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				<journal-title>História, Ciências, Saúde-Manguinhos</journal-title>
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					<subject>APRESENTAÇÃO</subject>
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				<article-title>Parto e nascimento: saberes, reflexões e diferentes perspectivas</article-title>
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					<trans-title>Labor and birth: knowledge, reflection, and different perspectives</trans-title>
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				<label>4</label>
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				<institution content-type="original">Pós-doutoranda, Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Rio de Janeiro – RJ – Brasil marinanucci@gmail.com</institution>
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				<season>Oct-Dec</season>
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		<p>Este dossiê coloca em foco o processo de medicalização do parto e suas consequências. A partir das últimas décadas do século XIX, o parto ingressou no âmbito da medicina e, aos poucos, foi se transformando em um evento completamente medicalizado. Esse processo histórico se ampliou fortemente no decorrer do século XX, em diversas regiões do globo, trazendo consigo importantes vantagens relacionadas, principalmente, à diminuição dos índices de mortalidade materna e neonatal. No entanto, a intensificação da medicalização dos nascimentos também aponta para problemas, à medida que a excessiva tecnologização tem gerado críticas e insatisfações principalmente no que concerne às consequências clínicas, físicas e emocionais do excesso de intervenções.</p>
		<p>No Brasil, desde o final do século XIX, quando a medicina deu início à escalada de medicalização dos nascimentos, um dos principais problemas relacionados ao parto se inscreveu nos diferentes tipos de cuidados ministrados às gestantes pobres e às mais abastadas. As primeiras, na maior parte das vezes, tiveram pouco acesso a cuidados médicos e hospitalares; as últimas tinham seus filhos no conforto de suas casas com médicos e serviçais, a quem era confiado o cuidado. Tal problema persiste até os dias de hoje, apesar da descomunal ampliação do acesso aos serviços médicos e das políticas públicas direcionadas a garantir às mulheres direitos reprodutivos e cuidados humanizados.</p>
		<p>A medicalização também se traduziu em tensões e controvérsias no que tange às técnicas e tecnologias que aos poucos passaram a fazer parte da cena do parto. O uso inadequado ou desnecessário de diversos procedimentos cada vez mais é discutido por profissionais de saúde e mulheres na busca de um equilíbrio na utilização de intervenções e tecnologias no processo de nascimento. A cesariana é o maior exemplo desse problema. Desde 2013, mais da metade dos nascimentos no país foram feitos por meio dessa cirurgia. Embora a Organização Mundial de Saúde postule que a cesárea deva ser empregada em índices entre 10 e 15% da totalidade dos nascimentos (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Betrán et al., 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">WHO, 2018</xref>), a espantosa incidência da cirurgia no Brasil tem inquietado diversos setores da sociedade, gerando múltiplos posicionamentos entre atores de diferentes campos profissionais e de usuários do sistema de saúde.</p>
		<p>Não só a cesariana tem se mostrado como problema em relação ao parto medicalizado. O excesso de intervenções, tão criticado por diversos grupos de mulheres, é a contraface da falta de assistência adequada às mulheres mais pobres. Se as mulheres de classe média discutem a forma mais confortável ou “humanizada” de terem suas crianças, as mais pobres muitas vezes ainda têm dificuldades de acesso a analgésicos e anestésicos que diminuiriam seu sofrimento na hora de parir.</p>
		<p>A organização do sistema de saúde, das práticas profissionais e dos movimentos sociais, bem como a forma de incorporação de tecnologias médicas pelos sujeitos são algumas das dimensões do processo de medicalização do parto no Brasil. Essa complexidade requisita olhares de diferentes disciplinas e metodologias para explorar a questão. Tais aspectos vêm sendo cobertos por diferentes estudos direcionados às práticas de parto, aos usos e abusos da cesariana, às questões referentes à escolha da via de parto e à violência obstétrica. Entre elas destaca-se a pesquisa “Nascer no Brasil: inquérito nacional sobre parto e nascimento”, realizada pela Fiocruz, com o objetivo de conhecer os determinantes, a magnitude e os efeitos das intervenções obstétricas no parto.<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup> O estudo trouxe à luz o complexo quadro de iniquidades relacionadas à medicalização do parto no Brasil, sendo crucial para a reflexão sobre as transformações nas práticas de parto e sobre a utilização cada vez mais intensa de intervenções.</p>
		<p>Compartilhando as inquietações acima observadas, e buscando se integrar ao esforço de trazer novas perspectivas para a questão do parto e de seu processo de medicalização,<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup> o grupo interdisciplinar de pesquisadores do projeto Medicalização dos Nascimentos no Brasil (COC/Fiocruz) lançou a chamada para os artigos que compõem este número especial. Agradecemos aos autores que responderam e compartilham conosco o objetivo de subsidiar reflexões múltiplas sobre o assunto.</p>
		<p>No mesmo esforço de reunir variadas perspectivas sobre a temática, realizamos, nos dias 22 e 23 de outubro de 2018, no auditório do Museu da Vida (Fiocruz, Rio de Janeiro), o seminário internacional “Medicalização do Parto”. O seminário contou com a participação de pesquisadoras de diferentes cidades do Brasil e do mundo e com a presença de diferentes profissionais da assistência e representantes de movimentos de mulheres, que debateram a situação atual da assistência ao parto no Brasil. Em breve os temas discutidos no seminário serão organizados na forma de livro.</p>
		<p>Para relembrar a historiadora Maria Lúcia Mott – homenageada em nosso dossiê –, “o nascimento não se restringe a um ato fisiológico, mas testemunha por uma sociedade, naquilo que ela tem de melhor e de pior” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Mott, 2002</xref>, p.399). A medicalização dos partos, dos nascimentos e da vida é parte da nossa sociedade, e olhar para essas questões é uma das formas de transformá-la.</p>
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			<title>REFERÊNCIAS</title>
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				<mixed-citation>BETRAN, Ana Pilar et al. What is the optimal rate of caesarean section at population level? A systematic review of ecologic studies. <italic>Reproductive Health</italic>, v.12. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://reproductive-health-journal.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12978-015-0043-6&gt;">http://reproductive-health-journal.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12978-015-0043-6&gt;</ext-link>. Acesso em: 19 nov. 2018. 2015.</mixed-citation>
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							<given-names>Ana Pilar</given-names>
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						<etal>et al</etal>
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					<article-title>What is the optimal rate of caesarean section at population level? A systematic review of ecologic studies</article-title>
					<source>Reproductive Health</source>
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					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 19 nov. 2018</date-in-citation>
					<year>2015</year>
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				<mixed-citation>MOTT, Maria Lucia. Parto. <italic>Revista Estudos Feministas</italic>, n.2, p.399-401. 2002.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>WHO. World Health Organization. <italic>WHO recommendations</italic>: intrapartum care for a positive childbirth experience. Geneva: World Health Organization. 2018.</mixed-citation>
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						<collab>WHO. World Health Organization</collab>
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					<source>WHO recommendations: intrapartum care for a positive childbirth experience</source>
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			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> Ver &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www6.ensp.fiocruz.br/nascerbrasil/&gt;">http://www6.ensp.fiocruz.br/nascerbrasil/&gt;</ext-link>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p> Outros periódicos dedicaram números especiais ou dossiês à temática do parto, entre eles <italic>Civitas: Revista de Ciências Sociais</italic> (v.15, n.2, 2015; disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/civitas/issue/view/974">http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/civitas/issue/view/974</ext-link>&gt;) e <italic>Revista Estudos Feministas</italic> (v.10, n.2, 2002; disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/issue/view/318/showToc">https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/issue/view/318/showToc</ext-link>&gt;). <italic>Darwin et l’après-Darwin</italic>. Paris: Kimé. 1992.</p>
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					<subject>PRESENTATION</subject>
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				<article-title>Labor and birth: knowledge, reflection, and different perspectives</article-title>
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			<p>This dossier focuses on the process of medicalizing childbirth and its consequences. Starting in the final decades of the nineteenth century, childbirth had been included in the range of medicine, gradually becoming a completely medicalized event. This historic process expanded vigorously in various regions of the world during the twentieth century and yielded significant advantages, principally with relation to declining rates of maternal and neonatal mortality. However, intensified medicalization of birth also indicates problems, to the extent that excessive technologization has led to criticism and dissatisfaction, mainly with regards to the clinical, physical, and emotional consequences of excessive interventions.</p>
			<p>In Brazil, since the late nineteenth century, when medicine began to intensify the medicalization of childbirth, one of the main problems has been the different types of care administered to poor and more affluent women. In most cases, the former had little access to medical and hospital care, while the latter had their babies in the comfort of their own homes with doctors and servants who were entrusted with their care. This problem persists to the present day, despite the formidable expansion of access to medical services and public policies intended to guarantee reproductive rights and humanized care for women.</p>
			<p>Medicalization has also been reflected in tensions and controversies regarding the techniques and technologies that gradually came to comprise the scene of childbirth. The inappropriate or unnecessary use of various procedures is increasingly discussed by health professionals and women in the search for balanced use of interventions and technologies in the birthing process. The cesarean section is the most significant example of this problem. Since 2013, more than half of all births in Brazil involved this surgery. Although the World Health Organization states that cesarean section should be used at a rate of 10–15% of all live births (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Betrán et al., 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">WHO, 2018),</xref> the remarkable incidence of this procedure in Brazil has unsettled various sectors of society, generating a range of positions between actors from different professional fields and health system users.</p>
			<p>The cesarean is not the only problem that has been seen in relation to medicalized childbirth; the excessive number of interventions so criticized by various groups of women contrasts with a lack of adequate assistance for poorer women. While middle-class women debate the most comfortable or “humanized” way of having their babies, poorer women often still have difficulties accessing pain relief and anesthetics to lessen their suffering during labor.</p>
			<p>The organization of the health system, of professional practices and of social movements, as well as the way individuals incorporate medical technologies are some of the dimensions of the process of medicalization of childbirth in Brazil. This complexity requires perspectives from different disciplines and methodologies to explore the issue. These aspects have been covered by various studies addressing birth practices, the use and abuse of cesarean section, topics related to the choice of delivery route, and obstetric violence. Noteworthy among these studies is “Nascer no Brasil: inquérito nacional sobre parto e nascimento” [“Born in Brazil: a national survey of labor and birth”], which was conducted by Fiocruz to understand the determinants, magnitude, and effects of obstetric interventions in childbirth.<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1001">1</xref></sup> This study revealed the complex framework of iniquities related to the medicalization of childbirth in Brazil, and is crucial to reflection on transformations in childbirth practices and the increasingly intensive use of interventions.</p>
			<p>By sharing the aforementioned concerns, and in order to join efforts to bring new perspectives to the issue of birth and its process of medicalization,<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2001">2</xref></sup> an interdisciplinary group of researchers involved in the Medicalization of Childbirth in Brazil Project (COC/Fiocruz) made a call for articles to be part of this special edition. We would like to thank the authors who responded and who share our goal to provide a foundation for a variety of reflections on this subject.</p>
			<p>As a part of this same effort to bring together different perspectives on this issue, an international seminar entitled “Medicalization of Childbirth” was held on October 22–23, 2018, at the Museum of Life auditorium (Fiocruz, Rio de Janeiro). This event featured the participation of researchers from around Brazil and around the world, including different health care professionals and representatives of women’s movements, to discuss the current situation of childbirth assistance in Brazil. The topics discussed during this seminar will soon be organized into a book.</p>
			<p>To recall the historian Maria Lúcia Mott, who is honored in our dossier, “childbirth is not only a physiological act, but bears witness to a society, its best and its worst” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Mott, 2002</xref>, p. 399). The medicalization of labor, childbirth, and life is part of our society, and looking at these issues is one way of transforming it.</p>
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			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn1001">
					<label>1</label>
					<p> See &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www6.ensp.fiocruz.br/nascerbrasil/&gt;">http://www6.ensp.fiocruz.br/nascerbrasil/&gt;</ext-link>.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn2001">
					<label>2</label>
					<p> Other journals which have devoted special issues or thematic dossiers to the topic of childbirth include <italic>Civitas: Revista de Ciências Sociais</italic> (v.15, n.2, 2015; available at: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/civitas/issue/view/974">http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/civitas/issue/view/974</ext-link>&gt;) and <italic>Revista Estudos Feministas</italic> (v.10, n.2, 2002; available at: &lt; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/issue/view/318/showToc">https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/issue/view/318/showToc</ext-link>&gt;).</p>
				</fn>
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