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				<journal-title>Varia Historia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Varia hist.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0104-8775</issn>
			<issn pub-type="epub">1982-4343</issn>
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				<publisher-name>Pós-Graduação em História, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/0104-87752025v41e25040</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00025</article-id>
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					<subject>DOSSIÊ: FORMAS TEXTUAIS, IMAGINAÇÃO E HISTORICIDADE</subject>
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				<article-title>Apresentação Erich Auerbach e a Literatura de guerra</article-title>
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					<trans-title>Presentation Erich Auerbach and War Literature</trans-title>
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						<surname>REIS</surname>
						<given-names>Patricia</given-names>
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				<institution content-type="normalized">Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Departamento de História e Relações Internacionais</institution>
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				<institution content-type="original">Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Departamento de História e Relações Internacionais. Km 07, Zona Rural, BR465, Seropédica - RJ, 23890-000, Brasil sreis.patricia@yahoo.com.br</institution>
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					<label>Editor responsável:</label>
					<p> Ely Bergo de Carvalho</p>
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			<!--<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>12</day>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O texto é uma apresentação à conferência “Poesie et guerre” (“Poesia e Guerra”), de Erich Auerbach (1892-1957), proferida provavelmente em 1941, na Turquia, e preza por demonstrar a sensibilidade da reflexão crítica do autor às transformações do mundo à sua volta. Com a concisão própria de um texto dessa natureza, as históricas relações entre poesia e guerra são trazidas à luz, de modo a salientar a peculiaridade da literatura de guerra contemporânea e sua inscrição no projeto filológico auerbachiano. Em seguida, o leitor encontrará a transcrição da conferência em seu idioma original, o francês, bem como a tradução do documento para o português.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The text is an introduction to the conference “<italic>Poesie et guerre</italic>” (“Poetry and War”), by Erich Auerbach (1892-1957), likely delivered in 1941 in Turkey. It highlights and seeks to demonstrate the sensitivity with wich Auerbach’s critical reflection was attuned to the transformations of the world around him. With the conciseness typical of this kind of text, the historical relationships between poetry and war are brought to light, emphasizing the uniqueness of contemporary war literature and its inscription into Auerbach’s philological project. The reader will find a transcription of the conference in its original language, French, along with a Portuguese translation of the document in this same volume of the jornal <italic>Varia História</italic>.</p>
			</trans-abstract>
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				<kwd>Poesia</kwd>
				<kwd>guerra</kwd>
				<kwd>conferência</kwd>
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				<kwd>Poetry</kwd>
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		<p>O que mais assombra em uma situação de guerra, talvez seja essa estranha sensação de um tempo inédito que, embora novo, interdita uma relação livre e, em certa medida, ingênua que uma sociedade costuma traçar com seu futuro. A guerra coloca em xeque todo um jogo de expectativas que, se antes se colocavam como metas inabaláveis, agora hesitam face ao desdobramento dos grandes eventos políticos mundiais. Ela embaralha as dimensões aparentemente apaziguadas do tempo, lançando ao passado uma lança afiada que o atravessa como quem exige um acerto de contas; mas o presente da guerra é frágil demais, incerto ao ponto de não conseguir oferecer qualquer evidência de que a lança acertará o alvo desejado. O tempo da guerra é o tempo da incerteza.</p>
		<p>Atualmente duas guerras ocupam as páginas dos jornais e as telas de televisão, computadores e smartphones: Rússia e Ucrânia, de um lado, Israel em Gaza, de outro. Além desses conflitos, tantos outros ignorados pelas mídias e órgãos internacionais lançam a mesma incerteza sobre a vida cotidiana daqueles diretamente envolvidos, e também um desconforto sem medida sobre todos nós, os que assistimos a tudo, impotentes. Nesse cenário desolador, pode a poesia, ou a literatura de modo geral, oferecer, se não uma clareza, ao menos uma interpretação provável de sua época capaz de proporcionar algum parâmetro, alguma medida de compreensão? De que maneira a escrita criativa do presente pode iluminar um tempo marcado por eventos que parecem não ter precedentes – embora sempre seja possível encontrá-los em algum lugar –, em virtude da destruição e desumanização extremas?</p>
		<p>É certo que, desde os tempos antigos, o tema da guerra tem sido parte importante da tradição poética, de modo que esse casamento de opostos não causa nenhuma estranheza ao leitor atento. No entanto, apesar de tributar à epopeia antiga a origem dessa relação, valendo-se de exemplos das tradições bíblica e grega, o tema da conferência de Erich Auerbach (1892-1957) – a respeito da qual falaremos a seguir – aborda uma literatura e uma guerra especificamente contemporâneas, e isso no calor mesmo de seus desdobramentos. Proferida na Turquia, provavelmente em 1941, “Poesia e Guerra” é parte de uma série de palestras previstas no contrato de Auerbach, na Universidade de Istambul. Escrita originalmente em francês, seu idioma de trabalho nesse período, o texto aborda questões prementes da sociedade turca e europeia de seu tempo e suas implicações na literatura contemporânea – e, nesse sentido, preserva uma notável atualidade.</p>
		<p>Em 1935, Auerbach foi compelido ao exílio após a promulgação das Leis de Nuremberg, que, dentre outras imposições, afastava funcionários de sangue judeu do serviço público alemão. Sua demissão da Universidade de Marburg coincidiu com a transferência de Leo Spitzer (1887-1960) da Universidade de Istambul<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup> – onde, desde 1933, atuava como professor de Línguas e Literaturas Latinas e como diretor da Escola de Línguas Estrangeiras – para a cadeira de Filologia Românica da Johns Hopkins University, Estados Unidos. Como esperado, a vaga de Spitzer foi ambicionada por filólogos do mais alto nível na Alemanha, uma lista que contava, além de Auerbach, com Hans Rheinfelder (1898-1971), Victor Klemperer (1881-1960) e, possivelmente, Robert Ernst Curtius (1886-1956). Em um primeiro momento, Klemperer acreditou que o histórico de ex-combatente compensaria sua ascendência judaica, de modo que fosse possível permanecer em Dresden. Rapidamente deu-se conta de seu equívoco e passou a buscar com afinco outras oportunidades de emprego ao redor do mundo: além da Turquia, seu destino prioritário, Palestina e América do Sul estiveram em seu radar.</p>
		<p>Conforme consta nos diários que manteve durante os anos do Nacional-socialismo, Klemperer não tomou muito a sério a candidatura de Curtius, pois, afinal, o filólogo alsaciano não era alvo da perseguição nazista e sua posição na Universidade de Bonn era bastante sólida (Klemperer, 1999, p. 31). Sua intuição provou-se acertada e Curtius não seguiu adiante com o suposto interesse de emigrar (dada a sua personalidade controversa, tal interesse pode nunca ter sido genuíno). Seu maior rival era, de fato, Auerbach, com quem manteve, ao longo dos anos, uma atitude ambígua que transitou do ressentimento à admiração intelectual. A razão desse primeiro afeto pode ter tido origem na escolha de Auerbach para a vaga em Istambul, sobretudo em função do declarado apoio que recebeu de Spitzer e do filósofo italiano Benedetto Croce (1866-1952):</p>
		<p><disp-quote>
			<p>Ele [Auerbach] já estava em Florença há um ano, e Croce forneceu um parecer a seu favor. (E eu me dirigi a Vossler em protesto! Stupidone io!) Agora Auerbach está aprimorando seu francês em Genebra. E Spitzer declarou, na Itália, que o posto deve ser ocupado por alguém que realmente saiba francês! Se eu passar alguns meses em Genebra, eu também posso “realmente saber francês” novamente (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Klemperer, 1999</xref>, p. 116).<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup></p>
		</disp-quote></p>
		<p>Evidentemente, seria necessário ver aí mais do que simples melindre, senão que o modo como a guerra e a vida sob o regime nazista amplificavam temores e distorciam as percepções em um presente incerto. Klemperer jamais conseguiu deixar Dresden, e, como forma de sobreviver ao terror e às perseguições políticas, escreveu o referido diário, intitulado <italic>Ich will Zeugnis ablegen bis zum letzten</italic> (na versão em português, <italic>Os Diários de Victor Klemperer. Testemunho clandestino de um judeu na Alemanha nazista</italic>). Passado o descontentamento com a nomeação de Auerbach em Istambul, Klemperer admitiu a qualidade de seu trabalho, sobretudo após a publicação de <italic>Mímesis</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></sup>.</p>
		<p>Chegando ao novo endereço, Auerbach deparou-se com uma cidade em plena efervescência cultural: intelectuais vindos principalmente da Inglaterra, da França e da Alemanha encontraram, na Universidade de Istambul, um ambiente favorável ao pensamento, na esteira do processo de ocidentalização promovido pelo então presidente Mustafa Kemal Atatürk (1881-1953). Segundo o que nos informa Kader Konuk em <italic>East West Mimesis</italic> (2010), a contratação de europeus emigrados nas principais universidades turcas alinhava-se ao argumento da modernização e do progresso, de maneira que um estimulante intercâmbio de ideias se estabeleceu entre filólogos europeus e turcos. Spitzer mesmo costumava organizar reuniões em seu apartamento, a fim de debater temas relacionados à linguística e à literatura românica com estudantes, professores assistentes e intelectuais emigrados, a exemplo de Traugott Fuchs, Eva Buck e Robert Anhegger (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Apter, 2003</xref>, p. 266-267). Tal cenário parece contradizer as palavras de Auerbach nas páginas finais de <italic>Mimesis</italic>: “[...] Além disso, o estudo foi escrito durante a guerra, em Istambul. Aqui não há nenhuma biblioteca bem equipada para estudos europeus; [...]” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Auerbach, 1994</xref> [1946], p. 518).<sup><xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref></sup></p>
		<p>Embora Konuk tenha colocado em dúvida o argumento auerbachiano da ausência de boas bibliotecas em Istambul, fato é que o filólogo se sentia isolado e sem os meios necessários para levar adiante o seu empreendimento intelectual no exílio. Além dos registros amplamente conhecidos nas páginas finais de <italic>Mimesis</italic> e no <italic>Epilegomena,</italic> ele reiterou essa opinião em uma carta a Oskar Seidlin (1911-1984), na qual justificou seu desejo de deixar a Turquia “[...] pois Istambul, apesar de suas muitas qualidades, é um lugar provisório para um romanista”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref></sup>. Qual seria a razão de tamanho deslocamento? Enquanto estudiosos, como Fuchs e até mesmo Spitzer, assimilaram-se à nova cultura, aprendendo o idioma e tomando para si a tarefa de construir as pontes entre o ocidente e a Turquia, Auerbach manteve-se como um estrangeiro, jamais aprendeu o turco, e, ainda que tivesse ocupado cargos importantes, como o de diretor de departamento, sentiu-se isolado e com urgência de partir.</p>
		<p>Talvez a resposta para isso esteja no projeto teórico que iluminou a sua filologia humanista, a <italic>Neuphilologie</italic> [Nova Filologia]. Praticada também por Spitzer e Curtius em linhas distintas, porém convergentes, opunha à filologia nacionalista da República de Weimar e à ciência literária nazista não uma renovação aos moldes das vanguardas artísticas que davam o tom naquele momento, mas uma ideia de restauração da <italic>Bildung</italic>, de maneira que fosse possível recompor, sob bases renovadas, uma noção de Europa como unidade cultural. Esse projeto somente foi proposto efetivamente nos anos finais de sua carreira, quando, no artigo “Filologia da Literatura Universal”, desenvolveu e incorporou ao seu repertório crítico a ideia goetheana de <italic>Weltliteratur.</italic></p>
		<p>A literatura universal em Auerbach apresentou uma abordagem inteiramente distinta do viés ufanista, pois, se a filologia tradicional se esforçava em demonstrar a superioridade do espírito alemão sobre os demais – sobretudo, o <italic>esprit</italic> francês – a partir de definições essencialistas e da determinação de fases do desenvolvimento espiritual da Europa, a <italic>Weltliteratur</italic> auerbachiana encarava as literaturas nacionais não como concorrentes entre si, mas em “fermentação recíproca”. Sua finalidade era a produção de uma espécie de mosaico, em que cada peça simultaneamente mantivesse sua cor e forma individuais e cumprisse um papel específico na figuração do todo.</p>
		<p>Tal perspectiva, ao defender uma literatura comum que não se confundisse com massificação grosseira, foi interpretada por autores, como Edward Said,<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref></sup> como uma atitude humanista. No entanto, e isso precisa ficar claro, Auerbach não pretendia destruir o centro produtor de sentido em relação ao qual as literaturas locais deveriam se referir, mas unicamente reprogramar seu eixo: de uma nação específica, para o conceito unitário de Europa. Sua literatura universal, ao conservar o continente europeu como o coletivo singular de onde partiam as referências estéticas e o sentido do devir histórico, teria reservado a certas partes do globo, a exemplo da Turquia, um lugar marginal (embora tivesse ficado bastante impressionado com um autor russo, Tolstoi, recomendando efusivamente a sua leitura na conferência que o leitor terá em mãos).</p>
		<p>Apesar disso, a década de 1940 em Istambul pode ser considerada a época mais produtiva da carreira auerbachiana, quando o filólogo compôs dois de seus mais brilhantes trabalhos, fontes de debates instigantes até os nossos dias: <italic>Mimesis</italic> (1946) e <italic>Figura</italic> (1938). Além desses textos e de outros também bastante conhecidos, como os reunidos em <italic>Neue Dantestudien</italic> (1941), há uma série de conferências proferidas entre 1940 e 1941 que permanecem ignoradas pelo público ocidental não especializado. Nessa fase extremamente produtiva da vida de Auerbach, que, segundo seu filho Clemens, foi marcada por uma profunda depressão devido ao curso da guerra<sup><xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref></sup>, ele refletiu acerca de dois conceitos primordiais para a sua geração. Neste breve texto, originalmente uma conferência, Auerbach falou de <italic>Poesia e Guerra.</italic></p>
		<p>O tema não é fortuito. Entre 1913 e 1945 o Império Otomano – e, posteriormente, República da Turquia – enfrentou uma série de conflitos armados de grande envergadura, como a Guerra dos Bálcãs, a Primeira Guerra Mundial, o genocídio armênio, a Luta de Independência e a Segunda Guerra Mundial. Por essa razão, a guerra era uma experiência muito presente na memória e na vida concreta de diversas gerações da população e, portanto, o público de Auerbach tinha um sentido bastante claro do assunto. Prova disso é que alguns escritores do período passaram a publicar artigos jornalísticos sobre o tema da guerra, oferecendo à sociedade uma perspectiva crítica e estética de um presente particularmente conturbado.</p>
		<p>Revistas de grande circulação, como a <italic>Yeni Mecmua</italic> e a <italic>Harp,</italic> por exemplo, publicavam notas, às vezes anônimas, registrando a desvantagem dos exércitos turcos, que, ao contrário dos estrangeiros, não contavam com o reforço moral concedido por poetas, compositores e pintores, especialmente na campanha dos Bálcãs e na Primeira Guerra Mundial. Nota-se uma mudança, contudo, a partir da luta pela independência turca, em 1922. As consequências psicológicas da Primeira Guerra ainda se faziam sentir em diversos níveis da sociedade, trazendo para o primeiro plano uma reflexão acerca de seus efeitos. Nesse sentido, a função propagandística da literatura passou a ser questionada. O que começava a ser produzido a respeito dos campos de batalha a partir de então – e com maior força durante a Segunda Guerra Mundial – era uma literatura da não guerra, com forte apelo aos sofrimentos e danos que dela decorrem.</p>
		<p>Em sua comunicação, Auerbach analisou dois tipos de poesia de guerra: a primeira, do gênero lírico, referia-se a uma “guerra atual”, cujo objetivo era elevar o ânimo dos soldados, insultar o inimigo, celebrar a vitória ou suplicar aos deuses que a campanha fosse bem-sucedida. Desse tipo de poesia as ocorrências mais antigas teriam sido o Antigo Testamento, com a canção de triunfo da sacerdotisa Débora, e os cantos de guerra de Tirteu, que encorajavam os soldados espartanos em sua incursão no Peloponeso. O outro tipo de poesia de guerra, segundo Auerbach, eram as epopeias que narravam “uma guerra de tempos passados”, que remontavam à <italic>Ilíada,</italic> de Homero, e à <italic>Eneida,</italic> de Virgílio. Sua finalidade seria a conformação e o fortalecimento do sentimento nacional em “momentos críticos” da história de um povo. Mesmo que esse segundo gênero não abordasse um evento atual, sua relevância para o presente era ainda mais decisiva, pois, diz o filólogo, “[é] especialmente em momentos críticos da história dos povos que até as obras do segundo grupo, cujo tema não é contemporâneo, mas histórico, podem ganhar uma grande influência na atualidade.”</p>
		<p>Auerbach percorreu, em sua conferência, a história da poesia de guerra ao longo da literatura ocidental em um movimento bastante semelhante ao desenvolvido em <italic>Mimesis</italic>: destacou suas raízes judaico-cristãs, partindo da Antiguidade – e aqui devemos lembrar de sua discussão acerca da separação de estilos como modelo importante na composição das obras – até a sua contemporaneidade, quando o realismo moderno teria revestido de seriedade e tragicidade até a personagem mais baixa, o “soldado desconhecido” nas trincheiras. Os eventos da Segunda Guerra e a literatura que ela passou a produzir não exaltariam mais a “bela morte” como o desfecho do herói destemido, cuja bravura desafiava até os deuses, mas o jovem anônimo que deixou a sua vida e suas esperanças em um campo de batalha qualquer:</p>
		<p><disp-quote>
			<p>O culto aos heróis individuais, sejam generais, aviadores, comandantes de submarinos etc., que naturalmente forneceu o tema para muitos livros, teve muito pouco sucesso, enquanto os livros mais bem escritos e os mais difundidos falam diretamente do povo: de um soldado comum nas trincheiras (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Auerbach, 1941</xref>, s/p).</p>
		</disp-quote></p>
		<p>As ações modestas do cotidiano<sup><xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref></sup> em uma trincheira implacável e o que se passava com o soldado comum que regressava da batalha passaram a ser os temas de predileção da literatura de guerra no pós-1945, e a maneira como Auerbach identificou essa transformação no calor dos acontecimentos é realmente impressionante. A conferência que se segue foi pensada durante esse debate. O autor vivia, naquela época, com sua família em Bebek, uma zona residencial distante do centro e da Universidade de Istambul. Refletir sobre literatura e guerra estava na ordem do dia, e, a despeito de todo o isolamento que o filólogo afirmava viver, é certo que tais preocupações da sociedade turca o interpelavam, fosse através de seus alunos e colegas da universidade, fosse pelo simples transitar entre um café e outro com um jornal nas mãos à margem do Bósforo. Mas, certamente, seu interesse distinguia-se daquele proclamado pela imprensa. Não ocorria-lhe definir se na Turquia havia ou não uma literatura de guerra, ou se o país tinha uma vocação guerreira apesar do desprezo das elites letradas. Sua preocupação era, assim como demonstrou nos temas e autores com os quais lidou ao longo do tempo, marcadamente histórica.</p>
		<p>Talvez essa seja uma resposta possível à questão que propus no início deste texto de apresentação: pode a literatura oferecer um horizonte de compreensão adequado em um tempo tão incerto quanto o da guerra? O que Auerbach parece sinalizar nessa conferência e ao longo de sua obra, munido da erudição filológica herdada do Romantismo e do Idealismo, é uma crença frequente e inabalável no poder de transformação das forças históricas e na linguagem literária como um modo particular de intervenção no mundo. Quando as reuniões diplomáticas se tornam um mero protocolo e, em um grau mais aterrador, quando o sentido de <italic>Humanität</italic> se dissipa, a conferência de Auerbach recorda a seus leitores, de 1941 e os de hoje, que compartilham o presente de diversas “guerras atuais”, as raízes da cultura literária ocidental, muito distantes da pureza desejada por ideologias extremistas. Trata-se de uma aposta na potencialidade histórica da poesia de interpretar os “momentos críticos da história”.</p>
		<sec>
			<title>POESIA E GUERRA<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>
			</title>
			<sec>
				<title>Erich Auerbach</title>
				<p>Existem, ao que me parece, dois tipos de poesia de guerra. Um deles é o que é causado por uma guerra atual; são geralmente peças curtas do gênero lírico; orações para pedir a vitória aos deuses, canções para inflamar a coragem dos soldados, poemas satíricos para depreciar e insultar o inimigo, hinos para celebrar a vitória conquistada e para agradecer aos poderes celestiais. De tudo isso, existem numerosos exemplos.</p>
				<p>A peça mais antiga da Bíblia judaico-cristã é provavelmente a canção de triunfo da sacerdotisa Débora por uma vitória conquistada pelo povo de Israel sobre os cananeus, antigos habitantes da Palestina. Entre os monumentos mais antigos da poesia grega que nos foram conservados, figuram os louvores de Tirteu (<italic>Tyrtaios</italic>), pelos quais ele encoraja os espartanos em sua guerra contra os messenianos, seus vizinhos no Peloponeso. Foi ele quem primeiro expressou, até onde sabemos, um pensamento muito frequente, repetido desde então: bela é a morte de um homem corajoso que caiu nas primeiras filas tendo lutado por sua pátria.</p>
				<p>Também encontraremos esse tipo de poesia entre todos os povos da Europa moderna assim que uma guerra se torna a questão de todo um povo que a leva a cabo. Muita coisa mudou desde as canções das cruzadas do século XII ou desde os hinos, ao mesmo tempo religiosos e guerreiros, da Reforma no século XVI. O objeto dessas lutas tornou-se indiferente para nós, mas, ao lê-los, ainda sentimos o sopro de entusiasmo que os inspirou. E, para os tempos mais modernos, preciso apenas lembrá-los de <italic>La Marseillaise</italic>, canto de guerra e liberdade dos franceses, ou das canções dos alemães em sua guerra de libertação contra Napoleão.</p>
				<p><italic>La Marseillaise</italic> é particularmente interessante para o objetivo que me propus nesta conferência. Pois ela é, como acabei de dizer, ao mesmo tempo uma canção de guerra e liberdade, uma canção de toda a nação, armada contra seus opressores internos e externos; e podemos ver claramente que na França, como em toda a Europa, o nacionalismo tem raízes populares e está intimamente ligado às aspirações das pessoas por liberdade individual, seja liberdade de consciência ou liberdade econômica.</p>
				<p>Passemos, agora, ao segundo gênero da poesia guerreira, que talvez seja ainda mais importante do ponto de vista da arte, pois produziu muito mais obras-primas – obras que, em quase todos os lugares, constituem a base fundamental da literatura nacional. Essas obras são, em sua maioria, longas, não líricas, mas épicas, e não falam de uma guerra contemporânea à vida do poeta; elas cantam sobre uma guerra de tempos passados, celebram os grandes feitos dos ancestrais.</p>
				<p>Estes são, antes de tudo, os grandes épicos nacionais, como a <italic>Ilíada</italic> de Homero, a <italic>Eneida</italic> de Virgílio, os <italic>Nibelungos</italic> dos alemães, a <italic>Canção de Rolando</italic> dos franceses e muitos outros. São ainda, nos tempos modernos, as tragédias históricas, como algumas das peças de Goethe e Schiller, e até romances. Entre os romances desse tipo, citarei uma grande obra do russo Tolstói, cujo título é <italic>Guerra e Paz</italic>; o assunto é a campanha de Napoleão contra a Rússia em 1812; é, a meu ver, um dos mais belos livros do século XIX, e aconselho vocês a lê-lo se ainda não o conhecem; há uma tradução turca.</p>
				<p>Todas as obras desse segundo gênero são históricas, como eu disse, elas não são da atualidade; mas todas elas contribuíram (especialmente os épicos antigos) para formar ou fortalecer o sentimento nacional. A <italic>Ilíada</italic> de Homero contribuiu poderosamente para sustentar o sentimento de unidade entre os gregos em momentos críticos de sua história antiga, e a importância de <italic>Rolando</italic> para os franceses e de <italic>Cid</italic> para os espanhóis não é menos importante.</p>
				<p>É especialmente em momentos críticos da história dos povos que até as obras do segundo grupo, cujo tema não é contemporâneo, mas histórico, podem ganhar uma grande influência na atualidade. Várias vezes nós vimos, entre diferentes povos, gregos, franceses, alemães, que alguns versos de um antigo poeta pronunciado em cena tiveram um impacto formidável entre os espectadores que ali descobriram uma alusão à situação corrente, e em 1871, durante o cerco de Paris, uma conferência do professor Gaston Paris sobre a <italic>Canção de Rolando</italic> e a nacionalidade francesa contribuiu muito para reanimar o espírito de resistência heroica. Assim, podemos dizer que mesmo a importância política do segundo grupo, do grupo de obras com temática histórica, não é inferior à do primeiro.</p>
				<p>Contudo, durante os séculos XVII e XVIII, ou seja, na época do absolutismo europeu, não se encontram poesias nacionais e populares sobre temas bélicos, nem de obras do primeiro grupo, isto é, líricas e atuais, nem do segundo grupo, isto é, épicas e históricas – embora houvesse muitas guerras nessa época. De fato, há a <italic>Henriada,</italic> de Voltaire, um poema épico sobre as guerras do rei da França, Henrique IV, mas é uma obra fria e de modo algum popular; mais importante, há algumas canções e marchas militares muito populares do século XVIII, canções que se relacionam com os nomes de alguns generais famosos da época, como o Príncipe Eugène de Savoie e Marlborough; acho que muitos de vocês estão familiarizados com o <italic>Marlborough s’en va-t-en guerre</italic>, feito para homenagear o Duque General de Marlborough, ancestral do primeiro-ministro inglês Churchill; ora, essas canções e essas marchas não têm a gravidade e o entusiasmo que caracterizam a poesia de guerra de outras épocas, elas soam como uma música de dança, suas letras não aludem às grandes ideias políticas da época ou à trágica e heroica tarefa da defesa nacional, seu conteúdo é bastante alegre, às vezes um pouco melancólico, às vezes um pouco frívolo; não é a poesia de um povo que luta por sua existência e por sua liberdade.</p>
				<p>Qual é a razão para o estranho fato de que dois séculos repletos de guerras foram tão pouco fecundos nesse tipo de poesia? Não é uma esterilidade poética geral, porque em todos os países europeus, especialmente na França, os séculos XVII e XVIII foram épocas de florescimento literário; esse é o período das obras-primas da poesia clássica francesa, a era de Racine, Molière, Boileau, La Fontaine e seus imitadores na França e nos países vizinhos.</p>
				<p>Mas essa poesia clássica não era uma poesia popular; era uma poesia destinada a certos grupos da sociedade, uma poesia de extremo refinamento tanto no conteúdo quanto na forma, inacessível às massas da população da época. E essa observação mostra-nos o caminho que devemos seguir para encontrar a solução do problema que nos interessa neste momento: nos dois séculos de absolutismo na Europa, o povo estava, por assim dizer, mudo; ele não participava da vida pública, era apenas uma massa inerte nas mãos dos governos.</p>
				<p>Na Idade Média e, novamente, na Renascença do século XVI, o povo desempenhou um papel ativo e importante na história; em suas várias organizações por estados e por ofícios, como burgueses nas cidades e camponeses no campo, ele representava uma parte integrante e poderosa da vida pública. Não eram organizações em uma base individual como nas democracias modernas, mas em uma base corporativa e hierárquica; no entanto, elas eram muito ativas e conscientes do seu poder, tanto que, em muitos países, o povo era o aliado natural do poder central, isto é, do rei, na sua luta contra as forças centrífugas, compostas especialmente pela nobreza feudal.</p>
				<p>Na França, acima de tudo, essas são as bases da unidade e do sentimento nacional: o rei e o povo, aliados contra a nobreza feudal e particularista. Naquela época, não seria fácil travar uma grande guerra que não interessasse ao povo e sem ganhar a sua simpatia pela causa que queriam defender; muitas vezes as pessoas das cidades e do campo pegavam em armas espontaneamente. Depois que as guerras religiosas terminaram, porém, quando o absolutismo definitivamente conquistou a vitória, quando a nobreza feudal foi subjugada para sempre, o poder do rei tornou-se tal que ele não precisava mais do povo. O estado absolutista governava para seus funcionários, sem a ajuda de corporações e representações do povo; as guerras eram guerras de príncipes, preparadas, declaradas e conduzidas nos gabinetes, e o povo não participava delas, exceto para pagar os custos.</p>
				<p>O desenvolvimento técnico da arte da guerra ainda contribuiu para a eliminação da atividade militar do povo. As armas de fogo, principalmente a artilharia, exigiam uma formação profissional que, naquela época, ainda não era possível de dar a todo o povo. Percebam então que, mesmo na Europa, não existiam nem o serviço militar nem a educação obrigatória, e que a grande maioria dos europeus era analfabeta. Portanto, os exércitos eram formados por soldados profissionais, mercenários que muitas vezes nem eram do país em que serviam; eram pessoas que vendiam o seu sangue.</p>
				<p>No próprio corpo de oficiais havia muitas pessoas de um tipo que eram chamadas de “soldados da fortuna”; aventureiros, muitas vezes os filhos mais novos de uma família nobre, sem herança ou carreira em seu país, que percorriam o mundo vendendo seus serviços aos príncipes beligerantes. Nós encontramos esse tipo em uma famosa comédia do século XVIII, <italic>Minna von Barnhelm</italic>, do poeta alemão Gotthold Ephraim Lessing; foi o tenente Riccaut de la Marlinière, o filho mais jovem de uma casa da nobreza francesa, que, depois de ter servido sucessivamente nos exércitos dos Países Baixos, do Papa e do rei Frederico, o Grande, da Prússia, agora se vê reduzido a ganhar a vida no jogo.</p>
				<p>Se esses eram os oficiais, vocês podem imaginar quem eram os soldados. Os recrutadores percorriam os diferentes países da Europa em busca de jovens capazes de prestar serviço ao príncipe, seu mestre. Eles recrutavam os descontentes, as pessoas em conflito com suas famílias, os fracassados, os pobres, os desesperados, muitas vezes os criminosos; às vezes conquistavam com suas promessas um jovem infeliz e sem experiência que haviam embriagado antes de fazê-lo assinar o contrato que o vinculava por dez, doze ou mesmo vinte anos. Vimos até pequenos príncipes, no fim de seus recursos financeiros, que venderam alguns milhares de seus jovens súditos a outro príncipe, rico e poderoso, que precisava para as suas guerras.</p>
				<p>Vocês podem ver que as guerras travadas com exércitos compostos assim não podiam ser guerras populares, e que elas eram apenas uma questão de gabinete e de dinastia. Na mais importante e mais longa dessas guerras, tratava-se de decidir se seria a casa alemã dos Habsburgos ou a casa francesa dos Bourbons que sucederia o trono da Espanha, vago com a morte do último rei que faleceu sem um herdeiro direto, e cujas famílias, tanto dos Habsburgos quanto dos Bourbons, tinham laços de parentesco. Era uma pura questão de dinastias reais, nas quais nem o povo alemão nem o povo francês estavam diretamente interessados; e quanto ao povo espanhol, dificilmente a sua opinião foi solicitada.</p>
				<p>Talvez seja injusto dizer que os reis que travaram tais guerras não pensavam de modo algum em seu povo; certamente eles acreditavam que, pelo aumento do seu poder, poderiam ganhar importantes vantagens políticas e econômicas que aumentariam a riqueza e o bem-estar dos seus súditos; eles haviam apenas perdido o hábito de consultá-los, não sentiam mais necessidade e muitas vezes se enganavam quanto à capacidade do seu povo de arcar com os custos e fardos de uma guerra longa. O famoso exemplo de Luís XIV mostra que um rei, mesmo inteligente, cuidadoso, quase sempre vitorioso, mas querendo decidir tudo sozinho, sem qualquer outro conselho que não o dos ministros e funcionários por ele indicados, minou a economia e a estrutura política de seu país.</p>
				<p>Quanto aos povos, parece que eles eram, antes de mais nada, bastante contentes com o estado das coisas. A consolidação do poder central, isto é, do poder do rei, deu-lhes muitas vantagens; sentiram-se livres de seus antigos opressores, os barões feudais; a organização da administração nas mãos do monarca e da sua burocracia garantia-lhes a paz interna e a segurança no trabalho. Cansados das lutas religiosas, das perturbações que duraram séculos, eles abdicaram dos seus direitos, renunciaram aos antigos privilégios das suas corporações e pacificamente se deixaram governar por seus príncipes.</p>
				<p>Somente aos poucos começaram a lamentar essa abdicação e a se revoltar contra o absolutismo. Completamente afastados de qualquer colaboração com o governo, estrangulados pelos impostos, exasperados pela injustiça e corrupção da burocracia, sua submissão pacífica pouco a pouco cedeu espaço para o espírito de revolta. Quando, no século XVIII, as novas ideias sobre a liberdade nacional e individual se difundiram, elas encontraram uma repercussão profunda primeiro entre o povo francês e, mais tarde, entre os outros povos europeus.</p>
				<p>A Revolução Francesa de 1789 foi o sinal e a primeira fase dessa mudança e, ao derrubar o absolutismo, ao fundar a soberania nacional do povo, ao atribuir ao povo toda a responsabilidade política, derrubou, também, a antiga constituição dos exércitos, mudou as ideias sobre a guerra e criou a concepção de defesa nacional pelo povo. Foi aqui que surgiu a instituição do serviço obrigatório, intimamente ligada à da educação obrigatória de todas as crianças através dos cuidados do governo.</p>
				<p>Há um povo na Europa cujo desenvolvimento político se antecipou ao dos outros em um século, ou mesmo em vários séculos. São os ingleses. Para eles, a democracia não data do final do século XVIII, mas sim do século XVII e, mais ainda, é o fim de um desenvolvimento que começou muito antes. Quase todas as instituições da democracia moderna foram estabelecidas primeiramente na Inglaterra; mas a organização militar é uma exceção, pela simples razão de que o problema da defesa nacional surgiu de uma forma muito diferente para eles, graças à localização geográfica do seu país; eles puderam levar a cabo todas as suas guerras até 1914 pela sua frota e por voluntários que eram frequentemente coloniais; ainda hoje encaram o serviço obrigatório como uma medida excepcional e necessária apenas em tempos de perigo nacional. É por isso que a organização da nação armada é talvez a única grande instituição democrática que não seja de origem inglesa, mas, sim, francesa.</p>
				<p>As ideias francesas, que logo se tornaram ideias mundiais sobre a defesa nacional para todo o povo, vêm, se voltarmos às suas fontes, do sistema político de um homem que foi talvez o menos belicoso, o mais idílico entre os escritores políticos: Jean-Jacques Rousseau. Ele quase nunca fala sobre a guerra em seus escritos, e a glória militar é provavelmente algo muito distante do quadro convencional das suas ideias. No entanto, a sua concepção de liberdade natural de todos os homens, um bem supremo que, como tal, deve ser defendido por todos os meios, e que o leva a sua famosa teoria sobre a soberania e a solidariedade da nação, tem por consequência necessária e inevitável que cada cidadão capaz de portar armas tem o dever de defender a liberdade comum a todos os membros da nação logo que essa liberdade seja ameaçada.</p>
				<p>Os acontecimentos da Revolução, ocorrida dez anos após a morte de Rousseau, fizeram florescer esse germe oculto do seu sistema político. Quando o povo revoltado se julgava, com ou sem razão, ameaçado pelas tropas mercenárias do rei, e quando, mais tarde, os reis e os príncipes vizinhos enviaram os seus exércitos compostos por soldados profissionais contra a França para salvar o rei, para restaurar o absolutismo, para destruir a liberdade ao mesmo tempo nacional e individual que se esperava ter adquirido para sempre, a solução que se impunha necessária e, imediatamente, em uma situação tão perigosa, foi armar toda a nação para a sua defesa. E assim o exército francês de 1792, esse exército formado às pressas, mal equipado, que fez tantos milagres em prol da defesa do país, e a partir do qual se desenvolveu o exército napoleônico, foi o primeiro exército do povo organizado.</p>
				<p>Esse é um desenvolvimento da maior importância para a história dos homens, e tal importância excede o ponto de vista militar: um povo, tornado consciente de si mesmo, tendo compreendido a necessidade da defesa nacional por todos, deve, também, adaptar-se às exigências intelectuais que tal tarefa exige nos tempos modernos; para poder se defender, deve educar-se. O serviço militar e a educação obrigatória estão intimamente ligados e se complementam mutuamente; a escola é a preparação para o quartel, e o quartel, em muitos casos, finaliza a educação intelectual do povo, não apenas para a instrução militar, mas também para a educação geral e a preparação profissional.</p>
				<p>Contudo, o povo francês fez, ele mesmo, tudo o que era necessário para que os outros povos da Europa continental adotassem as medidas de defesa nacional que lhe deram sucesso. Pois a mesma força que lhe serviu de defesa durante a Revolução foi posteriormente empregada, sob Napoleão, para subjugar quase toda a Europa continental; e com isso despertou o sentimento nacional dos demais e os obrigou a se defender com as mesmas armas que os derrotaram. A guerra de 1813 a 1815, que libertou a Europa da dominação napoleônica, foi uma guerra dos povos, das nações em armas.</p>
				<p>Quando o rei Frederico Guilherme III da Prússia declarou guerra a Napoleão, em 1813, ele lançou, ao mesmo tempo, uma proclamação “Ao meu povo”. Esse título, que hoje nos parece tão natural para uma situação como essa, era, então, algo novo e sem precedentes; ele mostra, de forma inconfundível, a mudança que ocorreu desde a época das guerras de gabinete, em que os povos não participavam ativamente e os reis as conduziam sem pedir o consentimento de seus súditos.</p>
				<p>Desde os tempos da Revolução Francesa e de Napoleão Bonaparte, as ideias de defesa nacional e serviço obrigatório têm se enraizado solidamente em todos os povos europeus e em muitos outros. Isso não aconteceu sem lutas. Os diferentes partidos políticos se apropriaram da questão e, por vezes, procuraram abolir a instituição do serviço obrigatório ou usá-lo para fins bem distantes de sua origem democrática e popular. Não é nossa tarefa elaborar a história dessas lutas políticas que não puderam impedir o desenvolvimento: a ideia da nação armada tem permanecido até agora a base da guerra moderna.</p>
				<p>É óbvio que tal mudança teve uma repercussão profunda na literatura. A literatura de guerra no século XIX é uma literatura do povo em combate. É verdade que isso não ocorreu de um dia para o outro. Muitos poetas hesitaram diante dos horrores da Revolução Francesa, e sentiram uma certa antipatia quando viram uma tal revolta das massas populares; eles temiam a destruição de toda civilização, de todos os valores morais e estéticos pela tirania das massas enfurecidas.</p>
				<p>Goethe, que no início de sua juventude, ao escrever sua tragédia <italic>Götz von Berlichingen</italic> [<italic>Götz von Berlichingen da mão de ferro</italic>], havia apoiado vigorosamente a causa da liberdade e do povo, contemplou com doloroso espanto, até mesmo com repugnância, o espetáculo que vinha se desenrolando na França desde 1789. Ele participou da guerra que os príncipes alemães iniciaram em 1792 contra a França revolucionária, e seu relatório sobre essa campanha, embora seja bastante realista e distante de qualquer fanatismo, não mostra simpatia alguma pelo movimento revolucionário.</p>
				<p>Entretanto, quando na noite da Batalha de Valmy, na qual as tropas dos príncipes alemães foram forçadas a se retirar diante do exército revolucionário francês, seus amigos preocupados pediram a sua opinião. Goethe respondeu: “hoje começa uma nova era da história, e vocês poderão dizer que testemunharam seu nascimento”. Essa frase mostra sua perspicácia. Ele não compartilhava a esperança da maioria de seus companheiros de guerra de que poderia deter o movimento dos povos; no entanto, não tinha muita simpatia por esse movimento, do qual ele previa a vitória, e até seus últimos anos – ele viveu até 1832 – manteve uma atitude bastante reservada em relação a tudo o que se assemelhasse a movimentos populares.</p>
				<p>Outro grande poeta clássico dos alemães, Schiller, dez anos mais novo que Goethe e seu amigo íntimo, nunca abandonou totalmente o idealismo revolucionário que animava suas tragédias de juventude. Uma de suas últimas tragédias, e talvez a mais popular, é <italic>Wilhelm Tell</italic> [<italic>Guilherme Tell</italic>], cujo tema é a conspiração dos cantões suíços contra o domínio estrangeiro dos Habsburgos no início do século XIV. Schiller inspirou-se em uma lenda popular que transformou em um movimento espontâneo, em um levante dramático de todo o povo, aquilo que, na realidade histórica, havia sido uma lenta evolução. E as ideias de liberdade que as personagens de sua tragédia expressam são muito mais as ideias de seu tempo do que as do século XIV. O sucesso de sua peça foi simplesmente estrondoso, e, embora Schiller não fosse suíço de nascimento e nem mesmo tenha visitado a Suíça, sua tragédia se tornou o poema nacional da Confederação Helvética.</p>
				<p>Na França, a literatura de guerra da primeira metade do século XIX está principalmente ligada à pessoa e à lenda de Napoleão Bonaparte. Napoleão, após sua queda e morte, tornou-se, pouco a pouco, um mito popular e um símbolo do nacionalismo do povo; esse desenvolvimento pode ser observado em certos autores, como Paul-Louis Courier e Stendhal: ambos serviram nos exércitos do imperador, e suas carreiras literárias só começaram após a sua queda.</p>
				<p>Durante seu reinado, nem Courier nem Stendhal nutriram muita simpatia pelo imperador, e, como muitos de seus contemporâneos, viam em Napoleão, enquanto vivo, muito mais um destruidor do que um continuador da Revolução. Mas quando, após a sua queda, o governo reacionário e algo mesquinho dos Bourbon perdeu a simpatia do povo, a lembrança da grandeza de suas concepções e da glória que ele havia conquistado para a França apagou a lembrança do sofrimento sob seu governo; ele não era mais o tirano, tornou-se o herói nacional que liderou o povo armado, de vitória em vitória, na guerra contra o espírito reacionário dos príncipes estrangeiros e dos aristocratas emigrados.</p>
				<p>Foi sobretudo sobre os jovens daquela geração, dotados de imaginação e coragem, que a lembrança do imperador exerceu um fascínio extraordinário, e seguindo esta corrente, de modo mais ou menos consciente, Courier e Stendhal escreveram páginas quase entusiásticas sobre Napoleão, algo que provavelmente não teriam concebido enquanto ele reinava. Outros que não compartilharam suas memórias os superaram em admiração por Napoleão; o mais conhecido entre eles é Béranger, poeta ultraliberal, popular e adorador da memória do imperador, embora fosse fundamentalmente medíocre, exerceu uma enorme influência sobre seus contemporâneos, porque tinha o dom de expressar o sentimento geral por meio de ritmos fáceis e marcantes.</p>
				<p>Em meados do século XIX, o nacionalismo popular e democrático, que implica a ideia de nação armada, fez grandes progressos em toda a Europa. Na França, Victor Hugo, líder do movimento romântico, que no início foi bastante conservador politicamente, voltou-se cada vez mais para um democratismo entusiástico e quase místico; nos <italic>Châtiments</italic>, em <italic>La légende des siècles</italic>, e, mais tarde, em <italic>L’Anné terrible</italic>, ele celebrou o heroísmo dos povos em combate por sua liberdade com todo o fervor de seu gênio; historiadores da geração romântica, como Michelet, adotaram a mesma atitude.</p>
				<p>Na Alemanha, o grupo democrático chamado os “Jovens Alemães”, cujo papel foi muito importante na revolução de 1848 e que contribuiu muito para preparar a unificação alemã alcançada em 1871, cantou tanto a democracia quanto o patriotismo; na Itália, o movimento pela unificação do país nasceu de ideias revolucionárias e exerceu uma profunda influência sobre a literatura; mesmo na Suíça, a ideia de nação armada estava inseparavelmente ligada às ideias democráticas; aqueles que leram as novelas de Gottfried Keller, especialmente o <italic>Estandarte dos sete justos</italic> (<italic>Das Fähnlein der sieben Aufrechten</italic>), podem compreender esse estado de espírito.</p>
				<p>Há apenas dois países europeus que são exceções e que mal conhecem a atmosfera do patriotismo democrático militante do século XIX; um deles é a Inglaterra, a mais democrática, e o outro é a Rússia, na época a mais despótica das nações europeias. A Inglaterra, onde o democratismo estava firmemente estabelecido, onde tinha assumido um caráter tradicionalista, e cuja situação geográfica era uma garantia contra invasões, quase nunca exaltava o patriotismo militar, e o culto à bravura na guerra desempenhava apenas um papel secundário na literatura do século XIX.</p>
				<p>O famoso romance de Thackeray <italic>Vanity Fair</italic> [<italic>A feira das vaidades</italic>], associado aos eventos históricos em torno da batalha de Waterloo, oferece um exemplo muito significativo. Os grandes eventos históricos ali são apenas um quadro a serviço dos problemas de moral individual e de crítica sociológica; há apenas raras alusões ao heroísmo demonstrado pelos ingleses durante as guerras napoleônicas, e, em um de seus personagens principais, Thackeray insiste em mostrar que um homem de bravura esplêndida pode ter, ao mesmo tempo, um caráter vaidoso e fraco.</p>
				<p>Quanto à Rússia é o oposto. Seu povo, no século XIX, mal foi tocado por ideias democráticas, e seu nacionalismo baseava-se em um sentimento imediato e instintivo, no amor pela terra natal. No romance de Tolstói <italic>Guerra e Paz</italic>, que citei no início de minha conferência e que, como <italic>Vanity Fair</italic>, descreve a última fase da era napoleônica (não se poderia imaginar maiores contrastes), é a própria terra sagrada da Rússia que parece se levantar contra o invasor, os homens parecem agir apenas sob seu impulso, e seu líder, o General Kutuzov, um velho simples, tranquilo, paciente e obstinado, assemelha-se a um símbolo do gênio de sua terra e de sua raça.</p>
				<p>Durante o longo período de paz que durou na Europa de 1871 a 1914, a literatura de guerra parece perder toda a importância. Um lirismo extremamente refinado, por um lado, e problemas de psicologia e sociologia, por outro, dominavam em toda parte. Passei minha juventude nos últimos anos desse período, e acredito poder assegurar que, apesar das complicações diplomáticas, apesar de muitas discussões sobre uma eventual guerra, pouquíssimas pessoas real e seriamente acreditavam na possibilidade de uma guerra europeia.</p>
				<p>Quando ela eclodiu em 1914 fomos pegos de surpresa. A literatura acompanhou-a apenas lentamente. Com exceção de algumas peças feitas por encomenda ou inspiradas por paixões passageiras, quase todas medíocres, a literatura da guerra de 1914 a 1918 foi uma literatura escrita após a guerra, uma literatura do pós-guerra. Essa literatura é imensa, eu não conheço mais do que alguns exemplos, e ainda é preciso acrescentar que ela pode ser julgada de diferentes formas, segundo o ponto de vista daquele que julga. Posso apenas dar-lhes as minhas impressões.</p>
				<p>O que domina nesses livros de guerra é sempre o povo em armas; ele domina mais do que nunca. O culto aos heróis individuais, sejam generais, aviadores, comandantes de submarinos etc., que naturalmente forneceu o tema para muitos livros, teve muito pouco sucesso, enquanto os livros mais bem escritos e os mais difundidos falam diretamente do povo: de um soldado comum nas trincheiras. Vocês podem ver esse símbolo nos monumentos erguidos em quase todos os lugares ao “soldado desconhecido”. Portanto, é sempre o povo em armas que domina, como no século XIX.</p>
				<p>Mas o acento, o tom geral, mudou. Fala-se muito mais dos sofrimentos da guerra do que dos atos de heroísmo e dos grandes objetivos que se perseguem; fala-se das misérias, do lodo nas trincheiras, da fome que se sofreu. E por que tudo isso? Desejamos viver e trabalhar em liberdade, educar nossos filhos e preparar-lhes um futuro tal como nos permitiria a condição de nossa civilização se todos fossem razoáveis. E o homem na trincheira oposta, que ajusta sua metralhadora para me matar, não quer exatamente a mesma coisa, não tem mais ou menos as mesmas ideias que eu? É necessário que nos matemos por isso? Esse, ao que me parece, é o sentimento geral da Europa do pós-guerra; esse é o espírito da maioria dos livros que falam da Grande Guerra.</p>
				<p>É bastante compreensível que todos os povos tivessem horror a uma nova guerra, e que muitos governos, por muito tempo, hesitassem considerar tal possibilidade e até mesmo se preparar energicamente para ela. Mas apesar desse estado de espírito, a nova guerra irrompeu e está em expansão, e pode ser que ultrapasse a primeira não apenas em amplitude, mas também pela importância das mudanças que ocorrerão como resultado na vida dos homens sobre a Terra. É prematuro falar sobre a literatura desta guerra; mas já podemos fazer algumas observações sobre o papel do povo, e é com estas observações que quero concluir minha conferência.</p>
				<p>A guerra tornou-se, mais do que nunca, o assunto de todo o povo. Para conduzi-la e prepará-la, é preciso organizar toda a população; na indústria, na agricultura, nas medidas de defesa aérea, nos transportes, cada habitante, até mesmo mulheres e crianças, são forçados a se adaptar ativa e passivamente a condições muito diferentes da vida cotidiana que a guerra impõe; embora o número de combatentes propriamente dito seja apenas relativamente pequeno na fase atual, ninguém, nos países beligerantes, poderá viver como costumava.</p>
				<p>Como resultado, o sucesso depende, por um lado, da capacidade de organização dos governantes e, por outro, em grande medida, do estado de espírito moral do povo. Eu diria até que o primeiro fator, a organização, depende majoritariamente do segundo, do ânimo do povo. Viu-se que um povo determinado a se defender a todo custo não é facilmente derrotado, mesmo que seja inferior em número e em uma situação muito difícil. Não se pode fazer guerra sem o apoio de todo o povo, e dificilmente se pode perdê-la enquanto o povo mantiver sua coragem e sangue frio.</p>
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			<title>POESIA E GUERRA<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>
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				<title>Erich Auerbach</title>
				<p>Il y a, à ce qu’il me semble, deux sortes de poésie de guerre. L’une est celle qui est provoquée par une guerre actuelle; ce sont en général des pièces courtes du genre lyrique; prières pour demander aux dieux la victoire, chants pour enflammer le courage des soldats, poèmes satiriques pour dénigrer et insulter l’ennemi, hymnes pour célébrer la victoire remportée, et pour en rendre grâce aux puissances célestes. De tout cela, il y a de nombreux exemples.</p>
				<p>La pièce la plus ancienne dans la Bible judée-chrétienne est problablement le chant de triomphe de la prêtresse Deborah pour une victoire remportée par le peuple Israel sur les Cananéens, anciens habitants de la Palestine. Et parmi les plus anciens monuments de la poésie grecque qui nous sont conservés figurent les élégies de Tyrtée (Tyrtaios) par lesquelles il encourage les Spartiates dans leur guerre contre les Messéniens, leurs voisins dans le Péloponnèse. C’est lui qui a exprimé le premier, à ce que nous savons, une pensée très souvent répétée depouis: Belle est la mort d’un homme courageux tombant dans les premiers rangs, ayant combattu pour sa patrie.</p>
				<p>Vous trouverez cette sorte de poésie aussi chez tous les peuples de l’Europe moderne, dès qu’une guerre devient l’affaire du peuple entier qui la mène. Bien des choses ont changé depuis les chansons de croisade du 12e siècle ou depuis les hymnes en même temps religieuses et guerrières du temps de la Reforme du 16e. L’objet des ces luttes nous est devenu indifférent, mais nous sentons encore en les lisant le souffle de l’enthousiasme qui les a inspirés. Et, pour les temps plus modernes, je n’ai qu’à vous rappeler la Marseillaise des Français, chant de guerre et de liberté, ou les chansons des Allemands dans leur guerre de libération contre Napoléon Ier.</p>
				<p>La Marseillaise est particulièrement intéressante pour le but que je me suis proposé dans cette conférence. Car c’est, commme je viens de le dire, en même temps un chant de guerre et de liberté, un chant de la nation toute entière, armée contre ses oppresseurs à la intérieur et à la extérieur; et l’on y voit fort bien qu’en France comme ailleurs en Europe le nationalisme a des racines populaires et est lié intimement aux aspirations des peuples à la liberté individuelle, soit liberté de conscience soit liberté économique.</p>
				<p>Passons maintenant au second genre de poésie guerrière, qui peut-être est encore plus important, du point de vue de l’art, puisqu’il a produit beaucoup plus de chefs-d’oeuvre – oeuvres qui, presque partout, constituent la base primordiale de la littérature nationale. Ces oeuvres sont pour la plupart longues, pas lyriques mais épiques, et elles ne parlent pas d’une guerre contemporaine à la vie du poète; elles chantent une guerre des temps passés, elles célèbrent les hauts faits des aieux.</p>
				<p>Ce sont d’abord les grandes épopées nationales, telles que l’Iliade d’Homère, l’Enéide de Virgile, les Nibelungen des Allemands, la Chanson de Roland des Français, et beaucoup d’autres. Telles sont encore, dans les temps modernes, les tragédies historiques comme quelques-unes des pièces de Goethe et de Schiller, et même des romans. Parmi les romans de ce genre je vous citerai une grande oeuvre du Russe Tolstoi, dont le titre est Guerre et Paix; le sujet en est la campagne de Napoléon contre la Russie en 1812; c’est, à mon goût, un des plus beaux livres du 19e siècle, et je vous conseille de le lire si vous ne le connaissez pas encore; il en existe une traduction turque.</p>
				<p>Toutes les oeuvres de ce second genre sont historiques, comme je l’ai dit, elles ne sont pas d’actualité; mais elles ont toutes contribué (surtout les anciennes épopées) à former ou à renforcer le sentiment national. L’Iliade d’Homère a puissamment contribué à soutenir le sentiment de l’unité des Grecs dans le moments critiques de leur histoire ancienne, et l’importance de Roland pour les Français, du Cid pour les Espagnols n’est guère moins grande.</p>
				<p>C’est surtout dans les moments critiques de l’histoire des peuples que même des oeuvres du second groupe, dont le sujet n’est pas contemporain mais historique, peuvent gagner une grande influence actuelle. Plusieurs fois on a vu, chez différents peuples, Grecs, Français, Allemands que quelques vers d’un ancien poète prononcés sur la scène ont trouvé un retentissement formidable chez les spectateurs qui y découvraient une allusion à la situation actuelle, et en 1871, pendant le siège de Paris, une conférence du professur Gaston Paris sur la Chanson de Roland et la nationalité française a contribué beaucoup à réanimer l’esprit de la résistance héroique. Donc, on peut dire que même l’importance politique du second groupe, du groupe des oeuvres à sujet historique, n’est pas inférieure à celle du premier groupe.</p>
				<p>Or, pendant le 17e et le 18e siècle, c’est-à-dire dans l’époque de l’absolutisme européen, vous ne trouvez pas de poésie nationale et populaire sur des sujets guerriers, ni des oeuvres du premier groupe, c’est-à-dire épiques et historiques – quoiqu’il y ait beaucoup des guerres dans cette époque.</p>
				<p>Il y a bien la Henriade de Voltaire, poème épique sur les guerres du roi de France Henri IV, mais c’est une oeuvre froide et nullement populaire; il y a, ce qui est plus important, quelques chansons et marches militaires très populaires au 18e, chansons qui se rattachent aux noms de quelques généraux célébres de l’époque tels que le prince Eugène de Savoie et Marlborough; je suppose que beaucoup d’entre vous connaissent le “Marlborough s’en va-t-en guerre”, fait pour célebrer le général duc de Marlborough, ancêtre du premier ministre anglais Churchill; eh bien, ces chansons et ces marches n’ont pas la gravité et l’enthousiasme que caractérisent la poésie de guerre des autres époques, elles ont l’air d’une musique de danse, leur texte ne fait pas allusion aux grandes idées politiques du temps ou à la tâche tragique et héroique de la défense nationale, leur contenu est plutôt gai, parfois un peu mélancolique, parfois un peu frivole; ce n’est pas la poésie d’un peuple qui combat pour son existence et pour sa liberté.</p>
				<p>Quelle est la raison de ce fait étrange que deux siècles remplis de guerres ont été si peu féconds dans ce genre de poésie ? Ce n’est pas une stérilité poétique générale, car dans tous les pays européens, surtout en France, le 17e et le 18e siècles ont été des époques de floraison littéraire; c’est la période des chefs-d’oeuvre de la poesie classique française, l’époque des Racine, Molière, Boileau, Lafontaine et de leurs imitateurs en France et dans les pays voisins.</p>
				<p>Mais cette poésie classique n’était pas une poésie populaire; c’était une poésie destinée pour certains groupes de la société, une poésie d’un raffinement extrême autant pour le contenu que pour la forme, inaccessible aux masses de la population de l’époque. Et cette constatation nous montre la voie qu’il faut suivre pour trouver la solution du problème qui nous intéresse en ce moment: dans les deux siècles de l’absolutisme en Europe, le peuple était pour ainsi dire muet; il ne prenait pas part à la vie publique, il n’était qu’une masse inerte dans les mains des gouvernements.</p>
				<p>Au moyen âge, et encore dans la Renaissance du seizième siècle, le peuple avait joué un rôle actif et important dans l’histoire; dans ses différentes organisations par états et par métiers, comme bourgeois des villes et paysans des campagnes, il représentait une partie intégrante et puissante de la vie publique; c’est n’est pas des organisations à base individuelle comme dans les démocraties modernes, mais à base corporative et hiérarchique; toutefois elles étaient fort actives et conscientes de leur pouvoir, d’autant plus que dans beaucoup de pays le peuple était l’allié naturel du pouvoir central, c’est-à-dire du roi, dans sa lutte contre les forces centrifugues, composées surtout par la noblesse féodale.</p>
				<p>Ce sont surtout en France les bases de l’unité et du sentiment nationales: le roi et le peuple, alliés contre la noblesse féodale et particulariste. Dans ces époques il n’aurait pas été facile de mener une grande guerre sans intéresser le peuple et sans gagner sa sympathie pour la cause qu’on voulait défendre; souvent, le peuple des villes et des campagnes avait spontanément pris les armes. Mais après la fin des guerres de religion, quand l’absolutisme avait définitivement remporté la victoire, quand la noblesse féodale était subjuguée pour toujours, la puissance du roi devint telle qu’il n’avait plus besoin du peuple. L’Etat absolutiste gouvernait par ses fonctionnaires, sans le concours des corporations et répresentations du peuple; les guerres étaient des guerres des princes, préparées, déclarées et dirigées dans les cabinets, et les peuples n’y avaient aucune part si ce n’est d’en payer les frais.</p>
				<p>Le développement technique de l’art de la guerre avait encore contribué à éliminer l’activité militaire du peuple. Les armes à feu, l’artillerie surtout, demandaient une formation professionnelle, qu’à cette époque on n’était pas encore capable de donner au peuple entier; rendez-vous compte qu’alors, même en Europe, il n’existait ni service militaire ni enseignement obligatoire, et que l’immense majorité des Européens étaient analphabètes. Donc, les armées se composaient de soldats de métier, de mercennaires qui souvent n’étaient pas même originaires du pays dans l’armée duquel il servaient; c’étaient des gens qui vendaient leur sang.</p>
				<p>Dans le corps des officiers même il y avait beaucoup de gens d’un type qu’on appelait alors “soldat de fortune”; aventuriers, souvent fils cadets d’une famille noble, sans héritage ni carrière dans leur pays, qui couraient le monde en vendant leurs services aux princes belligérants. Nous trouvons ce type dans une comédie célèbre du 18e siècle, Minna von Barnhelm, par le poète allemand Gotthold Ephraim Lessing; c’est le lieutenant Riccaut de la Marlinière, cadet d’une maison de noblesse française, qui après avoir servi successivement dans les armées des Pays-Bas, du Pape er du roi Frédéric le Grand de Preusse, se trouve maintenant réduit à gagner sa vie au jeu.</p>
				<p>Si tels étaient les officiers, vous pouvez bien imaginer ce qu’étaient les soldats. Des enrôleurs parcouraient les différents pays d’Europe à la recherche de jeunes gens capables d’entrer au service du prince leur maître. Ils enrôlaient des mécontents, des gens brouillées avec leurs familles, des ratés, des pauvres, des désespérés, souvent des criminels; parfois ils gagnaient par leurs promesses un malheureux jeune homme sans expérience qu’ils avaient enivré avant de lui faire signer le contrat qui le liait pour 10, 12 ou même vingt ans. On a vu même des petits princes à bout de ressources financières qui vendaient quelques milliers de leurs jeunes sujets à un autre prince riche et puissant qui en avait besoin pour ses guerres.</p>
				<p>Vous voyez bien que des guerres menées avec des armées ainsi composées ne pouvaient pas être des guerres populaires, et qu’elles étaient uniquement des affaires de cabinet et de dynastie. Dans la plus importante et la plus longue de ces guerres il s’agissait de décider si ce serait la maison allemande des Habsbourg ou la maison française des Bourbons qui succéderait au trône d’Espagne, devenu vacant par la mort du dernier roi décédé sans héritier direct, et à la famille duquel les Habsbourg autant que les Bourbons avaient des liens de parenté. C’était une pure question de dynasties royales, à laquelle ni le peuple allemand ni le peuple français n’étaient directement intéressé. Et quant au peuple espagnol, on ne lui demandait guère son opinion.</p>
				<p>Il serait peut-être injuste de dire que les rois qui menaient de pareilles guerres ne pensaient pas du tout à leurs peuples; certainement ils croyaient pouvoir gagner par l’accroissement de leur puissance d’importants avantages politiques et économiques qui augmenteraient la richesse et le bien-être de leurs sujets; seulement, ils avaient perdu l’habitude de les consulter, ils n’en sentaient plus le besoin, et souvent ils se trompaient sur la capacité de leur peuple de soutenir les frais et fardeaux d’une longue guerre; l’exemple célèbre de Louis XIV montre qu’un roi même intelligent, consciencieux, presque toujours victorieux, mais voulant décider tout à lui seul, sans autre conseil que celui des ministres et fonctionnaires nommés par lui-même, a miné l’économie et la structure politique de son pays.</p>
				<p>Quant aux peuples, il semble qu’ils étaient, tout d’abord, assez contents de l’état des choses. La consolidation du povoir central, c’est-à-dire du pouvoir du roi, leur avaient donné beaucoup d’avantages; ils se sentaient libres de leurs anciens oppresseurs, les barons féodaux; l’organisation de l’administration dans les mains du monarque et de sa bureaucratie leur garantissait la paix à l’intérieure et la sécurité du travail. Fatigués par les combats de religion, las des troubles qui avaient duré pendant des siècles ils abdiquaient leurs droits, renonçaient aux anciens privilèges de leurs corporations et se laissaient paisiblement gouverner par leurs princes.</p>
				<p>Ce n’est que peu à peu qu’ils commençaient à regretter cette abdication et à se révolter contre l’absolutisme. Eloignés complètement de toute collaboration au governement, étranglés par les impôts, exaspérés par l’injustice et la corruption de la bureaucratie, leur paisible soumission fit place peu à peu à l’esprit de la révolte. Quand, au dix-huitième siècle, les idées nouvelles sur la liberté nationale et la liberté individuelle se répandaient, elles trouvaient un retentissement profond d’abord chez le peuple français, et plus tard chez les autres peuples européens.</p>
				<p>La révolution française de 1789 fut le signal et la première phase de ce changement, et en renversant l’absolutisme, en fondant la souveraineté nationale du peuple, en donnant au peuple toute la responsabilité politique, elle renversait aussi l’ancienne constitution des armées, changeait les idées sur a guerre et créait la conception de la défense nationale par le peuple. C’est de là que naquit l’institution du service obligatoire, intimement liée à celle de l’instruction obligatoire de tous les enfants par les soins du gouvernement.</p>
				<p>Il y a un peuple en Europe dont le developpement politique a devancé celui des autres d’un siècle, ou même de plusieurs siècles. Ce sont les Anglais. Chez eux, la démocratie ne date pas de la fin du 18e siècle mais du 17e, et encore est-ce la fin d’une évolution qui a commencé longtemps auparavant. Presque toutes les institutions de la démocratie moderne ont été établies d’abord en Angleterre; mais l’organisation militaire en fait exception, par la simple raison que le problème de la défense nationale se posait d’une façon toute différente chez eux, grâce à la situation géographique de leur pays; ils ont pu mener toutes leurs guerres jusqu’en 1914 par leur flotte et par des volontaires que étaient souvent des coloniaux; encore maintenant, ils regardent le service obligatoire comme une mesure exceptionnelle et nécessaire seulement en temps de danger national. Voilà pourquoi l’organisation de la nation armée est peut-être la seule grande institution démocratique qui ne soit pas d’origine anglaise, mais française.</p>
				<p>Les idées françaises, devenues bientôt les idées mondiales sur la défense nationale par le peuple entier proviennt, si on remonte à leur source, du système politique d’un homme, qui fut peut-être le moins belliqueux, le plus idyllique parmi les écrivains politiques: de Jean-Jacques Rousseau. Il ne parle presque jamais de la guerre dans ses écrits, et la gloire militaire est probablement quelque chose d’assez éloigné du cadre ordinaire de ses idées. Néanmoins, sa conception de la liberté naturelle de tous les hommes, bien suprême qui comme tel doit être défendu par tous les moyens, et qui le mène à sa théorie célèbre sur la souveranité et la solidarité de la nation, a pour conséquence nécessaire et inévitable que chaque citoyen capable de porter les armes a le devoir de défendre la liberté commune à tous les membres de la nation dès que cette liberté est menacée.</p>
				<p>Les événements de la révolution, survenue dix ans après la mort de Rousseau, est fait éclore ce germe caché de son système politique. Quand le peuple révolté se crut, à tort ou à raison, menacé par les troupes mercenaires du roi, quand, plus tard, les rois et les princes voisins envoyèrent leurs armées composés de soldats de métier contre la France pour sauver le roi, pour rétablir l’absolutisme, pour détruire la liberté en même temps nationale et individuelle qu’on espérait avoir acquise pour toujours, la solution qui s’imposait nécessairement et imédiatement dans une situation tellement dangereuse fut celle d’armer la nation entière pour sa défense. Et ainsi, l’armée française de 1792, cette armée formée à la hâte, mal équipée, qui a fait tant de miracles pour la défense du pays et dont se développa l’armée napoléonienne, fut la première armée du peuple organisé.</p>
				<p>C’est un développement de toute première importance pour l’histoire des hommes, et dont l’importance dépasse le point de vue militaire: un peuple, devenu conscient de lui-même, ayant compris la nécessité de la défense nationale par tous, doit s’adapter aussi aux exigences intellectuelles qu’une telle tâche demande dans les temps modernes; pour pouvoir se défendre, il doit s’instruire. Service militaire et enseignement obligatoire sont intimement liés entre eux et se complètent mutuellement; l’école est la préparation pour la caserne, et la caserne, dans beaucoup de cas, termine l’éducation intellectuelle du peuple, non pas seulement pour l’enseignement militaire, mais aussi pour la formation générale et la préparation professionelle.</p>
				<p>Or, le peuple français a fait lui-même tout ce qu’il fallait pour faire adopter aux autres peuples de l’Europe continentale les mesures de défense nationale qui lui avaient si bien réussi. Car la force qui lui avait servi pour se défendre pendant la révolution il l’employa dans la suite, sous Napoléon, pour se soumettre l’Europe continentale presque toute entière; par là il réveillait le sentiment national des autres et les obligeait à se défendre par les mêmes armes qui les avaient battus. La guerre de 1813 à 1815, qui a délivré l’Europe de la domination napoléonienne, fut une guerre des peuples, des nations en armes.</p>
				<p>Quand le roi Frédéric Guillaume III de Prusse déclara en 1813 la guerre à Napoléon, il lança en même temps une proclamation “A mon peuple”. Ce titre qui nous semble aujourd’hui tellement naturel pour une situation pareille, était alors quelque chose de nouveau et d’inoui; il montre d’une manière à n’y pouvoir se méprendre tout le changement qui s’était effectué depuis la période des guerres de cabinet auxquelles les peuples ne prenaient aucune part active, et que les rois menaient sans demander le consentement de leurs sujets.</p>
				<p>Depuis le temps de la révolution française et de Napoléon Ier l’idée de la défense nationale et du service obligatoire s’est solidement enraciné chez tous les peuples européens et chez beaucoup d’autres. Cela ne s’est pas passé sans luttes. Les différents partis politiques se sont emparés de la question, ils ont voulu parfois abolir l’institution du service obligatoire ou la faire servir à des buts assez éloignés de son origine démocratique et populaire. Nous n’avons pas la tâche de faire l’histoire de ses luttes politiques qui n’ont pas pu arrêter le developpement: l’idée de la nation armée est resté jusqu’ici la base de la guerre moderne.</p>
				<p>Il va sans dire qu’un tel changement a eu une répercussion profonde sur la littérature. La littérature de guerre au 19e siècle est une littérature du peuple combattant. Il est vrai qu’elle ne l’est pas devenu d’un jour à l’autre. Beaucoup de poètes ont hésité devant les horreurs de la Révolution française, et ont ressenti en voyant un tel soulèvement de toute la masse d’un peuple, une certaine antipathie; ils craignaient la destruction de toute la civilisation, de toutes les valeurs morales et esthétiques par la tyrannie des masses déchaînées.</p>
				<p>Goethe qui dans sa première jeunesse, en écrivant sa tragédie Goetz von Berlichingen, avait puissamment soutenu la cause de la liberté et du peuple, contemplait avec un étonnement douloureux, avec dégoût même, le spectacle qui se déroulait en France depuis 1789. Il prit part à la guerre que les princes allemands commençaient em 1792 contre la France révolutionnaire, et son rapport sur cette campagne, tout en étant fort réaliste et très éloigné de tout fanatisme, ne montre aucune sympathie pour le mouvement révolutionnaire.</p>
				<p>Toutefois, quand le soir de la canonade de Valmy, par laquelle les troupes des princes allemands furent forcées de se retirer devant l’armée révolutionnaire française, ses amis inquiets lui demandèrent son avis, il leur répondit: c’est aujourd’hui une nouvelle époque de l’histoire qui comence, et vous pouvez dire que vous avez assisté à sa naissance. Cette phrase montre sa perspicacité; il ne partageait pas l’espoir de la plupart de ses compagnons de guerre qu’on pourrait arrêter le mouvement des peuples; cependant il n’a pas eu beaucoup de sympathie pour ce mouvement dont il prévoyait la victoire, et jusque dans ses dernières années – il a vécu jusqu’en 1832 – il a gardé une attitude fort réservée vis-à-vis de tout ce qui ressemblait à des mouvements populaires.</p>
				<p>L’autre grand poète classique des Allemands, Schiller, de dix ans plus jeune que Goethe, et son ami intime, ne s’est jamais entièrement départi de l’idéalisme révolutionnarie qui animait ses tragédies de sa jeunesse. Une de ses dernières tragédies, et peut-être la plus populaire, est le “Wilhelm Tell” dont le sujet est la conjuration des cantons suisses contre la domination étrangère des Habsbourg, àu [au] commencement du 14e siècle. Schiller s’y est inspiré d’une légende populaire qui avait transformé en un mouvement spontané, en un soulèvement dramatique de tout le peuple ce qui dans la réalité historique avait été une lente évolution. Et les idées de liberté que les personnages de sa tragédie expriment sont plutôt les idées de son temps que celles du 14e siècle. Le succès de sa piece n’en fut que plus retentissant, et quoique Schiller ne fût pas Suisse de naissance, quoique même il n’ait jamais vu la Suisse, sa tragédie est devenue le poème national de la Confédération helvétique.</p>
				<p>En France, la littérature de guerre, dans la première moitié du 19e siècle, se rattache surtout à la personne et à la légende de Napoléon Ier. Napoléon, après sa chute et sa mort, devint peu à peu un mythe populaire et un symbole du nationalisme du peuple; on peut suivre ce développement chez quelques auteurs comme Paul-Louis Courier et Stendhal, qui tous les deux avaient servi dans les armées de l’empereur, et dont la carrière littéraire n’a commencé qu’après sa chute.</p>
				<p>Pendant son règne, ni Courier ni Stendhal n’avaient beaucoup de sympathie pour l’empereur, et comme beaucoup de leurs contemporains ils ont vu dans Napoléon vivant plutôt le destructeur que le continuateur de la Révolution. Mais quand après sa chute le gouvernement réactionnaire et un peu mesquin des Bourbons s’était aliéné les sympathies du peuple, le souvenir de la grandeur de ses conceptions et de la gloire qu’il avait acquise à la France effaçait le souvenir de ce qu’on avait souffert sous lui; il n’était plus le tyran, il devint le héros national qui avait conduit le peuple armé de victoire en victoire dans la guerre contre l’esprit réactionnaire des prince étrangers et des aristocrates émigrés.</p>
				<p>C’est surtout sur les jeunes gens de cette génération qui avaient du courage et de l’imagination que le souvenir de l’empereur exerçait une fascination extraordinaire, et c’est en suivant plus ou moins consciemment ce courant que Courier et Stendhal ont écrit sur lui des pages presque enthousiastes que fort probablement ils n’auraient guère conçu tant qu’il regnait. D’autres qui n’avaient pas leurs souvenirs les surpassaient de beaucoup dans l’admiration de Napoléon; le plus connu parmi ceux-là c’est Béranger, poète ultralibéral, populaire et adorant le souvenir de l’empereur, assez médiocre au fond, mais d’une influence énorme sur ses contemporains, parce qu’il avait le don d’exprimer le sentiment général par des rythmes faciles et saisissants.</p>
				<p>Vers le milieu du 19e siècle, le nationalisme populaire et démocratique, qui implique l’idée de la nation armée, fit de grand progrès partout en Europe. En France, Victor Hugo, chef du mouvement romantique qui avait été tout d’abord conservateur en politique, se tourne de plus en plus vers un démocratisme enthousiaste et presque mystique; dans les “Châtiments”, dans la “Légende des siècles,” et plus tard dans “l’Année terrible”, il a célébré l’héroisme des peuples combattants pour leur liberté avec toute la fougue de son génie; les historiens de la génération romantique, tels que Michelet ont adopté la même attitude.</p>
				<p>En Allemagne, le groupe démocratique appelé les “Jeune-Allemagne”, dont le rôle fut très important dans la révolution de 1848 et qui ont beaucoup contribué à préparer l’union allemande réalisée en 1871, ont autant chanté la démocratie que le patriotisme; en Italie le mouvement pour l’union du pays naquit des idées révolutionnaires et exerçait une profonde influence sur la littérature; même en Suisse, l’idée de la nation armée était inséparable des idées démocratiques; ceux qui ont lu les nouvelles de Gottfried Keller, surtout le “Drapeau des sept inébranlables” (Das Fähnlein der 7 Aufrechten), peuvent se rendre compte de cet état d’esprit.</p>
				<p>Il n’y a que deux pays européens qui font exception, et qui ne connaissent guère l’atmosphère du patriotisme démocratique militant du 19e siècle; l’un des deux, l’Angleterre, le plus démocratique, l’autre, la Russie, à cette époque le plus despotique parmi les nations européennes. L’Angleterre, où le démocratisme était solidement établi, où il avait revêtu un caractère traditionaliste, et dont la situation géographique était une garantie contre l’invasion, a presque jamais exalté le patriotisme militaire, et le culte de la bravoure dans la guerre n’a joué qu’un rôle de second ordre dans sa littérature au 19e siècle.</p>
				<p>Le roman célèbre de Thackeray “Vanity fair”, qui se rattache aux événements historiques autour de la bataille de Waterloo en offre un exemple fort significatif. Les grands événements historiques n’y sont qu’un cadre pour servir à des problèmes de morale individuelle et de critique sociologique; on n’y fait que de rares allusions à l’héroisme dont les Anglais ont fait preuve pendant les guerres napoléoniennes, et dans un de ses personnages principaux Thackeray insiste à montrer qu’un homme d’une bravoure éclatante peut avoir en même temps un caractère vaniteux et faible.</p>
				<p>Quant à la Russie, c’est tout le contraire. Son peuple, au 19e siècle, n’est guère touché par les idées démocratiques, et son nationalisme se basait sur un sentiment immédiat et instinctif, sur l’amour du sol natal. Dans le roman de Tolstoj “Guerre et paix” que j’ai cité au début de ma conférence et qui tout comme Vanity Fair décrit la dernière phase de l’époque napoléonienne (on ne saurait imaginer de plus grands contrastes) c’est le sol lui-même de la Sainte Russie qui semble se dresser contre l’envahisseur, les hommes semblent n’agir que sous son impulsion, et leur chef, le général Kutusow, vieillard simple, tranquille, patient et tenace, a l’air d’être un symbole du génie de sa terre et de sa race.</p>
				<p>Pendant la longue période de paix qui a duré en Europe de 1871 à 1914, la littérature de guerre semble perdre toute importance. Un lyrisme d’un raffinement extrême d’une part, les problèmes de psychologie et de sociologie de l’autre dominent partout. J’ai passé ma jeunesse pendant les dernières années de cette période, et je crois pouvoir assurer que malgré les complications diplomatiques, malgré beaucoup de discussions sur une guerre éventuelle, très peu de gens ne croyaient pratiquement et sérieusement à la possibilité d’une guerre européenne.</p>
				<p>Quand elle éclata en 1914, on était pris au dépourvu. La littérature ne suivait que lentement. A l’exception de quelques pièces faites sur commande ou inspirées par des passions passagères, d’ailleurs presque toutes médiocres, la littérature de la guerre de 1914 à 1918 fut une littérature écrite après la guerre, une littérature d’après-guerre. Elle est immense, cette littérature, je n’en connais que des spécimens, et encore faut-il ajouter qu’on en peut juger très différemment, selon le point de vue de celui qui juge. Je ne peux que vous donner mes impressions.</p>
				<p>Ce qui domine dans ces livres de guerre, c’est toujours le peuple en armes; il y domine plus que jamais; le culte des héros individuels, soit généraux soit aviateurs où commandant de sous-marins etc., qui, bien entendu a fourni le sujet à beaucoup de livres, n’a eu que très peu de succès, tandis que les livres les mieux écrits, les plus répandus parlent directement du peuple: d’un fantassin quelconque dans les tranchées. Vous en voyez le symbole dans les monuments qu’on a érigés un peu partout au “soldat inconnu”. Donc, c’est toujours le peuple en armes qui domine, comme au 19e siècle.</p>
				<p>Mais l’accent, le ton général a changé. On parle beaucoup plus des souffrances de la guerre que des actes d’héroisme, et des grands buts qu’on poursuit; on parle des misères, de la boue dans les tranchées, de la faim qu’on a soufferte. Et pourquoi tout cela? On veut vivre et travailler en liberté, élever ses enfants, et leur préparer un avenir tel que l’état de notre civilisation nous le permettrait si tout le monde était raisonnable. Et l’homme dans la tranchée vis-à-vis, qui ajouste sa mitrailleuse pour me tuer, ne veut-il pas exactement la même chose, n’a-t-il pas à peu près les mêmes idées que moi? Faut-il se tuer pour cela? Voilà, à ce qu’il me semble le sentiment général en Europe dans l’après-guerre; voilà l’esprit de la plupart des livres qui parlent de la grande guerre.</p>
				<p>Et on comprend fort bien que tous les peuples ont eu horreur d’une nouvelle guerre, que beaucoup de gouvernements ont hésité longtemps d’envisager une telle possibilité et même de s’y préparer énergiquement. Mais en dépit de cet état d’esprit, la nouvelle guerre a éclaté, elle s’étend toujours, et il se peut qu’elle dépassera la première non seulement par son étendue, mais aussi par l’importance des changements qui se produiront à sa suite dans la vie des hommes sur la terre. Il est prématuré de parler de la littérature de cette guerre; mais on peut dejà formuler quelques remarques sur le rôle du peuple, et c’est par ses remarques que je veux terminer ma conférence.</p>
				<p>La guerre est devenu plus que jamais l’affaire du peuple entier. Pour la mener et pour la préparer, il faut organiser toute la population; dans l’industrie, dans l’agriculture, dans les mesures de défense aérienne, dans les transports, chaque habitant, même les femmes et les enfants sont forcés de s’adapter activement et passivement à des conditions très différentes de la vie ordinaire, que la guerre impose; quoique le nombre des combattants au sens propre ne soit que relativement petit dans la phase actuelle, personne, dans les pays belligérants, ne peut vivre comme il avait l’habitude de le faire.</p>
				<p>Il en résulte que le succès dépend d’une part de la capacité d’organisation des gouvernants, de l’autre, dans une mesure très large, de l’état d’esprit, de la morale du peuple. Je dirais même que le premier facteur, l’organisation, dépend dans une large mesure du second, de la morale du peuple. On a vu qu’un peuple résolu à se défendre coûte que coûte n’est pas aisément vaincu, même s’il est inférieur en nombre et dans une situation très difficile. On ne peut pas faire la guerre sans le concours de tout le peuple, et on ne peut guère la perdre tant que le peuple garde son courage et son sang-froid.</p>
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			<title>REMERCIEMENT</title>
			<p>Je remercie Joseph Jurt pour la lecture du texte.</p>
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			<title>REFERÊNCIAS</title>
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				<mixed-citation>AUERBACH, Erich. Mimesis: Dargestellte Wirklichkeit in der abendländischen Literatur. Tübingen: Franke Verlag, 1994.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>AUERBACH, Erich. Figura (1938). In: BORMUTH, Matthias; VIALON, Martin (org.). Gesammelte Aufsätze zur romanischen Philologie. Tübingen: Francke Verlag, 2018.</mixed-citation>
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					<source>Literary criticism &amp; the structures of history, Erich Auerbach &amp; Leo Spitzer</source>
					<publisher-loc>Lincoln</publisher-loc>
					<publisher-name>University of Nebraska Press</publisher-name>
					<year>1983</year>
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				<mixed-citation>GUMBRECHT, Hans Ulrich: Pathos des irdischen Verlaufs, Erich Auerbachs Alltag, In: GUMBRECHT, Hans Ulrich: Vom Leben und Sterben der großen Romanisten, München, 2002 p. 152-174.</mixed-citation>
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					<chapter-title>Pathos des irdischen Verlaufs, Erich Auerbachs Alltag</chapter-title>
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					<source>Vom Leben und Sterben der großen Romanisten</source>
					<publisher-loc>München</publisher-loc>
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					<lpage>174</lpage>
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				<mixed-citation>JØRGENSEN, A. Visionary Drama and Scholarly Argument: On the Structure of Erich Auerbach's Mimesis. 1996. 155 p. Tese (Doutorado em Letras) - Copenhagen University, Copenhagen, 1996.</mixed-citation>
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					<comment>1996</comment>
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				<mixed-citation>KLEMPERER, Victor. Ich will Zeugnis ablegen bis zum letzten: Tagebücher 1933-1945. Aufbau Taschenbuch Verlag, 2. Aufl. (1935-1936), Berlin, Germany, 1999.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>KLEMPERER, Victor. Philologie im Exil. Aufbau, v. 4, n. 10, p. 863-868, 1948.</mixed-citation>
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					<article-title>Philologie im Exil</article-title>
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				<mixed-citation>REIS, Patrícia. Erich Auerbach e a apologia das ações modestas. Topoi, Rio de Janeiro, v. 24, n. 53, p. 487-504, 2023.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>VIALON, Martin. Fünf Souvenirs aus dem Schatzkästlein der Marburger Romanistin Freya Hobohm. Romanische Studien Beihefte, v. 4, p. 445-474, 2018.</mixed-citation>
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					<article-title>Fünf Souvenirs aus dem Schatzkästlein der Marburger Romanistin Freya Hobohm</article-title>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> Spitzer chegou a Istambul por meio dos esforços do pedagogo suíço Albert Malche (1876-1956), contratado pelo governo de Mustafa Kemal Atatürk (presidente entre 1923 e 1938) para a realização de uma reforma universitária que superasse o passado imperial e a estabelecesse como uma instituição “cosmopolita” (leia-se ocidental). Demissões em massa ocorreram a fim de que professores oriundos da Alemanha, principalmente, mas também de outras nações europeias, assumissem as cátedras. Spitzer foi um dos emigrados recrutados por Malche em colaboração com o Notgemeinschaft deutscher Wissenschaftler im Ausland (Sociedade de Assistência para Acadêmicos alemães no Exterior), e sua tarefa teria sido a de fundar um departamento de estudos filológicos, lecionando em diferentes línguas europeias. (Ver: <xref ref-type="bibr" rid="B9">Green, 1983</xref>, p. 105).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p> Tradução livre do autor: “Er saß schon ein Jahr in Florenz, und Croce gab ein Gutachten über ihn ab. (Und ich habe mich protestierend an Vossler gewandt! Stupidone io!) Jetzt frischt Auerbach sein Französisch in Genf auf. Und Spitzer hat in Italien operiert, der Posten müsse an einen Mann, der wirklich Französisch könne! Wenn ich mich für ein Paar Monate nach Genf setze, kann ich auch wieder ‘wirklich Französisch’”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p> Para mencionar apenas um exemplo eloquente, Klemperer escreve uma resenha bastante elogiosa ao livro. Ver: Klemperer (1948, p. 863–868).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p> Tradução livre do autor: “Dazu kommt noch, dass die Untersuchung während des Krieges in Istanbul geschrieben wurde. Hier gibt es keine für europäische Studien gut ausgestattete Bibliothek […]”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p> Tradução livre do autor: “[…] denn Istanbul, trotz vieler Vorzüge, ist für einen Romanisten ein Provisorium” (; Auerbach; Seidlin, 1946). Acervo do Deutsches Literaturarchiv Marbach.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p> Ver a Introdução de Said a <italic>Mimesis</italic>, na edição norte-americana de aniversário, de 2003, traduzida para o português pela Perspectiva: (Said, 2021).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p> Ver: A. <xref ref-type="bibr" rid="B11">Jørgensen. (1996)</xref>. Ver também o artigo de Leopoldo Waizbort (2025) publicado neste dossiê, pela revista <italic>Varia Historia</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p> Sobre a discussão do cotidiano em Auerbach, ver: <xref ref-type="bibr" rid="B10">Gumbrecht (2002</xref>, p. 152-174); ver: <xref ref-type="bibr" rid="B15">Reis (2023</xref>, p. 487-504).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p> Conferência datilografada em língua francesa, sem título e sem data, abrigada no acervo de Erich Auerbach no Deutsches Literaturarchiv Marbach. Foi originalmente proferida para os alunos da cátedra de literatura francesa da Universidade de Istambul, entre os anos 1940-1941. A presente tradução foi feita diretamente do original, embora considere as versões em inglês e alemão, estas elaboradas a partir da versão turca publicada nos Anais das palestras da Universidade de Istambul (“Edebiyat ve Harp” [“Literatur und Krieg”] Universite Konferansian 1940-1941, 8, p. 221-231) [tradutor desconhecido]. Ver: Auerbach, Erich. <italic>Literatur und Krieg.</italic> (Christoph Neumann trad.) <italic>In</italic>: Rivoletti, C. (org). <italic>Erich Auerbach. Kultur als Politik.</italic> Aufsätze aus dem Exil zur Geschichte und Zukunft Europas (1938-1947). Konstanz: Konstanz University Press, 2014. Auerbach, Erich. “Literature and War”. In. Konuk, Kader. <italic>East West Mimesis.</italic> Auerbach in Turkey. Stanford: Stanford University Press, 2010. Tradução: Gabriel Vertulli e Patrícia Reis.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p> O texto original, datilografado, está abrigado no “Acervo Erich Auerbach”, no Deutsches Literaturarchiv Marbach, e foi consultado em momentos diferentes por Leopoldo Waizbort e Patrícia Reis. A versão final desta transcrição é de Leopoldo Waizbort, responsável também por pequenas correções de ortografia e digitação. Ohne Titel [Sem título], “conférence” (“Littérature de guere”). Typoskript, 15 numerierte Seiten, ohne Datum, auf Französisch, mit Handkorrekturen. [Datilografado, 15 páginas numeradas, sem data, em francês, com correções à mão].</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
	<!--<sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
		<front-stub>
			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/0104-87752025v41e25041</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>DOCUMENT: SPECIAL ISSUE: TEXTUAL FORMS, IMAGINATION, AND HISTORICITY</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Presentation Erich Auerbach and War Literature</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-0884-8738</contrib-id>
					<name>
						<surname>REIS</surname>
						<given-names>Patricia</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1001"><sup>*</sup></xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1001">
				<label>*</label>
				<country country="BR">Brazil</country>
				<institution content-type="original">Federal Rural University of Rio de Janeiro (UFRRJ), Department of History and International Relations, Km 07, Zona Rural, BR465, Seropédica - RJ, 23890-000, Brazil sreis.patricia@yahoo.com.br</institution>
			</aff>
			<author-notes>
				<fn fn-type="edited-by">
					<label>Technical review:</label>
					<p> PhD. John D. Raimo (New York University, Department of History).</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<abstract>
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The text is an introduction to the conference “<italic>Poesie et guerre</italic>” (“Poetry and War”), by Erich Auerbach (1892-1957), likely delivered in 1941 in Turkey. It highlights and seeks to demonstrate the sensitivity with wich Auerbach’s critical reflection was attuned to the transformations of the world around him. With the conciseness typical of this kind of text, the historical relationships between poetry and war are brought to light, emphasizing the uniqueness of contemporary war literature and its inscription into Auerbach’s philological project. The reader will find a transcription of the conference in its original language, French, along with a Portuguese translation of the document in this same volume of the jornal <italic>Varia História</italic>.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<kwd>poetry</kwd>
				<kwd>war</kwd>
				<kwd>conference</kwd>
			</kwd-group>
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		<body>
			<p>Perhaps what is most haunting about a war situation is the strange feeling of an unprecedented time that, although new, prevents a free and somewhat innocent relationship that a society usually establishes with its future. War undermines an entire set of expectations that once seemed like unwavering goals but now waver in the face of the unfolding of great political events worldwide. It disrupts the seemingly stable dimensions of time, throwing a sharp spear into the past, piercing it as if demanding an account to be settled. Yet, the present of war is too fragile, so uncertain that it offers no evidence that the spear will hit its intended target. The time of war is the time of uncertainty.</p>
			<p>Today, two wars dominate the pages of newspapers and the screens of televisions, computers, and smartphones: Russia and Ukraine on one side, Israel in Gaza on the other. Beyond these conflicts, many others ignored by the media and international organizations cast the same uncertainty over the daily lives of those directly involved, as well as an immeasurable discomfort on all of us who watch helplessly. In this bleak scenario, can poetry, or literature in general, offer, if not clarity, at least a probable interpretation of its time capable of providing some parameters, some measure of understanding? How can contemporary creative writing shed light on a time marked by events that seem unprecedented – though it is always possible to find precedents somewhere – due to extreme destruction and dehumanization?</p>
			<p>It is certain that, since ancient times, the theme of war has been an important part of the poetic tradition, so this union of opposites does not surprise the attentive reader. However, despite tracing the origin of this relationship to ancient epic poetry, drawing from biblical and Greek traditions, the theme of Erich Auerbach’s (1892-1957) conference – about which we will speak below – addresses a specifically contemporary literature and war, right in the heat of its unfolding. Delivered in Turkey, likely in 1941, “Poetry and War” was part of a series of lectures included in Auerbach’s contract at the University of Istanbul. Originally written in French, his working language at the time, the text addresses pressing issues of Turkish and European society of his era and their implications for contemporary literature – thus preserving remarkable relevance.</p>
			<p>In 1935, Auerbach was forced into exile after the promulgation of the Nuremberg Race Laws, which, among other restrictions, removed individuals of Jewish blood from the German civil service. His dismissal from the University of Marburg coincided with the transfer of Leo Spitzer (1887-1960) from the University of Istanbul<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1001">1</xref></sup> – where he had been a professor of Latin Languages and Literatures and director of the School of Foreign Languages since 1933 – to a position in the Romance Philology Department at Johns Hopkins University in the United States. As expected, Spitzer’s vacancy was coveted by high-level philologists in Germany, including Auerbach, Hans Rheinfelder (1898-1971), Victor Klemperer (1881-1960), and possibly Robert Ernst Curtius (1886-1956). At first, Klemperer believed that his background as a former combatant would compensate for his Jewish ancestry, allowing him to remain in Dresden. He quickly realized his mistake and began actively seeking other job opportunities around the world: in addition to Turkey, his primary destination, Palestine and South America were also on his radar.</p>
			<p>According to the diaries he kept during the years of National Socialism, Klemperer did not take Curtius’s candidacy very seriously, as the Alsatian philologist was not a target of Nazi persecution and held a fairly secure position at the University of Bonn (Klemperer, 1999, p. 31). His intuition proved correct, and Curtius did not pursue his supposed interest in emigrating (given his controversial personality, such interest may never have been genuine). His greatest rival was, in fact, Auerbach, with whom he maintained an ambiguous attitude over the years, shifting between resentment and intellectual admiration. The reason for this initial resentment may have stemmed from Auerbach’s selection for the position in Istanbul, particularly due to the explicit support he received from Spitzer and the Italian philosopher Benedetto Croce (1866-1952):</p>
			<p><disp-quote>
				<p>He [Auerbach] had already been in Florence for a year, and Croce gave an opinion on him. (And I protested to Vossler! Supidone io!) Now Auerbach is improving his French in Geneva. And Spitzer acted in Italy, saying that the position had to go to someone who really knew French! If I settle in Geneva for a few months, I, too, can once again really know French.<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2001">2</xref></sup> (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Klemperer, 1999</xref>, p. 116).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>Evidently, this should be seen as more than mere resentment; rather, it reflects how war and life under the Nazi regime amplified fears and distorted perceptions in an uncertain present. Klemperer was never able to leave Dresden and, as a means of surviving the terror and political persecution, wrote the aforementioned diary, titled <italic>Ich will Zeugnis ablegen bis zum letzten.</italic> After overcoming his initial dissatisfaction with Auerbach’s appointment in Istanbul, Klemperer eventually acknowledged the quality of his work, especially after the publication of <italic>Mimesis</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn3001">3</xref></sup>.</p>
			<p>Upon arriving in Istanbul, Auerbach found a city experiencing a cultural boom: intellectuals, primarily from England, France, and Germany, found at the University of Istanbul a welcoming environment for thought, in the wake of the Westernization process promoted by then-President Mustafa Kemal Atatürk (1881-1953). According to Kader Konuk in <italic>East West Mimesis</italic> (2010), the hiring of European émigrés at major Turkish universities aligned with the broader argument of modernization and progress, fostering a stimulating exchange of ideas between European and Turkish philologists. Spitzer himself often organized gatherings at his apartment to discuss topics related to linguistics and Romance literature with students, assistant professors, and émigré intellectuals, such as Traugott Fuchs, Eva Buck, and Robert Anhegger (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Apter, 2003</xref>, p. 266-267). This scenario seems to contradict Auerbach’s words in the final pages of <italic>Mimesis</italic>: “[...]Moreover, the research was written during the war in Istanbul. There is no library here well-equipped for European studies.” ”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn4001">4</xref></sup> (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Auerbach, 1994</xref> [1946], p. 518).</p>
			<p>Although Konuk questioned Auerbach’s argument regarding the lack of well-equipped libraries in Istanbul, the fact remains that the philologist felt isolated and without the necessary resources to carry out his intellectual project in exile. In addition to the widely known remarks in the final pages of <italic>Mimesis</italic> and in <italic>Epilegomena</italic>, he reiterated this opinion in a letter to Oskar Seidlin (1911-1984), in which he justified his desire to leave Turkey: “[...] for Istanbul, despite many advantages, is a temporary solution for a Romance philologist.”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5001">5</xref></sup> (Auerbach an Seidlin, 19. Januar, 1946) What was the reason for such a profound sense of displacement? While scholars such as Fuchs and even Spitzer integrated themselves into the new culture, learning the language and taking on the task of building bridges between the West and Turkey, Auerbach remained a foreigner. He never learned Turkish and, despite holding important positions, including that of department director, he felt isolated and increasingly eager to leave.</p>
			<p>Perhaps the answer lies in the theoretical project that guided his humanist philology, the <italic>Neuphilologie</italic>. Practiced by both Spitzer and Curtius in distinct yet converging ways, it opposed the nationalist philology of the Weimar Republic and Nazi literary science not through a renewal in the style of avant-garde artistic movements that dominated the period, but through the idea of restoring <italic>Bildung</italic>, in an attempt to reconstruct, on renewed foundations, a notion of Europe as a cultural unity. This project was only fully developed in the final years of his career when, in the article “Philology of World Literature”, he refined and incorporated into his critical repertoire Goethe’s idea of <italic>Weltliteratur</italic>.</p>
			<p>Auerbach’s concept of world literature took an entirely different approach from nationalist perspectives. While traditional philology sought to demonstrate the superiority of the German spirit over others – especially the <italic>esprit français</italic> – through essentialist definitions and the identification of stages in Europe’s spiritual development, Auerbach’s <italic>Weltliteratur</italic> viewed national literatures not as competitors but as engaged in a process of “reciprocal fermentation.” Its goal was to create a kind of mosaic in which each piece simultaneously maintained its individual color and shape while fulfilling a specific role in composing the whole.</p>
			<p>Such a perspective, in advocating for a common literature that did not equate to crude massification, was interpreted by authors such as Edward Said<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6001">6</xref></sup> as a humanist stance. However, and this must be made clear, Auerbach did not intend to dismantle the central reference point to which local literatures should relate, but merely to reprogram its axis: from a specific nation to the unitary concept of Europe. His vision of world literature, while preserving the European continent as the collective singular from which aesthetic references and the sense of historical becoming originated, relegated certain parts of the globe – such as Turkey – to a marginal position (although he was quite impressed by a Russian author, Tolstoy, whose work he enthusiastically recommended in the lecture that follows).</p>
			<p>Despite this, the 1940s in Istanbul can be considered the most productive period of Auerbach’s career, during which he composed two of his most brilliant works, which continue to spark stimulating debates to this day: <italic>Mimesis</italic> (1946) and <italic>Figura</italic> (1938). In addition to these and other well-known texts, such as those compiled in <italic>Neue Dantestudien</italic> (1941), there is a series of lectures delivered between 1940 and 1941 that remain largely unknown to the non-specialized Western public. This highly productive phase of Auerbach’s life, which, according to his son Clemens, was marked by deep depression due to the course of the war<sup><xref ref-type="fn" rid="fn7001">7</xref></sup>, led him to reflect on two fundamental concepts for his generation. In this brief text, originally a lecture, Auerbach spoke about <italic>Poetry and War.</italic></p>
			<p>The topic is not incidental. Between 1913 and 1945, the Ottoman Empire – and later, the Republic of Turkey – faced a series of large-scale armed conflicts, including the Balkan Wars, World War I, the Armenian Genocide, the War of Independence, and World War II. For this reason, war was a deeply ingrained experience in both the memory and daily life of multiple generations of the population, and Auerbach’s audience had a clear understanding of the subject. Evidence of this can be found in the fact that some writers of the period began publishing journalistic articles on the theme of war, offering society a critical and aesthetic perspective on a particularly turbulent present.</p>
			<p>High-circulation magazines such as <italic>Yeni Mecmua</italic> and <italic>Harp</italic>, for example, published notes, sometimes anonymously, reporting on the disadvantages faced by Turkish armies, which, unlike their foreign counterparts, did not benefit from the moral reinforcement provided by poets, composers, and painters, especially during the Balkan campaign and World War I. However, a shift can be observed starting from the Turkish War of Independence in 1922. The psychological consequences of World War I were still deeply felt across various levels of society, bringing to the forefront a reflection on its effects. In this context, the propagandistic function of literature began to be questioned. What started to emerge from then on – gaining even more strength during World War II – was a literature of non-war, with a strong emphasis on the suffering and destruction it caused.</p>
			<p>In his lecture, Auerbach analyzed two types of war poetry. The first, belonging to the lyric genre, referred to a “current war,” aiming to boost soldiers’ morale, insult the enemy, celebrate victory, or plead with the gods for a successful campaign. Some of the earliest examples of this type of poetry include the Old Testament, with the triumphal song of the priestess Deborah, and the war songs of Tyrtaeus, which encouraged Spartan soldiers in their campaign in the Peloponnesus. The second type of war poetry, according to Auerbach, consisted of epic narratives recounting “a war from the past,” tracing back to <italic>The Iliad</italic> by Homer and <italic>The Aeneid</italic> by Virgil. The purpose of these epics was to shape and strengthen national sentiment in “critical moments” of a people’s history. Even though this second genre did not deal with a contemporary event, its relevance to the present was even more decisive, as the philologist states: “It is especially during critical moments in a people’s history that works of this second group, whose subject is historical rather than contemporary, attain a great current importance.”</p>
			<p>In his lecture, Auerbach traced the history of war poetry throughout Western literature in a way quite similar to the approach he developed in <italic>Mimesis</italic>. He highlighted its Judeo-Christian roots, beginning in Antiquity – where we should recall his discussion of the separation of styles as an important model in the composition of literary works – up to his own contemporary period. In modern realism, even the lowest-ranking figure, the “unknown soldier” in the trenches, was portrayed with seriousness and tragic depth. The events of World War II and the literature that emerged from it no longer glorified the “beautiful death” as the fate of the fearless hero, whose bravery challenged even the gods. Instead, they focused on the anonymous young soldier who left behind his life and hopes on some distant battlefield.</p>
			<p><disp-quote>
				<p>The cult of individual heroes, whether generals, aviators or submarine commanders, which certainly provided the subject for many books, had very little success, while the best-written, most widespread books speak directly about the people: about an ordinary infantryman in the trenches. You can see its symbol in the monuments erected everywhere to the “unknown soldier”. (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Auerbach, 1941</xref>).</p>
			</disp-quote></p>
			<p>The modest actions of everyday life<sup><xref ref-type="fn" rid="fn8001">8</xref></sup> in an unrelenting trench and what happened to the common soldier returning from battle became the favored themes of post-1945 war literature, and the way Auerbach identified this transformation in the heat of the events is truly remarkable. The lecture that follows was conceived during this debate. At that time, the author was living with his family in Bebek, a residential area far from the center and the Istanbul University. Reflecting on literature and war was a pressing issue, and despite all the isolation the philologist claimed to experience, it is certain that such concerns of Turkish society engaged him, whether through his students and colleagues at the university or simply by walking between cafés with a newspaper in hand on the banks of the Bosphorus. But certainly, his interest was distinct from that proclaimed by the press. He did not find it necessary to define whether or not there was a war literature in Turkey or if the country had a warrior vocation despite the disdain of the intellectual elites. His concern was, as demonstrated through the themes and authors he engaged with over time, notably historical.</p>
			<p>Perhaps this is a possible answer to the question I posed at the beginning of this introductory text: can literature offer an appropriate horizon of understanding in a time as uncertain as that of war? What Auerbach seems to signal in this lecture and throughout his work, armed with the philological scholarship inherited from Romanticism and Idealism, is a frequent and unwavering belief in the transformative power of historical forces and in literary language as a particular mode of intervention in the world. When diplomatic meetings become a mere protocol, and, at a more terrifying degree, when the sense of <italic>Humanität</italic> dissipates, Auerbach’s lecture reminds its readers, both from 1941 and today, who share the present of various “current wars”, of the roots of Western literary culture, far removed from the purity desired by extremist ideologies. It is a wager on the historical potential of poetry to interpret the “critical moments of history.”</p>
			<p>***</p>
			<sec>
				<title>POETRY AND WAR<xref ref-type="fn" rid="fn9001">9</xref>
				</title>
				<sec>
					<title>Erich Auerbach</title>
					<p>It seems to me that there are two types of war poetry. One which is caused by an actual war. These are, in general, short pieces of the lyric genre: prayers asking the gods for victory, songs encouraging soldiers, satirical poems denigrating and insulting the enemy, hymns celebrating the victory won and thanking celestial powers. There are many examples of all this.</p>
					<p>The oldest piece in the Judeo-Christian Bible is probably the triumphal song of the priestess Deborah for a victory won by the people of Israel over the Canaanites, the ancient inhabitants of Palestine. Among the oldest surviving monuments of Greek poetry are the elegies of Tyrtaeus (Tyrtaios), in which he encourages the Spartans in their war against the Messenians, their neighbors in the Peloponnese. He was the first, as far as we know, to express a thought that has been frequently repeated since: Beautiful is the death of a brave man falling in the front ranks, having fought for his homeland.</p>
					<p>We also find this kind of poetry among all the peoples in modern Europe, as soon as a war becomes the concern of the entire people waging it. Many things have changed since the crusade songs of the twelfth century or the hymns that were both religious and warlike during the Reformation of the sixteenth. The objective of these fights has become of no interest to us, but when reading them, we still feel the breath of enthusiasm that inspired them. And, for more modern times, I only need to remind you of the French <italic>La Marseillaise</italic>, a song of war and freedom, or the Germans’ songs in their war of liberation against Napoleon I.</p>
					<p><italic>La Marseillaise</italic> is particularly interesting for the purpose I have set for this lecture. For it is, as I just mentioned, both a song of war and of freedom, a song of the entire nation, armed against their oppressors both internally and externally; and we can clearly see that in France, as well as elsewhere in Europe, nationalism has popular roots and is intimately connected to the aspirations of the people for individual freedom, whether it be freedom of consciousness or economic freedom.</p>
					<p>Let us now move on to the second type of war poetry, which may be even more important from an artistic perspective, as it has produced far more masterpieces – works that, almost everywhere, constitute the very foundation of national literature. These works are for the most part long, not lyrical, but epic, and they do not speak of a war contemporary to the poet’s life; rather, they sing of past wars and celebrate the heroic deeds of ancestors.</p>
					<p>First, there are the great national epics such as <italic>The lliad</italic> by Homer, <italic>The Aeneid</italic> by Virgil, the German <italic>Nibelungen</italic>, the French <italic>Song of Roland</italic>, and many others. In more modern times, there are also historical tragedies such as some plays by Goethe and Schiller, and even novels. Among novels of this kind, I will mention the great work by the Russian Tolstoy, titled <italic>War and Peace</italic>; its subject is Napoleon’s campaign against Russia in 1812. In my opinion, this is one of the finest books of the nineteenth century, and I recommend that you read it if you have not yet done so. There is even a Turkish translation available.</p>
					<p>All the works of this second type are historical, as I have said; they are not about current events. However, they have all contributed (especially the ancient epics) to shaping and strengthening the national feeling. Homer’s <italic>Iliad</italic> played a great role in sustaining the Greeks’ sense of unity during critical moments in their ancient history, and the importance of <italic>Roland</italic> for the French, or <italic>El Cid</italic> for the Spaniards, has not been lesser.</p>
					<p>It is especially during critical moments in a people’s history that works of this second group, whose subject is historical rather than contemporary, can attain a great current importance. On several occasions we have seen among different peoples, Greek, French and German, that verses by an old poet, recited onstage, have struck a deep chord with spectators who discovered in them an allusion to the present situation […]. In 1871, during the siege of Paris, a lecture by Professor Gaston Paris on <italic>The Song of Roland</italic> and French nationalism contributed much to revive the spirit of heroic resistance. We can thus say that even the political importance of this second group of works, whose subjects are historical, is not inferior to that of the first.</p>
					<p>Now, during the seventeenth and eighteenth centuries, that is during the time of European absolutism, there was neither national and popular war poetry, nor works of the first group, that is, epic and historical ones – despite the fact that there were many wars during this period.</p>
					<p>There is indeed <italic>La Henriade</italic> by Voltaire, an epic poem on the wars of King Henry IV of France, but this is a cold work and not at all popular. More importantly, there are a few very popular military songs and marches from the eighteenth century, songs attaching themselves to the names of a few famous generals of the time such as Eugene of Savoy and Marlborough. I suppose many of you are familiar with “<italic>Marlborough s’en va-t-en guerre</italic>,” composed to celebrate the general Duke of Marlborough, an ancestor of Prime Minister Churchill. Well, these songs and marches do not have the gravity and fervor that characterize war poetry from other times. They sound more like dance music, and their lyrics refer not to the great political ideas of the time nor to the tragic and heroic task of national defense. Instead, their content is rather cheerful, at times a little melancholic, at times frivolous; this is not the poetry of a people fighting for its existence and freedom.</p>
					<p>What is the reason for the strange fact that two centuries filled with wars were so fruitless in this type of poetry? It is not a general poetic sterility, because in all European countries, above all in France, the seventeenth and eighteenth centuries were times of literary blossoming. This was the time of masterpieces of French classicism, the era of Racine, Molière, Boileau, La Fontaine, and their imitators in France as well as in neighboring countries.</p>
					<p>But this classical poetry was not popular poetry; it was poetry intended for certain groups of society, a poetry of extreme refinement both in content and form, inaccessible to the masses of the population at the time. And this observation shows us the path to follow in order to find the solution to the problem that interest us now: during the two centuries of absolutism in Europe, the people were, so to speak, mute; they did not take part in public life, they were only an inert mass in the hands of governments.</p>
					<p>In the Middle Ages, and again during the Renaissance of the sixteenth century, the people played an active and important role in history. Through its various organizations by estates and trades, such as the bourgeois in cities and the peasants in the countryside, it represented an integral and powerful part of public life. These were not organizations with an individual basis like in modern democracies, but at base corporative and hierarchical. Nevertheless, they were strongly active and aware of their power, all the more so as the people in many countries were the natural allies of the central power, namely of the king, in his struggle against the centrifugal forces, composed primarily of the feudal nobility.</p>
					<p>These were primarily the foundations of national unity and sentiment in France: the king and the people, allies against the feudal and particularist nobility. In these periods, it was not easy to wage a great war without arousing the interest of the people and without gaining their sympathy for the cause one wanted to defend; often, the people of the cities and the countryside took up arms themselves. But after the end of the religious wars, when absolutism had definitively attained victory, when the feudal nobility had been subdued, the king’s power became such that he no longer needed the people. The absolutist state governed through its officials, without the competition of corporations and representations of the people; wars were wars of princes, prepared, declared and led in the cabinets, and the people had no part in them except to pay the costs.</p>
					<p>The technical development of the art of warfare also contributed to eliminate the military activity of the people. Firearms, especially artillery, required professional training, which at that time could not yet be given to the entire people. Keep in mind that, even in Europe, there was neither military service nor compulsory education, and the vast majority of Europeans were illiterate. Therefore, the armies consisted of professional soldiers, mercenaries who were often not even from the country in which they served; they were people who sold their blood.</p>
					<p>Even within the officer corps, there were many people of a type which was called “soldier of fortune”; adventurers, often younger sons from noble families, without inheritance or career in their own countries, who traveled the world selling their services to belligerent princes. We find this type in a celebrated comedy of the eighteenth century, <italic>Minna von Barnhelm</italic>, by the German poet Gotthold Ephraim Lessing: it is the lieutenant Riccaut de la Marlinière, the youngest son of a French noble family, who, after having served successively in the armies of the Netherlands, the Pope, and King Frederick the Great of Prussia, now finds himself reduced to making a living through gambling.</p>
					<p>If such were the officers, then you can very well imagine what the soldiers were like. Recruiters travelled through various countries of Europe in search of young men capable of entering the service of the prince, their master. They enlisted the malcontents, the estranged from their families, the failures, the poor, the desperate, often criminals; they would sometimes win over an unfortunate young man without experience, who they got drunk before having him sign a contract that bound him for 10, 12 or even twenty years. Even minor princes, their financial resources exhausted, would sell a few thousand of their young subjects to another rich and powerful prince who needed them for his wars.</p>
					<p>You can see that wars fought with armies formed in this way could not have been popular wars, and that they were solely matters of cabinets and dynasty. In the most important and longest of these wars, the issue was deciding whether the German House of Habsburg or the French House of Bourbon would succeed to the throne of Spain, which had become vacant with the death of the deceased king without a direct heir, and whose family had family ties to both the Habsburgs and Bourbons. It was purely an issue of royal dynasties, in which neither the German nor the French people were directly interested. As for the Spanish people, their opinion was hardly asked.</p>
					<p>It might be unfair to say that the kings who waged similar wars did not think at all about their people; certainly, they believed that by increasing their power, they could gain significant political and economic advantages that would increase the wealth and well-being of their subjects. However, they had lost the habit of consulting them, they did no longer feel the need to do so, and they often misjudged their people’s ability to bear the costs and burdens of a long war. The famous example of Louis XIV shows that even a king who was intelligent, conscientious, and almost always victorious, but wanted to decide everything on his own, with no other counsel than that of ministers and officials appointed by himself, undermined the economy and political structure of his country.</p>
					<p>As for the people, it seems that, at first, they were fairly content with the state of things. The consolidation of central power, that is, the king’s power, had granted them many benefits: they felt freed from their former oppressors, the feudal barons; the organization of administration in the hands of the monarch and his bureaucracy guaranteed them internal peace and the security of their work. Exhausted from the religious conflicts, weary of the upheavals that had lasted for centuries, they relinquished their rights, renounced the ancient privileges of their corporations, and allowed themselves to be peacefully governed by their princes.</p>
					<p>It was only little by little that they began to regret this abdication of rights and to revolt against absolutism. Completely removed from any collaboration in government, suffocated by taxes, exasperated by the injustice and corruption of the bureaucracy, their peaceful submission gradually gave way to a spirit of revolt. When, in the eighteenth century, new ideas on national freedom and individual freedom were spreading, they found a profound resonance first among the French people and later among other European peoples.</p>
					<p>The French revolution of 1789 was the signal and the first phase of this change, and by overthrowing absolutism, establishing the national sovereignty of the people, and giving the same people full political responsibility, it also overturned the old constitution of the armies, changed ideas about war, and created the concept of national defense by the people. It was from this moment that the institution of compulsory service was born, closely linked to the establishment of compulsory education for all children under the care of the government.</p>
					<p>There is a people in Europe whose political development outpaced that of others by a century, or even several centuries. They are the English. For them, democracy did not begin at the end of the eighteenth century but in the seventeenth, and it was the end of an evolution that began much earlier. Almost all the institutions of modern democracy were first established in England; however, the military organization is an exception, simply because the of national defense was posed quite differently for them, thanks to their country’s geographical situation. They were able to conduct all their wars up until 1914 through their navy and volunteers, who were often colonials. Even now, they view compulsory service as an exceptional measure, necessary only in times of national danger. That is why the organization of the nation as an army may be the only major democratic institution that is not of English origin, but French.</p>
					<p>The French ideas, which soon became the world’s ideas on national defense by the entire people, originate from – if we go back to the source – the political system of a man who was perhaps the least bellicose, the most idyllic among political writers: Jean-Jacques Rousseau. He almost never speaks of war in his writings, and military glory is probably something quite distant from the ordinary framework of his ideas. Nevertheless, his conception of all men’s natural liberty, a supreme good that, as such, must be defended by all means, and which leads him to his famous theory on the nation’s sovereignty and solidarity, has as a necessary and inevitable consequence that every citizen capable of bearing arms has the duty to defend the common liberty of all members of the nation whenever that liberty is threatened.</p>
					<p>The events of the revolution, occurring ten years after Rousseau’s death, brought this hidden germ of his political system to light. When the people revolting believed itself – rightly or wrongly – to be threatened by the king’s mercenary troops when, later, neighboring kings and princes sent their armies composed of professional soldiers against France to save the king, to restore absolutism, and to destroy liberty – both national and individual – that had been expected to be forever secured, the solution which was necessarily and immediately imposed in such a dangerous situation was to arm the entire nation for its defense. And thus, the French army of 1792, this hastily formed, poorly equipped army that performed so many miracles in defense of the country and from which the Napoleonic army developed, was the first army of the organized people.</p>
					<p>This is a development of the utmost importance for the history of mankind, one whose importance surpasses the military perspective: a people, having become aware of itself, understanding the necessity of national defense by all, must also adapt to the intellectual demands that such a task requires in modern times; in order to defend itself, it must educate itself. Military service and compulsory education are intimately connected and mutually complement each other; school is the preparation for the barracks, and the barracks, in many cases, complete the intellectual education of the people, not only for military instruction but also for general education and professional preparation.</p>
					<p>Now, the French people did everything necessary to get the other peoples of continental Europe to adopt the measures of national defense that had worked so well for them. For the strength that had served them to defend themselves during the revolution, they later used, under Napoleon, to subjugate almost all of continental Europe; in doing so, they awakened the national feeling of others and obliged them to defend themselves by means of the same weapons that had defeated them. The war from 1813 to 1815, which freed Europe from Napoleonic domination, was a war of peoples, of nations in arms.</p>
					<p>When King Frederick William III of Prussia declared war on Napoleon in 1813, he simultaneously issued a proclamation “To my people.” This title, which now seems so natural for such a situation, was at the time something new and unheard of; it clearly shows the profound change that had occurred since the period of cabinet wars, in which the people played no active part, and which kings waged without asking the consent of their subjects.</p>
					<p>Since the time of the French revolution and Napoleon I, the idea of national defense and compulsory service has firmly rooted itself within all European peoples and many others. This did not happen without struggles. Different political parties seized on the issue, sometimes wanting to abolish the institution of compulsory service or use it for goals far removed from its democratic and popular origin. It is not our task to recount the history of these political struggles, which could not halt its development: the idea of the armed nation remained, to this day, the foundation of modern warfare.</p>
					<p>It goes without saying that such a change has had a profound impact on literature. Nineteenth-century war literature is the literature of the people in combat. It is true that it did not become this way overnight. Many poets hesitated in the face of the horrors of the French revolution, and upon witnessing such an uprising by the entire mass of the people, they felt a certain antipathy; they feared the destruction of all civilization, of all moral and aesthetic values, by the tyranny of unchained masses.</p>
					<p>Goethe, who in his early youth, in writing his tragedy <italic>Goetz von Berlichingen</italic>, had strongly supported the cause of liberty and of the people, contemplated with a painful astonishment, even with disgust, the spectacle unfolding in France after 1789. He took part in the war that the German princes began in 1792 against revolutionary France, and his report on this campaign, while very realistic and far removed from any fanatism, shows no sympathy for the revolutionary movement.</p>
					<p>However, when on the evening of the cannonade at Valmy, on account of which the troops of the German princes were forced to retreat before the French revolutionary army, his concerned friends asked for his opinion, he replied: today a new era of history begins, and you can say that you have attended its birth. This sentence shows his perspicacity; he did not share the hope of most of his comrades in arms that the movement of the people could be stopped. However, he did not have much sympathy for this movement, whose victory he foresaw, and even in his later years – he lived until 1832 – he maintained a very reserved attitude toward anything that resembled popular movements.</p>
					<p>The other great classical poet of the Germans, Schiller, ten years younger than Goethe, and his close friend, never completely abandoned the revolutionary idealism that inspired the tragedies from his youth. One of his last tragedies, and perhaps his most popular one, is “Wilhelm Tell” whose subject is the conspiracy of Swiss cantons against the foreign domination of the Habsburgs at the beginning of the fourteenth century. Schiller was inspired to it by a popular legend which had transformed into a spontaneous movement, into a dramatic uprising of the all the people what had been a slow evolution in historical reality. And the ideas of liberty expressed by the characters in his tragedy are rather those of his time than those of the fourteenth century. The success of his play was all the more resounding, and although Schiller was not Swiss by birth and had never even seen Switzerland, his tragedy became the national poem of the Helvetic Confederation.</p>
					<p>In France, war literature in the first half of the nineteenth century is connected above all to the person and legend of Napoleon I. Napoleon, after his fall and death, gradually became a popular myth and a symbol of the people’s nationalism; this development can be traced through some authors such as Paul-Louis Courier and Stendhal, both of whom had served in the emperor’s armies, and whose literary careers only began after his fall.</p>
					<p>During his reign, neither Courier nor Stendhal had much sympathy for the emperor and, like many of their contemporaries, they saw Napoleon as more of a destroyer than a continuer of the Revolution. But after his fall, when the reactionary and a somewhat petty Bourbon government had fallen from the people’s favor, the memory of the grandeur of his ideas and the glory he had brought to France erased the memory of the suffering endured under him; he was no longer the tyrant, but became the national hero who had led the people in arms, victory after victory, in the war against the reactionary spirit of foreign princes and emigrated aristocrats.</p>
					<p>It is above all among the young of that generation who had courage and imagination that the memory of the emperor exerted an extraordinary fascination. It is by following this current, more or less consciously, that Courier and Stendhal wrote almost enthusiastic pages about him – pages they almost certainly would not have conceived while he was reigning. Others, who did not share their personal memories, surpassed them greatly in their admiration for Napoleon; the most well-known among them was Béranger, an ultraliberal popular poet devoted to the memory of the emperor—essentially quite mediocre, he had an enormous influence on his contemporaries because he had the talent of expressing the general feeling with easy and striking rhythms.</p>
					<p>Towards the middle of the nineteenth century, the popular and democratic nationalism, which involves the idea of the nation in arms, made great progress throughout Europe. In France, Victory Hugo, leader of the Romantic movement who had initially been conservative in politics, increasingly turned toward an enthusiastic and almost mystical democracy. In <italic>Les Châtiments</italic>, <italic>La Légende des siècles</italic>, and later in <italic>L’Année terrible</italic>, he celebrated the heroism of the peoples fighting for their freedom with all the ardor of his genius. The historians of the Romantic generation, such as Michelet, adopted the same attitude.</p>
					<p>In Germany, the democratic group called the “Young Germany,” which played a crucial role in the revolution of 1848 and who greatly contributed to preparing for the German unification achieved in 1871, lauded both democracy and patriotism in equal measure. In Italy, the movement for the unification of the country was born from revolutionary ideas and had a profound influence on literature. Even in Switzerland, the idea of the armed nation was inseparable from democratic ideas; those who have read the works of Gottfried Keller, especially <italic>The Flag of the Seven Upright</italic> (Das Fähnlein der sieben Aufrechten), can appreciate this mindset.</p>
					<p>There are only two European countries that stand out as exceptions, where the atmosphere of militant democratic patriotism of the nineteenth century is hardly known: one of them is England, the most democratic; the other, Russia, at that time the most despotic among European nations. England, where democracy was firmly established and had put on a traditionalist character, and whose geographical position provided a safeguard against invasion, almost never exalted military patriotism. The cult of bravery in war played only a secondary role in the literature of the nineteenth century.</p>
					<p>Thackeray’s celebrated novel <italic>Vanity Fair</italic>, which relates to historical events surrounding the Battle of Waterloo, offers a strongly significant example of this. The major historical events are merely a framework through which individual moral dilemmas and sociological critiques are explored. There are only a few rare allusions to the heroism exhibited by the English during the Napoleonic Wars, and within one of his main characters, Thackeray resolutely shows how a man with brilliant bravery can simultaneously possess a vain and weak character.</p>
					<p>When it came to Russia, the case was quite the opposite. During the nineteenth century, its people were largely untouched by democratic ideas, and their nationalism was based more on an immediate and instinctive feeling, on their love of the native soil. In Tolstoy’s novel <italic>War and Peace</italic>, which I have cited in the beginning of my lecture, and which exactly like <italic>Vanity Fair</italic> depicts the final phase of the Napoleonic era (we cannot even imagine greater contrasts), it is the soil itself of Holy Russia which seems to rise up against the invader, the men seem to only act under its impulsion, and their leader, General Kutuzov, a simple, calm, and patient yet tenacious old man, appears as a symbol of the genius of his land and race.</p>
					<p>During the long period of peace that lasted from 1871 to 1914, it seemed that war literature lost all its importance. What largely dominated was an extremely refined lyricism on the one hand and, on the other, the problems of psychology and sociology dominating everywhere. I spent my youth during the last years of this period, and I believe I can assure that, despite the diplomatic complications, despite many discussions on an eventual war, not many people believed practically and seriously in the possibility of a European war.</p>
					<p>With its outburst in 1914, we were taken off guard. The literature only followed slowly. Except for some pieces written by order or inspired by passing passions, almost all of them mediocre, the literature of the war from 1914 to 1918 was a literature written after the war, a post-war literature. It is vast, this literature; I only know some specimens of it, and it must also be added that we can judge it very differently, according to the perspective of the one who judges. I only can give you my impressions.</p>
					<p>What dominates in these war books is always the people in arms; it dominates more than ever. The cult of individual heroes, whether generals, aviators or submarine commanders, which certainly provided the subject for many books, had very little success, while the best-written, most widespread books speak directly about the people: about an ordinary infantryman in the trenches. You can see its symbol in the monuments erected everywhere to the “unknown soldier”. Thus, it is always the people in arms who dominates, as in the nineteenth century.</p>
					<p>But the overall emphasis or tone has changed. There is much more talk about the suffering of war than of acts of heroism, and of the grand goals being pursued. There is talk of the misery, the mud in the trenches, the hunger endured. And why all this? We wish to live and work in freedom, raise our children, and give them a future that our civilization would allow if everyone were reasonable. And the man in the opposing trench, adjusting his machine gun to kill me, does he not have the same ideas as I? Must we kill each other for that? That’s it; this seems to me to be the general sentiment in post-war Europe; there is the spirit of most of the books that speak of the Great War.</p>
					<p>And it is easy to understand that all the peoples were horrified of a new war, that many governments hesitated for a long time to consider such a possibility and even prepare for it vigorously. But despite this state of mind, the new war broke out, it is still spreading, and it is possible that it will surpass the first, not only in its extent but also by the significance of the changes that will occur in the lives of people on Earth as a result. It is premature to speak of the literature of this war; but we can already make some observations on the role of the people, and it is with these observations that I want to conclude my lecture.</p>
					<p>War has become more than ever the concern of the entire people. In order to conduct and prepare for it, the entire population must be organized; in industry, agriculture, air defense measures, transportation – every inhabitant, even women and children, is forced to adapt both actively and passively to conditions very different from everyday life, imposed by war. Although the number of combatants in the strict sense is relatively small in the current phase, no one in the belligerent countries can live as they had the habitude of doing.</p>
					<p>It follows that success depends on the ability of the rulers to organize on the one hand and, on the other hand, to a very large extent, on the spirit, on the morale of the people. I would even say that the first factor, organization, largely depends on the second, the morale of the people. We have seen that a people determined to defend itself at all costs is not easily defeated, even if it is outnumbered and in a very difficult situation. One cannot wage war without the support of the entire people, and it is hard to lose it as long as the people maintain their courage and composure.</p>
				</sec>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn1001">
					<label>1</label>
					<p> Spitzer arrived in Istanbul through the efforts of the Swiss educator Albert Malche (1876-1956), who was hired by the government of Mustafa Kemal Atatürk (president from 1923 to 1938) to carry out a university reform aimed at overcoming the imperial past and establishing the institution as “cosmopolitan” (i.e., Westernized). Mass dismissals took place to allow professors, primarily from Germany but also from other European nations, to take up academic positions. Spitzer was one of the émigrés recruited by Malche in collaboration with the <italic>Notgemeinschaft deutscher Wissenschaftler im Ausland</italic> (Emergency Association of German Scholars Abroad), and his task was to establish a department of philological studies, teaching in various European languages. (Ver: <xref ref-type="bibr" rid="B9">Green, 1983</xref>, p. 105).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn2001">
					<label>2</label>
					<p> Author’s free translation: “Er [Auerbach] saß schon ein Jahr in Florenz, und Croce gab ein Gutachten über ihn ab. (Und ich habe mich protestierend an Vossler gewandt! Supidone io!) Jetzt frischt Auerbach sein Französisch in Genf auf. Und Spitzer hat in Italien operiert, der Posten müsse an einen Mann, der wirklich Französisch könne! Wenn ich mich für ein paar Monate nach Genf setze, kann ich auch wieder “wirklich Französisch”.”</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn3001">
					<label>3</label>
					<p> To mention just one compelling example, Klemperer wrote a highly favorable review of the book. See: Klemperer (1948, p. 863–868).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn4001">
					<label>4</label>
					<p> Author’s free translation: “[...] Dazu kommt noch, dass die Untersuchung während des Krieges in Istanbul geschrieben wurde. Hier gibt es keine für europäische Studien gut ausgestattete Bibliothek […];”</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn5001">
					<label>5</label>
					<p> Author’s free translation: “[...] denn Istanbul, trotz vieler Vorzüge, ist für einen Romanisten ein Provisorium.”</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn6001">
					<label>6</label>
					<p> See Said’s Introduction to Mimesis, in the 2003 American anniversary edition.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn7001">
					<label>7</label>
					<p> See (A. <xref ref-type="bibr" rid="B11">Jørgensen, 1996</xref>) and the article by Leopoldo Waizbort (2025) published in this dossier by <italic>Varia Historia.</italic></p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn8001">
					<label>8</label>
					<p> On the discussion of everyday life in Auerbach, see: <xref ref-type="bibr" rid="B10">Gumbrecht (2002</xref>, p. 152-174); see: <xref ref-type="bibr" rid="B15">Reis (2023</xref>, p. 487-504).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn9001">
					<label>9</label>
					<p> Typewritten conference in French, without a title or date, housed in Erich Auerbach’s collection at the Deutsches Literaturarchiv Marbach. It was originally delivered to the students of the French literature chair at the University of Istanbul between the years 1940 and 1941. The present translation was made directly from the original. The original typewritten text was consulted at different times by Leopoldo Waizbort and Patrícia Reis. The final version of this transcription was prepared by Leopoldo Waizbort, who was also responsible for minor spelling and typing corrections. [Note from the dossier editors]</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other">
					<label>Translated by</label>
					<p> Cecilia Sá Cavalcante Schuback. (Doctoral student in Aesthetics Research at Södertörn University)</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>-->
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