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				<journal-title>Varia Historia</journal-title>
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				<publisher-name>Pós-Graduação em História, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais</publisher-name>
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					<subject>DOSSIÊ: ESCRAVIDÃO, COTIDIANO E DINÂMICAS DE MESTIÇAGENS NOS MUNDOS IBÉRICOS (SÉCULOS XVI-XVIII): ESPAÇOS, MOBILIDADE, ACORDOS E CONFLITOS</subject>
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				<article-title>Apresentação Escravidão, cotidiano e dinâmicas de mestiçagens nos mundos ibéricos (séculos XVI-XVIII): Espaços, mobilidade, acordos e conflitos</article-title>
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					<trans-title>Presentation Slavery, Everyday Life and Dynamics of Miscegenation in the Iberian Worlds (16th-18th Centuries): Spaces, Mobility, Agreements and Conflicts</trans-title>
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					<label>Editor responsável:</label>
					<p>Ely Bergo de Carvalho</p>
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		<p>A ideia de ordem foi central para a articulação dos mundos ibéricos dos séculos medievais e modernos. Essas sociedades eram concebidas e representadas como um conjunto ordenado de partes autônomas, desiguais e hierarquizadas. A qualidade e a condição jurídica de seus membros constituíam elementos fundamentais. Não por acaso, a diferença consistia em uma desigualdade política que definia uma posição e uma função naquele mundo (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Hespanha, 2010</xref>). Portanto, a instituição da escravidão, enquanto se apresentava como “la más vil et la más despreciada cosa que entre los homes puede ser” (<italic>Las Siete Partidas</italic>, Partida IV, Título V), teve espaço no imaginário social e cultural e na prática jurídico-política das monarquias ibéricas.</p>
		<p>Ao contrário da coroa de Aragão, cujos portos estavam mais conectados com os fluxos provenientes do Mar Negro, o fenômeno da escravidão nos reinos de Portugal e Castela esteve, durante os séculos medievais tardios, basicamente relacionado à captura e venda de escravos muçulmanos provenientes da guerra e das incursões (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Armenteros Martínez, 2012</xref>). No entanto, a expansão oceânica dos portugueses e castelhanos a partir de meados do século XV propiciou a mobilização progressiva de escravos de diferentes origens e grupos étnico-linguísticos. Assim, juntamente com a persistência da escravização dos <italic>infiéis</italic>, ou seja, de moriscos do reino de Granada, berberiscos do norte da África e turcos otomanos, houve a chegada impressionante de escravos negroafricanos e, embora em menor medida, de naturais das Ilhas Canárias, das Américas e das costas asiáticas do Índico e do Pacífico. A estrutura cultural, social e demográfica da Península Ibérica e do Novo Mundo, portanto, não poderia permanecer imutável. Muito pelo contrário. A presença de mulatos, loros e membrillos cochos na cidade de Sevilha constituía uma das “consequências mais visíveis da frequência da mestiçagem” desde, pelo menos, o último terço do século XV (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Franco Silva, 1979</xref>). As misturas biológicas e culturais entre índios, europeus e africanos foram ainda mais expressivas nas Américas, com o surgimento de grupos de mestiços, mulatos, zambos, pardos, cabras ou mamelucos desde o início da conquista (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bernard; Gruzinski, 2005</xref>).</p>
		<p>A renovação metodológica gerada pela historiografia nos últimos anos tem contribuído para aprofundar este campo de estudo. As sociedades ibéricas, especialmente nos ambientes mais urbanizados, constituíram um universo cultural caracterizado por</p>
		<disp-quote>
			<p>um amplo conjunto de diferentes e diferenças, em movimento constante, misturando-se, mas, também, chocando-se, antagonizando-se, superpondo-se, em ritmos que às vezes são lentos e outras vezes são velozes, de maneira harmoniosa e/ou conflituosa, dependendo de épocas e de regiões, dos protagonistas e de seus objetivos. Fusões, superposições e recrudescimento de diferenças, tudo isso se processa, claro, numa espécie de via de mão dupla, para continuar usando figuras de retórica. Isto é, esse processo não corre em um único sentido, mas é constituído a partir de intervenções dos vários grupos sociais, que se influenciam continuamente, mesmo que um ou alguns entre eles imponham-se, mais frequentemente e a partir de seu maior poderio, sobre os outros (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Paiva, 2022</xref>, p. 86).</p>
		</disp-quote>
		<p>Nesse sentido, o conceito de <italic>dinâmicas de mestiçagens</italic> permite abordar o fenômeno como processos complexos e multifatoriais de misturas biológicas e culturais, e não apenas como um produto resultante da desigualdade e da dependência jurídica (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Paiva, 2015</xref>). Logo, conhecer os espaços nos quais essas populações se desenvolveram e as formas de sociabilidade produzidas neles é fundamental. Caminhos, portos e barcos. Moradias, ruas, praças, alamedas e fontes. Oficinas, hortas, cartórios, minas e mercados. Igrejas e capelas, irmandades e cultos religiosos. Pousadas, tabernas e prostíbulos. Instituições judiciais e prisões... São alguns exemplos de espaços nos quais puderam se desenvolver relações entre agentes sociais de diferentes qualidades e condições jurídicas, em um cenário infinito de circunstâncias e possibilidades (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Pérez García, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">González Arévalo, 2022</xref>). Neles se forjou a amizade e o amor, a hostilidade e o desapego. Ocorreram situações de aprendizado da língua e dos códigos culturais, de reelaboração das vestimentas, da culinária, das danças, dos cantos, da música... mas também de reafirmação das identidades e das práticas socioculturais. Nestes espaços, laboratórios das mestiçagens, encontravam-se, em última instância, experiências próprias e alheias, as quais podiam ser trocadas, ampliadas, transformadas ou repelidas.</p>
		<p>Este dossiê reúne especialistas de vários países para aprofundar no cotidiano das sociedades escravistas nos mundos ibéricos. O objetivo consiste em investigar os espaços e as formas de sociabilidade que se desenvolveram neles. Assim, o desafio proposto é analisar os episódios de negociação e conflito, as situações de mobilidade, convivência, coexistência e sobreposição, bem como os discursos e as representações que serviram para distinguir ou hierarquizar essas sociedades. Para isso, são apresentados artigos que, situados nos territórios das monarquias espanhola e portuguesa entre os séculos XVI e XIX, incorporam linhas de pesquisa como a reconstrução de trajetórias individuais e familiares, constituição e tipologia de famílias mestiças, o mundo do trabalho e atividades econômicas, a formação de redes de sociabilidade e solidariedade em escala regional e global, formas de acesso à liberdade, participação em litígios civis e eclesiásticos, discursos e representações políticas, devoções e vida religiosa, cultura material e dimensões culturais e artísticas, além de perspectivas conectadas-comparadas.</p>
		<p>As contribuições, originais e inéditas, baseiam-se em uma sólida base documental, incluindo um conjunto metodológico-conceitual que busca recuperar, utilizar e situar no tempo as palavras e seus significados para compreendê-las historicamente, evitando anacronismos, visões simplistas e estereotipadas, bem como preconceitos morais, contando com um aparato crítico que dialoga e problematiza os resultados obtidos com os debates historiográficos sobre o tema. A inclusão de espaços geográficos distantes e de um arco temporal amplo enriquece a proposta do dossiê, pois possibilita uma aproximação ao cotidiano das sociedades escravistas ibéricas a partir de diferentes tempos e espaços. Porque, apesar de estarem inseridos em processos globais, apresentaram suas próprias especificidades locais e regionais.</p>
		<p>Começando pela Península Ibérica, o artigo de Javier Fernández analisa um meio de liberação utilizado por escravos e suas famílias, como as ações legais movidas nos tribunais civis ao sul da Coroa de Castela, um território caracterizado nos séculos XVI e XVII por abrigar uma parte significativa da população escrava na Península Ibérica. Os processos de liberdade coletados nas fontes judiciais constituem um exemplo da integração social dos escravos envolvidos, além de revelar as tensões presentes em suas vidas diárias, especialmente em suas relações com seus senhores. Do outro lado do Atlântico, e sem abandonar o conflito, Claudia Rodrigues e Anderson José Machado de Oliveira examinam, principalmente por meio de fontes paroquiais, os desentendimentos que surgiram entre a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e a Santa Casa de Misericórdia no Rio de Janeiro durante os séculos XVII e XVIII sobre privilégios relacionados a procissões fúnebres. Como indicam os autores, as associações religiosas dos negros não eram indiferentes ao litígio entre irmandades presentes nas sociedades dos mundos ibéricos.</p>
		<p>Continuando com o estudo da escravidão através de fontes paroquiais, o artigo de Roberto Guedes e Moisés Peixoto aprofunda-se na análise dos registros de batismo e óbito da Freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Iguaçu ao longo das últimas décadas do século XVIII e dos primeiros anos do século XIX. Com um estudo centrado na figura do Capitão Luciano Gómes Ribeiro, proprietário de um engenho de açúcar que tinha 155 escravos sob seu comando, os autores apresentam um exemplo de como membros das elites escravistas presentes em áreas agrícolas podiam ser libertos que passaram a ocupar seu próprio espaço de poder dentro da comunidade.</p>
		<p>Neste universo de mobilidade social marcado pela liberdade, o artigo de Eduardo Corona aprofunda-se nas características sociodemográficas de Vila Rica de Ouro Preto no primeiro terço do século XVIII. Através de uma análise exaustiva de fontes paroquiais e municipais, o autor fornece informações sobre a estrutura social e laboral da vila, destacando o papel das escravas na estrutura da sociabilidade familiar e as dinâmicas das mestiçagens.</p>
		<p>Retornando ao século XIX e continuando com a emancipação dos escravos, o artigo de Alex Andrade Costa analisa as diversas estratégias empregadas pelos escravos nas regiões costeiras da Bahia durante as primeiras décadas do século. A profusão de detalhes frequentemente encontrada na documentação judicial reflete-se neste estudo nos múltiplos testemunhos de escravos apresentados, que demonstram as tensões, lutas e resistências vivenciadas por alguns para superar uma realidade que consideravam fatídica.</p>
		<p>Dessa forma, esperamos que o dossiê, que visa aprofundar e oferecer uma visão mais complexa da escravidão, vida cotidiana e dinâmicas de miscigenação nos mundos ibéricos dos séculos XVI a XVIII, possa tornar-se uma referência para especialistas e novas gerações de historiadores.</p>
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			<title>REFERENCIAS</title>
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				<mixed-citation>ARMENTEROS MARTÍNEZ, Iván. La esclavitud en Barcelona a fines de la Edad Media (1479-1516): El impacto de la primera trata atlántica en un mercado tradicional de esclavos. Tesis de doctorado, Universitat de Barcelona, Barcelona, 2012.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>BERNARD, Carmen; GRUZINSKI, Serge. Historia del Nuevo Mund o, II: los mestizajes (1550-1640). Mexico: Fondo de Cultura Económica, 2005.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>FRANCO SILVA, Alfonso. <italic>La esclavitud en Sevilla y su tierra a fines de la Edad Media</italic>. Seville: Diputación Provincial de Sevilla, 1979.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>GONZÁLEZ ARÉVALO, Raúl. <italic>La vida cotidiana de los esclavos en la Castilla del Renacimiento</italic>. Madrid: Marcial Pons, 2022.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>PÉREZ GARCÍA, Rafael M. Esclavitud y dinámicas de mestizajes en Andalucía occidental. Siglos XV-XVII. In: PÉREZ GARCÍA, Rafael M.; FERNÁNDEZ CHAVES, Manuel F.; BELMONTE POSTIGO, José Luis (coords.) Los negocios de la esclavitud: Tratantes y mercados de esclavos en el Atlántico Ibérico, siglos XV-XVIII. Seville: Editorial Universidad de Sevilla, 2018. p. 237-262.</mixed-citation>
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					<subject>SPECIAL ISSUE: SLAVERY, EVERYDAY LIFE, AND DYNAMICS OF MISCEGENATION IN THE IBERIAN WORLD (16<sup>TH</sup>-18<sup>TH</sup> CENTURIES): SPACES, MOBILITY, AGREEMENTS AND CONFLICTS</subject>
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				<article-title>Presentation Slavery, Everyday Life and Dynamics of Miscegenation in the Iberian Worlds (16th-18th Centuries): Spaces, Mobility, Agreements and Conflicts</article-title>
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		<body>
			<p>The idea of order was central to the articulation of the Iberian worlds of the medieval and modern centuries. These societies were thought of and represented as an ordered whole of autonomous and unequal but hierarchical parts. The quality and legal status of their members constituted fundamental elements. Not surprisingly, the difference consisted of a political inequality that defined a position and a function in that world (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Hespanha, 2010</xref>). Therefore, the institution of slavery, while presented as “la más vil et la más despreciada cosa que entre los homes puede ser”,<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1001">1</xref></sup> had a place in the social and cultural imaginary and in the juridical-political practice of the Iberian monarchies.</p>
			<p>Unlike the Crown of Aragon, whose ports were more connected to the flows from the Black Sea, the slavery phenomenon in the kingdoms of Portugal and Castile during the late medieval centuries was basically related to the capture and sale of Muslim slaves from war and horseback riding (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Armenteros Martínez, 2012</xref>). However, the oceanic expansion of the Portuguese and Castilians from the mid-15th century led to the progressive mobilization of slaves of different origins and ethnic-linguistic groups. Thus, together with the survival of the enslavement of the infidel, that is, of <italic>“moriscos”</italic> from the kingdom of Granada, <italic>“berberiscos”</italic> from North Africa and Ottoman <italic>“turcos”</italic>, there was also the massive arrival of black African slaves and also, although to a lesser extent, of natives from the Canary Islands, America and the Asian coasts of the Indian and Pacific Oceans. The cultural, social and demographic scaffolding of the Iberian Peninsula and the New World, therefore, could not remain unchanged. Quite the contrary. The presence of <italic>“mulatos”</italic>, <italic>“loros”</italic> and <italic>“membrillos cochos”</italic> in the city of Seville constituted one of the “most visible consequences of the frequency of miscegenation” since at least the last third of the 15th century (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Franco Silva, 1979</xref>, p. 152-153). Biological and cultural mixtures between Indians, Europeans and Africans were even more expressive in America, with the emergence of groups of <italic>“mestizos”</italic>, <italic>“mulatos”</italic>, <italic>“zambos”</italic>, <italic>“pardos”</italic>, <italic>“cabras”</italic> or <italic>“mamelucos”</italic> from the beginning of the conquest (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bernard; Gruzinski, 2005</xref>).</p>
			<p>The methodological renewal generated by historiography in recent years has helped to deepen this field of study. Iberian societies, especially in the more urbanized environments, constituted a cultural universe characterized by</p>
			<disp-quote>
				<p>by a wide range of differences and differences, in constant movement, mixing, but also clashing, antagonising, overlapping, in rhythms that are sometimes slow and sometimes fast, harmonious and/or conflicting, depending on the times and regions, the protagonists and their objectives. Fusions, superimpositions, and the recrudescence of differences, everything is processed, of course, in a kind of double sense [...] this process does not run in a single direction, but is constituted from the interventions of various social groups that continually influence each other, although one or some of them impose themselves, more frequently from their greater power, over the others (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Paiva, 2022</xref>, p. 86).</p>
			</disp-quote>
			<p>In this sense, the concept of miscegenation dynamics allows us to approach the phenomenon as complex and multifactorial processes of biological and cultural mixtures, and not only as a final product resulting from inequality and legal dependence (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Paiva, 2015</xref>). Then, knowing the spaces in which these populations developed, and the forms of sociability developed in them is fundamental. Roads, ports and ships. Dwellings, streets, squares, avenues and fountains. Workshops, market gardens, scribes’ shops, mines and markets. Churches and chapels, brotherhoods and religious services. Inns, taverns and brothels. Judicial institutions and prisons... These are some examples of spaces in which relationships could develop between social agents of different qualities and legal conditions, in an infinite range of circumstances and possibilities (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Pérez García, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">González Arévalo, 2022</xref>). In them, friendship and love, hostility and detachment were forged. Situations of learning the language and cultural codes, of reworking clothing, cuisine, dances, songs, music... but also of reaffirming identities and socio-cultural practices took place in these spaces, laboratories of the mestizos. In these spaces, laboratories of miscegenation, one’s own and other people’s experiences could be exchanged, expanded, transformed or repelled.</p>
			<p>This dossier brings together specialists from several countries to delve into the everyday life of the slave societies of the Iberian worlds. The aim is to delve into the spaces and forms of sociability that developed there. Thus, the challenge proposed is to address the episodes of negotiation and conflict, the situations of mobility, coexistence and superimposition, as well as the discourses and representations that served to distinguish or hierarchise those societies. To this end, articles are presented which, framed in the territories of the Spanish and Portuguese monarchies between the 16th and 19th centuries, incorporate lines of research such as the reconstruction of individual and family trajectories, the constitution and typology of miexed-race families, the world of work and economic activities, the formation of networks of sociability and solidarity on a regional and global scale, forms of access to freedom, participation in civil and ecclesiastical lawsuits, political discourses and representations, devotions and religious life, material culture and cultural and artistic dimensions, and connected-comparative perspectives.</p>
			<p>The original and unpublished contributions are based on a solid documentary base, a methodological-conceptual body that tries to recover, use and situate in time the words and their meanings in order to understand them historically and avoid falling into anachronisms, simplistic and stereotyped visions and moral prejudices, and a critical apparatus that dialogues and problematises the results obtained with the historiographical debates on the issue. The inclusion of distant geographical spaces and in a far-reaching temporal arc enriches the dossier, as it enables an approach to the everyday life of the Iberian slave societies from different times and spaces. Because these, despite being part of global processes, had their own local and regional specificities.</p>
			<p>Beginning with the Iberian Peninsula, Javier Fernández’s article analyses a means of liberation used by slaves and their families, such as the legal actions brought before the civil courts in the south of the Crown of Castile, a territory characterised in the 16th and 17th centuries as home to a significant part of the slave population on the Iberian Peninsula. The freedom processes collected in the judicial sources constitute an example of the social integration of the slaves involved in them, as well as showing the tensions that existed in their daily lives, especially about their relations with their masters.</p>
			<p>On the other side of the Atlantic, and without abandoning conflict, Claudia Rodrigues and Anderson José Machado de Oliveira examine, mainly through parish sources, the disagreements that arose between the Brotherhood of <italic>Nossa Senhora do Rosário</italic> and the <italic>Santa Casa de Misericórdia</italic> in Rio de Janeiro during the 17th and 18th centuries over privileges related to funeral processions. As the authors indicate, the religious associations of blacks were not indifferent to the litigation between brotherhoods present in the societies of the Iberian worlds.</p>
			<p>Continuing with the study of slavery through parish sources, the article by Roberto Guedes and Moisés Peixoto delves into the analysis of the baptism and death registers of the Parish of Our Lady of the Pillar of Iguaçu throughout the last decades of the 18th century and the early years of the 19th century. With a study centred on the figure of Captain Luciano Gómes Ribeiro, owner of a sugar mill with 155 slaves under his charge, the authors present an example of how members of the slave-owning elites present in agricultural areas could be freedmen who went on to occupy their own space of power within the community.</p>
			<p>In this universe of social mobility marked by freedom, Eduardo Corona’s article delves into the socio-demographic characteristics of Vila Rica de Ouro Preto in the first third of the 18th century. Through an exhaustive analysis of parish and municipal sources, the author provides information on the social and labour structure of the town, highlighting the role of slaves in the framework of family sociability and the dynamics of miscegenation.</p>
			<p>Returning to the 19th century, and continuing with slave emancipation, Alex Andrade Costa’s article analyses the various strategies employed by slaves in the coastal regions of Bahia during the first decades of the century. The prolixity of detail often found in judicial documentation is reflected in this study in the multiple testimonies of slaves presented throughout the study, which show the tensions, struggles and resistance experienced by some people to overcome a reality they considered fateful.</p>
			<p>In this way, we hope that the dossier, which aims to deepen and offer a more complex vision of slavery, everyday life and the dynamics of miscegenation in the Iberian worlds of the 16th-18th centuries, can become a reference for specialists and for new generations of historians.</p>
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					<p> “the most vile and the most despised thing that can be among men”. Las 7 Partidas, de Alfonso X, el Sabio (1121- 1284). Partida IV, Title V. Available at: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bk000005.pdf">http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bk000005.pdf</ext-link>. . Access on: 16 Dec. 2024.</p>
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