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				<journal-title>Ciência &amp; Educação (Bauru)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Ciênc. educ.
					(Bauru)</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">1516-7313</issn>
			<issn pub-type="epub">1980-850X</issn>
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				<publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, Universidade
					Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências, campus de
					Bauru.</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="publisher-id">00002</article-id>
			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1516-731320240002</article-id>
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					<subject>ARTIGO ORIGINAL</subject>
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				<article-title>Ciência no mundo digital: o que nos diz o Instagram?</article-title>
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					<trans-title>Science in the digital age: what can Instagram teach
						us?</trans-title>
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						<surname>Francisco Junior</surname>
						<given-names>Wilmo Ernesto</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1b">1</xref>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-2724-3008</contrib-id>
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						<surname>Santos</surname>
						<given-names>Mayra Kaliane Silva dos</given-names>
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				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Alagoas</institution>
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					de Arapiraca, Arapiraca, AL, Brasil</institution>
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				<label>1</label>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Alagoas</institution>
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				<institution content-type="original">Universidade Federal de Alagoas (UFAL), campus
					de Arapiraca, Arapiraca, AL, Brasil</institution>
				 <email>wilmo.junior@arapiraca.ufal.br</email>
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				<corresp id="c1">Autor Correspondente: <email>wilmo.junior@arapiraca.ufal.br</email>
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			</author-notes>
<!-- 			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
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				<month>08</month>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<year>2024</year>
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			<volume>30</volume>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Essa pesquisa investigou contas da rede social Instagram que tinham como
					propósito discutir ciência, apoiando-se em contribuições da epistemologia de
					Ludwik Fleck. Como metodologia de pesquisa foi usada a etnografia virtual, a
					partir da qual as contas foram acompanhadas por um período de 12 meses. Os
					resultados evidenciam o aumento da circulação da ciência por meio do Instagram,
					com aumento no número de contas e de seguidores. Os perfis de administradores
					são variados e, em geral, demonstram relação com o círculo esotérico de produção
					do conhecimento em ciência. As contas veiculam, basicamente, informações gerais
					sobre ciência, resultados de pesquisa, apoio pedagógico e dia-a-dia da vida
					acadêmica. A circulação da ciência pode ser compreendida a partir da noção de
					rede, em que o conhecimento se difunde por meio de diferentes nós,
					caracterizados como heterogêneos, formados por especialistas e não
					especialistas, a partir dos quais ocorre um tráfego intercoletivo e
					multidirecional de pensamento, que também abarca transitoriedade.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This study looks at Instagram accounts dedicated to scientific communication.
					Contributions from Ludwik Fleck’s epistemology are used as theoretical
					foundations. The research methodology was the virtual ethnography, and the
					accounts followed for 12 months. The findings revealed an increase in the
					circulation of Science on Instagram due to the creation of accounts and
					followers. The administrators’ profiles are diverse, demonstrating a link
					between the esoteric circle of knowledge production in science. The accounts
					disseminate general information about science, research findings, educational
					support, and scholar daily life. The circulation of science can be viewed as a
					network frame in which knowledge is distributed through different nodes formed
					by specialists and non-specialists, indicating an inter-collective,
					multidirectional, and transitory circulation of thought styles.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Divulgação científica</kwd>
				<kwd>Rede social</kwd>
				<kwd>Ciência e mídia</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords</title>
				<kwd>Science communication</kwd>
				<kwd>Social media</kwd>
				<kwd>Science and media</kwd>
			</kwd-group>
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				<award-group>
					<funding-source>Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
						pela Bolsa de Produtividade em Pesquisa, e à Fundação de Amparo à Pesquisa
						do Estado de Alagoas</funding-source>
					<award-id>60030.0000001411/2022</award-id>
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			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Ao longo da história, os meios e as estratégias de comunicação e divulgação do
				conhecimento foram influenciados e influenciadores do contexto sociocultural. Nesse
				sentido, foram se ampliando e se modificando em processos cujas origens se perderam
				ao longo do tempo. Todavia, em todo este percurso histórico da divulgação do
				conhecimento, nenhum outro meio talvez tenha sido tão seminal na modificação das
				formas de comunicação, difusão e acesso quanto a Internet e, posteriormente, as
				tecnologias digitais de informação e comunicação. Estudos sobre a percepção pública
				de ciência mostram que a Internet, por meio das redes sociais, passou a ser o
				principal caminho de divulgação e acesso à ciência entre os brasileiros nos últimos
				anos (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Centro de Gestão e Estudos Estratégicos,
					2019</xref>). Em outros países, como EUA e Espanha, a Internet também superou a
				televisão e se tornou o principal meio de acesso a informações sobre ciência e
				tecnologia (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Léon; Bourk, 2018</xref>).</p>
			<p>Particularmente entre cientistas, as redes sociais, como o Instagram - objeto desta
				pesquisa -, oferecem novas oportunidades de cooperação, bem como novos contextos
				para a divulgação científica entre pessoas e instituições (<xref ref-type="bibr"
					rid="B5">Bombaci <italic>et al</italic>., 2016</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B7">Büchi, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Guidry <italic>et
						al</italic>., 2017</xref>). Sua vantagem é facilitar as conexões entre
				usuários com interesses em comum, aumentando a probabilidade de que o trabalho
				acadêmico alcance novos públicos, sobretudo aquele que apresenta pouco contato com
				pesquisas e descobertas científicas (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alperin
						<italic>et al</italic>., 2019</xref>). Isso permite ir além do público
				acadêmico, potencializando o alcance de pessoas. Em contrapartida, avolumaram-se os
				problemas com a desinformação e negação da ciência (<xref ref-type="bibr" rid="B4"
					>Bode; Vraga, 2015</xref>), fato também preocupante.</p>
			<p>Nesse contexto, “[...] não é concebível ignorar ou rechaçar os meios de comunicação
				de massa. Novas tecnologias de comunicação se apresentam e é preciso estudá-las com
				vistas a buscar um aproveitamento diferente do que vêm tendo até então” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B30">Siqueira, 2008</xref>, p. 8). Tal perspectiva é ainda
				ancorada pelo marco civil da Internet publicado em 2014, que em seu artigo 26 acena
				para “[...] o uso seguro, consciente e responsável da Internet como ferramenta para
				o exercício da cidadania, promoção da cultura e o desenvolvimento tecnológico”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil, 2014</xref>).</p>
			<p>Com o intuito de avançar na compreensão dessa relação entre as mídias sociais e
				processo de comunicação pública da ciência, o Instagram foi tomado como objeto nesta
				pesquisa, que teve a seguinte pergunta norteadora: quais as características da
				circulação do conhecimento científico via Instagram? Para responder tal indagação o
				objetivo da investigação foi analisar contas da rede social Instagram que tinham
				como propósito discutir ciência, identificando-se a variação temporal de contas e
				número de seguidores, o perfil geral de administradores e as tipologias principais
				das publicações. Em termos teóricos, o trabalho se baseou em estudos que vêm
				discutindo o processo comunicativo e a divulgação da ciência por meios digitais, bem
				como em contribuições da filosofia da ciência de Ludwik Fleck.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A rede social Instagram e o processo de circulação da ciência</title>
			<p>A plataforma do Instagram foi lançada em 2010 e logo se tornou um fenômeno de
				popularidade. Trata-se de uma mídia altamente visual, concebida inicialmente para o
				compartilhamento de imagens e uso em dispositivos móveis. Todavia, modificações
				incorporaram o compartilhamento de vídeos e transmissões ao vivo. Ademais, oferece
				possibilidade de envio de mensagens privadas, a opção de marcar o conteúdo como
				pesquisável a partir das <italic>hashtags</italic>, a capacidade de incluir várias
				imagens ou vídeos em uma única publicação, além do recurso de histórias
					(<italic>stories</italic>), com o qual os usuários postam conteúdo de um modo de
				destaque acessível a outras pessoas por 24 horas. Tais ferramentas permitem que os
				indivíduos se comuniquem com outros usuários de maneiras que variam em privacidade,
				formalidade e níveis de interação.</p>
			<p>Dados de janeiro de 2022 mostravam o Instagram como a quarta rede social com mais
				usuários, em torno de 1,48 bilhões (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Dixon,
					2022a</xref>), sendo a mais popular entre os jovens. O Brasil é o terceiro país
				em número absoluto de usuários, cerca de 114,9 milhões, atrás apenas dos EUA (157,1
				milhões) e da Índia (201,1 milhões) (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Dixon,
					2022b</xref>). Considerando-se a população de cada país, o Brasil torna-se o
				principal em número de usuários por habitante, reforçando o alcance da mídia entre
				os brasileiros.</p>
			<p>Nesse ínterim, pode-se presumir que o mundo digital modificou as formas de
				comunicação entre as pessoas e instituições. A partir da Internet, a difusão da
				ciência, entendida como todos os processos responsáveis pela circulação do
				conhecimento científico para/entre um público especializado e não especializado,
				cresceu em meios, espaços e na forma em que é realizada, sendo responsável por um
				novo paradigma nos modos de comunicação científica (<xref ref-type="bibr" rid="B30"
					>Siqueira, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Valério; Pinheiro,
					2008</xref>). Este novo paradigma é difuso, descontínuo e multidirecional, a
				partir do qual cada um com acesso pode ser integrante ativo do processo. O paradigma
				de comunicação contínuo - mesmo que bidirecional -, e a mediação de agentes,
				precisaram ser repensados, na medida em que a Internet, especialmente as mídias
				sociais, permitem novos padrões. Isso permite que cientistas se comuniquem com seus
				pares especialistas e não especialistas, com a população, órgão oficiais,
				instituições, periódicos etc. O processo de divulgação da ciência, caracterizado por
				uma recodificação das linguagens e circulação do conhecimento entre não
				especialistas, também passa a ser difuso. A população, por exemplo, pode contactar e
				se comunicar com agências, com os cientistas, tirar dúvidas com especialistas, se
				inteirar de práticas, tudo a uma velocidade quase instantânea. O ensino de ciência,
				por exemplo, hibridiza-se à divulgação, uma vez que estudantes trazem conteúdos da
				Internet para salas de aula e professores têm aumentado a conectividade (<xref
					ref-type="bibr" rid="B8">Carpenter <italic>et al</italic>., 2020</xref>). Nesse
				cenário, não se pode ignorar o fato de a ciência estar presente no contexto
				digital.</p>
			<p>As redes sociais são diversas, heterogêneas, controversas e mutáveis, características
				que também se fazem presentes na construção da ciência e em seu processo
				comunicativo. Este trabalho assume, assim, uma perspectiva em rede para o processo
				de divulgação científica, em que não existe um caminho sequencial, mas sim nós que
				se interconectam e se entrecruzam, conforme ilustrado pela <bold><xref
						ref-type="fig" rid="f1">figura 1</xref></bold>. Tal proposição se ancora na
				ideia pioneira e ainda pouca explorada de Bruce Lewenstein (<xref ref-type="bibr"
					rid="B22">Lewenstein, 1995</xref>), que em seu estudo sobre a controvérsia da
				fusão a frio incorporou a noção de rede da Internet para a comunicação científica,
				argumentando que a comunicação entre cientistas ocorre por meio do uso de múltiplas
				mídias, as quais interagem de maneiras complexas. Esse autor considera em
				interrelação, o financiamento, as publicações, congressos, a mídia de massa, os
				livros didáticos, relatórios técnicos, mas não estabelece grandes categorias, tais
				como o sistema de comunicação ou a formação dos cientistas.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Modelo de rede para a comunicação pública da ciência</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24002-gf01.png"/>
					<attrib>Fonte: adaptado de <xref ref-type="bibr" rid="B22">Lewenstein
							(1995)</xref>.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>A rede não é fixa ou rígida, suas fronteiras são variáveis, assim como o número de
				nós, de intersecções e cruzamentos possíveis, engendrando áreas fronteiriças
				hibridizadas. Além disso, os nós podem se adensar em algum ponto, em seguida
				esmaecer, fundirem-se num contínuo, desdobrando-se novamente. De tal modo,
				representam as incertezas e a mutabilidade das ciências e de suas aplicações e
				implicações sociais. Expressar esse modelo por meio de um diagrama traz
				inevitavelmente limitações. Trata-se apenas de uma tentativa simplificada de
				representar as múltiplas conexões possíveis que envolvem diferentes esferas e
				práticas sociais que funcionariam como os nós de uma rede para a circulação do
				conhecimento. O ponto central é a ruptura com um modelo contínuo de divulgação da
				ciência, em que o conhecimento é produzido numa dada esfera social, passando por
				outras intermediárias até alcançar a população. No intuito de auxiliar a teorização
				dessas complexas interações, os conceitos de coletivo de pensamento e circulação
				intra e intercoletiva propostos pelo médico e filósofo da ciência Ludwik Fleck
				adquirem especial utilidade.</p>
			<p>Acerca do coletivo de pensamento, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fleck (2010)</xref>
				advoga sua origem a partir de estilos de pensamento que se associam a uma dada
				comunidade. Para o autor “Esse estilo é marcado por características comuns dos
				problemas, que interessam a um coletivo de pensamento; dos julgamentos, que
				considera como evidentes e dos métodos, que aplica como meios do conhecimento”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fleck, 2010</xref>, p. 149). Cada coletivo é
				configurado por um núcleo partilhado de conhecimentos e práticas que se fortalecem
				socialmente. O autor ainda postula a existência, em cada coletivo, de pensamento do
				que denominou círculos esotérico e exotérico. O primeiro se constitui por
				especialistas de uma área do conhecimento, ao passo que o círculo exotérico é
				formado pelos não especialistas (leigos) naquela área em particular.</p>
			<p>
				<disp-quote>
				<p>O pesquisador altamente qualificado que trabalha de forma criativa num problema
					(em pesquisas sobre o rádio, por exemplo), ocupa enquanto profissional
					especializado, o centro do círculo esotérico desse problema. Fazem parte desse
					círculo ainda os pesquisadores com problemas afins [...]. No círculo exotérico,
					encontram-se os leigos mais ou menos instruídos (<xref ref-type="bibr" rid="B15"
						>Fleck, 2010</xref>, p. 165).</p>
			</disp-quote>
			</p>
			<p>Ao mesmo tempo em que pode compor diferentes círculos, esotéricos e exotéricos,
				aproximando-se ou afastando de seu núcleo, uma mesma pessoa ou grupos de pessoas
				pode pertencer concomitantemente a vários coletivos, atuando como veículos para a
				circulação de ideias entre eles. É nesse contexto que emerge o tráfego de
				pensamento, seja entre os próprios grupos de especialistas ou entre diferentes
				grupos. Em outras palavras, surge o que <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fleck
					(2010)</xref> denominou de circulação intracoletiva e intercoletiva de
				conhecimentos e práticas. A circulação intracoletiva de ideias se dá entre
				pertencentes de um mesmo coletivo de pensamento, adensando o seu corpo de
				conhecimentos e práticas, bem como auxiliando a formar novos integrantes do grupo.
				Já a circulação intercoletiva de ideias ocorre entre diferentes coletivos,
				contribuindo para que estilos de pensamento possam ser modificados, (re)direcionados
				ou até abandonados, isso porque, para <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fleck
					(2010</xref>, p. 161) “[...] qualquer tráfego intercoletivo de pensamento traz
				consigo um deslocamento ou uma alteração dos valores de pensamento”.</p>
			<p>No contexto da divulgação científica, esta alteração de valores de pensamento pode
				ser compreendida como o processo de recodificação quando se pretende a difusão do
				conhecimento entre grupos com diferentes estilos de pensamento. Conjugando a
				concepção fleckiana para a noção de redes, uma mesma pessoa ou grupo pode ocupar um
				nó nesta rede e interagir entre diferentes coletivos, engendrando relações dinâmicas
				que atuam tanto na ampliação da densidade de cada nó (uma área específica) quanto na
				conectividade entre estes nós (entre diferentes grupos), favorecendo a circulação
				dos conhecimentos entre não especialistas daquela temática. O propósito da
				divulgação da ciência seria justamente esse, modificar e ampliar estilos de
				pensamento para que os membros do coletivo social pensem a ciência. Logo, a noção de
				circulação intercoletiva e intracoletiva do conhecimento, círculos
				esotérico/exotérico, associados aos estilos de pensamento podem ser especialmente
				úteis para o campo da comunicação científica na perspectiva em rede. Tal aporte
				teórico foi utilizado para uma tentativa de compreensão de aspectos da circulação da
				ciência na rede social Instagram.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Percurso metodológico</title>
			<p>A presente pesquisa teve como lócus a rede social Instagram. Nesse contexto, ela é
				entendida como cultura e um artefato cultural, a partir da qual práticas sociais são
				estabelecidas. Nos espaços virtuais também há uma construção de relações sociais que
				permitem a formação de comunidades e a emergência de práticas de sociabilidade. Isso
				é o que faz, por exemplo, um indivíduo acompanhar e interagir com uma conta e
				determinados conteúdos das redes sociais. Diante disso, a pesquisa se apoiou na
				perspectiva metodológica da netnografia ou etnografia virtual (<xref ref-type="bibr"
					rid="B19">Hine, 2000</xref>). A etnografia virtual incorpora características
				fundamentais da etnografia, demandando do pesquisador uma alta imersão no ambiente
				de estudo. Abordagens etnográficas são inseparáveis dos contextos em que são
				aplicadas, sendo também adaptáveis às condições em que se encontram (<xref
					ref-type="bibr" rid="B19">Hine, 2000</xref>). Isso implica a interpretação dos
				significados e funções das atuações humanas, por meio de descrições detalhadas
				advindas da observação direta que considere o tempo e o contexto de imersão. A
				pesquisa se desenvolveu por meio de uma imersão neste ambiente virtual do Instagram
				por 12 meses, utilizando-se como técnica a observação direta não participante. Os
				dados foram registrados descritivamente em caderno de anotações, acompanhadas de
				capturas de telas por meio de aparelho telefônico (smartphone) para a posterior
				análise.</p>
			<p>Inicialmente, foi realizado um levantamento preliminar das contas a serem
				investigadas, utilizando-se a busca do aplicativo. Para este levantamento preliminar
				foi utilizada a palavra-chave <italic>ciencia</italic> e o radical
					<italic>cien</italic>, sendo selecionadas todas as contas em língua portuguesa e
				brasileiras em que se verificou propósito de discutir/apresentar temas ligados à
				ciência. Após o registro das contas, foram obtidas informações acerca da primeira
				publicação, como indicativo do ano de criação, e do número de seguidores de modo a
				se obter um panorama geral. As contas foram acompanhadas periodicamente (junho/2020,
				dezembro/2020, fevereiro/2021 e junho/2021) para se investigar possíveis
				alterações.</p>
			<p>Para a investigação do perfil de administradores considerou-se a própria descrição na
				biografia da conta e informações disponibilizadas nas publicações. Assim, foram
				construídas categorias quanto ao perfil profissional dos administradores a partir de
				descritores em comum, tais como estudante, professor, cientista/pesquisador,
				apaixonado pelos mistérios da ciência. Os resultados foram apresentados com a
				quantificação das categorias e sua descrição qualitativa. As principais categorias
				para o perfil de administradores foram: Entusiasta da ciência; Estudante
				universitário; Professor Educação Básica; Pesquisador/Cientista; Professor de nível
				superior; Estudante nível médio; Jornalista científico.</p>
			<p>Por fim, o acompanhamento periódico das publicações permitiu a caracterização quanto
				aos tipos de publicação. A análise seguiu um padrão descritivo-interpretativo típico
				dos estudos etnográficos. Todos os registros foram lidos e observados para a
				identificação de padrões de descrição. Os padrões de descrição foram empregados para
				a codificação temática realizada a partir de rótulos (trechos, palavras, ideias) em
				comum (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Flick, 2009</xref>). O <bold><xref
						ref-type="table" rid="t1">quadro 1</xref></bold> exemplifica o processo a
				partir da captura de tela das publicações, sua descrição e codificação temática. A
				partir disso, foi possível identificar o caráter padrão que, combinado aos
				propósitos, permitiu construir categorias quanto às tipologias de
				informação/conteúdo veiculadas pelas contas. No exemplo, os rótulos,
					<italic>pesquisa científica, publicação em periódico especializado</italic> e
					<italic>preocupação com a linguagem</italic> levou à interpretação de que se
				trata de uma conta de divulgação da ciência com informações científicas
				especializadas.</p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Quadro 1</label>
				<caption>
					<title>Exemplificação do processo analítico para categorização das
						tipologias</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th align="center" valign="top">Exemplo de captura de tela</th>
							<th align="center" valign="top">Descrição</th>
							<th align="center" valign="top">Codificação</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">
								<graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24002-gf02.png"/>
							</td>
							<td align="left" valign="top">Post sobre artigo de pesquisa recente
								envolvendo cientistas de diferentes instituições. Temática geologia.
								Nos comentários, a página descreve o tema central investigado, a
								origem da pesquisa, o objetivo, e apresenta os resultados mais
								importantes, evitando terminologias técnicas e explicando, quando
								necessário. Indica, com link, onde o artigo foi publicado.</td>
							<td align="left" valign="top">Pesquisa científica. Cientistas.
								Publicação em periódico especializado. Preocupação com a linguagem
								para o público.</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: elaborado pelos autores.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>As categorias foram construídas por exclusão mútua, baseando-se em todas as
				publicações no período analisado. As principais tipologias de contas foram:
				Informações gerais sobre ciência, informações científicas especializadas, apoio
				pedagógico e studygram (relatos da vida acadêmica).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e discussão</title>
			<sec>
				<title><italic>Qual é o tamanho dessa rede? Número de contas e
					seguidores</italic></title>
				<p>A partir do último levantamento, foi identificado um total de 89 contas ativas
					que se relacionam à ciência (<bold><xref ref-type="fig" rid="f2">figura
						2</xref></bold>). No primeiro levantamento em julho de 2020 foram
					identificadas 72 contas, número que passou para 79 (dezembro/2020), 83
					(fevereiro/2021) e então, 89. A partir do ano de 2018 há um crescimento mais
					acentuado do número de contas. Neste ano foram criadas 14 novas contas, número
					que passou para 20 em 2019. Já o ano de 2020 exibiu o maior crescimento em
					número absoluto (32 contas criadas), representando 43% do total identificado.
					Houve uma tendência de menor crescimento em 2021.</p>
				<p>
					<fig id="f2">
						<label>Figura 2</label>
						<caption>
							<title>Criação de contas relacionadas à ciência entre 2013 e
								2021</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24002-gf03.png"/>
						<attrib>Fonte: elaborado pelos autores.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Em parte, os dados de crescimento refletem a própria rede social, que demonstrou
					um aumento no número de usuários de 150 milhões em 2013 para 2 bilhões em
					dezembro de 2022 (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Dixon, 2022b</xref>). No
					Brasil, em outubro de 2018, havia 61,7 milhões de usuários, número que em agosto
					de 2020 saltou para 88,4 milhões e em setembro de 2021 (após a finalização da
					coleta de dados) encontrava-se em 98,8 milhões (<xref ref-type="bibr" rid="B11"
						>Degenhard, 2021</xref>), uma elevação em torno 60% no período. Por outro
					lado, as taxas de crescimento na criação de contas exibem um percentual bem
					superior, de 593% entre 2018 e 2020. Logo, enquanto o crescimento do número de
					usuários da rede social no Brasil segue uma ascendência mais modesta, o número
					de contas que possuem a ciência como mote ascendeu próximo a uma taxa
					exponencial, um fator bastante significativo.</p>
				<p>Em paralelo ao crescimento do número de contas, eleva-se o alcance geral em
					termos do número de seguidores com o tempo (<bold><xref ref-type="table"
							rid="t2">quadro 2</xref></bold>). No primeiro levantamento realizado em
					julho de 2020, as 72 contas identificadas tinham um alcance de 8,5 milhões de
					seguidores. Com um crescimento quase linear no período de um ano, o patamar
					alcançado foi praticamente o dobro de seguidores após um ano: 15,3 milhões nas
					89 contas. Tal crescimento é também fluído, ou seja, muitas contas são criadas
					e, após um período, tornam-se inativas ou mudam suas características; assim como
					as contas ganham e perdem inúmeros seguidores semanalmente. Todavia, o principal
					aspecto que emerge destes dados é a expansão dos números gerais que envolvem
					ciência na rede social. O ano de 2020, provavelmente devido à pandemia,
					apresentou elevado crescimento de novas contas sobre ciência.</p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Quadro 2</label>
					<caption>
						<title>Variação do número de seguidores das páginas com o tempo</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<thead>
							<tr>
								<th align="center" valign="top">Período de coleta de dados</th>
								<th align="center" valign="top">Número total de seguidores das
									contas</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Junho 2020</td>
								<td align="left" valign="top">8,5 milhões</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Dezembro de 2020</td>
								<td align="left" valign="top">10,5 milhões</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Fevereiro 2021</td>
								<td align="left" valign="top">12,5 milhões</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Junho de 2021</td>
								<td align="left" valign="top">15 milhões</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: elaborado pelos autores.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<p>A expansão das tecnologias da comunicação refletiu no uso das redes sociais para
					fins de busca e comunicação de informações ligadas à ciência. Estudos que se
					detiveram a redes sociais, como Twitter (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Büchi,
						2016</xref>), YouTube (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Fontes, 2021</xref>)
					e o próprio Instagram (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Lima <italic>et
							al</italic>., 2023</xref>) já acenaram esse crescimento. Esse fenômeno
					não se restringe à conjuntura das mídias digitais, mas foi notado em outros
					momentos da história, nos quais a ciência disputou espaço com outros temas nos
					meios de comunicação como a TV, que também direcionam assuntos e novas demandas
						(<xref ref-type="bibr" rid="B25">Mccombs; Valenzuela, 2007</xref>; <xref
						ref-type="bibr" rid="B30">Siqueira, 2008</xref>).</p>
				<p>Esse fenômeno pode ser interpretado como um crescimento da circulação
					intercoletiva de ideias e ampliação, sobretudo, de um círculo exotérico, formado
					pelos não especialistas em ciência e que passam a ter acesso às ideias que
					circulam. Concomitantemente, também há o aumento do círculo esotérico
					(especialistas em ciência) que se interessa pela rede social e passa a
					utilizá-la com fins de debater ciência. Tal aspecto pode favorecer a divulgação
					científica que se constitui basicamente a partir de um tráfego intercoletivo.
					Pode ser inferido que os círculos de pensamento são dependentes da circulação e
					vice-versa, ou seja, quanto mais publicações surgem mais densos podem ficar os
					nós da rede de comunicação entre os que participam do processo. Logo, a
					circulação de ideias e o adensamento dos nós da rede de comunicação,
					caracterizado pela expansão dos círculos de pensamento, alimentam-se mutuamente.
					A importância desse tráfego ou circulação intercoletiva de pensamentos para
						<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fleck (2010)</xref> estaria na alteração de
					valores de pensamentos, o que levaria a novos estados de conhecimento.</p>
				<p>
				<disp-quote>
					<p>Resumindo, podemos dizer, portanto, que qualquer tráfego intercoletivo de
						pensamentos traz consigo um deslocamento ou uma alteração dos valores de
						pensamento [...]. Essa alteração do estilo de pensamento - isto é, a
						alteração na disposição à percepção direcionada - oferece novas
						possibilidades de descobertas e cria fatos novos. (<xref ref-type="bibr"
							rid="B15">FLECK, 2010</xref>, p. 161-162).</p>
				</disp-quote>
			</p>
				<p>No que concerne à divulgação da ciência, o ambiente digital exibe potencial para
					esse tráfego intercoletivo e a possibilidade de descobertas e de fatos novos
					para os valores de pensamento sobre a ciência. Todavia, num cenário em que a
					informação é produzida numa velocidade e quantidade cada vez maior, seu
					processamento em tempo hábil emerge como um dos principais obstáculos. Para
						<xref ref-type="bibr" rid="B30">Siqueira (2008)</xref>, velocidade,
					transitoriedade e fragmentação são características preponderantes do mundo
					virtual e se tornam desafios para a apropriação do conhecimento para se atingir
					esferas cívicas e de mobilização. A velocidade e a quantidade de informação são
					maiores do que a capacidade humana de processamento, o que faz com que a
					informação seja fragmentada durante a comunicação para viabilizar tal
					processamento, podendo resultar em seu rápido consumo e descarte (<xref
						ref-type="bibr" rid="B30">Siqueira, 2008</xref>).</p>
				<p>Nessa direção, a expansão da circulação de ideias e do círculo exotérico pode não
					necessariamente representar um avanço no processo de compreensão pública da
					ciência, sobretudo se as características de transitoriedade e fragmentação
					prevalecerem. Isto é, a circulação da ciência não necessariamente representaria
					alteração de estilo de pensamento, pois para <xref ref-type="bibr" rid="B15"
						>Fleck (2010</xref>, p. 198), este é caracterizado “[...] como disposição a
					uma percepção direcionada e um processamento do percebido”. Esse processamento
					do percebido dependeria de tempo, que não é favorável no mundo digital, bem como
					da atmosfera de pensamento, que está em íntima relação com a estrutura
					específica do coletivo de pensamento. Alia-se como obstáculo, o crescimento da
					circulação de notícias falsas e do movimento anticiência, favorecido pelas redes
					sociais e que interfere negativamente no processo de compreensão pública da
					ciência (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bode; Vraga, 2015</xref>; <xref
						ref-type="bibr" rid="B28">Santaella, 2019</xref>).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Quem está nessa rede? Perfil de administradores</title>
				<p>No intento de se avançar no entendimento das características do processo de
					divulgação da ciência por meio do Instagram, as páginas foram investigadas
					quanto ao perfil de seus administradores descritos ou na biografia da conta ou
					nas próprias publicações. A maioria das contas são administradas por entusiastas
					da ciência (20), em geral profissionais de áreas afins (engenharia, tecnologias,
					farmácia etc.) que se interessam por temas e curiosidades científicas
							(<bold><xref ref-type="table" rid="t3">quadro 3</xref></bold>). Outra
					grande parte é formada por professores da educação básica e estudantes
					universitários, especialmente ligados às áreas de ciências da natureza. Juntas
					representam mais de 50% das contas pesquisadas. Destaca-se ainda uma
					participação modesta dos próprios cientistas nessa atividade, representando
					15,7% das contas, bem como de docentes universitários (10%). Ainda que no Brasil
					essas atividades se entrecruzem, especialmente nas universidades públicas, a
					categorização levou em conta os descritores identificados.</p>
				<table-wrap id="t3">
					<label>Quadro 3</label>
					<caption>
						<title>Perfil dos administradores</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<thead>
							<tr>
								<th align="center" valign="top">Administradores </th>
								<th align="center" valign="top">Quantidade de contas / %</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Entusiasta da ciência</td>
								<td align="left" valign="top">20 / 22,5</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Estudante universitário</td>
								<td align="left" valign="top">15 / 16,9</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Professor Educação Básica</td>
								<td align="left" valign="top">15 / 16,9</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Pesquisador/Cientista</td>
								<td align="left" valign="top">14 / 15,7</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Professor de nível superior</td>
								<td align="left" valign="top">10 / 11,2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Estudante nível médio</td>
								<td align="left" valign="top">08 / 09,0</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Jornalista científico</td>
								<td align="left" valign="top">07 / 07,9</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: elaborado pelos autores.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<p>Percebe-se que a comunidade de divulgadores de ciência no mundo digital, em sua
					maioria, compõe outras esferas sociais, não desenvolvendo esta como atividade
					profissional. Suas atividades profissionais são variadas, em geral de dentro do
					círculo esotérico, como pesquisadores, ou na confluência da prática científica,
					como no caso de docentes, universitários e entusiastas com formações próximas às
					ciências naturais. Santos e Muller (2021), em levantamento do perfil de
					divulgadores da ciência em plataformas digitais acenam que 70% deles têm ou está
					em formação acadêmica em nível de pós-graduação, corroborando a forte relação
					com uma comunidade esotérica, que desenvolve pesquisas. Ao mesmo tempo, o início
					da atividade de divulgação científica no mundo digital se dá espontaneamente,
					isto é, não são especialistas nesse campo (<xref ref-type="bibr" rid="B29"
						>Santos; Müller, 2022</xref>). Pode-se estabelecer uma correlação desse
					perfil com a ideia de coletivos de pensamento de Fleck. A circulação de ideias
					ocorre de e para diferentes coletivos de pensamento. Conforme pontua <xref
						ref-type="bibr" rid="B1">Alava (2012)</xref>, o ciberespaço é marcado por
					práticas coletivas ou comunitárias que se configuram por novas formas de
					associações e relações humanas, originando práticas com um público cada vez mais
					amplo. Tais aspectos suportam a hipótese de conectividades difusas, entre
					diferentes grupos, de especialistas e não especialistas em ciência e em
					divulgação da ciência os quais compõem uma rede a partir da qual os círculos
					esotérico e exotérico se interpenetram. Esse processo de comunicação assumiria
					cada vez mais inter e intracoletividade caso os pesquisadores compusessem os nós
					da rede.</p>
				<p>De um lado, mostra as possibilidades que as mídias digitais encerram por
					permitirem a divulgação de conteúdo de profissionais com perfis diversos. De
					outro, mostra a heterogeneidade deste espaço. Enquanto grupos profissionais são
					caracterizados pelo elevado grau de controle sobre os padrões de acesso,
					produção e difusão de seus métodos e fatos, o que assegura a circulação do
					estilo de pensamento, os resultados permitem inferir que a divulgação da ciência
					mediante a rede social Instagram seria uma espécie de objeto de fronteira. Os
					objetos de fronteira configuram-se por apresentar um espaço compartilhado que
					permite a grupos com distintas características sociais trabalharem
					conjuntamente, mas sem consenso (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Star,
						2010</xref>). Esse traço é devido à flexibilidade interpretativa, que
					permite usos localizados para um mesmo objeto, geralmente marcados pelo contexto
					e interesses de atuação particular do grupo ou indivíduo em relação ao objeto.
					Todavia, o modo de trabalho não é totalmente arbitrário, segue uma estrutura
					organizacional com aspectos em comum.</p>
				<p>
				<disp-quote>
					<p>Estes objetos fronteiriços facilitam as interações heterogêneas entre mundos
						sociais distintos. Um objeto fronteiriço pode ser construído a partir de um
						núcleo rígido - zona de acordo entre grupos profissionais que interagem - e
						a partir de uma periferia difusa, indistinta, que é diferente para cada
						grupo. (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Löwy, 1994</xref>, p. 248).</p>
				</disp-quote>
			</p>
				<p>A ciência representaria este núcleo a partir do qual orbitam os diferentes grupos
					sociais (professores, estudantes, pesquisadores, entusiastas) que empregam o
					Instagram para divulgação do conhecimento científico. Todavia, a divulgação da
					ciência ocorre de diferentes formas, com distintos conteúdos e práticas, ora de
					modo mais ora de modo menos estruturado e organizado, por isso heterogênea. A
					periferia difusa, categorizada em subgrupos, também se constitui de
					particularidades que as distinguem. Por exemplo, parte das contas administradas
					por estudantes de graduação veiculam sua rotina acadêmica (aulas práticas,
					leituras, participação em eventos, etc), dicas da vida universitária e temas
					científicos. Ainda em 2002, em que as redes sociais não exerciam a influência de
					hoje, Beacco <italic>et al</italic>. sinalizaram novas formas discursivas
					adotadas pela ciência na mídia. Os autores destacaram a emergência de diferentes
					posturas enunciativas (do especialista e do cidadão não especialista), a
					redefinição do papel do jornalista como mediador entre a ciência e o público
					geral, além de diferentes formas de intertextualidade e interconexões da ciência
					em debates sociais. Assim, a divulgação da ciência parece assumir diferentes
					significados para diferentes comunidades, mas, ao mesmo tempo, se dá por
					características em comum as quais possibilitam essas pessoas interagir umas com
					as outras a partir de um objetivo similar. Esses objetos, dessa forma, permitem
					um processo comunicativo que ultrapassa a fronteira.</p>
				<p>Ao mesmo tempo, a periferia difusa que se forma a partir da heterogeneidade
					aproxima-se do que <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fleck (2010</xref>, p. 166)
					denomina de ciência popular, compreendida como a “[...] ciência para não
					especialistas, ou seja, para círculos amplos de leigos adultos com formação
					geral. Por isso, não deve ser vista como ciência introdutória [...]”. Esta
					ciência teria um caráter simplificado, com ausência de detalhes, ilustrativa e
					esteticamente agradável. Curiosamente essas são as características para que uma
					publicação/conta ganhe repercussão no mundo digital e, em certo grau, da própria
					divulgação da ciência.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>O que circula nessa rede? Características das contas de difusão da
					ciência</title>
				<p>Com o intuito de compreender melhor a circulação da ciência por meio das contas,
					estas foram acompanhadas em termos de suas publicações. A partir disso, foi
					possível identificar tipologias quanto ao conteúdo e temáticas (<bold><xref
							ref-type="table" rid="t4">quadro 4</xref></bold>). As contas são
					diversificadas em termos do conteúdo e formas de publicação.</p>
				<table-wrap id="t4">
					<label>Quadro 4</label>
					<caption>
						<title>Categorias das contas quanto ao tipo de conhecimento/informação
							veiculada</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<thead>
							<tr>
								<th align="center" valign="top">Tipos de conta</th>
								<th align="center" valign="top">Quantidades de contas</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Informações gerais sobre ciência</td>
								<td align="left" valign="top">52</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Curiosidades / aplicações</td>
								<td align="left" valign="top">44</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Podcast</td>
								<td align="left" valign="top">03</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Memes</td>
								<td align="left" valign="top">03</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Arte</td>
								<td align="left" valign="top">02</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Informações científicas especializadas </td>
								<td align="left" valign="top">15</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Apoio pedagógico</td>
								<td align="left" valign="top">13</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Studygram</td>
								<td align="left" valign="top">08</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Outros</td>
								<td align="left" valign="top">01</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: elaborado pelos autores.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<p>A maior parte foi identificada como contas de Informações gerais sobre ciência,
					com exemplos do dia-a-dia, especialmente com base em curiosidades/aplicações
							(<bold><xref ref-type="fig" rid="f3">figura 3</xref></bold>).</p>
				<p>
					<fig id="f3">
						<label>Figura 3</label>
						<caption>
							<title>Publicações em contas categorizadas como
								curiosidades/aplicações</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24002-gf04.png"/>
						<attrib><bold>A)</bold> conhecimento científico ligado aos cosméticos;
								<bold>B)</bold> história sobre a criação das lâmpadas. Fonte:
							Instagram.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Como característica predominante está a preocupação com uma linguagem que se
					aproxime de um público amplo, majoritariamente jovens. Ainda na categoria de
					curiosidades e informações gerais encontra-se perfis de instituições
					historicamente reconhecidas na divulgação da ciência, como Instituto Ciência
					Hoje e universidades, estas por meio de projetos, grupos de pesquisa ou, ainda,
					canais específicos. Por serem institucionais, essas contas, em geral, possuem
					muitos seguidores. A categoria também abarca perfis de podcasts, bem como
					aqueles que usam predominantemente memes e arte para discutir ciência
							(<bold><xref ref-type="fig" rid="f4">figura 4</xref></bold>).</p>
				<p>
					<fig id="f4">
						<label>Figura 4</label>
						<caption>
							<title>Contas de informações gerais sobre ciência com foco em memes
									<bold>(A)</bold> e arte <bold>(B)</bold></title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24002-gf05.png"/>
						<attrib>Fonte: Instagram.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Essas abordam curiosidades científicas e acontecimentos tendo por base o humor e
					a interdisciplinaridade. Os perfis de memes destacam-se pela elevada quantidade
					de seguidores, indicando que este é um tipo de linguagem bem aceita entre
					usuários do Instagram. Um alerta que se faz, particularmente para as contas que
					fazem uso de memes, é sobre a possibilidade de obstáculos epistemológicos e
					mesmo erros conceituais na tentativa de <italic>facilitar e aumentar a
						curiosidade pela ciência</italic>. Um exemplo é o meme retratado pela
							<bold><xref ref-type="fig" rid="f5">figura 5</xref></bold>, que, além de
					veicular atributos animistas, ao conferir características humanas aos átomos,
					incorre em dois equívocos conceituais. O primeiro deles, a representação
					inadequada da molécula de água, com ausência de um dos átomos de hidrogênio. O
					segundo, é uma atribuição errônea da polaridade da molécula de água à diferença
					de eletronegatividade entre átomos de oxigênio e hidrogênio. No caso da água, os
					pares eletrônicos isolados exercem papel fundamental na repulsão dos pares
					eletrônicos ligados, resultando assim na polaridade. As características de
					humor, marca dos memes que circulam via redes sociais (<xref ref-type="bibr"
						rid="B14">Dynel, 2021</xref>), precisam assim ser analisadas cuidadosamente
					quanto aos aspectos conceituais.</p>
				<p>
					<fig id="f5">
						<label>Figura 5</label>
						<caption>
							<title>Meme que veicula atributos animistas e equívocos
								conceituais</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24002-gf06.png"/>
						<attrib>Fonte: Instagram.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Já na categoria informações científicas especializadas, a ênfase está
					fundamentalmente em publicações científicas recentes. Muitas dessas contas se
					originam em instituições de ensino e pesquisa ou mesmo de divulgação da ciência.
					Em geral, trazem síntese de artigos científicos publicados em diversas áreas do
					conhecimento e variados periódicos científicos (nacionais e internacionais), em
					uma linguagem que passou por recodificação para um público mais genérico,
					incluindo criação de imagens e esquemas multimodais, mas ao mesmo tempo mantém
					características técnicas (<bold><xref ref-type="fig" rid="f6">figura
						6</xref></bold>).</p>
				<p>
					<fig id="f6">
						<label>Figura 6</label>
						<caption>
							<title>Exemplos de publicação que se baseia em artigo científico
								especializado</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24002-gf07.png"/>
						<attrib>Fonte: Instagram.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Essa dimensão estética advém da plasticidade emotiva (<xref ref-type="bibr"
						rid="B15">Fleck, 2010</xref>). Nas adaptações para o grande público, a
					plasticidade emotiva configura-se por recursos “[...] para tornar significativa
					uma informação, que envolve, além de imagens (gráficos, desenho e fotos) o uso
					de metáforas tocantes” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Oliveira, 2012</xref> p.
					131). A reconfiguração da linguagem e a multimodalidade são marcas da cultura
					digital, que se apoia fortemente no apelo visual e combinação de textos verbais
					e não verbais para o processo comunicativo, particularidades cada vez mais
					presentes na divulgação da ciência (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Rigutto,
						2017</xref>).</p>
				<p>Outra categoria depreendida foram os chamados <italic>studygram</italic>, contas
					criadas por estudantes de vários níveis para ajudar outros estudantes, com
					publicações de conteúdos conceituais, sínteses, rotinas e realidades
					escolares/universitárias por meio de relatos e vídeos. Tais contas podem ser até
					consideradas uma versão moderna dos diários, porém, ao invés de escritos e
					individuais, empregam multimodos de comunicação e são compartilhados. Também
					promovem reflexões sobre os obstáculos da vida acadêmica e socializam
					experiências de enfrentamento. Além disso, para <xref ref-type="bibr" rid="B10"
						>Costa <italic>et al</italic>. (2022)</xref>, <italic>studygrams</italic>
					têm se constituído em espaço informal de aprendizagem de conceitos e atitudes
					para quem produz e acessa o conteúdo. As contas de apoio pedagógico
					assemelham-se em algum grau com os studygrams, exceto por não retratarem o
					cotidiano individual de estudos. São em geral mantidas por professores e
					estudantes que em sua maioria apresentam conteúdos conceituais ou outros temas
					de interesse, tais como dicas de estudo e resolução de questões para o Exame
					Nacional do Ensino Médio (ENEM).</p>
				<p>A análise das publicações demonstra que a difusão da ciência se aproxima do que
						<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fleck (2010)</xref> denominou de Ciência
					Popular, aquela direcionada aos não especialistas. Isso porque em todos os tipos
					de contas foram identificadas a recodificação e transformação da linguagem,
					mesmo entre aquelas que abordam temas mais especializados. Ao mesmo tempo, como
					particularidade da circulação do conhecimento, está o emaranhamento da rede.
					Para <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fleck (2010</xref>, p. 159): “A estrutura
					emaranhada da sociedade moderna faz com que os coletivos de pensamento se
					entrecruzem espacial e temporalmente.” O emaranhamento seria responsável pelo
					cruzamento daquilo que é comum entre as contas, o interesse pela ciência, ao
					passo que as formas de comunicar a ciência são (re)configuradas por interesses
					dos administradores assim como mudanças temporais em seus perfis.</p>
				<p>Outro atributo das redes sociais é a transitoriedade, isto é, as rápidas mudanças
					em conteúdo e formas. Isso foi percebido em termos da variação de contas, mas
					também foi especialmente notado na modificação dos perfis de algumas contas, que
					implicaram na modificação de categorias. Isso ocorreu de modo mais evidente para
					as contas do tipo <italic>Studygram</italic>, que eram 18 no primeiro
					levantamento e passaram para oito, no último. A <bold><xref ref-type="fig"
							rid="f7">figura 7</xref></bold> ilustra tal mudança. A página tinha em
					suas primeiras publicações o foco em conceitos e na permanência em um curso de
					graduação. Posteriormente, o foco se deslocou, concentrando-se na divulgação
					profissional (aulas particulares de química para nível fundamental e médio).</p>
				<p>
					<fig id="f7">
						<label>Figura 7</label>
						<caption>
							<title>Publicações que retratam alteração de foco em contas</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24002-gf08.png"/>
						<attrib>Fonte: Instagram.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Tais contas também encerram volatidade em termos de criação e atualização. Essa
					mudança no foco das contas não se restringe à categorização da conta em si, mas
					altera o conteúdo veiculado e seu viés, demonstrando que o meio digital é fluido
					e está em constante mudança e transformações. Pode-se aventar que na rede social
					há o que <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fleck (2010</xref>, p. 85-86) denominou
					de peregrinação:</p>
				<p>
				<disp-quote>
					<p>Os pensamentos circulam de indivíduo a indivíduo, sempre com alguma
						modificação, pois outros indivíduos fazem outras associações. [...]. Após
						uma série dessas peregrinações, não sobra praticamente nada do conteúdo
						original. De quem é o pensamento que continua circulando? Nada mais é do que
						é um pensamento coletivo, um pensamento que não pertence a nenhum indivíduo.
						Não importa se os conhecimentos são verdadeiros ou errôneos do ponto de
						vista individual, se parecem ser entendidos corretamente ou não - peregrinam
						no interior da comunidade, são lapidados, modificados, reforçados ou
						suavizados, influenciam outros conhecimentos, conceituações, opiniões e
						hábitos de pensar.</p>
				</disp-quote>
			</p>
				<p>Tal peregrinação associa-se à circulação rápida e transitória influenciada
					inclusive pela forma como os aplicativos são organizados. As publicações no
					Instagram podem ser vistas instantaneamente, todavia, as mais recentes
					rapidamente ocupam lugar de destaque no dispositivo do usuário, dificultando ou
					mesmo ocultando a visualização de algo publicado há apenas algumas horas. As
					ferramentas de compartilhamento permitem novas conexões, podendo fazer com que a
					ideia que circula não pertença mais a nenhum individuo, tenha origem incerta,
					seja modificada ou suavizada, aproximando-se da ideia de peregrinação de <xref
						ref-type="bibr" rid="B15">Fleck (2010)</xref>. Isso pode resultar em
					distorção e notícia falsa que se espalha rapidamente e não apresenta fonte,
					provocando uma ambivalência (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Santaella,
						2019</xref>). Essa ambivalência configura-se de um lado pelos benefícios da
					ubiquidade e circulação das publicações; de outro, a facilidade de se promover
					notícias falsas e manipular opiniões.</p>
				<p>Daí que o reconhecimento das características dessa circulação é fundamental, ou a
					necessidade de uma alfabetização científico-midiática (<xref ref-type="bibr"
						rid="B20">Hottecke; Allchin, 2020</xref>). Esses autores pontuam além do
					conhecimento sobre os conceitos e a natureza da ciência, o entendimento crítico
					sobre a divulgação da ciência em mídias modernas e redes sociais como condição
					para o processo educativo contemporâneo. Como proposta, <xref ref-type="bibr"
						rid="B20">Hottecke e Allchin (2020)</xref> destacam o conhecimento sobre as
					mídias e como elas funcionam, incluindo os interesses financeiros que as regem,
					os efeitos ‘bolha’ e ‘espelho’ (que exibem ao usuário informações personalizadas
					e de suas preferências sociais-políticas-culturais a partir de seu comportamento
					na rede), bem como a capacidade de analisar as publicações a partir do
					conhecimento sobre a ciência e seu funcionamento.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>A presente pesquisa foi guiada pela seguinte questão central: <italic>Quais as
					características da circulação do conhecimento via Instagram?</italic> Com base
				nos resultados, pode-se evidenciar o aumento da circulação da ciência por meio desta
				rede social, ilustrado pelo aumento no número de contas e seguidores deste tipo de
				conteúdo nos anos recentes. A circulação da ciência pode ser compreendida a partir
				da noção de rede, em que o conhecimento se difunde por meio de diferentes nós,
				formados por especialistas e não especialistas em divulgação da ciência e na
				pesquisa científica, a partir dos quais ocorre um tráfego intercoletivo e
				multidirecional de pensamento. Logo, os nós funcionam como objetos de fronteira,
				marcados pela heterogeneidade de quem os forma e do que é difundido. Isso pôde ser
				verificado pelos variados perfis de administradores e tipologias de contas, que se
				baseiam em informações gerais da ciência (com uso de memes, artes, curiosidades,
				história), informações especializadas (baseadas em artigos de pesquisa), rotina
				acadêmica e apoio pedagógico.</p>
			<p>Como características, ainda se verificaram o emaranhamento e a transitoriedade da
				circulação do conhecimento, manifestadas pela volatidade de contas, de seguidores,
				de publicações e de seus enfoques. Com isso, emerge a ambivalência da divulgação da
				ciência em redes sociais, responsáveis pela rápida conexão e interação, mas também
				pela circulação de notícias falsas e movimentos anticiência (<xref ref-type="bibr"
					rid="B28">Santaella, 2019</xref>). Em certa maneira, essa expansão reflete um
				paradoxo entre a carência e a saturação de informações. Se, nas décadas anteriores,
				o acesso à ciência se restringia a alguns meios impressos ou televisivos, agora a
				rede social parece caminhar para um processo de saturação que exigirá cada vez mais
				um processo formativo para analisar e compreender a circulação da informação na
				cultura digital. Assumindo que a Internet vem se constituindo como espaço em que
				grande parcela da população busca informações sobre ciência, os cientistas, ocupando
				os nós de comunicação com a população, poderiam potencializar a circulação
				intracoletiva a que <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fleck (2010)</xref> se refere,
				em função das conexões que a rede proporciona. Logo, os processos de comunicação da
				ciência a partir das tecnologias digitais assumiriam um caráter cada vez mais
				relevante.</p>
			<p>Embora focado nas práticas virtuais informais de comunicação da ciência, esta
				pesquisa leva a uma interrogação para uma perspectiva futura, a partir também da
				reflexão de outros estudos sobre a cultura digital, como os de <xref ref-type="bibr"
					rid="B1">Alava (2012)</xref> e de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Hottecke e
					Allchin (2020)</xref>. Se é preciso formar cidadãos capazes de analisar
				criticamente o mundo, até quando o ensino formal poderá ignorar esses modos de
				comunicação e circulação de saberes (ou mais preocupante, das notícias falsas) pela
				Internet? Assume-se com <xref ref-type="bibr" rid="B20">Hottecke e Allchin
					(2020)</xref>, a premência de se pensar num modelo que caminhe para a
				alfabetização midiático-científica. Em outras palavras, o conhecimento sobre o
				funcionamento da ciência e das mídias modernas de circulação de
				conhecimento/informação seria necessário para a formação da nova geração. Para
				tanto, acredita-se que o adensamento e melhoria do tráfego intercoletivo e exotérico
				dependa do adensamento de outros nós e a circulação intercoletiva entre os círculos
				esotéricos de divulgadores, cientistas, pesquisadores em educação em
				ciências/comunicação, professores/educadores em ciência. De um modo mais simples, se
				a ciência circula pelas redes sociais, é fundamental que aqueles que se envolvem em
				sua produção e ensino envolvam-se também nessa circulação.</p>
			<p>Por fim, vale mencionar que os contextos socioculturais a partir dos quais Fleck
				teorizou e nos quais as redes sociais se inserem são distintos. O tempo em que as
				transformações ocorrem impingem maior transitoriedade da rede social e volatidade ao
				núcleo de conhecimentos do coletivo de pensamento. Ainda que em proporções
				diferentes, os modos de produção da ciência também estão sendo modificados pela
				Internet, entre eles, o tempo das publicações e sua própria perenidade, o que parece
				válido para as correlações entre o pensamento fleckiano e ciência nas redes
				sociais.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ack>
			<title>Agradecimentos</title>
			<p>W. E. Francisco Junior agradece ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
				Tecnológico pela Bolsa de Produtividade em Pesquisa, e à Fundação de Amparo à
				Pesquisa do Estado de Alagoas pelo financiamento (Processo
				60030.0000001411/2022).</p>
		</ack>
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