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                <journal-title>Ciência &amp; Educação (Bauru)</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Ciênc. educ.
                    (Bauru)</abbrev-journal-title>
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            <issn pub-type="epub">1980-850X</issn>
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                <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, Universidade
                    Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências, campus de
                    Bauru.</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="publisher-id">00036</article-id>
            <article-id pub-id-type="doi">10.1590/1516-731320240036</article-id>
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                <article-title>O conjunto de ideias de Ciência e a circulação de ideias na formação
                    inicial de pedagogos</article-title>
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                    <trans-title>The concept of Science and the circulation of ideas in the early
                        training of educators</trans-title>
                </trans-title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-2410-6304</contrib-id>
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                        <surname>Mesquita</surname>
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                <contrib contrib-type="author">
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                <label>1</label>
                <institution content-type="normalized">Universidade Federal de Goiás
                    (UFG)</institution>
                    <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Goiás
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                    e Matemática (PPGECM)</institution>
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                    de Pós-graduação em Educação e Ciências e Matemática (PPGECM), Goiânia, GO,
                    Brasil</institution>
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                <label>1</label>
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                    (UFG)</institution>
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                <country country="BR">Brasil</country>
                <institution content-type="original">Universidade Federal de Goiás (UFG), Programa
                    de Pós-graduação em Educação e Ciências e Matemática (PPGECM), Goiânia, GO,
                    Brasil</institution>
                    <email>nyuara@ufg.br</email>
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            <author-notes>
                <corresp id="c1"><label>Autora Correspondente</label>:
                    <email>nyuara@ufg.br</email></corresp>
            </author-notes>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
                        reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
                        seja corretamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>O tráfego de ideias não ocorre de forma homogênea. Ele flui por meio da
                    comunicação intracoletiva e intercoletiva, considerando os círculos esotérico e
                    exotérico. Nesse sentido, buscou-se compreender as ideias sobre Ciência que
                    circulam nos cursos de formação inicial de pedagogos a partir da epistemologia
                    Fleckiana, uma vez que estes profissionais serão responsáveis pelo primeiro
                    contato da criança com a Ciência. Realizamos uma pesquisa qualitativa a partir
                    da abordagem de Estudo de Caso. Na coleta de dados foram usadas entrevistas
                    narrativas e questionários aplicados a estudantes do curso de Pedagogia do
                    quarto período noturno de uma Universidade Federal brasileira. Observou-se que
                    os estudantes, em sua maioria, apresentam visões distorcidas sobre Ciência e as
                    análises revelaram que os participantes denotam um estilo de pensamento no qual
                    não se priorizam aspectos ontológicos e, mesmo após serem inicializados no
                    círculo esotérico, os saberes exotéricos permaneceram evidenciando a dificuldade
                    no tráfego intercoletivo de pensamento.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This study focused on students’ thought processes in a pedagogy course at a
                    federal university in Brazil. The aim was to understand how scientific concepts
                    were taught and learned, using Fleckian epistemology as a framework. Data were
                    collected through questionnaires and narrative interviews, using a case study
                    approach to qualitative research. Findings revealed that most students needed
                    clarification about science, and analysis indicated that they needed to
                    prioritize ontological considerations in their thinking. Even after being
                    exposed to scientific knowledge, students retained their previous
                    misconceptions, indicating challenges in exchanging thought processes between
                    different groups.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Epistemologia fleckiana</kwd>
                <kwd>Educação superior</kwd>
                <kwd>Comunicação intracoletiva</kwd>
                <kwd>Comunicação intercoletiva</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Fleckian epistemology</kwd>
                <kwd>Higher education</kwd>
                <kwd>Intracollective communication</kwd>
                <kwd>Intercollective communication</kwd>
            </kwd-group>
        <counts>
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			</counts>
		</article-meta>
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    <body>
        <sec>
            <title>Circulação de ideias sobre a ciência nos cursos de pedagogia</title>
            <p>O pedagogo é um profissional que atua em várias instâncias da prática educativa; lida
                com fatos, estruturas, processos, contextos e problemas referentes à educação em
                seus diferentes níveis e modalidades. É, ainda, o profissional responsável pelo
                primeiro contato da criança com a Ciência, considerando-se a obrigatoriedade do
                ensino de Ciências a partir dos quatro anos de idade de acordo com a Base Nacional
                Comum Curricular. Os pedagogos trabalham com as crianças desde o início da Educação
                Infantil que é oferecida em: (i) creches, ou entidades equivalentes, para crianças
                de até três anos de idade; (ii) pré-escolas, para as crianças de quatro a cinco anos
                de idade (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Pimenta, 2006</xref>).</p>
            <p>Tendo em vista a importância profissional do pedagogo e de sua formação nesta
                pesquisa, nos propomos a compreender o Estilo de Pensamento (EP) presente nos cursos
                de Pedagogia, uma vez que a partir do EP se instauram coletivos de pensamentos (CP)
                que atuam de forma dirigida e restrita se adaptando harmonicamente dentro da visão
                dominante, produzindo e reproduzindo conhecimento nos cursos de formação inicial.
                Importante destacar que um Coletivo de Pensamento é composto “[...] de muitos
                círculos interseccionados. Um indivíduo pode pertencer a vários círculos exotéricos
                e a poucos e, às vezes, a nenhum esotérico” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck,
                    2010</xref>, p. 152).</p>
            <p>A partir do Coletivo de Pensamento ocorre o tráfego de ideias, estilo que não se dá
                de forma sistematizada e homogênea. De acordo com a epistemologia fleckiana, o
                contexto de comunicação intracoletiva é aquele que ocorre dentro do coletivo, entre
                seus pares. É nessa comunicação que se torna possível a emergência de um fato que se
                desenvolverá em um estilo de pensamento. Para <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck
                    (2010)</xref>, a comunicação intracoletiva acontece de forma determinada dentro
                do círculo esotérico, gerador do estilo, para os outros círculos exotéricos, os
                receptores, que contém os seguidores de um determinado estilo de pensamento sem sair
                de um único coletivo. Importante salientar que a circulação intracoletiva de ideias
                busca reforçar os laços entre os componentes do coletivo, muitas vezes, de maneira
                coercitiva, e forma nesta mesma perspectiva nova integrante para compartilhar o
                mesmo Estilo de Pensamento (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Lambach,
                2007</xref>).</p>
            <p>Há, ainda, a comunicação intercoletiva que é caracterizada pela comunicação entre
                coletivos distintos. Nesse caso, coletivos de pensamento que possuem estilos de
                pensamento com poucas diferenças se comunicam e trocam ideias, caracterizando novos
                rumos de pesquisa em determinadas áreas correlacionadas. Nesse sentido, a circulação
                intercoletiva ocorre quando indivíduos de distintos coletivos de pensamento, com
                estilos de pensamento similares, estabelecem comunicação contribuindo de modo
                significativo com a transformação do estilo de pensamento, pois “[...] qualquer
                tráfego intercoletivo de pensamento traz consigo um deslocamento ou uma alteração
                dos valores de pensamento” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck, 2010, p.
                    161</xref>).</p>
            <p>Nesse viés, a formação inicial de pedagogos, universo da presente pesquisa, pode ser
                entendida como um exemplo no qual estão presentes pelo menos um grupo de
                especialistas e um de não especialistas. Os professores formadores dos componentes
                curriculares integradores e os licenciandos são integrantes dos círculos esotérico e
                exotérico, respectivamente. É esta circulação intercoletiva que contribui para a
                disseminação do estilo de pensamento dos especialistas aos não especialistas. Na
                circulação intracoletiva, como a que acontece entre pesquisadores e/ou professores
                formadores na área de pedagogia, ocorre, por exemplo, a extensão do estilo de
                pensamento (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Fleck, 1986</xref>, <xref ref-type="bibr"
                    rid="B8">2010</xref>).</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B16">Massoni e Moreira (2015, p. 250)</xref> apontam
                que</p>
            <p>
				<disp-quote>
                <p>É preciso considerar ainda que os especialistas de um coletivo de pensamento
                    (círculo esotérico), que têm a tendência de estabilizar o estilo de pensamento,
                    são também membros de outros coletivos, científicos ou não científicos (círculos
                    exotéricos), que têm orientações divergentes e acabam gerando pequenas
                    alterações, pequenos deslocamentos de linguagem que impulsionam as
                    transformações dos estilos de pensamento. Dessa forma, naturalmente ocorre o
                    processo de transformação de conceitos científicos, alterações dos valores de
                    pensamento que podem fazer surgir novos estilos de pensamento.</p>
            </disp-quote>
			</p>
            <p>Em conformidade com <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck (2010)</xref>, estas
                transformações de conceitos científicos e o processo de produção do conhecimento são
                possíveis devido à interação do sujeito com o objeto, mediada pelo Estilo de
                Pensamento. Estas interações formam conexões (acoplamentos) ativas e conexões
                passivas que não são dissociadas entre si. <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck
                    (2010, p. 50)</xref> aponta que</p>
            <p>
				<disp-quote>
                <p>Quando se leva em conta essas relações gerais da história cultural e as
                    particularidades da história do conhecimento, limita-se significativamente o
                    convencionalismo. No lugar da escolha livre e racionalista, surgem condições
                    específicas. Mesmo assim, encontram-se sempre no conteúdo do conhecimento outras
                    relações que não se explicam psicologicamente (seja no plano individual, seja no
                    coletivo), nem historicamente. Por isso elas passam a impressão de serem
                    relações “reais”, “objetivas” ou “efetivas”. Nós a denominamos de relações
                    passivas, em oposição aquelas outras, que denominamos ativas.</p>
            </disp-quote>
			</p>
            <p>Nesse sentido, para que ocorra o tráfego de ideias é necessário que se estabeleçam
                acoplamentos passivos e também ativos nos processos de construção do conhecimento.
                Tendo como foco a formação inicial de pedagogos, as relações estabelecidas no
                contexto formativo podem ser analisadas na perspectiva fleckiana ao olharmos para as
                abordagens sobre o conhecimento relacionado a Ciências visando compreender problemas
                que reverberam na futura atuação dos profissionais formados.</p>
            <p>Considerando as dificuldades apresentadas pelos estudantes brasileiros em termos de
                ensino e aprendizagem de Ciências (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Barroso; Franco,
                    2008</xref>), o que reverbera em avaliações do contexto nacional e
                internacional, entendemos que um dos elementos que configuram a raiz do problema
                encontra-se na abordagem dos conhecimentos científicos nas primeiras séries da
                educação básica. Tal abordagem é delegada a professores formados em cursos de
                Pedagogia. Dessa forma, argumentamos que há problemas formativos e que, dentre
                estes, a visão ingênua da Ciência e a falta de discussões sobre a natureza do
                conhecimento científico se configuram como estruturantes. Isso posto, o estudo
                apresentado teve como objetivo compreender a circulação de ideias acerca da Ciência
                presente no curso de Pedagogia de uma Universidade Federal brasileira. Para alcançar
                o objetivo proposto, voltamos o nosso olhar para o caso específico desta
                instituição, acompanhando o processo formativo relacionado a área de Ciências da
                Natureza a fim de identificar a circulação de ideias presentes no referido
                curso.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>Metodologia da pesquisa</title>
            <p>Existem diversas matrizes dentro da abordagem qualitativa e para o percurso
                metodológico desta pesquisa optamos pela realização de uma pesquisa do tipo Estudo
                de Caso. Em conformidade com <xref ref-type="bibr" rid="B17">Morgado (2013)</xref>,
                o estudo de caso tem a finalidade de analisar, descrever e compreender casos
                particulares podendo posteriormente incitar comparações com outros casos e formular
                generalizações. Ainda nesta linha de pensamento, para o autor, o estudo de caso é
                uma técnica investigativa pertinente para compreender o funcionamento de
                instituições como a escola. <xref ref-type="bibr" rid="B17">Morgado (2013, p.
                    63)</xref> argumenta que “[...] o estudo de caso é uma investigação empírica que
                permite estudar fenômenos no seu contexto real”. Assim, o investigador pode
                descrever, compreender e interpretar a complexidade do(s) caso(s) e produzir novo
                conhecimento sobre ele.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B17">Morgado (2013)</xref> aponta como traços delineadores
                do Estudo de caso as seguintes características: (i) é um estudo holístico, ou seja,
                leva em consideração a globalidade do contexto; (ii) é um estudo empírico, uma vez
                que “[...] trata-se de um trabalho de campo que se nutre de uma significativa
                recolha de informações por diversos meios do qual se destaca a observação (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B17">Morgado, 2013</xref>, p. 60); (iii) é um trabalho
                interpretativo e empático, uma vez que o pesquisador deve estar atento a qualquer
                acontecimento e intencionalidade dos atores. Nesse sentido, o estudo de caso não se
                destina especificamente à procura de explicações causais, e é direcionado para
                interpretação, compreensão e desvelar os sentidos que os atores da pesquisa empregam
                as ações que desenvolvem.</p>
            <p>O caso em tela refere-se ao olhar para um curso de Pedagogia de uma Universidade
                Federal brasileira, tendo em vista as abordagens sobre Ciência que se estabelecem no
                processo formativo a partir de um Estilo de Pensamento que será desvelado e
                discutido no contexto desta investigação. O movimento da pesquisa se constituiu a
                partir da ida a campo a fim de observar e analisar a Circulação de Ideias presente
                nos momentos formativos em que os graduandos em Pedagogia da referida instituição
                tiveram contato com a área de Ciências da Natureza do percurso formativo. Os dados
                ora apresentados foram coletados por meio de entrevistas narrativas e questionários,
                tendo em vista vislumbrar a <italic>Circulação de Ideias</italic> para compreender
                as concepções de Ciência/Ciências presentes no <italic>círculo esotérico</italic> e
                    <italic>exotérico</italic> do curso de Pedagogia, bem como as suas
                possibilidades de transformação, ou seja, as mudanças que podem ocorrer nesses
                círculos a partir da Circulação de ideias.</p>
            <p>Em relação ao corpo docente da Faculdade de Educação (FE) da Universidade Federal de
                Goiás (UFG), considerando a formação inicial, existem diversos círculos esotéricos
                maiores como os especialistas em: Pedagogia, Filosofia e Letras, e também há
                círculos esotéricos menores como os especialistas em História, Matemática e Ciências
                Biológicas, representados na <xref ref-type="fig" rid="F1">figura 1</xref>.
                Consideramos aqui que estes círculos esotéricos (e ao mesmo tempo exotéricos)
                constituem o Coletivo de Pensamento do curso de Pedagogia, foco da análise, uma vez
                que, para <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck (2010, p. 157)</xref>, “[...] um
                coletivo de pensamento consiste em muitos desses círculos que se sobrepõem e um
                indivíduo pertence a vários círculos exotéricos e poucos círculos esotéricos”.</p>
            <p><fig id="F1">
                    <label>Figura 1</label>
                    <caption>
                        <title>Representação da formação inicial do Coletivo de Pensamento (CP) do
                            curso de Pedagogia analisado</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24036-gf01.png"/>
                    <attrib>Fonte: Elaborado pelas autoras.</attrib>
                </fig></p>
            <p>Como podemos perceber, há vários perfis que constituem o CP do curso analisado. Para
                    <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck (2010, p. 159)</xref>, “[...] a estrutura
                emaranhada da sociedade moderna faz com que os coletivos de pensamento se
                entrecruzem e se relacionem muitas vezes espacial e temporalmente”. Tendo em vista
                os objetivos propostos, cabe salientar a formação dos professores universitários da
                área de Ciências da Natureza que fizeram parte do trajeto formativo acompanhado. Os
                dois docentes apresentam formação inicial na área de Ciências Biológicas e mestrado
                e doutorado em áreas relacionadas com a Educação. Ambos possuem uma carga horária em
                sala de aula de 16 horas e, além das disciplinas de Fundamentos e Metodologia de
                Ciências nos Anos iniciais e Educação Infantil I e II, também são responsáveis por
                ministrar a disciplina de Biologia Educacional para o curso de Educação Física –
                Licenciatura da mesma instituição. Dessa maneira, a área de Ciências Naturais do
                curso com apenas dois professores se limita a atender as necessidades de cumprimento
                de matriz curricular, pois maior parte da carga horária de dedicação exclusiva
                destes professores refere-se às atividades em sala de aula.</p>
            <p>A disciplina <italic>Fundamentos e Metodologia do Ensino de Ciências na Educação
                    Infantil e Anos iniciais do Ensino Fundamental I</italic> apresenta como eixos
                formativos a experimentação e o ensino de Ciências, Estudo do corpo e Noções de
                sexualidade. Já a disciplina <italic>Fundamentos e Metodologia do Ensino de Ciências
                    na Educação Infantil e Anos iniciais do Ensino Fundamental II</italic> considera
                como eixo formativos o planeta Terra, Botânica e Questões sócio científicas. A
                seguir apresentamos os recortes dos conteúdos previstos nos planos de curso das duas
                disciplinas.</p>
            <p>Conteúdo programático presente no Plano de Ensino da disciplina <italic>Fundamentos e
                    Metodologia do Ensino de Ciências na Educação Infantil e Anos iniciais do Ensino
                    Fundamental I:</italic></p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>Experimentação no ensino de Ciências;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Noções básicas do corpo;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Estatuto da criança e do adolescente.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Conteúdo programático presente no Plano de Ensino da disciplina <italic>Fundamentos e
                    Metodologia do Ensino de Ciências na Educação Infantil e Anos iniciais do Ensino
                    Fundamental II</italic>:</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>Formação do planeta Terra;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Questões sociocientíficas;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Botânica e Zoologia.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>As entrevistas foram realizadas com graduandos do curso de Pedagogia, do quarto
                período, do turno noturno. Toda a turma foi convidada a participar da pesquisa,
                entretanto apenas dez estudantes consentiram a utilização dos dados por meio da
                assinatura do termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Os graduandos
                entrevistados apresentam variações de idade entre 21 a 45 anos. E, no período em que
                foram entrevistados, estavam cursando a disciplina <italic>Fundamentos e Metodologia
                    do Ensino de Ciências na Educação Infantil e Anos iniciais do Ensino Fundamental
                    I</italic>. Os questionários foram aplicados aos mesmos graduandos ao final da
                disciplina <italic>Fundamentos e Metodologia do Ensino de Ciências na Educação
                    Infantil e Anos iniciais do Ensino Fundamental II</italic>.</p>
            <p>A pesquisadora acompanhou as duas disciplinas durante os o primeiro e segundo
                semestres do ano de 2019. Participaram da entrevista e responderam ao questionário
                dez alunos. Para efeito de discussão dos resultados, os participantes foram nomeados
                de A, seguido de um número que lhe foi atribuído como ordem de acesso à entrevista.
                O roteiro da entrevista é apresentado a seguir.</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>Para você, o que é ciência?</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Como você acha que acontece a produção de conhecimento científico?</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Quando você cursou o ensino fundamental você teve a disciplina de ciências?
                        Como era?</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>No Ensino Médio, você teve dificuldades com as disciplinas relacionadas à
                        área de Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias? Em caso
                        afirmativo, quais foram suas principais dificuldades?</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Quando você estiver em sala de aula como você pretende abordar os conteúdos
                        que envolvem disciplinas relacionadas a ciência?</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Em relação aos experimentos que podem ser utilizados no ensino de ciências,
                        você se considera preparado para fazer uma abordagem de caráter experimental
                        em sala de aula?</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Após a etapa de entrevistas e observação participante, os graduandos foram convidados
                a responder um questionário semiestruturado com perguntas abertas e fechadas a fim
                de que pudéssemos compreender sobre as ideias de Ciência e a circulação de
                pensamentos que traziam consigo após terem cursado as disciplinas vinculadas às
                Ciências Naturais. O instrumento de coleta foi baseado em questionários do tipo VNOS
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Lederman <italic>et al</italic>., 2002</xref>).
                Este questionário consideram a natureza da Ciência atrelada a epistemologia,
                sociologia, valores e crenças no processo de construção do conhecimento.</p>
            <p>Na primeira questão os estudantes foram convidados a assinalar quais as concepções
                eles supunham se relacionar com a Ciência. Foi permitido que assinalassem mais de
                uma alternativa. As demais perguntas do questionário estão apresentadas a
                seguir.</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>– Para você, como ocorre o processo de construção da Ciência?</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>– Você considera importante abordar experimentos nas atividades escolares?
                        Comente.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>– Em relação aos experimentos que podem ser utilizados no ensino de ciências,
                        você se considera preparado para fazer uma abordagem de caráter experimental
                        em sala de aula? O que a experimentação em sala de aula deve conter?</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>– Após cursar a disciplina de Fundamentos e Metodologia do Ensino de Ciências
                        na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental II, você se
                        considera apto a ensinar os conteúdos de ciências?</p>
                    <p>( ) Sim ( ) Não Comente sua resposta</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>– O que a disciplina trouxe de conhecimento novo para sua formação?</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>– Você considera importante, ao ensinar ciências, situar os conteúdos
                        científicos em seu contexto de produção?</p>
                    <p>( ) Sim ( ) Não Comente sua resposta</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Para discutir os dados da pesquisa, a análise foi estruturada em duas subseções. A
                primeira parte discute a circulação de ideias e os Pedagogos em formação: ideias
                iniciais e o que trazem os dados referentes à entrevista. A segunda parte discute a
                circulação de ideias e os pedagogos em formação: como e se ocorre o tráfego de
                ideias que trazem os dados referentes ao questionário.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="results|discussion">
            <title>Resultados e discussão</title>
            <p>A partir da análise das entrevistas dos estudantes no período inicial de contato com
                os <italic>Fundamentos e Metodologia do Ensino de Ciências na Educação Infantil e
                    Anos iniciais do Ensino Fundamental I</italic> e dos questionários ao final da
                disciplina <italic>Fundamentos e Metodologia do Ensino de Ciências na Educação
                    Infantil e Anos iniciais do Ensino Fundamental II</italic>, buscamos identificar
                suas compreensões acerca da Ciência a fim de compreender o pensamento que traziam
                consigo e o pensamento que adquiriram para entender a Circulação de Ideias sobre a
                Ciência no referido curso.</p>
            <sec>
                <title>A circulação de ideias e os pedagogos em formação: ideias iniciais</title>
                <p>Este momento da pesquisa visou compreender o contexto social, histórico e
                    formativo dos estudantes de Pedagogia ao iniciarem a formação ligada ao ensino
                    de Ciências. A partir das entrevistas notamos que os graduandos apresentam
                    visões deformadas de Ciência. Estas visões deformadas da Ciência são
                    caracterizadas por conceber a Ciência como individualista e elitista,
                    empírico-indutivista, infalível, a-problemática e a-histórica que apresenta
                    conhecimento lineal e descontextualizado (<xref ref-type="bibr" rid="B4"
                        >Cachapuz <italic>et al</italic>., 2011</xref>).</p>
                <p>Uma das visões distorcidas sobre a Ciência que prevaleceu foi a visão
                    empíricoindutivista e ateórica. Esta visão “[...] defende o papel da observação
                    e da experimentação neutra” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Cachapuz <italic>et
                            al</italic>., 2011</xref>, p. 43). As atividades experimentais se
                    sobressaem às discussões teóricas e se interpreta o ensino de Ciências a partir
                    montagens práticas já elaboradas que visam somente o manuseio e aplicação de
                    técnicas direcionadas por roteiros tidos como receitas de bolo. Tal perspectiva
                    pode ser identificada nos recortes de respostas dos estudantes quando
                    questionados sobre como era o ensino de Ciências ao longo do seu Ensino
                    Fundamental.</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p><bold>A1</bold> – <italic>Lembro mais assim lá pela sexta série, a professora
                            fazia uns <bold>experimentos</bold> e lembro que gostava muito, mas
                                <bold>conteúdos eu não lembro muitos</bold>. Lembro mais das feiras
                            de Ciências, meu grupo uma vez ficou pra fazer sobre agricultura, foi
                            muito legal pesquisar e fazer os <bold>experimentos</bold></italic>
                        [grifo nosso].</p>
                    <p><bold>A4</bold> – <italic>Eu sempre gostei de Ciências, principalmente das
                            feiras de Ciências, professora. Achava muito legal fazer as
                                <bold>experiências e ver os resultados</bold>. Lembro muito da minha
                            professora da sétima série na época, ela ensinou muito sobre a natureza
                            e sempre levava algo novo. Apesar de ser uma cidade do interior</italic>
                        [Patos de Minas] <bold><italic>o ensino lá era muito forte</italic></bold>
                        [grifo nosso].</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>A partir dos excertos destacados nota-se a associação da Ciência com a
                    experimentação, em que os conhecimentos científicos são concebidos como
                    resultados de experimentos indutivos. Algumas falas evidenciam que as atividades
                    experimentais ao longo da vida escolar se mostram mais focadas para despertar o
                    interesse dos estudantes, mas não necessariamente se aprofundam em termos de
                    estratégia para discussão conceitual. Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B18"
                        >Nicot e Souza (2016, p. 16)</xref>: “[...] as empobrecidas práticas
                    escolares de laboratórios escondem dos estudantes, do ensino básico e superior,
                    toda a riqueza do trabalho experimental, o que é presentado são montagens já
                    elaboradas, ‘exatas’, para seu simples manuseamento”.</p>
                <p>Percebemos que os experimentos com os quais os estudantes tiveram contato eram
                    reproduzidos como “receitas” com resultado já esperado, conforme fragmento a
                    seguir</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p><bold>A3</bold> – <italic>A professora <bold>levava os materiais e o
                                roteiro</bold> do que a gente tinha que fazer, e a gente fazia. Nas
                            feiras de Ciências a gente podia pesquisar outros. Eu mesma gostei foi
                            do da batata que faz energia você conhece?</italic> [grifo nosso].</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>A maioria dos graduandos apresenta respostas, no seu cerne, similares, como se
                    essas explicações permanecessem junto a suas concepções sobre Ciência que
                    adquiriram no ensino básico. Isto evidencia que foram formados ao longo do
                    Ensino Fundamental e Médio dentro de um Estilo de Pensamento fortemente
                    associado a concepções positivistas, que não integram as diferentes dimensões
                    dos Estatutos da Biologia/Ciências.</p>
                <p>O que se evidencia nas falas é a referência a uma visão de Ciência de caráter
                    experimental, tendo no experimento a responsabilidade de validar o conhecimento
                    teórico. Essa perspectiva científica, associada ao positivismo, denota uma
                    Ciência de caráter neutro em que as experiências detinham inclusive o poder de
                    validar ou não uma teoria.</p>
                <p>E esse é o ideário científico que transpassou o cotidiano escolar e que tem sido
                    motivo de críticas para a nova geração de formadores de professores. <xref
                        ref-type="bibr" rid="B10">Giordan (1999)</xref>, ao discutir o papel dos
                    experimentos na formação de competências escolares, sinaliza que:</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p>A experimentação exerce a função não só de instrumento para o desenvolvimento
                        dessas competências, mas também de veículo legitimador do conhecimento
                        científico, na medida em que os dados extraídos dos experimentos constituíam
                        a palavra final sobre o entendimento do fenômeno em causa (<xref
                            ref-type="bibr" rid="B10">Giordan, 1999, p. 45</xref>).</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>Na estruturação do Método Científico partia-se da observação para a realização de
                    experimentos que gerariam leis e teorias que poderiam ser usadas para previsão
                    de fatos relacionados ao comportamento da natureza (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B3">Borges, 2012</xref>). Nesse enfoque epistemológico, a neutralidade
                    do cientista era um importante elemento para justificar o poder da Ciência ou do
                    objeto sobre o sujeito. No entanto, ao nos apropriarmos das ideias de Fleck
                    relacionadas ao constructo científico, a neutralidade do cientista não é real.
                    Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Lowy (1984)</xref> explicita que
                    as origens do pensamento de Fleck encontram-se na Escola Polonesa e que, ao
                    retomar o pensamento de Kramsztyk, Fleck sustenta “[...] a impossibilidade de
                    uma ‘observação neutra’ livre de pressupostos teóricos. Cada observação é guiada
                    pelos pressupostos do observador” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Lowy, 1984,
                        p. 14</xref>).</p>
                <p>Houve, ainda, aqueles que destacaram que o ensino de Ciências, em sua época, não
                    utilizou de experimentação e tampouco houve uma explanação dos conteúdos pelo
                    professor responsável, conforme ilustra o fragmento a seguir.</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p><bold>A6</bold> – <italic>O Ensino de Ciência na minha época, era um pouco
                            quanto difícil, pois <bold>as professoras não dominava boa parte do
                                assunto e apenas passava o conteúdo teórico</bold> sem
                                <bold>explicações aprofundadas e sem muito conhecimento
                                empírico</bold> e não nos mostrava onde acontecia a Ciência no nosso
                            cotidiano, talvez <bold>por não serem da área de atuação</bold>, ou por
                            não conhecer o conteúdo ministrado para nós, os alunos daquela época,
                            por causa desse e de alguns fatores o meu ensino de Ciências ficou um
                            pouco defasado</italic> [grifo nosso].</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>O estudante A6 destacou o fato de os professores que ministravam Ciências não
                    serem da área. Este aspecto coloca em relevo o fato de que muitos estudantes são
                    formados na Educação Básica, no que se refere a Ciências, por professores
                    pertencentes a outros círculos esotéricos que não o das Ciências da Natureza.
                    Dessa forma, estes professores não tiveram contato em sua formação inicial com a
                    natureza do conhecimento científico. Assim, ao abordar os conceitos científicos
                    na escola, muitos professores os desvinculam da questão social e histórica,
                    contribuindo para a manutenção de visões ingênuas e distorcidas da atividade
                    científica.</p>
                <p>Importante destacarmos que estamos discutindo nesse texto as especificidades da
                    formação dos pedagogos que são os professores que assumirão as salas de aula da
                    primeira fase da educação básica e se responsabilizarão pelo ensino de Ciências
                    nesse nível de ensino. No entanto, embora não seja foco da presente pesquisa, as
                    dificuldades relacionadas ao ensino de Ciências perduram por todo o contexto da
                    educação básica, seja por falta de professores formados nas áreas específicas,
                    seja por problemas na formação de docentes dos cursos das áreas de Ciências,
                    seja por problemas estruturais nos espaços escolares. Em relação à falta de
                    professores com formação específica, conforme citado por A6, <xref
                        ref-type="bibr" rid="B20">Ramos (2015)</xref> aponta como um dos problemas o
                    desinteresse pelo magistério em algumas áreas específicas. Conforme o autor:</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p>Por exemplo: de 2011 para 2012 cresceu 1% o número de concluintes das
                        licenciaturas da área de humanas, mas na área de exatas e de Ciências da
                        natureza (química, física e matemática), o número de concluintes caiu 13%. O
                        drama é ainda maior de 2010 para 2012: queda de 14% dos concluintes em
                        física, de 10% em química e de 21% em matemática (<xref ref-type="bibr"
                            rid="B20">Ramos, 2015, p. 32</xref>).</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>Tal contexto é bastante discutido na literatura e abrimos o espaço para trazer
                    essas relações, pois entendemos que o conhecimento científico é um importante
                    elemento que pode contribuir na formação de pessoas mais críticas em relação aos
                    fenômenos a sua volta. Nesse sentido, os conceitos científicos abordados na
                    escola têm o papel formativo importante na leitura do mundo.</p>
                <p>Ao discorrer sobre conceitos, na entrevista, optamos por questionar sobre a
                    fotossíntese, uma vez que é um conceito estruturante para a Botânica e os
                    estudantes têm contato com este conceito ao longo de toda Educação Básica, de
                    acordo com o currículo proposto pelo Ministério da Educação e Cultura. Ao
                    questionar sobre este conceito observamos o olhar dos estudantes conforme
                    ilustram os fragmentos a seguir.</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p><bold>A1</bold> – <italic>Ah acho que a <bold>planta pega a energia do sol
                                algo assim</bold>, eu ia ter que relembrar primeiro porque não me
                            lembro mesmo. Talvez o experimento do feijão fosse bom né?</italic>
                        [grifo nosso].</p>
                    <p><bold>A3</bold> – <italic><bold>Lembro um pouco... a planta pra se alimentar
                                precisa do sol e do gás carbônico</bold>. Agora como isso acontece
                            dentro dela eu não sei. Quando eu for ensinar sobre isso acho que vou
                            levar os alunos pra ver a plantinha e explicar. Não sei se tem
                            experiência disso, se tiver eu levo</italic> [grifo nosso].</p>
                    <p><bold>A4</bold> – <italic><bold>Lembro muito pouco</bold>. Arriscando, seria
                            o fenômeno pelo qual as <bold>plantas absorvem luz para produção e
                                liberação de oxigênio na atmosfera</bold>. Procuraria explicar de
                            maneira menos abstrata, trazendo exemplos para a sala de aula</italic>
                        [grifo nosso].</p>
                    <p><bold>A5</bold> – <italic><bold>Mais ou menos</bold>. Acho que é quando a
                                <bold>planta absorve a luz do sol</bold> para realizar crescer e se
                            reproduzir</italic> [grifo nosso].</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>A partir da análise, indo ao encontro do pensamento Fleckiano, nota-se que os
                    graduandos não pertencem ao Círculo esotérico da área de Ciências, uma vez que o
                    olhar inicial dos estudantes para os fenômenos ligados à área é pouco claro e
                    sem estilo. <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck (2010)</xref> aponta como traço
                    deste não pertencimento “motivos parciais confusos, caoticamente acumulados e de
                    vários estilos, e disposições (<italic>Stimmungen</italic>) contraditórias
                    impulsionam o olhar não direcionado para lá e para cá. Falta a coerção, a
                    resistência, o “solo firme dos fatos” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck,
                        2010, p. 142</xref>).</p>
                <p>Notamos, ainda, que nas falas descritas anteriormente, os graduandos se expressam
                    a partir de falas vagas ou que se aproximam da linguagem do senso comum para
                    explicitar o pensamento sobre um conceito científico e de fundamental
                    importância para a compreensão dos processos de manutenção da vida. Os
                    participantes da pesquisa denotam generalizações sobre o tema em foco que deixam
                    evidente a pouca apropriação conceitual na escola básica apresentando a
                    fotossíntese de maneira popular “[...] uma das características da apresentação
                        (<italic>Darstellung</italic>) popular é a ausência de detalhes e
                    principalmente de polêmicas, de modo que se consegue uma simplificação
                    artificial” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck, 2010, p. 166</xref>).</p>
                <p>Isto nos revela que os participantes foram formados a partir de um Estilo de
                    Pensamento no qual não se priorizaram aspectos ontológicos. Nesse sentido, as
                    abordagens escolares podem ser associadas a um processo de simplificação da
                    Ciência que é apresentada de forma ilustrativa, irrefutável, cercada de verdades
                    e, a partir disso, contribuem para a formação e solidificação de um saber
                    popular ou um conhecimento exotérico. De acordo com <xref ref-type="bibr"
                        rid="B8">Fleck (2010, p. 166)</xref>, este saber se apresenta “[...] graças
                    à simplificação, ao seu caráter ilustrativo e apodítico, de uma forma segura,
                    acabada e sólida”.</p>
                <p>Dessa forma, embora os estudantes entrem em contato com outra perspectiva de
                    conhecimento, manterão traços da perspectiva anterior. Ou seja, apesar de haver
                    outros Coletivos e Estilos de Pensamento, ligados a uma formação que considere a
                    natureza ontológica da Ciência, permanecem ainda traços marcantes do Estilo de
                    Pensamento antigo, como a simplificação dos conceitos científicos. Interessante
                    destacarmos que esses estudantes, na disciplina <italic>Fundamentos e
                        Metodologia do Ensino de Ciências na Educação Infantil e Anos iniciais do
                        Ensino Fundamental I</italic>, já haviam estudado o tópico <italic>A
                        experimentação e o ensino de ciências</italic>. No entanto, pelas respostas
                    dadas, não se percebem mudanças na forma de compreender os fenômenos.</p>
                <p>Então, os estudantes do curso de Pedagogia não chegam à sua formação inicial como
                    inicializados no círculo esotérico de Ciências (aptos à Circulação Intracoletiva
                    de ideias) e, sim, como leigos, o que permite a troca de saberes intercoletiva
                    (Círculo Esotérico-Exotérico) e, a partir do que Fleck denomina de “suave
                    coerção”, são introduzidos ao Coletivo de Pensamento da Pedagogia, podendo
                    assimilar o Estilo de Pensamento ao longo da sua formação, tendo em vistas
                    que</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p>Qualquer introdução didática, portanto, é literalmente uma
                        “condução-para-dentro”, uma suave coação. A pedagogia se vale do uso do
                        caminho histórico da Ciência, pois conceitos mais antigos possuem a vantagem
                        de uma menor especificidade de pensamento; por esse motivo, são de
                        compreensão mais fácil para o novato. Além disso já são conhecidos pelo
                        grande público e, por isso, por alguns aprendizes (<xref ref-type="bibr"
                            rid="B8">Fleck, 2010, p. 155</xref>).</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>Em sua formação, o único momento em que os estudantes de Pedagogia são colocados
                    em contato com o tráfego de pensamentos sobre a Ciência é nas disciplinas
                        <italic>Fundamentos e Metodologia do Ensino de Ciências na Educação Infantil
                        e Anos iniciais do Ensino Fundamental I</italic> e <italic>II</italic>. Ou
                    seja, prevalece na formação inicial o tráfego de pensamentos exotérico sobre
                    Ciência e natureza do conhecimento científico, pois são ofertadas apenas duas
                    disciplinas ao longo do curso que priorizam as discussões em torno dos conceitos
                    científicos e sobre sua abordagem para as etapas de educação inicial do ensino
                    básico.</p>
                <p>Dessa forma, os futuros professores de Ciências da educação básica, quando em sua
                    atuação, tenderão a reproduzir, em sua atuação profissional, os conceitos e a
                    percepção pouco claros sobre a Ciência, resultantes do tráfego de pensamentos
                    insuficientes sobre a natureza da Ciência e do conhecimento científico.</p>
                <p>Argumentamos que as visões deturpadas sobre a Ciência continuarão sendo
                    reproduzidas na Educação Básica, perpetuando um saber exotérico relacionado à
                    área e reforçando um Estilo de Pensamento empírico indutivista que foi base da
                    Ciência no século XVII (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Durbano, 2012</xref>).
                    Uma Educação Científica em todos os níveis de ensino pode contribuir com a
                    perspectiva da “[...] construção de uma visão de ensino de ciências associada à
                    formação científico-cultural dos alunos” (<xref ref-type="bibr" rid="B21"
                        >Santos, 2007, p. 488</xref>).</p>
                <p>Assim, fica em relevo a necessidade de um dos papéis da escola: incentivar a
                    valorização da Ciência. E tal efeito somente será possível se os pedagogos em
                    formação compreenderem a natureza da Ciência e do conhecimento científico, bem
                    como se apropriarem dos conceitos a serem ensinados. Contudo, o saber adquirido
                    pelos pedagogos em formação continuamente retrabalha as percepções de Ciência
                    adquiridas ao longo da vida, e não possibilita a construção de conexões
                    ativas.</p>
                <p>Cabe aqui ressaltar que este modelo formativo está inserido em um contexto social
                    e histórico e nota-se que, nos dias atuais, a sociedade não reconhece a Ciência
                    como importante e não realiza, na sua maioria, um tráfego de saberes esotéricos
                    relacionados à Ciência. Embora desde a Conferência Mundial sobre a Ciência para
                    o Século XXI, realizada por um Coletivo de Pensamento de Cientistas, se afirme
                    que</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p>Mais do que nunca, é necessário desenvolver e expandir a informação
                        científica em todas as culturas e em todos os setores da sociedade, [...] de
                        modo a ampliar a participação pública nos processos decisórios relacionados
                        à aplicação de novos conhecimentos (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Unesco,
                            2003, p. 34</xref>).</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>A partir das discussões tecidas, no tópico seguinte, apresentaremos nossas
                    reflexões, em diálogo com os referenciais teóricos, sobre a circulação de ideias
                    no contexto formativo do curso de Pedagogia em tela tendo por base os
                    questionários aplicados a alunos do curso no desenvolvimento desta pesquisa, que
                    é um recorte de uma tese de doutoramento.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>A circulação de ideias e os pedagogos em formação: o tráfego de pensamento
                    ocorre?</title>
                <p>Após a etapa de entrevistas e observação participante os graduandos foram
                    convidados a responder um questionário semiestruturado com perguntas abertas e
                    fechadas a fim de que pudéssemos compreender sobre as ideias de Ciência e a
                    circulação de pensamentos que traziam consigo após terem cursado as disciplinas
                    vinculadas às Ciências Naturais. O instrumento de coleta foi baseado em
                    questionários do tipo VNOS (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Lederman <italic>et
                            al</italic>., 2002</xref>).</p>
                <p>Na primeira questão os estudantes foram convidados a assinalar quais concepções
                    eles supunham se relacionar com a Ciência. Foi permitido que assinalassem mais
                    de uma alternativa. Conforme ilustrado no <xref ref-type="table" rid="T1">quadro
                        1</xref>, responderam ao questionário dez estudantes.</p>
                <table-wrap id="T1">
                    <label>Quadro 1</label>
                    <caption>
                        <title>Concepções de Ciência assinaladas pelos estudantes</title>
                    </caption>
                    <table frame="hsides" rules="groups">
                        <thead style="background-color:#e3e7f3">
                            <tr>
                                <th align="left" valign="middle">Ideia sobre a Ciência</th>
                                <th align="center" valign="middle">Número de sujeitos que
                                    assinalaram</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">(a) Ciência é uma construção
                                    racional</td>
                                <td align="right" valign="middle">10</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">(b) Ciência não apresenta uma
                                    verdade absoluta</td>
                                <td align="right" valign="middle">5</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">(c) Ciência é o entendimento do
                                    homem sobre a natureza</td>
                                <td align="right" valign="middle">10</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">(d) Ciência se origina e relaciona
                                    com a curiosidade e criatividade do ser humano</td>
                                <td align="right" valign="middle">5</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">(e) Experimento é uma forma de
                                    comprovar uma tese / teoria</td>
                                <td align="right" valign="middle">8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">(f) A certeza do cientista depende
                                    de sua interpretação</td>
                                <td align="right" valign="middle">2</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">(g) Sociedade influencia na Ciência
                                    e vice-versa</td>
                                <td align="right" valign="middle">10</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN1">
                            <p>Fonte: elaborado pelas autoras.</p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B1">Aragão e Figueirôa (2013)</xref>, as
                    concepções (a), (c) e (e) estão associadas a uma visão tradicionalista da
                    Ciência que de se associa diretamente a percepção racionalista e empirista da
                    Ciência. Enquanto as alternativas (b), (d), (f ) e (g) estão associadas a
                    perspectiva construtivista. O racionalismo e o empirismo, de acordo com <xref
                        ref-type="bibr" rid="B12">Haguette (2013)</xref> são perspectivas irmãs, o
                    racionalismo se refere a generalizações da realidade a partir de um método
                    dedutivo, em que a fonte de conhecimento é unicamente a razão. O empirismo é a
                    corrente epistemológica que defende o conhecimento como reprodução da realidade
                    sensível, sendo uma técnica de acesso à verdade, utilizando-se do método
                    empírico-indutivista.</p>
                <p>Apesar de, neste momento da pesquisa, os graduandos já terem cursado duas
                    disciplinas específicas da área de Ciências da Natureza, notamos que a maioria
                    deles ainda mantém visões associadas às visões racionalista e empirista da
                    Ciência. Tal constatação nos permite afirmar que, embora tenham tido contato
                    acadêmico com a área, houve dificuldade no tráfego intercoletivo de pensamentos,
                    uma vez que o círculo esotérico de Ciências e os círculos exotéricos aos quais
                    os estudantes pertencem estão distantes entre si, ou seja, há uma distância
                    temporal e espacial entre eles, de modo que existe uma permanência de pensamento
                    dentro do círculo exotérico. De acordo com Fleck “[...] quando o vínculo data da
                    educação intelectual da infância ou até mesmo de uma tradição antiga de várias
                    gerações, ele ganha uma firmeza inabalável” (<xref ref-type="bibr" rid="B8"
                        >Fleck, 2010, p. 158</xref>).</p>
                <p>Metade dos alunos que responderam ao questionário assinalou que a Ciência não é
                    uma verdade absoluta, o que implica que a outra metade compreende a Ciência como
                    infalível. Tal percepção confere uma visão simplista de Ciência em que as
                    observações e experiências rigorosas proporcionarão uma exatidão dos resultados
                    e estes serão permanentes (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Costa et al.,
                        2017</xref>). Tal percepção se configura como uma visão deformada de
                    Ciência, uma vez que não considera o processo de recriação de pensamentos a
                    partir do tráfego de ideias e, tampouco, as relações sociais e históricas no
                    processo de construção do conhecimento científico (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B4">Cachapuz <italic>et al</italic>., 2011</xref>; <xref
                        ref-type="bibr" rid="B8">Fleck, 2010</xref>).</p>
                <p>Apenas dois estudantes assinalaram que a certeza do cientista depende da sua
                    interpretação. Isso nos revela que a maioria não associa o cientista à
                    interpretação, ou seja, acham que o cientista é neutro e que a Ciência não
                    precisa ser interpretada. Esta visão se configura como uma visão deturpada de
                    Ciência, que <xref ref-type="bibr" rid="B4">Cachapuz <italic>et al</italic>.
                        (2011)</xref> explanam como visão empírico-indutivista e ateórica, pois ela
                    “[...] defende o papel da observação e da experimentação neutra” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B4">Cachapuz <italic>et al</italic>., 2011, p.
                        43</xref>). Esta percepção revela um olhar inicial e pouco claro que, de
                    acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck (2010)</xref>, traz consigo
                    certa irracionalidade ao perceber a forma da Ciência. Para o autor isto reflete
                    a imersão em uma epistemologia intuitiva e mística.</p>
                <p>A partir da análise dos dados notamos que permaneceu nos estudantes a perspectiva
                    empírica destacada em seu pensamento inicial. Notamos a permanência do
                    pensamento instintivo dos estudantes a partir de sua experiência vivida, o que
                    Fleck denomina de <italic>Erfahrensein</italic>, que é a experiência dos
                    sujeitos após suas vivências e que influencia na sua capacidade de perceber um
                    sentido, uma forma. Assim, observamos que os alunos não estabeleceram conexões
                    ativas com os referenciais abordados na disciplina que apresentou a Ciência para
                    além da experimentação, ou seja, não ocorreu transformação do Estilo de
                    Pensamento inicial dos estudantes e, na percepção da forma do conhecimento
                    científico, prevaleceu a observação inicial (<xref ref-type="bibr" rid="B8"
                        >Fleck, 2010</xref>).</p>
                <p>Ao mesmo tempo em que este traço estilístico permanece, ao passo que todos os
                    estudantes assinalaram a alternativa (c), é possível evidenciar o tráfego
                    intercoletivo de pensamentos ocorrido, uma vez que todos os estudantes também
                    assinalaram a alternativa (g), evidenciando a percepção de que a sociedade
                    interfere na Ciência e vice-versa. Tal fato pode se configurar como um passo
                    inicial rumo ao que <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck (2010)</xref> denomina
                    “recriação do pensamento”. Esta possibilidade pode ser explicada pela coerção de
                    pensamento dada por meio do tráfego de ideias entre professores especialistas e
                    estudantes, na abordagem de questões sociocientíficas.</p>
                <p>Em outra pergunta do questionário, os graduandos foram questionados:
                        “<italic>Para você, como ocorre o processo de construção da
                        Ciência?</italic>” Cinco estudantes associaram o processo de construção à
                    experimentação e validação, correspondente ao método científico tradicional.
                    Conforme ilustram os fragmentos a seguir:</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p>A1 – <italic>Acredito que um conhecimento para ser científico, tem que passar
                            pela experimentação. Tem a ideia e experimenta para ver se a ideia vai
                            ser comprovada ou descartada</italic>.</p>
                    <p>A4 – <italic>A Ciência é construída a partir da dúvida do cientista, e para
                            ser comprovada tem que passar por muitos testes e experimentos. Seguir o
                            método</italic>.</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>A partir da percepção destes graduandos é possível associar suas respostas a uma
                    concepção clássica de Ciência, em que é necessário seguir um método para a
                    comprovação de hipóteses, visto que o critério tradicional considera científicas
                    somente as teorias comprovadas empiricamente (<xref ref-type="bibr" rid="B5"
                        >Chibeni, 2006</xref>). Entretanto, para além das hipóteses, o conhecimento
                    científico deve estar associado à integração teórica, histórica e cultural de
                    seu tempo.</p>
                <p>Tais dados nos reforçam e evidenciam a discussão anterior sobre a vinculação do
                    ideário dos estudantes a uma perspectiva tradicionalista de Ciência, pois embora
                    os estudantes tenham tido o contato com a experiência vinculada as Ciências da
                    Natureza, para alguns deles, permaneceram traços de suas compreensões primeiras
                    evidenciadas nas entrevistas realizadas antes de cursarem as disciplinas
                    específicas. Dessa forma, é possível identificar que, apesar do contato,
                    atingiram apenas a primeira etapa necessária para a mudança de atmosfera do
                    pensamento (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck, 2010</xref>). O autor aponta
                    que, a partir do primeiro estímulo, podem ser visíveis as seguintes etapas: “(1)
                    a percepção pouco clara e a inadequação da primeira observação; (2) a
                    experiência (Erfahrenheit) irracional que forma novos conceitos e transforma o
                    estilo; (3) a percepção da forma (Gestaltsehen) desenvolvida, reprodutível e
                    conforme a um estilo” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck, 2010, p.
                    144</xref>).</p>
                <p>Entretanto, apesar de alguns graduandos terem mantido suas percepções iniciais,
                    associando a Ciência à experimentação, notamos o tráfego intercoletivo de ideias
                    ao identificar em outros cinco participantes da pesquisa, para a mesma questão,
                    a associação do processo de construção da Ciência, a um contexto histórico,
                    ligado também à subjetividade do pesquisador, assim como ilustram os fragmentos
                    seguintes:</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p><bold>A7</bold> – <italic>Para mim o processo de construção da Ciência não é
                            imediato, a professora até citou a questão da tecnologia, do avanço que
                            temos hoje e que em outras épocas não seria possível. Então eu acho que
                            depende bastante das pesquisas que já existem, do contexto que o
                            cientista tá vivendo, do incentivo financeiro e do
                        interesse</italic>.</p>
                    <p><bold>A9</bold> – <italic>A construção da Ciência acontece no conflito de
                            interesses, nas disputas, acho que tem a ver com capitalismo. Depende
                            também de como está o lugar de produção de conhecimentos e se tem
                            teorias na área pra dar ‘apoio’ a novos conhecimentos. Ela é produzida
                            em um contexto, assim como a professora explicou sobre a questão da
                            fecundação e da genética</italic>.</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>Nestes exemplos, podemos notar que a fala da professora formadora permeou as
                    concepções sobre a Ciência dos graduandos, e permitiu a associação a um contexto
                    histórico e à disputa entre grupos. Isto nos permite afirmar que ocorreu um
                    tráfego de pensamentos, circulação intercoletiva de ideias entre os sujeitos,
                    uma vez que se nota que o processo de conhecimento (momento formativo disciplina
                    de <italic>Fundamentos e Metodologia do Ensino de Ciências na Educação Infantil
                        e Anos iniciais do Ensino Fundamental II</italic>) alterou a percepção do
                    sujeito do conhecimento (graduandos) (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck,
                        2010</xref>).</p>
                <p>Importante salientarmos que a confiança na figura das docentes responsáveis pelas
                    disciplinas é importante para que novas ideias sejam apropriadas, pois as
                    docentes representam o círculo esotérico e trazem um novo olhar que permite o
                    tráfego de ideias. Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Gonçalves e
                        Marques (2012, p. 470)</xref> sinalizam que “[...] a dinâmica de circulação
                    intercoletiva favorece a compreensão da interação entre os círculos esotérico e
                    exotérico. Como explicitado previamente, a interação entre os dois círculos se
                    sustenta, em parte, na confiança no círculo esotérico”.</p>
                <p>Outro dado relevante obtido no questionário está associado a seguinte questão
                        “<italic>Após cursar a disciplina de Fundamentos e Metodologia do Ensino de
                        Ciências na Educação Infantil e Anos iniciais do Ensino Fundamental II, você
                        se considera apto a ensinar os conteúdos de Ciências?</italic>” Como
                    resposta para esta questão todos os graduandos que responderam ao questionário
                    afirmaram que não se sentem aptos a ensinar os conteúdos de Ciências no Ensino
                    Fundamental, conforme justificativas apresentadas a seguir.</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p><bold>A1</bold> – <italic>São muitos conteúdos, a gente não vê tudo durante a
                            disciplina, e tem muitos que a gente nem lembra</italic>.</p>
                    <p><bold>A7</bold> – <italic>Aprender sobre a Ciência foi bastante útil, mas o
                            tempo de disciplina não é suficiente pra rever ou situar os conteúdos.
                            Acho que ficaria bem presa ao livro didático</italic>.</p>
                    <p><bold>A9</bold> – <italic>Temas como meio ambiente, aulas práticas até vai,
                            mas muitos conteúdos não vimos durante a disciplina</italic>.</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>Ou seja, apesar de ter ocorrido de forma sutil uma circulação intercoletiva de
                    ideias, os estudantes reconheceram que para compreender o conteúdo programático
                    curricular de Ciências do Ensino Fundamental seria necessária uma carga horária
                    maior da disciplina. Reiterando que atualmente a formação do Pedagogo está sem
                    uma identidade, formando profissionais generalistas (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B3">Borges, 2012</xref>). E para que tenham contato com os conteúdos
                    referentes a Ciências da Natureza, o professor formador tem que simplificar e
                    plastificar os conteúdos de Ciências.</p>
                <p>Em conformidade com <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck (2010, p.
                    170)</xref>:</p>
                <p>
				<disp-quote>
                    <p>A plasticidade (Anschaulichkeit) de um saber produz um efeito peculiar.
                        Aplicada inicialmente pelo especialista para tornar um pensamento
                        compreensível para outras pessoas (ou partindo de uma espécie de motivos
                        mnemotécnicos), o imagético (Bildlichkeit), que antes era um meio, ganha o
                        significado de um objetivo do conhecimento.</p>
                </disp-quote>
			</p>
                <p>Então, em relação a área de Ciências da Natureza, a plastificação dos saberes
                    ocorre devido a pouca carga horária destinada às disciplinas específicas, o que
                    compromete a formação do conhecimento científico. Uma vez que os conceitos e
                    ideias tem que ser selecionados resumidos e a imagem se sobressai ao processo de
                    construção da Ciência (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck, 2010</xref>).</p>
                <p>No momento da pesquisa havia no curso de Pedagogia analisado duas professoras com
                    formação inicial na área das Ciências naturais, sendo uma professora efetiva e
                    uma professora substituta (contrato temporário). A outra docente também
                    responsável pelas disciplinas analisadas possui formação inicial na área de
                    Pedagogia. O fato de as professoras serem especializadas em Ciências Naturais e
                    pertencerem ao CP de um curso de Pedagogia as coloca em posição de veículo do
                    tráfego intercoletivo de pensamento (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fleck,
                        2010</xref>).</p>
                <p>Este tráfego distancia os estudantes do saber exotérico, simplista e os aproxima
                    do saber esotérico. No entanto, o pouco contato, restrito às duas disciplinas
                    com os temas relacionados às Ciências da Natureza, se configura como um
                    obstáculo ao avanço desse tráfego que pode ser considerado tímido. As análises
                    dos questionários e entrevistas nos permitiram perceber as possibilidades de
                    circulação de pensamentos, que podem possibilitar mudanças estilísticas, embora
                    tenham permanecido traços estilísticos de perspectivas racionalistas e
                    empiristas.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
            <p>Refletir sobre a Natureza da Ciência no contexto do ensino-aprendizagem de Ciências é
                um tópico amplamente debatido no círculo especializado de pesquisadores em Ciências
                da Natureza. No entanto, essas ideias raramente circulam no ambiente de formação de
                professores destinados à Educação Infantil e aos primeiros anos do Ensino
                Fundamental.</p>
            <p>A falta de intercâmbio de ideias entre os círculos especializados em Ciências da
                Natureza e Pedagogia é atribuída à dinâmica associada ao estabelecimento e
                manutenção do curso. Isso ocorre porque o curso enfrenta uma ambiguidade em relação
                a sua identidade, oscilando entre o conhecimento docente e o estudo da educação.
                Devido à ausência de discussões epistemológicas no curso, os estudantes permanecem
                com suas concepções iniciais sobre a Ciência, mantendo percepções equivocadas que
                podem se refletir em sua futura prática pedagógica. Isso é particularmente
                relevante, pois o pedagogo é o profissional responsável por introduzir o ensino de
                ciências na Educação Infantil e nos primeiros anos do Ensino Fundamental.</p>
            <p>A troca recíproca de ideias acerca da Ciência ocorre nas disciplinas de
                    <italic>Fundamentos e Metodologias das Ciências Naturais</italic>, tanto na
                Educação Infantil quanto nos primeiros anos do Ensino Fundamental I e II. Nesse
                período de formação ocorre a interação entre o círculo especializado em Ciências da
                Natureza e os estudantes do círculo mais amplo da Pedagogia. No entanto, embora os
                estudantes reconheçam a natureza social e histórica da Ciência, muitos ainda
                preservam percepções iniciais associadas ao caráter empirista da Ciência.</p>
            <p>A limitação desse intercâmbio de ideias entre os dois círculos decorre da necessidade
                de simplificação do conhecimento durante o período formativo. A carga horária
                destinada às Ciências Naturais no curso resulta na síntese de conceitos e ideias,
                restringindo a circulação de pensamentos de forma intercoletiva. Concluímos, assim,
                que o Coletivo de Pensamento presente no curso de Pedagogia analisado restringe a
                disseminação de ideias sobre a Ciência. Apesar desse silenciamento, é importante
                notar que existe um movimento periférico de resistência e troca intercoletiva de
                ideias, o qual pode sinalizar mudanças no padrão de pensamento deste curso. É
                crucial reforçar que, além do Coletivo de Pensamento, o histórico de integração e a
                crise identitária do curso contribuem para a falta de discussões epistemológicas
                acerca da natureza das Ciências Naturais.</p>
        </sec>
    </body>
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