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                <journal-title>Ciência &amp; Educação (Bauru)</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Ciênc. educ.
                    (Bauru)</abbrev-journal-title>
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            <issn pub-type="ppub">1516-7313</issn>
            <issn pub-type="epub">1980-850X</issn>
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                <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, Universidade
                    Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências, campus de
                    Bauru.</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="publisher-id">00020</article-id>
            <article-id pub-id-type="doi">10.1590/1516-731320240020</article-id>
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                <article-title>Explorando a Natureza da Ciência na entrevista cedida por Niels Bohr
                    em 1962: implicações ao ensino de ciências</article-title>
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                    <trans-title>Exploring NOS in the interview given by Niels Bohr in 1962:
                        Implications for science teaching</trans-title>
                </trans-title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-6674-8466</contrib-id>
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                        <surname>Raicik</surname>
                        <given-names>Anabel Cardoso</given-names>
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                </contrib>
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                <label>1</label>
                <institution content-type="normalized">Universidade Federal de Santa Catarina
                    (UFSC)</institution>
                    <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina
                    (UFSC)</institution>
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                <institution content-type="original">Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC),
                    Florianópolis, SC, Brasil</institution>
                     <email>anabelraicik@gmail.com</email>
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            <author-notes>
                <corresp id="c1">Contato: <email>anabelraicik@gmail.com</email></corresp>
            </author-notes>
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                    <license-p>Este &#x00E9; um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob
                        a licen&#x00E7;a Creative Commons Attribution, que permite uso,
                        distribui&#x00E7;&#x00E3;o e reprodu&#x00E7;&#x00E3;o em qualquer meio, sem
                        restri&#x00E7;&#x00F5;es desde que o trabalho original seja corretamente
                        citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Este artigo visa explorar aspectos relativos à Natureza da Ciência em partes de
                    uma entrevista concedida por Niels Bohr a Thomas Kuhn, Léon Rosenfeld, Aage
                    Petersen e Erik Rudinger, entre outubro e novembro de 1962. Procura-se
                    contribuir para que discussões e reflexões sobre a ciência sejam promovidas no
                    âmbito do ensino de ciências. Nessa perspectiva, estabelecem-se interlocuções
                    entre trechos da entrevista e outros materiais históricos, como publicações do
                    próprio Bohr e fontes secundárias de reconhecida relevância.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>Parts of an interview that Niels Bohr gave between October and November 1962 with
                    Thomas Kuhn, Léon Rosenfeld, Aage Petersen, and Erik Rudinger are the subject of
                    this article, which attempts to investigate questions about the nature of
                    science. The intention is to support the growth of scientific conversations and
                    introspection within the framework of science education. In such a manner, the
                    article correlates excerpts from this interview, other historical materials, and
                    publications by and about Bohr.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>História da ciência</kwd>
                <kwd>Natureza da ciência</kwd>
                <kwd>Educação científica</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>History of science</kwd>
                <kwd>Nature of science</kwd>
                <kwd>Science education</kwd>
            </kwd-group>
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                    <funding-source>CNPq, CNPq/MCTI</funding-source>
                    <award-id>10/2023</award-id>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>Na década de 1960, físicos e historiadores foram mobilizados para desenvolverem um
                acervo oral e escrito acerca da história da física quântica. Nomes como os de Edward
                Purcell, Gerald Holton, Charles Kittel, John Wheeler, Thomas S. Kuhn, Hunter Dupree,
                Harry Wolff, John L. Heilbron e Paul Forman juntaram-se a tantos outros para um
                trabalho de inestimável relevância, de coletar cartas, manuscritos, cadernos de
                laboratório, comentários pessoais e, sobretudo, promover entrevistas (gravadas e
                transcritas) com os propulsores da mecânica quântica. Como <xref ref-type="bibr"
                    rid="B46">Wheeler (1967)</xref> enfatiza no prefácio ao livro <italic>Sources
                    for the history of quantum physics: an inventory and report</italic>, que
                fornece um relato detalhado do projeto, “[...] nunca na história da ciência foi
                feito um esforço tão eficaz para registrar momentos decisivos na evolução de novas
                ideias enquanto os principais participantes ainda estavam [e estão] vivos” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B46">Wheeler, 1967</xref>, tradução nossa).</p>
            <p>Sob a liderança de Kuhn, o projeto <italic>Archives for the History of Quantum
                    Physics</italic> durou três anos e, para se ter uma ideia da dimensão do
                empreendimento, entre fevereiro de 1962 e maio de 1964 foram realizadas cerca de 175
                entrevistas com 95 pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, com o
                desenvolvimento da física quântica nas primeiras três décadas do século passado
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Kuhn <italic>et al</italic>., 1967</xref>). Em
                síntese, foram reunidos arquivos de 279 físicos, e as entrevistas deram início à
                coleção conhecida como <italic>Oral Histories</italic> do American Institute of
                Physics, que conta, atualmente, com mais de 1.000 entrevistas (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B16">Hartz; Freire Junior, 2015</xref>). Dentre elas, encontram-se
                conversas com Max Born, Peter Debye, James Franck, Gustav Hertz, Werner Heisenberg,
                Louis de Broglie, Paul Dirac, Ernst Pascual Jordan, Eugene Paul Wigner, além de
                Niels Bohr.</p>
            <p>O foco do projeto foi o de fornecer, construir e resgatar um relato abrangente da
                história da física, sobretudo relativo aos anos compreendidos entre 1898 e 1933.
                Simbolizando a relevância dessas décadas, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Kuhn
                        <italic>et al</italic>. (1967)</xref> sintetizam os principais
                desenvolvimentos do período: (a) na primeira década, citam o quantum de ação de Max
                Planck, a relatividade especial e o conceito de <italic>quantum</italic> de luz,
                posteriormente fóton1</p>
            <p>Bohr ensejou uma colaboração especial ao projeto, fornecendo alojamento aos
                envolvidos, revisando registros históricos, participando ativamente do
                empreendimento, além de proporcionar uma bela sequência de conversas entre outubro e
                novembro de 1962. A entrevista que Thomas Kuhn, Léon Rosenfeld, Aage Petersen e Erik
                Rudinger fizeram com ele, em cinco encontros, destaca não apenas o lado de um físico
                digno de toda admiração, mas oportuniza explorar distintos aspectos relativos à
                Natureza da Ciência que perpassam seu relato; tanto no que se refere à sua teoria
                quântica do átomo e seu princípio da complementaridade, quanto de um cientista
                humano. A propósito, a última parte de sua entrevista, “[...] com a mente tão clara
                e o diálogo tão enfático, como sempre, foi na tarde de sábado, 17 de novembro de
                1962, um dia antes de sua morte” (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Wheeler,
                    1967</xref>, tradução nossa). Certamente, “[...] suas cartas e escritos
                permanecerão para sempre a maior de todas as contribuições para os registros da
                física quântica” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Kuhn <italic>et al</italic>.,
                    1967</xref>, tradução nossa).</p>
            <p>Em 1913, Bohr publica seu épico trabalho intitulado <italic>Sobre a constituição de
                    átomos e moléculas</italic>, dividido em três seções, nos meses de julho,
                setembro e novembro na <italic>Philosophical Magazine</italic>. Na primeira parte,
                apresenta os fundamentos de seu modelo para o átomo à luz do
                    <italic>quantum</italic> de ação de Planck e impõe condições ao átomo de
                Rutherford. Muitas são as questões presentes em análises históricas deste estudo
                bohriano, dentre elas: Que pressupostos Bohr tinha quando se deparou com a fórmula
                de Johann Jakob Balmer? Qual a influência, se é que houve, de John W. Nicholson no
                desenvolvimento de seu modelo quântico para o átomo? Como se deu a aceitação de sua
                trilogia? Por que ele então escolheu desenvolver o novo e pouco conhecido átomo de
                Rutherford, ao invés do modelo mais antigo e mais bem-sucedido proposto por J. J.
                Thomson? Por que ele abordou o problema da quantização da maneira particular que o
                fez, que deu frutos impressionantes de uma só vez e que, um ano depois, começou a
                revolucionar a física? (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Heilbron; Kuhn, 1969</xref>;
                    <xref ref-type="bibr" rid="B29">Peduzzi, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr"
                    rid="B35">Raicik, 2023a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B36">2023b</xref>).
                Juntamente a estas questões ainda existem estereótipos, tanto em materiais
                históricos quanto voltados especificamente ao ensino de ciências, que precisam ser
                problematizados; como a neutralidade de Bohr, e uma perspectiva
                empírico-indutivista, ao se valer da fórmula de Balmer, o mito da sua quantização do
                momento angular, entre outras. Partes da entrevista, em associação a um conhecimento
                histórico de estudos bohrianos, sobejamente relativo à primeira parte de sua
                trilogia, permite que se contextualize e se discuta algumas questões como essas e se
                busque promover um melhor entendimento deste episódio com um relembrar do próprio
                Bohr sobre ele quase 50 anos depois de seu desenvolvimento.</p>
            <p>Nesse sentido, esse artigo visa explorar trechos da entrevista cedida por Bohr,
                especificamente aqueles pontos que permitem contextualizar os caminhos e
                pressupostos que o levaram à primeira parte de sua trilogia, a partir da
                exemplificação de aspectos relativos à Natureza da Ciência (NdC), isto é, busca-se
                enfatizar o contexto e lembrança de Bohr dos anos de 1911 e início de 1913.
                Objetiva-se, com isso, contribuir para discussões e reflexões sobre a ciência no
                ensino. Para tanto, interlocuções entre trechos da entrevista e outros materiais
                históricos, tanto publicações do próprio Bohr, quanto fontes secundárias, são
                estabelecidas.</p>
            <p>A NdC que, em termos gerais e sem visar limitá-la conceitualmente, envolve “[...] um
                arcabouço de saberes sobre as bases epistemológicas, filosóficas, históricas e
                culturais da ciência” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Moura, 2014, p. 33</xref>),
                tem se apresentado extremamente relevante para promover discussões sobre a ciência
                no ensino. No âmbito de um cenário político-social anticientífico, em geral, em que
                a ciência, sua prática, eficiência e dinâmica são desacreditados, possibilitar
                reflexões que, além de discutir conceitualmente o conhecimento científico, vise
                contribuir para o desenvolvimento de sujeitos mais críticos, torna-se um desafio
                necessário. A integração de aspectos relativos à NdC e ao trabalho científico,
                juntamente à História e Filosofia da Ciência (HFC), enseja uma abordagem capaz de
                contribuir significativamente para que a ciência seja vista em sua maior amplitude;
                “não apenas como um corpo de conhecimento bem estruturado, mas como uma maneira de
                ver, pensar e entender o mundo e seus fenômenos” (<xref ref-type="bibr" rid="B32"
                    >Peduzzi; Raicik, 2020, p. 21</xref>), sobretudo, mas não apenas, no ensino de
                ciências.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Explorando aspectos relativos à NdC em partes da entrevista com Bohr</title>
            <p>As entrevistas promovidas no âmbito do projeto supracitado, <italic>Archives for the
                    History of Quantum Physics</italic>, de modo geral, visavam trazer à tona,
                principalmente, discussões de investigações acerca da física atômica, nuclear e
                quântica entre as primeiras décadas do século passado. Não obstante, também se
                incentivou que os cientistas discutissem e comentassem, por exemplo, sobre suas
                origens familiares, o que os levou a se interessar por física, suas formações, suas
                carreiras, influências sociais nas condições de suas pesquisas, pessoas que os
                motivaram dentre outras memórias. A entrevista realizada com Bohr, dividida em cinco
                seções, ocorreu em seu escritório particular em Copenhague, na Dinamarca,
                respectivamente nos dias 31 de outubro e 1, 7, 14 e 17 de novembro de 1962.</p>
            <p>Em reminiscências que revelam um cintilar não apenas de palavras recordadas, mas de
                uma história – uma trajetória na busca de uma melhor compreensão da natureza – Bohr
                percorre e contempla distintos períodos de suas pesquisas. Assim, a entrevista não
                segue uma ordem cronológica; por vezes priorizando uma conversa mais informal, ora
                com perguntas mais direcionadas, ela permite que Bohr transite por entre as décadas,
                indo e vindo, singularmente e em especial, entre os anos de 1909 e 1914, mas não
                restringindo-se a eles.</p>
            <p>Neste artigo, trechos da entrevista, em particular, e outras fontes primárias e
                secundárias, que envolvem o desenvolvimento da primeira parte da trilogia bohriana –
                sobejamente entre 1911 e 1913 – e sua receptividade inicial, serão resgatados à luz
                de determinados aspectos relativos à NdC, sobremodo explorados em <italic>Sobre a
                    natureza da ciência: asserções comentadas para uma articulação com a história da
                    ciência</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Peduzzi; Raicik, 2020</xref>).
                Neste trabalho, os autores apresentam um conjunto de 18 asserções com comentários e
                ponderações específicas acerca da natureza da ciência e do trabalho científico, em
                contrapartida a princípios descontextualizados e declarativos. As asserções
                comentadas se mostram como uma alternativa potencialmente útil para a abordagem de
                NdC no ensino, sobretudo quando vinculadas à história da ciência.</p>
            <p>A educação científica, na atualidade, visa propiciar uma compreensão de NdC
                compatível com reflexões filosóficas contemporâneas. Uma estratégia para isso é
                tornar explícitas, em materiais e estratégias de ensino, discussões sobre a ciência.
                Isso pode ser feito, dentre outras perspectivas, a partir da análise de episódios
                e/ou materiais históricos (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Boaro; Massoni,
                    2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Forato; Pietrocola; Martins,
                    2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Jorge, 2018</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B26">Moura, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31"
                    >Peduzzi, 2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Raicik, 2023a</xref>;
                    <xref ref-type="bibr" rid="B34">Pires; Peduzzi, 2022</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B2">Batista; Peduzzi, 2023</xref>). Nesse sentido, aqui,
                faz-se um exercício de exemplificar determinadas asserções – relativas, por exemplo,
                a algumas influências de natureza idiossincrática, cultural, social, entre outras,
                que perpassam pelos estudiosos e a ciência, a não neutralidade científica, a
                relevância do acaso para uma mente preparada (<xref ref-type="bibr" rid="B23"
                    >Lejeune, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B45">Stauffer, 1953</xref>), a
                insuficiência de uma visão empírico-indutivista, os valores e seus juízos para
                aceitação de conhecimentos etc. Em 1854, por exemplo, por ocasião de seu discurso de
                posse como reitor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lille, o químico
                francês Louis Pasteur (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Pasteur, 1939, p. 130</xref>)
                proferiu a famosa frase “[...] dans les champs de l’observation le hasard ne
                favorise que les esprits préparés” (no campo das observações o acaso só favorece o
                espírito preparado).</p>
            <sec>
                <title>A tese de Bohr e seus primeiros contatos com J. J. Thomson</title>
                <p>Bohr inicia sua conversa comentando sobre o que o levou a se envolver com a
                    teoria eletrônica dos metais. Cabe lembrar que em maio de 1911 ele defendeu sua
                    tese intitulada <italic>Studier over metallerners elektrontheori</italic><xref
                        ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> pela Universidade de Copenhague, sob
                    orientação do físico Christian Christiansen, fruto de desdobramento de sua
                    dissertação concluída em 1909 (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Bohr,
                        1972b</xref>). Como ele explicita na entrevista, a sugestão do tema veio de
                    Christiansen e ele não esperava que se pudesse explorar tanto o assunto como
                    acabou acontecendo. “<italic>Fiz alguns esforços com base na teoria
                        clássica</italic>” [...] “<italic>para dar um tratamento lógico e o mais
                        completo possível</italic>” [acerca da teoria eletrônica dos metais] (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução nossa). [Christiansen
                    achava] “<italic>que havia muitas coisas interessantes na teoria eletrônica dos
                        metais, então ele me deu isso</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
                        >Bohr, 1962</xref>, tradução nossa). Ele ainda comenta: “<italic>Comecei com
                        a teoria de</italic> [H. A.] <italic>Lorentz e tentei fazer suposições mais
                        gerais</italic> [...]” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>,
                    tradução nossa) [do que aquelas apresentadas por outras pesquisas, como as de E.
                    Riecke, P. Drude, Langevin e, inclusive, Thomson].</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p>O interesse do estudioso pelas obras de seus predecessores é <italic>sine qua
                            non</italic> (condição indispensável) para o desenvolvimento do seu
                        trabalho, pois é conhecendo o que já existe e o que (a seu ver) precisa ser
                        reformulado, ou ainda ser feito, que ele contextualiza, justifica e
                        fundamenta as suas preocupações de pesquisa (<xref ref-type="bibr" rid="B32"
                            >Peduzzi; Raicik, 2020, p. 38</xref>, grifo dos autores).</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>Em uma nota preparada por Bohr para a defesa pública de sua tese, além de
                    agradecimentos conferidos ao seu orientador e à universidade, ele contextualiza
                    o objetivo geral de seu trabalho, à luz desses (e outros) estudos que já
                    existiam acerca da teoria eletrônica dos metais:</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p>A teoria desenvolvida por esses cientistas concorda, em muitos pontos
                        fundamentais, notavelmente bem com a experiência [...]. No entanto, em
                        muitos pontos essenciais não há concordância entre a experiência e os
                        resultados teóricos. No presente trabalho é feita uma tentativa de tratar a
                        teoria eletrônica dos metais com base em hipóteses mais gerais do que as dos
                        autores mencionados, com o objetivo principal de investigar quais resultados
                        da teoria dependem essencialmente das hipóteses especiais feitas, e quais os
                        resultados permanecerão válidos quando forem feitas suposições mais gerais
                            (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bohr, 1972a, p. 97</xref>, tradução
                        nossa).</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>Aqui, vê-se uma preocupação de Bohr com a precisão das teorias existentes, um dos
                    valores elencados por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Kuhn (2011)</xref> de uma
                        <italic>boa teoria</italic> científica, que diz respeito à concordância não
                    apenas quantitativa, mas também qualitativa, entre seu arcabouço teórico e os
                    dados experimentais e observacionais. Sobejamente, há uma diligência quanto à
                    sua abrangência, outro dos valores kuhnianos, que se refere ao amplo escopo de
                    sua validade e suas consequências em extrapolar as observações, leis,
                    subteorias, hipóteses das quais está ancorada. Na ciência, “[...] explicações
                    teóricas e verificações empíricas complementam-se e estimulam-se umas às outras”
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Bohm, 2015, p. 60</xref>).</p>
                <p>Na entrevista, <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr (1962</xref>, tradução nossa)
                    relembra: “[...] <italic>eu descobri que havia muitos erros nos estudos
                        anteriores. Eles não são tão importantes, mas, para dar um exemplo, alguns
                        tentaram calcular o número de elétrons a partir do diamagnetismo dos
                        metais</italic>. <italic>No entanto</italic>”, continua ele, “[...]
                        <italic>resultou de meu trabalho que, de acordo com a teoria clássica, os
                        elétrons não darão origem a nenhum diamagnetismo</italic>”. Com efeito, em
                    uma ciência dinâmica e pluralmente metodológica, é preciso reconhecer, assim
                    como na perspectiva bohriana, “[...] que o erro é parte inerente e indissociável
                    de seus processos” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Peduzzi; Raicik, 2020, p.
                        29</xref>). Em uma carta a seu irmão, o matemático Harald Bohr, datada de
                    julho de 1909, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Bohr (1972, p. 507</xref>,
                    tradução nossa) escreve: “[...] você sabe que tenho o mau hábito de acreditar
                    que posso encontrar erros cometidos por outras pessoas”. Identificar erros nos
                    cálculos e escritos de físicos era uma prática comum bohriana. Aliás, na
                    graduação, ele corrigiu seu professor, ninguém menos que o filósofo H. Hoffding,
                    que à época ficou impressionado (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aaserud;
                        Heilbron, 2013</xref>). Por mais que a ciência provoque “um sentimento de
                    reverência e admiração” (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Sagan, 1996, p.
                        42</xref>), é preciso reconhecer que ela é construída por homens e mulheres
                    e que, portanto, não é imune a falhas. Essa ideia que, por assim dizer, “[...]
                    açoita a soberba submetendo-a as amarras da humildade, está longe de promover um
                    ceticismo capaz de fazer ruir o entusiasmo e a confiança na ciência” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B32">Peduzzi; Raicik, 2020, p. 29</xref>), mas
                    constitui seu próprio processo de desenvolvimento, retificação e
                    humanização.</p>
                <p>Enfim, e como síntese, esse percurso de doutoramento fez Bohr começar a ver, por
                    distintas frentes, a insuficiência da mecânica clássica para lidar com a teoria
                    eletrônica dos metais. Não bastaria alguns ajustes ou alterações nos cálculos
                    para que a relação entre teoria e experimento estivesse em concordância, mas
                    algum nível de modificação, embora não se soubesse qual, no próprio núcleo duro
                    da teoria (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Rosenfeld; Rudinger, 1967</xref>;
                        <xref ref-type="bibr" rid="B35">Raicik, 2023a</xref>).</p>
                <p>O agradecimento que Bohr demonstra a Christiansen no dia de sua defesa, e a
                    continuidade que dá ao tema nos anos seguintes, evidenciam respectivamente a
                    gratidão com seu orientador e o seu entusiasmo nesse campo da física. “Gostaria
                    também de expressar meus agradecimentos ao professor Christiansen pelo interesse
                    constante que demonstrou durante meus anos de estudo e pelo incentivo que sempre
                    me deu ao trabalho científico”, afirma <xref ref-type="bibr" rid="B7">Bohr
                        (1972a, p. 97-98</xref>, tradução nossa). A influência de seu professor em
                    sua vida acadêmica é marcante. A motivação do estudioso está fortemente atrelada
                    ao desafio apresentado por determinados <italic>quebra-cabeças</italic>, em
                    termos kuhnianos e, em alguma medida, também com as interações pessoais que
                    estabelece. Inclusive, foi a partir dessa temática que ele vê em Cambridge uma
                    possibilidade de um pós-doutorado, afinal J. J. Thomson havia sido um pioneiro
                    na teoria eletrônica dos metais.</p>
                <p>Assim, Bohr recebe uma bolsa da Fundação Carlsberg. Em uma ciência que se
                    desenvolve e integra a sociedade, há influências e forças históricas, culturais
                    e sociais sobre ela (<xref ref-type="bibr" rid="B24">McComas, 2004</xref>), que
                    podem ser decisivas para o andamento de determinadas pesquisas. Como ele coloca
                    na entrevista, pode ser que seu pai, o renomado professor de fisiologia da
                    Universidade de Copenhague, Christian Bohr, antes de falecer precocemente
                    naquele mesmo ano, tenha feito algum <italic>combinado</italic> para que ele
                    recebesse a bolsa de estudos na Inglaterra.</p>
                <p>Ao ser questionado, por Kuhn, do porquê de sua escolha por Cambridge, para além
                    do financiamento recebido, obviamente, Bohr responde que via lá o centro da
                    física e Thomson como um homem maravilhoso. Não obstante, a relação entre eles
                    não foi das melhores e a experiência acabou sendo, com diz <xref ref-type="bibr"
                        rid="B6">Bohr (1962</xref>, tradução nossa), “<italic>uma
                    decepção</italic>”; “<italic>Thomson não estava interessado na acusação de que
                        os seus cálculos</italic> [acerca da teoria eletrônica dos metais]
                        <italic>não estavam corretos</italic>”. Enquanto para muitos o erro é visto
                    como uma falha injustificável, inclusive no imaginário popular sobre a ciência,
                    Bohr o via como um processo que permite o avanço do conhecimento. Isso fica
                    claro quando busca justificar que, “<italic>Thomson foi um gênio que realmente
                        mostrou o caminho para todos. Então algum jovem poderia fazer algumas coisas
                        um pouco melhor</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>,
                    tradução nossa). Esta última parte da frase evidencia que mesmo os erros podem
                    abrir portas, isto é, “[...] as teorias científicas não são definitivas e
                    irrevogáveis, mas sim objeto de constante revisão” (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B32">Peduzzi; Raicik, 2020, p. 29</xref>).</p>
                <p>O progresso da ciência comporta, em seu âmago, a tentativa e o erro. O
                    historiador da ciência Abraham Pais (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Pais, 1991,
                        p. 83</xref>, tradução nossa), ao ilustrar o caminho que Planck percorreu
                    para encontrar uma função espectral da radiação do corpo negro, corrobora isso,
                    “[...] já foi dito de Planck que ele cometeu tantos erros que acabou tendo que
                    encontrar uma resposta certa”. Por certo, a ciência como uma atividade humana,
                    envolve elementos subjetivos; existem, por exemplo, valores individuais e
                    coletivos que norteiam e influenciam o desenvolvimento científico (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B21">Kuhn, 2011</xref>), e a constatação de erros nos
                    cálculos de Thomson não foi o único elemento que interferiu na relação pessoal
                    entre ele e Bohr (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Raicik, 2023a</xref>).</p>
                <p>Embora eles tivessem tido uma relação respeitosa, e um primeiro contato
                    promissor, Thomson não pareceu uma pessoa fácil de lidar (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B17">Heilbron, 2013</xref>). Ele não se interessou, a ponto de, ao que
                    tudo indica, não ter lido a tese de Bohr, que relembra que, à época, “[...]
                        <italic>não tinha grandes conhecimentos de inglês e, portanto, não sabia
                        como se expressar adequadamente</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
                        >Bohr, 1962</xref>, tradução nossa). Além disso, Thomson não estava mais
                    interessado na teoria eletrônica dos metais, mas tão somente, nas palavras
                    bohrianas, “[...] <italic>em seu próprio modelo atômico</italic>” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução nossa). Ademais, ele
                    deu a Bohr uma atividade no laboratório pouco instigante; um tópico experimental
                    envolvendo raios positivos – feixes de íons criados em tubos de descarga de gás.
                        <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr (1962</xref>, tradução nossa) sumariza:
                    “[...] <italic>eu trabalhei nisso, mas não havia realmente nada para tirar
                        disso</italic>”. Com efeito, “[...] existem pressões externas que
                    ostensivamente orientam e limitam o espectro de opções do pesquisador, impondo
                    determinadas escolhas e tolhendo a sua liberdade científica” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B32">Peduzzi; Raicik, 2020, p. 35</xref>). A ciência
                    não está imune às relações, das mais diversas naturezas (sociais, pessoais,
                    culturais etc.), a ela inerentes.</p>
                <p>Na entrevista, o próprio <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr (1962</xref>,
                    tradução nossa) coloca “<italic>qual era a diferença entre Cambridge e
                        Copenhague</italic>?”; ele mesmo responde que “<italic>havia, é claro, muita
                        diferença</italic>”, para além de sua atividade no laboratório, ele levanta
                    uma questão relativa ao próprio perfil dos ingleses, em geral:</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p><italic>Na Inglaterra as pessoas não são tão simples. Em geral, os ingleses
                            são muito bons, mas isso leva tempo. E eles pensaram: ‘Agora vem esse
                            estrangeiro’</italic> [...] <italic>E na verdade eu não tinha amigos
                            entre os alunos mais novos. Eu tinha um amigo</italic> [...] <italic>que
                            era do País de Gales, mas</italic> [...] [a nossa amizade se constituiu]
                            <italic>apenas por um interesse geral pela vida, ou algo assim</italic>
                        [...] <italic>Então, na verdade, me senti bastante infeliz em Cambridge. Eu
                            tinha alguns amigos, mas eram amigos do meu pai</italic> (<xref
                            ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução nossa).</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>O que Bohr está sinalizando é justamente as dificuldades, de ordem subjetiva e
                    pessoal, que um estrangeiro, como ele, com pouca fluência na língua inglesa,
                    recém doutor, pode enfrentar ao chegar em um local novo. A ciência é
                    desenvolvida por pessoas, portanto envolve, inevitavelmente, relações humanas;
                    nesse processo pode levar tempo para ganhar confiança, credibilidade, conquistar
                    amizades. As relações entre colegas, no caso pesquisadores, envolve valores
                    culturais, por exemplo, de países distintos.</p>
                <p>A afetividade que se estabelece (ou não) na convivência com outros seres, pode
                    ser um componente limitador ou propulsor de novos conhecimentos. “Concretamente,
                    o pesquisador é um sujeito tão condicionado por crenças e emoções quanto
                    qualquer ser humano, frequentemente forçado a seguir seus próprios instintos e
                    correr o risco de amargar demasiadas decepções” (<xref ref-type="bibr" rid="B13"
                        >Custódio; Rezende Junior, 2003, p. 1</xref>). Ignorar por completo isso, é
                    subestimar traços humanos em uma atividade inerentemente humana; a ciência.</p>
                <p>De qualquer forma, Bohr visou aproveitar da melhor maneira possível seu tempo em
                    Cambridge; aperfeiçoando seu inglês, assistindo palestras sobre eletricidade,
                    lendo sobre as pesquisas mais recentes, envolvendo-se com atividades esportivas
                    e passeios ao ar livre (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Raicik, 2023a</xref>;
                        <xref ref-type="bibr" rid="B38">Rosenfeld; Rudinger, 1967</xref>). O
                    respeito de Bohr por Thomson sempre foi mantido naquela época, e em toda sua
                    vida.</p>
                <p>No decorrer da entrevista, <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr (1962</xref>,
                    tradução nossa) ainda frisa: “<italic>Não aprendi muito em Cambridge. Mas,
                        então, eu estava preparado em Manchester e pronto para me jogar no trabalho,
                        você vê. Podemos ir para Manchester agora, talvez</italic>”. O percurso que
                    o levou a mudar os rumos de seu pós-doutorado está ancorado na
                    imprevisibilidade. Como mencionado, ele não tinha muitos amigos na Inglaterra,
                    com exceção de alguns conhecidos de seu pai. Ao passar uns dias hospedado na
                    casa de um deles, o professor de fisiologia Lorain Smith, em Manchester, Bohr
                    interagiu positivamente com Rutherford.</p>
                <p>A conversa com Rutherford, juntamente à insatisfação com seu envolvimento com
                    Thomson, parecem ter sido providenciais para que Bohr tomasse outro rumo em seu
                    pósdoutorado e, consequentemente, escrevesse mais um (e novo) capítulo na
                    história da ciência. Não obstante, Bohr não deu margem ou permitiu que se
                    atribuísse a Thomson sua desistência de Cambridge (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B35">Raicik, 2023a</xref>). Com todo o respeito que sempre manteve por
                    Thomson, para ele não se tratava de “Cambridge ou Manchester, mas Cambridge e
                    Manchester” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Heilbron; Kuhn, 1969, p.
                    233</xref>, tradução nossa). Embora seja inegável admitir que aspectos
                    subjetivos, inclusive relacionados à biografia e à personalidade individual de
                    cada pessoa, permeia a ciência em seus mais diversos e plurais percursos (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B21">Kuhn, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32"
                        >Peduzzi; Raicik, 2020</xref>). Ao conversar com Thomson sobre seu interesse
                    em trabalhar com radioatividade, junto ao grupo rutherfordiano, isso aparece
                    mais uma vez. <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr (1962</xref>, tradução nossa)
                    recorda:</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p><italic>Disse a Thomson que tinha apenas um ano agora na Inglaterra e ficaria
                            feliz também em saber algo sobre radioatividade. Ele me respondeu como
                            se não tivesse ouvido nada. Ele disse que sabia que nada poderia
                            resultar daquilo que havia me dado</italic> [no laboratório] <italic>e
                            que ele me daria outra coisa, então. Mas eu não estava interessado.
                            Passei a me interessar profundamente por outras coisas. Então eu disse
                            que tinha sido uma época muito boa, mas que também queria saber algo
                            sobre radioatividade. Então, isso é realmente tudo o que há a ser dito
                            sobre os dias de Cambridge</italic>.</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>O interesse pelo cientista, enquanto humano, praticante de uma ciência,
                    pertencente a uma sociedade, com suas idiossincrasias, valores culturais e
                    históricos, no âmbito de uma historiografia atual, que se contrapõe àquela
                    positivista, como coloca Steven Shapin (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Shapin,
                        2013</xref>), vem contra a insistência de impessoalidade científica.
                    Conhecer e admitir influências e relações estabelecidas entre estudiosos, não
                    apenas no âmbito conceitual, mas associado às suas posições sociais e aos seus
                    modos de vida, admitindo-os como, literalmente, “[...] pessoas de carne e osso”,
                    permite que se tenha um olhar mais amplo da ciência como “[...] um conjunto de
                    práticas [...], heterogêneo, situado historicamente, corporificado e
                    profundamente humano” (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Shapin, 2013, p.
                        14</xref>).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Bohr e [o átomo de] Rutherford: um encontro feliz na [e para a]
                    ciência</title>
                <p>Em Manchester, no início de 1912, <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr
                        (1962</xref>, tradução nossa) sentiu-se mais acolhido; “<italic>Rutherford
                        foi muito simpático</italic>” e já havia providenciado sua participação em
                    seu grupo de pesquisa com um curso experimental de técnica radioativa. Embora
                    todos os colegas tenham sido, como ele coloca, “<italic>muito gentis em mostrar
                        as coisas</italic>”, ele disse a Rutherford que “<italic>gostaria de se
                        concentrar em coisas mais teóricas</italic>”, e foi o que aconteceu. Um dos
                    elementos fundamentais para o envolvimento de Bohr com o átomo rutherfordiano se
                    deu ao ler um artigo de C. G. Darwin. Curiosamente, ele se deparou com este
                    trabalho quando não pôde ir ao laboratório por alguns dias, devido à falta de um
                    elemento químico para a continuidade de sua atividade por lá. O acaso, como um
                    importante elemento do trilhar científico, muitas vezes é parte de um processo
                    “pouco ou nada linear e [mesmo] ‘racional’, embora com frequência se apresente
                    dessa maneira em livros textos, em reconstruções históricas e nos relatos dos
                    cientistas” (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Piccolino; Bresadola, 2013, p.
                        5</xref>).</p>
                <p>Ao ser questionado por Kuhn, quando começou a se envolver com o papel das
                    partículas alfa, Bohr responde que ao ler artigo de Darwin acerca da absorção de
                    raios alfa pela matéria, à luz do modelo rutherfordiano, identificou falhas
                    cruciais nos cálculos; dentre elas a negligência das forças coulumbianas que
                    ligam os elétrons ao átomo (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Heilbron; Kuhn,
                        1969</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36">Raicik, 2023b</xref>).
                        “<italic>Thomson usara o mesmo cálculo que Darwin, mas Darwin usara o átomo
                        de Rutherford. Mas eu senti que deveria ser diferente. Isso estava claro, e
                        Darwin, aparentemente, estava de acordo</italic> [com isso]” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução nossa). Em relação à
                    reação darwiniana à constatação de erros em seu trabalho – típico da
                    personalidade bohriana identificá-los, como já mencionado – Bohr salienta que,
                    de fato, Darwin “<italic>achava que seu próprio trabalho não continha
                        nada”</italic> e que o ‘novo colega’ havia sido <italic>“muito gentil sobre
                        isso. Ele apenas disse que eu estava certo</italic>” (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução nossa).</p>
                <p>Bohr passou a se fascinar pelo modelo atômico de Rutherford e a deixar cada vez
                    mais de lado a teoria eletrônica dos metais. Com efeito, “[...] a fonte de
                    inspiração na ciência, o <italic>modus operandi</italic> dos cientistas, é
                    plural, diversificado, dinâmico [...]” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Peduzzi;
                        Raicik, 2020, p. 31</xref>, grifo dos autores). Embora o artigo darwiniano
                    tenha sido fundamental para que novos caminhos se abrissem a Bohr, importa
                    destacar que ele estava em um novo ambiente de pesquisa, envolvendo-se com novas
                    pessoas e, consideravelmente, tendo uma relação muito profícua com Rutherford.
                    Ao ser questionado por Rosenfeld se havia algum tipo de vida social, sobretudo à
                    noite, naquela época, <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr (1962</xref>, tradução
                    nossa) recorda: “[...] <italic>às vezes eu ia à casa de Rutherford</italic>
                    [...] <italic>Ele era um homem muito interessante. Quando alguém entrava em
                        contato com ele, tinha uma experiência inesquecível</italic> [...]
                        <italic>Rutherford foi exatamente como descrevi,
                    extraordinário</italic>”.</p>
                <p>Em pouco tempo, Bohr havia desenvolvido o conhecido <italic>Memorando de
                        Rutherford</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Bohr, 1981a</xref>;
                        <xref ref-type="bibr" rid="B18">Heilbron; Kuhn, 1969</xref>; <xref
                        ref-type="bibr" rid="B36">Raicik, 2023b</xref>; <xref ref-type="bibr"
                        rid="B38">Rosenfeld, 1989</xref>), um documento com seis páginas numeradas
                    (que indicam a falta de uma delas), preservado até hoje, e que contém um
                    primeiro esboço de algumas das ideias contidas em sua trilogia. No
                        <italic>Memorando</italic>, Bohr cria uma hipótese <italic>ad hoc</italic>
                    de que para qualquer anel estável nos átomos tem de haver uma razão definida
                    entre a energia cinética de um elétron no anel e a sua frequência de revolução;
                    assim o átomo não irradia nem sucumbe às oscilações instáveis (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B17">Heilbron, 2013</xref>). Isto é, E=K.ω, no qual a
                    razão entre a energia cinética <italic>E</italic> de um elétron do anel e sua
                    frequência de rotação <italic>ω</italic>, é dada por <italic>K</italic>. Aqui,
                    Bohr ainda não faz menção explícita ao <italic>quantum</italic> de ação de
                    Planck. Não há uma descrição entre a relação de <italic>K</italic> e a constante
                    planckiana h (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Heilbron; Kuhn, 1969</xref>; <xref
                        ref-type="bibr" rid="B36">Raicik, 2023b</xref>; <xref ref-type="bibr"
                        rid="B38">Rosenfeld, 1989</xref>).</p>
                <p>Para contextualizar, minimamente, as concepções ali contidas, cabe ressaltar que
                    Bohr aborda a questão da instabilidade atômica do modelo de Rutherford com base
                    na física clássica e traz, por exemplo, um princípio não mecânico que fixa os
                    estados estacionários dos sistemas atômicos (<xref ref-type="bibr" rid="B36"
                        >Raicik, 2023b</xref>). No entanto, será com a interpretação dos espectros
                    do hidrogênio que Bohr vai definitivamente se basear em um conceito de transição
                    quântica completamente distinto de qualquer consideração clássica, que estará
                    presente na primeira parte de sua trilogia, logo em seguida (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B18">Heilbron; Kuhn, 1969</xref>; <xref ref-type="bibr"
                        rid="B36">Raicik, 2023b</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B38">Rosenfeld,
                        1989</xref>). Não obstante, essa história está longe de propagar uma visão
                    empírica-indutivista de Bohr com os espectros, como muitos materiais históricos
                    e didáticos costumam propagar.</p>
                <p>Na entrevista, Kuhn enfatiza que no <italic>Memorando</italic> há uma série de
                    pistas sobre o desenvolvimento inicial das ideias de Bohr que irão surgir
                    novamente nos artigos posteriores, isto é, na trilogia. De fato, isso é uma
                    realidade, como o próprio <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr (1962</xref>,
                    tradução nossa) reconhece: “<italic>o paper</italic> [Memorando]
                        <italic>realmente dá uma ideia – se alguém o ler com interesse – da maneira
                        como eu olhava para o átomo de Rutherford quando estava em
                        Manchester</italic>”.</p>
                <p>Ao ser questionado sobre a introdução do <italic>quantum</italic> de ação de
                    Planck para regular o átomo de Rutherford, tanto por Rosenfeld quanto por Kuhn,
                    na primeira parte da entrevista, ele enfatiza nos dois momentos que em
                    Manchester isso ainda “<italic>não tinha surgido</italic>”; foi ao voltar para
                    Copenhague que “<italic>tentei todo o tipo de coisa</italic>” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução nossa). Por certo, Bohr
                    ficou poucos meses em Manchester, de março a julho, ainda que tenha desenvolvido
                    muita coisa por lá. Depois disso, com o final de seu pós-doutorado, ele assumiu
                    o cargo de assistente do professor Martin Knudsen, na Universidade de
                    Copenhague. Mas isso estava tomando muito o seu tempo, e ele não havia consigo
                    encaminhar a Rutherford um trabalho mais completo sobre sua investigação, para
                    além do <italic>Memorando</italic>.</p>
                <p>Sem embargo, ele logo solicita a Knudsen que o liberasse de suas funções e passou
                    uma temporada no campo, em Gottingen. Em pouco tempo, ele revisou seus estudos
                    anteriores, a saber, o <italic>Memorando de Rutherford</italic>, e apresentou a
                    Rutherford, em março de 1913, uma versão completa da parte I da trilogia, no
                    qual assuntos novos e cruciais estavam presentes, como a quantização do momento
                    angular e, primordialmente, os espectros atômicos.</p>
                <p>Mas, se como enfatiza <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr (1962</xref>, tradução
                    nossa), e o seu trabalho evidencia isso, de fato no <italic>Memorando</italic>
                        “<italic>não há absolutamente nenhuma menção sobre a origem dos
                        espectros</italic>”, o que o levou a mudar a sua perspectiva em tão pouco
                    tempo? Que pressupostos ele tinha, entre o final de 1912 e início de 1913, que
                    permitem rejeitar uma visão empírico-indutivista de seu uso da fórmula de
                    Balmer? (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Raicik, 2023b</xref>).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Um encontro nada proposital com a fórmula de Balmer: opondo-se a uma visão
                    empírico-indutivista</title>
                <p>Não é incomum, como bem evidenciam <xref ref-type="bibr" rid="B43">Silveira e
                        Peduzzi (2006, p. 42)</xref>, que se perpetue equivocadamente uma história
                    empírica e indutivista, no ensino e até em materiais históricos, de que Bohr
                    “[...] em Manchester, investiu um grande esforço intelectual para explicar
                    teoricamente porque o átomo de hidrogênio emitia radiação eletromagnética de
                    acordo com a fórmula empírica de Balmer”. Mas “[...] a dinâmica da produção de
                    conhecimentos na ciência mostra um processo vivo, criativo, polêmico,
                    questionador, argumentativo” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Peduzzi; Raicik,
                        2020, p. 42</xref>) e o resgate de sua história, ainda que sucinto, pode
                    contrastar com uma visão meramente empírico-indutivista de seu
                    desenvolvimento.</p>
                <p>Na terceira parte da entrevista, Bohr relembra que foi até Knudsen e pediu um
                    tempo de suas funções: “<italic>Saí para o campo junto com minha esposa e
                        escrevemos um longo artigo sobre várias coisas. E então</italic> [...]
                        <italic>acho que discuti isso com alguém, e talvez me disseram que havia
                        algo conhecido sobre os espectros; então pesquisei</italic>” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução nossa). Margrethe,
                    recém esposa de Bohr, foi uma mulher muito importante em sua vida, como amiga,
                    companheira e o ajudava em suas pesquisas escrevendo o que ele ditava (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B35">Raicik, 2023a</xref>). Margrethe não tinha
                    formação científica, portanto nesse trecho, quando Bohr afirma que escreveram
                    juntos um longo artigo (a saber a primeira parte da trilogia, em associação às
                    outras duas que, em essência, já estavam desenvolvidas), ele, certamente, deve
                    estar se referindo a esse processo de ele ditar e ela escrever.</p>
                <p>Bohr frisa, importa destacar, que somente nesse momento foi pesquisar sobre os
                    espectros. Kuhn (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução
                    nossa) questiona se ele lembra com quem teve essa conversa. E ele afirma:
                        “<italic>Oh, sim, era o professor</italic> [H. M.] <italic>Hansen. Hansen
                        estivera em Göttingen e era o único que tinha algum interesse nessas coisas.
                        Eu apenas disse a ele o que eu tinha, e ele disse: ‘Mas como isso funciona
                        com as fórmulas espectrais?’ E eu disse que</italic> [iria procurar]”, diz
                        <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr (1962</xref>, tradução nossa), “[...]
                        <italic>e assim por diante. Provavelmente foi assim que aconteceu. Eu não
                        sabia nada das fórmulas espectrais. Então eu procurei neste livro de Stark.
                        E então eu vi imediatamente que é assim que o espectro vem</italic>”.</p>
                <p>Com efeito, e à luz de Ludwik Fleck (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Fleck, 2010,
                        p. 141</xref>), pode-se dizer que “[...] somente após muitas vivências,
                    talvez após uma formação prévia, adquire-se a capacidade de perceber, de maneira
                    imediata, um sentido, uma forma e uma unidade fechada”. Isto quer dizer, que
                    “[...] há muito mais coisas no ato de ver do que as imagens que se formam na
                    retina do observador” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Peduzzi; Raicik, 2020, p.
                        22</xref>). Bohr estava, desde o início, preocupado com a instabilidade do
                    modelo rutherfordiano.</p>
                <p>A visão de <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr (1962</xref>, tradução nossa) em
                    relação aos espectros até aquele momento fica evidente ao responder à questão
                        “<italic>Como você chegou a examinar os espectros?</italic>”, colocada por
                    Rosenfeld na primeira parte da entrevista. Para ele, os espectroscopistas eram
                    uma ‘escola’ à parte, e acreditava que “<italic>não era possível progredir por
                        lá</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução
                    nossa). Além disso, enfatiza que “<italic>os espectros eram um problema muito
                        difícil...</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>,
                    tradução nossa). Com efeito, “[...] embora nem sempre perceptível e estimada, a
                    veia idiossincrática existe, naturalmente” (<xref ref-type="bibr" rid="B32"
                        >Peduzzi; Raicik, 2020, p. 30</xref>), e ela se manifesta, implícita ou
                    explicitamente, nas escolhas e preferências dos estudiosos, inclusive teórica e
                    metodologicamente falando. A crença bohriana, presente no período de seu
                    pós-doutorado, de que a espectroscopia era uma linha de pesquisa com pouca ou
                    nenhuma perspectiva de fecundidade, atesta isso. Não obstante, “[...] as ideias
                    estão sempre envoltas em um conjunto de outras ideias” (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B32">Peduzzi; Raicik, 2020, p. 38</xref>), e os fatos, os dados na
                    ciência, são fruto dessa dinâmica e envolvem, inevitavelmente, organização e
                    interpretação. Assim, continua <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr (1962</xref>,
                    tradução nossa), “<italic>descobri então que havia uma coisa muito simples sobre
                        o espectro do hidrogênio. Eu estava lendo o livro de Stark, e naquele
                        momento senti que agora íamos ver como surge o espectro</italic>”.</p>
                <p>A luz que se acende na escuridão, em um céu anuviado, ou mesmo aquela que ofusca
                    o olhar (e não apenas ele) ainda que em meio a um dia límpido e ensolarado, não
                    surge do nada, à mercê da sorte, na casualidade despropositada, mas encontra
                    quem a possa enxergar, quem a ela consiga se entregar. Entre o final de 1912 e
                    início de 1913 Bohr está imerso em outros pressupostos, inclusive com o
                        <italic>quantum</italic> de ação. Ele já havia desenvolvido seu
                        <italic>Memorando</italic> e, entre novembro e dezembro, depara-se com
                    trabalhos relativos à teoria atômica nicholsoniana. Aliás, os estudos de
                    Nicholson podem ter, em certa medida, aproximado Bohr da espectroscopia e
                    ter-lhe feito dar mais atenção a este campo de conhecimento (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B36">Raicik, 2023b</xref>).</p>
                <p>Ao ser questionado por Kuhn (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>,
                    tradução nossa) se: “[...] <italic>é realmente nesse ponto que você tem a ideia
                        de estados estacionários, em contraste com a noção de estado
                        permanente</italic> [natural] – <italic>o estado de ligação mais próxima do
                        elétron com o qual você está lidando?</italic>”, <xref ref-type="bibr"
                        rid="B6">Bohr (1962</xref>, tradução nossa) responde que sim, mas com a
                    ressalva: “<italic>é difícil</italic> [afirmar categoricamente] <italic>porque
                        antes de tudo o trabalho de Nicholson</italic><xref ref-type="fn" rid="fn3"
                        >3</xref> ... <italic>Lá eu pensei que talvez ele lidasse com outros
                        estados</italic>”. Por certo, em uma sequência de artigos de Nicholson, Bohr
                    viu uma série, mas que era distinta da de Balmer, Rydberg, Heinrich Kayser
                    (1853-1940) e Carl Runge (1856-1927) (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Raicik,
                        2023b</xref>).</p>
                <p>A importância e influência de Nicholson sobre Bohr pode ser atestada quando ele
                    tece considerações aos espectros coronal e nebular dos estudos nicholsonianos
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aaserud; Heilbron, 2013</xref>). Isso,
                    aliás, ocorreu depois de ele já ter encaminhado um rascunho inicial da parte I
                    da trilogia para Rutherford. Em carta a Rutherford, de 21 de março, Bohr
                    explicita que trabalhou um pouco mais no assunto e fez alterações e acréscimos.
                    “Em primeiro lugar, eles se referem à teoria de Nicholson. Na cópia enviada a
                    você eu não tinha uma opinião distinta quanto ao significado dessa teoria, e eu
                    mesmo estava bastante inclinado ao ceticismo [...]” (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B10">Bohr, 1981, p. 584</xref>, tradução nossa).</p>
                <p>Aqui, observa-se, “[...] uma sobrevivência muito interessante, uma mistura de
                    mecanismos clássicos e quânticos de radiação, que atesta a importância da
                    intervenção de Nicholson no desenvolvimento do pensamento de Bohr” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B1">Aaserud; Heilbron, 2013, p. 177</xref>, tradução
                    nossa). Entretanto, essas relações com os estudos de Nicholson não se mostraram
                    produtivas no âmbito da aceitação da trilogia, e o relembrar de Bohr sobre o
                    episódio, na entrevista, evidencia uma profunda lamentação pelos acréscimos
                    feitos à parte I, como se verá a seguir.</p>
                <p>De qualquer forma, a exagerada ênfase sobre o uso da fórmula de Balmer
                    negligencia, em muitos resgates históricos acerca dos estudos de Bohr desse
                    período, as influências nicholsonianas (<xref ref-type="bibr" rid="B18"
                        >Heilbron; Kuhn, 1969</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36">Raicik,
                        2023b</xref>). Em uma ciência “[...] que mostra apenas os seus produtos,
                    cobrindo com um véu denso e intransponível os processos de sua construção”,
                    acaba banalizando grandes transformações (<xref ref-type="bibr" rid="B32"
                        >Peduzzi; Raicik, 2020, p. 42</xref>). Isso fica ainda mais evidente quando
                    se pondera que é muito provável que Bohr já tivesse visto a fórmula de Balmer
                    antes da conversa com Hansen, mas não a tivesse registrado ou conferido a ela
                    alguma relevância por falta de interesse (<xref ref-type="bibr" rid="B18"
                        >Heilbron; Kuhn, 1969</xref>). Christiansen havia feito um estudo completo
                    do trabalho de Rydberg. Bohr era um estudioso atento aos trabalhos de sua época,
                    além de a fórmula já ter sido publicada à época há quase trinta anos (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B1">Aaserud; Heilbron, 2013</xref>). Em todo o caso,
                    “[...] é possível olhar sem nada ver, por exemplo, quando se está absorto em
                    pensamentos que distanciam o indivíduo do seu entorno” (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B32">Peduzzi; Raicik, 2020, p. 25</xref>). Por isso, também, a
                    importância da imersão do estudioso, seus pressupostos teóricos, ao se deparar
                    com algo, como o encontro de Bohr com os espectros quando da leitura do livro de
                    Stark, naquele momento em particular, em que sua mente já está tomada de
                    concepções e seu ‘olhar’ com a temática já não é o mesmo. “Via de regra, o acaso
                    beneficia os pesquisadores que estão imersos em determinada investigação” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B32">Peduzzi; Raicik, 2020, p. 40</xref>).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Menções de Bohr às concepções nicholsonianas na trilogia</title>
                <p>Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B1">Aaserud e Heilbron (2013, p. 177</xref>,
                    tradução nossa), e fazendo menção à influência nicholsoniana sobre Bohr e sua
                    trilogia, “[...] as maneiras pelas quais os muitos tipos de ‘verdade’ são
                    descobertos podem ser tão notáveis quanto as próprias ‘verdades’”. Isso, pois,
                    quando se analisa historicamente a construção da trilogia bohriana, não
                    dicotomizando contexto da descoberta e da justificativa, vê-se que o caminho
                    percorrido é tão rico quanto a repercussão de suas publicações.</p>
                <p>Em 6 de março de 1913, Bohr encaminha a Rutherford um rascunho inicial da parte I
                    da trilogia. Em resposta, <xref ref-type="bibr" rid="B40">Rutherford (1981, p.
                        583</xref>, tradução nossa) sugere que ele diminua consideravelmente o
                    texto, a fim de publicá-lo; “[...] ficarei muito satisfeito em ver seus
                    documentos posteriores, mas, por favor, leve a sério meu conselho e tente
                    torná-los o mais curto possível, consistente com a clareza”. Não obstante, antes
                    mesmo de receber esse retorno, Bohr já havia encaminhado uma nova versão com
                    acréscimos que, inclusive, evidenciam a sua preocupação em clarear as ideias ali
                    contidas; apresentando, por exemplo, mais alternativas de entendimento à luz de
                    considerações acerca da teoria de Nicholson.</p>
                <p>Para defender a necessária extensão de seu trabalho, Bohr viaja para Manchester,
                    disposto a conversar pessoalmente com Rutherford. Na parte IV da entrevista, ele
                    comenta: “[...] <italic>ficou claro que eu realmente me comportei muito
                        mal</italic> [...] <italic>pensei que deveria ir vê-lo e brigar com ele, ou
                        tentar lutar com ele</italic> [no sentido argumentativo, é claro] [...]
                        <italic>Eu sei que mais tarde ele disse que nunca pensou que eu pudesse ser
                        tão persistente – ou teimoso</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr,
                        1962</xref>, tradução nossa). Ao ser questionado por Kuhn, se depois dessa
                    conversa algo mudou na versão da parte I da trilogia, ele enfatiza:
                        “<italic>Não, nenhuma revisão no significado, exceto por algumas frases, e
                        assim por diante</italic>. <italic>Ele</italic> [Rutherford] <italic>apenas
                        sentiu que era uma visão definitiva (que eu queria publicá-la)</italic>”
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução nossa).</p>
                <p>“Quanto menos alternativas, menor a ambiguidade, maior a clareza e, como Bohr
                    gostava de dizer, menor a verdade” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aaserud;
                        Heilbron, 2013, p. 178</xref>, tradução nossa). Mas será mesmo? O que Bohr
                    tentou fazer na trilogia foi, justamente, apresentar mais alternativas, clarear
                    as suas ideias. Entretanto, o relembrar de Bohr sobre o episódio, na entrevista,
                    evidencia uma profunda lamentação pelos acréscimos feitos:</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p><italic>Eu pensei que poderia haver algo nele</italic> [Nicholson],
                            <italic>embora eu não saiba o que eu pensei. E isso não tem, portanto,
                            nada a ver com o trabalho propriamente dito. O trabalho teria sido mais
                            simples se eu tivesse apenas escrito sobre as coisas que eu mesmo tinha.
                            Mas eu não fiz, você vê</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr,
                            1962</xref>, tradução nossa).</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>Em síntese, a parte I da trilogia apresenta duas perspectivas incompatíveis para
                    a emissão espectral; uma em que Bohr envolve um modelo para reconciliar seus
                    resultados com os de Nicholson; outra, que é uma de suas contribuições mais
                    fundamentais para a teoria quântica (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Raicik,
                        2023b</xref>). Conforme ele relembra, “<italic>quando meu primeiro artigo
                        foi publicado, ele foi contestado em Göttingen</italic> [...] <italic>houve
                        até um consenso geral de que era uma coisa muito triste que a literatura
                        sobre os espectros fosse contaminada por um artigo desse tipo</italic>”
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução nossa). Isso
                    pode ter ocorrido, sobretudo, pelo fato de os estudiosos em Gottingen não terem
                    lido o trabalho até o final. Quando eles chegaram na parte em que Bohr apresenta
                    uma suposição de que durante a ligação do elétron é emitida uma radiação
                    homogênea de frequência igual à metade da frequência de revolução do elétron em
                    sua órbita final, “<italic>as pessoas provavelmente pararam de ler</italic>” o
                    trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr, 1962</xref>, tradução nossa).
                    Acontece que depois Bohr abandona essa suposição, admitindo sistemas em que a
                    frequência é função da energia; emite-se um quantum e a frequência fica alterada
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Bohr, 1981b</xref>).</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p><italic>Eles não leram mais do que a primeira página onde eu digo, ‘vamos
                            mais tarde ver como realmente é’. Essa</italic> [a outra perspectiva]
                            <italic>é a forma que pode ser conectada diretamente com o argumento da
                            correspondência</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr,
                            1962</xref>, tradução nossa).</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>Conforme Bohr salienta, portanto, houve um mal-entendido. Tudo ocorreu muito
                    rapidamente, desde sua aproximação com os estudos de Nicholson, à publicação da
                    trilogia e à aceitação de suas ideias pós-trilogia. Com efeito, “[...] a geração
                    de um novo conhecimento, a solução de um problema, é o resultado de um processo
                    de investigação cercado de muitas variáveis, que nada tem de linear e trivial. A
                    sua publicidade e avaliação pela comunidade é o que, via de regra, confere
                    legitimidade e impulsiona o desenvolvimento da ciência” (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B32">Peduzzi; Raicik, 2020, p. 33</xref>).</p>
                <p>Não obstante a isso, respostas positivas à trilogia, como um todo, foram
                    expressivas, para além da receptividade de Rutherford. George Hevesy, em carta a
                    Bohr, em agosto de 1913, a título de exemplo, enfatiza que</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p>Embora muito interessado em seus artigos, não tive oportunidade [...] de
                        estudá-los minuciosamente [anteriormente]. Infelizmente, sou uma pessoa
                        nervosa e não tenho paciência e energia suficientes para ler um artigo
                        teórico enquanto faço experimentos. A única chance para mim, de fazer isso,
                        é ir embora, para algum lugar tranquilo e depois de descansar sentar na
                        praia ou em um belo jardim e começar a ler e pensar. É o que eu estava
                        fazendo agora e devo dizer que seus escritos foram uma grande fonte de
                        prazer para mim (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Hevesy, 1981, p.
                        531</xref>, tradução nossa).</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>Henry Moseley (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Moseley, 1981, p. 545</xref>,
                    tradução nossa) chega a dizer, em novembro daquele ano, também dirigindo uma
                    carta a Bohr, que sua teoria “está tendo um efeito esplêndido na Física, e
                    acredito que quando realmente soubermos o que é um átomo, como devemos dentro de
                    alguns anos, sua teoria, mesmo que errada em detalhes, merecerá muito o
                    crédito”. Ao ir para Gottingen para proferir uma palestra sobre espectros, em
                    1914, ele relembra que a recepção já foi completamente diferente, “<italic>fui
                        recebido com muita graça</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr,
                        1962</xref>, tradução nossa). Conforme destaca o físico e historiador da
                    ciência Abraham Pais, Thomson teve uma reação incomum ao, simplesmente, não
                    mencionar a teoria quântica em palestras sobre a estrutura da matéria, tanto em
                    1914 quanto em 1923. “Somente em 1936, aos oitenta anos, ele escreveu sobre os
                    artigos de Bohr de 1913: ‘Eles em alguns departamentos de espectroscopia
                    transformaram o caos em ordem e... foram, penso eu, as contribuições mais
                    valiosas que a teoria quântica já fez à ciência física’” (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B27">Pais, 1991, p. 153</xref>, tradução nossa).</p>
                <p>Os caminhos de aceitação de conhecimentos na ciência são complexos e
                    diversificados. Há pressupostos e valores na receptividade e acolhimento na
                    publicação de trabalhos. Não obstante, a influência nicholsoniana sobre Bohr é
                    notória e quando devidamente contextualizada auxilia na compreensão dos caminhos
                    percorridos por ele no desenvolvimento de sua trilogia. Apesar de menções aos
                    estudos nicholsonianos terem, no relembrar de Bohr, dificultado a receptividade
                    da parte I da trilogia, no âmbito de uma ciência dinâmica, em que não apenas
                    produtos, mas processos são relevantes ao entendimento da construção de
                    conhecimentos, essa influência precisa ser devidamente valorizada.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
            <p>O resgate de trechos da entrevista realizada com <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bohr
                    em 1962</xref>, ainda que, para o âmbito do presente artigo, tenha se
                restringido às lembranças dele relativas à parte I de sua trilogia, em particular,
                vislumbra que “[...] a história oral prospera quando ultrapassa o modelo de simples
                coleção de histórias pessoais e se transforma em diálogo sobre o passado,
                estimulando novas interpretações históricas” (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Smith,
                    2010, p. 27</xref>). As reminiscências de Bohr, junto a um conhecimento
                histórico daquele momento, a partir de interlocuções com outras fontes (primárias e
                secundárias), evidencia que “cada entrevista pode ser um convite a uma cadeia de
                diálogos” (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Smith, 2010, p. 27</xref>). Neste caso,
                em especial, ela permitiu, além de menções a quadros conceituais do modelo atômico
                bohriano, que se explorasse distintos aspectos relativos à Natureza da Ciência que
                perpassaram o seu relato.</p>
            <p>“A história oral pode democratizar o entendimento do passado”, pois permite imaginar
                uma experiência pessoal “como algo que existe para ser compartilhado, como algo que
                poderia ser útil para uma comunidade de investigação mais ampla” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B44">Smith, 2010, p. 27</xref>) e, no âmbito do ensino de
                ciências, isso pode ser extremamente rico para trazer à tona discussões relativas à
                HFC e aspectos sobre a ciência.</p>
            <p>As asserções que subsidiaram o vínculo entre trechos da entrevista e determinados
                aspectos relativos à NdC, e a maneira como elas são enunciadas e comentadas permite,
                como os próprios autores colocam “[...] o seu vínculo e contraste com uma ampla gama
                de produções históricas no horizonte da ciência em geral” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B32">Peduzzi; Raicik, 2020, p. 46</xref>). Como já ponderava <xref
                    ref-type="bibr" rid="B26">Moura (2014, p. 44)</xref> ao apresentar uma revisão
                do tema,</p>
            <p>
				<disp-quote>
                <p>É preciso um esforço de tornar a incorporação da natureza da Ciência como um
                    projeto amplo e articulado tanto na formação de professores – que precisam ter
                    uma visão mais adequada de Ciência – quanto de alunos, cujas concepções
                    distorcidas e simplistas precisam ser trabalhadas, problematizadas e
                    superadas.</p>
            </disp-quote>
			</p>
            <p>A bela e instigante entrevista com Bohr, sobre o desenvolvimento de parte de seu
                modelo atômico, sua imersão na ciência, nuances de aspectos afetivos que estabeleceu
                com Thomson e Rutherford, felizes momentos casuais que perpassaram sua trajetória,
                motivações e paixões que teve pelo conhecimento, a relevância de outros estudos para
                o desenvolvimento e estabelecimento de novas construções teóricas no seu modelo, o
                processo dinâmico da ciência vivenciado, a relação que se estabelece entre teoria e
                experimentação, que se opõe a visões empírico-indutivistas etc, certamente
                permitiram (ao longo do artigo) a construção de um arcabouço reflexivo com grande
                potencial de contribuição para o ensino de ciências.</p>
            <p>Não obstante, a importância de Bohr para a história e desenvolvimento da mecânica
                quântica e da ciência em geral, torna-se singular não apenas por suas contribuições
                conceituais e epistemológicas, que transcendem o seu modelo, como o princípio da
                complementaridade – pedra angular da interpretação de Copenhague, mas também pelo
                Instituto de Física Teórica da Universidade de Copenhague que fundou em 1921. O
                instituto, quatro décadas depois, foi oficialmente renomeado como era conhecido
                popularmente, o <italic>Niels Bohr Institute</italic> (<bold><xref ref-type="fig"
                        rid="F1">figura 1</xref></bold>).</p>
            <p><fig id="F1">
                    <label>Figura 1</label>
                    <caption>
                        <title>Bohr iniciando a expansão do Instituto em uma foto simbólica datada
                            de 1935-1936</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24020-gf01.png"/>
                    <attrib>Fonte: <ext-link ext-link-type="uri"
                            xlink:href="https://arkiv.dk/en/vis/5932026"
                            >https://arkiv.dk/en/vis/5932026</ext-link>.</attrib>
                </fig></p>
            <p>
				<disp-quote>
                <p>Sob a liderança de Bohr, o Instituto forneceu o principal centro para o
                    surgimento da mecânica quântica e uma nova compreensão da natureza em nível
                    atômico. Mais de sessenta físicos de 17 países vieram colaborar com os físicos
                    dinamarqueses do Instituto durante sua primeira década. O Instituto Bohr foi o
                    primeiro centro verdadeiramente internacional em física e, de fato, um dos
                    primeiros em qualquer área da ciência. Ele forneceu uma demonstração
                    impressionante do valor da cooperação internacional em ciência e inspirou os
                    posteriores desenvolvimentos de centros semelhantes em outras partes da Europa e
                    nos Estados Unidos (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Robertson, 2015, p.
                        481</xref>, tradução nossa).</p>
            </disp-quote>
			</p>
            <p>Devido ao centenário do Instituto, completado em 2021, e do centenário do Prêmio
                Nobel de Física concedido a Bohr em 1922 – por sua investigação acerca da estrutura
                dos átomos e sua radiação –, diversas foram as celebrações que ocorreram em 2022, no
                âmbito acadêmico e científico, no sentido de comemorar esses dois acontecimentos. As
                celebrações visaram “[...] prestar homenagem à vida, obra e legado de Niels Bohr,
                [...] aumentar a conscientização pública sobre as contribuições da física para a
                nossa sociedade, seu papel para enfrentar os desafios do futuro” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B3">Bergé, 2022</xref>, tradução nossa).</p>
            <p>Este artigo, com a análise e a retomada da entrevista cedida por Bohr, caminha também
                no sentido de, mais uma vez, trazer à tona e valorizar um dos estudiosos mais
                importantes dos últimos tempos.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <ack>
            <title>Agradecimentos</title>
            <p>O presente trabalho foi realizado com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento
                Científico e Tecnológico (CNPq) – Brasil; CNPq/MCTI Nº 10/2023 – Universal.</p>
        </ack>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
                <label>2</label>
                <p>Tradução nossa: <italic>Estudos sobre a teoria eletrônica dos
                    metais</italic>.,</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn3">
                <label>3</label>
                <p>O áudio da entrevista, neste momento, não pôde ser transcrito.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>Referências</title>
            <ref id="B1">
                <mixed-citation>AASERUD, F; HEILBRON, J. L. (org.). <italic>Love, literature, and
                        the quantum atom</italic>: Niels Bohr’s 1913 trilogy revisited. Oxford:
                    Oxford University Press, 2013.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="compiler">
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                            <surname>AASERUD</surname>
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                        </name>
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                        1913 trilogy revisited</source>
                    <publisher-loc>Oxford</publisher-loc>
                    <publisher-name>Oxford University Press</publisher-name>
                    <year>2013</year>
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                    saberes da NdC e o contexto investigativo antecedente à tradição de pesquisa da
                    ciência moderna. <italic>Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em
                        Ciências</italic>, Belo Horizonte, v. 23, e41682, p. 1-30, 2023. DOI:
                        <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/mvdb"
                        >https://doi.org/mvdb</ext-link>.</mixed-citation>
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