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            <journal-id journal-id-type="publisher-id">ciedu</journal-id>
            <journal-title-group>
                <journal-title>Ciência &amp; Educação (Bauru)</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Ciênc. educ.
                    (Bauru)</abbrev-journal-title>
            </journal-title-group>
            <issn pub-type="ppub">1516-7313</issn>
            <issn pub-type="epub">1980-850X</issn>
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                <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, Universidade
                    Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências, campus de
                    Bauru.</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="publisher-id">00022</article-id>
            <article-id pub-id-type="doi">10.1590/1516-731320240022</article-id>
            <article-categories>
                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>ARTIGO ORIGINAL</subject>
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                <article-title>Alfabetização científica: o papel dos conhecimentos específicos nas
                    Ciências da Natureza</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>Scientific literacy: the role of specific knowledge in the Natural
                        Sciences</trans-title>
                </trans-title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-0107-682X</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>Travitzki</surname>
                        <given-names>Rodrigo</given-names>
                    </name>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff1">1</xref>
                </contrib>
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            <aff id="aff1">
                <label>1</label>
                <institution content-type="normalized">Universidade Estadual de Campinas
                    (Unicamp)</institution>
                    <institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Campinas
                    (Unicamp)</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Educação</institution>
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                    <named-content content-type="city">Campinas</named-content>
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                <country country="BR">Brasil</country>
                <institution content-type="original">Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),
                    Faculdade de Educação, Campinas, SP, Brasil</institution>
                <email>r.travitzki@gmail.com</email></aff>
            <author-notes>
                <corresp id="c1">Contato: <email>r.travitzki@gmail.com</email></corresp>
            </author-notes>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
                        reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
                        seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Exploramos as relações entre conhecimentos gerais e específicos no ensino de
                    ciências, tendo como referência o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Foram
                    analisados 1.050 itens de seis edições, utilizando técnicas de Processamento de
                    Linguagem Natural (PLN) e informações de outros estudos. Segundo os indicadores
                    utilizados, as provas de Ciências da Natureza do ENEM apresentaram, dentre
                    todas, maior importância dos conhecimentos específicos. Isso não significa que
                    conhecimentos específicos sejam sempre necessários na alfabetização científica,
                    nem que sejam suficientes. Para ajudar a lidar com esse tênue equilíbrio entre a
                    importância e a irrelevância de conhecimentos científicos específicos, o artigo
                    articula alguns princípios encontrados na literatura. Além disso, alguns
                    resultados também foram úteis como evidência de validade de conteúdo do ENEM,
                    confirmando, especialmente, a qualidade das provas de Matemática, e Linguagens e
                    Códigos.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This article examines the relationship between general and specific knowledge in
                    science education by using the Brazilian National Secondary School Examination,
                    or ENEM. We used natural language processing techniques as well as information
                    from other studies to analyze 1,050 questions from six editions of the exam. The
                    findings suggest that specific knowledge is more important in natural science
                    testing. However, this does not imply that specific knowledge is always required
                    for scientific literacy or that it suffices. To address the delicate balance
                    between the importance and irrelevance of specific scientific knowledge, the
                    article outlines some principles from existing literature. Furthermore, the
                    study provides evidence of ENEM's content validity, particularly in terms of
                    confirming the accuracy of the mathematics and language tests.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Ensino de ciências</kwd>
                <kwd>Avaliação de conhecimentos</kwd>
                <kwd>ENEM</kwd>
                <kwd>Alfabetização científica</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Science teaching</kwd>
                <kwd>Knowledge evaluation</kwd>
                <kwd>ENEM</kwd>
                <kwd>Scientific literacy</kwd>
            </kwd-group>
        <counts>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>O objetivo da alfabetização científica na Educação Básica é contribuir para a
                formação de todos os cidadãos, não apenas aqueles que futuramente talvez se tornem
                cientistas (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Deboer, 2000</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B26">Sasseron; Carvalho, 2011</xref>). Nesse sentido, cabe
                perguntar por que estudamos tantos conteúdos específicos nas aulas de ciências, como
                mitocôndrias e prótons, tão distantes do dia a dia da maioria das pessoas.
                Evidentemente, a cultura escolar não deve se restringir a um suposto
                    <italic>cotidiano médio</italic>, devendo inclusive ampliar os horizontes da
                experiência individual e coletiva. Mas o limite entre o enriquecimento cultural do
                aluno e o chamado <italic>conteudismo</italic> é tênue.</p>
            <p>No ensino de ciências talvez haja uma ênfase demasiada nos conteúdos específicos em
                detrimento de competências gerais (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Niaz,
                1994</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Norris; Phillips, 2003</xref>). Por
                outro lado, a alfabetização científica requer mais conhecimentos específicos do que
                a alfabetização em leitura, por exemplo (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OECD,
                    2019</xref>). Diversos estudos apontam a interdependência entre habilidades
                gerais de investigação científica e conhecimentos específicos de cada domínio da
                ciência (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Chen; Klahr, 1999</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B7">Eberbach; Crowley, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr"
                    rid="B15">Klemm <italic>et al</italic>., 2020</xref>; <xref ref-type="bibr"
                    rid="B16">Kohlhauf; Rutke; Neuhaus, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20"
                    >Niaz, 1994</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Zimmerman, 2007</xref>). Há
                todo um debate sobre a importância de conhecimentos científicos específicos e suas
                relações com habilidades e conhecimentos gerais. Carecem, contudo, estudos sobre
                este tema tratando da realidade brasileira.</p>
            <p>Este trabalho busca contribuir nesse sentido, analisando as provas do Exame Nacional
                do Ensino Médio (ENEM) com técnicas de <italic>Processamento de Linguagem
                    Natural</italic> (PLN). A revisão da literatura se inicia com o conceito de
                alfabetização científica, em seguida se aprofunda no debate sobre conhecimentos
                gerais e específicos, pouco difundido na língua portuguesa. Na Discussão, são
                identificadas algumas evidências de validade de conteúdo do ENEM, um dos cinco tipos
                de validade (<xref ref-type="bibr" rid="B31">The standards [...], 2014</xref>) pouco
                praticado no Brasil. De forma geral, buscamos responder a três perguntas.</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>O que diz a literatura sobre o papel dos conhecimentos específicos na
                        alfabetização científica?</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>No ENEM, a prova de Ciências da Natureza requer mais conhecimentos
                        específicos do que as outras?</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>O conteúdo dos itens do ENEM é coerente com os construtos esperados em cada
                        prova?</p>
                </list-item>
            </list>
        </sec>
        <sec>
            <title>O que é alfabetização científica?</title>
            <p>O termo foi cunhado por Paul Hurd (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Hurd,
                1958</xref>), referindo-se ao ensino de ciências na escola. O termo original em
                inglês <italic>literacy</italic> tem sido traduzido para o português ora como
                    <italic>alfabetização</italic>, ora como <italic>letramento</italic>, não
                havendo uma distinção de significado entre ambos (<xref ref-type="bibr" rid="B32"
                    >Teixeira, 2013</xref>). Nos dois casos, trata-se de uma perspectiva amplamente
                difundida sobre o ensino de ciências na educação básica. Nessa perspectiva, o ensino
                de ciências não deve ter como objetivo principal a formação de futuros cientistas,
                mas sim a formação de todos como pessoas capazes de utilizar habilidades e
                conhecimentos científicos no seu dia a dia, seja na profissão, na vida privada ou na
                vida pública (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Feinstein, 2011</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B23">OECD, 2019</xref>).</p>
            <p>Tal perspectiva delimita o terreno, mas nem por isso é consensual ou isenta de
                debates, muito pelo contrário. Há diferentes formas de se definir alfabetização
                científica, algumas mais detalhadas e outras mais genéricas. Para <xref
                    ref-type="bibr" rid="B6">Deboer (2000)</xref>, as políticas públicas de educação
                devem pautar-se em definições mais genéricas e flexíveis, que permitam aos
                professores adaptar os objetivos gerais ao seu contexto específico. A seguir
                listamos algumas definições de alfabetização científica sistematizadas por <xref
                    ref-type="bibr" rid="B21">Norris e Phillips (2003)</xref>.</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>a. Conhecimento do conteúdo científico e capacidade de distinguir ciência de
                        não ciência;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>b. Compreender a ciência e suas aplicações;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>c. Compreender a natureza da ciência, incluindo suas relações com a
                        cultura;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>d. Capacidade de pensar cientificamente;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>e. Capacidade de usar o conhecimento científico na resolução de
                        problemas;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>f. Conhecimento necessário para a participação inteligente em questões
                        sociais baseadas na ciência;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>g. Capacidade de pensar criticamente sobre a ciência e de lidar com
                        conhecimentos científicos;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>h. Conhecimento dos riscos e benefícios da ciência;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>i. Independência no aprendizado de ciências.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B26">Sasseron e Carvalho (2011)</xref>, a
                alfabetização científica deve incluir três eixos principais:</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>compreensão básica de termos, conhecimentos e conceitos científicos
                        fundamentais;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>compreensão da natureza das ciências e dos fatores éticos e políticos que
                        circundam sua prática;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>entendimento das relações existentes entre ciência, tecnologia, sociedade e
                        meio ambiente.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Nota-se nessas definições a importância de conhecimentos específicos da ciência,
                reforçando a ideia de que ser alfabetizado nas ciências não é apenas uma questão de
                desenvolver competências gerais, como seria o caso da alfabetização na linguagem
                verbal. No exame internacional do Programme for International Student Assessment
                (PISA), por exemplo, a alfabetização em leitura é definida a partir de três
                habilidades gerais (não entrando aqui no mérito da diferenciação entre habilidade e
                competência). Já a alfabetização científica inclui não apenas habilidades, mas
                também conhecimentos específicos, sendo que a maior parte dos itens (54 a 66%)
                avalia conhecimentos de conteúdos, enquanto os outros itens avaliam conhecimentos
                procedimentais e epistêmicos (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OECD, 2019</xref>). A
                seleção dos conteúdos de alfabetização científica a serem avaliados pelo PISA é
                feita segundo três critérios. Os conteúdos devem:</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>ser relevantes em situações da vida cotidiana;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>representar conceitos e teorias científicas importantes e com utilidade
                        duradoura;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>ser apropriados para o nível de desenvolvimento esperado aos 15 anos de
                        idade.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Essa diferenciação entre alfabetização em leitura e alfabetização científica também
                aparece, de certa forma, dentro do próprio campo do ensino de ciências. <xref
                    ref-type="bibr" rid="B21">Norris e Phillips (2003)</xref> definem dois sentidos
                diferentes que comporiam este campo. Um <italic>sentido fundamental –</italic> que
                se refere à capacidade de ler e escrever textos científicos e de fazer relações
                entre elementos do texto –, e um <italic>sentido derivado</italic> – que se refere
                ao conhecimento de conceitos específicos das ciências. Os autores consideram que há
                demasiado foco no sentido derivado e pouco foco no sentido fundamental, sem o qual o
                derivado é de pouca utilidade aos cidadãos.</p>
            <p>Ao destacar a importância de conteúdos específicos na alfabetização científica, não
                estamos defendendo a chamada educação <italic>conteudista</italic> ou
                    <italic>bancária</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Freire, 1970</xref>)
                nem desmerecendo a importância de habilidades gerais. Estamos apenas ressaltando uma
                particularidade da alfabetização científica em relação à alfabetização em leitura, a
                saber, uma maior necessidade de conhecimentos específicos, que não estão amplamente
                difundidos na cultura de uma sociedade.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Conhecimentos gerais e específicos no ensino de ciências</title>
            <p>Segundo a teoria das habilidades cognitivas Cattell-Horn-Carroll (CHC), o que
                chamamos de inteligência apresenta diferentes aspectos interconectados (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B28">Schneider; Mcgrew, 2018</xref>). De suma importância é
                a relação entre inteligência fluida – a grosso modo, a capacidade de resolver
                problemas novos, relacionada à indução e dedução – e a inteligência cristalizada –
                os conhecimentos que vão sendo adquiridos pelo indivíduo com o uso contínuo da
                inteligência fluida. A relação entre ambas pode ser compreendida na metáfora dos
                recifes de coral (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Cattell; Butcher, 1968</xref>). O
                recife de coral é o resultado de muitas gerações de animais minúsculos, cada um
                deles com uma parte viva – que se alimenta e se reproduz – e um esqueleto externo,
                criado por essa parte viva para proteger-se. Quando o animal morre, seu esqueleto
                permanece e, sobre ele, cresce uma nova geração de animais. Assim, o coral vai
                crescendo em diversas direções, resultando nas imensas estruturas que vemos hoje. Em
                suma, a parte viva do coral cria a estrutura não viva, que por sua vez vai crescendo
                e possibilitando mais espaço para o desenvolvimento de novos organismos vivos. Da
                mesma forma ocorreria com a inteligência fluida (análoga à parte viva do coral) e a
                inteligência cristalizada (análoga à parte não viva).</p>
            <p>A inteligência cristalizada – conhecimentos acumulados na memória de longo prazo –
                pode ser compartilhada pela maioria dos indivíduos de uma sociedade, sendo nesse
                caso considerada como um conjunto de conhecimentos gerais, normalmente úteis para o
                modo de vida dessa sociedade. Mas também há conhecimentos úteis apenas para
                determinados tipos de problemas, que são cristalizados apenas na mente das pessoas
                que lidam com tais problemas, como profissionais e especialistas. A teoria CHC, como
                outras, distingue esses dois tipos de conhecimento: conhecimentos gerais, ou
                    <italic>domínio-geral</italic> – diretamente ligado à capacidade de compreensão
                dos discursos comuns na sociedade –, e conhecimentos
                    <italic>domínio-específicos,</italic> que variam conforme a área, como biologia,
                física, história, etc. Para <xref ref-type="bibr" rid="B34">Tricot (2018)</xref>, o
                conhecimento científico, bastante recente na história da humanidade, é considerado
                domínio-específico. Ele não é compartilhado pela maioria das pessoas de uma
                sociedade. Assim sendo, a alfabetização científica torna-se um grande desafio, pois
                tem o objetivo de ensinar saberes científicos a toda a população, não apenas aos
                futuros cientistas. Já a alfabetização em leitura requer apenas conhecimentos do
                tipo domínio-geral, sendo assim mais facilmente aplicada na educação básica –
                voltada para todos – embora também apresente seus desafios.</p>
            <p>Tendo delimitado um panorama geral, podemos agora tratar do tema dentro campo
                científico. Sabemos que cada domínio da ciência possui seu próprio corpo de
                conteúdos, habilidades e procedimentos. Também sabemos que há saberes utilizados em
                mais do que um domínio científico. As leis de Newton são conhecimentos específicos
                da física, mas o controle experimental de variáveis é um procedimento utilizado em
                diferentes domínios da ciência. Contudo, ainda não está claro se existe um corpo
                coerente e minimamente consensual de saberes comuns a todos os domínios científicos.
                A despeito do chamado método científico (descrito a grosso modo como observação,
                formulação e teste de hipóteses), as evidências não são claras. Em termos de
                avaliação, por exemplo, estudos relatam grande dificuldade em gerar instrumentos
                psicometricamente válidos para avaliar o raciocínio ou atitude científica de forma
                geral, especialmente nos testes em larga escala (<xref ref-type="bibr" rid="B2"
                    >Blalock <italic>et al</italic>., 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19"
                    >Maia; Justi, 2008</xref>). De todo modo, mesmo que não haja um construto bem
                definido que englobe conhecimentos científicos gerais, podemos partir do pressuposto
                de que há conhecimentos científicos compartilhados em diversos domínios da ciência.
                Nesse sentido, cabe investigar o papel dos conhecimentos científicos gerais e dos
                conhecimentos científicos domínio-específicos.</p>
            <p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B5">Chinn e Duncan (2018)</xref>, o raciocínio
                científico geral (mesmo que exista) por si só não proporciona às pessoas a
                capacidade de realizar com sucesso julgamentos sobre problemas reais. É necessário
                que haja também conhecimentos domínio-específico. De fato, diversos estudos
                evidenciam a complementariedade destes dois tipos de saber. Um estudo com alunos de
                diferentes idades mostrou que a capacidade de investigação científica depende
                fortemente de conhecimentos prévios, específicos do domínio, embora não
                necessariamente do interesse pelo domínio (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Kohlhauf;
                    Rutke; Neuhaus, 2011</xref>). Outro estudo sobre ensino de biologia comparou a
                importância do raciocínio científico e de conhecimentos específicos na capacidade de
                investigação científica dos alunos (observação, formulação e teste de hipóteses,
                interpretação dos resultados). Os resultados mostraram que ambos os tipos de saber –
                geral e específico – contribuem para o desenvolvimento desta capacidade nos alunos
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Klemm <italic>et al</italic>., 2020</xref>). O
                mesmo pode ser dito a respeito do raciocínio crítico, para o qual conhecimentos
                específicos são necessários, embora não suficientes (<xref ref-type="bibr" rid="B17"
                    >Lai, 2011</xref>).</p>
            <p>Em que sentido tais reflexões podem ser úteis para o ensino de ciências na escola?
                Como articular conhecimentos científicos gerais e específicos na educação básica?
                    <xref ref-type="bibr" rid="B27">Schauble (2018)</xref> propõe que se adote uma
                estratégia 'de baixo para cima' (<italic>bottom-up</italic>), ao menos nos estágios
                iniciais da escola. Ou seja, que os alunos construam os conhecimentos científicos
                gerais a partir de conhecimentos científicos específicos de diversos domínios.
                Afinal, é necessário que haja um substrato a partir do qual se possa compreender os
                conceitos gerais que fundamentam o raciocínio científico. De pouco adianta saber que
                existe algo chamado controle experimental, se tal conhecimento não estiver ancorado
                em diferentes exemplos concretos de controle experimental e em diferentes contextos
                da ciência. Uma tese de doutorado analisou relações entre conhecimentos científicos
                gerais e específicos, focando no conhecimento (geral) sobre desenho experimental e
                controle de variáveis e na capacidade de mobilizar este conhecimento (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B8">Edelsbrunner, 2017</xref>). A tese mostra que o ensino
                não explícito deste saber em diversos contextos domínio-específicos contribui
                significativamente para o seu aprendizado. O mesmo parece ocorrer quando se trabalha
                explicitamente os conhecimentos científicos gerais em casos particulares. Um estudo
                mostra que a aprendizagem de princípios gerais, no caso, o controle de variáveis, é
                mais eficaz quando é trabalhada de maneira explícita e dentro de cada domínio,
                sugerindo que as atividades domínio-específicas proporcionam maior capacidade de
                entendimento e transferência desse princípio geral em diferentes situações (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B4">Chen; Klahr, 1999</xref>). Em suma, os princípios
                gerais do raciocínio científico são ensinados com maior eficácia quando atrelados a
                conhecimentos e situações específicas de cada domínio da ciência, seja de forma
                explícita ou implícita. Cabe ressaltar que, mesmo quando presentes de forma
                implícita para os alunos, os conhecimentos gerais precisam ser claros para o
                professor enquanto faz o seu planejamento.</p>
            <p>A importância de conhecimentos específicos para a alfabetização científica não
                significa a defesa de uma educação <italic>conteudista</italic> ou
                    <italic>bancária</italic>, em que o papel do professor se resume a depositar a
                maior quantidade possível de informações na mente dos alunos (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B11">Freire, 1970</xref>). Evidentemente existe certa necessidade de se
                aprender novas ideias e palavras, mas isso deve ser feito de forma planejada e
                gradual. A importância dos conhecimentos específicos talvez seja melhor compreendida
                à luz da Teoria da Mudança Conceitual (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Posner
                        <italic>et al</italic>., 1982</xref>). Segundo essa teoria, bastante
                difundida no ensino de ciências, há diversos conceitos presentes no senso comum que
                são compreendidos de forma inadequada, sendo, portanto, necessário que as aulas de
                ciências promovam uma mudança nesses conceitos, de forma similar ao que ocorre na
                própria história da ciência em uma perspectiva Kuhniana. Além disso, as evidências
                indicam que uma aprendizagem mais efetiva pode ser alcançada iniciando-se com
                atividades e problemas mais próximos do imaginário dos alunos e, só a partir do
                resultado das atividades, trazer o conceito como forma de organizar e sistematizar
                os saberes adquiridos naquela situação específica (<xref ref-type="bibr" rid="B12"
                    >Gellon <italic>et al</italic>., 2018</xref>). Ou seja, o conceito por si só não
                faz muito sentido, a não ser como solução a um problema que foi trabalhado
                anteriormente.</p>
            <p>A <xref ref-type="fig" rid="F1">figura 1</xref> sintetiza parte das ideias aqui
                reunidas sobre conhecimentos gerais e específicos no ensino de ciências. Buscamos
                representar, da esquerda para a direita, o caminho mais eficaz para a aprendizagem,
                embora esse tipo de generalização na educação seja mais útil como guia para um
                planejamento intencional do que como receita a ser seguida.</p>
            <p><fig id="F1">
                    <label>Figura 1</label>
                    <caption>
                        <title>um guia para o ensino de conhecimentos científicos gerais e
                            específicos</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24022-gf01.png"/>
                    <attrib><underline>Legenda:</underline> os conceitos científicos específicos são
                        construídos a partir de conhecimentos gerais que o aluno já possui, conforme
                        a Teoria da Mudança Conceitual (<bold><italic>seta 1</italic></bold>). Esses
                        conhecimentos científicos específicos são trabalhados de forma articulada
                        aos conhecimentos científicos gerais, explícitos ou implícitos, consolidando
                        e aprimorando o raciocínio científico em diferentes contextos e situações
                                (<bold><italic>seta 2</italic></bold>). Com o tempo, os
                        conhecimentos científicos gerais vão contribuindo, cada vez mais, para a
                        (re)construção de conhecimentos (<bold><italic>setas
                            pontilhadas</italic></bold>).</attrib>
                    <attrib>Fonte: elaborada pelo autor.</attrib>
                </fig></p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>Métodos</title>
            <p>Foi realizada análise textual dos itens do ENEM com técnicas de Processamento de
                Linguagem Natural (PNL). Para tanto, foi utilizado o software livre R (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B25">R Core Team, 2022</xref>) e o pacote
                    <italic>quanteda</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Benoit <italic>et
                        al</italic>., 2018</xref>). Para cada item foram calculadas as seguintes
                métricas:</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>Proporção de palavras incomuns (I e II): percentual de palavras não
                        encontradas no dicionário de palavras frequentes no português do Brasil,
                        segundo os <italic>corpora</italic> de texto I e II;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Número total de caracteres;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Informação (entropia): quantidade de informação fornecida pela mensagem,
                        segundo a Teoria Matemática da Comunicação (<xref ref-type="bibr" rid="B29"
                            >Shannon, 1948</xref>);</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Índice Flesch de Facilidade de Leitura: é maior quando as palavras são
                        menores (em sílabas) e as frases também são menores (<xref ref-type="bibr"
                            rid="B10">Flesch, 1948</xref>).</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>A métrica (1) baseou-se em duas tabelas de frequência de cada palavra, relativas a
                dois corpora de texto: o corpus I proveniente do projeto ReGra (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B22">Nunes <italic>et al</italic>., 1996</xref>) e o corpus
                II proveniente do projeto NILCmetrix (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Leal
                        <italic>et al</italic>., 2024</xref>). Para cada tabela de frequência (uma
                de cada corpus), foram selecionadas, aproximadamente, as 10 mil palavras mais
                frequentes, originando duas listas de palavras frequentes, ou seja, palavras muito
                utilizadas no português do Brasil. Depois disso, para cada item foi calculado o
                percentual de palavras incomuns, isto é, palavras que não estão na lista das 10 mil
                palavras mais frequentes. Com isso, foram produzidas duas métricas para cada item,
                que correspondem aos corpora I e II.</p>
            <p>Além dessas métricas, também foram analisadas as características dos itens,
                fornecidas na base de dados.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Base de dados</title>
            <p>A base de dados descrita em <xref ref-type="bibr" rid="B30">Silveira e Mauá
                    (2017)</xref> inclui todos os itens do ENEM de 2010 a 2015, excluindo apenas os
                itens de espanhol e inglês. São 175 itens por ano, totalizando 1050 itens. Além
                disso, a base também contém algumas características de cada item, segundo a
                sistematização feita pelos autores. A <xref ref-type="table" rid="T1">tabela
                    1</xref> descreve a base utilizada, mostrando a proporção de itens com cada
                característica em cada edição do ENEM. Nota-se que há estabilidade no perfil ao
                longo dos anos, evidenciando o trabalho cuidadoso do Instituto Nacional de Estudos e
                Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) na elaboração do exame. A maioria dos
                itens (48%) requer considerável grau de compreensão textual, enquanto 22% requer
                conhecimentos domínio-específicos. Além disso, 38% dos itens têm uma imagem.</p>
            <table-wrap id="T1">
                <label>Tabela 1</label>
                <caption>
                    <title>Características dos itens e sua proporção em cada ano analisado</title>
                </caption>
                <table frame="hsides" rules="groups">
                    <thead>
                        <tr>
                            <th align="center" valign="middle"/>
                            <th align="center" valign="middle">2010</th>
                            <th align="center" valign="middle">2011</th>
                            <th align="center" valign="middle">2012</th>
                            <th align="center" valign="middle">2013</th>
                            <th align="center" valign="middle">2014</th>
                            <th align="center" valign="middle">2015</th>
                            <th align="center" valign="middle">Total</th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer conhecimento domínio-específico
                                ou inferência complexa</td>
                            <td align="center" valign="middle">24%</td>
                            <td align="center" valign="middle">20%</td>
                            <td align="center" valign="middle">23%</td>
                            <td align="center" valign="middle">24%</td>
                            <td align="center" valign="middle">23%</td>
                            <td align="center" valign="middle">15%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>22%</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer conhecimento não fornecido no
                                enunciado</td>
                            <td align="center" valign="middle">30%</td>
                            <td align="center" valign="middle">35%</td>
                            <td align="center" valign="middle">26%</td>
                            <td align="center" valign="middle">25%</td>
                            <td align="center" valign="middle">32%</td>
                            <td align="center" valign="middle">22%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>28%</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer compreensão da imagem
                                associada</td>
                            <td align="center" valign="middle">33%</td>
                            <td align="center" valign="middle">33%</td>
                            <td align="center" valign="middle">34%</td>
                            <td align="center" valign="middle">38%</td>
                            <td align="center" valign="middle">38%</td>
                            <td align="center" valign="middle">32%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>35%</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer compreensão de equações
                                matemáticas</td>
                            <td align="center" valign="middle">28%</td>
                            <td align="center" valign="middle">26%</td>
                            <td align="center" valign="middle">29%</td>
                            <td align="center" valign="middle">28%</td>
                            <td align="center" valign="middle">27%</td>
                            <td align="center" valign="middle">32%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>28%</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer compreensão textual do
                                enunciado</td>
                            <td align="center" valign="middle">48%</td>
                            <td align="center" valign="middle">44%</td>
                            <td align="center" valign="middle">53%</td>
                            <td align="center" valign="middle">43%</td>
                            <td align="center" valign="middle">50%</td>
                            <td align="center" valign="middle">53%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>48%</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer compreensão de elementos e
                                equações químicas</td>
                            <td align="center" valign="middle">5%</td>
                            <td align="center" valign="middle">3%</td>
                            <td align="center" valign="middle">2%</td>
                            <td align="center" valign="middle">2%</td>
                            <td align="center" valign="middle">3%</td>
                            <td align="center" valign="middle">3%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>3%</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Possui imagem</td>
                            <td align="center" valign="middle">35%</td>
                            <td align="center" valign="middle">38%</td>
                            <td align="center" valign="middle">39%</td>
                            <td align="center" valign="middle">42%</td>
                            <td align="center" valign="middle">40%</td>
                            <td align="center" valign="middle">37%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>38%</bold></td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn id="TFN1">
                        <p>Fonte: elaborada pelo autor a partir de dados consultados do ENEM.</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
        </sec>
        <sec sec-type="results">
            <title>Resultados</title>
            <p>A <xref ref-type="table" rid="T2">tabela 2</xref> mostra algumas diferenças entre as
                provas de cada área do conhecimento. Nota-se que, praticamente, todos os itens que
                requerem conhecimentos domínio-específicos e inferências complexas estão nas provas
                de Ciências da Natureza (CN), correspondendo a 83% dos itens dessa área. Além disso,
                esta é a única área que apresenta itens com todas as características observadas,
                sugerindo considerável heterogeneidade no construto avaliado. Já a área de
                Linguagens e Códigos (LC) apresenta a maioria dos itens (83%) avaliando compreensão
                de texto e relativamente poucos itens (22%) que requerem conhecimento
                enciclopédico.</p>
            <table-wrap id="T2">
                <label>Tabela 2</label>
                <caption>
                    <title>Características dos itens e sua proporção em cada área do
                        conhecimento</title>
                </caption>
                <table frame="hsides" rules="groups">
                    <thead>
                        <tr>
                            <th align="center" valign="middle"/>
                            <th align="center" valign="middle">CH</th>
                            <th align="center" valign="middle">CN</th>
                            <th align="center" valign="middle">LC</th>
                            <th align="center" valign="middle">MT</th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer conhecimento domínio-específico
                                ou inferência complexa</td>
                            <td align="center" valign="middle">0%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>83%</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle">0%</td>
                            <td align="center" valign="middle">1%</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer conhecimento não fornecido no
                                enunciado</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>55%</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>33%</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle">26%</td>
                            <td align="center" valign="middle">0%</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer compreensão de equações
                                matemáticas</td>
                            <td align="center" valign="middle">0%</td>
                            <td align="center" valign="middle">18%</td>
                            <td align="center" valign="middle">0%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>91%</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer compreensão textual do
                                enunciado</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>71%</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>42%</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>83%</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle">1%</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer compreensão de elementos e
                                equações químicas</td>
                            <td align="center" valign="middle">0%</td>
                            <td align="center" valign="middle">11%</td>
                            <td align="center" valign="middle">0%</td>
                            <td align="center" valign="middle">0%</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Requer compreensão da imagem
                                associada</td>
                            <td align="center" valign="middle">15%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>40%</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle">22%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>57%</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Possui imagem</td>
                            <td align="center" valign="middle">20%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>40%</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle">28%</td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>64%</bold></td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn id="TFN2">
                        <p><underline>Legenda:</underline> MT=Matemática; LC=Linguagens e Códigos;
                            CN=Ciências da Natureza; CH=Ciências Humanas.</p>
                    </fn>
                    <fn id="TFN3">
                        <p>Fonte: elaborada pelo autor a partir de dados consultados do ENEM.</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>A <xref ref-type="fig" rid="F2">figura 2</xref> mostra que CN apresenta maior
                proporção de palavras incomuns, corroborando o que se observa na <xref
                    ref-type="table" rid="T2">tabela 2</xref> em relação à necessidade de
                conhecimentos específicos. Cabe notar que o mesmo não se aplica a Ciências Humanas
                (CH), sugerindo uma diferença entre essas duas áreas da ciência. O Teste Tukey
                Honestly Significant Difference (HSD) – que nesse caso compara as provas de duas em
                duas – revela que todas as diferenças apontadas na <xref ref-type="fig" rid="F2"
                    >figura 2A</xref> são significativas (p&lt;0,001), com exceção da diferença
                entre LC e CH. Em relação à <xref ref-type="fig" rid="F2">figura 2B</xref>, todas as
                diferenças são significativas (p&lt;0,05) com exceção da diferença entre Matemática
                (MT) e CH.</p>
            <p><fig id="F2">
                    <label>Figura 2</label>
                    <caption>
                        <title>proporção de palavras incomuns nas quatro áreas do
                            conhecimento</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24022-gf02.png"/>
                    <attrib><underline>Legenda:</underline> MT=Matemática; LC=Linguagens e Códigos;
                        CN=Ciências da Natureza; CH=Ciências Humanas. Para maior confiabilidade dos
                        resultados, a métrica foi calculada a partir de dois
                            <italic>corpora</italic> textuais diferentes em A e B, mais detalhes nos
                        Métodos.</attrib>
                    <attrib>Fonte: elaborada pelo autor a partir de dados consultados do
                        ENEM.</attrib>
                </fig></p>
            <p>A quantidade de informação fornecida pelos itens foi mensurada com duas métricas: o
                número de caracteres e o grau de entropia. As duas são bastante correlacionadas,
                como mostra a <xref ref-type="fig" rid="F3">figura 3</xref>. Com efeito, a
                comparação entre as áreas do conhecimento apresenta o mesmo padrão nas <xref
                    ref-type="fig" rid="F4">figuras 4A</xref> e <xref ref-type="fig" rid="F4"
                    >4B</xref>: os itens de MT fornecem menos informação textual ao candidato,
                enquanto os itens de LC fornecem mais informação. Nota-se também que em CN o ENEM
                fornece menos informação do que em CH, sugerindo novamente uma diferença nos
                construtos avaliados e, possivelmente, uma necessidade maior de conhecimentos
                prévios em CN.</p>
            <p><fig id="F3">
                    <label>Figura 3</label>
                    <caption>
                        <title>relação entre número de caracteres e informação (entropia) dos
                            itens</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24022-gf03.png"/>
                    <attrib>Fonte: elaborada pelo autor a partir de dados consultados do
                        ENEM.</attrib>
                </fig></p>
            <p><fig id="F4">
                    <label>Figura 4</label>
                    <caption>
                        <title>quantidade de informação nas quatro áreas do conhecimento</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24022-gf04.png"/>
                    <attrib><underline>Legenda:</underline> MT=Matemática; LC=Linguagens e Códigos;
                        CN=Ciências da Natureza; CH=Ciências Humanas. Todas as diferenças são
                        significativas (p&lt;0,01 em A e p&lt;0,001 em B).</attrib>
                    <attrib>Fonte: elaborada pelo autor a partir de dados consultados do
                        ENEM.</attrib>
                </fig></p>
            <p>A Facilidade de Leitura nas quatro áreas pode ser vista na <xref ref-type="fig"
                    rid="F5">figura 5</xref>. Nota-se que as provas de Matemática são compostas de
                itens com palavras e frases menores, o que reduz a influência da capacidade de
                compreensão de textos na performance, minimizando a carga cognitiva desnecessária e
                tornando o construto mais focado no raciocínio matemático. As provas de CN e CH
                apresentam Facilidade de Leitura significativamente menor (p&lt;0,01) do que as
                outras duas e semelhantes entre si. Isso pode estar relacionado a uma necessidade de
                palavras mais específicas (em geral maiores) e de raciocínios mais elaborados
                (frases maiores) nas áreas científicas, mas também pode indicar influência de
                fatores não associados aos construtos, hipóteses que requerem maior
                investigação.</p>
            <p><fig id="F5">
                    <label>Figura 5</label>
                    <caption>
                        <title>Facilidade de Leitura nas quatro áreas do conhecimento</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24022-gf05.png"/>
                    <attrib><underline>Legenda:</underline> MT=Matemática; LC=Linguagens e Códigos;
                        CN=Ciências da Natureza; CH=Ciências Humanas.</attrib>
                    <attrib>Fonte: elaborada pelo autor a partir de dados consultados do
                        ENEM.</attrib>
                </fig></p>
        </sec>
        <sec sec-type="discussion">
            <title>Discussão</title>
            <p>Os resultados apontam diversas convergências entre o conteúdo dos itens do ENEM e os
                construtos almejados, especialmente em Matemática (MT) e Linguagens e Códigos (LC).
                Ou seja, essas duas provas apresentaram evidências de validade de conteúdo. Além
                disso, os resultados sugerem que há maior necessidade de conhecimentos específicos
                na prova de Ciência Naturais (CN), especialmente em relação a LC – remetendo à
                diferença entre alfabetização científica e alfabetização em leitura. Já a prova de
                Ciências Humanas (CH) em geral apresenta características intermediárias entre CN e
                LC. Para maior clareza na compreensão das diferentes áreas avaliadas pelo ENEM,
                vejamos os principais resultados de cada uma.</p>
            <p><italic>Linguagens e Códigos</italic>: em relação às outras três áreas, é a que
                apresenta maior quantidade de informação textual fornecida pelos itens (<xref
                    ref-type="fig" rid="F4">figura 4</xref>), embora apresente maior facilidade de
                leitura do que as duas ciências (<xref ref-type="fig" rid="F5">figura 5</xref>),
                sugerindo textos grandes, mas com frases curtas e palavras pequenas. Observando-se
                as características dos itens (<xref ref-type="table" rid="T2">tabela 2</xref>), essa
                área parece ter um construto bastante homogêneo e coerente, altamente focado na
                compreensão de texto. Tal achado se alinha a estudo anterior que encontrou mais
                itens com comportamento psicométrico adequado nas provas de LC do que nas outras
                três áreas (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Travitzki, 2017</xref>). Por outro lado,
                a confiabilidade (fidedignidade) de LC não parece ser maior do que das outras áreas
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Gomes; Golino; Peres, 2018</xref>).</p>
            <p><italic>Matemática</italic>: apresenta diversas peculiaridades, como menos palavras
                incomuns (<xref ref-type="fig" rid="F2">figura 2</xref>), menos informação textual
                    (<xref ref-type="fig" rid="F4">figura 4</xref>) e maior facilidade de leitura
                    (<xref ref-type="fig" rid="F5">figura 5</xref>). A <xref ref-type="table"
                    rid="T2">tabela 2</xref> também mostra peculiaridades de Matemática em relação
                às outras três áreas: quase todos itens (91%) requerem compreensão de equações
                matemáticas; é a prova com mais imagens (64% dos itens); requer menos compreensão
                textual do enunciado; requer menos conhecimento não fornecido no enunciado. Todas
                essas peculiaridades estão alinhadas com o que se esperaria de um construto focado
                em habilidades matemáticas, com menor carga cognitiva desnecessária (textual) e
                maior presença de imagens, dado que álgebra e geometria são intimamente
                conectadas.</p>
            <p><italic>Ciências da Natureza</italic>: a hipótese do conhecimento científico como
                domínio-específico (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Tricot, 2018</xref>) foi ao
                menos parcialmente confirmada pois, em relação às outras áreas, CN: apresentou mais
                palavras incomuns (<xref ref-type="fig" rid="F2">figura 2</xref>); apresentou menos
                informação textual (<xref ref-type="fig" rid="F4">figura 4</xref>); foi responsável
                por praticamente todos os itens que requerem conhecimento específico ou inferência
                complexa (<xref ref-type="table" rid="T2">tabela 2</xref>). A <xref ref-type="table"
                    rid="T2">tabela 2</xref> também mostra a heterogeneidade do construto de CN
                avaliado pelo ENEM – que é uma referência importante no Brasil – pois é o único que
                apresentou todas as características observadas. Isso sugere que essa prova não
                avalia uma única competência (não é unidimensional em termos psicométricos), sendo
                assim um construto difícil de se definir. O que está relacionado ao debate sobre o
                que é alfabetização científica e como concretizá-la, tanto no ensino quanto na
                avaliação.</p>
            <p><italic>Ciências Humanas</italic>: nas métricas, apresentou em geral comportamento
                intermediário entre LC e CN. Nas características dos itens (<xref ref-type="table"
                    rid="T2">tabela 2</xref>), requer predominantemente habilidade de leitura (com
                relativamente poucas imagens) e é a prova com mais itens que requerem conhecimento
                não fornecido no enunciado. O que não parece muito coerente com a irrelevância de
                conhecimentos específicos ou inferências complexas, mesmo levando em conta que esta
                é uma característica híbrida, pois não discrimina conhecimento de inferência.</p>
            <p><italic>Ciências</italic> (ambas): em relação a LC e MT, as duas ciências (CN e CH)
                apresentam menor facilidade de leitura (<xref ref-type="fig" rid="F5">figura
                    5</xref>), o que poderia estar associado à necessidade de palavras mais
                específicas (em geral maiores) e raciocínios mais elaborados (frases em geral
                maiores). As duas ciências também têm mais itens que requerem informação não
                fornecida no enunciado (<xref ref-type="table" rid="T2">tabela 2</xref>), comparadas
                a LC e MT. Tais resultados confirmam a importância de se possuir conhecimentos
                específicos depois de uma alfabetização científica bem sucedida. Comparando as duas
                áreas científicas, CN apresenta: mais imagens (<xref ref-type="table" rid="T2"
                    >tabela 2</xref>); menor necessidade de conhecimentos específicos ou inferência
                complexa; menor necessidade de compreensão textual do enunciado; mais palavras
                incomuns (<xref ref-type="fig" rid="F2">figura 2</xref>); menos informação textual
                    (<xref ref-type="fig" rid="F4">figura 4</xref>). Tais observações sugerem que,
                segundo os conceitos de <xref ref-type="bibr" rid="B21">Norris e Phillips
                    (2003)</xref>, a prova de CH estaria mais próxima do <italic>sentido
                    fundamental</italic> da alfabetização científica, enquanto a CN estaria mais
                próxima do <italic>sentido derivado</italic>.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Conclusão</title>
            <p>Para finalizar, voltemos às perguntas iniciais.</p>
            <sec>
                <title>1. O que diz a literatura sobre o papel dos conhecimentos específicos na
                    alfabetização científica?</title>
                <p>A revisão não sistemática da literatura especializada aponta que conhecimentos
                    domínio-específicos são importantes – sendo condições necessárias, mas não
                    suficientes – para a solução de problemas reais do dia a dia, seja na esfera
                    pessoal, pública ou profissional. Na alfabetização científica, os conhecimentos
                    específicos são mais importantes do que na alfabetização em leitura. Isso não
                    significa que os professores de ciências devem priorizar conteúdos em detrimento
                    de competências, é preciso haver equilíbrio e articulação entre ambos.</p>
                <p>Diversos autores consideram que há foco excessivo em conteúdos no ensino de
                    ciências, o que é uma questão real e importante. Por outro lado, os conteúdos
                    específicos de cada área (biologia, física, história, etc.) são importantes não
                    apenas em seu próprio contexto, mas também como substrato para a construção de
                    conhecimentos mais gerais. Evidências sugerem que conhecimentos científicos
                    gerais são mais facilmente aprendidos quando são sistematicamente associados a
                    conhecimentos específicos de diferentes áreas. É como se você primeiro
                    precisasse ter experiências científicas para depois poder refletir sobre elas e
                    perceber padrões gerais.</p>
                <p>Como buscamos representar na <xref ref-type="fig" rid="F1">figura 1</xref>, os
                    conhecimentos científicos específicos são construídos a partir de conhecimentos
                    gerais, amplamente difundidos na cultura, segundo a Teoria da Mudança
                    Conceitual. Mas os conhecimentos científicos gerais só são construídos na medida
                    em que aparecem, de forma implícita ou explícita, nas atividades que trabalham
                    conhecimentos específicos. Assim, os conhecimentos científicos específicos são
                    gerados a partir de conhecimentos gerais, enquanto os conhecimentos científicos
                    gerais são gerados a partir dos específicos. Nos dois casos, o princípio é o
                    mesmo: conhecimentos novos são construídos a partir de conhecimentos anteriores,
                    provenientes da experiência.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>2. No ENEM, a prova de Ciências da Natureza requer mais conhecimentos
                    específicos do que as outras?</title>
                <p>Os resultados sugerem que sim. A prova de CN apresentou o maior percentual de
                    palavras incomuns nas duas métricas calculadas. Além disso, CN reuniu quase a
                    totalidade dos itens que requerem conhecimento domínio-específico (ou inferência
                    complexa), de acordo com a base de dados.</p>
                <p>Outro ponto importante é que CN apresentou grande heterogeneidade interna, sendo
                    a única prova a possuir todos os tipos de item. O que está relacionado à
                    necessidade de mais tipos diferentes de conhecimentos específicos. Mais ainda,
                    tal heterogeneidade nos leva a refletir não apenas sobre a validade da prova de
                    CN, mas também sobre a própria natureza multifacetada do saber nas ciências
                    naturais.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>3. O conteúdo dos itens do ENEM é coerente com os construtos esperados em
                    cada prova?</title>
                <p>A análise das características dos itens e das métricas calculadas reuniu algumas
                    evidências de validade de conteúdo para o ENEM, principalmente nas provas de LC
                    e MT. Isso significa que os resultados obtidos são coerentes com o que se
                    esperaria dessas duas provas. Maiores detalhes na Discussão.</p>
                <p>Em relação a CN e CH, os resultados não são tão claros, até porque os construtos
                    não são teoricamente tão bem definidos quanto em LC e MT. De maneira geral, CH
                    apresentou comportamento intermediário entre CN e LC, sugerindo um construto
                    mais voltado para a compreensão de textos. Por outro lado, CN apresentou menos
                    informação textual, mais palavras incomuns e maior necessidade de conhecimento
                    domínio-específico. É possível interpretar tais resultados à luz dos conceitos
                    trazidos por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Norris e Phillips (2003)</xref>.
                    Nesse caso, meramente especulativo, CH estaria mais próxima do <italic>sentido
                        fundamental</italic> da alfabetização científica, enquanto CN se aproximaria
                    do <italic>sentido derivado</italic>.</p>
                <p>Este estudo apresenta algumas limitações, como a métrica de palavras incomuns,
                    que podem ser aprimoradas e complementadas. O indicador dos itens que requerem
                    conhecimento domínio-específico também é limitado, pois inclui também
                    inferências complexas. Além disso, não foi analisada a matriz de competências do
                    ENEM para uma avaliação mais aprofundada da coerência entre a prova e o que é
                    esperado dela. Para tanto, seria necessário estudo adicional. Outro aspecto não
                    abordado aqui é a possibilidade de que itens com mais palavras incomuns sejam
                    mais excludentes, promovendo a desigualdade, o que é uma hipótese bastante
                    plausível e importante de ser investigada.</p>
                <p>Em suma, os conhecimentos específicos são importantes na alfabetização
                    científica, o que se reflete nas provas do ENEM. Mas eles também podem ser um
                    problema se trabalhados de forma excessiva e desconexa – devemos sempre evitar a
                    chamada “educação bancária” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Freire,
                    1970</xref>). Note-se que <italic>conhecimento</italic> se refere tanto a
                    conteúdos quanto a procedimentos. Os conhecimentos científicos específicos podem
                    cumprir ao menos dois papéis: ajudar a resolver problemas reais e ajudar na
                    construção de conhecimentos científicos gerais. Eles são construídos de forma
                    mais significativa quando são associados à experiência, a conhecimentos prévios
                    e a conhecimentos gerais. Tais considerações podem ser úteis no debate sobre
                    currículo e planejamento no ensino de ciências.</p>
            </sec>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <ack>
            <title>Agradecimentos</title>
            <p>Agradeço a Igor Silveira e Denis Mauá (IME/USP) pela disponibilização pública do
                banco de dados do ENEM, sem o qual este estudo não teria sido possível. Agradeço
                também a Sandra Aluísio (NILC/USP) pela disponibilidade e sugestões.</p>
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