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                <journal-title>Ciência &amp; Educação (Bauru)</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Ciênc. educ.
                    (Bauru)</abbrev-journal-title>
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            <issn pub-type="epub">1980-850X</issn>
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                <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, Universidade
                    Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências, campus de
                    Bauru.</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="publisher-id">00025</article-id>
            <article-id pub-id-type="doi">10.1590/1516-731320240026</article-id>
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                    <subject>ARTIGO ORIGINAL</subject>
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                <article-title>Os objetos em uma possível aula: rastreando associações entre humanos
                    e não humanos em práticas de educação matemática</article-title>
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                    <trans-title>Objects in a likely class: tracing the relationships between humans
                        and non-humans in mathematics education practices</trans-title>
                </trans-title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-1023-6319</contrib-id>
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                        <surname>Lira</surname>
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                    <xref ref-type="aff" rid="aff1">1</xref>
                </contrib>
                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Barbosa</surname>
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                    <xref ref-type="aff" rid="aff2">2</xref>
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            <aff id="aff1">
                <label>1</label>
                <institution content-type="normalized">Secretaria de Educação do Estado da Bahia
                    (SEC)</institution>
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                    (SEC), Salvador, BA, Brasil</institution>
                    <email>ismael.lira@ufba.br</email>
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            <aff id="aff2">
                <label>2</label>
                <institution content-type="normalized">Universidade Federal da Bahia
                    (UFBA)</institution>
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                    (UFBA)</institution>
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                <institution content-type="original">Universidade Federal da Bahia (UFBA), Faculdade
                    de Educação, Salvador, BA, Brasil</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c1">Autor correspondente: <email>ismael.lira@ufba.br</email></corresp>
            </author-notes>
<!--            <pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
                        reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
                        seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Discorremos sobre as potencialidades da Teoria Ator-Rede como aporte
                    teórico-metodológico à fundamentação de pesquisas em Educação Matemática.
                    Argumentamos, baseados em contribuições conceituais de Bruno Latour, que
                    investigações dedicadas a rastrear associações entre humanos e não humanos podem
                    se beneficiar do seu emprego, uma vez que, segundo essa abordagem sociológica,
                    podemos tomar os objetos como atores dinâmicos nas práticas de educação
                    matemática. Concentramo-nos aqui em quatro conceitos básicos: redes
                    sociotécnicas, caraterização da atuação dos atores (mediadores e intermediários)
                    e agência (agency), ilustrando sua mobilização por meio da análise de uma aula
                    fictícia de Matemática. Buscamos, assim, contribuir com a divulgação dessa
                    perspectiva teórica na comunidade científica de educadores matemáticos.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>We investigate how actor-network theory can make a significant theoretical and
                    methodological contribution to mathematics education research. Based on Bruno
                    Latour's conceptual contributions, we contend that this sociological approach is
                    useful for studying the relationship between human and non-human associations
                    because it allows us to see objects as dynamic actors in mathematics education
                    practices. We examine a hypothetical mathematics class to demonstrate the
                    application of four concepts: agency, mediator and intermediary actions,
                    sociotechnical networks, and characterization. Our goal is to help spread the
                    theoretical perspective among scientific mathematics educators.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Educação matemática</kwd>
                <kwd>Pesquisa científica</kwd>
                <kwd>Teoria ator-rede</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Mathematics education</kwd>
                <kwd>Scientific research</kwd>
                <kwd>Actor-network theory</kwd>
            </kwd-group>
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                <award-group>
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            </funding-group>
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			</counts>
		</article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec>
            <title>Era uma vez, uma possível aula de Matemática...</title>
            <p>Antes de apresentarmos a discussão proposta para este ensaio, permita-nos, caro(a)
                leitor(a), convidá-lo(a) a imaginar um episódio de uma aula de Matemática sobre
                adição de números naturais. A cena se desenrola no segundo dia do professor João, na
                escola onde começara a trabalhar. Ansioso para empregar um recurso com o qual tivera
                contato, planejou uma tarefa, para as crianças do 5º ano do Ensino Fundamental,
                envolvendo o jogo <italic>corrida de cavalos</italic>, adaptado de <xref
                    ref-type="bibr" rid="B28">Skovsmose (2000)</xref>. Para isso, preparou um slide
                com a malha gráfica necessária. No decorrer da aula, quando tentou ligar o projetor,
                não conseguiu fazê-lo, mesmo tendo realizado uma verificação antes de a tarefa
                começar. Enquanto olhava os cabos, os estudantes se dispersaram e começaram a
                cochichar e a brincar. Não conseguindo resolver o problema, voltou-se para dialogar
                com a turma, conforme a <xref ref-type="fig" rid="F1">figura 1</xref>.</p>
            <p><fig id="F1">
                    <label>Figura 1</label>
                    <caption>
                        <title>Quadrinhos: Cenas de uma possível aula de Matemática – Parte
                            1</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24026-gf01.png"/>
                    <attrib>Fonte: Texto elaborado pelos autores e ilustrado por André
                        Faria.</attrib>
                </fig></p>
            <p>Fazemos referência a essa possível aula de Matemática para ilustrar como os objetos
                (projetor, lousa, giz, mobiliário, calculadora, computadores, etc.) podem ser
                tematizados na pesquisa em Educação Matemática se lançarmos mão de uma abordagem
                teórica que os leva em conta tanto quanto aos seres humanos. No decorrer deste
                ensaio, voltaremos a esse episódio, para discuti-lo com as lentes da perspectiva
                teórica sobre a qual discorreremos.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Uma jornada de aventuras se inicia... o que abordaremos neste ensaio?</title>
            <p>A investigação em Educação Matemática passou, nas últimas décadas, pelo que <xref
                    ref-type="bibr" rid="B21">Lerman (2010)</xref> denominou “virada social”, no
                sentido do aumento do interesse de integrantes da comunidade de educadores
                matemáticos pelo estudo de aspectos históricos e culturais. O termo
                    <italic>social</italic> que adjetiva essa <italic>virada</italic>, entretanto,
                dá centralidade apenas às interações entre os seres humanos. Neste texto, porém, nós
                o compreendemos, a partir de contribuições conceituais de <xref ref-type="bibr"
                    rid="B17">Latour (2012)</xref>, como aquilo que emerge das associações entre
                humanos e não humanos (objetos, organizações, instituições, leis, dispositivos
                tecnológicos, etc. Por isso, vislumbramos, ainda que em passos muito tímidos, uma
                “virada material” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Gamble <italic>et al</italic>.,
                    2021</xref>) no referido campo de estudo. Esse deslocamento da sociologia
                latouriana representa um esforço de nos aproximarmos melhor equipados da
                complexidade dos coletivos híbridos (emaranhados de humanos e não humanos) que
                constituem as práticas humanas e, consequentemente, as <italic>práticas de educação
                    matemática</italic>. Empregamos a expressão em destaque no sentido de conjunto
                de ações relacionadas ao ensinar e/ou aprender Matemática (por exemplo: uma aula,
                uma tarefa, etc.) e grafamos com iniciais minúsculas para distinguir do campo de
                investigação científica Educação Matemática.</p>
            <p>A ideia de abordar os humanos e não humanos como interconectados e se influenciando
                mutuamente, bem como a compreensão de que o ensinar e/ou aprender Matemática é
                historicamente desenvolvido pelas interações dessas duas categorias não é uma
                novidade na investigação brasileira. Algumas abordagens teóricas circulantes no
                campo da pesquisa em Educação Matemática têm fundamentado estudos que destacam a
                importância dos não humanos nas práticas de educação matemática. Por exemplo, a
                teoria da abordagem instrumental de Pierre Rabardel (<xref ref-type="bibr" rid="B11"
                    >Henriques, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Silva; Morais,
                    2023</xref>), que busca dar conta da integração das diversas mídias (materiais
                manipuláveis, calculadoras, computadores, etc.) nessas práticas e o constructo
                humanos-com-mídias de Marcelo <xref ref-type="bibr" rid="B1">Borba (Borba; Canedo
                    Junior, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">Borba; Villarreal,
                    2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">Borba; Xavier, 2022</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B26">Santos; Maia; Souto, 2022</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B29">Soares; Borba, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr"
                    rid="B30">Souza; Gama; Lima, 2023</xref>), que se lança a analisar a
                complexidade dessas interações.</p>
            <p>Esses estudos sustentam que os seres humanos têm sua existência imbricadas pelos
                objetos. Contudo, para aquilo que vem sendo denominado <italic>movimento
                    neomaterialista</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Gamble <italic>et
                        al</italic>., 2021</xref>), perspectiva que busca, diretamente,
                problematizar as análises que hierarquizam humanos e não humanos, não é suficiente
                reconhecer essa interconexão/interdependência entre essas duas categorias; avança-se
                em direção a uma perspectiva ontológica/epistemológica horizontalizada entre elas
                (ontologia achatada), ou seja, não antropocêntrica. Talvez seja mais adequado
                falarmos em neomaterialismos, pois há vertentes que são parcialmente incompatíveis,
                mas compartilham a visão comum de que a materialidade é <italic>vibrante,
                    dinâmica</italic> e <italic>agente</italic> e, portanto, <italic>ativa</italic>
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Gamble <italic>et al</italic>., 2021</xref>).
                Podemos dizer também que esse movimento tem se caracterizado pelo desenvolvimento de
                abordagens teóricas que dão suporte a análises que buscam dar igual visibilidade
                para os não humanos, de modo a romper com as limitações das perspectivas centradas
                nos humanos.</p>
            <p>Neste ensaio, discorremos sobre uma de suas vertentes, a Teoria Ator-Rede,
                sustentando que se trata de um aporte teórico-metodológico com potencial para
                fundamentar estudos que tomem os não humanos também como protagonistas nas práticas
                de educação matemática ou busquem rastrear as associações entre humanos e não
                humanos nessas práticas. Assim, buscamos colaborar com a divulgação dessa abordagem
                teórico-metodológica na comunidade científica de pesquisadores em Educação
                Matemática, concordando com a ideia de que a multiplicidade de teorias circulantes
                em nosso campo de pesquisa não é prejudicial à área, mas é algo benéfico e
                resultante, em grande medida, da integração progressiva, ou da sobreposição de
                teorias (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Lerman, 2010</xref>). Porém, a essa altura,
                você já deve estar se perguntando: afinal de contas, o que é isso, a Teoria
                Ator-Rede? Nas próximas seções, apresentamos um ‘panorama’, algo como um ‘passeio’
                despretensioso pelos seus principais conceitos. A ideia é fornecer um possível
                primeiro contato, de modo a instigar você, leitor(a), a continuar buscando
                informações sobre possibilidades que se abrem para a pesquisa em Educação Matemática
                por meio de seu emprego.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Uma porta para um mundo onde os objetos ‘agem’... O que é isso, Teoria
                Ator-Rede?</title>
            <p>A Teoria Ator-Rede (TAR) ou, em inglês, <italic>Actor Network Theory</italic> (ANT),
                é uma abordagem sociológica que propõe análises não hierárquicas de associações
                entre humanos e não humanos, levando em conta que ambas as categorias podem ser
                protagonistas nos diversos coletivos dos quais fazem parte. Neste ensaio,
                semelhantemente a <xref ref-type="bibr" rid="B5">Cavalcante <italic>et al</italic>.
                    (2017)</xref>, manteremos o acrônimo na língua original, pois, em inglês, a
                palavra <italic>ant</italic> significa formiga, assim conservamos a metáfora
                empregada por <xref ref-type="bibr" rid="B17">Latour (2012)</xref> para as
                características desse inseto, e as atitudes consideradas típicas de um pesquisador
                que adota as lentes dessa abordagem: “[...] um viajante cego, míope, viciado em
                trabalho, farejador e gregário” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Latour, 2012, p.
                    28</xref>), ou seja, uma formiga que escreve para seus pares.</p>
            <p>Inicialmente proposta por Bruno Latour, Michel Callon e John Law, a ANT ficou também
                conhecida como sociologia de associações, emergindo, na década de 1980, no campo de
                estudos de Ciência, Sociedade e Tecnologia, suscitando a reformulação da definição
                do social que deixa de ser compreendido como “[...] um domínio especial, uma esfera
                exclusiva ou objeto particular, mas apenas como movimento peculiar de reassociação e
                reagregação” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Latour, 2012, p. 33</xref>). Por
                consequência, também suscita a contestação de abordagens sociológicas tradicionais,
                causando impacto em diversos ramos do conhecimento como a Sociologia, a
                Antropologia, a Enfermagem, a Educação (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Cavalcante
                        <italic>et al</italic>., 2017</xref>) e, ainda de forma bastante tímida, a
                Educação Matemática.</p>
            <p>A emergência de estudos em Educação Matemática fundamentados na ANT explorando o
                igual protagonismo de não humanos nas práticas de educação matemática (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B9">Green; Brand; Glasson, 2019</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B12">Klaus; Lübeck; Boscarioli, 2021</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B31">Unsworth; Tummons, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr"
                    rid="B33">White, 2019</xref>) corrobora a postura epistemológica de
                reconhecê-los “[...] como atores de plenos direitos que ajudam a entender os humanos
                e o social” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Cavalcante <italic>et al</italic>.,
                    2017, p. 3</xref>). Isso significa tomar essas duas categorias (humanos e não
                humanos) de forma não hierarquizada (ontologia achatada/ simétrica), ou seja,
                atribuindo-lhes o mesmo estatuto de agente. O reconhecimento desse estatuto
                ontológico dos objetos no curso de ações humanas é uma das principais críticas
                direcionadas a essa abordagem sociológica. Tal constatação instiga-nos a pensarmos
                mais detidamente sobre os não humanos nas práticas de educação matemática, pois
                talvez isso possa nos ajudar a sustentarmos que as associações entre os próprios
                humanos “[...] só se mantém porque outros materiais estão presos” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B20">Law; Lin, 2022, p. 131</xref>, tradução nossa) nelas,
                podendo ser um estímulo à curiosidade “[...] sobre a heterogeneidade desses objetos
                e o trabalho que estão fazendo em relação aos acontecimentos humanos” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B20">Law; Lin, 2022, p.131</xref>, tradução nossa).</p>
            <p>A produção científica a que nos referimos, no parágrafo anterior, resulta ainda do
                trabalho de um número tímido de pesquisadores, e podemos citar <xref ref-type="bibr"
                    rid="B7">Freitas e Sinclair (2013)</xref> como precursoras. Embora essa
                literatura especializada pareça se concentrar principalmente na presença de
                tecnologias digitais nas práticas de educação matemática (Lira; Moura; Souza, 2022),
                devemos destacar que essa abordagem pode embasar a investigação sobre quaisquer não
                humanos nessas práticas como, por exemplo, os materiais curriculares (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B23">Moore; Coldwell; Perry, 2021</xref>), os materiais
                manipulativos (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Borges <italic>et al</italic>.,
                    2020</xref>), os jogos (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Klaus; Lübeck;
                    Bosacrioli, 2023</xref>), e os costumeiros papéis, lápis e caneta, etc.</p>
            <p>Este ensaio se apoia em contribuições conceituais de Bruno Latour e está estruturado
                em torno destes conceitos básicos: <italic>redes sociotécnicas, caraterização da
                    atuação dos atores</italic> (mediadores e intermediários) e
                    <italic>agência</italic> (<italic>agency</italic>). Eles foram apontados aqui
                como uma ‘porta de entrada’ para o léxico latouriano, o qual nos fornece uma
                linguagem útil para o rastreio, mapeamento e descrição de associações entre humanos
                e não humanos nas práticas de educação matemática na escola ou fora dela. Nas
                próximas seções, abordaremos cada um desses conceitos, procurando ilustrar seu
                potencial analítico.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Tecendo teias com finos fios...: As redes sociotécnicas</title>
            <p>A expressão <italic>rede sociotécnica</italic> se refere às associações heterogêneas
                (híbridas) entre humanos e não humanos, em arranjos não lineares, de modo que cada
                elemento participante representa um nó em um emaranhado de múltiplas conexões, cujos
                integrantes produzem efeitos uns sobre os outros. Provavelmente, você identificará
                certa semelhança dessa definição com ideias de outras abordagens teóricas, que
                tematizam a interação humano/não humano, circulantes no campo da investigação em
                Educação Matemática e poderá questionar-se: o que as diferencia? Uma resposta
                possível é que aqui não há apenas influência mútua entre essas duas categorias, mas
                há, também, a <italic>atuação</italic> dos integrantes da rede (detalharemos
                posteriormente a noção de ação dos objetos) para garantir a sua manutenção (é esse
                engajamento dos integrantes da rede que pode evitar sua dispersão/desconstrução) e,
                como afirmamos, a ausência de um olhar hierarquizado entre ambas.</p>
            <p>Resumidamente, o conceito de rede sociotécnica se refere a um grupo de atores em um
                fluxo contínuo, pois, do contrário, a rede se desfaria. Perceba que a definição de
                rede pressupõe a de ator. Para ANT, um ator é aquele que faz os outros fazerem
                alguma coisa, ou seja, é qualquer objeto, ser humano, animal, tecnologia,
                organização, instituição, ideia, etc. que pode influenciar outros integrantes de um
                coletivo do qual é integrante. Retomemos a aula de Matemática do professor João:
                podemos utilizá-la como exemplo de uma rede sociotécnica em que ele, os estudantes,
                a lousa, o projetor, as carteiras, a caneta, o papel, a tesoura, a mesa, os dados
                são alguns dos atores que a integram (poderíamos elencar vários outros que não
                aparecem explicitamente no excerto).</p>
            <p><fig>
                    <label>Figura 2</label>
                    <caption>
                        <title>Quadrinhos: uma possível aula de Matemática, parte 2</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24026-gf02.png"/>
                    <attrib>Fonte: Texto elaborado pelos autores e ilustrado por André
                        Farias.</attrib>
                </fig></p>
            <p>Esses atores estão interconectados e imbricados nessa prática de educação matemática.
                Por exemplo, a própria sala de aula poderia limitar, devido às suas dimensões, as
                possibilidades de como o professor João disporia as carteiras para a realização do
                jogo ou o tamanho dos grupos que ele poderia formar para a realização dessa tarefa
                de investigação. Outro exemplo, giz e lousa propiciam a ele uma escrita
                característica, distinta daquela realizada com pincel. Se o professor João tivesse
                disponibilizado calculadoras aos estudantes, talvez elas possibilitassem ou
                potencializassem diferentes formas de interação deles com os algoritmos das
                operações básicas durante essa tarefa, ou seja, talvez causassem efeitos diferentes
                na rede de atores.</p>
            <p>O jogo alterou a rotina da aula, uma tarefa de investigação, que envolveu os
                estudantes, substituiu uma possível lista de exercícios. Assim, o próprio jogo, é,
                ele também, um ator (ele é um ator porque afeta os demais actantes) integrando essa
                rede sociotécnica e atuando para mantê-la unida, mas como? Como cada integrante
                    <italic>atua</italic> para garantir a continuidade da rede? Em uma resposta
                breve: seguindo seu fluxo... Para <xref ref-type="bibr" rid="B19">Law (1987)</xref>,
                essa estabilidade está relacionada à integração desses atores na rede, no sentido de
                que é difícil mantê-los no lugar, porque alguns se mostram
                    <italic>indomáveis</italic>, exigindo, portanto, algum
                    <italic>engajamento</italic> para que os integrantes não se dispersem e a rede
                comece <italic>desmoronar</italic>.</p>
            <p>Como sempre há, segundo o autor supracitado, alguma forma de divergência entre os
                integrantes, isso significa que, se cada ator fosse deixado por conta própria, a
                manutenção das associações seria inviável. Ele sustenta que, para a manutenção da
                estabilidade da rede, algum integrante deve ser <italic>forçado</italic> a
                permanecer nela. Isso nos leva à conclusão de que as redes sociotécnicas
                    <italic>buscam</italic> se manter coesas, em alguma medida, nem sempre capazes
                de resistir à sua dissociação. Em contrapartida, elas estão constantemente sendo
                colocadas à prova, pois há forças que se opõem à sua manutenção e podem conseguir
                desarticulá-las.</p>
            <p>Na aula do professor João, o mau funcionamento do projetor desafiou a rede, um
                estudante que se mostrou resistente à participação no jogo, ou buscou, de alguma
                forma, burlar as regras estabelecidas, o fez igualmente. Porém, <xref
                    ref-type="bibr" rid="B19">Law (1987)</xref> sustenta a ideia de haver uma
                tendência de a rede se reorganizar para superar a força que a desafiou. O professor
                João poderia ter desistido ante as dificuldades impostas, mas decidiu recorrer aos
                costumeiros lousa e giz. O estudante que se mostra resistente pode ser levado a
                perceber aquela tarefa como uma forma prazerosa de estudar Matemática, ou seja, a
                rede busca superar aquilo que lhe é hostil, até mesmo agrupando um outrora opositor,
                na condição de aliado.</p>
            <p>Essa constatação da dinamicidade das redes sociotécnicas está em consonância com
                    <xref ref-type="bibr" rid="B17">Latour (2012)</xref>, que considera que todo
                acontecimento se dá, justamente, em/e por meio dessas redes. Tal percepção o levou a
                afirmar, em alto e bom som: não há sociedade! Não há grupos! Somente a formação e a
                desconstrução de grupos, em um movimento contínuo de agrupamentos, desagrupamento e
                novos reagrupamentos. Por isso, para o teórico, a ideia de sociedade foi substituída
                pela noção dos coletivos constituídos por humanos e não humanos se associando,
                delineando redes sociotécnicas específicas, mesmo que de forma provisória.</p>
            <p>Uma das implicações desse posicionamento para a investigação é a ênfase na busca pela
                compreensão de como essas entidades “[...] são conectadas dentro dessas redes e como
                as conexões são sustentadas, cortadas ou reformadas” (<xref ref-type="bibr" rid="B9"
                    >Green; Brand; Glasson, 2019, p. 1</xref>, tradução nossa). Isso traz, portanto,
                como implicação, que um dos desafios para o pesquisador, ao investigar a presença de
                não humanos em práticas de educação matemática, é conseguir dar visibilidade ao
                maior número de atores possível, em suas associações múltiplas, seguindo o fluxo das
                redes.</p>
            <p>Como as redes sociotécnicas são tecidas por fios simbólicos, elas são presentes em
                todos os contextos em que os humanos participam. Isso também evidencia que esses
                fios não apenas nos conectam, mas “[...] também nos puxam, cada qual, em um
                sem-número de direções” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Falcão, 2014, p. 11</xref>).
                Como exemplo disso, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Klaus, Lübeck e Boscarioli
                    (2021)</xref> empregaram o conceito de rede sociotécnica para abordar uma
                experiência vivenciada pela primeira autora como um projeto de formação continuada
                com professores que ensinam matemática em escolas bilíngues de surdos. O estudo
                destaca como as interações com o <italic>Scratch</italic>, um software para
                programação utilizado em uma prática de educação matemática de formação contínua com
                professores surdos, propiciou um olhar atento para um coletivo heterogêneo que
                afetou, segundo os autores, a análise, de modo, que não apenas a forma de construção
                de conhecimentos matemáticos, mas as próprias experiências de autoconhecimento
                vivenciadas pelos participantes em associação com a tecnologia, não puderam ser
                ignoradas.</p>
            <p>Freitas e Sinclair (2019) argumentam também que as redes sociotécnicas tecem a forma
                como a Matemática é aprendida e ensinada, sugerindo que uma abordagem partindo da
                dimensão individual à dimensão institucional e política (uma rede ampliada: leis,
                instituições, etc.) pode nos ajudar a compreender como diferentes entidades
                materiais interagem e influenciam a aprendizagem de Matemática. Um exemplo dessa
                tese é o estudo conduzido por <xref ref-type="bibr" rid="B33">White (2019)</xref>,
                que se propõe a analisar como dispositivos tecnológicos (calculadoras gráficas)
                atuaram na rede que se constituiu em uma aula de Matemática, integrando-se ao
                ambiente de aprendizagem proposto pelo pesquisador. A pesquisa aponta que esses
                dispositivos aderiram à rede de forma tão <italic>exitosa</italic>, a ponto de serem
                tomados pelos demais integrantes como algo inerente à própria prática de educação
                matemática ali desenvolvida, ou seja, atores indispensáveis naquele contexto
                específico.</p>
            <p>A ideia de rede sociotécnica se apresenta, portanto, como aporte teórico que pode ser
                mobilizado para fundamentação de descrições de associações estabelecidas em
                determinada coletividade, em que podemos tomar os processos de observar e descrever,
                implicados no conselho latouriano: apenas siga os atores, em toda sua complexidade.
                Porque, ao contrário do que sugere o advérbio <italic>apenas</italic>, essa espécie
                de <italic>mapeamento</italic> é algo complexo e não busca facilitar a vida do
                pesquisador, mas propiciar um <italic>mergulho</italic> nas interconexões que estão
                sendo operadas.</p>
            <p>Para ilustrar as possíveis associações em um coletivo, um pesquisador pode utilizar a
                    <xref ref-type="fig" rid="F2">figura 3</xref> como exemplo. Podemos representar
                a rede sociotécnica que <italic>observamos</italic> se configurando na aula do
                professor João. Imaginemos que a investigação identificou os atores já elencados
                anteriormente e, depois de observá-los detidamente, percebendo como se relacionam,
                poderíamos propor a representação de <xref ref-type="bibr" rid="B32">Venturini
                    (2012)</xref> (<xref ref-type="fig" rid="F1">figura 1</xref>) como resultado
                desse mapeamento realizado.</p>
            <p><fig id="F2">
                    <label>Figura 3</label>
                    <caption>
                        <title>Representação de associações na aula de Matemática do professor
                            João</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24026-gf03.png"/>
                    <attrib>Fonte: elaborada pelos autores.</attrib>
                </fig></p>
            <p>Essa representação gráfica nos permite apenas ter uma noção aproximada de como a rede
                sociotécnica está disposta em um determinado instante específico. Alguém poderia se
                opor ao seu uso argumentando que essa figura tenta <italic>congelar</italic> as
                associações estabelecidas. Não estamos afirmando que essa imagem consegue captar
                todas as interações entre os atores, dessa forma, estamos reconhecendo que ela não é
                um retrato fidedigno dessa rede. Em outras palavras, essa figura não é a rede! É
                apenas um vislumbre momentâneo daquilo que o pesquisador consegue esquematizar a
                partir de suas observações. Um ponto a favor de seu uso é que a análise dessa figura
                pode facilitar abordar a questão do poder, um dos aspectos mais criticados da ANT: a
                de não ser histórica o suficiente e não trazer as relações de poder, próprias do
                sistema econômico de produção vigente, para o centro das análises efetuadas (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B10">Gusmão, 2017</xref>).</p>
            <p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Latour <italic>et al</italic>. (2015)</xref>, o
                poder está relacionado à capacidade de fazer associações, como cada ator representa
                um nó da rede, aquele que for o destino do maior número de setas (mais associações)
                é o que detém mais poder. Em nosso exemplo, podemos perceber que a sala de aula
                (como aparato físico e institucional ao mesmo tempo, um híbrido) é um dos nós com
                maior densidade, por isso, um dos com mais poder, todos os demais integrantes da
                rede se articulam a ela. Assim, podemos dizer que a sala de aula se constitui em um
                espaço/artefato fundamental às práticas de educação matemática que ocorrem na
                escola, como vimos, com a capacidade de facilitar ou dificultar tais práticas. Outro
                ator representado por um nó de alta densidade é o do professor João, ilustrando que,
                mesmo em uma tentativa de desenvolver uma tarefa investigativa, ele permanece
                exercendo maior protagonismo, pois é ele que propõe o jogo, estabelece as regras,
                organiza o espaço e conduz a atividade. O nó de menor densidade e, consequentemente,
                com menor poder, é o que representa o projetor, que, mesmo quebrado, está integrado
                à rede.</p>
            <p>Evidentemente, nosso exemplo é propositalmente simplificado, pois buscamos clarificar
                essas ideias, mas essa análise poderia ser aprofundada pelo pesquisador ao
                incorporar mais atores a essa rede, realizando a descrição de uma rede mais ampla e
                complexa. Poderiam ser elencados, em nosso exemplo, a equipe gestora da escola, os
                demais professores e estudantes, os preceitos legais, os documentos curriculares
                normativos, as instituições estatais de controle dos processos educativos, as
                avaliações externas, etc. Assim, da perspectiva da ANT, não faz sentido a distinção
                entre abordagem sociológica microssocial e macrossocial, essa noção é substituída
                pela <italic>aplicação de zoom</italic> (configuração de lentes de modo a tornar
                possível um aumento da imagem sem alterá-la ou desfocá-la). A depender da questão,
                ou profundidade da análise pretendida, ou seja, em função dos objetivos, a rede pode
                ser ampliada, reduzida ou podemos nos concentrar em uma determinada
                    <italic>região</italic> de interesse (ver <xref ref-type="fig" rid="F3">figura
                    4</xref>).</p>
            <p><fig id="F3">
                    <label>Figura 4</label>
                    <caption>
                        <title>Aplicação de zoom na ilustração de rede sociotécnica da <xref
                                ref-type="fig" rid="F1">figura 1</xref></title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24026-gf04.png"/>
                    <attrib>Fonte: elaborada pelos autores.</attrib>
                </fig></p>
            <p>Uma das implicações metodológicas dessa busca pelo mapeamento de redes sociotécnicas
                é ilustrada por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Latour (2001)</xref>, com a figura
                mítica de Ariadne (heroína que, para ajudar Teseu a enfrentar o Minotauro, recorreu
                a um fio para marcar o caminho de volta e, assim, garantir a saída dele do labirinto
                de Dédalo). Essa é uma metáfora do movimento de avançar o máximo possível sem, de
                antemão, ter delineado o percurso, não esquecendo, todavia, o ponto de partida,
                considerando ser essa uma das características dos estudos desenvolvidos sob as
                lentes da ANT, porque buscam seguir e “[...] descrever as tramas onde quer que estas
                nos levem” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Latour, 2019, p. 9</xref>).</p>
            <p>O mapeamento social, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B17">Latour (2012)</xref>,
                realizado em conformidade com a ANT, coloca em suspense todo o comprometimento com
                métodos pré-estabelecidos, instrumentos e procedimentos. Isso significa que o
                pesquisador busca se manter aberto para usar as ferramentas e protocolos necessários
                ou criá-los à medida que sua pesquisa é desenvolvida, um procedimento comum entre
                pesquisadores que abrem mão de “[...] impor de antemão um pouco de ordem, porque a
                ANT se considera mais capaz de vislumbrar ordem depois de deixar os atores
                desdobrarem o leque inteiro das conexões que estão estabelecendo” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B17">Latour, 2012, p. 44</xref>). Por se tratar de uma
                ideia com forte apelo empírico (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Latour,
                2019</xref>), defendemos que, como o fino <italic>fio de Ariadne</italic>, o
                conceito de rede sociotécnica pode ser um recurso propício para nos ajudar a nos
                movimentarmos nos labirintos proporcionados pela fluidez e dinamicidade das
                interações entre seres humanos e os não humanos nas práticas de educação
                matemática.</p>
            <p>Na próxima seção, abordaremos a identificação dos atores integrantes de uma rede
                sociotécnica, em relação ao seu comportamento.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Os objetos também conseguiram alcançar seu destino... Os atores se comportam como
                mediadores e intermediários</title>
            <p>Um ator pode atuar como <italic>mediador</italic> caso produza transformações na
                rede, ou como um <italic>intermediário</italic>, se não produz qualquer efeito de
                mudança. Para <xref ref-type="bibr" rid="B17">Latour (2012, p. 67)</xref>, a
                existência de uma grande quantidade de mediadores promovendo modificações é o que se
                espera, pois “[...] existem incontáveis mediadores e, quando estes são transformados
                em féis intermediários, não temos aí a regra, mas a exceção”. Na aula do professor
                João, o jogo <italic>corrida de cavalos</italic> pode ser visto como um mediador,
                por se tratar de uma tarefa investigativa que promove alteração na rede, como a
                mudança de atitude tanto do professor, que deixa o papel de expositor de conteúdos e
                assume o de orientador, como dos estudantes, que passam a ter maior protagonismo no
                desenvolvimento da tarefa proposta.</p>
            <p>E os intermediários? O que podemos dizer deles? Normalmente, eles passam
                despercebidos até que algo diferente do esperado aconteça – a lousa, o giz, as
                janelas, as canetas, as carteiras e o projetor são intermediários. Porém, se o
                projetor não liga, o computador falha, uma carteira quebra, uma janela não abre, uma
                caneta falha, uma discussão repentina envolve os estudantes apáticos, esses atores
                aparentemente simples se tornam mediadores '<italic>pavorosamente
                    complexos'</italic>.</p>
            <p>Da mesma forma que esses simples intermediários podem se tornar uma cadeia de
                complexos mediadores, o jogo do nosso exemplo pode se tornar uma tarefa que toma a
                forma de um intermediário previsível e monótono, perdendo sua caraterística de
                atividade investigativa, recaindo em mais um exercício de Matemática, como já nos
                ensinava <xref ref-type="bibr" rid="B28">Skovsmose (2000)</xref>, a partir de outras
                lentes teóricas, que esse é o tipo de tarefa mais recorrente nas aulas de
                Matemática. Embora seja rotineiro, nada impede que um exercício deixe o papel de
                intermediário e assuma o de mediador. O referido autor nos sugere algo nesse
                sentido, ao nos desafiar a <italic>abrirmos os exercícios</italic>, no sentido de
                explorar possibilidades outras não previstas, nem ficarmos limitados às informações
                contidas no enunciado. Esse passaria a ter um caráter investigativo com potencial de
                afetar a rede de atores de modo diferente que o usual, enfim, não podemos dizer que
                determinado ator <italic>é</italic>, mas que se <italic>comporta</italic> como
                mediador ou intermediário, porque não há regras para controlar a natureza íntima
                dessas entidades, não podemos prever, de antemão, como atuarão, precisamos conviver
                com essa incerteza e seguir seus rastros para identificar suas atuações.</p>
            <p>Os intermediários, mesmo quando parecerem complexos, podem ser contados como um
                (ainda que constituídos de várias partes). Por exemplo, na representação da rede que
                se constitui na aula do professor João, as carteiras estão representadas por apenas
                um nó (<xref ref-type="fig" rid="F4">figura 5</xref>). Esses artefatos exercem a
                função de assentos para os humanos, se nenhuma falha ocorrer, praticamente passarão
                despercebidas, como uma <italic>caixa-preta</italic> que funciona como uma unidade
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Latour, 2012</xref>). O termo em destaque é
                empregado para se referir àquilo que já está consolidado, pacificado, estável, a
                respeito do qual se sabe o que nela entra e o que dela sai.</p>
            <p><fig id="F4">
                    <label>Figura 5</label>
                    <caption>
                        <title>Quadrinhos: uma possível aula de Matemática – Parte 3</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24026-gf05.png"/>
                    <attrib>Fonte: texto elaborado pelos autores e ilustrado por André
                        Farias.</attrib>
                </fig></p>
            <p>Os mediadores, mesmo que possam, em algumas ocasiões, ter uma aparência de
                simplicidade, têm uma complexidade intrínseca e não podem ser contados como apenas
                um, porque podem valer “por um, por nenhum, por vários ou uma infinidade” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B17">Latour, 2012, p. 65</xref>). Por exemplo, o jogo
                    <italic>corrida de cavalos</italic>, mesmo não podendo ser apartado da lousa,
                dos dados, das casas de apostas, não é redutível a apenas um nó, porque temos aí uma
                cadeia de mediadores. Para sabermos se um ator está atuando como mediador, devemos,
                em uma prática de educação matemática, nos questionar como, a partir desse ator,
                outros atores “[...] foram modificados, transformados, perturbados ou criados”
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Latour, 2001, p. 143</xref>).</p>
            <p>Na seção seguinte, avançaremos em relação à noção de agência dos não humanos.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Os objetos também agem! Mesmo que algumas pessoas não percebam... Agência</title>
            <p>Para problematizar a distinção entre humanos e não humanos, <xref ref-type="bibr"
                    rid="B16">Latour (2021)</xref> se apropria de contribuições da sociologia do
                conhecimento e propõe o <italic>princípio da simetria generalizada</italic>. Ele
                preconiza que não deve haver, como afirmamos anteriormente, distinção hierárquica
                entre essas duas categorias de atores, por isso podem ser tomadas simetricamente,
                conferindo-lhes o mesmo estatuto ontológico. Devemos destacar, porém, que isso não
                significa igualá-los, ou seja, não se busca uma "absurda simetria" (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B16">Latour, 2021, p. 114</xref>), atribuindo aos não
                humanos características humanas. Intenta-se, <italic>tão somente</italic>
                (recorrendo ao irônico conselho latouriano de <italic>apenas</italic> seguir os
                atores, como se isso fosse uma trivialidade), um convite para um olhar mais atento
                às materialidades em nossas análises, para rompermos com as abordagens
                antropocêntricas, deixando de considerar os materiais apenas como
                ferramentas/artefatos apropriados pelos humanos, passando a considerar sua
                agência.</p>
            <p>A capacidade de agência (<italic>agency</italic>) significa reconhecer que os atores,
                inclusive os não humanos, produzem movimento, fazem conexões possibilitadoras da
                montagem de redes nos próprios atores e fora deles (por isso a nomenclatura
                Ator-Rede), ou seja, são capazes de criar, transformar e perturbar redes. A ação,
                desse modo, não deve ser reduzida ao pleno controle da consciência
                (intencionalidade) humana, igualmente, pode ser interpretada como “um nó, uma
                ligadura, um conglomerado de muitos e surpreendentes grupos de funções que só podem
                ser desemaranhados aos poucos [...] [e] permanecer como surpresa, mediação,
                acontecimento” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Latour, 2021, p. 72, 74</xref>).
                Isso porque não é possível identificar, com precisão, sua origem, ou seja, não é
                necessariamente um ser humano a fonte de uma ação, podendo ser não humana,
                indistintamente.</p>
            <p>Podemos dizer que, embora o giz ou pincel usado pelo professor João para fazer o
                registro, <italic>marque</italic> a lousa ou a tesoura usada para o preparo dos
                papelotes, corte do papel, etc., pareça algo trivial, ao recolocar esses objetos no
                curso da ação, não devemos subestimá-los. Marcar e cortar são verbos que designam
                ações relativas a atividades consideradas <italic>humildes</italic> e/ou
                    <italic>secundárias</italic>, porém, ao levá-las em conta nas análises do
                social, abrimos caminho para refletirmos sobre o papel dos não humanos em práticas
                de educação matemática.</p>
            <p>Não estamos afirmando que os objetos não recebiam atenção antes de a ANT
                    <italic>entrar em cena</italic>, mas estamos destacando a diferença da própria
                definição de agência, a qual está em função de como eles agem. Isso mesmo! Os
                objetos também agem! Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B17">Latour (2012)</xref>,
                se a ação fica limitada ao que os seres humanos fazem intencionalmente, é difícil
                conceber como um giz/pincel ou uma tesoura podem agir. Essa dificuldade pode ser
                superada se partirmos do pressuposto de que a ação não é apenas assumida, mas
                transferida ou delegada a diferentes tipos de atores capazes de levá-la adiante.</p>
            <p>Se pudéssemos provar que marcar a lousa sem o giz/pincel e cortarmos o papel sem a
                tesoura são as mesmas atividades que antes, e a presença desses artefatos não muda
                em nada na realização dessas tarefas, estaríamos em condições de ignorar a
                participação das materialidades nas práticas de educação matemática. Mas o
                reconhecimento dessa impossibilidade não significa, evidentemente, afirmar que eles
                determinem a ação nessas práticas. Também não significa que o giz/pincel, ao
                provocar marcas na lousa de modo a permitir que o professor João faça os registros
                necessários para a condução do jogo, atua como causa cujo efeito seria dado pela
                ação humana, porque, do contrário, esse objeto estaria sempre preso ao papel de
                intermediário.</p>
            <p>Abordando o ensino de geometria espacial para estudantes cegos, por meio de materiais
                manipuláveis e softwares que ampliam possibilidades de captação de detalhes das
                figuras, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Borges <italic>et al</italic>. (2020, p.
                    248)</xref> defendem que, “[...] quanto mais [...] uma aula tiver a ação de
                diversos agentes não humanos, professor e estudante podem formar uma rede de
                interações, resultando em associações [...] pouco deformadas e mais consistentes”.
                Por exemplo, a experiência apresentada por <xref ref-type="bibr" rid="B24">Ng e
                    Ferrara (2020)</xref>, visando ao estudo do aprendizado de Matemática mediado
                por tecnologia, analisam uma aula com a presença de uma impressora 3D portátil. Esse
                ator não humano propiciou a formação de um ambiente de criação e investigação, em
                que, embora o protagonismo do dispositivo tecnológico operando facilmente a
                construção de algumas peças, ou seja, o artefato agenciou o despertar do interesse
                dos estudantes e facilitando o processo de aprendizagem, à medida que se envolviam
                em atividades de resolução de problemas, baseadas em perguntas abordadas a partir
                das situações que se desdobraram dessa experiência vivenciada, como a propriedades
                de prismas e seções transversais, a partir das peças confeccionadas.</p>
            <p>Isso significa que esses estudantes, realizando uma atividade de Matemática, mediada
                com não humanos, seu modo de conceber a tarefa matemática é “[...] apreendido,
                modificado, alterado, tido por entidades não humanas que, por seu turno [...]
                alteram suas trajetórias, seus destinos, suas histórias” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B14">Latour, 2001, p. 323</xref>). Dessa forma, podemos pensar as práticas
                de educação matemática como redes sociotécnicas, nas quais os diversos tipos de
                atores, simetricamente posicionados, atravessam-nas, propiciando o desenvolvimento
                de diferentes ambientes para o aprendizado de Matemática.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B25">Santaella e Cardoso (2015)</xref>, para exemplificar
                essa horizontalidade ontológica e a agência dos objetos, utilizaram os argumentos
                (pró e contra) empregados na campanha publicitária no referendo sobre o desarmamento
                realizado no Brasil em 2005. Os autores mostram como a expressão: <italic>armas
                    matam pessoas</italic> sugere a predominância da técnica, por outro lado, a
                expressão: <italic>pessoas matam pessoas, não armas,</italic> confere um
                determinismo humano. Em outras palavras, temos “[...] como alternativa, para o
                problema da primazia dos humanos sobre os não humanos ou da destes sobre aqueles, a
                noção de mediação técnica, que vê em ambos um par dialógico simétrico” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B25">Santaella; Cardoso, 2015, p. 170</xref>). Esse
                conceito se refere, portanto, à possibilidade da gênese de propriedades novas que só
                surgem a partir da associação entre essas duas categorias, por exemplo, um “[...]
                homem com uma arma na mão não é mais o mesmo [...], e a arma na mão de um homem
                também é outro ser, bastante diferente da arma em uma gaveta” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B25">Santaella; Cardoso, 2015, p. 170</xref>), da mesma forma, um estudante
                usando uma calculadora para resolver a tarefa de casa é uma nova categoria,
                qualitativamente diferente das duas que o constitui, tomadas isoladamente. As ideias
                de rede sociotécnica e agência podem abrir caminho para análises em que se rejeitem
                as explicações que partem da dicotomia objetos/coisas – humanos em práticas de
                educação matemática.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>E os objetos continuaram agindo para sempre... Ou a história continua?</title>
            <p>Iniciamos esse texto convidando você, caro(a) leitor(a), para um <italic>passeio
                    despretensioso</italic> entre alguns dos principais conceitos da ANT, e pedimos
                para que imaginasse uma possível aula de Matemática. Ela nos serviu de exemplo de
                como essa abordagem sociológica pode nos ajudar a rastrear associações heterogêneas
                nas práticas de educação matemática, mais especificamente auxiliando-nos a lançar um
                novo olhar sobre os objetos, de modo a nos incentivar a compreender os não humanos
                igualmente como atores protagonistas. Podemos dizer que, nesse breve
                    <italic>percurso</italic>, buscamos apontar como a ANT já vem contribuindo e
                possíveis trilhas de aprofundamento de reflexões sobre o papel dos não humanos nas
                práticas de educação matemática. Isto é, trazermo-los igualmente como protagonistas
                para o centro desse palco, na condição de legítimos e dinâmicos atores.</p>
            <p>Como vimos, para desenvolver uma pesquisa, em consonância com pressupostos da ANT,
                não é suficiente reconhecermos as materialidades como elementos importantes nas
                práticas de educação matemática, precisamos encará-las como partícipes na construção
                do conhecimento matemático. A sala de aula de Matemática do professor João se
                mostrou uma rede em que atores humanos e não humanos, posicionados em um mesmo plano
                ontológico, associam-se para colocar em curso uma prática de educação matemática.
                Esse episódio, mesmo que ficcional, aponta para a necessidade de buscarmos formas de
                identificar não somente como os humanos constroem e lidam com os objetos, mas como
                esses últimos constituem aqueles e como da associação entre eles surgem os híbridos
                ou quase-objetos/quase-sujeitos. Esse empreendimento nos possibilitará realizarmos
                análises mais detalhadas do papel das materialidades nas práticas de educação
                matemática.</p>
            <p>Essas análises pressupõem a disposição para suscitar reiteradamente o questionamento
                sobre como os objetos estão atuando em determinada prática de educação matemática;
                esse é o ponto de partida para tornar as associações entre humanos e não humanos,
                mais facilmente rastreáveis nesses contextos. Levando-se em conta que as práticas de
                educação matemática, não a Matemática em si, constituem o objeto de estudo da
                Educação Matemática, podemos, partindo da noção de que elas são permeadas pelos
                objetos, vislumbrar uma Educação Matemática Simétrica (à semelhança da Sociologia
                Simétrica e da Antropologia Simétrica). Essa pode ser pensada como uma frente de
                pesquisa (não necessariamente fundamentada na ANT) que busca romper com as
                dicotomias herdadas do cientificismo humanista (<xref ref-type="bibr" rid="B16"
                    >Latour, 2021</xref>).</p>
            <p>Esse deslocamento entre distintos pontos de vista pode favorecer a noção de que uma
                aula de Matemática é construída em/por meio de redes sociotécnicas, encontrando eco
                não apenas na pesquisa sobre o igual protagonismo das tecnologias digitais nas
                práticas de educação matemática, como ainda ocorre, mas em outros campos como, por
                exemplo, a etnomatemática, ao estudar como não humanos se fazem presentes, de forma
                dinâmica nas práticas de educação matemática de povos tradicionais. Por fim,
                reafirmamos que, ao nos envolvermos na tarefa de contribuir com a divulgação da ANT
                na comunidade de educadores matemáticos, estamos conscientes da importância da
                pluralidade teórica que tem caracterizado nosso campo de estudo.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <ack>
            <title>Agradecimentos</title>
            <p>O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de
                Pessoal de Nível Superior (CAPES), Brasil, Código de Financiamento 001.</p>
            <p>Embora não sejam responsáveis pelas ideias aqui expressas, agradecemos às professoras
                Andreia Maria Pereira de Oliveira, Flávia Cristina de Macêdo Santana, Maria Helena
                Silveira Bonilla, ao professor Marcus Vinicius Maltempi e aos membros do Grupo de
                Estudos Observatório da Educação Matemática da Universidade Federal da Bahia, pela
                leitura crítica de versões preliminares deste ensaio.</p>
        </ack>
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