘aplicação’ dos resultados da pesquisa
				educacional é particularmente espinhosa. Frequentemente, somos desafiados a
				responder por que as pesquisas que realizamos nem sempre são propositivas, ou seja,
				não apontam para soluções concretas que possam ser 'aplicadas' em escala nas escolas
				ou em outros ambientes educacionais com vistas a melhorar seu desempenho? Pensando
				nos públicos com quem potencialmente precisamos dialogar - gestores, docentes,
				jovens estudantes, seus responsáveis, formuladores de políticas públicas, entre
				outros -, esse questionamento não só é provável como também legítimo. Vivemos uma
				época na qual a educação é a principal solução para diversos problemas estruturais
				da sociedade como preconceito, desemprego e violência. Sem dúvida, a educação é
				parte da solução desses e outros problemas. Entretanto, não podemos cair no
				reducionismo instrumentalista que desconsidera os mecanismos produtores desses
				problemas sociais e concebe a educação de forma descontextualizada, como uma prática
				capaz de, unilateralmente, resolver problemas profundos e historicamente arraigados
				na sociedade brasileira.</p>
			<p>É de fundamental importância, portanto, esclarecer o papel das pesquisas e de seus
				limites, sob pena de desqualificarmos o papel social dos pesquisadores em educação
				em ciências e culpá-los, individualmente, pelos problemas enfrentados por
				professores estudantes nas escolas. Tal postura é menos frequente no campo das
				ciências da natureza e da saúde: de forma geral, as filas ou o sucateamento do
				sistema público de saúde não são vistos como responsabilidade do cientista que faz
				pesquisa na universidade. Ao contrário, a complexidade dos processos por meio dos
				quais resultados de pesquisa científica se tornam disponíveis para a população na
				forma de prevenção ou tratamento ficou evidente no caso da pandemia da COVID-19.
				Nessa ocasião, vimos o impacto que orientações ideológicas e decisões políticas
				tiveram no sentido de atrasar e prejudicar o acesso da população à vacina. No campo
				da Educação, entretanto, essa cadeia de eventos não é tão explícita e, muitas vezes,
				os pesquisadores são os criticados por produzirem teorizações supérfluas e alheias
				aos reais problemas educacionais e responsabilizados pelas questões enfrentadas pela
				escola. A consideração dessa questão, que reverbera aspectos da dicotomia
				teoria-prática, demanda esforço por parte da nossa comunidade quando nossa tarefa é
				a de divulgar os resultados de nossas pesquisas. Precisamos comunicar a complexidade
				das relações entre os resultados obtidos em pesquisa educacionais e os contextos de
				prática nos quais esses resultados são potencialmente relevantes. Entre a obtenção
				dos resultados e sua transformação em recomendações, há um processo longo, que se dá
				em etapas e no qual acontecem mediações de diferentes ordens. Os discursos derivados
				da pesquisa educacional (em ciências) passam a integrar uma teia de relações com
				outros discursos produzidos em diferentes âmbitos, em um espectro que vai dos
				gabinetes ministeriais até o chão da escola. Entre essas mediações, uma das mais
				importantes é aquela feita pelos agentes educacionais, como professores em sala de
				aula. Estes recriam as recomendações que recebem de forma autônoma e competente,
				como demanda o exercício de um profissional crítico-reflexivo. Tais transformações e
				recontextualizações desses resultados das pesquisas atendem, assim, às
				características específicas das práticas sociais para as quais serão transpostos.
				Essas considerações expõem como, no mínimo, ingênuas as expectativas de que os
				efeitos das pesquisas a serem esperados em salas de aula se deem na forma de
				respostas derivadas da aplicação de um modelo baseado em unicausalidade direta, por
				mais sedutora que sua simplicidade possa ser.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Pela construção de uma agenda para a Divulgação da Educação em Ciências</title>
			<p>Neste texto, convidamos os pesquisadores em Educação em Ciências a pensar na
				necessidade de difundir seu trabalho para além da comunidade como forma de
				desconstruir narrativas que desqualificam a educação pública e a pesquisa em
				educação. Argumentamos que a divulgação científica no campo da Educação em Ciências
				envolve, por um lado, uma necessária ampliação do objeto da divulgação de forma a
				considerar não somente os resultados da pesquisa, mas também a natureza dos
				processos de produção de conhecimento no campo. Além disso, destacamos como
				fundamental a necessidade de abordar um segundo aspecto, a consideração da prática
				da divulgação como um ato político.</p>
			<p>De forma análoga ao que já foi apontado em relação à divulgação das pesquisas em
				ciências da natureza, enfatizamos que a divulgação das pesquisas em Educação em
				Ciências implica considerações críticas e reflexivas a respeito da construção do
				conhecimento e das questões de validade, confiabilidade e generalização de
				resultados de pesquisas e experiências educacionais. Além disso, propomos à nossa
				comunidade o compromisso de explicitar, em nossos discursos, a caracterização do
				nosso horizonte socioconceitual de enunciação, isto é, de onde falamos e como nos
				constituímos nas diferentes práticas discursivas das quais tomamos parte e nas quais
				estamos implicados (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bakhtin, 2014</xref>), como a
				pesquisa, a divulgação, a formação, etc.</p>
			<p>Já a dimensão política da divulgação científica da educação em ciências foi
				articulada com o princípio do dialogismo (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bakhtin,
					2014</xref>), inerente a nosso discurso. Assim, reforçamos a necessidade de
				analisar tanto as posturas dos cientistas frente às necessidades da sociedade quanto
				as relações entre diferentes grupos de indivíduos e o conhecimento científico.
				Algumas das críticas mais contundentes ao modelo do déficit e, mesmo ao modelo
				contextual, já apontavam para a necessidade de atentar para características das
				audiências e dos riscos de ter a ciência como único ponto de partida para pensar sua
				divulgação. No caso da ciência que produzimos, considerar o conhecimento que o
				público em geral tem dos contextos onde nossas pesquisas se dão é fundamental, já
				que grande parte dos nossos resultados trata de relações em espaços nos quais já
				fomos participantes e agentes. Diferentemente do que acontece no caso dos
				laboratórios e centros de pesquisa científica, que permanecem inacessíveis à grande
				parte da população, a maioria de nós frequentou a escola e conhece seu cotidiano,
				tem experiência de primeira mão com currículos e livros didáticos, conhece a rotina
				dos professores. Essa familiaridade pode levar a uma espécie de naturalização das
				condições objetivas de trabalho e dos problemas enfrentados pela escola. Pode fazer
				ainda com que as pessoas generalizem tais aspectos e desenvolvam formas de pensar
				vinculadas a questões particulares que, por encontrar ressonância em sua
				experiência, servirá de 'pano de fundo' para seu entendimento das formulações
				advindas das pesquisas educacionais. Nesse contexto, devemos estar atentos à
				necessidade de desconstruir visões pré-existentes que podem se converter em
				obstáculos à plena apreciação dos resultados das pesquisas e levar ao rechaço de
				suas recomendações, gerando disputas estéreis como tipicamente ocorre no contexto de
				abordagens baseadas nos modelos contextuais de divulgação científica.</p>
			<p>Outra desconstrução necessária é a da ideia de distanciamento entre universidade e
				escola e do consequente afastamento dos pesquisadores da escola. O fato de que
				muitas pesquisas são realizadas em contextos de formação, inicial e continuada,
				precisa ser explicitado. Da mesma forma, é importante enfatizar o foco de interesse
				dos pesquisadores nos processos de ensino e aprendizagem, bem como seus esforços de
				desenvolvimento de recursos didáticos e programas de inovação educativa. Parece-me
				também fundamental mostrar que diversas das pesquisas que fazemos envolvem, de uma
				forma ou de outra, os estudantes e professores. Em alguns modelos, como os de
				pesquisa-ação, a própria definição dos objetivos e certos aspectos do
				desenvolvimento da investigação são compartilhados com professores e alunos. Essa
				consciência pode permitir, ainda, uma reflexão mais situada e crítica por parte do
				público em relação aos resultados da pesquisa que são divulgados. Tais abordagens
				efetivam a articulação entre os interesses e expectativas do público e a pauta dos
				especialistas, favorecendo o engajamento do público em questões importantes como a
				defesa da escola pública e a valorização da profissão docente. Em outras palavras,
				tais movimentos poderiam ajudar na construção de práticas mais identificadas com a
				pauta das abordagens participativas à divulgação científica, isto é, aquelas que
				aproximam cidadãos dos contextos nos quais o conhecimento produzido pela pesquisa é
				relevante e pode promover seu empoderamento político.</p>
			<p>Finalmente, é imperioso considerar que nossos esforços de divulgação científica
				envolverão, de alguma forma, a intermediação de veículos de comunicação de massa,
				que vão desde a grande imprensa às redes sociais. Entretanto, a obtenção de espaços
				de enunciação em canais oficiais ou veículos que gozam de confiabilidade e boa
				reputação junto à opinião pública nem sempre é fácil. Por outro lado, as mídias
				sociais que, em princípio, proporcionariam maiores oportunidades de acesso e
				participação, tornaram-se palco de disputas de narrativas, práticas de
				desinformação, manipulação de ideias e propagação de notícias falsas e de ideias
				distorcidas. Assim, cada um desses veículos impõe desafios próprios das suas
				características e linguagens, cabendo a nós conhecê-los e explorar seus potenciais a
				favor do nosso compromisso com o diálogo.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p><ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://royalsociety.org/about-us/history/"
						>https://royalsociety.org/about-us/history/</ext-link></p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p><ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.rigb.org/our-history/timeline-of-the-ri"
						>https://www.rigb.org/our-history/timeline-of-the-ri</ext-link></p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Utilizamos o termo político aqui distinguindo-o do sentido associado à política
					partidária ou como algo que diz respeito a aspectos das relações entre os
					sujeitos e os assuntos públicos na sociedade e da convivência do ser humano em
					sociedade e, portanto, se remete a questões que envolvem poder, ética, liberdade
					e pluralismo, para além das questões de governo ou administração de Estados.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Essa expressão foi proposta por Isabelle Stengers em sua conferência ministrada
					na Conferência da European Science Education Research Association em Lyon, em
					2011.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ack>
			<title>Agradecimentos</title>
			<p>A autora agradece ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
				(CNPq) e à Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro
				(Faperj) pelo apoio financeiro a projetos de pesquisa, cuja realização permitiu a
				escrita deste trabalho, e à Profa. Dra. Rosária Justi, por seus comentários sobre a
				primeira versão deste manuscrito.</p>
		</ack>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
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			<article-categories>
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					<subject>EDITORIAL</subject>
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				<article-title>What if we think of Science Education as science to be
					popularized?</article-title>
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					Institute Nutes of Education in Science and Health, Rio de Janeiro, RJ,
					Brazil</institution>
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		<body>
		<sec>
			<title>The argument</title>
			<p>This text puts forward an argument for the importance of popularizing knowledge
				produced through research in the field of science education. This action is
				necessary as part of a project to challenge a negative perception of public
				education that undermines the potential of an empowering education, which may
				potentially contribute to greater inequality and social exclusion. After providing a
				defense of the scientific status of the knowledge generated within the field of
				Science Education, I proceed to analyze the historical and political aspects of
				science popularization. Next, I go over the specific aspects of sharing research in
				Science Education, while addressing probable connections between how it happens with
				scientific research and research in Science Education.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>The motivation</title>
			<p>Repeatedly, and not just these days, we come across media reports about the poor
				performance of Brazilian public school students in national and international
				large-scale assessments. Basic education teachers often face criticism for being
				portrayed as poorly trained professionals with little commitment to their work.
				Schools are sometimes seen as anachronistic institutions that have not kept up with
				the evolution of digital information and communication technologies. Additionally,
				curricula are often criticized for being outdated and inadequate to meet the demands
				of the job market. In addition to these criticisms, concerns are raised about the
				potential for high-quality education in public schools and arguments in favor of
				redirecting public resources to the private sector. This can be seen in the form of
				vouchers that allow parents to enroll their children in private schools. There are
				also centralized curricular proposals that prioritize market-oriented training over
				a more critical and comprehensive approach that is geared toward exercising
				citizenship in a broader way.</p>
			<p>Though not as common, we sometimes hear about how well Brazilian public school
				students do in international competitions and school olympiads. Likewise, the media
				does not give equal emphasis to the outstanding achievements of students from
				federal schools, which are on par with those from the top-ranked countries in
				international large-scale assessments. Projects and events of high academic
				relevance, developed and carried out by professionals from public education
				networks, are often depicted as the result of exceptional individuals' efforts,
				highlighting individual achievements. This portrayal adds up to an ideology of
				meritocracy that overshadows the collective efforts of the multiple individuals and
				institutions that contribute to the success of such activities.</p>
			<p>An important factor in the production of these narratives that discredit public
				education is linked to the increasing reliance on technology for communication. This
				enables information to spread rapidly and independently of spatial and temporal
				relations, making it easily consumed, discarded, and replaced before being properly
				analyzed and evaluated.</p>
			<p>This situation, where educational disparities are not adequately examined or
				understood, allows for the creation of a perception that undermines public schools,
				labeling them as deficient: students lacking motivation, teachers lacking proper
				training, insufficient resources and infrastructure for effective teaching, and a
				dearth of innovative and meaningful projects.</p>
			<p>The portrayal of the public education system as costly, ineffective, corporatist, and
				burdened by bureaucracy provides a rationale for advocating for the implementation
				of performance-based management models, fostering competitiveness, and introducing
				reward systems. According to <xref ref-type="bibr" rid="B5">Ball (2012)</xref>, this
				perspective aligns with global political trends where philanthropy, business, and
				government form policy networks beyond the nation-state framework. In this context,
				education and educational policy are commodified, and the significant issues of
				development and quality are addressed through market-oriented solutions (<xref
					ref-type="bibr" rid="B5">Ball, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22"
					>Silva, 2019</xref>).</p>
			<p>Considering the observations made in the context of Brazilian reality, it is
				important to question the type of society that is being shaped by values like
				meritocracy, performativity, and accountability, which are characteristic of the
				neoliberal ideology. This is particularly relevant in a country like Brazil, where
				education has never been viewed as a right provided by a welfare state.</p>
			<p>The intensity and capillarization of narratives that describe the supposed
				shortcomings of public education and the exaggerated claims of success in private
				models serve as a reminder of the importance of critically examining the underlying
				assumptions and arguments behind these perspectives. Is privatization of the
				education system the best approach? In her insightful work, Chimamanda Adichie
					(<xref ref-type="bibr" rid="B1">Adichie, 2019</xref>) cautions us about the
				perils of having a limited and shallow grasp of facts. She emphasizes how this
				hinders our ability to truly understand and envision alternative perspectives that
				challenge the norms ingrained in society. The author presents a compelling argument
				about the impact of stereotypes and ingrained perspectives on our ability to
				challenge dominant narratives. By highlighting the dangers of relying on a single
				narrative, she emphasizes the need to embrace the complexity of reality.</p>
			<p>This provocation is the reason that, as a science educator, I refuse to be complicit
				in the creation of a single narrative on the problems with (science) education in
				Brazil and, by extension, on a single solution. I strongly advocate for the creation
				of alternative narratives that prioritize the autonomy of educators, acknowledge the
				diverse cultures, aspirations, and identities of students, and foster a deep respect
				for the knowledge contributed by various groups. A significant portion of our work
				involves collaborating with educators, administrators, and students within
				educational institutions. Throughout our work, we have observed their dedication and
				accomplishments in formulating inquiries, identifying collaborators, defining
				interests, clarifying expectations, suggesting strategies to address the challenges
				posed by the absence of professional development policies, and promoting education
				as a fundamental right. Our work has consistently required the creation of more
				inclusive environments and a collaborative approach with all stakeholders in the
				educational process. We strive to challenge traditional practices where knowledge is
				used to enforce conformity and limit alternative perspectives. This does not imply
				disregarding the unique and influential academic knowledge produced through
				educational research. Contrarily, a valuable way to contribute to the development of
				varied ‘histories’ is by taking on the duty of sharing our research and the
				knowledge we generate - beyond our peer community - or, in essence, to ‘popularize’
				the science produced in the field of Science Education.</p>
			<p>As a result, the need to engage in a dialogue with society, offering data and
				reflections that allow us to broaden perspectives and qualify the debate on issues,
				pervades the daily lives of parents, students, managers, teachers, and public
				policymakers, and thus appears mandatory for us researchers in (Science)
				Education.</p>
			<p>It is important to not underestimate this idea because it challenges us to go outside
				of our comfort zones and examine how our discourse is responsive to educational
				difficulties. How do we see ourselves in connection to these issues? What is the
				nature of the knowledge we generate? How does it relate to other knowledge and
				skills? How prescriptive can we sometimes be? This statement underscores the
				significance of dialogism, which entails several key considerations: the necessity
				to clearly communicate the motivations and nature of our research practices; the
				importance of considering the audiences with which we aim to engage; the
				recontextualization of concepts to facilitate discourse with social groups that we
				may not regularly intersect with; and the extension of the visibility of our
				concepts into virtual and physical environments that we may not regularly visit.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>The working hypothesis</title>
			<p>Allow me to begin with a small disclaimer. In this text, for the sake of argument, we
				assume that Science Education is a scientific field. We understand that this can be
				a topic of debate, as some may question whether Science Education constitutes a
				scientific field or not. However, this dispute, with its social and epistemological
				implications, is outside the purview of this study and will not be discussed.
				Nevertheless, to back up our position on the scientific nature of Science Education,
				we would like to provide a few concise observations on the social and
				epistemological aspects.</p>
			<p>Tackling the epistemological challenges related to the development and establishment
				of scientific fields can be quite intricate. When it comes to Science Education,
				careful thought must be given to the nature of its objects and the philosophical
				traditions that back up the various ways of understanding them. A cursory
				examination of Science Education, however, shows that it derives from scientific
				traditions typical of the wide notions of hard and soft sciences, which include not
				only the natural and life sciences but also the humanities and social sciences. Our
				field has engaged in ongoing dialogue and pursued a thorough understanding of the
				epistemological foundations in these areas. We have traditionally engaged with
				theoretical contributions such as The History and Philosophy of Science, Piaget's
				Genetic Epistemology, and Pierre Bourdieu's Sociology. These contributions have
				enabled us to approach research questions on topics like conceptual development or
				performance from fresh perspectives. Not less important are the field's theorizing
				efforts, which include: acknowledging its interdisciplinary nature; developing a
				critical attitude toward the adoption of methodological principles and procedures;
				focusing on the socio-cognitive, cultural, and political dimensions of knowledge;
				and proposing and analyzing curricular approaches. These efforts are evidenced by
				the proposal of concepts such as Didactic Transposition (<xref ref-type="bibr"
					rid="B9">Chevallard, 1985</xref>) and Conceptual Profile (<xref ref-type="bibr"
					rid="B19">Mortimer; El-Hani, 2014</xref>); the investigation of Alternative
				Conceptions in concept formation (Gilbert; Watts, 2008); the problematization of
				Science and Technology Studies (STS) (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Aikenhead,
					2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Santos, 2011</xref>); addressing
				socioscientific issues (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Conrado; Nunes-Neto,
					2018</xref>); and discussing the notion of scientific literacy (<xref
					ref-type="bibr" rid="B17">Martins, 2011</xref>), among others.</p>
			<p>The sociological aspect of the inquiry into the legitimacy of the field of Science
				Education, on the other hand, can be explored by examining the nature and criteria
				that define a scientific field, as discussed by Pierre Bourdieu (<xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Bourdieu, 2003</xref>) in his theories on the Sociology
				of Science. In the author's perspective, the scientific field is a dynamic
				environment where individuals - agents - interact with each other through objective
				relationships, influenced by their science capital, which shapes their positions and
				actions. The presence of scientific capital can be seen in its ‘raw’ form when it is
				linked to the unique talents, charm, or reputation of individuals, as well as in its
				'institutionalized' form. One can achieve the latter through a combination of
				competitive success, electoral victories, and recognition through awards. The
				autonomy of a scientific field, is inherently limited, as it succumbs to social
				pressures that are filtered through its internal reasoning. This approach entails
				setting up criteria for validation and reliability within the field, including peer
				review and the dissemination of research findings through events or publications.
				The field's activities are centered around established institutions, like
				universities, where training programs for teachers and researchers are conducted.
				These programs are endorsed, certified, and assessed by government agencies, and the
				findings are shared through scientific journals.</p>
			<p>Still, in terms of the sociological aspect, there has been a significant development
				in the organization of field agents into professional and research associations.
				This has led to the establishment of platforms for sharing knowledge through events
				and periodicals, which have greatly contributed to the advancement of knowledge and
				the formulation of public policies. More specifically, in Brazil, we delve into a
				rich history of the field of Science Education: the emergence and growth of
				postgraduate programs; the establishment of the area of Science and Mathematics
				Education by the CAPES foundation; the frequency and extent of scientific events,
				such as the National Meeting of Science Education Research (Enpec); the increase in
				the number of specialized publications; the presence of scientific societies, like
				the Brazilian Association of Research in Science Education (ABRAPEC); the academic
				distinction conferred by the(National Council for Scientific and Technological
				Development (CNPq) and the State Research Foundations; our researchers in the field;
				the experts who take part in the formulation of public policies, including the
				National Textbook Plan (PNLD), the National Curricular Parameters (PCN), and other
				programs aimed at improving the teaching profession, such as observatories of
				education.</p>
			<p>Our working premise, that Science Education is a distinct scientific discipline that
				generates its own body of specialized knowledge and stands apart from related
				disciplines, seems to have good support from these few points of examination. It is
				within the potential and limits of this assumption that we will develop our argument
				that, like what happens in other fields, it is possible and necessary to think about
				science popularization practices in Science Education.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Science popularisation: customary questions</title>
			<p>Science popularization has vital connections to several domains of knowledge.
				Thinking about the field of Communication, particularly in terms of its ties to
				scientific journalism, and that of History and Historiography, as these involve
				projects to create archives and preserve memory, sharing science can be understood
				in terms of its educational potential. This is particularly evident in museums and
				science centers that collaborate closely with the school system. Equally significant
				is the impact of Discourse Studies on examining the way information is shared and
				communicated, particularly in the realm of scientific discourse. This field delves
				into the various ways scientific information is presented and made accessible to a
				wider audience, including non-specialists. Finally, we can observe possible links
				between scientific popularization and topics investigated by Cultural Studies, like
				the integration of technology into modern life, the merging of media platforms, and
				the increased opportunities for connectivity through electronic communication and
				social networks.</p>
			<p>The popularization of science has a long and rich history, dating back to the early
				days of the natural sciences. It is understood here as a social practice based on
				inquiry, modeling, and the systematization of knowledge. This practice emerged
				during Western modernity, challenging traditional thinking and gaining credibility
				through peer review. This practice emerged during Western modernity, challenging
				traditional thinking and gaining credibility through peer review. In this historical
				perspective, significant milestones in the field of science popularization include
				the establishment of the Royal Society<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5"
					>1</xref></sup> in 1660 and the Royal Institution in 1779<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn6">2</xref></sup>. In Brazil, there are historical
				records of early attempts to popularize scientific knowledge among the public
				through newspaper articles. These articles emerged following the relocation of the
				Portuguese court to Brazil and the subsequent lifting of the press ban. <xref
					ref-type="bibr" rid="B18">Moreira and Massarani (2001)</xref> noted that there
				has been a long-standing interest in science popularization, as evidenced by various
				publications and initiatives throughout history. <italic>For instance, the Revista
					Brazileira: Jornal de Sciencias, Letras e Artes</italic> (<xref ref-type="bibr"
					rid="B3">Arantes, 2010</xref>) was a journal established in 1857, followed by
				the Conferências da Glória, or Glorious Conferences, in 1873. The Brazilian Academy
				of Sciences was founded in 1916, and the magazine Sciencia e Educação was introduced
				in 1929. Since then, there has been a significant increase in scientific
				popularization practices in our country. Notable individuals include Roquette Pinto,
				who played a key role in establishing the radio station Sociedade in 1923 and the
				National Institute of Educational Cinema in 1936. Another influential figure is José
				Reis, a highly regarded scientist who has become an emblem of science popularization
				in Brazil. Throughout the latter half of the 20th century, Reis made significant
				contributions by writing for prominent journals, editing Ciência e Cultura,
				published by the Brazilian Society for the Progress of Science, introducing
				innovative formats, proposing guidelines, and amassing an extensive collection, now
				housed by the Oswaldo Cruz Foundation.</p>
			<p>It is readily apparent that the initial goal of science popularization was to convey
				technological and scientific advancements to society. However, <xref ref-type="bibr"
					rid="B20">Perrault (2013)</xref> notes that there have been notable shifts in
				the range and characteristics of the agents engaged in these activities over
				time.</p>
			<p>Understood in terms of the rhetorical situation, the history of science
				popularization is a history of a changing set of rhetors, exigences, and audiences.
				Understood in terms of kinds of knowledge, it is a history of shifting relationships
				between episteme (scientific or specialist knowledge) and doxa (public knowledge)
					(<xref ref-type="bibr" rid="B20">Perrault, 2013</xref>, p. 37).</p>
			<p>The decision regarding the content and manner of communication is shaped by our
				assessment of the audience's conceptual needs, as well as our interests, desires,
				expectations, and ability for comprehension. Models constructed by the expert
				community to depict the general population are typically the foundation for these
				decisions. There is a continuum that includes numerous models that scholars
				generally agree on when it comes to the public's and professionals' interactions in
				science: (i) the deficit or dissemination model; (ii) the contextual model; (iii)
				the lay expertise model; and (iv) the participation model are the four models that
				are presented. In response to criticisms of the initial model, the final three
				models were proposed (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Hetland, 2014</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B16">Lewenstein, 2003</xref>).</p>
			<p>The <italic>deficit model</italic> posits that science communication initiatives are
				directed at bridging knowledge gaps for the public, excluding specialists, under an
				internal scientific agenda. According to this viewpoint, the topic's scientific
				importance determines what information should be shared. Showcasing the purported
				'discovery' of the Higgs boson or the detection of dark matter, for instance,
				satisfies an alleged requirement for the public to get around an informational or
				conceptual deficit. From this standpoint, individuals who possess knowledge are
				considered the agents of popularization, while the public is perceived as an unequal
				mass in need of said knowledge. Underlying this view is an intellectual valorization
				of scientific knowledge and its high degree of social legitimacy. A common
				justification for deficit-based dissemination practices is the notion that all
				individuals ought to have access to scientific knowledge. This is attributed to the
				epistemic value of science, which facilitates the cultivation of superior
				intellectual abilities, or to its capacity to inform public and private
				decision-making.</p>
			<p>As stated by <xref ref-type="bibr" rid="B16">Lewenstein (2003, p. 3)</xref>, this
				perspective “[...] overlooks contextual factors and the interconnections between
				scientific knowledge and other forms of knowledge that are ubiquitous in daily
				life.”</p>
			<p>However, <italic>contextual models</italic> acknowledge the significance of
				experiences and prior knowledge when processing scientific information. Take, for
				instance, the varying interpretations of the potential carcinogenic effects of
				ionizing radiation among individuals who are exposed to radioactive materials or
				reside near nuclear power plants. When considering various audiences, who may have
				varying levels of knowledge and involvement in science, contextual models highlight
				the importance of dialogue and value the active participation of the audience in
				communication. Nevertheless, contextual models can be seen as an advanced iteration
				of the deficit model. They share similarities in how they perceive public knowledge
				of science and its impact on society. Because of this, they both refrain from
				scrutinizing social and political practices when confronted with funding and public
				policy decisions that may, at times, contradict the welfare of residents or workers
					(<xref ref-type="bibr" rid="B15">Lewenstein, 2001</xref>).</p>
			<p>Another model discussed by <xref ref-type="bibr" rid="B16">Lewenstein (2003)</xref>
				is the <italic>lay expertise</italic> model. The concept holds that while scientific
				and local knowledge can be applied to solve issues, there is no hierarchy between
				the two. This model therefore functions by elevating public, ancestor, and
				indigenous knowledge and bolstering its authority and capacity to address societal
				issues. Such a model challenges the notion of a deficit and emphasizes the
				importance of sharing knowledge gained through experience. There is a suggestion
				that, by questioning the authority of scientific knowledge, this model would be more
				democratic. Nevertheless, the inherent relativism of this approach provokes
				continuous debates, particularly when considering the importance of comprehending
				the nature of science and its methodologies. Initiatives identified with this model,
				which has even been labeled anti-science, have faced resistance, so that the mere
				opposition or dispute between pieces of knowledge fails to produce ways of achieving
				a greater degree of understanding (about science) on the part of the public (<xref
					ref-type="bibr" rid="B16">Lewenstein, 2003</xref>).</p>
			<p>While it is important to acknowledge the value of local knowledge in decision-making
				processes, simply recognizing it does not guarantee its effective utilization. This
				issue is explicitly addressed in publications related to the <italic>participatory
					model</italic>. They emphasize orientation towards the democratization of
				science and efforts to promote public engagement and participation in debates and,
				eventually, in decision-making contexts about scientific policies, such as public
				hearings. For this hands-on approach, the participatory model, also known as the
				dialogue model, addresses the issue of public alienation in science popularization
				agendas and empowers citizens politically.</p>
			<p>This brief attempt to historicize some initiatives in science popularization suggests
				tensions that reflect essentially political issues, in the sense that they involve
				conflicting worldviews, contrasting interests, and disputes over hegemony. According
				to <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bensaude-Vincent (2009, p. 359)</xref>, “[...] the
				recent shift from a deficit model to a participatory model profoundly changes the
				values underlying science communication. Whereas previously this communication was
				carried out in the name of science, [now] it is carried out in the name of
				democracy.”</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Science Education as an object of science popularization</title>
			<p>The importance of democracy in motivating science popularization is crucial for
				researchers in Science Education who acknowledge the necessity of sharing our
				knowledge with non-specialist audiences. In this sense, it is important to remember
				the diverse audiences to which we address and to understand their distinct
				qualities. We must also consider the social practices that require the knowledge
				that we generate, as well as our position within the networks of discourse in which
				we actively engage. It is important to critically examine the knowledge that we
				produce and how it relates to other forms of knowledge that circulate in
				society.</p>
			<p>These requirements prompt two things: first, an examination of the characteristics of
				the knowledge we generate, and second, an analysis of how its dissemination can be
				considered a political act<sup><xref ref-type="fn" rid="fn7">3</xref></sup>.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>The nature of Science Education</title>
			<p>Concerning the first point, it can be stated that an important aspect of our field is
				the exploration of unique questions and the development of theoretical and
				methodological frameworks that go beyond those used in the natural and social
				sciences. While this aspect may not always be explicitly discussed or analyzed, it
				has consistently been a factor, whether as a deliberate compromise or an underlying
				tension. This is evident in the diverse range of theories and methods that are
				prevalent in the field.</p>
			<p>That being said, acknowledging this irreducibility poses a difficulty. If we consider
				that scientific disclosure extends beyond the dissemination of scientific facts and
				information to include aspects of the processes by which knowledge is produced,
				validated, and legitimized within and outside the scientific community, we must
				consider specific aspects related to the epistemological foundations of the natural
				sciences, humanities, and social sciences as part of the knowledge to be
				disseminated. This matter appears significant in my opinion, as research-derived
				knowledge should be presented as the result of an intellectual and practical effort
				that is socially situated rather than as a dogma.</p>
			<p>The recognition of the scientific nature of our research must not, however, lead to
				disclosure practices like those identified by the so-called deficit model. Our body
				of knowledge on the subject of education in the sciences is significant because it
				engages society in conversation and offers fresh perspectives on problems that are
				intimately tied to education - a process that can be thought of as “[...] a triple
				process of humanization, socialization, and entry into a culture,
				singularization-subjectivation” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Charlot,
				2006</xref>, p. 15, our translation). On the other hand, the different experiences
				about educational processes that we have throughout our lives - whether as students,
				parents, or teachers, for example - convey to those who are not specialists in
				education a conceptual and experiential repertoire for the interpretation of
				educational issues. However, this multiplicity of experiences is not enough to
				characterize secular expertise in education; there are legitimate interests,
				demands, and interpretations on the part of different audiences about scientific
				knowledge in this field. Moreover, the diversity of actors and interlocutors with
				whom we interact in the field of education, along with our various roles within
				different educational institutions, calls for a thoughtful approach and emphasizes
				the importance of collaborating on common goals.</p>
			<p>Equally significant is the societal perception of science, scientific research, and
				the expectations associated with it. True, as opposed to trustworthy, is a common
				adjective used to describe scientific knowledge. It is interesting to note that some
				portrayals of science in the media often blur the lines between skepticism and
				doubt, mistakenly equating the cautious nature of scientific explanations with a
				lack of precision. In the modern context, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Fensham
					(2015)</xref> highlights the importance of addressing these traits, particularly
				when skepticism is seen as a form of doubt that undermines confidence in scientific
				knowledge. For the author, science education should have as its horizon the
				perspective of transforming the public into science
						<italic>connoisseurs</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn8"
					>4</xref></sup>, which includes grasping the concept of uncertainty in science,
				understanding probability and risk, and distinguishing between correlational and
				causal relationships, among other important aspects. Such an assessment would also
				be necessary to adequately understand the scope and limits of educational research
				results. It is important to ponder these factors when considering how to effectively
				communicate the knowledge generated in our field and its influence, ranging from
				small-scale educational initiatives to large-scale government initiatives.</p>
			<p>Consider, for instance, one of the many aspects linked to the production of
				scientific knowledge, such as the ability to generalize research findings. We can
				say that, when people work in the natural sciences, they often use the reliability
				of methodological procedures, like making inductive or deductive models or
				statistical evaluations, to explain why study results might be applicable to other
				situations. Similarly, in addition to their specific epistemological orientations,
				research in the field of human sciences also encounters the need for results that
				can be somewhat generalized. This is particularly important when these findings are
				used to inform public policies and justify resource allocation. While generalization
				concepts may not directly address replicability or linear extrapolation of results,
				they do provide a means to identify patterns and make inferences about the objects
				being studied and their counterparts (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Larsson,
					2009</xref>).</p>
			<p>This makes things more difficult for us researchers as producers of knowledge in
				science. Put simply, the idea of promoting the spread of scientific research in
				Science Education raises questions about our understanding of the nature of science
				in our field. What are the properties of the objects covered in the topic of science
				education? What is our stance concerning them? How do these positions get translated
				into research principles and procedures? In other words, how do we refer to
				ontology, epistemology, and methodology in our field? What is the significance of
				the axiological dimension in our work? In the domain of natural and health sciences,
				such problems are frequently linked to hypotheses about the <italic>Nature of
					Science</italic>. Part of our challenge, therefore, is the discussion of what
				the <italic>Nature of Science Education</italic> would be.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Popularization of Science Education as a Political Act</title>
			<p>Grasping the boundaries and potential of implementing educational research findings
				can be particularly thorny. We frequently encounter the question of why our research
				findings may not always provide straightforward solutions that can be easily
				implemented in schools or other educational settings to enhance their performance.
				Looking at the various audiences we may need to engage with, such as managers,
				teachers, young students, their guardians, and public policymakers, it is important
				to address this question thoughtfully and validly. In our current era, education
				stands as a crucial solution to various societal challenges, including prejudice,
				unemployment, and violence. The role of education in addressing these and other
				issues is undeniable. Nevertheless, it is crucial to avoid oversimplifying the
				complex social issues at hand and to recognize that education alone cannot
				single-handedly resolve the deep-seated and long-standing problems within Brazilian
				society.</p>
			<p>Delineating the scope and limitations of research is thus critical; failure to do so
				may jeopardize the credibility of researchers' social contributions to science
				education and subject them to personal accountability for the challenges encountered
				by student teachers in classrooms. This position is less prevalent in the natural
				and health sciences; generally, university researchers are not held accountable for
				the long waiting times at public clinics or for the failures of the health system.
				The COVID-19 pandemic demonstrated the intricacy of the systems that allow
				scientific research to influence public health through the dissemination of
				prevention and treatment options. On this occasion, we witnessed how ideological
				guidelines and political decisions negatively affected the population's access to
				the vaccine, causing delays and harm. In the field of Education, though, the
				connection between research and practical application may not always be clear.
				Researchers often face criticism for developing theories that may not directly
				address educational problems and are sometimes blamed for the challenges faced by
				schools. Deliberating on this matter, which exemplifies elements of the dichotomy
				between theory and practice, requires community engagement when our objective is to
				distribute the findings of our research. It is important to convey the intricate
				connections between the findings of educational research and the practical settings
				where these findings may be applicable. From obtaining the results to translating
				them into recommendations, there is a complex and multistep process that involves
				various forms of mediation. Insights gained from educational research in the field
				of science contribute to a complex network of interconnected ideas and perspectives,
				spanning from government offices to the everyday realities of the classroom. One of
				the crucial factors in facilitating learning is the role played by educators,
				particularly teachers, in the classroom. As required by the practice of a
				critical-reflective professional, they replicate the recommendations they get in an
				autonomous and qualified manner. Such adaptations and recontextualizations of
				research findings thus match the specific qualities of the social activities to
				which they will be applied. These considerations demonstrate that expecting
				classroom research results in the form of responses derived from the application of
				a model built on direct uni causality, regardless of how alluring its simplicity may
				appear, is, at the very least, naive.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Building an agenda for popularizing Science Education</title>
			<p>In this text, we invite Science Education researchers to consider the importance of
				sharing their work beyond community members as a means of deconstructing narratives
				that undermine public education and educational research. We propose that in the
				field of science education, it is not only important to share research findings but
				also to understand the processes involved in producing knowledge in this field.
				Moreover, we emphasize the need to address a second issue, which is the practice of
				scientific popularization as a political act.</p>
			<p>Consistent with the previous discussion about promoting research in the natural
				sciences, we emphasize the importance of applying critical and reflective thinking
				to the dissemination of research in science education. This includes contemplating
				the construction of knowledge and the validity, reliability, and universality of
				research findings and educational experiences. Moreover, we urge our community to
				support our pledge to clearly define our socio-conceptual horizon of enunciation in
				our speeches. This entails specifying where we speak from and how we construct
				ourselves through the various discursive practices that we are implied to take part
				in (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bakhtin, 2014</xref>) and in which we are
				involved, including research, publication, training, and more.</p>
			<p>As for the political aspect of popularizing scientific knowledge in the field of
				science education, it is tightly tied to the principle of dialogism (<xref
					ref-type="bibr" rid="B4">Bakhtin, 2014</xref>), which is embedded within our
				discourse. Therefore, it is important to examine the perspectives of scientists
				regarding societal needs and the connections between various groups of people and
				scientific knowledge. Some of the harshest critiques of the contextual model as well
				as the deficit model have previously emphasized the need to consider audience
				characteristics and the dangers of using science as the only foundation for thinking
				about how to share knowledge. Because many of our findings include connections in
				places where we have previously participated or been actors, it is crucial that the
				public's understanding of the settings in which our research occurs be considered
				when evaluating the quality of the science we provide. In contrast to laboratories
				and scientific research centers, which are often out of reach for many, most of us
				have had the opportunity to attend school and are familiar with the daily lives of
				students. We have firsthand experience with curricula and textbooks and understand
				the routines of teachers. This familiarity can lead to a kind of naturalization of
				objective working conditions and the problems faced by the school. It may also cause
				people to generalize these attributes and develop modes of thinking linked to
				questions that, by finding resonance in their experience, will serve as a
					<italic>backdrop</italic> for their understanding of the formulations emerging
				from educational research. As is often the case with approaches based on contextual
				models of scientific dissemination, we must be mindful of the need to dismantle
				preconceived notions that can obstruct the full appreciation of research findings
				and result in the rejection of their recommendations, creating sterile disputes.</p>
			<p>Another vital component to consider is the topic of the distance between universities
				and schools, which often leads to a disconnect between researchers and educators. It
				should be made known that initial and ongoing training environments are where a lot
				of research is carried out. Similarly, it is crucial to highlight the researchers'
				dedication to enhancing teaching and learning methods, along with their commitment
				to creating educational resources and fostering innovation in education. I also
				think it is important to emphasize that some of our research involves students and
				teachers alike. In certain approaches, such as action research, instructors and
				students are involved in the formulation of goals as well as specific parts of
				inquiry development. This awareness may also assist the public in thinking more
				contextually and critically about the study findings that are presented. These
				approaches facilitate communication between the public and experts, encouraging
				public involvement in significant matters like advocating for public schools and
				promoting the teaching profession. In other words, these kinds of movements might
				help create practices that are more in line with the goals of participatory
				approaches to scientific dissemination. These are practices that bring citizens
				closer to situations where the knowledge generated by research is useful and can
				help them gain political power.</p>
			<p>Finally, we must not forget that the distribution of our scientific findings will
				rely on various forms of mass communication, such as social media and the mainstream
				press. However, it can be quite challenging to secure speaking opportunities on
				reputable and trusted platforms that have a strong public following. However, it is
				important to note that social media, despite its potential for increased access and
				participation, has unfortunately become a breeding ground for conflicts over
				narratives, the spread of disinformation, and the manipulation of ideas through fake
				news and distorted information. Thus, each channel presents unique challenges based
				on its characteristics and languages, and it is our responsibility to understand and
				leverage their potential in support of our commitment to dialogue.</p>
		</sec>
	</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other">
					<p>Translated by P.D. Email: <email>dharma.pedro@gmail.com</email></p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn5">
					<label>1</label>
					<p><ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://royalsociety.org/about-us/history/"
						>https://royalsociety.org/about-us/history/</ext-link></p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn6">
					<label>2</label>
					<p><ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.rigb.org/our-history/timeline-of-the-ri"
						>https://www.rigb.org/our-history/timeline-of-the-ri</ext-link></p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn7">
					<label>3</label>
					<p>Here, we define the term political by differentiating it from party politics and
						focusing on its connection to power dynamics, ethics, freedom, and pluralism.
						It, therefore, encompasses issues related to the governance and administration
						of states, as well as the coexistence of individuals in society and their
						engagement with public affairs.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn8">
					<label>4</label>
					<p>This concept was introduced by Isabelle Stengers during a conference at the
						European Science Education Research</p>
					<p>Association, in Lyon, 2011.</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<ack>
				<title>Acknowledgements</title>
				<p>The author expresses gratitude to the National Council for Scientific and
					Technological Development (CNPq) and to the Carlos Chagas Foundation of Rio de
					Janeiro (Faperj) for their funding and support of research projects, which made it
					possible to complete this work. The author also extends their appreciation to PhD
					Professor Rosária Justi for their valuable feedback on the initial draft of this
					manuscript.</p>
			</ack>
		</back>
	</sub-article> -->
</article>
