<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article
  PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.0 20120330//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.0/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.0" specific-use="sps-1.8" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">ciedu</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Ciência &amp; Educação (Bauru)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Ciênc. educ.
					(Bauru)</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">1516-7313</issn>
			<issn pub-type="epub">1980-850X</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, Universidade
					Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências, campus de
					Bauru.</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00048</article-id>
			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1516-731320240048</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>ARTIGO ORIGINAL</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>O modelo atômico de Thomson no PNLD 2021: uma crítica a partir de
					subsídios da epistemologia histórica de Gaston Bachelard</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Thomson’s atomic model in PNLD 2021: A critique based on Gaston
						Bachelard’s historical epistemology</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-1611-3598</contrib-id>
					<name>
						<surname>Aldi</surname>
						<given-names>Artur</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="corresp" rid="c1"/>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1b">1</xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0006-9196-9213</contrib-id>
					<name>
						<surname>Belluco</surname>
						<given-names>Mariana Fernandes</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1">1</xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<label>1</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade de São Paulo</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade de São Paulo</institution>
				<addr-line>
					<named-content content-type="city">São Paulo</named-content>
					<named-content content-type="state">SP</named-content>
				</addr-line>
				<country country="BR">Brasil</country>
				<institution content-type="original">Universidade de São Paulo (USP), Programa de
					Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências, São Paulo, SP,
					Brasil</institution>
			</aff>
			<aff id="aff1b">
				<label>1</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade de São Paulo</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade de São Paulo</institution>
				<addr-line>
					<named-content content-type="city">São Paulo</named-content>
					<named-content content-type="state">SP</named-content>
				</addr-line>
				<country country="BR">Brasil</country>
				<institution content-type="original">Universidade de São Paulo (USP), Programa de
					Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências, São Paulo, SP,
					Brasil</institution>
					<email>artur.aldi@usp.br</email>
			</aff>
			<author-notes>
				<corresp id="c1">Autor Correspondente: <email>artur.aldi@usp.br</email>
				</corresp>
			</author-notes>
<!-- 			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>19</day>
				<month>08</month>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic"> -->
			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>30</volume>
			<elocation-id>e24048</elocation-id>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>07</day>
					<month>03</month>
					<year>2024</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>15</day>
					<month>07</month>
					<year>2024</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<license license-type="open-access"
					xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O atomismo é indispensável para a química moderna, carregando diversos aspectos
					epistemológicos e históricos de tal ciência. No ensino, o conceito de átomo
					permeia os currículos de maneira transversal, sendo abordado diretamente no
					conteúdo de modelos atômicos. Tendo isso em vista, esse artigo apresenta uma
					análise qualitativa do modelo atômico de Thomson apresentado pelos livros
					didáticos de ciências do ensino médio do PNLD 2021. Primeiro, o desenvolvimento
					histórico dos trabalhos de Thomson foi analisado a partir de fontes históricas
					primárias e secundárias, utilizando a epistemologia histórica de Gaston
					Bachelard. Em seguida, procedeu-se à avaliação do rigor histórico-filosófico do
					material dos livros didáticos. Identificou-se um modelo de Thomson distorcido,
					cujo desenvolvimento histórico é apresentado de maneira superficial e
					descontextualizada, omitindo elementos epistemológicos relevantes para a sua
					compreensão crítica. Com base nas análises, são apontadas perspectivas para
					ampliar a exploração de aspectos histórico-epistemológicos do modelo de Thomson
					no ensino.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>Atomism is an indispensable doctrine for modern chemistry, representing many
					epistemological and historical aspects of this science. In chemical education,
					the concept of atom is present in curricula in a latent manner, taking a central
					part in the content related to atomic models. Thus, this article presents a
					qualitative analysis of Thomson’s atomic model found in high-school science
					textbooks participating in the PNLD 2021. First, an analysis of the historical
					development of Thomson’s work was conducted through primary and secondary
					sources, which were analyzed through Gaston Bachelard’s historical epistemology.
					Next, based on such analyzes, the historical-philosophical rigor of the
					textbooks was evaluated. A distorted and superficial form of Thomson’s model and
					of its historical development was found, omitting epistemological elements
					necessary for its critical comprehension. Based on the criticism brought
					forward, we propose perspectives that may help with the exploration of
					epistemological and historical aspects of Thomson’s atom.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Ensino de química</kwd>
				<kwd>Atomismo</kwd>
				<kwd>Livro didático</kwd>
				<kwd>História e filosofia da ciência</kwd>
				<kwd>Joseph John Thomson</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Chemistry teaching</kwd>
				<kwd>Atomism</kwd>
				<kwd>Coursebook</kwd>
				<kwd>History and philosophy of science</kwd>
				<kwd>Joseph John Thomson</kwd>
			</kwd-group>
			<funding-group>
				<award-group>
					<funding-source>CAPES</funding-source>
					<award-id>001</award-id>
				</award-group>
				<funding-statement>Agradecemos aos professores Maurício Pietrocola Pinto de Oliveira
					e Ivã Gurgel. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de
					Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Brasil, Código de
					Financiamento 001.</funding-statement>
			</funding-group>
		<counts>
				<fig-count count="1"/>
				<table-count count="3"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="28"/>
				<page-count count="0"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O átomo é um conceito fundamental da química contemporânea, permeando todas as
				subáreas de tal ciência (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Pereira; Silva,
				2018</xref>). Dada a sua importância para o conhecimento químico, o conteúdo dos
				modelos atômicos mostra-se como um ponto central para o ensino de tal ciência. Por
				esse motivo, diversos estudos vêm se debruçando sobre o assunto, apontando
				problemáticas que o seu ensino apresenta, bem como potencialidades ainda não
				exploradas em toda a sua extensão (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Chaves; Santos;
					Carneiro, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Silva; Machado; Silveira,
					2015</xref>).</p>
			<p>Os modelos atômicos no ensino de química são apresentados como um conteúdo de
				História da Ciência que consiste, em linhas gerais, em uma apresentação
				relativamente linear do desenvolvimento histórico da teoria atômica a partir de um
				conjunto limitado de modelos. Essa apresentação histórica não vem isenta de
				problemas. Pode-se questionar, por exemplo, a noção de linearidade que a organização
				do conteúdo cria, ou então a acurácia histórica com a qual os modelos e fatos são
				apresentados (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Chaves; Santos; Carneiro, 2014</xref>).
				Por outro lado, o atomismo também possui uma forte dimensão filosófica, a qual é
				muito pouco explorada no ensino e na pesquisa em ensino de ciências.</p>
			<p>Dado os apontamentos acima, propomos uma análise crítica dos aspectos históricos e
				filosóficos dos modelos atômicos em sua forma didatizada apresentada pelos livros
				didáticos de ciências. Optamos por restringir nossa análise ao modelo proposto por
				J. J. Thomson (1856-1940), uma vez que, conforme demonstraremos, tal modelo é
				subaproveitado em seu conteúdo histórico-filosófico. A versão simplificada que é
				ensinada nos livros esconde, por exemplo, que o modelo de Thomson foi um dos
				primeiros a fornecer uma raiz matemática para a lei periódica de Mendeleev (<xref
					ref-type="bibr" rid="B2">Bachelard, 2009</xref>). Assim, uma exploração do
				desenvolvimento histórico de tal modelo, bem como das implicações filosóficas que
				ele carrega, poderá trazer contribuições relevantes para o ensino de química.</p>
			<p>Para fundamentar nossa análise, buscaremos subsídios na filosofia de Gaston Bachelard
				(1884-1962). Tal referencial teórico mostra-se adequado, pois a epistemologia
				histórica bachelardiana permite relacionar o desenvolvimento histórico da ciência
				com as transformações epistemológicas sofridas pelo conhecimento científico. Sendo
				assim, partindo de uma análise historiográfica, poderemos entender de maneira
				profunda os impactos do modelo de Thomson, isto é, o que a sua proposição significou
				para o conhecimento científico de sua época.</p>
			<p>Nossa argumentação se estruturará da seguinte maneira. Primeiro, faremos um apanhado
				dos trabalhos de Thomson e do desenvolvimento histórico do seu modelo. Para isso,
				nos basearemos em obras originais do autor, com o apoio de fontes secundárias como
				os trabalhos de <xref ref-type="bibr" rid="B12">Lopes (2009)</xref> e <xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Chayut (1991)</xref>. Em seguida, buscaremos, na
				filosofia de Bachelard, subsídios para a compreensão do átomo. Para tal, nos
				baseamos, principalmente, nos livros <italic>Atomistic Intuitions</italic> (<xref
					ref-type="bibr" rid="B3">Bachelard, 2020</xref>) e <italic>O Pluralismo Coerente
					da Química Moderna</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bachelard,
					2009</xref>). A partir desse referencial, poderemos analisar as dimensões
				filosóficas e históricas do átomo de Thomson, bem como de sua relação com a doutrina
				atomística. A partir disso, poderemos proceder para a análise dos livros didáticos.
				Optamos por realizar a leitura crítica de todas as sete coleções do Programa
				Nacional do Livro Didático (PNLD) 2021 (objeto 2), dado o impacto que tais livros
				didáticos possuem na educação brasileira. Por fim, utilizaremos os subsídios
				filosóficos e históricos discutidos nas primeiras seções para estabelecer uma
				crítica ao modelo atômico de Thomson que se apresenta nos livros didáticos,
				apontando perspectivas que podem trazer melhorias para o seu ensino.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Panorama Histórico sobre o Átomo de Thomson</title>
			<p>Segundo a contemporânea historiografia da ciência, ao tratarmos de eventos
				relacionados ao desenvolvimento de ideias científicas, é preciso dar atenção para o
				contexto da época, a fim de compreender como se deu o desenvolvimento gradual das
				ideias e quais foram as suas influências, dentro do contexto científico e social
				daquele momento. Só assim poderemos construir uma interpretação balanceada dos fatos
				que nos levarão à construção de uma visão de desenvolvimento das ciências baseada em
				rupturas e continuidades (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Kragh, 1987</xref>).</p>
			<p>Com a proposição da ideia de átomo por John Dalton (1766-1844) no início do século
				XIX, temos a abertura de um período onde os químicos se preocuparam com a constante
				medição da massa fundamental dos elementos, se utilizando do átomo como um
				constructo teórico para a racionalização de suas medidas. As ideias de Dalton não
				foram aceitas universalmente, pois existiam aqueles que eram mais fiéis à tradição
				empirista dominante nessa época. Esses químicos valorizavam as propriedades
				mensuráveis (como a massa e a densidade) em detrimento de modelos hipotéticos. Ao
				realizarem as medições do peso atômico dos elementos, preferiam chamá-los de “pesos
				equivalentes” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Oki, 2009</xref>).</p>
			<p>No mesmo período em que ocorriam as disputas entre os atomistas e equivalentistas,
				apareceram as primeiras evidências da periodicidade com a análise do peso atômico de
				elementos com propriedades similares. Alguns cientistas, como Lothar Meyer, William
				Odling e Dimitri Mendeleev tentaram organizar os elementos de maneira em que uma lei
				periódica ficasse evidente. A tabela periódica de Mendeleev, concebida por volta da
				década de 1870, foi a que eventualmente ganhou mais destaque na comunidade
				científica por conter previsões acerca de elementos químicos descobertos nos anos
				seguintes (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Gordin, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B20">Scerri, 2015</xref>).</p>
			<p>Em meio a esses tempos turbulentos, Joseph John Thomson teve uma rica carreira
				acadêmica com grandes contribuições para a química. Nascido no ano de 1856, em
				Cheetham, uma pequena cidade próxima a Manchester, na Inglaterra, iniciou seus
				estudos precocemente, ao ingressar no Owens College em 1870, quando tinha apenas 14
				anos, sob recomendação de seu pai. O principal desejo da família era que Thomson se
				tornasse um aprendiz em uma firma local de engenharia após seus estudos, mas com a
				morte de seu pai dois anos depois, em 1872, o jovem abandonou essa ideia (<xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Chayut, 1991</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12"
					>Lopes, 2009</xref>).</p>
			<p>No Owens College teve uma formação em física e matemática, mas também foi lá que teve
				o seu primeiro contato com ideias importantes para a química, graças a dois de seus
				professores, Henry Roscoe (1833-1915) e Balfour Stewart (1828-1887). Roscoe atuava
				como professor de química e havia sido inicialmente treinado no laboratório de
				Bunsen, que considerava a física como uma ferramenta importante para os trabalhos
				dos químicos. Estudioso sobre o desenvolvimento da teoria atômica de Dalton,
				apresentou discussões acerca desse modelo para o jovem Thomson. Balfour Stewart era
				professor de física, apesar disso, tinha interesse em estudar combinações químicas.
				Foi responsável pela introdução de Thomson ao mundo da pesquisa científica com seu
				curso prático em laboratório, onde os alunos poderiam escolher trabalhar em projetos
				de temas variados. Ademais, também é possível que Stewart tenha apresentado ao jovem
				estudante o modelo de átomo vórtex proposto por Lorde Kelvin em 1867, visto que ele
				publicou um livro, <italic>The Unseen Universe</italic>, onde explorava esse modelo
				em 1875. O modelo atômico de Kelvin colocava o átomo como uma entidade formada por
				uma série de tubos vórtices fechados contidos em um éter infinito, homogêneo e sem
				fricção. Além disso, esse modelo está associado aos experimentos com ímãs flutuantes
				em campos magnéticos de polaridade oposta executados por Alfred Marshal Mayer
				(1836-1897), cuja presença é recorrente nos trabalhos desenvolvidos por Thomson ao
				longo de sua carreira científica (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Chayut,
				1991</xref>).</p>
			<p>Influenciado por seus professores, Thomson tentou concorrer a uma bolsa no Trinity
				College, em Cambridge. Conseguiu ingressar na instituição em sua segunda tentativa,
				quando tinha apenas 19 anos e lá aprofundou seus conhecimentos em física e
				matemática. Passou grande parte de sua carreira associado a essa instituição, onde
				conseguiu alcançar cargos administrativos notáveis. Alcançou notabilidade na
				comunidade científica internacional com a publicação, em 1883, de um suplemento do
					<italic>Tratado de Eletricidade e Magnetismo</italic>, de Maxwell, intitulado
					<italic>Recent Researches in Electricity and Magnetism</italic>, antes mesmo de
				publicar sobre seus experimentos com raios catódicos e de propor o seu modelo
				atômico (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Lopes, 2009</xref>).</p>
			<p>O início de sua carreira é marcado por trabalhos relacionados ao eletromagnetismo,
				mas seu contato com a química durante a adolescência, o deixou fascinado por
				questões relacionadas à valência e às combinações químicas. Logo passou a se dedicar
				a desenvolver um modelo de átomo que pudesse explicar tais questões. Em <italic>A
					Treatise on the Motion of Vortex Rings</italic>, publicado em 1883, <xref
					ref-type="bibr" rid="B27">Thomson (1968)</xref> refinou o modelo do átomo vórtex
				para utilizá-lo na explicação de combinações químicas. Nessa obra ele relacionou o
				conceito de valência com o número de anéis vórtices que compunham o átomo e definiu
				que o número máximo de anéis seria 6 e, portanto, esse também seria o número máximo
				de ligações que um átomo poderia realizar. Apesar de tratar do modelo de Kelvin no
				desenvolvimento desse trabalho, Thomson utilizou diversos conceitos provenientes dos
				estudos de Dalton, como a <italic>regra da simplicidade</italic> e o uso de
				terminologia daltoniana (como as palavras díades e tríades). Alguns anos depois, ele
				abandonou o modelo do átomo vórtex por ele ser muito complexo e de difícil
				utilização (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Chayut, 1991</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B12">Lopes, 2009</xref>).</p>
			<p>No início da década de 1890, Thomson passou por um momento de transição na sua
				metodologia de trabalho: ele abandonou a abordagem mais matematizada preferida pelos
				físicos para apresentar um trabalho baseado na mecânica clássica, com modelos que
				possuíam um apelo visual e que tinham como ênfase a relação entre o eletromagnetismo
				e as transformações químicas. Essa decisão o afastou da nova geração de físicos que
				estava surgindo na Europa, mas possibilitou que ele se aproximasse da química, uma
				disciplina onde símbolos e modelos pictóricos facilitam a teorização sobre seus
				fenômenos de interesse. Em 1897, iniciou seus experimentos com os tubos de Crookes,
				um equipamento já bastante conhecido por cientistas da época, capaz de gerar raios
				catódicos. Na época, a natureza desses raios não era totalmente compreendida (<xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Chayut, 1991</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12"
					>Lopes, 2009</xref>).</p>
			<p>Essa mudança de abordagem e os resultados de seus experimentos com os tubos de
				Crookes se mostram presentes no livro <italic>Eletricity and Matter</italic>,
				publicado em 1904. Ao analisarmos o livro, percebemos que Thomson utilizou de
				inúmeras técnicas experimentais para a investigação da relação entre carga e
				matéria, como a eletrólise de soluções e ionização de gases (<xref ref-type="bibr"
					rid="B25">Thomson, 1904a</xref>). Os seus experimentos com os tubos de Crookes
				são descritos em uma seção do Capítulo 4 chamado <italic>Mass of the Carriers of
					Eletricity</italic>. Em tal trecho da obra, Thomson descreveu como encontrou a
				verdadeira natureza dos raios catódicos ao identificar a velocidade das partículas
				que o compunham, ao desviá-las com a utilização de forças eletromagnéticas. A partir
				da velocidade, foi capaz de deduzir a razão da carga e massa (representada como e/m)
				dessas partículas. Esse experimento foi realizado múltiplas vezes, variando a
				composição dos gases e dos eletrodos no tubo e o seguinte fato foi observado: “Esses
				experimentos me levaram ao notável resultado onde o valor de e/m é o mesmo seja qual
				for a natureza do gás no qual a partícula pode ser encontrada, ou qualquer seja a
				natureza do metal no qual é suposto de que ela se origina.&quot; (<xref
					ref-type="bibr" rid="B25">Thomson, 1904a</xref>, p. 86, tradução nossa).</p>
			<p>As partículas foram nomeadas de 'corpúsculos' e Thomson determinou que estas eram os
				constituintes da eletricidade negativa. No livro, é relatado que foram realizadas
				tentativas para obter a razão e/m dos constituintes da eletricidade positiva, mas
				sem muito sucesso, visto que os valores obtidos variavam com a mudança de gás e de
				metal do eletrodo no tubo.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B25">Thomson (1904a)</xref> apresentou a primeira
				proposta de seu modelo atômico, composto por corpúsculos, no Capítulo 5, <italic>The
					Constitution of the Atom</italic>. Esse modelo de átomo tinha como base uma
				esfera de massa positiva com corpúsculos distribuídos em anéis concêntricos em seu
				interior. A parte positiva do átomo teria uma massa insignificante, estando a
				maioria da massa contida nos corpúsculos, por estes atraírem mais éter. Assim, seria
				possível determinar o número de corpúsculos de um átomo a partir do seu peso
				atômico.</p>
			<p>Além disso, os corpúsculos estariam em movimento no interior do átomo, distribuídos
				de maneira equidistante com uma conformação dependente do número deles em cada anel.
				Thomson se inspirou nas medidas de distâncias entre os ímãs flutuantes verificadas
				nos experimentos realizados por Mayer (<bold><xref ref-type="fig" rid="f1">figura
						1</xref></bold>).</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Distribuição de ímãs flutuantes segundo o experimento de
							Mayer</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1516-7313-ciedu-30-e24048-gf01.png"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B25">Thomson (1904a)</xref>.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Quando um anel fosse ocupado por muitos corpúsculos, um anel interno seria formado
				para garantir a estabilidade do átomo. Desse modo, os anéis internos teriam um
				número menor de corpúsculos, enquanto aqueles com uma quantidade maior de partículas
				estariam localizados mais próximos da superfície do átomo (<xref ref-type="bibr"
					rid="B25">Thomson, 1904a</xref>). A Lei Periódica estaria associada à
				similaridade na maneira em que os corpúsculos dos átomos de diferentes elementos se
				organizavam:</p>
			<p>
				<disp-quote>
				<p>Quando o número de imãs aumenta, o arranjo triangular desaparece por um tempo,
					mas reaparece com vinte imãs, e novamente com trinta e cinco, o arranjo
					triangular aparecendo e desaparecendo é de certa maneira, análogo ao
					comportamento dos elementos na Lei Periódica (<xref ref-type="bibr" rid="B25"
						>Thomson, 1904a</xref>, p. 118, tradução nossa).</p>
			</disp-quote>
			</p>
			<p>Alguns átomos podem possuir anéis externos mais ou menos estáveis, dependendo da
				distribuição de seus corpúsculos internos; a estabilidade dos anéis também pode ser
				afetada por condições do meio. Os átomos com anéis menos estáveis teriam uma maior
				tendência de perder corpúsculos ao se chocarem com outros átomos, sendo assim
				considerados eletropositivos. Aqueles com anéis mais estáveis, poderiam receber
				corpúsculos livres, sendo considerados eletronegativos. Vale ressaltar que, para
					<xref ref-type="bibr" rid="B25">Thomson (1904a)</xref>, a eletropositividade ou
				eletronegatividade de um átomo não seria uma característica inerente do seu
				elemento. Para ele, essas classificações seriam relativas, a fim de admitir a
				existência de ligações químicas entre átomos de um mesmo elemento. Portanto, mesmo
				em uma ligação entre dois átomos de hidrogênio, teríamos um átomo eletropositivo
				(que teria sido aquele que perdeu o corpúsculo) e um átomo eletronegativo (que
				recebeu o corpúsculo), de modo que a diferenciação entre qual átomo desempenharia
				determinado papel se daria por influência de condições do meio. Alguns átomos teriam
				anéis tão instáveis que poderiam perder mais de um corpúsculo, o que explicaria
				valências superiores a um.</p>
			<p>Foi dessa maneira que <xref ref-type="bibr" rid="B25">Thomson (1904a)</xref> buscou
				relacionar seu átomo com o conceito químico de valência. O autor chegou até a
				considerar os mecanismos que levariam à combinação de átomos com valências
				diferentes:</p>
			<p>
				<disp-quote>
				<p>Se os átomos A fossem do tipo que perdem dois corpúsculos, e os átomos B o mesmo
					tipo de antes [que perdem apenas um corpúsculo], então os átomos A ganhariam a
					carga em duas unidades positivas, os átomos B uma carga de uma unidade negativa
					de eletricidade. Assim, para formar um sistema neutro, dois dos átomos B devem
					combinar com um do A e assim o composto AB2 seria formado (<xref ref-type="bibr"
						rid="B25">Thomson, 1904a</xref>, p. 131, tradução nossa).</p>
			</disp-quote>
			</p>
			<p>Thomson continuou desenvolvendo seu modelo atômico, como podemos observar em suas
				publicações seguintes. Em <italic>On the structure of the atom: an investigation of
					the stability and periods of oscillation of a number of corpuscles arranged at
					equal intervals around the circumference of a circle; with application of the
					results to the theory of atomic structure</italic> (<xref ref-type="bibr"
					rid="B26">Thomson, 1904b</xref>), ele apresentou as bases matemáticas para a
				dedução da distribuição dos corpúsculos em átomos de diversos tamanhos. Já no livro
					<italic>The Corpuscular Theory of Matter</italic>, publicado em 1907, houve um
				detalhamento de seus experimentos e a apresentação do modelo em sua forma mais
				madura (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Thomson, 1907</xref>).</p>
			<p>Muitos químicos, especialmente no Reino Unido e nos Estados Unidos da América,
				estavam insatisfeitos com o estado da química nesse período, sendo a falta de
				princípios fundamentais na disciplina e o foco no empirismo alguns dos motivos que
				levavam a essa insatisfação. Dessa maneira, o trabalho de Thomson foi bem recebido
				nesses países, tendo sido logo utilizado como base para a construção de uma nova
				química teórica. A influência de Thomson foi sentida por cerca de vinte anos, desde
				1903 até 1923, em um momento em que a física teórica ainda não se mostrava capaz de
				explicar a valência e a sua relação com a estrutura atômica. Essa influência
				inspirou Gilbert N. Lewis (1875-1946) a desenvolver a sua teoria de valência e a
				concepção da ideia de ligação covalente, levando a grandes mudanças para a química,
				em especial a química orgânica (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Chayut,
				1991</xref>).</p>
			<p>Porém, o trabalho de Thomson começou a perder popularidade entre os físicos logo nos
				primeiros anos após a sua publicação. Isso ocorreu devido à mudança de perspectiva
				na física teórica com a virada para o século XX, com a substituição dos preceitos da
				mecânica clássica pelo eletromagnetismo nascente, que eventualmente levou ao
				desenvolvimento da mecânica quântica. Consequentemente, muitos físicos viam o modelo
				de Thomson como algo pouco refinado por se apoiar demais nas concepções da mecânica
				clássica. Esse foi o caso do jovem Niels Bohr (1885-1962), que apesar de ter
				inicialmente trabalhado em um pós-doutorado com o cientista mais velho em 1911, logo
				se afasta dos métodos de Thomson por achar que eles são incoerentes. Alguns anos
				depois, em 1913, Bohr publica os artigos em que descreveu seu modelo atômico com
				orbitais quantizados, inspirado pelo trabalho de Rutherford e Nicholson, ganhando a
				atenção dos físicos da época (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Chayut, 1991</xref>;
					<xref ref-type="bibr" rid="B10">Heilbron; Kuhn, 1969</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O átomo de Thomson na epistemologia histórica de Bachelard</title>
			<p>Conhecendo o contexto histórico e o processo de desenvolvimento do modelo atômico de
				Thomson, podemos refletir sobre as suas dimensões filosóficas e os impactos que
				causaram na epistemologia científica. Dada esta tarefa, os trabalhos de Gaston
				Bachelard podem ser de grande ajuda, haja visto que a epistemologia histórica
				proposta por tal autor permite ir a fundo na relação entre o desenvolvimento
				histórico dos conceitos científicos e as transformações epistemológicas que tal
				desenvolvimento implicou e implica. No livro <italic>Atomistic Intuitions</italic>
					(<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bachelard, 2020</xref>), ainda sem tradução para
				o português, o autor apresenta uma discussão ampla sobre a doutrina atomística,
				traçando um panorama geral do seu desenvolvimento. Contudo, é em uma obra posterior,
					<italic>O Pluralismo Coerente da Química Moderna</italic> (<xref ref-type="bibr"
					rid="B2">Bachelard, 2009</xref>), publicada originalmente em 1932, que o autor
				se debruça de maneira direta sobre tal modelo, cabendo a nós estabelecer diálogos
				entre os dois livros, a fim de proporcionar uma visão compreensiva do modelo de
				Thomson.</p>
			<p>Em <italic>Atomistic Intuitions</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bachelard,
					2020</xref>), o autor apresenta o progresso histórico-epistemológico do atomismo
				em quatro escolas de pensamento: a realista, a positivista, a criticista, e a
				axiomática. Cada uma dessas escolas corresponderia a um momento histórico diferente,
				e representaria um estágio distinto da racionalidade científica. No que tange ao
				atomismo, cada escola atribuiria uma função epistemológica diferente ao átomo,
				dotando-o de diferentes significados e utilizando-o de maneiras distintas para a
				construção do conhecimento.</p>
			<p>Apesar de Bachelard não identificar diretamente o modelo de Thomson com uma das
				quatro escolas, ele o faz com o modelo de Dalton, o qual possuía grande importância
				para a ciência no momento em que Thomson iniciou seus estudos. É pertinente,
				portanto, olharmos para o átomo de Dalton, a fim de compreendermos o contexto
				epistemológico em que Thomson desenvolveu seus trabalhos.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bachelard (2020)</xref>, o modelo
				proposto por John Dalton se inscreve na filosofia positivista. Para o autor, o
				grande critério de tal filosofia é o de não postular a existência de algo que não
				pode ser medido e verificado experimentalmente. O átomo positivista deveria ser
				simplesmente um artifício empírico para a racionalização de experimentos, uma
				hipótese de trabalho caracterizada apenas por seu valor empírico e esvaziada de
				qualquer dimensão metafísica.</p>
			<p>Diversas das contribuições de Dalton são ensinadas até os dias atuais nos currículos
				do ensino básico e superior de química, entre elas o seu modelo atômico e a Lei das
				proporções múltiplas. Contudo, na tradição do ensino, tais contribuições costumam
				ser abordadas em momentos bastante distintos dos cursos: enquanto o modelo atômico é
				ensinado em proximidade com os demais, a Lei das proporções múltiplas é ensinada ao
				se falar de equações químicas. Apesar dessa distanciação que a formação inicial de
				químicos pode sugerir, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bachelard (2020)</xref> aponta
				que a construção da Lei das proporções múltiplas e a formulação do modelo atômico se
				deram de maneira concomitante. A percepção da proximidade epistemológica entre tais
				ideias permite entender o teor positivista das ideias de Dalton: o átomo era
				simplesmente um andaime conceitual para o trabalho com os pesos atômicos, conceito
				que possuía um sentido empírico mais direto e que podia ser verificado
				experimentalmente nas reações químicas. Entendido assim, o átomo era um conceito
				dotado de sentido experimental, e que deveria ser mantido assim, longe de
				interpretações metafísicas.</p>
			<p>Essa recusa à metafísica implicava na ausência de discussões sobre a estrutura
				interna do átomo. É por isso que boa parte da comunidade científica preferia falar
				em equivalentes ao invés de átomos, uma vez que o primeiro termo se compromete menos
				com a existência de uma estrutura não verificável, se referindo apenas às
				equivalências de massa. Assim, as discussões estavam centradas mais na aplicação do
				átomo do que em sua suposta composição (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Oki,
					2009</xref>).</p>
			<p>Sendo este o contexto que se desenhava para o atomismo químico na época de Thomson, é
				fácil ver como os seus trabalhos proporcionaram grandes rupturas epistemológicas,
				tanto na descoberta dos elétrons, como na proposição do seu modelo. Longe de operar
				dentro de uma lógica positivista, o modelo de Thomson nos parece se identificar,
				conforme argumentaremos a seguir, muito mais com a escola criticista do atomismo.
				Trazendo contribuições de filósofos criticistas da ciência, <xref ref-type="bibr"
					rid="B3">Bachelard (2020)</xref> propõe que, em uma epistemologia crítica, o
				atomismo nasce não de uma imposição da natureza, mas sim de uma imposição da maneira
				pela qual o conhecimento é construído cientificamente. Bachelard frisa que não se
				trata de uma visão nominalista, pois o atomismo é tomado como uma hipótese
				necessária e inevitável. A natureza do conhecimento científico seria tal que
				exigiria uma formulação matemática e unitária, sendo o atomismo uma necessidade para
				que isso seja satisfeito. Nesse sentido, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B3"
					>Bachelard (2020</xref>, p. 69), “[...] quando se trata do átomo criticista,
				deve ser possível identificar uma característica verdadeiramente peremptória e
				primária”, a qual seria o <italic>número</italic>, entendido não em seu sentido
				empírico, mas sim como uma criação do entendimento humano.</p>
			<p>Sendo o átomo uma necessidade do método de estudo, a pluralidade de objetos
				científicos levaria, naturalmente, à postulação de diferentes átomos para o estudo
				de fenômenos de ordens distintas, como a química, a eletricidade, o calor, etc. Este
				ponto é especialmente relevante para nós, pois nos leva a compreender o sentido
				crítico do átomo de maneira mais clara: apesar de na química o átomo ser entendido
				unicamente como o átomo químico, devemos, se quisermos compreender a filosofia
				crítica, entendê-lo apenas como a unidade dos fenômenos químicos. Dessa maneira,
				torna-se possível reconhecer também a existência de unidades (isto é, átomos) de
				fenômenos de outras ordens. No caso do modelo de Thomson isso será especialmente
				importante, pois o elétron nada mais é do que a unidade do fenômeno elétrico, a qual
				coexiste com a unidade do fenômeno químico.</p>
			<p>Sendo assim, a filosofia crítica reconhece que a ciência de cada época possui o seu
				próprio grupo bem definido de sistemas atômicos, do qual ela se vale para explicar o
				que há para ser explicado. A ciência crítica deverá, então, atribuir propriedades
				não aos átomos em si, mas às suas conexões e interações, o que apenas seria possível
				por meio de um empirismo ativo. A identificação dos diferentes átomos e o
				reconhecimento das relações entre eles requer uma experimentação que seja uma
				‘atividade mental ativa’ e não somente uma contemplação passiva. Não haveria uma
				experimentação neutra de ideias, mas sim um empirismo que viria sempre carregado de
				teorias e racionalizações.</p>
			<p>É clara a relação dos trabalhos de Thomson com a filosofia crítica. Conforme
				argumentamos previamente, a característica principal do atomismo criticista é o
				número-unidade, sendo o átomo uma unidade a ser reconhecida. Tendo isso em mente,
				olhemos para como Thomson justifica a utilização de experimentos relacionados à
				ionização de gases:</p>
			<p>
				<disp-quote>
				<p>Quando nós consideramos a condução de eletricidade por gases, a evidência
					favorável ao caráter atômico da eletricidade é ainda mais forte do que no caso
					da condução por líquidos, principalmente visto que conhecemos mais sobre a
					passagem de eletricidade por gases do que por líquidos (<xref ref-type="bibr"
						rid="B25">Thomson, 1904a</xref>, p. 73, tradução nossa).</p>
			</disp-quote>
			</p>
			<p>Acima, ao utilizar a palavra <italic>átomo</italic>, Thomson se refere não ao átomo
				químico, mas sim ao <italic>átomo da eletricidade</italic>, isto é, ao elétron.
				Assim, o esforço racional de Thomson era crítico enquanto buscava atomizar os
				fenômenos elétricos, procurando uma unidade por meio da qual os fenômenos elétricos
				pudessem ser compreendidos de maneira racional. Quando falamos na descoberta do
				elétron, não nos referimos a um empirismo positivista, e nem utilizamos o termo
				descoberta em um sentido ingênuo. Nos trabalhos de Thomson, o corpúsculo não é um
				mero andaime que auxilia os estudos elétricos, nem tampouco uma entidade que se dá
				diretamente aos sentidos; a descoberta do elétron é uma conclusão à qual se chega a
				partir de determinações matemáticas de grandezas experimentais. É a força dessa
				argumentação matemática que permitiu racionalizar a existência de um corpúsculo,
				mesmo sendo ele completamente inacessível aos sentidos. Desse modo, deve-se
				reconhecer, por um lado, a presença da experimentação ativa do criticismo, sem a
				qual o reconhecimento dos átomos não seria possível, e por outro, a força crescente
				da racionalidade perante o empirismo, invertendo os valores positivistas.</p>
			<p>Se a descoberta dos elétrons registra uma racionalidade crítica, a proposição do
				modelo atômico por Thomson a aprofunda. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B2"
					>Bachelard (2009)</xref>, foi apenas com os estudos dos fenômenos elétricos que
				se tornou possível discutir a estrutura interna dos átomos. Conforme explica o
				autor, até aquele momento os experimentos permitiam apenas “formar e mobilizar
				imensas colônias de átomos” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bachelard, 2009</xref>,
				p. 142), não sendo possível tratar de características que individualizassem os
				corpúsculos. É por isso que as discussões acerca da real existência do átomo e sua
				estrutura ainda apresentavam um forte caráter metafísico. Contudo, os métodos
				elétricos permitiram romper essa barreira, pois, conforme explica <xref
					ref-type="bibr" rid="B2">Bachelard (2009</xref>, p. 1420), “[...] a experiência
				elétrica é tão exata que se pode falar de experiência no nível de um átomo
				particular”. Foi neste contexto de experiências capazes de individualizar os átomos,
				que se deram as pesquisas de Thomson.</p>
			<p>Atomizando criticamente os fenômenos elétricos, Thomson pôde explicar matematicamente
				a estrutura interna do átomo químico, geometrizando-o a partir das leis cinéticas,
				mecânicas e eletrodinâmicas. Assim, o átomo deixou de ser apenas um andaime para o
				trabalho experimental, para se tornar uma entidade altamente racionalizada. Note que
				se trata de uma racionalização profunda. <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bachelard
					(2020</xref>, p. 101) fecha o livro <italic>Atomistic Intuitions</italic>
				apontando três perguntas que o atomismo deve responder à medida que deixa de ser
				ingênuo para se tornar racional; entre elas, escreve: “Como podem fatos ajudarem a
				descobrir leis; e especialmente, como podem leis se tornarem tão fortemente
				organizadas a ponto de sugerirem regras?” É fácil ver como o modelo de Thomson
				representa um esforço no sentido apontado pela pergunta, uma vez que logrou
				coordenar as leis periódicas e elétricas, relacionando fenômenos e ‘átomos’ de
				ordens distintas. Evidencia-se, portanto, o avanço epistemológico trazido por
				Thomson por meio de seu modelo.</p>
			<p>A importância de suas contribuições foi reconhecida já em 1906, quando recebeu o
				prêmio Nobel de física pela descoberta da composição particular dos raios catódicos,
				isto é, os elétrons, e pela elaboração de um modelo de átomo composto por tais
				partículas (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Nobel Foundation, 2024</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Análise de livros didáticos</title>
			<p>Em nossa análise documental, consideramos as sete obras aprovadas pelo Programa
				Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2021 (objeto 2). Em cada uma dessas coleções
				foi realizada a busca pelo termo <italic>Thomson</italic>, e foram identificados os
				trechos que versam sobre J. J. Thomson e o seu modelo atômico. O título de cada
				coleção e os volumes de cada uma delas que consideramos encontram-se no <bold><xref
						ref-type="table" rid="t1">quadro 1</xref></bold>.</p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Quadro 1</label>
				<caption>
					<title>Obras analisadas</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" style="background-color:#265A9B;" valign="top">Número
								da obra / coleção</th>
							<th align="center" style="background-color:#265A9B;;" valign="top">Obra
								/ Coleção</th>
							<th align="center" style="background-color:#265A9B;;" valign="top"
								>Volumes considerados</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">1</td>
							<td align="center" valign="top"><italic>Moderna plus / ciências da
									natureza e suas tecnologias</italic></td>
							<td align="center" valign="top">Livro 1, apenas.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">2</td>
							<td align="center" valign="top"><italic>Diálogo / ciências da natureza e
									suas tecnologias</italic></td>
							<td align="center" valign="top">Livro 1, apenas.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">3</td>
							<td align="center" valign="top"><italic>Multiversos / ciências da
									natureza</italic></td>
							<td align="center" valign="top">Livro 1, apenas.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">4</td>
							<td align="center" valign="top"><italic>Ciências da natureza / Lopes
									&amp; Rosso</italic></td>
							<td align="center" valign="top">Livros 1 e 5.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">5</td>
							<td align="center" valign="top"><italic>Matéria, energia e vida / uma
									abordagem interdisciplinar</italic></td>
							<td align="center" valign="top">Livro 3.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">6</td>
							<td align="center" valign="top"><italic>Ser protagonista / ciências da
									natureza e suas tecnologias</italic></td>
							<td align="center" valign="top">Livro 1, apenas.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">7</td>
							<td align="center" valign="top"><italic>Conexões / ciências da natureza
									e suas tecnologias</italic></td>
							<td align="center" valign="top">Livro 1, apenas</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: Elaborado pelo autor e pela autora.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>As observações de leitura podem ser encontradas no <bold><xref ref-type="table"
						rid="t2">quadro 2</xref></bold>. Em nossa leitura, buscamos analisar o teor
				da descrição textual e o uso de representações e de analogias (como a do
					<italic>pudim de passas</italic>). Na coluna de <italic>outras
					informações</italic> foram indicadas, oportunamente, relações e conexões feitas
				pelos textos, bem como informações encontradas no material de apoio ao
				professor.</p>
			<table-wrap id="t2">
				<label>Quadro 2</label>
				<caption>
					<title>Análise da leitura das obras didáticas</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" style="background-color:#265A9B;" valign="top"
								>Obra</th>
							<th align="center" style="background-color:#265A9B;;" valign="top"
								>Localização do conteúdo na obra</th>
							<th align="center" style="background-color:#265A9B;;" valign="top"
								>Descrição textual e uso de representações e analogias</th>
							<th align="center" style="background-color:#265A9B;;" valign="top"
								>Outras informações</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">1</td>
							<td align="center" valign="top">Capítulo 4:<break/><italic>Modelos
									Atômicos e Tabela Periódica</italic> (<xref ref-type="bibr"
									rid="B1">Amabis <italic>et al</italic>., 2020</xref>, p.
								50).</td>
							<td align="center" valign="top">“Isso o levou a propor um novo modelo
								atômico, segundo o qual os átomos são constituídos de uma esfera
								maciça de carga elétrica positiva em cujo interior há elétrons, de
								modo que a carga elétrica total é nula.” (<xref ref-type="bibr"
									rid="B1">Amabis <italic>et al.</italic>, 2020</xref>, p. 50)<break/>
								<break/>Não apresenta representações visuais.<break/>
								<break/>Não utiliza a analogia do <italic>pudim de
								passas</italic>.</td>
							<td align="center" valign="top">Fala sobre a possibilidade de remoção
								dos elétrons do átomo ao tratar da questão da divisibilidade.<break/>
								<break/>Na seção de apoio ao professor, o livro aponta que o
								objetivo de apresentar esse modelo é demonstrar que ele foi o
								primeiro a incluir características elétricas da matéria. Em alguns
								momentos apresenta argumentos rasos do ponto de vista epistemológico
								e histórico para justificar o porquê desse modelo ter sido
								substituído pelo átomo de Rutherford. </td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">2</td>
							<td align="center" valign="top">Capítulo 2: <break/><italic>Organizando
									a matéria</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Santos,
									2020</xref>, p. 51).</td>
							<td align="center" valign="top">“Thomson propôs um novo modelo de átomo,
								que consistia em uma esfera maciça e com carga positiva, na qual
								pequenas partículas negativas, os elétrons, estavam distribuídas em
								circunferências concêntricas” (<xref ref-type="bibr" rid="B19"
									>Santos, 2020</xref>, p. 51).<break/>
								<break/>Junto ao texto há uma imagem bidimensional representando um
								círculo maior (átomo) com círculos menores dentro (elétrons). Alguns
								elétrons aparecem de maneira opaca, dando a entender que estão no
								interior do átomo.<break/>
								<break/>Não utiliza a analogia do <italic>pudim de
								passas</italic>.</td>
							<td align="center" valign="top">O texto relaciona o contexto de
								pesquisas sobre a eletricidade e radioatividade com o
								desenvolvimento desse modelo. Há a descrição do funcionamento de um
								tubo de Crookes em conjunto com uma representação visual do
								equipamento. Também podemos encontrar a descrição dos experimentos
								de Thomson que o levaram à conclusão de que os raios catódicos eram
								compostos por partículas.<break/>
								<break/>Orienta o professor a frisar a relação entre esse modelo
								atômico com a pesquisa em eletromagnetismo da época. Sugere como
								atividade complementar, a realização de uma pesquisa pelos alunos
								sobre os trabalhos de Henri Becquerel e do próprio Thomson nos
								campos da eletricidade e radioatividade. </td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">3</td>
							<td align="center" valign="top">Capítulo 1:
									<break/><italic>Átomos</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B8"
									>Godoy; Agnolo; Melo, 2020</xref>, p. 61).</td>
							<td align="center" valign="top">“Thomson propõe um novo modelo de átomo,
								em que os corpúsculos se encontram no interior de uma esfera de
								carga positiva uniforme, organizados em uma série de anéis
								paralelos. Cada anel possui uma quantidade distinta de corpúsculos,
								de modo que aqueles com maior quantidade se encontram próximos à
								superfície da esfera e aqueles com menor quantidade se encontram
								próximos ao centro.” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Godoy, Agnolo,
									Melo, 2020</xref>, p. 61)<break/>
								<break/>Não apresenta representações visuais.<break/>
								<break/>A analogia de <italic>Pudim de Passas</italic> é mencionada
								apenas no material de apoio ao professor.</td>
							<td align="center" valign="top">O texto reconhece a descoberta do
								elétron e a proposição do modelo como feitos diferentes,
								posicionando-os em anos distintos na linha do tempo e destinando, a
								cada um deles, uma caixa de texto.<break/>
								<break/>Sugere apresentar a questão da divisibilidade do átomo a
								partir desse modelo e explica como Thomson deduziu a existência de
								partículas com carga negativa a partir dos experimentos com o tubo
								de Crookes. <break/>
								<break/>Possui a descrição textual mais próxima do trabalho original
								do Thomson.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">4</td>
							<td align="center" valign="top">Livro 1, Unidade 1<break/><italic>Tema
									2: A formação dos átomos</italic> (<xref ref-type="bibr"
									rid="B13">Lopes; Rosso; Carnevalle, 2020a</xref>, p. 22).<break/>
								<break/> Livro 5, Unidade 1<break/><italic>Tema 2</italic> (<xref
									ref-type="bibr" rid="B14">Lopes; Rosso; Carnevalle,
								2020b</xref>, p. 22).</td>
							<td align="center" valign="top">O modelo de Thomson não é tratado
								diretamente. Há uma seção dedicada à constituição atômica segundo o
								modelo planetário, na qual o nome de Thomson é mencionado como um
								dos descobridores do elétron, tratado aqui como uma das partículas
								constituintes do átomo.<break/>
								<break/>Não apresenta representações visuais e não utiliza a
								analogia do <italic>pudim de passas</italic>.</td>
							<td align="center" valign="top">No livro 5, Thomson é apenas mencionado
								na introdução de um capítulo sobre lei de Ohm como o descobridor do elétron.<break/>
								<break/>No material de apoio do professor, o átomo de Thomson é
								abordado como uma alternativa errada ao átomo de Rutherford.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">5</td>
							<td align="center" valign="top">Unidade 1, Capítulo
									3<break/><italic>Modelos atômicos e propriedades dos
									materiais</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Mortimer
										<italic>et al</italic>., 2020</xref>, p. 43-45).</td>
							<td align="center" valign="top">“Em 1903, J. J. Thomson recuperou o
								modelo proposto por Lord Kelvin, em que as partículas com carga
								negativa, denominadas elétrons, se encontravam incrustadas numa
								esfera de carga positiva.” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Mortimer
										<italic>et al</italic>., 2020</xref>, p. 45).<break/>
								<break/>Posteriormente, em uma caixa, o modelo é sumarizado em três
								tópicos: (i) “Os átomos são esféricos e o volume total do átomo é
								igual ao volume da esfera.”; (ii) “A carga positiva está
								uniformemente distribuída na esfera.”; (iii) “Os elétrons se movem
								nessa esfera sob o efeito de forças eletrostáticas”. (<xref
									ref-type="bibr" rid="B15">Mortimer <italic>et al</italic>.,
									2020</xref>, p. 45).<break/>
								<break/>Apresenta a analogia do <italic>Pudim de Passas</italic> e a
								compara com uma melancia. Contém uma foto de uma melancia para
								acompanhar a analogia e também há uma representação bidimensional do
								modelo.</td>
							<td align="center" valign="top">O texto menciona o átomo vórtex de
								Kelvin, sem detalhes, dando a entender que é algo muito similar ao
								modelo de Thomson.<break/>
								<break/>Nota-se que a movimentação dos elétrons é afirmada, mas que
								a estrutura em anéis concêntricos progressivamente populados de
								elétrons não o é.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">6</td>
							<td align="center" valign="top">Unidade 1, Capítulo
									2<break/><italic>Modelos atômicos e características dos
									átomos</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Zamboni;
									Bezerra, 2020</xref>, p. 29)</td>
							<td align="center" valign="top">“Thomson propôs um modelo que ficou
								conhecido como <italic>pudim de passas</italic>, pois era
								constituído de uma esfera maciça, de carga elétrica positiva que
								continha “corpúsculos” de carga negativa (elétrons) nela dispersos e
								em número suficiente para anular sua carga positiva” (<xref
									ref-type="bibr" rid="B28">Zamboni; Bezerra, 2020</xref>, p. 29).<break/>
								<break/>Apresenta uma representação bidimensional do átomo como um
								círculo (indicado como tendo carga positiva) com esferas menores em
								seu interior (elétrons negativos).<break/>
								<break/>Utiliza a analogia do <italic>Pudim de Passas</italic>.</td>
							<td align="center" valign="top">O livro aponta que a proposição do
								modelo se deu posteriormente à descoberta dos elétrons. Além disso,
								ao discutir o modelo de Dalton e de Thomson conjuntamente, há uma
								tentativa de apresentar uma discussão sobre o progresso científico,
								apontando, por exemplo, que “assim como o modelo de Thomson
								incorpora novas ideias ao de Dalton, a comunidade científica aceita
								o princípio de que, para que haja avanços, nem sempre é necessário
								descartar ideias anteriores” (<xref ref-type="bibr" rid="B28"
									>Zamboni; Bezerra, 2020</xref>, p. 29).</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">7</td>
							<td align="center" valign="top">Capítulo 1<break/><italic>O mundo que
									nos cerca: do que a matéria é feita</italic> (<xref
									ref-type="bibr" rid="B23">Thompson <italic>et al</italic>.,
									2020</xref>, p. 14).</td>
							<td align="center" valign="top">“Thomson propôs a existência, no átomo,
								de cargas elétricas positivas, capazes de neutralizar as negativas
								(elétrons). Em 1898, após diversos experimentos, elaborou um modelo
								de átomo que consistia em uma esfera sólida positivamente carregada,
								na qual estariam distribuídos elétrons, de carga negativa” (<xref
									ref-type="bibr" rid="B23">Thompson et al., 2020</xref>, p. 30).<break/>
								<break/>Utiliza uma representação tridimensional de uma esfera azul
								(de carga positiva) com diversas esferas menores de cor laranja e
								carga negativa distribuídas em sua superfície e em seu interior (há
								um corte na esfera grande que permite a visão de seu interior).</td>
							<td align="center" valign="top">Ao final do trecho destinado ao modelo
								de Thomson, o livro apresenta o conceito de íon, buscando mostrar
								como esse modelo era capaz de explicar fenômenos elétricos.<break/>
								<break/>Convida o professor a realizar uma reflexão geral sobre os
								modelos atômicos enquanto representações de teorias, buscando
								explicar fenômenos observados.</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: Elaborado pelo autor e pela autora.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Outro aspecto analisado foi a quantidade de espaço que os livros destinam às
				discussões do modelo de Thomson. As observações referentes a tal aspecto se
				encontram organizadas no <bold><xref ref-type="table" rid="t3">quadro
					3</xref></bold>.</p>
			<table-wrap id="t3">
				<label>Quadro 3</label>
				<caption>
					<title>Análise do espaço reservado para o modelo de Thomson em cada obra</title>
				</caption>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" style="background-color:#265A9B;" valign="top"
								>Obra</th>
							<th align="center" style="background-color:#265A9B;;" valign="top"
								>Espaço reservado para o modelo de Thomson em cada obra</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">1</td>
							<td align="center" valign="top">Três parágrafos que ocupam um pouco mais
								da metade de uma página. Apenas dois dos parágrafos tratam
								diretamente do modelo de Thomson. O terceiro parágrafo relaciona o
								trabalho de Thomson com os de outros cientistas (como os de
								Millikan, Nagaoka e Nicholson).</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">2</td>
							<td align="center" valign="top">Uma página inteira com ilustrações e
								texto.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">3</td>
							<td align="center" valign="top">Os modelos atômicos estão apresentados
								na forma de uma linha do tempo. Para Thomson e seu modelo são
								reservadas duas pequenas caixas de texto.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">4</td>
							<td align="center" valign="top">Não há seção dedicada ao átomo de
								Thomson (apenas uma versão do modelo planetário é apresentada em um
								texto de aproximadamente duas páginas).</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">5</td>
							<td align="center" valign="top">Entre duas e três páginas de texto ao
								longo das quais se distribuem caixas de texto discutindo a origem
								dos raios x e dos equipamentos elétricos. </td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">6</td>
							<td align="center" valign="top">Meia página, sendo o modelo de Thomson
								apresentado concomitantemente ao de Dalton.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">7</td>
							<td align="center" valign="top">Meia página.</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: Elaborado pelo autor e pela autora.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
		</sec>
		<sec>
			<title>Discutindo o modelo didático de Thomson</title>
			<p>A leitura dos livros didáticos nos permitiu identificar diversos aspectos críticos do
				ponto de vista histórico e filosófico. Primeiro, é preciso apontar que o pequeno
				espaço dedicado à discussão do modelo de Thomson mina grande parte das
				possibilidades de tratativas que o conteúdo poderia receber. Mais da metade dos
				livros dedica aproximadamente meia página de texto ao modelo, e um deles nem sequer
				menciona a sua existência.</p>
			<p>Tendo em vista a limitação acima, olhemos para os aspectos da história da ciência
				presentes nos documentos analisados. A BNCC frisa como a contextualização histórica
				deve ser executada: “A contextualização histórica não se ocupa apenas da menção a
				nomes de cientistas e a datas da história da Ciência, mas de apresentar os
				conhecimentos científicos como construções socialmente produzidas, com seus impasses
				e contradições” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2018</xref>, p. 550).</p>
			<p>Porém, na análise dos livros percebemos que essa orientação não é seguida, nem no que
				diz respeito ao contexto geral dos trabalhos de Thomson, nem no que se refere ao
				desenvolvimento histórico das ideias defendidas por tal cientista.</p>
			<p>Conforme já apontamos anteriormente, o desenvolvimento dos trabalhos de Thomson se
				deu em um contexto marcado por intensas discussões na Física e também na Química.
				Por um lado, as pesquisas em eletromagnetismo e os debates sobre a natureza dos
				raios catódicos estavam ocorrendo por toda Europa. Por outro, na química eram
				consolidados os conceitos relacionados à lei periódica e à valência, além da
				discussão da importância do atomismo para essa ciência. A compreensão deste cenário
				amplo permite situar os trabalhos de Thomson na história, sendo vital para o
				reconhecimento de sua importância científica. Apesar disso, estas conjunturas são
				pouco discutidas nas obras didáticas: somente a Obra 2 (<xref ref-type="bibr"
					rid="B19">Santos, 2020</xref>) e a Obra 5 (<xref ref-type="bibr" rid="B15"
					>Mortimer <italic>et al</italic>., 2020</xref>) exploram o contexto das
				pesquisas sobre eletromagnetismo que precedeu a obra de Thomson. Quanto ao cenário
				químico, nenhuma obra faz sequer uma breve menção.</p>
			<p>Além de dificultar a aprendizagem do modelo em sua totalidade, essa omissão do
				contexto histórico-científico também pode levar ao apagamento da relação
				interdisciplinar entre física e química, duas ciências cujo desenvolvimento ocorreu
				muitas vezes de maneira mútua. Apenas uma discussão ampla pode mostrar como os
				propósitos de Thomson serviam tanto à Química como à Física, sendo esta uma temática
				que poderia ser explorada em uma perspectiva interdisciplinar em sala de aula. Com
				efeito, a Obra 4 (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Lopes, Rosso, Carnevalle,
					2020b</xref>) até chega a mencionar Thomson como o descobridor dos elétrons em
				um capítulo sobre Lei de Ohm, situado em seu volume 5. Contudo, trata-se apenas de
				uma menção passageira, não havendo nenhuma tentativa de desenvolver uma conexão mais
				estreita.</p>
			<p>No que se refere ao desenvolvimento das ideias de Thomson, os textos limitaram-se a
				expor a descoberta dos elétrons e a proposição do modelo atômico como fatos
				históricos simples, mencionados como eventos cronologicamente conectados, sem
				explorar as tensões envolvidas em suas ocorrências. Conforme discutimos nas seções
				anteriores, o que convencionamos chamar de ‘descoberta dos elétrons’ consiste, na
				realidade, em um <italic>processo de objetivação da entidade elétron</italic>. Para
				que se possa compreender esse processo epistemológico complexo e carregado de
				racionalidade, é necessária uma ampla discussão dos experimentos de Thomson, indo
				além do contexto das pesquisas eletromagnéticas do período, e adentrando os
				experimentos com a ampola de Crookes. A individualização do elétron enquanto
				corpúsculo pode até ter sido corroborada pelo experimento de Millikan, no qual foi
				possível visualizar indiretamente os elétrons por meio das gotas de óleo; contudo,
				foi por meio da determinação de uma relação matemática, a razão carga/massa, que o
				elétron foi primeiramente entendido como corpúsculo (<xref ref-type="bibr" rid="B2"
					>Bachelard, 2009</xref>). Sem essa discussão histórica é impossível conceber a
				descoberta do elétron como o esforço de grande racionalidade que é. Tendo isso em
				vista, a omissão desse processo de objetivação significa a perda de uma oportunidade
				pedagógica de explorar uma noção crítica de descoberta científica que rompa com a
				ideia ingênua de ‘descobrir é ver’. Perde-se, também, a possibilidade de discutir um
				caso histórico que demonstra como a ciência contemporânea se direciona para uma
				experimentação cada vez mais distanciada dos sentidos primeiros e menos imediata. O
				esvaziamento dos aspectos históricos implica, portanto, na perda de oportunidades
				importantes do ponto de vista didático-pedagógico, se visamos a profundidade
				epistemológica dos conceitos.</p>
			<p>Tratemos, agora, da maneira como o modelo atômico de Thomson se desenha entre as
				obras didáticas. A maioria dos livros abandonou o uso da analogia do <italic>pudim
					de passas</italic>, o que nos parece ser um avanço dado o fato de que o seu uso
				levava a interpretações distorcidas do modelo, como evidenciado por <xref
					ref-type="bibr" rid="B22">Souza, Justi e Ferreira (2006)</xref>. Contudo, apesar
				da analogia não ser utilizada diretamente, a descrição do modelo apresentada
				continua de acordo com ela em grande medida: o átomo seria como uma esfera
				positivamente carregada em cuja extensão se distribuem elétrons, representados
				também como esferas menores, com carga negativa. Tal modelo consiste em uma versão
				bastante simplificada daquela encontrada nos trabalhos de Thomson, nos quais
				reconhecemos não só a presença de elétrons em uma massa uniforme e positiva, mas
				também a organização interna no átomo, com a disposição em anéis concêntricos.
				Apenas uma das obras, a de número 3 (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Godoy; Agnolo;
					Melo, 2020</xref>), reconhece essa estrutura organizada, e apenas outra, a de
				número 5 (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Mortimer <italic>et al</italic>.,
					2020</xref>). menciona diretamente a mobilidade dos elétrons, prevalecendo uma
				concepção estática do modelo de Thomson. Na mesma direção, as representações visuais
				não ilustram a organização dos elétrons em anéis concêntricos, nem buscam
				representar a movimentação dos corpúsculos no interior do átomo. Podemos assim
				concluir que os livros didáticos apresentam uma versão imprecisa do modelo em
				questão.</p>
			<p>Essa imprecisão histórica dos conceitos deveria, por si só, chamar nossa atenção.
				Contudo, não podemos deixar de notar que, ao simplificar o modelo de Thomson ao
				ponto de ignorar a sua organização interna, perdemos a possibilidade de discutir o
				fato dele ter um alto caráter químico. Conforme vimos, por meio de cálculos, Thomson
				logrou uma ‘raiz matemática’ dos fenômenos químicos, explicada teoricamente pelas
				diferentes possibilidades de distribuição dos elétrons nos anéis concêntricos. Essa
				discussão, porém, não é abordada por nenhuma das obras - nem poderia ser, já que a
				estrutura organizada do átomo não é sequer reconhecida por elas. Desse modo, a
				imprecisão histórica implica na perda de conteúdos que dialogam de maneira relevante
				com o desenvolvimento da química.</p>
			<p>Tendo em vista as fragilidades didáticas apontadas, bem como o fundamento histórico e
				epistemológico que levantamos, é pertinente refletirmos sobre o processo de produção
				dos livros didáticos, o qual apresenta diversas peculiaridades quanto à autoria e à
				originalidade dos textos (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bittencourt, 2004</xref>).
				Tal produção consiste em um processo complexo e pouco claro, que envolve diversos
				autores, técnicos e editores, e que tem como fim não apenas o rigor científico e
				histórico, mas também a natureza didática e a sua função como mercadoria. Sendo
				assim, não é possível ter clareza sobre as fontes utilizadas e, consequentemente,
				sobre o rigor das informações apresentadas. Estabelecemos como hipótese ser por isso
				que os livros, ao longo do tempo, reforçam coletivamente informações que se
				distanciam do seu sentido original. Desse modo, ressaltamos a importância da
				consulta às fontes originais na produção dos livros didáticos para a garantia de
				maior precisão nos conceitos e processos apresentados.</p>
			<p>Para além das questões inerentes aos livros didáticos e sua confecção, apontamos para
				a pertinência de uma reorganização radical na sequência curricular, a fim de
				reposicionar o conteúdo do modelo de Thomson. Historicamente, foi sob influência de
				tal modelo que o químico G. N. Lewis propôs sua teoria de valência e a notação que a
				acompanha, além do conceito de ligação covalente. Além disso, foi em parte inspirado
				pelas leis periódicas que Thomson buscou desenvolver o seu modelo. Sendo assim, se
				levássemos em conta o desenvolvimento epistemológico dos conceitos químicos, poderia
				ser prudente posicionarmos o conteúdo relacionado ao átomo de Thomson em meio a
				outros conteúdos que não o de outros modelos atômicos. Dada a sua proximidade
				histórico-epistemológica com os trabalhos de Lewis e com os debates sobre as leis
				periódicas, esse modelo poderia ser mais bem aproveitado se discutido oportunamente
				com as representações de Lewis e, consequentemente, com os conteúdos relacionados às
				ligações químicas, tanto iônicas quanto covalentes. Evidentemente, para que a
				relação com tais conteúdos fosse clara ao leitor, seria necessário abordar o modelo
				de Thomson de maneira menos simplificada do que convencionalmente se faz, trazendo à
				tona a sua estrutura interna, bem como o desenvolvimento das ideias que levaram à
				sua objetivação.</p>
			<p>Consideramos esta proposta como radical porque ela impactaria também o conteúdo
				relacionado a outros modelos atômicos que também deveriam ser redistribuídos,
				rompendo, assim, com a sequência curricular tradicional. A manutenção de um
				‘macroconteúdo’ de <italic>modelos atômicos</italic>, em que se agrupam todos os
				modelos tradicionais do átomo químico, pode até fazer sentido em um primeiro
				momento, sugerindo uma linearidade epistemológica que une todos os modelos. Contudo,
				se seguirmos a filosofia bachelardiana, em que entendemos ser por meio da ruptura
				com o conhecimento vigente que a ciência progride, por que não considerar as
				rupturas epistemológicas entre um modelo e outro, posicionando-os em momentos
				distintos de um curso de química, a fim de explorar cada qual em seu contexto?</p>
			<p>Em conclusão, apontamos que a organização temática que aproxima todos os modelos em
				uma só sequência parece sacrificar grande parte das potencialidades epistemológicas
				e tantas outras potencialidades históricas em nome da construção de uma linearidade
				cronológica. Trata-se de uma proposta teórica, sendo necessário outros estudos para
				verificar a sua eficácia.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Conclusões</title>
			<p>A teoria atômica apresenta um desenvolvimento histórico complexo, marcado por
				profundos compromissos filosóficos. Entendemos que os trabalhos de Thomson são
				representativos de uma filosofia criticista, pois rompem com o atomismo positivista,
				ampliando a importância da racionalidade científica perante o empirismo restrito.
				Além disso, o modelo de Thomson possui forte caráter químico, tendo sido um dos
				primeiros a propor uma raiz matemática para as leis periódicas. No ensino, uma
				discussão ampla de tal modelo poderia abordar seu desenvolvimento histórico,
				explorando sua relação com a química do início do século XX e abordando de maneira
				implícita os seus aspectos filosóficos críticos, permitindo, assim, problematizar a
				visão ingênua sobre descobertas científicas e experimentação.</p>
			<p>Apesar de suas potencialidades pedagógicas, estes aspectos histórico-epistemológicos
				são pouco explorados pelas obras didáticas. O conteúdo relacionado aos modelos
				atômicos é apresentado tradicionalmente de maneira cronológica nos currículos de
				química. Essa abordagem é incompatível com uma proposta que busca levar aspectos da
				história e filosofia da ciência no ensino por trazer uma apresentação
				descontextualizada dos conteúdos, que implica na ideia de linearidade no
				desenvolvimento das ideias científicas, desconsiderando a possibilidade de rupturas
				teóricas e filosóficas no desenvolvimento de novas teorias e modelos. Neste sentido,
				o modelo de Thomson pode bem ser um dos que mais sofre com o tipo de abordagem
				tomada pelos livros didáticos, sendo apresentado de maneira superficial em espaços
				extremamente limitados. Em alguns casos a descoberta do elétron é relatada como uma
				mera curiosidade, sem aprofundamentos que a expliquem, havendo também a omissão
				(total ou parcial) do contexto científico daquele momento. Indo além, em sua versão
				didatizada, o modelo de Thomson apresenta diversas inconsistências históricas, sendo
				esvaziado de seu significado químico e também de suas implicações
				epistemológicas.</p>
			<p>Dessa forma, apontamos para a pertinência de uma abordagem historicamente mais
				precisa para o modelo de Thomson e seu desenvolvimento, aproximando a versão
				didática da versão histórica que encontramos nos documentos analisados. Ressalta-se,
				assim, a importância do uso de fontes primárias na produção dos livros didáticos.
				Além disso, uma reformulação radical da organização dos conteúdos de modelos
				atômicos no currículo e nos livros didáticos poderia abrir espaço para que a
				História e Filosofia da Ciência fossem utilizadas de maneira mais eficiente no
				ensino de química. Abandonando a apresentação cronológica linear dos modelos
				atômicos, seria possível aproximar curricularmente os modelos atômicos de conteúdos
				que sejam histórica e epistemologicamente relacionados a eles. No caso específico do
				modelo de Thomson, acreditamos que a discussão poderia ser beneficiada em ser
				aproximada a assuntos como a teoria de valência e as ligações químicas.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ack>
			<title>Agradecimentos</title>
			<p>Agradecemos aos professores Maurício Pietrocola Pinto de Oliveira e Ivã Gurgel. O
				presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de
				Pessoal de Nível Superior (CAPES), Brasil, Código de Financiamento 001.</p>
		</ack>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>AMABIS, J. M. <italic>et al. Moderna plus:</italic> ciências da
					natureza e suas tecnologias: o conhecimento científico. São Paulo: Moderna,
					2020.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>AMABIS</surname>
							<given-names>J. M.</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<source>Moderna plus: ciências da natureza e suas tecnologias: o conhecimento
						científico</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Moderna</publisher-name>
					<year>2020</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>BACHELARD, G. <italic>O pluralismo coerente da química
						moderna</italic>. Rio de Janeiro: Contraponto Editora,
					2009.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BACHELARD</surname>
							<given-names>G.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O pluralismo coerente da química moderna</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Contraponto Editora</publisher-name>
					<year>2009</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>BACHELARD, G. <italic>Atomistic intuitions:</italic> an essay on
					classification. Albany: State University of New York, 2020.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BACHELARD</surname>
							<given-names>G.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Atomistic intuitions: an essay on classification</source>
					<publisher-loc>Albany</publisher-loc>
					<publisher-name>State University of New York</publisher-name>
					<year>2020</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>BITTENCOURT, C. M. F. Autores e editores de compêndios e livros de
					leitura (1810-1910). <italic>Educação e Pesquisa</italic>, São Paulo, v. 30, n.
					3, p. 475-491, 2004. Short DOI: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://doi.org/d899gk"
					>https://doi.org/d899gk</ext-link>.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BITTENCOURT</surname>
							<given-names>C. M. F.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Autores e editores de compêndios e livros de leitura
						(1810-1910)</article-title>
					<source>Educação e Pesquisa</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<volume>30</volume>
					<issue>3</issue>
					<fpage>475</fpage>
					<lpage>491</lpage>
					<year>2004</year>
					<comment>Short <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/d899gk"
							>https://doi.org/d899gk</ext-link>
					</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>BRASIL. Ministério da Educação. <italic>Base nacional comum
						curricular</italic>. Brasília, DF: MEC, 2018.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<chapter-title>Ministério da Educação</chapter-title>
					<source>Base nacional comum curricular</source>
					<publisher-loc>Brasília, DF</publisher-loc>
					<publisher-name>MEC</publisher-name>
					<year>2018</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>CHAVES, L. M. M. P.; SANTOS, W. L. P.; CARNEIRO, M. H. S. História
					da ciência no estudo de modelos atômicos em livros didáticos de química e
					concepções de ciência. <italic>Química Nova na Escola</italic>, São Paulo, v.
					36, n. 4, p. 269-279, 2014.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CHAVES</surname>
							<given-names>L. M. M. P.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>SANTOS</surname>
							<given-names>W. L. P.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>CARNEIRO</surname>
							<given-names>M. H. S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>História da ciência no estudo de modelos atômicos em livros
						didáticos de química e concepções de ciência</article-title>
					<source>Química Nova na Escola</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<volume>36</volume>
					<issue>4</issue>
					<fpage>269</fpage>
					<lpage>279</lpage>
					<year>2014</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>CHAYUT, M. J. J. Thomson: The discovery of the electron and the
					chemists. <italic>Annals of Science</italic>, Abingdon, UK, v. 48, n. 6, p.
					527-544, 1991.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CHAYUT</surname>
							<given-names>M. J. J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Thomson: The discovery of the electron and the
						chemists</article-title>
					<source>Annals of Science</source>
					<publisher-loc>Abingdon, UK</publisher-loc>
					<volume>48</volume>
					<issue>6</issue>
					<fpage>527</fpage>
					<lpage>544</lpage>
					<year>1991</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>GODOY, L. P.; AGNOLO, R. M. D.; MELO, W. C.
						<italic>Multiversos:</italic> ciências da natureza: matéria, energia e a
					vida. São Paulo: Editora FTD, 2020.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GODOY</surname>
							<given-names>L. P.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>AGNOLO</surname>
							<given-names>R. M. D.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>MELO</surname>
							<given-names>W. C.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Multiversos: ciências da natureza: matéria, energia e a vida</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora FTD</publisher-name>
					<year>2020</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<mixed-citation>GORDIN, M. D. The textbook case of a priority dispute: D. I.
					Mendeleev, Lothar, Meyer, and the periodic system. <italic>In:</italic>
					BIAGIOLI, M.; RISKIN, J. (ed.). <italic>Nature engaged</italic>. New York:
					Palgrave Mcmillan, 2012. p. 59-82.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GORDIN</surname>
							<given-names>M. D.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>The textbook case of a priority dispute: D. I. Mendeleev, Lothar,
						Meyer, and the periodic system</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>BIAGIOLI</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>RISKIN</surname>
							<given-names>J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Nature engaged</source>
					<publisher-loc>New York</publisher-loc>
					<publisher-name>Palgrave Mcmillan</publisher-name>
					<year>2012</year>
					<fpage>59</fpage>
					<lpage>82</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<mixed-citation>HEILBRON, J. L.; KUHN, T. S. The genesis of the Bohr atom.
						<italic>Historical Studies in the Physical Sciences</italic>, Oakland, CA,
					v. 1, p. vi-290, 1969.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>HEILBRON</surname>
							<given-names>J. L.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>KUHN</surname>
							<given-names>T. S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>The genesis of the Bohr atom</article-title>
					<source>Historical Studies in the Physical Sciences</source>
					<publisher-loc>Oakland, CA</publisher-loc>
					<volume>1</volume>
					<fpage>vi</fpage>
					<lpage>290</lpage>
					<year>1969</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<mixed-citation>KRAGH, H. S. <italic>An introduction to the historiography of
						science</italic>. Cambridge: Cambridge University Press,
					1987.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>KRAGH</surname>
							<given-names>H. S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>An introduction to the historiography of science</source>
					<publisher-loc>Cambridge</publisher-loc>
					<publisher-name>Cambridge University Press</publisher-name>
					<year>1987</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<mixed-citation>LOPES, C. V. M. <italic>Modelos atômicos no início do século
						XX:</italic> da física clássica à introdução da teoria quântica. 2009. 173
					f. Tese (Doutorado em História da Ciência) - Pontifícia Universidade Católica de
					São Paulo, São Paulo, 2009. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://tede2.pucsp.br/handle/handle/13442"
						>https://tede2.pucsp.br/handle/handle/13442</ext-link>. Acesso em: 18 jan.
					2024.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LOPES</surname>
							<given-names>C. V. M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Modelos atômicos no início do século XX: da física clássica à introdução
						da teoria quântica</source>
					<year>2009</year>
					<fpage>173</fpage>
					<comment>Tese (Doutorado em História da Ciência)</comment>
					<publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de São Paulo</publisher-name>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<comment>2009</comment>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://tede2.pucsp.br/handle/handle/13442"
							>https://tede2.pucsp.br/handle/handle/13442</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 18 jan. 2024</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<mixed-citation>LOPES, S.; ROSSO, S.; CARNEVALLE, M. R. (ed.). <italic>Ciências da
						natureza:</italic> Lopes e Rosso: evolução e universo. São Paulo: Moderna,
					2020a.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LOPES</surname>
							<given-names>S.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>ROSSO</surname>
							<given-names>S.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>CARNEVALLE</surname>
							<given-names>M. R.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Ciências da natureza: Lopes e Rosso: evolução e universo</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Moderna,</publisher-name>
					<year>2020a</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<mixed-citation>LOPES, S.; ROSSO, S.; CARNEVALLE, M. R. (ed.). <italic>Ciências da
						natureza:</italic> Lopes e Rosso: corpo humano e vida saudável. São Paulo:
					Moderna, 2020b.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LOPES</surname>
							<given-names>S.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>ROSSO</surname>
							<given-names>S.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>CARNEVALLE</surname>
							<given-names>M. R.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Ciências da natureza: Lopes e Rosso: corpo humano e vida
						saudável</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Moderna,</publisher-name>
					<year>2020b</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<mixed-citation>MORTIMER, E. <italic>et al. Matéria, energia e vida:</italic> uma
					abordagem interdisciplinar: materiais, luz e som: modelos e propriedades. São
					Paulo: Scipione, 2020.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MORTIMER</surname>
							<given-names>E.</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<source>Matéria, energia e vida: uma abordagem interdisciplinar: materiais, luz
						e som: modelos e propriedades</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Scipione</publisher-name>
					<year>2020</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<mixed-citation>NOBEL FOUNDATION. <italic>The Nobel Prize in Physics 1906</italic>.
					[2024]. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://tinyurl.com/49p4z5et"
						>https://tinyurl.com/49p4z5et</ext-link>. Acesso em: 1 jun.
					2024.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>NOBEL</surname>
							<given-names>FOUNDATION.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>The Nobel Prize in Physics 1906</source>
					<year>2024</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://tinyurl.com/49p4z5et"
							>https://tinyurl.com/49p4z5et</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 1 jun. 2024</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B17">
				<mixed-citation>OKI, M. C. M. Controvérsias sobre o atomismo no século XIX.
						<italic>Química Nova</italic>, São Paulo, v. 32, p. 1072-1082,
					2009.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>OKI</surname>
							<given-names>M. C. M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Controvérsias sobre o atomismo no século XIX</article-title>
					<source>Química Nova</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<volume>32</volume>
					<fpage>1072</fpage>
					<lpage>1082</lpage>
					<year>2009</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B18">
				<mixed-citation>PEREIRA, L. S.; SILVA, J. L. P. B. Uma história do antiatomismo:
					possibilidades para o ensino de química. <italic>Química Nova na
					Escola</italic>, São Paulo, v. 40, n. 1, p. 19-24, 2018.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PEREIRA</surname>
							<given-names>L. S.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>SILVA</surname>
							<given-names>J. L. P. B.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Uma história do antiatomismo: possibilidades para o ensino de
						química</article-title>
					<source>Química Nova na Escola</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<volume>40</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>19</fpage>
					<lpage>24</lpage>
					<year>2018</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B19">
				<mixed-citation>SANTOS, K. C. (ed.). <italic>Diálogo:</italic> ciências da natureza
					e suas tecnologias: universo da ciência e a ciência do universo. São Paulo:
					Moderna, 2020.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SANTOS</surname>
							<given-names>K. C.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Diálogo: ciências da natureza e suas tecnologias: universo da ciência e
						a ciência do universo</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Moderna</publisher-name>
					<year>2020</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B20">
				<mixed-citation>SCERRI, E. The discovery of the periodic table as a case of
					simultaneous discovery. <italic>Philosophical Transactions of the Royal Society
						A:</italic> Mathematical, Physical and Engineering Sciences, London, UK, v.
					373, n. 2037, p. 20140172, 2015.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SCERRI</surname>
							<given-names>E.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>The discovery of the periodic table as a case of simultaneous
						discovery</article-title>
					<source>Philosophical Transactions of the Royal Society A: Mathematical,
						Physical and Engineering Sciences</source>
					<publisher-loc>London, UK</publisher-loc>
					<volume>373</volume>
					<issue>2037</issue>
					<fpage>20140172</fpage>
					<year>2015</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B21">
				<mixed-citation>SILVA, G. R.; MACHADO, A. H.; SILVEIRA, K. P. Modelos para o átomo:
					atividades com a utilização de recursos multimídia. <italic>Química Nova na
						Escola</italic>, São Paulo, v. 37, n. 2, p. 106-111, 2015.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SILVA</surname>
							<given-names>G. R.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>MACHADO</surname>
							<given-names>A. H.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>SILVEIRA</surname>
							<given-names>K. P.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Modelos para o átomo: atividades com a utilização de recursos
						multimídia</article-title>
					<source>Química Nova na Escola</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<volume>37</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>106</fpage>
					<lpage>111</lpage>
					<year>2015</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B22">
				<mixed-citation>SOUZA, V. C. A.; JUSTI, R. S.; FERREIRA, P. F. M. Analogias
					utilizadas no ensino dos modelos atômicos de Thomson e Bohr: uma análise crítica
					sobre o que os alunos pensam a partir delas. <italic>Investigações em Ensino de
						Ciências</italic>, Porto Alegre, v. 11, n. 1, p. 7-28,
					2006.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SOUZA</surname>
							<given-names>V. C. A.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>JUSTI</surname>
							<given-names>R. S.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>FERREIRA</surname>
							<given-names>P. F. M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Analogias utilizadas no ensino dos modelos atômicos de Thomson e
						Bohr: uma análise crítica sobre o que os alunos pensam a partir
						delas</article-title>
					<source>Investigações em Ensino de Ciências</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<volume>11</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>7</fpage>
					<lpage>28</lpage>
					<year>2006</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B23">
				<mixed-citation>THOMPSON, M. <italic>et al. Conexões:</italic> ciências da natureza
					e suas tecnologias: matéria e energia. São Paulo: Moderna,
					2020.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>THOMPSON</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<source>Conexões: ciências da natureza e suas tecnologias: matéria e
						energia</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Moderna</publisher-name>
					<year>2020</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B24">
				<mixed-citation>THOMSON, J. J. <italic>The corpuscular theory of matter</italic>.
					New York, Scribner’s Sons, 1907. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://archive.org/details/corpusculartheory00thomrich"
						>http://archive.org/details/corpusculartheory00thomrich</ext-link>. Acesso
					em: 23 jan. 2024.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>THOMSON</surname>
							<given-names>J. J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>The corpuscular theory of matter</source>
					<publisher-loc>New York</publisher-loc>
					<publisher-name>Scribner’s Sons</publisher-name>
					<year>1907</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://archive.org/details/corpusculartheory00thomrich"
							>http://archive.org/details/corpusculartheory00thomrich</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 23 jan. 2024</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B25">
				<mixed-citation>THOMSON, J. J. <italic>Electricity and matter</italic>. New York: C.
					Scribner’s Sons, 1904a. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://catalog.hathitrust.org/Record/006200452"
						>https://catalog.hathitrust.org/Record/006200452</ext-link>. Acesso em: 4
					dez. 2023.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>THOMSON</surname>
							<given-names>J. J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Electricity and matter</source>
					<publisher-loc>New York</publisher-loc>
					<publisher-name>C. Scribner’s Sons</publisher-name>
					<year>1904a</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://catalog.hathitrust.org/Record/006200452"
							>https://catalog.hathitrust.org/Record/006200452</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 4 dez. 2023</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B26">
				<mixed-citation>THOMSON, J. J. On the structure of the atom: an investigation of the
					stability and periods of oscillation of a number of corpuscles arranged at equal
					intervals around the circumference of a circle; with application of the results
					to the theory of atomic structure. <italic>The London, Edinburgh, and Dublin
						Philosophical Magazine and Journal of Science</italic>, Abingdon, UK, v. 7,
					n. 39, p. 237-265, 1904b.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>THOMSON</surname>
							<given-names>J. J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>On the structure of the atom: an investigation of the stability
						and periods of oscillation of a number of corpuscles arranged at equal
						intervals around the circumference of a circle; with application of the
						results to the theory of atomic structure</article-title>
					<source>The London, Edinburgh, and Dublin Philosophical Magazine and Journal of
						Science</source>
					<publisher-loc>Abingdon, UK</publisher-loc>
					<volume>7</volume>
					<issue>39</issue>
					<fpage>237</fpage>
					<lpage>265</lpage>
					<year>1904b</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B27">
				<mixed-citation>THOMSON, J. J. <italic>A treatise on the motion of vortex
						rings</italic>. [1st ed. Reprinted]. London, UK: Dawsons,
					1968.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>THOMSON</surname>
							<given-names>J. J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A treatise on the motion of vortex rings</source>
					<edition>1st</edition>
					<publisher-loc>London, UK</publisher-loc>
					<publisher-name>Dawsons</publisher-name>
					<year>1968</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B28">
				<mixed-citation>ZAMBONI, A.; BEZERRA, L. M. (ed.). <italic>Ser
						protagonista:</italic> ciências da natureza e suas tecnologias: composição e
					estrutura dos corpos. São Paulo: Edições SM, 2020.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ZAMBONI</surname>
							<given-names>A.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>BEZERRA</surname>
							<given-names>L. M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Ser protagonista: ciências da natureza e suas tecnologias: composição e
						estrutura dos corpos</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Edições SM</publisher-name>
					<year>2020</year>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
	</back>
</article>