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      <journal-id journal-id-type="nlm-ta">Vigilância Sanitária em Debate</journal-id>
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        <journal-title>Vigilância Sanitária em Debate</journal-title>
        
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        <publisher-name>INCQS-FIOCRUZ</publisher-name>
        
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      <article-id pub-id-type="publisher-id">00002</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.22239/2317-269X.01425</article-id>
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          <subject>DEBATE</subject>
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        <article-title>Desafios e perspectivas na vigilância sanitária pós-comercialização/uso</article-title>
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          <trans-title>Challenges and perspectives in surveillance of post-marketing/use</trans-title>
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      <surname>Martins</surname>
      <given-names>Mary Anne Fontenele</given-names>
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      <sup>*</sup>
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      <email>mary.martins@anvisa.gov.br</email>
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      <surname>Teixeira</surname>
      <given-names>Ana Paula Coelho Penna</given-names>
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  <institution content-type="orgname">Agência Nacional de Vigilância Sanitária</institution>
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    <named-content content-type="state">DF</named-content>
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  <country country="BR">Brasil</country>
  <institution content-type="original">Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Brasília, DF, Brasil</institution>
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<author-notes>
        <corresp id="c01"> <label>*</label> E-mail: <email>mary.martins@anvisa.gov.br</email> </corresp>
        <fn fn-type="conflict">
	<p>Conflito de Interesse</p>
	<p>Os autores informam não haver qualquer potencial conflito de interesse com pares e instituições, políticos ou financeiros deste estudo.</p></fn>
      </author-notes>
                <!--pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
      <day>12</day>
      <month>03</month>
      <year>2021</year>
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  <pub-date pub-type="epub-ppub">
        <season>Oct-Dec</season>
        <year>2019</year>
      </pub-date>
      <volume>7</volume>
      <issue>4</issue>
      <fpage>3</fpage>
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      <history><date date-type="received"><day>14</day><month>11</month><year>2019</year></date><date date-type="accepted"><day>19</day><month>11</month><year>2019</year></date></history>
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This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.
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      <abstract>
        <title>RESUMO</title>
        <p>Trata-se de um ensaio que busca refletir sobre os desafios e as perspectivas para a vigilância pós-comercialização/uso (Vigipós) no Brasil. Com base numa revisão não sistemática da literatura, são apontados alguns desafios como: 1) necessidade de revisão do modelo de gestão do risco na pós-comercialização/uso; 2) fortalecimento do trabalho da Rede Sentinela; 3) análise sistêmica das notificações e integração entre os sistemas de informação; e 4) implantação efetiva do sistema de rastreabilidade de produtos. Apenas alguns desafios foram colocados em debate, sabendo que muitos outros existem para ampliação e aperfeiçoamento da Vigipós, considerando a dinamicidade e a globalização das relações de produção-consumo no que se conhece por sociedade de risco.</p>
      </abstract>
      <trans-abstract xml:lang="en">
        <title>ABSTRACT</title>
        <p>This essay aims to discuss the challenges and perspectives posed for the post-marketing surveillance in Brazil. Based on a non-systematic literature review, some challenges are pointed out, such as: 1) the need to review the post-marketing/use risk management model; 2) the strengthening of work in the Sentinel Network; 3) the systemic analysis of notifications and integration between the information systems and 4) the effective implementation of the product traceability system. Only a few challenges have been brought into the debate, knowing that many others exist for the expansion and improvement of the post-marketing surveillance, considering the dynamics and globalization of the relations of production and consumption in the risk society.</p>
      </trans-abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt">
        <kwd>Vigilância Sanitária</kwd>
        <kwd>Risco Sanitário</kwd>
        <kwd>Vigilância de Produtos Comercializados</kwd>
        <kwd>Gestão de Riscos e Efeitos Adversos</kwd>
      </kwd-group>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Health Surveillance</kwd>
        <kwd>Health Risk</kwd>
        <kwd>Surveillance of Post-markting Products</kwd>
        <kwd>Risk Management and Adverse Effects</kwd>
      </kwd-group>
      <counts>
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        <equation-count count="0"/>
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<sec sec-type="intro"><title>INTRODUÇÃO</title>
	<p>A sociedade contemporânea é caracterizada pelo hiperconsumo de tecnologias, incluindo as de saúde, o que favorece o surgimento de novas necessidades. Dessa forma, é bastante desafiador, nesse ampliado contexto, o manejo dos riscos inerentes às novas tecnologias. A partir das observações feitas no campo das ciências biomédicas e epidemiológicas e do desenvolvimento de tecnologias inovadoras, verifica-se que a vida em sociedade está cada vez mais complexa e repleta de novos elementos de insegurança<sup><xref rid="B1" ref-type="bibr">1</xref></sup>.</p>
	<p>Para melhor compreender esta perspectiva, é importante trazer a reflexão sobre a teoria da sociedade do risco elaborada pelo sociólogo alemão Ulrich Beck<sup><xref rid="B2" ref-type="bibr">2</xref></sup>. Segundo Beck, a sociedade contemporânea está passando por profundas transformações, permeada por riscos sociais, políticos, econômicos e industriais que tomam proporções cada vez maiores e que extrapolam as fronteiras nacionais. A sociedade do risco vive em meio às consequências do desenvolvimento científico e industrial, imersa num conjunto de riscos que não podem ser contidos espacial ou temporalmente, coexistindo tanto no plano visível e invisível, sendo muitos deles “fabricados” institucionalmente, pela ciência, pelo mercado, pelo governo, entre outros<sup><xref rid="B3" ref-type="bibr">3</xref></sup>.</p>
	<p>Destaca-se que os comportamentos e as atitudes, individuais e coletivas, são fundamentais para a proteção da saúde e redução dos riscos, aos quais todos estão submetidos. No entanto, é função e dever do Estado adotar medidas estratégicas para intervir ou evitar os riscos de doenças e outros agravos à saúde da população, bem como nas relações de produção-consumo de produtos e tecnologias em saúde<sup><xref rid="B4" ref-type="bibr">4</xref></sup>.</p>
	<p>A noção de segurança sanitária referente ao complexo risco/benefício no âmbito das relações produção-consumo de produtos está vinculada diretamente a estratégias de controle dos riscos, considerando a preocupação com o domínio da técnica e dos instrumentos de trabalho necessários à intervenção, com vistas à proteção e promoção da saúde<sup><xref rid="B5" ref-type="bibr">5</xref></sup>. Pode-se citar como exemplos: a biotecnologia, os medicamentos personalizados, a impressão 3D de órgãos, os biomarcadores, os robôs que realizam cirurgias e a ciência da informação para melhoria do sistema de decisões da regulação.</p>
	<p>A segurança sanitária assume diversos sentidos no contexto de uso e da diversidade de objetos da vigilância sanitária, sendo um grande desafio para saúde pública a gestão do risco na produção-consumo de tecnologias, frente aos problemas de saúde na sociedade do risco<sup><xref rid="B5" ref-type="bibr">5</xref></sup>. “Em geral, o progresso tecnológico impõe a necessidade de uma vigilância cada vez maior, profissionais mais qualificados e experientes, estruturas mais aparelhadas e sistemas de controle mais complexos”<sup><xref rid="B6" ref-type="bibr">6</xref></sup>.</p>
	<p>Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os eventos adversos (EA) são incidentes que resultam em danos não intencionais, consequência direta dos cuidados de saúde e não relacionados a evolução natural da doença. Acrescenta-se a essa concepção, que, no exercício das atividades da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o EA é considerado um efeito inesperado ou indesejável que compromete a segurança sanitária do cidadão/paciente. Enquanto a queixa técnica (QT) refere-se a qualquer suspeita de alteração/irregularidade de um produto/empresa<sup><xref rid="B7" ref-type="bibr">7</xref></sup>.</p>
	<p>Neste debate, adota-se o conceito ampliado da vigilância pós-comercialização/uso (Vigipós), compreendida como o conjunto integrado e sistemático de todas as ações da vigilância sanitária para acompanhar a segurança de produtos utilizados pela sociedade, monitorando, avaliando, investigando, fiscalizando e comunicando os riscos decorrentes do consumo e do uso desses produtos<sup><xref rid="B8" ref-type="bibr">8</xref></sup>. Importa esclarecer que estão incluídas na abrangência deste conceito, tanto as ações de monitoramento e fiscalização voltadas para os EA, como para as QT de todos produtos – objetos da vigilância sanitária entre eles: medicamentos, cosméticos, produtos para saúde, saneantes e alimentos.</p>
	<p>Destaca-se como marco da vigilância pós-comercialização a publicação da Portaria/GM/MS nº 1.660, de 22 de julho de 2009<sup><xref rid="B9" ref-type="bibr">9</xref></sup>, que institucionalizou o Sistema de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária no âmbito do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e foi considerada um passo importante no fortalecimento dessas ações, para além do aspecto conceitual. Esse ato normativo estabeleceu as diretrizes do sistema de vigilância de EA e QT de produtos na pós-comercialização/uso, com gestão compartilhada entre o Ministério da Saúde, a Anvisa, as secretarias estaduais de saúde e as secretarias municipais de saúde. Compõem o campo de atuação da Vigipós: biovigilância, cosmetovigilância, farmacovigilância, hemovigilância, nutrivigilância, tecnovigilância e vigilância de saneantes.</p>
	<p>Para se ter uma noção de volume de dados, no período de 2012 a 2017, foram registradas 274.071 notificações, entre EA e QT no Sistema de Notificações para Vigilância Sanitária (Notivisa), havendo aumento significativo de 58% (n = 20.126) no intervalo de seis anos<sup><xref rid="B10" ref-type="bibr">10</xref></sup>.</p>
	<p>Desde sua institucionalização, a Vigipós obteve grandes avanços, como: o marco regulatório; o desenvolvimento e a implantação de um sistema de informação oficial, como o Notivisa; o estabelecimento de práticas voltadas ao monitoramento e fiscalização; a formação continuada dos profissionais da Rede Sentinela e a qualificação dos gestores de risco nos hospitais. De outro lado, estudos apontam dificuldades relacionadas à complexidade do sistema de informação, subnotificação, problemas na qualidade dos dados, vieses de notificação e de relatórios com informações incompletas sobre o produto, a empresa ou o paciente<sup><xref rid="B11" ref-type="bibr">11</xref>,<xref rid="B12" ref-type="bibr">12</xref>,<xref rid="B13" ref-type="bibr">13</xref></sup>.</p>
	<p>Diante deste cenário, o propósito deste debate é refletir sobre os desafios e as perspectivas para a vigilância pós-comercialização/uso no Brasil.</p>
<sec><title>Quais desafios e perspectivas?</title>
	<p>Com base numa revisão não sistemática da literatura, pode-se apontar alguns subsídios que proporcionam o debate sobre os desafios e as perspectivas para o fortalecimento da vigilância pós-comercialização/uso no Brasil.</p>
</sec><sec><title>Modelo de gestão do risco no pós-comercialização/uso</title>
	<p>Alguns autores defendem que é preciso rever o modelo reativo de atuação da vigilância pós-comercialização/uso, ou seja, o processo de investigação de um incidente tem início somente após o recebimento, a triagem e a análise da denúncia ou da notificação. Esses autores argumentam que é necessário repensar ou reorganizar este modelo de atuação para que haja busca ativa dos casos suspeitos de EA, caracterizando um modelo conhecido como proativo<sup><xref rid="B10" ref-type="bibr">10</xref>,<xref rid="B14" ref-type="bibr">14</xref>,<xref rid="B15" ref-type="bibr">15</xref></sup>.</p>
	<p>Em estudo sobre o sistema de gestão do risco, Barbosa<sup><xref rid="B14" ref-type="bibr">14</xref></sup> explicou que o processo reativo é composto de ações que objetivam “sanar os efeitos de crises e corrigir problemas de forma emergencial”, enquanto que o processo proativo está centrado na identificação, análise e comunicação dos riscos, além do seu monitoramento contínuo, “possibilitando aos gestores identificar riscos e oportunidades e facilitar a tomada da melhor decisão possível”<sup><xref rid="B14" ref-type="bibr">14</xref></sup>.</p>
	<p>O <italic>World Health Organization – Uppsala Monitoring Center</italic> (WHO-UMC), Centro Colaborador da OMS para farmacovigilância, esclareceu que somente as notificações espontâneas não fornecem dados suficientes, confiáveis e abrangentes sobre os danos causados pelo uso das tecnologias em saúde. Ressaltou que outros métodos de análise e investigação deverão ser incorporados, como projetos de pesquisa em âmbito mundial, conduzidos por autoridades reguladoras, acadêmicos, profissionais e fabricantes que busquem alternativas ao monitoramento de produtos. A notificação direta de pacientes, estratégia estabelecida em muitos países, inclusive no Brasil, é reconhecida como uma importante e complementar fonte de informações sobre a segurança de produtos, no entanto, novos métodos eletrônicos de geração de relatórios, algoritmos e aplicativos <italic>on-line</italic> e móveis, por exemplo, podem contribuir para enriquecer e ampliar as informações disponíveis à tomada de decisão<sup><xref rid="B16" ref-type="bibr">16</xref></sup>.</p>
	<p>Onakpoya et al.<sup><xref rid="B17" ref-type="bibr">17</xref></sup> afirmaram que são necessários métodos mais eficazes para detectar, documentar e relatar EA graves em pacientes que usam determinado produto, procurando reduzir o tempo para tomada de decisão após a notificação. Defenderam uma abordagem mais robusta à tomada de decisões em relação aos relatos de óbitos e maior colaboração e coordenação entre as agências reguladoras internacionais.</p>
	<p>A WHO<sup><xref rid="B18" ref-type="bibr">18</xref></sup> propõe que o sistema de vigilância na pós-comercialização/uso deva se organizar num círculo virtuoso, que tem por base três objetivos principais: prevenir, detectar e responder aos produtos que estão no mercado.</p><list list-type="order"><list-item>
	<p>Em <bold>prevenir</bold> se enquadram as ações de formação e sensibilização, dispositivos legais; comunicação clara e regular entre grupos da sociedade civil, profissionais de saúde e setor produtivo, além do sistema de rastreabilidade.</p></list-item>
	<list-item>
	<p>Na <bold>detecção</bold> estão as ações de controle de fronteiras, os sistemas de notificação, a gestão adequada dos riscos e acesso ao suporte laboratorial.</p></list-item>
	<list-item>
	<p>Na <bold>resposta</bold>, há o conjunto de alertas e <italic>recalls</italic>, sanções, política, processo e procedimentos devidamente organizados e baseados em evidências.</p></list-item>
</list>
	<p>Os desafios para transformar o modelo de atuação podem ter por base um conjunto sistêmico e contínuo de ações, que se constituem nos elementos dos sistemas integrados de monitoramento pós-comercialização/uso<sup><xref rid="B19" ref-type="bibr">19</xref></sup>:</p><list list-type="bullet"><list-item>
	<p>incentivos e estratégias para encorajar profissionais de saúde e pacientes/consumidores a relatar suspeitas de EA;</p></list-item>
	<list-item>
	<p>adoção de medidas mais rápidas por parte das autoridades reguladoras, sendo consideradas as suspensões ou restrições temporárias durante o processo de investigação;</p></list-item>
	<list-item>
	<p>respostas imediatas dos fabricantes de produtos sujeitos à vigilância sanitária, a exemplo do<italic> recall</italic>, quando forem relatadas suspeitas graves de EA ou desvios de qualidade;</p></list-item>
	<list-item>
	<p>diretrizes, guias ou protocolos para determinar quando um produto deve ser retirado do mercado;</p></list-item>
	<list-item>
	<p>monitoramento e verificação mais rigorosos dos óbitos e relatos dos motivos de abandono durante os ensaios clínicos, com mais transparência no relato de EA e acesso imediato aos relatórios de estudos clínicos de pré-mercado<sup><xref rid="B19" ref-type="bibr">19</xref></sup>.</p></list-item>
</list>
	<p>As conclusões da pesquisa de Daniel Mota<sup><xref rid="B11" ref-type="bibr">11</xref></sup> sobre a evolução da farmacovigilância no Brasil reforçaram também a necessidade de mudanças em diferentes dimensões, como por exemplo a formalização legal e estrutural da Vigipós; implantação de medidas educativas e restritivas para estimular a notificação por parte tanto dos profissionais e consumidores, como do setor produtivo, além da adoção de avaliações periódicas, sistematizadas e padronizadas inclusive com metodologias, técnicas e parâmetros para divulgação dos resultados das análises, como estratégia para melhorar a credibilidade e a aplicabilidade da vigilância pós-comercialização/uso<sup><xref rid="B11" ref-type="bibr">11</xref></sup>.</p>
	<p>Outro estudo que avaliou a gestão e a farmacovigilância no Brasil evidenciou a necessidade de mais investigações para se entender melhor a relação entre a governança e a segurança de produtos no pós-mercado em sistemas federais descentralizados, como no caso do Brasil<sup><xref rid="B20" ref-type="bibr">20</xref></sup>. Os achados deste estudo revelaram que os investimentos realizados na gestão da Vigipós (farmacovigilância) geraram melhorias significativas na saúde por meio de várias estratégias, incluindo transparência, responsabilização, política, lei e regulamentação no campo de atuação da Vigipós. No entanto, sugerem a implantação de outros mecanismos como protocolos de segurança pós-autorização e de distribuição de medicamentos; uso de novos dados e análises para revelar a prevalência de doenças; administrar recursos onde eles são urgentemente necessários e melhorar o envolvimento das diversas partes interessadas na tomada de decisão no monitoramento e na fiscalização dos produtos<sup><xref rid="B20" ref-type="bibr">20</xref></sup>.</p>
	<p>É preciso trazer a perspectiva do movimento destoante entre a Vigipós específica para medicamentos e para os demais produtos. Guardadas as devidas especificidades dos riscos advindos do uso destas tecnologias, empiricamente, percebe-se que houve avanços significativos na promoção do uso racional de medicamentos, no incentivo às notificações de EA e de QT de medicamentos e no fortalecimento das ações da farmacovigilância, em comparação com os demais objetos, como: os produtos para saúde (correlatos), os saneantes, os alimentos, os cosméticos, que ainda buscam organizar e sistematizar o processo de trabalho, além de estabelecer os mecanismos e as ferramentas de atuação no âmbito do SNVS.</p>
</sec><sec><title>Rede Sentinela</title>
	<p>Sabe-se que, não só no Brasil, mas em todo o mundo, o conhecimento sobre a ocorrência de EA em saúde nem sempre chega às autoridades competentes por meio de um sistema formalmente estabelecido. Esses eventos, especialmente quando implicam em transmissão de doenças graves ou em óbito, muitas vezes ganham destaque nos meios de comunicação antes mesmo da comunicação formal à autoridade sanitária. Esta lacuna no fluxo de comunicação gera, quase sempre, o comprometimento da credibilidade nos sistemas de assistência e de vigilância sanitária.</p>
	<p>Sendo assim, com o propósito de fortalecer a vigilância pós-comercialização/uso das tecnologias/produtos em saúde e EA assistenciais, a Anvisa mantém desde 2002 a Rede Sentinela que funciona como um observatório, presente em 23 estados e no Distrito Federal, totalizando 260 instituições voltadas para o gerenciamento de riscos à saúde, em atuação conjunta e efetiva com o SNVS<sup><xref rid="B8" ref-type="bibr">8</xref></sup>. Esta Rede é formada por um conjunto de serviços de saúde – instituições públicas e privadas, de pequeno a grande porte, além de hemocentros e unidades básicas de saúde – que atuam em parceria com a Anvisa para notificação de EA e de QT.</p>
	<p>Em estudo realizado em 2017 e que descreveu o perfil da Rede Sentinela, verificou-se que os serviços se constituem tanto num ambiente propício para monitoramento do comportamento das novas tecnologias de saúde, como também são espaços ideais para a formação de recursos humanos com “visão sentinela”, de modo a notificar a ocorrência de falhas que envolvam os serviços e produtos para saúde<sup><xref rid="B8" ref-type="bibr">8</xref></sup>.</p>
	<p>As instituições sentinelas desempenham também um importante papel na produção de informações que dão suporte às ações de vigilância sanitária, para além das notificações de EA e QT, como, por exemplo: participação nas consultas dirigidas que coletam dados para validar as evidências disponíveis que subsidiam a prática da Vigipós.</p>
	<p>Neste sentido, é fato a necessidade de ampliação nacional e de fortalecimento da Rede Sentinela, tornando-a oficialmente um ponto focal nas redes internacionais para troca de informação e monitoramento dos produtos em âmbito mundial. Existem atualmente redes de monitoramento de coordenação mundial que trabalham em amplas parcerias para apoiar o desenvolvimento dos sistemas, da força de trabalho, dos instrumentos e das competências que são necessários para melhorar os padrões de qualidade dos produtos e proteger a saúde das pessoas, permitindo que tenham acesso seguro às tecnologias de saúde<sup><xref rid="B18" ref-type="bibr">18</xref></sup>.</p>
</sec><sec><title>Análise sistêmica das notificações e integração entre os sistemas</title>
	<p>Para que a atuação da Vigipós se desenvolva de forma sistêmica, é fundamental a construção de estratégias e mecanismos que ampliem a captação dos dados, por meio de notificações de suspeitas de QT e EA, após o uso de medicamentos, produtos para saúde, cosméticos, saneantes, alimentos, derivados do sangue, células, tecidos e órgãos humanos e assistência à saúde, tornando possível a geração de um banco confiável de dados, cujas informações técnicas sobre segurança e eficácia possam subsidiar as ações regulatórias no mercado brasileiro<sup><xref rid="B8" ref-type="bibr">8</xref></sup>.</p>
	<p>Há várias portas de entrada para recebimento das notificações pela Anvisa, como correios eletrônicos, canais de ouvidoria, relatórios das empresas, portal da Agência, dentre outras. Também existe uma fragmentação nos sistemas de informação, para os quais todas notificações devem ser cadastradas. Há o sistema, recém-implantado VigiMed para medicamentos; o Notivisa para os demais produtos e assistência, além dos formulários do FormSUS para notificações da biovigilância, nutrivigilância e reação à doação nos casos de hemovigilância, entre outros relacionados aos serviços de saúde, tais como EA de infecção relacionada à assistência à saúde por micobactéria de crescimento rápido.</p>
	<p>Além do desafio na reunião qualificada das várias entradas de informações, da qualidade e completude dos dados e da consolidação de um banco de dados robusto, é preciso investir em novas abordagens analíticas que utilizam grandes volumes de dados (<italic>Big-data</italic>) e se integram aos demais sistemas de informação sobre óbitos, doenças e agravos. Aplicando estas estratégias de captação e mineração de dados, além do uso de informações ou de relatos provenientes das diversas redes sociais, associadas às ferramentas de inteligência artificial<sup><xref rid="B21" ref-type="bibr">21</xref></sup>, facilitam, sobremaneira, a análise sistêmica e a tomada de decisão para retirar ou não um produto do mercado.</p>
	<p>A perspectiva é que se avance cada vez mais no uso de tecnologias modernas e das redes sociais para buscar queixas sobre o consumo de produtos e captar rumores. Em pesquisa publicada em 2015, os autores buscaram determinar como os dados disponíveis nas plataformas de redes de mídia social podem ser utilizados na Vigipós. Consideraram que o valor potencial desses dados parece ser maior para medir a conscientização sobre questões emergentes de segurança do uso das tecnologias, observando que a composição da maioria dos assinantes das mídias é uma população mais jovem e saudável. Defenderam a necessidade de pesquisas adicionais que investiguem e explorem outras plataformas de mídia social para caracterizar ainda mais a utilidade destas para a vigilância pós-comercialização/uso de produtos<sup><xref rid="B22" ref-type="bibr">22</xref></sup>.</p>
	<p>Após receber, triar, classificar e investigar as notificações, é fundamental que a vigilância sanitária esteja atenta à possibilidade de geração de sinal, considerado como um conjunto de notificações que indicam uma possível relação causal entre um EA e um produto. Em geral, é preciso mais de uma notificação para se determinar essa relação. É necessário estabelecer a força de associação, a importância clínica (gravidade e impacto de saúde pública) e o potencial para a adoção de medidas preventivas. No primeiro caso podem ser desencadeadas medidas sanitárias, como informes e alertas, propor-se a alteração da bula do medicamento ou até suspensão da sua comercialização e distribuição. Em caso extremo, o registro do produto poderá ser suspenso ou o registro cancelado<sup><xref rid="B23" ref-type="bibr">23</xref></sup>.</p>
	<p>Mota e Kuchenbecker<sup><xref rid="B21" ref-type="bibr">21</xref></sup>consideraram como um grande desafio o estabelecimento da relação de causalidade entre o produto utilizado e o EA ou dano causado. Afirmaram que a maioria das decisões no campo de atuação da vigilância sanitária não se comprovam meramente pela natureza das evidências técnico-científicas de casualidade, tendo em vista a utilização do princípio da precaução e da complexidade envolvida para estabelecimento dos possíveis riscos advindos da utilização de um medicamento, por exemplo.</p>
	<p>Também poderão desencadear as ações de fiscalização, realizadas por meio de inspeções, análises laboratoriais, exame de peças publicitárias, investigação de desvios de qualidade e atendimento de denúncias relativas a eventos secundários ao uso de produtos e serviços de saúde, entre outras. Com base nos resultados deste trabalho, é possível detectar problemas e adotar medidas que interrompam ou minimizem os riscos à saúde. As informações obtidas nesses processos são usadas também para alimentar os sistemas de controle, apoiar mudanças e melhorias nos processos de trabalho e orientar os cidadãos e profissionais de saúde para a prevenção de riscos<sup><xref rid="B7" ref-type="bibr">7</xref></sup>.</p>
	<p>A OMS publicou em 2018 relatório sobre o monitoramento de produtos irregulares e destacou que este é um problema crescente no mundo inteiro, estando associado à complexidade das cadeias de produção e abastecimento globalizadas e ao aumento do comércio eletrônico. “O comércio globalizado precisa de vigilância a nível mundial. Uma abordagem integrada das esferas nacional, regional e mundial é agora crucial para a proteção dos doentes de todos os nossos países”<sup><xref rid="B18" ref-type="bibr">18</xref></sup>.</p>
	<p>Para prestar suporte a estas ações, o desafio é integrar à prática da Vigipós, o sistema de gerenciamento de amostras laboratoriais, conhecido como Harpya, implantado nos Laboratórios Oficiais (Lacen) e coordenado pelo Instituto Nacional de Controle da Qualidade (INCQS) e Anvisa. Trata-se de um sistema primordial para geração de informações relevantes para o monitoramento pós-mercado da qualidade de produtos, pois favorece a confiabilidade, a segurança e a rastreabilidade das análises realizadas pelos Lacen. Além disso, esse sistema proporciona a unificação, padronização e disponibilização dos laudos analíticos de controle de qualidade dos produtos monitorados no âmbito do SNVS<sup><xref rid="B24" ref-type="bibr">24</xref></sup>.</p>
</sec><sec><title>Sistema de rastreabilidade</title>
	<p>Numa análise descritiva dos produtos notificados no Notivisa, Toda e Andre<sup><xref rid="B25" ref-type="bibr">25</xref></sup>concluíram que o Estado, por meio das agências reguladoras, deve exigir das indústrias mais investimentos nos setores de controle de qualidade, evitando que coloquem no mercado produtos com efeitos colaterais ou indesejados.</p>
	<p>Costa<sup><xref rid="B26" ref-type="bibr">26</xref></sup> destacou que, no contexto da globalização econômica, característica da sociedade do hiperconsumo, a produção das tecnologias em saúde é fragmentada, podendo cada componente ser importado de diferentes lugares, fato que implica necessariamente na busca de estratégias e de ações para o controle do risco sanitário no plano internacional. A autora trouxe que uma das estratégias possíveis é a implantação do conceito de rastreabilidade, pois “permite identificar e localizar, nos distintos territórios, fontes de danos e de riscos ao longo da cadeia produção-consumo”<sup><xref rid="B26" ref-type="bibr">26</xref></sup>.</p>
	<p>Por meio da rastreabilidade é possível verificar se o produto é verdadeiro e acompanhar o caminho percorrido desde sua fabricação até a sua entrega ao consumidor, a partir do registro de todas as transações na cadeia produtiva<sup><xref rid="B27" ref-type="bibr">27</xref></sup>.</p>
	<p>No tocante à rastreabilidade de medicamentos, já existe a Lei nº 11.903, de 14 de janeiro de 2009, alterada pela Lei nº 13.410, de 28 de dezembro de 2016<sup><xref rid="B28" ref-type="bibr">28</xref></sup>, que criou o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SCNM), que objetiva acompanhá-los em toda a cadeia produtiva, desde a fabricação até o consumo pela população, proporcionando maior segurança de pacientes e de profissionais em relação aos medicamentos utilizados. Conforme Lei mencionada, cabe à Anvisa a implantação do SNCM, com meta estabelecida para 2022 para que toda a cadeia farmacêutica do Brasil esteja inserida no âmbito do sistema, com o intuito de evitar, principalmente a circulação de medicamentos falsificados.</p>
	<p>Há de se registrar também o Sistema Nacional para o Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), que foi desenvolvido para monitorar a dispensação de medicamentos e substâncias entorpecentes e psicotrópicas e seus precursores e os hábitos de prescrição e consumo de substâncias controladas em determinada região do país.</p>
	<p>Desde sua implantação em 2007, segundo Relatório de Atividades da Anvisa<sup><xref rid="B7" ref-type="bibr">7</xref></sup>, o SNGPC aumentou o controle sanitário sobre a movimentação dos medicamentos controlados e dos antimicrobianos comercializados em farmácias e drogarias, proporcionando:</p><list list-type="bullet"><list-item>
	<p>melhorias no acesso qualificado dos antimicrobianos no país;</p></list-item>
	<list-item>
	<p>maior segurança contra manipulações fraudulentas; e</p></list-item>
	<list-item>
	<p>mais agilidade na elaboração de relatórios sobre consumo de medicamentos e produção de informações, em tempo oportuno, para os tomadores de decisão.</p></list-item>
</list>
	<p>Quanto aos produtos para saúde, está em processo de implantação o Registro Nacional de Implantes (RNI), um sistema de rastreabilidade desenvolvido para possibilitar o registro dos procedimentos cirúrgicos para implantação de próteses osteoarticulares (quadril e joelho) e de <italic>stent</italic> coronariano, realizados no país.</p>
	<p>Um outro desafio posto, trata da organização ou estruturação dos mecanismos de <italic>recall</italic> dos produtos sujeitos à vigilância sanitária, como “instrumento de defesa da vida, da saúde e da segurança do consumidor e daqueles que estão a sua volta”<sup><xref rid="B29" ref-type="bibr">29</xref></sup>. Alves e Kallas Filho<sup><xref rid="B29" ref-type="bibr">29</xref></sup> consideraram que tal mecanismo representa uma concretização do princípio da prevenção/precaução, tendo em vista que após notificação da QT e comprovação do desvio de qualidade, é responsabilidade direta do fabricante e/ou fornecedor providenciar a comunicação do risco, ao mesmo tempo em que deve implementar ação de recolhimento dos produtos com o objetivo de neutralizar esses riscos junto à população.</p>
</sec></sec>
<sec sec-type="conclusions"><title>CONCLUSÕES</title>
	<p>Somente alguns desafios foram apontados aqui para a vigilância sanitária na pós-comercialização/uso de produtos, estando longe de esgotar o assunto, dada a dinamicidade e a globalização das novas e velhas tecnologias na sociedade do risco.</p>
	<p>De fato, é fundamental conhecer como o risco é percebido e valorizado pelos diferentes grupos da sociedade e o modo como a vigilância sanitária atua e se faz presente no cotidiano das pessoas. A efetividade da Vigipós depende, em grande parte, do protagonismo da população, devendo adotar uma abordagem ativa para se manter informada sobre as questões de segurança, qualidade e eficácia dos produtos<sup><xref rid="B30" ref-type="bibr">30</xref></sup>. As estratégias de vigilância serão mais eficazes com a intensificação das ações de educação em vigilância sanitária, que incluam o estímulo à participação do cidadão na comunicação de eventos e no aperfeiçoamento das ações de monitoramento e fiscalização de produtos na pós-comercialização<sup><xref rid="B31" ref-type="bibr">31</xref></sup>.</p>
	<p>Fala-se muito em desregulamentação, em redução da burocracia e dos controles sobre o sistema de vigilância pré-mercado, que inclui o conjunto das ações de proteção antes que os produtos estejam dispostos ao consumo pela população. No entanto, é preciso ressaltar que as ações de vigilância sanitária no pré-mercado e na pós-comercialização são conceitualmente complementares e podem, juntas, cumprir o propósito de proteger a saúde da população. Na prática, é necessário buscar o equilíbrio das ações da vigilância sanitária, independentemente de o produto estar ou não no mercado, consoante a integração com outras áreas do conhecimento e do campo da saúde coletiva, como a epidemiologia e as ciências sociais.</p>
	<p>Destaca-se também o desafio da gestão das ações descentralizadas na Vigipós. No Ciclo de Debates, houve destaque para as potencialidades da atuação das coordenações de Vigilância Sanitária na pós-comercialização/uso, inclusive para o aperfeiçoamento e orientação da vigilância pré-mercado<sup><xref rid="B31" ref-type="bibr">31</xref></sup>.</p>
	<p>Com o questionamento “De qual vigilância sanitária a sociedade precisa?”, o texto de referência do Ciclo de Debates reflete sobre o alinhamento das ações de vigilância sanitária ao conceito de responsividade, traduzida na capacidade de adaptação e resposta do SNVS aos contextos político, econômico e social e às circunstâncias de cada caso, sem prescindir da segurança sanitária. Na prática, implicaria na adequação e na flexibilidade dos instrumentos e práticas regulatórias com base na gestão do risco, de modo a permitirem o equilíbrio e o contínuo ajuste entre a regulação e o comportamento do setor produtivo e dos consumidores. Consistiria em trazer mais exigências regulatórias de pré-mercado para produtos com maior risco ou risco menos conhecido; consoante a intensificação de vigilância pós-comercialização para os produtos com menos exigências no pré-mercado<sup><xref rid="B31" ref-type="bibr">31</xref></sup>.</p>
	<p>Por fim, é fundamental aprofundar os temas abordados aqui, de modo que futuras pesquisas possam produzir evidências, para que estes e outros desafios e perspectivas para a Vigipós sejam efetivamente transformados em uma realidade no país.</p>
</sec></body>
  <back>
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	<ref id="B23"><label>23</label><mixed-citation>.Silva LAM, França L, Dias MF. Avaliação das notificações de eventos adversos pela Gfarm. Washington: Pan American Health Organization; 2012.</mixed-citation><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Silva</surname><given-names>LAM</given-names></name><name><surname>França</surname><given-names>L</given-names></name><name><surname>Dias</surname><given-names>MF</given-names></name></person-group><source>Avaliação das notificações de eventos adversos pela Gfarm</source><publisher-loc>Washington</publisher-loc><publisher-name>Pan American Health Organization</publisher-name><year>2012</year></element-citation></ref>
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	<ref id="B25"><label>25</label><mixed-citation>.Toda CM, Andre JN. Análise descritiva dos principais produtos notificados no sistema nacional de notificações para a vigilância sanitária (Notivisa). Rev EaD Tecnol Digit Educ. 2016;4(5):84-91.</mixed-citation><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Toda</surname><given-names>CM</given-names></name><name><surname>Andre</surname><given-names>JN</given-names></name></person-group><article-title>Análise descritiva dos principais produtos notificados no sistema nacional de notificações para a vigilância sanitária (Notivisa)</article-title><source>Rev EaD Tecnol Digit Educ</source><year>2016</year><volume>4</volume><issue>5</issue><fpage>84</fpage><lpage>91</lpage></element-citation></ref>
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	<ref id="B31"><label>31</label><mixed-citation>.Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Ciclo de debates em vigilância sanitária: desafios e tendências. Brasilia: Agência Nacional de Vigilância Sanitária; 2015.</mixed-citation><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><collab>Agência Nacional de Vigilância Sanitária</collab><collab>Anvisa</collab></person-group><source>Ciclo de debates em vigilância sanitária: desafios e tendências</source><publisher-loc>Brasilia</publisher-loc><publisher-name>Agência Nacional de Vigilância Sanitária</publisher-name><year>2015</year></element-citation></ref>
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  <!--sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>DEBATE</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title>Challenges and perspectives in surveillance of post-marketing/use</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group><contrib contrib-type="author"><contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-8391-7695</contrib-id><name><surname>Martins</surname><given-names>Mary Anne Fontenele</given-names></name><xref ref-type="corresp" rid="c01001"><sup>*</sup></xref><xref ref-type="aff" rid="aff1"/></contrib><contrib contrib-type="author"><contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-7149-5771</contrib-id><name><surname>Teixeira</surname><given-names>Ana Paula Coelho Penna</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1"/></contrib></contrib-group>
      <aff id="aff1001"><country country="BR">Brasil</country><institution content-type="original">Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Brasília, DF, Brasil</institution></aff>
      <author-notes>
        <corresp id="c01001"> * E-mail: mary.martins@anvisa.gov.br </corresp>
        <fn fn-type="conflict">
	<p>Conflict of Interest</p>
	<p>Authors have no potential conflict of interest to declare, related to this study’s political or financial peers and institutions.</p></fn>
      </author-notes>
      <abstract><title>ABSTRACT</title><p>This essay aims to discuss the challenges and perspectives posed for the post-marketing surveillance in Brazil. Based on a non-systematic literature review, some challenges are pointed out, such as: 1) the need to review the post-marketing/use risk management model; 2) the strengthening of work in the Sentinel Network; 3) the systemic analysis of notifications and integration between the information systems and 4) the effective implementation of the product traceability system. Only a few challenges have been brought into the debate, knowing that many others exist for the expansion and improvement of the post-marketing surveillance, considering the dynamics and globalization of the relations of production and consumption in the risk society.</p></abstract>
      <kwd-group xml:lang="en"><kwd>Health Surveillance</kwd><kwd>Health Risk</kwd><kwd>Surveillance of Post-markting Products</kwd><kwd>Risk Management and Adverse Effects</kwd></kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
<sec sec-type="intro"><title>INTRODUCTION</title>
	<p>Contemporary society is characterized by the massive consumption of technologies, including health technologies, which also leads to the emergence of new needs. It is, therefore, quite challenging, in this broader context, to manage the risks inherent in new technologies. When observing the field of biomedical and epidemiological sciences and the adoption of innovative technologies, it appears that life in society is increasingly complex and full of new elements of insecurity<sup><xref rid="B1" ref-type="bibr">1</xref></sup>.</p>
	<p>To better understand this perspective, it is important to reflect on the theory of the risk society designed by German sociologist Ulrich Beck<sup><xref rid="B2" ref-type="bibr">2</xref></sup>. According to Beck, contemporary society is undergoing profound changes that entail social, political, economic and industrial risks, which are taking on ever greater proportions and exceed national borders. The risk society lives in the midst of the consequences of scientific and industrial progress, surrounded by a plethora of risks. Some of these risks cannot be contained, neither spatially nor temporally, and coexist both on the visible and invisible levels. What’s more, many of them are “institutionally manufactured” by science, by the market, by the government, among others<sup><xref rid="B3" ref-type="bibr">3</xref></sup>.</p>
	<p>It is noteworthy that behaviors and attitudes, individual and collective, are fundamental for the protection of health and the reduction of risks to which everyone is subjected. However, it is the role and duty of the State to adopt strategic measures to intervene or prevent the risks of diseases and other health problems in the population, as well as in the production-consumption of health products and technologies<sup><xref rid="B4" ref-type="bibr">4</xref></sup>.</p>
	<p>The notion of health security related to the risk/benefit ratio within the scope of product production-consumption is directly linked to risk control strategies. This includes concerns with the mastery of techniques and the work tools that are necessary for the intervention, with a view to health protection and promotion<sup><xref rid="B5" ref-type="bibr">5</xref></sup>. Examples include biotechnology, personalized medicines, 3D organ printing, biomarkers, robots that perform surgeries and information science to improve the regulatory decision system.</p>
	<p>Health security can have several meanings in the context of use, especially when we consider the diversity of objects under health surveillance. A major challenge for public health is managing risk in the production-consumption of technologies, in the face of health problems in the risk society<sup><xref rid="B5" ref-type="bibr">5</xref></sup>. “In general, technological progress imposes the need for ever greater vigilance, more qualified and experienced professionals, more equipped structures and more intricate control systems”<sup><xref rid="B6" ref-type="bibr">6</xref></sup>.</p>
	<p>According to the World Health Organization (WHO), adverse events (AEs) are incidents that result in unintended harm and are a direct consequence of healthcare and unrelated to the natural evolution of the disease. Furthermore, in the activities of the Brazilian National Health Surveillance Agency (Anvisa), an AE is considered an unexpected or undesirable effect that compromises the health security of a citizen/patient. On the other hand, a technical complaint (TC) refers to any suspected change/irregularity in a product/company<sup><xref rid="B7" ref-type="bibr">7</xref></sup>.</p>
	<p>In this debate, the expanded concept of post-marketing/use surveillance (Vigipós) is adopted. It is understood as the integrated and systematic set of all health surveillance actions to monitor the safety of products used by the society, monitoring, evaluating, investigating, inspecting and communicating the risks arising from the consumption and use of these products<sup><xref rid="B8" ref-type="bibr">8</xref></sup>. It is important to clarify that the scope of this concept includes both monitoring and inspection actions aimed at AEs, as well as the TCs of all products – objects of health surveillance, including: medicines, cosmetics, health products, sanitizers, and food.</p>
	<p>The publication of Ordinance/GM/MS n. 1.660, of July 22, 2009<sup><xref rid="B9" ref-type="bibr">9</xref></sup>, which institutionalized the Health Surveillance Notification and Investigation System within the scope of the National Health Surveillance System, stands out as a milestone of post-marketing surveillance (SNVS) and was considered an important step in strengthening these actions and making them more practical. This normative act established the guidelines for the AE and TC surveillance system of products in post-marketing/use, with shared management between the Ministry of Health, Anvisa, state health departments, and municipal health departments. Vigipós’ field of action comprises: biovigilance, cosmetovigilance, pharmacovigilance, hemovigilance, nutrivigilance, technovigilance and the surveillance of sanitizing products.</p>
	<p>To provide some context of the amount of data, from 2012 to 2017, 274,071 reports including AEs and TCs were submitted to the Health Surveillance Notification System (Notivisa), with a significant increase of 58% (n = 20,126) in the interval of six years<sup><xref rid="B10" ref-type="bibr">10</xref></sup>.</p>
	<p>Since its institutionalization, Vigipós has made great progress in areas like regulatory framework, design and setup of an official information system, such as Notivisa, the establishment of practices aimed at monitoring and inspection, continuous training of professionals from the Sentinel Network and of risk managers in hospitals. On the other hand, studies point out challenges related to the complexity of the information system, underreporting, problems in data quality, biased reports and reports with missing information about the product, the company or the patient<sup><xref rid="B11" ref-type="bibr">11</xref>,<xref rid="B12" ref-type="bibr">12</xref>,<xref rid="B13" ref-type="bibr">13</xref></sup>.</p>
	<p>Considering this landscape, the purpose of this debate is to reflect on the challenges and prospects for post-marketing/use surveillance in Brazil.</p>
<sec><title>What challenges and prospects?</title>
	<p>Based on a non-systematic review of the literature, it is possible to point out some subsidies that support the debate on the challenges and prospects for strengthening post-marketing/use surveillance in Brazil.</p>
</sec>
<sec><title>Post-marketing/use risk management model</title>
	<p>Some authors argue that it is necessary to review the reactive model of post-marketing/use surveillance, in which the process of investigating an incident begins only after receiving, screening and analyzing the complaint or report. These authors argue that it is necessary to rethink or redesign this model of action so that there is an active search for suspected AE cases, in a model known as proactive<sup><xref rid="B10" ref-type="bibr">10</xref>,<xref rid="B14" ref-type="bibr">14</xref>,<xref rid="B15" ref-type="bibr">15</xref></sup>.</p>
	<p>In a study of the risk management system, Barbosa<sup><xref rid="B14" ref-type="bibr">14</xref></sup> explained that the reactive process is composed of actions that aim to “remedy the effects of crises and correct problems on an emergency basis”, while the proactive process is focused on the detection, analysis, and communication of risks, in addition to their continuous monitoring, “enabling managers to detect risks and opportunities and make the best possible decision”<sup><xref rid="B14" ref-type="bibr">14</xref></sup>.</p>
	<p>The World Health Organization – Uppsala Monitoring Center (WHO-UMC), Collaborating Center for Pharmacovigilance, clarified that spontaneous reports alone do not provide sufficient, reliable and comprehensive data on the harm caused by the use of health technologies. It highlighted that other methods of analysis and investigation should be adopted, like worldwide research projects, conducted by regulatory authorities, academics, professionals and manufacturers seeking alternatives to product monitoring. Direct reporting by patients, a strategy established in many countries, including Brazil, is recognized as an important and complementary source of information on product safety, and new electronic methods of generating reports, algorithms, online and mobile applications, for example, can contribute to enriching and expanding the information available for decision making<sup><xref rid="B16" ref-type="bibr">16</xref></sup>.</p>
	<p>Onakpoya et al.<sup><xref rid="B17" ref-type="bibr">17</xref></sup> stated that more effective methods are needed to detect, document and report severe AEs in patients using a certain product, seeking to reduce the time for decision-making after reporting. They advocate a more robust approach to decision making in relation to death reports and greater collaboration and coordination between international regulatory agencies.</p>
	<p>The WHO<sup><xref rid="B18" ref-type="bibr">18</xref></sup> proposes that the post-marketing/use surveillance system be organized in a virtuous circle based on three main objectives: preventing, detecting and responding to products on the market.</p><disp-quote>
	<p><bold>Prevention</bold> includes training and awareness-raising actions, legal provisions; clear and regular communication between civil society groups, healthcare professionals and the industry, in addition to a traceability system.</p>
	<p>In <bold>detection</bold> are border control actions, reporting systems, adequate risk management and access to laboratory support.</p>
	<p>In <bold>response</bold>, there is a set of alerts and recalls, sanctions, policies, process and procedures properly organized and based on evidence.</p>
</disp-quote>
	<p>To enhance the performance of the model, we must address a systemic and continuous set of actions, which constitute the elements of the integrated post-marketing/use monitoring systems<sup><xref rid="B19" ref-type="bibr">19</xref></sup>:</p><list list-type="bullet"><list-item>
	<p>incentives and strategies to encourage healthcare professionals and patients/consumers to report suspected AEs;</p></list-item>
	<list-item>
	<p>adoption of faster measures by regulatory authorities, considering temporary suspensions or restrictions during the investigation process;</p></list-item>
	<list-item>
	<p>immediate responses from manufacturers of products subject to health surveillance, including recalls, when serious AE suspicions or quality deviations are reported;</p></list-item>
	<list-item>
	<p>guidelines, guides or protocols for determining when a product should be withdrawn from the market;</p></list-item>
	<list-item>
	<p>more rigorous monitoring and verification of deaths and reports of reasons for leaving clinical trials, with more transparency in the reporting of AEs and immediate access to reports of pre-market clinical studies<sup><xref rid="B19" ref-type="bibr">19</xref></sup>.</p></list-item>
</list>
	<p>The conclusions of Daniel Mota’s research<sup><xref rid="B11" ref-type="bibr">11</xref></sup> on the evolution of pharmacovigilance in Brazil also reinforced the need for changes in different dimensions, like the legal and structural formalization of Vigipós; implementation of educational and restrictive measures to encourage reporting by both professionals and consumers, as well as the productive sector, in addition to the adoption of periodic, systematized and standardized assessments including methodologies, techniques, and parameters for the dissemination of analysis results, as a strategy to improve the credibility and applicability of post-marketing/use surveillance<sup><xref rid="B11" ref-type="bibr">11</xref></sup>.</p>
	<p>Another study that addressed management and pharmacovigilance in Brazil highlighted the need for further research to better understand the relationship between governance and product safety in the post-market in decentralized federal systems, as is the case of Brazil<sup><xref rid="B20" ref-type="bibr">20</xref></sup>. The findings of this study revealed that the investments made in the management of Vigipós (pharmacovigilance) produced significant improvement through several strategies, including transparency, accountability, policy, law, and regulation in the field of activity of Vigipós. However, they suggest the implementation of other mechanisms, like post-authorization and drug distribution safety protocols; use of new data and analyses to determine disease prevalence; managing resources where they are urgently needed and increasing the engagement of different stakeholders in decision making related to monitoring and inspecting products<sup><xref rid="B20" ref-type="bibr">20</xref></sup>.</p>
	<p>It is also necessary to consider the different perspectives between Vigipós specifically for medicines and for other products. Despite the particularities of the risks arising from the use of these technologies, empirically it becomes clear that there has been significant progress in promoting the rational use of medicines, encouraging reports of AEs and TCs of medicines and strengthening pharmacovigilance initiatives, in comparison with other objects, like: health products (correlated), sanitizing products, food, cosmetics, which are still seeking to organize and systematize their work process, in addition to establishing the mechanisms and tools for action within the scope of the SNVS.</p>
</sec>
<sec><title>Sentinel Network</title>
	<p>It is known that, not only in Brazil but throughout the world, knowledge about the occurrence of AEs in health does not always reach the competent authorities through a formally established system. These events, especially when they involve the transmission of serious illnesses or death, often gain prominence in the media even before formal communication to health authorities. Very often, this gap in the communication flow affects the credibility of healthcare and surveillance systems.</p>
	<p>Therefore, with the purpose of strengthening post-marketing/use surveillance of healthcare technologies and products and care-related AEs, since 2002, Anvisa has maintained the Sentinel Network, which works as an observatory in 23 Brazilian states and the Federal District, totaling 260 institutions focused on health risk management, working together and effectively with the SNVS<sup><xref rid="B8" ref-type="bibr">8</xref></sup>. This Network is formed by a set of healthcare services – public and private institutions, from small to large, in addition to blood centers and basic health units – which work in partnership with Anvisa for notification of AEs and TCs.</p>
	<p>A study done in 2017 described the profile of the Sentinel Network and found that these services can be both an environment conducive to monitoring the behavior of new health technologies and ideal spaces for the training of human resources to have a “sentinel vision” and report the occurrence of failure of health services and products<sup><xref rid="B8" ref-type="bibr">8</xref></sup>.</p>
	<p>Sentinel institutions also play an important role in producing information that supports health surveillance actions, in addition to AE and TC reports. For example: participation in targeted surveys that collect data to validate the available evidence to subsidize the work done by Vigipós.</p>
	<p>In this sense, there is a need for Brazil-wide expansion and strengthening of the Sentinel Network, making it an official part of international networks for exchanging information and monitoring products worldwide. There are currently global coordination monitoring networks that work in broad partnerships to support the improvement of systems, workforce, tools, and skills that are needed to enhance product quality standards and protect people’s health, enabling their safe access to health technologies<sup><xref rid="B18" ref-type="bibr">18</xref></sup>.</p>
</sec>
<sec><title>Systemic analysis of reports and integration between systems</title>
	<p>For Vigipós’ performance to develop in a systemic manner, it is essential to build strategies and mechanisms that expand data collection, through reports of suspected TCs and AEs, after the use of drugs, health products, cosmetics, sanitizing products, food, blood products, cells, tissues, and human organs and healthcare. This would allow the creation of a reliable database, whose technical information on safety and efficacy can subsidize regulatory actions in the Brazilian market<sup><xref rid="B8" ref-type="bibr">8</xref></sup>.</p>
	<p>There are several channels to send reports to Anvisa, such as e-mails, ombudsman channels, companies’ reports, the Agency’s portal, among others. There is also some fragmentation in the information systems where all reports should be entered. There is the recently-deployed VigiMed system for medicines; Notivisa for other products and care, in addition to FormSUS forms for reports of biovigilance, nutrivigilance and reaction to donation in cases of hemovigilance, among others related to healthcare services, such as AEs of infection related to healthcare by mycobacteria of rapid growth.</p>
	<p>In addition to the challenge of collecting qualified information from various sources, the quality and completeness of the data and the consolidation of a robust database, it is necessary to invest in new analytical approaches that use large volumes of data (big data) and integrate with other information systems on deaths, diseases, and injuries. Applying these data survey and mining strategies, in addition to using information or reports from various social networks, associated with artificial intelligence tools<sup><xref rid="B21" ref-type="bibr">21</xref></sup>, greatly improves systemic analysis and decision making as to whether or not to withdraw a product from the market.</p>
	<p>The prospect is that more and more progress be made in the use of modern technologies and social networks to seek complaints about the consumption of products and capture rumors. In a study published in 2015, the authors sought to determine how the data available on social media network platforms can be used at Vigipós. They considered that the potential value of these data seems to be greater for measuring awareness of emerging issues in the use of technologies and noted that most social media subscribers are part of a younger and healthier share of the population. They defended the need for further research to investigate and explore other social media platforms to further characterize their usefulness for post-marketing/use product surveillance<sup><xref rid="B22" ref-type="bibr">22</xref></sup>.</p>
	<p>After receiving, screening, classifying and investigating the reports, it is essential that health surveillance bodies pay attention to the generation of signs, i.e. sets of reports that may suggest a causal relationship between an AE and a product. In general, more than one report is needed to determine this relationship. It is necessary to establish the strength of association, the clinical importance (severity and impact on public health) and the potential for adopting preventive measures. In the first case, health measures can be triggered, with memos and alerts, and it is possible to propose changes in the drug labeling or even the suspension of its sales and distribution. In extreme cases, product marketing authorization may be suspended or revoked<sup><xref rid="B23" ref-type="bibr">23</xref></sup>.</p>
	<p>Mota and Kuchenbecker<sup><xref rid="B21" ref-type="bibr">21</xref></sup>considered establishing a causal relationship between the product used and the AE or harm caused to be a major challenge. They stated that most of the decisions in the field of health surveillance are not proven merely by the nature of the technical-scientific evidence of causality, in view of the use of the precautionary principle and the complexity involved in determining the risks that may arise from the use of a drug, for example.</p>
	<p>They will also be able to trigger inspection actions, done through inspections, laboratory analysis, the examination of advertising material, investigation of quality deviations and handling complaints related to events that are secondary to the use of health products and services, among others. Based on the results of this work, it is possible to detect problems and adopt measures that halt or minimize health risks. The information obtained in these processes is also used to feed control systems, support changes and improvements in work processes and guide citizens and health professionals toward risk prevention<sup><xref rid="B7" ref-type="bibr">7</xref></sup>.</p>
	<p>In 2018, the WHO published a report on the monitoring of irregular products and highlighted that this is a growing problem all over the world, associated with the complexity of globalized production and supply chains and increased e-commerce. “Globalized trade needs surveillance at a global level. An integrated approach at the national, regional and global levels is now crucial for the protection of patients in all our countries”<sup><xref rid="B18" ref-type="bibr">18</xref></sup>.</p>
	<p>To support these actions, the challenge is to integrate the laboratory sample management system, known as Harpya, implemented in the Official Laboratories (Lacen) and coordinated by the National Institute for Quality Control (INCQS) and Anvisa, to the work of Vigipós. It is a fundamental system for producing relevant information for post-market monitoring of product quality, since it has the reliability, safety, and traceability of the analyses done by the Lacen. In addition, this system provides for the unification, standardization and availability of the quality control analytical reports of the products monitored within the scope of the SNVS<sup><xref rid="B24" ref-type="bibr">24</xref></sup>.</p>
</sec>
<sec><title>Traceability system</title>
	<p>In a descriptive analysis of the products reported to Notivisa, Toda and Andre<sup><xref rid="B25" ref-type="bibr">25</xref></sup>concluded that the State, through regulatory agencies, should demand from manufacturers more investment in quality control, preventing them from marketing products with side or unwanted effects.</p>
	<p>Costa<sup><xref rid="B26" ref-type="bibr">26</xref></sup> highlighted that, in the context of economic globalization, typical of our hyperconsumption society, the production of health technologies is fragmented, and components can be imported from several places. This situation necessarily implies the search for strategies and actions to control health risks at the international level. The author considered that one of the possible strategies is the implementation of the concept of traceability, since “it enables to detect and locate, in different territories, sources of harm and risks along the production-consumption chain”<sup><xref rid="B26" ref-type="bibr">26</xref></sup>.</p>
	<p>Through traceability, it is possible to check whether a product is genuine and follow the path taken from its manufacture to its delivery to the consumer, based on the records of all transactions in the production chain<sup><xref rid="B27" ref-type="bibr">27</xref></sup>.</p>
	<p>Regarding drug traceability, there is Law n. 11.903, of January 14, 2009, amended by Law n. 13.410, of December 28, 2016<sup><xref rid="B28" ref-type="bibr">28</xref></sup>, which created the National Medicines Control System (SNCM). The system aims to follow them throughout the production chain, from manufacturing to consumption by the population, providing greater safety for patients and professionals in relation to the medicines they use. According to the above mentioned Law, it is up to Anvisa to implement the SNCM, with a goal set for 2022 to put the entire pharmaceutical chain in Brazil within the scope of the system, mainly in order to avoid the circulation of counterfeit medicine.</p>
	<p>It is also necessary to mention the National System for the Management of Controlled Products (SNGPC), which has been designed to monitor the dispensing of medicines and narcotic and psychotropic substances and their precursors and the prescription and consumption habits of controlled substances in a given region of the country.</p>
	<p>Since its implementation in 2007, according to the Anvisa Activity Report<sup><xref rid="B7" ref-type="bibr">7</xref></sup>, the SNGPC has increased health control over the movement of controlled drugs and antimicrobials sold in pharmacies and drugstores, providing:</p><list list-type="bullet"><list-item>
	<p>improvement in the qualified access to antimicrobials in the country;</p></list-item>
	<list-item>
	<p>greater security against fraudulent handling; and</p></list-item>
	<list-item>
	<p>more agility in the preparation of reports on medication consumption and the production of timely information for decision-makers.</p></list-item>
</list>
	<p>As for health products, the National Implant Registry (RNI) is being currently implemented. It is a traceability system designed to enable the recording of surgical procedures for implantation of osteoarticular prostheses (hip and knee) and coronary stents in Brazil.</p>
	<p>Another challenge concerns the setup or structuring of the recall mechanisms for products subject to health surveillance, as an “instrument to defend the life, health, and safety of consumers and those around them”<sup><xref rid="B29" ref-type="bibr">29</xref></sup>. Alves and Kallas Filho<sup><xref rid="B29" ref-type="bibr">29</xref></sup> considered that this mechanism is the fulfillment of the principle of prevention/precaution, considering that after a TC is reported and confirmed, it is the direct responsibility of the manufacturer and/or supplier to make the risk communication and, at the same time, take action to collect the products and neutralize the risks to the population.</p>
</sec>
</sec>
<sec sec-type="conclusions"><title>CONCLUSIONS</title>
	<p>Only a few challenges were pointed out here for health surveillance in the post-marketing/use of products. We are, therefore, far from exhausting the subject, given the dynamism and globalization of new and old technologies in the risk society.</p>
	<p>In fact, it is essential to know how risk is perceived and valued by different groups in society and how health surveillance works and is present in people’s daily lives. The effectiveness of Vigipós depends, to a large extent, on the role played by the population, who should adopt an active approach and try to stay informed about questions of product safety, quality, and efficacy<sup><xref rid="B30" ref-type="bibr">30</xref></sup>. Surveillance strategies will be more effective with the enhancement of health surveillance education initiatives, which include encouraging citizen participation in the communication of events and the improvement of post-marketing monitoring and inspection<sup><xref rid="B31" ref-type="bibr">31</xref></sup>.</p>
	<p>There is a lot of talk about deregulation, reducing bureaucracy and controls over the pre-market surveillance system, which includes all protection initiatives regarding products available to the population. However, it should be noted that health surveillance actions in pre-market and post-marketing are conceptually complementary and can, together, fulfill the purpose of protecting the health of the population. In practice, we should strike a balance in health surveillance actions, regardless of whether the product is on the market or not, depending on the integration with other areas of knowledge and the field of public health, such as epidemiology and social sciences.</p>
	<p>The challenge of managing decentralized actions at Vigipós also stands out. In the Debate Cycle, there was an emphasis on the potential of the health surveillance coordinators’ performance in post-marketing/use, even to improve and inform pre-market surveillance<sup><xref rid="B31" ref-type="bibr">31</xref></sup>.</p>
	<p>With the “What health surveillance does society need?” question, the reference text of the Debate Cycle reflects on the alignment of health surveillance actions with the concept of responsiveness, translated into the SNVS’s ability to adapt and respond to political, economic and social needs and the circumstances of each case, without neglecting health security. In practice, this would mean adjusting and adding flexibility to regulatory instruments and practices based on risk management, in order to allow for a balanced and continuous adjustment between regulation and the behavior of manufacturers and consumers. It would take more pre-market regulatory requirements for products with higher risk or less known risk; depending on the intensification of post-marketing surveillance for products with fewer requirements in the pre-market phase<sup><xref rid="B31" ref-type="bibr">31</xref></sup>.</p>
	<p>Finally, further discussion on the topics addressed here is essential, so that future research can produce evidence to help overcome these and other challenges for Vigipós and effectively improve the prospects for the country.</p>
</sec></body>
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