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				<journal-title>Ciência &amp; Educação (Bauru)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Ciênc. educ.
					(Bauru)</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">1516-7313</issn>
			<issn pub-type="epub">1980-850X</issn>
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				<publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, Universidade
					Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências, campus de
					Bauru.</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1516-731320240031</article-id>
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					<subject>ARTIGO ORIGINAL</subject>
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				<article-title>A epistemologia do obstáculo docente no uso da Tecnologia Digital da
					Informação e Comunicação</article-title>
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					<trans-title>The epistemology of teaching obstacle in the use of digital
						information and communication technology</trans-title>
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					Educação</institution>
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					Naturais e Matemática</institution>
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					Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática (PPGECIM),
					Blumenau, SC, Brasil</institution>
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				<label>1</label>
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					Catarina</institution>
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					Educação</institution>
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					<email>vera.schuhmacher@animaeducacao.com.br</email>
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				<corresp id="c1"><label>Autora Correspondente</label>
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<!-- 			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
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				<year>2024</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>A educação tem desafios que sobrevêm das transformações tecnológicas na sociedade
					que demandam dos professores a reavaliação acerca da inserção das Tecnologias
					Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) no processo de ensino e
					aprendizagem. O objetivo deste estudo é investigar a superação dos obstáculos
					epistemológicos e didáticos na inserção das TDIC na prática docente. A pesquisa
					adota a abordagem qualitativa de estudo de caso com professores da Educação
					Básica. Os instrumentos empregados foram questionário e entrevista, e a análise
					dos dados está alicerçada nos fundamentos teóricos propostos por Gaston
					Bachelard. Os resultados indicam que os professores enfrentam obstáculos
					estruturais, epistemológicos e didáticos diariamente. O conhecimento
					epistemológico em TDIC, construído a partir do senso comum, sem crítica e
					reflexão, é propulsor de novos obstáculos epistemológicos e didáticos. Os
					professores reconhecem a importância da formação continuada no processo de
					superação, mas relatam a descontinuidade e a limitação de conhecimentos
					desenvolvidos nesses momentos pedagógicos.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>Education has challenges that arise from technological transformations in society
					and require teachers to reassess the insertion of digital information and
					communication technologies (DICT) in the teaching-learning process. The
					objective of this study is to investigate the overcoming of epistemological and
					didactic obstacles to the insertion of DICT into teaching practice. We have
					adopted a qualitative case study approach with basic education teachers.
					Questionnaires and interviews were used, and data analysis was based on the
					theoretical foundations proposed by Gaston Bachelard. Results indicate that
					teachers face structural, epistemological, and didactic obstacles daily. New
					epistemological and didactic obstacles can boost epistemological knowledge in
					DICT, built on conventional wisdom without criticism or reflection. Teachers
					recognize that knowledge is limited at these instructional moments, but they
					also recognize the importance of continuous training to overcome them.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Educação básica</kwd>
				<kwd>Prática docente</kwd>
				<kwd>Formação continuada do professor</kwd>
				<kwd>Tecnologia digital da informação e comunicação</kwd>
				<kwd>Tecnologia e educação</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords</title>
				<kwd>Basic education</kwd>
				<kwd>Teaching practice</kwd>
				<kwd>Continuing teacher education</kwd>
				<kwd>Information and communication technology</kwd>
				<kwd>Technology and education</kwd>
			</kwd-group>
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	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Diante das mudanças recentes na educação, é imperativo reavaliar o processo de ensino
				e aprendizagem nas escolas. A revolução impulsionada pela Tecnologia Digital da
				Informação e Comunicação (TDIC) permeia a sociedade e adentra o ambiente escolar,
				formando-se a partir das reciprocidades criativas dos sujeitos com as tecnologias,
				com a sociedade e a cultura.</p>
			<p>A crença inicial de que a tecnologia poderia ter impacto positivo no aprendizado dos
				alunos levou a um movimento, por meio de políticas públicas, de aceleração para a
				inclusão de equipamentos, internet, ambientes escolares apropriados para as práticas
				de inclusão digital, enfim, recursos de hardware e software que viessem a promover o
				cumprimento de narrativas sobre a integração da escola ao universo tecnológico,
				vivido hoje pela sociedade em termos globais. No entanto, as TDIC na educação
				escolar ainda constituem um “[...] fenômeno complexo, envolvendo desde a compreensão
				dos professores, motivações, percepções e crenças sobre o aprendizado e a própria
				tecnologia” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Schuhmacher, 2014</xref>, p. 31).</p>
			<p>Em 2020, a utilização das ferramentas tecnológicas em salas remotas ocorreu pautada
				em uma política de enfrentamento estabelecido pela pandemia causada pelo vírus
				SARS-CoV-2, ano em que todos os professores passaram a usar recursos das TDIC, de
				uma maneira ou de outra, para suprir o espaço da sala de aula junto a seus alunos.
				Alguns professores, pela primeira vez em sua prática, trocaram o espaço conhecido da
				sala de aula, com carteiras, quadro e diálogo presencial com seus alunos por um
				espaço pouco conhecido, soluções tecnológicas propostas pelo Estado, cursos de
				formação acerca do processo de aulas remotas em ferramentas específicas, criação de
				videoaulas e atividades em aplicativos.</p>
			<p>Embora pesquisas em educação indiquem que as TDIC oferecem recursos que podem
				facilitar a interação entre os indivíduos, as informações e o conhecimento, apoiando
				o ensino e o aprendizado, seu uso em sala de aula é frequentemente prejudicado por
				obstáculos que levam o professor a situações de angústia e até rejeição ao seu
				uso.</p>
			<p>Passados três anos, a vida escolar que conhecíamos não é mais a mesma, o cenário
				global mudou drasticamente a vida de todos, exigindo mudanças, e nas instituições de
				ensino não foi diferente.</p>
			<p>Após a superação da severa pandemia e com o retorno das aulas presenciais, o cenário
					<italic>TDIC na Educação</italic>, que inicialmente foi apoiado pelas políticas
				públicas, tendo em seu arcabouço um histórico de duas décadas de trabalho com
				tecnologias e contando com o apoio que a opinião pública que confere às ações de
				inclusão das TDIC na escola, sua confiança como um elemento que qualifica a prática
				docente com ares de inovação, surge a reflexão estabelecida nas questões
				orientadoras da pesquisa: as dificuldades no uso das TDIC na prática didática
				pedagógica do professor foram superadas?</p>
			<p>É importante considerar que os obstáculos epistemológicos que levam o professor a
				situações de angústia e até rejeição no uso das TDIC em sua prática não são
				inerentes a sua prática, mas construções que ocorreram durante os processos de
				ensino e aprendizagem ao longo de sua formação e prática.</p>
			<p>Neste manuscrito, relatam-se resultados de uma pesquisa que teve como objetivo
				analisar as possibilidades de superação dos obstáculos epistemológicos, didáticos e
				estruturais no uso das TDIC na prática docente. Os professores envolvidos na
				pesquisa são da <italic>Escola de Educação Básica São Ludgero</italic>, pertencente
				à rede pública de ensino do Estado de Santa Catarina.</p>
			<p>Frequentemente, pesquisas científicas relatam a limitada capacidade dos professores
				para integrar tecnologias digitais em seu ensino de uma maneira que ultrapasse o uso
				ocasional de ferramentas digitais, uma postura às vezes ansiosa e/ou resistente em
				relação à integração tecnológica (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Schuhmacher; Alves
					Filho; Schuhmacher, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">Skantz-Åberg
						<italic>et al</italic>., 2022</xref>). No entanto, em um mundo de constantes
				mudanças, é necessário que o professor esteja preparado para novas reflexões e
				questionamentos, desconstruindo conhecimentos mal formulados, possibilitando a
				superação dos obstáculos e abrindo caminho para a construção e reconstrução de novos
				conhecimentos.</p>
			<sec>
				<title><italic>O professor e as Tecnologias Digitais da Informação e
						Comunicação</italic></title>
				<p>Desde os tempos mais antigos, a educação tem sido um componente essencial da vida
					humana, seja na transmissão de habilidades de sobrevivência ou na partilha de
					conhecimentos de uma geração para a próxima. No século XX, a profissão docente
					ganhou destaque e estrutura, estabelecendo um caminho para a escolarização e a
					disseminação do conhecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Nóvoa,
					1992</xref>).</p>
				<p>Hoje, a identidade de um educador é formada por uma variedade de fatores,
					incluindo sua cultura, formação acadêmica, carreira, estilo de vida, experiência
					profissional, conhecimento teórico e epistemológico, entre outros. <xref
						ref-type="bibr" rid="B24">Tardif (2014</xref>, p. 11) enfatiza que “[...] o
					conhecimento dos professores está intrinsecamente ligado à sua identidade
					pessoal e profissional, suas experiências de vida, suas interações com os alunos
					na sala de aula e com outros atores na escola”.</p>
				<p>Esse conhecimento se constrói ao longo da vida, em uma profissão que implica
					“[...] um reforço das dimensões coletivas e colaborativas, do trabalho em
					equipe, da intervenção conjunta nos projetos educativos da escola” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B14">Nóvoa, 2009</xref>, p. 31).</p>
				<p>Com a introdução das TDIC, os professores, que já possuem suas competências, são
					incentivados a buscar novas metodologias para ensinar e, consequentemente,
					também aprender. Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B23">Skantz-Åberg
							<italic>et al</italic>. (2022)</xref> destacam o conceito de competência
					digital e profissional docente, que envolve a capacidade do professor de
					refletir e utilizar tecnologias na pedagogia para a aprendizagem dos estudantes;
					ou seja, “[...] a ideia pedagógica de usar a tecnologia digital para aprender”
						(<xref ref-type="bibr" rid="B10">Johannesen; Øgrim; Giæver, 2014</xref>, p.
					309, tradução nossa).</p>
				<p>Assim, a competência digital profissional do professor é a mobilização de
					conhecimentos em TDIC (elementares) aliada à mobilização de conhecimentos
					pedagógicos, com o uso da tecnologia digital, aplicadas ao conteúdo disciplinar
					didático.</p>
				<p>Outro aspecto a destacar é a importância da mobilização de conhecimentos em TDIC
					na formação inicial, sua legitimação na prática do futuro docente é fundamental,
					pois entende-se que professores capacitados e habilitados no uso da TDIC
					buscarão formas de aprimorar suas práticas educativas, refletindo sobre o papel
					destas, em constante formação para o exercício da profissão (<xref
						ref-type="bibr" rid="B18">Pereira; Pinheiro, 2020</xref>; <xref
						ref-type="bibr" rid="B19">Riedner; Pischetola, 2016</xref>; <xref
						ref-type="bibr" rid="B20">Schuhmacher, 2014</xref>).</p>
				<p>Ao perceber o avanço da TDIC nas diferentes esferas da sociedade e sua incursão
					na Educação, ressalta-se a importância da ressignificação de seu uso no espaço
					escolar pois “[...] o progresso científico e tecnológico que não responde
					fundamentalmente aos interesses humanos, às necessidades de nossa existência,
					perde seu significado” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Freire, 1996</xref>, p.
					82).</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>O obstáculo epistemológico de Bachelard</title>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B1">Bachelard (1996)</xref> propõe uma nova abordagem
				para as pesquisas, identificando obstáculos epistemológicos que impedem a construção
				do conhecimento. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B1">Bachelard (1996</xref>, p.
				19), “[...] um obstáculo epistemológico se incrusta no conhecimento não questionado.
				Hábitos intelectuais que foram úteis e sadios podem, com o tempo, entravar a
				pesquisa”. Esses obstáculos precisam ser superados para que o pensamento científico
				seja alcançado, e sugere que o conhecimento da realidade sempre lança algumas
				sombras, indicando que nem tudo está explicitamente claro e que sempre há mais a ser
				descoberto.</p>
			<p>O autor destaca o desafio de desconstruir conceitos tradicionais e primitivos, e
				enfatizar sua aplicabilidade em seus próprios termos. Assim, quando o educador
				retorna à experiência, ele está mais bem preparado para fazer as distinções
				necessárias no fenômeno. Se o concreto não for abstraído, o conhecimento será
				esvaziado. Todo conhecimento surge de estudo, questionamentos, processos de pesquisa
				e verificação. O obstáculo epistemológico, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B1"
					>Bachelard (1996)</xref>, é um conhecimento mal adaptado, um saber que não foi
				questionado, sem reflexões, baseado em opiniões. O espírito acaba por gostar mais
				daquilo que confirma o seu saber, “[...] não é, pois, de admirar que o primeiro
				conhecimento objetivo seja um primeiro erro” (<xref ref-type="bibr" rid="B1"
					>Bachelard, 1996</xref>, p. 68). Refutar e superar essas ideias estabelecidas,
				com questionamentos plausíveis, é evoluir para o conhecimento científico.</p>
			<p>Entende-se que a experiência primeira no uso das TDIC na escola, pelo professor que
				se orienta pelo senso comum, sem questionamento, crítica ou reflexão, ocorre no
				espaço ideal para a edificação do obstáculo epistemológico. O senso comum é o
				primeiro obstáculo a ser superado. <xref ref-type="bibr" rid="B1">Bachelard
					(1996)</xref> argumenta ser necessário romper com essa forma de conhecimento e
				investigar os fatos sob métodos científicos e à luz da razão. A noção do obstáculo
				epistemológico permite tratar do caráter insistente e, por vezes, generalizado de
				certas resistências ao conhecimento científico. “O obstáculo epistemológico pode ser
				definido como qualquer conceito ou método que impede a ruptura epistemológica”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B20">Schuhmacher, 2014</xref>, p. 101).</p>
			<p>O obstáculo didático de origem epistemológica opera como uma barreira que trava o
				fazer pedagógico do professor no processo de ensino e aprendizagem. Para <xref
					ref-type="bibr" rid="B21">Schuhmacher, Alves Filho e Schuhmacher (2017</xref>,
				p. 566) “[...] o obstáculo didático acontece quando o professor não consegue
				conduzir uma situação de ensino coerente de forma a contribuir para a aprendizagem
				do aluno”. Os obstáculos didáticos de origem epistemológica são identificados por
					<xref ref-type="bibr" rid="B6">Brousseau (1976)</xref> como aqueles que não
				podem e nem devem escapar ao próprio fato de seu papel constitutivo do conhecimento.
				Os obstáculos didáticos são conhecimentos que se encontram relativamente
				estabilizados no plano intelectual e que podem dificultar a evolução da aprendizagem
				do saber escolar (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brousseau, 2008</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B16">Pais, 2002</xref>).</p>
			<p>Ao enfrentar o obstáculo estrutural durante uma estratégia didática de inclusão das
				TDIC, o professor, em muitas situações, gesta o obstáculo didático. Não ser possível
				conduzir o planejamento realizado, por questões técnicas, relacionadas ao mau
				funcionamento, insuficiência do recurso utilizado (computadores), instabilidades
				(internet) e inexistência de apoio pedagógico são exemplos de obstáculos estruturais
				que trazem ao professor o desencanto com o uso das TDIC em sua proposta didática
					(<xref ref-type="bibr" rid="B21">Schuhmacher; Alves Filho; Schuhmacher,
					2017</xref>).</p>
			<p>Os obstáculos epistemológicos na prática docente subjugam o professor, que acuado por
				não ter a construção correta desse conhecimento, não consegue levar a termo sua
				estratégia didática, seu planejamento, pondera sua falha na aprendizagem do aluno e
				passa a enfrentar o obstáculo didático, em que retoma sua antiga estratégia, e
				excluir o recurso das tecnologias digitais passa a ser sua escolha.</p>
			<p>A superação do obstáculo epistemológico e epistemológico didático também é um
				processo de abandono do conhecimento simples, pessoal e do senso comum para o
				patamar do conhecimento científico. Para tanto, é imperativo que o educador
				reconstrua seu próprio saber. A superação dos obstáculos exige o uso de atos
				epistemológicos, isto significa, rupturas com os conhecimentos existentes seguidos
				por reestruturação (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Bachelard, 1996</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O planejamento da pesquisa</title>
			<p>A pesquisa aqui relatada teve como objetivo gerar um conhecimento que vai além das
				aparências superficiais, focando nos obstáculos e na idealização de respostas para
				problemas ainda não percebidos. Os resultados descritos são fundamentados nas
				concepções da pesquisa qualitativa, que “[...] envolve a coleta de dados
				descritivos, obtidos através do contato direto do pesquisador com a situação
				estudada, enfatizando mais o processo do que o produto e se preocupando em retratar
				a perspectiva dos participantes” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Lüdke; André,
					2018</xref>, p. 14). O estudo de caso, por sua vez delimita o volume dos dados
				pesquisados observando a singularidade: “[...] é o estudo de um caso sempre bem
				delimitado, devendo ter seus contornos claramente definidos no desenrolar do estudo”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B12">Lüdke; André, 2018</xref>, p. 20). A pesquisa é
				classificada como um estudo de caso, pois envolve uma pesquisa aprofundada sobre a
				inserção da TDIC na prática docente de professores da <italic>Escola de Educação
					Básica São Ludgero</italic>.</p>
			<p>A pesquisa permitiu explorar o problema usando técnicas que visam à objetividade e à
				precisão, reunindo ideias e soluções potenciais para perguntas e problemas sobre a
				inserção da TDIC na prática docente. Como afirmam <xref ref-type="bibr" rid="B12"
					>Lüdke e André (2018</xref>, p. 2), &quot;[...] esses conhecimentos são,
				portanto, o resultado da curiosidade, da inquietação, da inteligência e da atividade
				investigativa dos indivíduos, a partir e em continuação do que já foi elaborado e
				sistematizado pelos que trabalharam no assunto anteriormente&quot;.</p>
			<p>A <italic>Escola de Educação Básica São Ludgero</italic> conta com 73 professores,
				atendendo o Ensino Fundamental Anos Iniciais, Ensino Fundamental Anos Finais e
				Ensino Médio na cidade de São Ludgero, no estado de Santa Catarina. A seleção dos
				participantes foi fortemente influenciada pela relação entre os professores e a
				pesquisadora, bem como pelo interesse e disposição em contribuir para a melhoria do
				ensino por meio do uso da TDIC.</p>
			<sec>
				<title><italic>Instrumentos da Pesquisa</italic></title>
				<p>No processo de coleta de dados primários foram utilizados dois instrumentos, o
					questionário e a entrevista.</p>
				<p>O questionário, realizado por meio do <italic>Google Forms</italic>, conforme
					sugerido por <xref ref-type="bibr" rid="B22">Silva e Menezes (2005)</xref>, teve
					uma série de perguntas, abertas e fechadas, ordenadas a serem respondidas. A
					construção da matriz questionário foi conduzida por três seções: perfil do
					professor, conhecimento em TDIC e o uso da TDIC na prática docente.</p>
				<p>O <bold><xref ref-type="table" rid="t1">quadro 1</xref></bold> apresenta a matriz
					de construção do questionário para os professores da Educação Básica, mostrando
					as seções, objetivos e número de questões.</p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Quadro 1</label>
					<caption>
						<title>Matriz questionário - professores da Educação Básica</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<thead>
							<tr>
								<th align="left" valign="top">Seção</th>
								<th align="center" valign="top">Objetivos</th>
								<th align="center" valign="top">Questões</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Perfil do professor </td>
								<td align="center" valign="top">Identificar a identidade
									profissional do entrevistado</td>
								<td align="center" valign="top">5 fechadas</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Conhecimento em TDIC</td>
								<td align="center" valign="top">Identificar a forma como o
									conhecimento em TDI<break/>C foi construído pelo professor</td>
								<td align="center" valign="top">13 fechadas</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">O uso da TDIC na prática docente</td>
								<td align="center" valign="top">Identificar a percepção e uso das
									TDIC na educação</td>
								<td align="center" valign="top">4 fechadas<break/>3 abertas</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Elaborado pelos autores.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<p>O questionário passou por um processo de validação para garantir não apenas a
					compreensão, mas também a correção gramatical, concisão e clareza das perguntas
					propostas, conforme indicado por <xref ref-type="bibr" rid="B17">Pasquali
						(2004)</xref>. A validação foi realizada com dois professores da escola e a
					pesquisadora, que não participariam da coleta de dados. Sugestões e críticas
					consideradas relevantes foram incorporadas. A coleta de dados foi realizada por
					envio de e-mail para os professores da escola.</p>
				<p>O segundo instrumento empregado foi a entrevista não estruturada, conduzida
					remotamente via ambiente de comunicação remota <italic>Zoom</italic>. A
					entrevista é um instrumento eficaz e flexível, pois permite ao entrevistador
					dialogar com o entrevistado, coletar informações precisas e fazer as adaptações
					e ajustes necessários (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Lüdke; André,
					2018</xref>). O tempo médio de cada entrevista foi de 30 a 40 minutos. Foram
					realizadas sete entrevistas, considerando os docentes que se indicaram
					disponíveis no preenchimento do questionário. O instrumento foi desenvolvido com
					base nas respostas fornecidas no questionário, composto por questões destinadas
					a complementar lacunas que se entenderam necessárias. O <bold><xref
							ref-type="table" rid="t2">quadro 2</xref></bold> apresenta a matriz de
					construção da entrevista em três seções.</p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Quadro 2</label>
					<caption>
						<title>Matriz entrevista: professores da Educação Básica</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<thead>
							<tr>
								<th align="left" valign="top">Seção</th>
								<th align="center" valign="top">Objetivos</th>
								<th align="center" valign="top">N. <break/>Questões</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Identificação do professor </td>
								<td align="center" valign="top">Identificar a identidade
									profissional do entrevistado.</td>
								<td align="center" valign="top">3</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">A aceitação da TDIC na prática
									docente</td>
								<td align="center" valign="top">Investigar a participação docente em
									cursos de formação continuada e o uso de recursos digitais em
									sua prática.</td>
								<td align="center" valign="top">6</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" valign="top">Obstáculos na inserção da TDIC</td>
								<td align="center" valign="top">Identificar os obstáculos no uso da
									TDIC.</td>
								<td align="center" valign="top">10</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Elaborado pelos autores.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<p>Para examinar os dados, foi proposta a análise de conteúdo, definida por <xref
						ref-type="bibr" rid="B2">Bardin (2016, p. 48)</xref> como</p>
				<p>
				<disp-quote>
					<p>[...] um conjunto de técnicas para analisar comunicações que visam obter, por
						meio de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das
						mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de
						conhecimentos relacionados às condições de produção/recepção (variáveis
						inferidas) dessas mensagens.</p>
				</disp-quote>
			</p>
				<p>Assim, foram consideradas as seguintes categorias:</p>
				<list list-type="simple">
					<list-item>
						<p>- obstáculo epistemológico: tudo que impede a construção do conhecimento,
							sem críticas ou reflexões (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Bachelard,
								1996</xref>);</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>- obstáculo didático: barreira que impede a prática pedagógica do
							professor e, portanto, dificulta a condução de uma situação de ensino
								(<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brousseau, 2008</xref>);</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>- obstáculo estrutural: composto por questões de infraestrutura física,
							gestão, software e equipes de apoio pedagógico e técnico para manutenção
							de recursos de software e hardware (<xref ref-type="bibr" rid="B20"
								>Schuhmacher, 2014</xref>);</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>- motivação dos professores: quando o profissional percebe a
							importância/significado do uso das TDIC em sua prática pedagógica para a
							aprendizagem do aluno;</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>- conhecimento em TDIC: conhecimentos e fragilidades que o professor tem
							no uso de TDIC em sua estratégia didática; e</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>- formação continuada: sobre conhecimentos elementares e pedagógicos de
							TDIC e sua inserção na prática docente.</p>
					</list-item>
				</list>
				<p>Na próxima seção são tratadas as discussões dos resultados a partir da análise
					dos dados.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Discussão</title>
			<p>Ao finalizar a coleta de dados com o Questionário Docente, verificada a completude
				dos formulários e aceite do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, o percentual
				alcançado foi de 52% dos professores da escola, sendo uma representação
				significativa do perfil docente. O questionário revelou que 49% estão com menos de
				40 anos; 26,8% dos participantes têm entre 40 e 45 anos; e 24%, mais de 45 anos.
				Todos os respondentes possuem licenciatura e, além disso, 70,7% concluíram cursos de
				pós-graduação lato sensu após a obtenção de sua licenciatura, e 4,8% concluíram
				cursos stricto sensu. Esses dados permeiam o propósito docente, “[...] como sujeitos
				competentes que detêm saberes específicos ao seu trabalho” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B24">Tardif, 2014</xref>, p. 230).</p>
			<p>Questionados sobre o nível de ensino e as séries em que atuam, 30 professores ensinam
				no Ensino Médio e 22 no Ensino Fundamental, Séries Finais, especificamente nas
				turmas de 8º e 9º anos. São 20 professores atuantes em turmas de 6º e 7º anos e 5
				professores nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.</p>
			<p>Em seguida, buscou-se identificar como os professores construíram seu conhecimento em
				TDIC. Observa-se, aqui, a importância da troca de experiências, apontada por 58,5%
				dos professores; 56,1% deles atribuíram ser a formação continuada sua fonte de
				construção de conhecimentos; 41,5% consideram-se autodidatas. Para este último caso,
				entendem-se as oportunidades oferecidas pela internet e seus mecanismos de busca na
				web. A <bold><xref ref-type="fig" rid="f1">figura 1</xref></bold> apresenta a
				representação desses dados.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Construção do conhecimento</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24031-gf01.png"/>
					<attrib>Fonte: Elaborado pelos autores.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Ao serem questionados sobre a participação em cursos de formação continuada que
				abordam a TDIC na prática docente, 65,9% dos entrevistados afirmaram ter
				participado. De maneira geral, os cursos de formação continuada têm por objeto
				contribuir de forma significativa na construção do conhecimento profissional
				docente, em um propósito importante de desenvolver a reflexão acerca de suas
				práticas de forma a elevá-la a uma consciência coletiva.</p>
			<p>
				<disp-quote>
				<p>O ciclo do desenvolvimento profissional completa-se com a formação continuada.
					Face à dimensão dos problemas e aos desafios atuais da educação precisamos, mais
					do que nunca, reforçar as dimensões coletivas do professorado. [...] Esta nova
					construção pedagógica precisa de professores empenhados num trabalho em equipa e
					numa reflexão conjunta. É aqui que entra a formação continuada, um dos espaços
					mais importantes para promover esta realidade partilhada (<xref ref-type="bibr"
						rid="B15">Nóvoa, 2019</xref>, p. 10).</p>
			</disp-quote>
			</p>
			<p>Àqueles que afirmaram positivamente sua participação em cursos de formação
				continuada, foi solicitada uma valoração, por meio de nota, acerca da pertinência do
				curso no apoio à inclusão de TDIC em sua prática, em uma escala de 1 a 5, em que 1 é
					<italic>Muito ruim</italic>; 2 é <italic>Ruim</italic>; 3 é
					<italic>Regular</italic>; 4 é <italic>Bom</italic>; e 5 é Ótimo. Nessa questão,
				28 professores indicaram sua percepção (<bold><xref ref-type="fig" rid="f2">figura
						2</xref></bold>).</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Valoração dos cursos de formação continuada</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24031-gf02.png"/>
					<attrib>Fonte: Elaborada pelos autores.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>O apontamento feito pelo grupo de professores indica que, para 7,1% desses
				participantes da pesquisa, os cursos de formação continuada pouco contribuíram para
				a construção de conhecimentos pertinentes na inclusão de TDIC em sua prática; 10,7%
				consideraram ter(em) sido ótima(s) a(s) formação(ões). Observa-se que 53,6% dos
				professores consideraram a formação continuada regular.</p>
			<p>Entendendo a importância dos cursos de formação e a percepção dos professores sobre
				os referidos cursos, solicitou-se que informassem suas expectativas docentes ao se
				inscreverem em curso de formação continuada. Na transcrição, os professores destacam
				a necessidade de aprimorar o conteúdo, a profundidade e a consistência dos
				cursos.</p>
			<p>
				<disp-quote>
				<p><italic>É crucial que os cursos de formação em tecnologia digital atendam às
						demandas contemporâneas, como o uso de aplicativos/programas que ampliem o
						potencial de significado e comunicação nas diversas formas de
						linguagem</italic> [Professor 15].</p>
			</disp-quote>
			</p>
			<p><italic>Cursos mais frequentes</italic> [Professor 8].</p>
			<p>Compreende-se que a formação específica dos professores requer uma abordagem de
				cursos mais abrangente e consistente em diversas áreas de conhecimento que pertencem
				a Educação Básica. <xref ref-type="bibr" rid="B14">Nóvoa (2009</xref>, p. 35)
				registra que a necessidade de mudança deve ser constante, e que “a inovação é um
				elemento central do próprio processo de formação”. Nesse sentido, cursos genéricos,
				em que não trabalhadas as especificidades de cada área disciplinar, geralmente não
				são interessantes, pois exemplos de uma área específica normalmente não são
				adaptáveis para todas as áreas.</p>
			<p>Nesse ponto da discussão, adentramos o uso de TDIC na prática docente, na inserção de
				TDIC em sala de aula. Os professores afirmam, em sua maioria, que são raras as vezes
				que usam os recursos de TDIC na organização das aulas. Em relação aos aplicativos e
				programas que empregam, foram mencionados diversos, como o Diário on-line, o
				processador de texto <italic>Word</italic>, o editor de apresentações
					<italic>PowerPoint</italic> ou o <italic>Canva</italic> para educação, além do
				uso de gravadores de vídeo e áudio. Alguns professores também incorporam o
					<italic>Excel</italic> e ferramentas de desenho, como <italic>Paint
					brush</italic> ou <italic>Coreldraw</italic>, enquanto poucos mencionaram o uso
				da <italic>Lousa Digital</italic>.</p>
			<p>Sobre a utilização de ambientes de aprendizagem em contextos de ensino-aprendizagem
				usados na mediação didática, 42,5% dos respondentes afirmaram que os utilizam, 40%
				informaram que os usam esporadicamente, e 2,4% que não os utilizam. Entende-se que,
				o uso da TDIC na prática docente, envolve o aluno e propicia o desenvolvimento de
				habilidades necessárias a sua formação e sua inserção na cultura digital.</p>
			<p>
				<disp-quote>
				<p>Os novos processos de interação e comunicação no ensino mediado pelas tecnologias
					visam ir além da relação entre ensinar e aprender. Orientam-se para a formação
					de um novo homem, autônomo, crítico, consciente da sua responsabilidade
					individual e social, enfim, um novo cidadão para uma nova sociedade (<xref
						ref-type="bibr" rid="B11">Kenski, 2003</xref>, p. 139).</p>
			</disp-quote>
			</p>
			<p>Em relação aos aplicativos digitais empregados na prática pedagógica, o
					<italic>Quiz</italic>, que permite a criação de questões teóricas, é usado na
				avaliação do conhecimento do aluno, é o mais utilizado (42,8%), seguido pela
				ferramenta de localização <italic>Google Earth</italic>. Ao retomar o questionamento
				acerca da percepção docente sobre o uso de TDIC em sua prática docente, concordamos
				com <xref ref-type="bibr" rid="B7">Franco (2016)</xref>, que afirma:</p>
			<p>
				<disp-quote>
				<p>A prática docente configura-se como prática pedagógica quando está se insere na
					intencionalidade prevista para sua ação. Assim, um professor que sabe qual é o
					sentido de sua aula em face da formação do aluno, que sabe como sua aula integra
					e expande a formação desse aluno, que tem a consciência do significado de sua
					ação, tem uma atuação pedagógica diferenciada: ele dialoga com a necessidade do
					aluno, insiste em sua aprendizagem, acompanha seu interesse, faz questão de
					produzir o aprendizado, acredita que este será importante para o aluno. (<xref
						ref-type="bibr" rid="B7">FRANCO, 2016</xref>, p. 541).</p>
			</disp-quote>
			</p>
			<p>Em questão aberta, o professor 15 detalhou sua percepção sobre as potencialidades da
				TDIC no apoio ao processo de ensino-aprendizagem:</p>
			<p>
				<disp-quote>
				<p><italic>O uso das tecnologias digitais aproxima os estudantes dos conceitos que
						devem ser abordados em cada componente curricular. Essa interação ocorre de
						forma mais significativa, pois a tecnologia é parte da realidade dos jovens.
						Portanto, a tecnologia não está desvinculada da prática pedagógica, mas é
						parte integrante do processo de construção do conhecimento</italic>
					[Professor 15].</p>
			</disp-quote>
			</p>
			<p>Essa visão é corroborada por <xref ref-type="bibr" rid="B20">Schuhmacher
					(2014)</xref>, que destaca que o professor conhece e reconhece as
				potencialidades das TDIC em sua prática docente, e acredita que seu uso apoia o
				processo de ensino-aprendizagem, organiza e torna visível temas abstratos, motiva o
				aprendizado, entre outras possibilidades. Contudo, o conhecimento expressa apenas um
				senso comum, e não é a realidade posta em sala de aula. Frequentemente, a
				compreensão sobre as TDIC não é originada de um conhecimento adquirido em contextos
				de ensino-aprendizagem, mas de experiências cotidianas fora da sala de aula. Nota-se
				que o senso comum influencia a atitude em relação à implementação das TDIC na
				prática docente.</p>
			<p>A insegurança surge como resultado de um conhecimento mal construído ou não
				construído, tornando cada vez mais desafiador o seu uso em atividades pedagógicas
				habituais. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B21">Schuhmacher, Alves Filho e
					Schuhmacher (2017</xref>, p. 566), o obstáculo epistemológico na educação “[...]
				se estabelece em um conhecimento não discutido, que se consolida e passa a obstruir
				o conhecimento pedagógico”.</p>
			<p>Ao serem indagados sobre o uso da internet, 42,2% dos professores mencionaram a
				instabilidade da conexão como um problema recorrente, pois a falta de conexão
				interrompe a dinâmica do professor e exige mudança de estratégia de ensino. Nesse
				sentido, entende-se que uma conexão de internet ineficiente, de baixa velocidade e
				com interrupções transforma o planejamento e a aplicação da estratégia didática em
				um momento de frustração e, às vezes, de perda de controle da aula. Interpelados
				sobre situações que os levam a não utilizar a TDIC em sua estratégia didática, 29,4%
				apontam a indisponibilidade de softwares/aplicativos que seriam necessários para o
				conteúdo que lecionam, 17,6% apontam laboratórios indisponíveis no período em que
				estão na escola, a carga horária em sala de aula “grande” e a necessidade de rever o
				planejamento de suas disciplinas desmotivam 17,7% dos docentes. Algumas declarações
				confirmam desconforto, resultado mais proeminente de uma estratégia que, em última
				análise, não foi bem-sucedida - o aprendizado do aluno:</p>
			<p>
				<disp-quote>
				<p>[...] <italic>ter bons equipamentos e ter um suporte na escola para eventuais
						problemas, precisamos do básico</italic> [Professor 19].</p>
				<p>[...] <italic>internet com instabilidade, falta de conhecimento prático para usar
						certas ferramentas</italic> [Professor 5].</p>
				<p>[...] <italic>falta de cabos, internet, caixa de som</italic> [Professor 19].</p>
			</disp-quote>
			</p>
			<p>Percebe-se que o obstáculo estrutural impulsiona o obstáculo didático que, por sua
				vez, complica a prática pedagógica do professor. Ao enfrentar uma situação de
				estresse com equipamentos e internet que não funcionam, o professor é forçado a
				interromper seu planejamento e frequentemente se encontra em um contexto em que não
				consegue resolver problemas pela falta de uma equipe de suporte técnico. Pressionado
				pela tecnologia, como continuar com seu planejamento? Como lidar com os alunos que
				estão excluídos do que, há poucos minutos, era a estratégia planejada?</p>
			<p>Neste contexto o professor nos diz: “[...] <italic>é importante para o aluno, mas
					ainda tenho dificuldades no uso</italic>” [Professor 12].</p>
			<p>Fecha-se o espaço de inclusão da TDIC, o obstáculo estrutural cerra fronteiras em que
				o professor se acanha em seu uso.</p>
			<p>Não obstante, é meritório discutir-se que os obstáculos estruturais reverberam na
				responsabilidade de políticas públicas adequadas para as escolas, já pontuadas pela
				Constituição Nacional “[...] proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação,
				à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação [...]” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B3">Brasil, 1988</xref>). Já a lei de diretrizes e bases da educação
				nacional (LDB) traz como princípio básico do ensino: “igualdade de condições para o
				acesso e permanência na escola” e “garantia de padrão de qualidade” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B4">Brasil, 1996</xref>, p. 9).</p>
			<p>Por outro lado, o descuido das políticas públicas em torno do acesso as tecnologias
				digitais, em destaque a internet, demonstram um grau de ambiguidade no cenário
				escolar entende-se a necessidade de se pensar a educação como uma prática social,
				como diálogo de reconhecimento que se constitui na percepção e na experiência social
				do cotidiano, auxiliando assim, na prevenção de exclusões tecnológicas coletivas
					(<xref ref-type="bibr" rid="B8">Freire, 1996</xref>).</p>
			<sec>
				<title><italic>Entrevista</italic></title>
				<p>Os professores entrevistados mencionaram as tecnologias como meio de mediação,
					afirmando que foram utilizadas com os alunos para realizar pesquisas na internet
					sobre conteúdos disciplinares, construir materiais para apresentações em sala,
					vídeos para reforço do conteúdo e a criação de mapas mentais.</p>
				<p>O uso do celular é adotado por dois professores em sala de aula. Um dos
					professores expressou:</p>
				<p>
				<disp-quote>
					<p><italic>Acredito que sim, ajuda. A questão do celular, só precisamos saber
							limitá-los, certo? O que eles vão fazer, o que eles vão produzir com o
							celular, mas é mais rápido, certo? Às vezes, eles têm uma pesquisa para
							fazer. É muito rápido, é muito ágil, certo? Eles procuram ali, já vêm as
							respostas. Então, claro, ensinar eles a filtrar, certo? Também, porque é
							muito conhecimento que vem</italic> [Professor 21].</p>
				</disp-quote>
			</p>
				<p>É imprescindível reafirmar que o conhecimento epistemológico e pedagógico em TDIC
					do professor em situações de ensino e aprendizagem, e a sua maturidade envolve
					“[...] habilidades, atitudes e conhecimentos necessários para apoiar a
					aprendizagem num mundo digitalmente rico” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Hall;
						Atkins; Fraser, 2014</xref>, p. 5, tradução nossa). Quando os professores
					foram questionados sobre o uso das tecnologias em sua prática, o Professor 26
					respondeu:</p>
				<p>
				<disp-quote>
					<p><italic>Uso, quando necessário, mas o processo é bem básico, mesmo. Uso para
							pesquisas para os planejamentos diários, alguma dúvida de alunos que eu
							não sei no momento, eu também faço pesquisa, e as questões de elaboração
							de trabalhos, provas</italic> [Professor 26].</p>
				</disp-quote>
			</p>
				<p>A observação do professor parece demonstrar que ele desconhece as possibilidades
					da TDIC em sua prática, faltando conhecimento epistemológico e pedagógico para
					trazer esses recursos para sua prática didática. Essa fala traz “[...] a marca
					de um empirismo evidente e básico. É tão agradável para a preguiça intelectual
					limitar-se ao empirismo, chamar um fato de fato” (<xref ref-type="bibr" rid="B1"
						>Bachelard, 1996</xref>, p. 37). Na fala do professor, vislumbram-se
					obstáculos epistemológicos e epistemológico-didáticos. Entende-se que o
					professor apresenta conhecimentos elementares em TDIC, passando ao largo do
					conhecimento pedagógico.</p>
				<p>
				<disp-quote>
					<p>[...] <italic>eu acho que a gente vive nesse meio
							técnico-científico-informacional, e os nossos alunos estão inseridos
							nessa era da tecnologia. Então, para eles, às vezes, o que era difícil
							para nós até um tempo atrás, para eles é muito fácil. Então eles se
							encaixam muito mais do que nós, que não nascemos nessa era da
							tecnologia, como eles</italic> [Professor 19].</p>
				</disp-quote>
			</p>
				<p>Ao justificar a importância da tecnologia, o entrevistado expôs sua fragilidade
					no que concerne seu conhecimento da TDIC no ensino e as competências necessárias
					para seu uso na prática docente. A fala conduz à interpretação de uma situação
					em que o professor parece inseguro frente ao conhecimento do aluno em TDIC.
						<xref ref-type="bibr" rid="B1">Bachelard (1996</xref>, p. 17) afirma ser
					“[...] no cerne do próprio ato de conhecer que aparecem, por uma espécie de
					imperativo funcional, lentidões e conflitos”.</p>
				<p>Ao serem indagados sobre a razão do não uso da TDIC em suas práticas, os
					professores trouxeram argumentos em que retratam barreiras estruturais. Entre
					elas, a falta de softwares ou aplicativos para abordar o conteúdo curricular, a
					indisponibilidade de laboratórios e a carga horária extensa em sala de aula, que
					limita o tempo para repensar estratégias e planejamentos que incorporem recursos
					digitais.</p>
				<p>Quando questionados se os cursos de formação continuada em TDIC trouxeram
					possibilidades de uso de tecnologias digitais para sua área de conhecimento, os
					entrevistados, em um primeiro momento, afirmaram que foi positivo. No entanto,
					durante o relato, criticaram os cursos oferecidos, afirmando não terem
					compreendido como utilizar a TDIC como recurso didático. Fica evidente a busca
					por conhecimentos, não construídos na formação continuada:</p>
				<p>
				<disp-quote>
					<p><italic>Um professor de Geografia de Goiás, por exemplo, ensinou como usar o
							Kahoot e como criar atividades online, o que foi excelente para a
							disciplina, que envolve mapas</italic> [Professor 2].</p>
					<p><italic>Aprendi a trabalhar mais no básico, que muitas vezes é subestimado, e
							aprendi a criar e editar vídeos</italic> [Professor 33].</p>
				</disp-quote>
			</p>
				<p>Sobre críticas ou sugestões aos cursos de formação para o uso das TDIC, todos os
					professores sugeriram a criação de cursos práticos com foco nas TDIC em sua área
					de conhecimento. Percebeu-se uma ansiedade do professor em aprender a usar os
					recursos disponíveis em seu conteúdo curricular.</p>
				<p>As falas dos professores permitem uma reflexão a respeito da sua falta de
					conhecimento para desenvolver a inclusão da TDIC em sua prática docente.
					Percebe-se que resistem por não conhecerem, uma vez que o conhecimento
					construído em emergência durante o período da pandemia, em cursos de formação
					continuada, não atende ao seu dia a dia. A superação de obstáculos existentes
					passa pela desconstrução de conhecimentos mal edificados, para então prosseguir
					com a construção de conhecimentos epistemológicos e didáticos que trarão
					competências digitais para a docência. Os professores resumem os fatos:
						“<italic>Quem não conhece, não faz</italic>” [Professor 33]; e “[...]
						<italic>se a gente não tiver esse interesse, a gente vai ficando arcaico,
						aqui, e eles vão avançando</italic>” [Professor 23].</p>
				<p>Construir conhecimentos epistemológicos e didáticos em TDIC não se limita ao uso
					de recursos básicos, elementares; isso perpassa conhecimentos que permitam que o
					professor tenha conforto, possa refletir, tenha senso crítico sobre escolhas, e
					possa realizar as melhores escolhas de quando, como e o que utilizar desse
					grande conjunto de recursos digitais disponíveis para o universo da
					Educação.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>Reflexões e apontamentos</title>
			<p>Considerando a vasta gama de contribuições que as Tecnologias Digitais da Informação
				e Comunicação podem oferecer ao processo educacional, os educadores frequentemente
				se encontram diante de desafios epistemológicos, didáticos e estruturais presentes
				no ambiente escolar, que dificultam o caminho do ensino. Esses obstáculos impedem
				avanços no uso da TDIC, deixando professores desamparados na construção do
				conhecimento epistemológico e didático.</p>
			<p>É necessário pensar e desenvolver soluções possíveis para suprir a lacuna persistente
				no contexto educacional. Nesse sentido, as políticas públicas têm a responsabilidade
				de cumprir as metas e leis estabelecidas nos documentos oficiais da Educação para a
				utilização de tecnologias em todo o processo de ensino. Sob a responsabilidade das
				políticas públicas, as instituições de ensino carecem de equipamentos e
				investimentos consideráveis, e não somente computadores e softwares, mas também
				redes de internet e serviços disponíveis para conexão de boa qualidade que facilite
				o acesso, ou seja, a infraestrutura adequada (<xref ref-type="bibr" rid="B11"
					>Kenski, 2003</xref>). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B11">Kenski
					(2003</xref>, p. 60), “[...] essa questão é motivo de preocupação quando se sabe
				que muitas escolas no país não possuem as mínimas condições de infraestrutura para a
				realização das suas atividades de ensino”. O professor requer/exige/necessita uma
				formação continuada adequada para apropriação do conhecimento epistemológico e
				pedagógico em TDIC.</p>
			<p>Observa-se que cada professor possui um nível diferente de conhecimento sobre
				tecnologias em suas práticas pedagógicas. A insegurança é comum, na maioria dos
				casos, e a prática pedagógica do ensino é delicada, faltando espaços e tempos para
				reflexão e formação. Para implementar planos que integrem TDIC na Educação, é
				essencial conhecer a escola, seus espaços, a maturidade quanto aos conhecimentos em
				TDIC dos atores (professores, gestores e alunos) do processo educativo e, não menos
				importante, o contexto social da comunidade.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>A educação passa por transformações contínuas e os professores se adaptam a essas
				mudanças ao longo de sua trajetória. Tudo na profissão é moldado ao longo desse
				percurso, desde a decisão de se tornar professor, passando pela formação acadêmica,
				pós-graduação, formações continuadas, até a troca de experiências, em um processo
				contínuo de construção e atualização de conhecimentos até o final da carreira.</p>
			<p>No desenvolvimento profissional, o caminho pode ser frágil e delicado, e muitas vezes
				é necessário desconstruir conhecimentos mal construídos para reconstruí-los. <xref
					ref-type="bibr" rid="B1">Bachelard (1996)</xref> sugere a necessidade de
				ruptura, de superação de obstáculos que causam lentidão, resistência e conflitos na
				construção do conhecimento científico.</p>
			<p>A pesquisa sugere que as dificuldades no uso da TDIC na prática do professor ainda
				persistem, pois ele ainda apresenta obstáculos epistemológicos, didáticos e
				estruturais. A opinião continua constituindo o conhecimento sobre seu uso no ensino,
				derivada de um senso comum sem reflexão ou crítica, construída apressadamente na
				busca por respostas. O professor carece de conhecimentos que permitam seu uso na
				prática da sala de aula. Além disso, identificaram-se sentimentos contraditórios,
				como anseios, resistência, disponibilidade e interesse dos professores em conhecer,
				praticar, motivar, mediar, ensinar e até modernizar sua proposta didática inserindo
				a TDIC.</p>
			<p>A inserção da TDIC não é vista pelo professor como um modismo, mas como uma proposta
				atraente, motivadora e com ares de inovação. No entanto, a fragilidade do professor
				em relação aos conhecimentos necessários para colocá-la em prática ainda parece
				presente.</p>
			<p>Aponta-se que a formação continuada não está proporcionando ferramentas para superar
				os obstáculos das TDIC na prática docente, e que a integração dela ao currículo
				escolar não é uma realidade, passando por questões deficitárias de políticas
				públicas, estrutura pedagógica, formação de professores e outras limitações que
				trazem à tona o impedimento do uso. Nesse rol, podem ser citadas inúmeras questões
				estruturais, não resolvidas, que compõem o cenário escolar e que impõem dificuldades
				para a sua incorporação no cotidiano dos professores.</p>
			<p>Os relatos trazem momentos da prática do professor em sala, o medo do fracasso na
				condução da prática planejada, a dificuldade, a resistência no uso das tecnologias e
				a certeza de que as TDIC não são necessárias em seu planejamento flagram indícios de
				obstáculos epistemológicos e didáticos.</p>
			<p>Para o uso da TDIC na sala de aula, são necessárias muitas mudanças, como o abandono
				de opiniões e de velhas crenças construídas ao longo da formação inicial e do
				exercício da profissão. Depreende-se que a superação de obstáculos epistemológicos e
				didáticos pode ser alcançada com sucesso por cursos de formação continuada pensados,
				planejados e construídos com respeito ao cenário do educador em cada escola,
				proporcionando apoio para repensar, refletir e construir conhecimentos em TDIC e,
				portanto, conscientizando o docente de suas práticas alinhadas à ação
				didático-pedagógica nas escolas.</p>
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