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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">Anos 90</journal-id>
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				<journal-title>Anos 90</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Anos 90</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0104-236X</issn>
			<issn pub-type="epub">1983-201X</issn>
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				<publisher-name>Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-Graduação em</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.22456/1983-201X.120430</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00036</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>História, Artes e Juventudes: o mundo na virada do século</subject>
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			<title-group>
				<article-title>40 anos de pesquisas sobre o <italic>punk</italic> no Brasil: novas possibilidades em cena</article-title>
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					<trans-title>40 years of research on punk in Brazil: New possibilities on the scene</trans-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-8635-3998</contrib-id>
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						<surname>Bittencourt</surname>
						<given-names>João Batista de M.</given-names>
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                    <bio><label>*</label>
					<p><bold>João Batista de M. Bittencourt</bold> é professor associado I vinculado ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal da Alagoas (UFAL). Atua no curso de graduação em Ciências Sociais e nos Programas de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia Social da Universidade Federal de Alagoas. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (2004), mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2007) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP (2011). </p></bio>
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						<surname>Vieira</surname>
						<given-names>Tiago de Jesus</given-names>
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                    <bio><label>**</label>
					<p><bold>Tiago de Jesus Vieira</bold> é docente de História Moderna e Contemporânea da Universidade Estadual de Goiás, Campus Oeste, pertencente ao quadro efetivo de professores. Possui graduação em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2008), mestrado em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (2012), doutorado em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (2017). Pertence ao corpo docente do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Goiás, Campus Sudeste. </p></bio>
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				<institution content-type="original">Universidade Federal de Alagoas: Maceió, AL, Brasil.</institution>
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					<label>E-mail: </label>
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			<!--><pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>28</day>
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				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2024</year>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<year>2022</year>
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			<volume>29</volume>
			<elocation-id>e2022307</elocation-id>
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					<day>01</day>
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				<date date-type="accepted">
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O artigo tem como objetivo apresentar um panorama dos estudos sobre o <italic>punk</italic> no Brasil, através de um “estado da arte” da produção acadêmica sobre o fenômeno desenvolvido nas últimas quatro décadas. Os primeiros estudos sobre <italic>punk</italic> no país surgiram na primeira metade dos anos 1980, período em que o estilo de vida começou a despontar nas periferias das diversas capitais, sendo acolhido por jovens pobres que se identificaram com a proposta contestadora do <italic>punk</italic>. Argumenta-se que esses trabalhos foram impulsionados por reflexões sobre as experiências das juventudes brasileiras, especialmente pelo interesse nas chamadas “Culturas Jovens”. Para a fundamentação das análises aqui empreendidas utiliza-se revisão bibliográfica e dados extraídos do Banco de Dissertações e Teses da Capes. Além de enfatizar a centralidade do tema na pesquisa social brasileira, busca-se mostrar que as análises sobre o <italic>punk</italic> acompanharam as transformações recentes de nossa sociedade, bem como as mudanças teóricas e epistemológicas no campo das Ciências Humanas. </p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The article aims to present an overview of studies on punk in Brazil, through a “state of the art” of academic production on the phenomenon developed in the last four decades. The first studies on punk in the country emerged in the first half of the 1980s, a period in which the lifestyle began to emerge on the outskirts of the various capitals, being welcomed by poor young people who identified with the contesting proposal by the punk. It is argued that these works were driven by reflections on the experiences of Brazilian youth, especially by the interest in the so-called “Young Cultures”. To substantiate the analyzes undertaken here, a literature review and data extracted from Capes’ Dissertations and Theses Database are used. In addition to emphasizing the centrality of the theme in Brazilian social research, it seeks to show that the analysis of punk has followed recent changes in our society, as well as theoretical and epistemological changes in the field of Human Sciences.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>PALAVRAS-CHAVE:</title>
				<kwd>Punk</kwd>
				<kwd>estado da arte</kwd>
				<kwd>juventude</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>KEYWORDS:</title>
				<kwd>Punk</kwd>
				<kwd>state of the art</kwd>
				<kwd>youth</kwd>
			</kwd-group>
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			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec>
			<title>Especificidades das pesquisas sobre o Punk no Brasil</title>
			<p>Em 2022 se completou 40 anos da publicação da primeira investigação sobre o <italic>punk</italic> no Brasil,<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> o livro <italic>O que é punk</italic> (1982)<italic>,</italic> fruto do empreendimento da Editora Brasiliense, que partiu do ligeiro interesse do público pelo tema tido como “do momento” e o enquadrou na coleção “Primeiros Passos”.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> Para a materialização dessa obra foi contatado o dramaturgo <xref ref-type="bibr" rid="B8">Antônio Bivar Battistetti Lima</xref>, que possuía experiência na criação de peças teatrais de “caráter vanguardista” inspirados nos movimentos contraculturais, influência adquirida pelo contato com alguns movimentos de cultura juvenil na Europa no final da década de 1970, período em que esteve exilado. Tal como proposto, <italic>O que é punk</italic> merece ser compreendido como um trabalho introdutório e marcado pelo viés ensaístico. Para além disso, a referida obra é emblemática por elucidar como as primeiras experiências de investigação do <italic>punk</italic> no Brasil, constituíram-se, sobretudo, a partir de iniciativas individuais, dissociadas da influência de tendências investigativas e/ou de grupos de pesquisa. </p>
			<p>Nesse sentido, embora no exterior já houvesse uma emergente produção de estudos sobre culturas juvenis, desde a década de 1970, destacando as pesquisas desenvolvidas pelo <italic>Centre for Contemporary Cultural Studies</italic> (CCCS)<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> da Universidade de Birmingham, espaço que colaborou de maneira decisiva para a produção e difusão de um campo de investigação de caráter interdisciplinar que ficara conhecido como “Cultural Studies”, por outro lado, no Brasil, esforços com maior densidade, teses e dissertações, a fim de problematizar o <italic>punk</italic> foram raros no ambiente acadêmico até pelo menos a virada para o século XXI, ainda reflexo do período de censura e a perseguição aos intelectuais, que se propunham a investigar o fenômeno da juventude sob um viés crítico. Como elucida a <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>, a seguir:<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1:</label>
					<caption>
						<title>Referente à produção de teses e dissertações relativos a temas do “universo <italic>punk”</italic> entre 1985 e 2020</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center">PERÍODO</th>
								<th align="center">Dissertações</th>
								<th align="center">Teses</th>
								<th align="center">Total por período</th>
							</tr>
                        </thead>
                        <tbody>
							<tr>
								<td align="center">1982-1990</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">00</td>
								<td align="center">01</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">1991-2000</td>
								<td align="center">03</td>
								<td align="center">01</td>
								<td align="center">04</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">2001-2010</td>
								<td align="center">16</td>
								<td align="center">03</td>
								<td align="center">19</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">2011-2020</td>
								<td align="center">29</td>
								<td align="center">06</td>
								<td align="center">35</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>A referida tabela evidencia uma produção total de 59 teses ou dissertações que, direta ou indiretamente, abordam o tema <italic>punk</italic> com maior propriedade entre 1985 e 2020, dos quais 49 dissertações de mestrado e 10 teses de doutorado. Contudo, até a virada do século foram registrados apenas cinco trabalhos dessa dimensão. </p>
			<p>Cabe aqui, portanto, problematizar os desdobramentos desse processo, objetivando estabelecer um breve histórico da trajetória desse campo de investigação no território nacional, explorando, num primeiro momento, as pesquisas pioneiras desenvolvidas ainda no século XX, para na sequência abordar a consolidação das investigações relativas ao <italic>punk</italic> nas décadas seguintes, e por fim abordar algumas das mais recentes reflexões acerca das identidades correlatas ao <italic>punk</italic>, com ênfase nos movimentos <italic>Riot Grrrl</italic> e <italic>Straightedge</italic>.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>A emergência dos estudos sobre <italic>punk</italic> e juventudes na academia brasileira</bold></title>
			<p>Embora seja possível destacar o trabalho pioneiro da antropóloga Ruth Cardoso de Oliveira, de 1959,<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> sobre imigração japonesa e a coletânea Sociologia da Juventude, organizada por Sulamita de Britto (1968), e que trazia traduções de textos de autores como Karl Marx, Talcott Parsons, Jurgen Habermas, David Matza, Georges Lapassade, Pierre Bourdieu, dentre outros. Após a instauração do Ato Institucional n. 5, em 1968, pesquisas que se propunham a investigar a atuação de grupos considerados “transgressores” foram sendo proibidas,<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> e desse modo começamos a assistir uma diminuição considerável desses trabalhos. </p>
			<p>Assim, por mais que o interesse pelo tema da juventude na academia começasse a ganhar força na segunda metade do século XX, especialmente na década de 1970, com destaque para os Estados Unidos e a Inglaterra, não houve projeção semelhante nos demais países da América do Sul, que enfrentavam nesse período forte repressão e cerceamento do pensamento crítico. A luta contra a Ditadura Militar que se fazia necessária nos diferentes países sul-americanos, trouxe a figura do estudante para o centro do debate, em virtude de seu protagonismo político diante de um regime que buscava calar as vozes dissidentes por intermédio da censura e da tortura. Nesse sentido, os trabalhos da socióloga Marialice <xref ref-type="bibr" rid="B17">Foracchi (1965</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B18">1972</xref>) trazem uma contribuição significativa para pensar a situação dos jovens, especificamente do movimento estudantil, frente a um contexto político de exceção. Fortemente influenciada pelos escritos de Karl Mannheim, ela buscou analisar sociologicamente “a rebelião da juventude” na sociedade moderna, percebendo o movimento estudantil como uma expressão organizada produzida em um contexto de crise. No caso brasileiro, podemos destacar também um relativo desinteresse de pesquisadores e pesquisadoras do campo das Ciências Sociais em relação aos temas relacionados ao lazer e ao cotidiano das populações. Priorizava-se pesquisas e discussões que refletissem os problemas estruturais do país, como trabalho, educação, pobreza/exclusão e participação política.</p>
			<p>Somente anos depois, com o enfraquecimento da Ditadura Militar e a expansão dos fluxos comunicacionais através dos aparelhos de TV, que levou para dentro dos lares as novas tendências da “juventude global”, o cenário para os estudos sobre a juventude nos anos 1980 foram ganhando novos contornos, a partir do aparecimento de estilos de vida jovem como o <italic>punk</italic>, o <italic>hip hop</italic> e o <italic>funk</italic>. Apesar da estagnação econômica, da desigualdade social gritante e do reduzido poder de compra das classes populares, marcas da chamada “década perdida”<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>, os jovens não deixaram de expressar seus pertencimentos e buscar alternativas de lazer.</p>
			<p>Enquanto parte expressiva dos jovens das camadas médias da população se encantavam com o balanço da <italic>New Wave</italic><xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> e a novidade sonora trazida pelo <italic>Rock Br</italic><xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>, nas periferias, morros e favelas nos deparamos com uma maior adesão dos jovens às sonoridades do <italic>punk</italic>, <italic>rap</italic> e <italic>funk</italic>. O interesse em compreender os sentidos de pertencimento, os valores e as visões de mundo que orientavam os jovens adeptos desses estilos de vida, fez com que pesquisadores(as) passassem a refletir sobre suas práticas e discursos. </p>
			<p>Assim, o desenvolvimento de uma agenda de pesquisa sobre o <italic>punk</italic> surgiu ainda nos anos 1980, com o já citado livro de Antônio Bivar. Entretanto, nessa década, como já foi exposto anteriormente, temas relativos ao universo jovem contavam com baixa adesão no ambiente acadêmico<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref> brasileiro, num contexto em que o lugar social da universidade brasileira “exigia” do pesquisador das Ciências Humanas, em especial, de História, uma postura militante, perante aquilo que era compreendido como “problemas reais” que aquela sociedade possuía na reta final da ditadura (<xref ref-type="bibr" rid="B50">VAINFAS, 2009</xref>, p. 225). </p>
			<p>Não podemos deixar de mencionar o fato de que, ao longo das décadas de 1980 e 1990, os estudos que se propuseram a analisar as juventudes, especificamente as culturas jovens, foram realizados no âmbito das Ciências Sociais, com destaque para a Antropologia e Sociologia. Nos programas de pós-graduação em História, apesar de desde o início do século XXI termos visto um aumento considerável de dissertações e teses sobre o fenômeno em questão, pode-se dizer que houve grande resistência da área em acolher estes trabalhos, em certa medida, por nessa época ainda haver um reduzido interesse em investigações de menor distanciamento temporal para com objeto. Sendo que, outra contribuição para esse distanciamento temático foi o fato das discussões teóricas em torno da História do Tempo Presente e metodológicas, em prol da História Oral, ainda não terem ganhado efetivo “coro”,<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> naquela época, na área de História. </p>
			<p>Na Sociologia, por sua vez, a juventude era lida sob a ótica do funcionalismo ou do marxismo. Se por um lado buscava-se “resolver” o problema dos jovens discutindo a integração desses na sociedade mais ampla, por outro, as questões referentes às culturas juvenis eram percebidas como expressões de um “individualismo burguês” de “caráter alienante”. Tal panorama praticamente inviabilizava a produção de obras destinadas a compreensão do <italic>punk</italic> com maior densidade nesses dois campos do conhecimento, sendo que foi na Antropologia Social que o tema encontrou espaço com a defesa da dissertação de mestrado <xref ref-type="bibr" rid="B12"><italic>Movimento punk na cidade: a invasão dos bandos sub</italic>, de Janice Caiafa</xref>, defendida no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1985a), também publicada em livro homônimo no mesmo ano pela Jorge Zahar Editora (1985b), e a tese de doutorado <xref ref-type="bibr" rid="B51"><italic>O baile funk carioca: festas e estilos de vida metropolitanos</italic>, de Hermano Viana, defendida em 1987</xref> no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional. É possível dizer que esses dois textos inauguraram uma nova etapa dos estudos sobre juventude no país, enfatizando a sociabilidade e o lazer como aspectos decisivos na constituição das experiências juvenis contemporâneas (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BITTENCOURT; PEREIRA, 2021</xref>). </p>
			<p>Dessa década também merece menção a primeira pesquisa propriamente acadêmica desenvolvida sobre o <italic>punk</italic> no Brasil, que foi apresentada em 1983 na forma de trabalho de conclusão de curso em Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas, o <italic>Absurdo da realidade: o movimento punk</italic>, de Helenrose Aparecida da Silva Pedroso e Heder Augusto de Souza.</p>
			<p>Em linhas gerais essas investigações legitimavam e valorizaram as primeiras experiências do <italic>punk</italic> no Brasil, enfatizando como os elementos da vivência suburbana eram primordiais na constituição dessa identidade<italic>.</italic> De modo que a “experiência <italic>punk</italic>” permitia a exteriorização da revolta daqueles que se sentiam oprimidos. Não obstante, a interação desse <italic>punk</italic> com o mundo social se fundamentava na violência, que, por sua vez, espelhava esse modo de interpretar o mundo. </p>
			<p>Dessa forma, permite-se conjecturar que a atenção comum dos pesquisadores ao tratar o aspecto suburbano do <italic>punk</italic> é a sua caracterização como manifestação fundamentada na insubordinação periférica que também refletia a conjuntura política daquele momento. Pois, como ainda havia uma necessidade reprimida de expressar o descontentamento à ordem vigente, incidiu que, direta ou indiretamente, houvesse formulações identitárias baseadas nessa combatividade, que, em última instância, também espelhava os postulados do marxismo, especialmente os relativos à luta de classe. </p>
			<p>Buscando fugir dos postulados teóricos do marxismo e do funcionalismo, esses trabalhos se propuseram a olhar para os jovens e suas expressividades à partir de outras lentes que misturavam conceitos advindos de uma literatura pós-estruturalista (Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari) e pós-moderna (Michel Maffesoli e Jean Baudrilard) com metodologias advindas dos estudos no campo da Antropologia e da Sociologia Urbana (Robert Park, Louis Wirth, William Foote-Whyte, GilbertoVelho, entre outros). Chama atenção o fato de que os chamados estudos subculturais desenvolvidos na Inglaterra do pós-guerra não foram abraçados por pesquisadores(as) das juventudes no país, ao menos até os primeiros anos do século XXI. O conceito de subcultura (<xref ref-type="bibr" rid="B21">HEBDIGE, 1979</xref>) fora introduzido nas pesquisas desenvolvidas no país juntamente com sua crítica advinda dos chamados estudos pós-subculturais de maneira tímida nos primeiros anos do século XXI, tendo maior incidências nos trabalhos da área da Comunicação Social. </p>
			<p>No caso da pesquisa de maior densidade da época, <xref ref-type="bibr" rid="B13"><italic>Movimento punk na cidade: a invasão dos bandos sub</italic>, de Janice Caiafa</xref>, evidencia-se forte inspiração pós-estruturalista,<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref> sobretudo no capítulo intitulado “Isto não é uma suástica”, em que é traçado um paralelo com a obra de Michel Foucault, <italic>Isto não é um cachimbo</italic>,<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref> com o objetivo de demonstrar que a suástica da forma como era utilizada pelos <italic>punks</italic> cariocas apresenta significado distinto ao seu significante, ou seja, não representava um pensamento apologético ao nazismo, mas sim o contrário, significava negação ao pensamento nazista. Assim, a referida autora construiu sua leitura do <italic>punk</italic> sobretudo a partir da negação ao funcionalismo<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref> e por consequência ao estruturalismo<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref>. </p>
			<p>Com a chegada da década de 1990, embora a temática ainda não tivesse despertado massivo interesse dos pesquisadores, é possível destacar impactantes trabalhos que, direta ou indiretamente, trouxeram significativas contribuições para os estudos sobre o <italic>punk</italic> no Brasil. Nesse cenário, destacaram-se a tese de autoria de Márcia Regina da <xref ref-type="bibr" rid="B14">Costa (1992</xref>), intitulada <italic>Os carecas do subúrbio: caminhos de um nomadismo moderno</italic>, e as três dissertações <italic>Grupos juvenis nos anos 80 em São Paulo: um estilo de atuação social</italic>, produzida por Helena Wendel <xref ref-type="bibr" rid="B1">Abramo (1992</xref>), “<italic>Grupos de estilo jovem: o rock underground e as práticas (contra)culturais dos grupos punks e trashs em São Paulo</italic>, de Kênia <xref ref-type="bibr" rid="B22">Kemp (1993</xref>), e <italic>Punk: cultura subversiva e protesto, as mutações ideológicas de uma comunidade subversiva - São Paulo 1983/1996</italic>, com autoria de Rafael Lopes de <xref ref-type="bibr" rid="B44">Sousa (1997</xref>). </p>
			<p>Ao direcionar o foco da observação para esses principais estudos temáticos desenvolvidos na década de 1990, constata-se uma visível preocupação dos pesquisadores em produzir estudos que buscassem compreender a adesão do <italic>punk</italic> pelos jovens. Nesse contexto, a constante busca por uma teorização das relações juvenis recorrentemente foi acompanhada de maior utilização de elementos diacrônicos, que objetivaram fazer uma análise tendo em vista percorrer o limiar temporal do pós-guerra, a fim de contingenciar as práticas que geravam pertencimento coletivo na juventude para com os signos <italic>punks.</italic></p>
			<p>Assim, tais experiências analíticas expressavam certo desejo de inteligibilidade processual, ao passo que também se atentavam a dinamicidade das trajetórias internas de cada grupo, apresentando, assim, a recorrência de conflitos motivados pelas distintas interpretações dos signos <italic>punk</italic>s, bem como a inexistência de um referencial claro e rígido do que seria “efetivamente” o <italic>punk.</italic> Sendo perceptível, dessa forma, uma clara ruptura para com as investigações empreendidas na década de 1980, que, por vezes, conferiram à suburbanidade o elemento de coesão coletiva. </p>
			<p>Em contraste, na década de 1990 passa a haver uma acentuada preocupação em problematizar o <italic>punk</italic> a partir da dialética (Global X Local), valendo-se, para tal, de autores com orientações teóricas variadas, tais como John Gillis, Edgar Morin, Pierre Bourdieu, Clifford Geertz, Jean Baudrillard, Mariza Peirano, Néstor Perlongher, Martin Baethge, Benedict Anderson, Avron White, Iain Chambers. Nota-se que, mesmo por meio de um variado leque teórico, procurava-se conferir a ideia de que as transformações no panorama juvenil nas sociedades “urbano-industriais”, sofreram forte influência do processo de midiatização que, por sua vez, foi primordial para a emergência e constituição de grupos como os <italic>punks</italic>.</p>
			<p>Outro ponto importante a ser destacado acerca das investigações produzidas sobre o <italic>punk</italic> na década de 1990 é que, embora tenha havido uma pequena expansão quantitativa, não houve ampliação dos horizontes geográficos de análise, pelo contrário, os empreendimentos de maior destaque acadêmico se centram em analisar as coletividades <italic>punk</italic> no Estado de São Paulo, coincidindo com o local de produção deles. Tal cenário, por sua vez, contrasta com grandiosa expansão de coletividades articuladas aos referenciais <italic>punks</italic> no território nacional, naquele período, em que já se destacava a sólida constituição do “movimento <italic>anarco-punk</italic>” por quase todo país. Dessa forma, pode-se inferir que os empreendimentos acadêmicos relativos ao <italic>punk</italic> até o final da década de 1990 ainda repercutiam o panorama que também era o da pós-graduação brasileira, com um conhecimento produzido no Sudeste e com foco central em investigações sobre a própria região. </p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>Anos 2000: novas abordagens e perspectivas sobre o <italic>punk</italic></bold></title>
			<p>Já a partir da virada para o século XXI, em decorrência do aumento significativo dos programas de pós-graduação e linhas de pesquisa, que influenciaram na variabilidade e amplitude dos temas a serem investigados, assistiu-se a expansão dos estudos sobre culturas jovens, condição fundamental para que as pesquisas sobre o <italic>punk</italic> no Brasil continuassem seu processo de amadurecimento, desta vez caracterizado pela abertura no leque das investigações que, entre outras coisas, passaram a dar maior ênfase aos conflitos envolvendo a constituição da identidade <italic>punk</italic>. De modo que, entre 2001 e 2010, registrou-se 20 investigações desenvolvidas em programas de pós-graduação que, direta ou indiretamente, versam sobre o <italic>punk</italic> brasileiro. Sendo registrados 16 dissertações de mestrado e três teses de doutorado. Nesse cenário, pode-se evidenciar a emergência do interesse pelo tema <italic>punk</italic> por “novas” áreas do conhecimento, como: Geografia, pesquisas centradas especialmente no aspecto da territorialização, buscando, dessa maneira, compreender a construção social do espaço pelos <italic>punks</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B48">TURRA NETO, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B49">2008</xref>); Educação, atentando-se especial a construção e difusão de saberes inerentes as coletividades <italic>punk</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B20">GONÇALVES, 2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31">PEREIRA, 2006</xref>); Etnomusicologia, objetivando compreender como a articulação irradiada por meio da música possibilitou novas experiências de vivência (<xref ref-type="bibr" rid="B53">WHEELER, 2007</xref>); e Linguagens, com a manifesta preocupação de perceber com o corpo do <italic>punk</italic> produz significações em suas práticas cotidianas (<xref ref-type="bibr" rid="B37">SANT’ANA, 2009</xref>).</p>
			<p>Observando a distribuição geográfica, tendo como referência o local de produção dos trabalhos, evidencia-se a <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>, a seguir:</p>
			<p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Tabela 2:</label>
					<caption>
						<title>Referente à distribuição por instituição de ensino superior e concentração regional de trabalhos monográficos relativos ao tema “<italic>punk</italic> no Brasil”, produzidos entre 2001 e 2010</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Instituição</th>
								<th align="center">Trabalhos</th>
								<th align="center">Região</th>
							</tr>
                        </thead>
                        <tbody>
							<tr>
								<td align="left">UFG (I); UFMT (I); UNB (I)</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">CO</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">UFPB (I); UFPE (I); UFRN (I) </td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">NE</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">UFRGS (I); UFSC (I); UNIOESTE (I)</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">S</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">PUC/SP (IV); UNESP (II); USP (II); UNICAMP (I)</td>
								<td align="center">9</td>
								<td align="center">SE</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">UCLA - <italic>University of California, Los Angeles</italic> (I)</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">Exterior</td>
							</tr>
							<tr>
                                <td align="left"><bold>Total</bold></td>
                                <td align="center"><bold>19</bold></td>
								<td align="center"> </td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Esses dados ainda evidenciaram o predomínio das pesquisas relativas ao tema <italic>punk</italic> tendo como principal palco para o seu desenvolvimento a região Sudeste totalizando nove pesquisas, todas realizadas no Estado de São Paulo. No entanto, embora tenha se registrado uma elevação no volume de produção dos trabalhos no Sudeste, quando observado esses dados em contrates aos das décadas anteriores, nota-se a emergência de uma diversificação geográfica, com considerável expansão das investigações por quase todas as regiões do país. Sendo registrado três estudos empreendidos no Nordeste, três no Sul e três no Centro-Oeste. Tal cenário claramente repercutiu a evidente expansão dos cursos de pós-graduação, bem como sua interiorização no Brasil no período. </p>
			<p>No que diz respeito a concentração por instituição, tais dados conferem a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo o <italic>status</italic> de lugar privilegiado para realização de pesquisas referentes ao <italic>punk</italic> brasileiro, sendo que muito disso deve-se a criação nesse período do “acervo sobre o movimento <italic>punk</italic>” no CEDIC (Centro de Documentação e Informação Científica Prof. Casemiro dos Reis Filhos), localizado na referida instituição, servindo, assim, como proeminente base de dados para elaboração de uma nova leva de estudos do <italic>punk.</italic> Entretanto, embora a PUC de São Paulo tenha se destacado com o desenvolvimento de quatro investigações dessa dimensão, pode-se evidenciar ao longo do período um claro predomínio das instituições públicas brasileiras que registraram 14 investigações.</p>
			<p>Tornou-se notável também o empreendimento de uma pesquisa na UCLA (<italic>University of California,</italic> Los Angeles) <italic>Dark matter towards an architectonics of rock, place, and identity in Brasília’s utopian underground</italic> (2007), de autoria de Jesse Samba Samuel Wheeler, envolvendo indiretamente o tema <italic>punk</italic> na capital federal. </p>
			<p>Cabe ainda observar a quantificação por região levando em consideração o local explorado na pesquisa (<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref>).</p>
			<p>
				<table-wrap id="t3">
					<label>Tabela 3:</label>
					<caption>
						<title>Referente à distribuição por região de abordagem dos trabalhos monográficos relativos ao tema “<italic>punk</italic> no Brasil”, produzidos entre 2001 e 2010</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Região abordada no trabalho</th>
								<th align="center">Trabalhos</th>
							</tr>
                        </thead>
                        <tbody>
							<tr>
								<td align="left">Centro Oeste</td>
								<td align="center">2</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Nordeste</td>
								<td align="center">4</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Sul</td>
								<td align="center">4</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Sudeste</td>
								<td align="center">5</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Amplitude nacional</td>
								<td align="center">4</td>
							</tr>
							<tr>
                                <td align="left"><bold>Total</bold></td>
                                <td align="center"><bold>19</bold></td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Como indicam os dados, nota-se um novo cenário referente a pesquisas relativas ao tema <italic>punk</italic> no Brasil, sendo possível observar a amplitude geográfica dessas que passaram a contemplar quase todas as regiões brasileiras, excetuando apenas a região Norte. Nesse sentido, diferentemente do que ocorrera nas décadas anteriores em que os trabalhos se limitavam, especialmente, a compreensão das articulações <italic>punks</italic> no Sudeste, a partir de 2001 percebe-se uma clara ruptura nesse fluxo, com destaque para as quatro investigações que procuraram retratar as experiências relativas ao <italic>punk</italic> no Nordeste. </p>
			<p>Em relação às tendências temáticas de investigação, foi possível focalizar, com destaque, uma série de trabalhos com preocupação em compreender o <italic>punk</italic> a partir de sua inserção no panorama regional. Merecem destaque, nesse sentido, as investigações: <italic>Cotidianizando a utopia: Um estudo sobre a organização das atividades culturais e político-sociais dos anarco-punks em João Pessoa</italic>, de Yuriallis Fernandes <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bastos (2008</xref>); <italic>Enterrado vivo: identidade punk e território em Londrina</italic> e <italic>Múltiplas trajetórias juvenis em Guarapuava: territórios e redes sociabilidade</italic>, de Nécio <xref ref-type="bibr" rid="B48">Turra Neto (2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B49">2008</xref>), <italic>“Deslocados, Desnecessários”: o ódio e a ética nos fanzines punks (Curitiba 1990-2000)</italic>, de Everton de Oliveira <xref ref-type="bibr" rid="B28">Moraes (2010</xref>) e “<italic>Sutil diferença: o movimento punk e o movimento hip hop em Fortaleza - grupos mistos no universo citadino contemporâneo</italic>, de Francisco José Gomes <xref ref-type="bibr" rid="B15">Damasceno (2004</xref>).</p>
			<p>Para além do ambiente acadêmico, também se torna digno de nota o importante livro editado pela editora Achiamé, <italic>Os fanzines contam uma história sobre punks</italic>, de autoria do historiador Antônio Carlos de <xref ref-type="bibr" rid="B29">Oliveira (2006</xref>), que propôs contar a história do <italic>punk</italic> no Brasil entre 1981 e 1984, priorizando como fonte para investigação os <italic>fanzines</italic>, publicações impressas produzidas pelos próprios sujeitos envolvidos no meio <italic>punk</italic>, feitos nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2011 a 2020: pluralidade entra em cena</title>
			<p>Já na última década, 2011 a 2020, as pesquisas sobre <italic>punk</italic> no Brasil mantiveram o crescimento, sendo registradas 35 pesquisas de programas <italic>stricto sensu</italic> que, direta ou indiretamente, exploraram o <italic>punk</italic>, dos quais 29 são dissertações de mestrado e seis teses de doutorado. Sendo importante frisar que esse cenário também repercute a implementação de diversos novos programas <italic>stricto sensu</italic> nas últimas duas décadas. Assim, nesse interim se evidenciou a emergência de pesquisas em diferentes novos “campos” da pós-graduação, como: Artes e Cultura Visual, tendo como foco a estética e poética do punk (<xref ref-type="bibr" rid="B43">SOUSA, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">ALVES, 2019</xref>); Culturas e Identidades Brasileiras, correlacionando a territorialidade <italic>punk</italic> ao surgimento de outras identidades urbanas (<xref ref-type="bibr" rid="B5">ANDRADE, 2020</xref>); Territórios e Expressões Culturais no Cerrado, atentando-se a experiência musical do <italic>punk rock</italic> em Brasília (<xref ref-type="bibr" rid="B32">PEREIRA, 2017</xref>); e Arquitetura, problematizando a inserção do <italic>punk</italic> no espaço urbano (<xref ref-type="bibr" rid="B38">SANTOS, 2015</xref>).</p>
			<p>Em relação a distribuição geográfica, levando em conta o local de produção das pesquisas, temos a <xref ref-type="table" rid="t4">Tabela 4</xref>, a seguir:</p>
			<p>
				<table-wrap id="t4">
					<label>Tabela 4:</label>
					<caption>
						<title>Referente à distribuição por instituição de ensino superior e concentração regional de trabalhos monográficos relativos ao tema “<italic>punk</italic> no Brasil”, produzidos entre 2011 e 2020</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Instituição</th>
								<th align="center">Trabalhos</th>
								<th align="center">Região</th>
							</tr>
                        </thead>
                        <tbody>
							<tr>
								<td align="left">UFG (II); UFMT (II); UNB (I); UEG (II)</td>
								<td align="center">7</td>
								<td align="center">CO</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">UFPE (I); UFAL (I); UFPI (I)</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">NE</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">UFSC (I); UDESC (I); UNICENTRO (I); UNISINOS (I)</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">S</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">PUC/SP (V); USP (III); PUC/RJ (I); UNESP (I); UNICAMP (I); UFES (I); UFJF (II); UFSCAR (I); UFRJ (i); UFRRJ (I); CEFET/MG (I); UFF (I); UNIMEP (I)</td>
								<td align="center">20</td>
								<td align="center">SE</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">UFPA (I)</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">N</td>
							</tr>
							<tr>
                                <td align="left"><bold>Total</bold></td>
                                <td align="center"><bold>34</bold></td>
								<td align="center"> </td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Nota-se que com a defesa da dissertação <italic>Eu amo tudo o que não presta</italic>: <italic>punk e poética em trinta anos de delinquentes</italic> por Lucas Padilha de <xref ref-type="bibr" rid="B43">Sousa, na Universidade Federal do Pará (2016</xref>), pela primeira vez houve o desenvolvimento de pesquisas sobre o tema <italic>punk</italic> em programas de pós-graduação de todas as regiões do país. Entretanto, também se evidencia, novamente, a concentração das investigações das pesquisas na região Sudeste, fato que inevitavelmente dialoga com a atual disposição geográfica da pós-graduação brasileira. Para além disso, também foi possível notar expressivo crescimento das investigações desenvolvidas no Centro Oeste, breve expansão no Sul e estagnação do Nordeste em consideração à década anterior.</p>
			<p>Do ponto de vista qualitativo, essa expansão veio acompanhada de sistemática difusão de novas abordagens, com especial destaque àquelas de orientação pós-estruturalista, pós-colonialista e decolonialista, que, por sua vez, imprimiram novas possibilidades analíticas e maior variabilidade temática. De modo que, se outrora essas pesquisas poderiam ser taxadas na academia como “desmobilizantes”, nos últimos anos à luz dessas reflexões teóricas, cada vez mais, passou-se a percebê-las como esforços reflexivos para a compreensão das manifestações anti-hegemônicas. </p>
			<p>Nesse quadro merecem destaque as pesquisas que “revisitaram” o passado das coletividades <italic>punk</italic>, explorando suas potencialidades culturais, sociais e políticas, tais quais: <italic>Caminho para a morte” na metrópole: cultura punk: fanzines, rock, política e mídia (1982-2004)</italic>, de Gustavo dos Santos <xref ref-type="bibr" rid="B34">Prado (2017</xref>), <italic>Uma leitura vertiginosa: os Fanzines punks no Brasil e o discurso da união e conscientização (1981-1995)</italic>, de Marco Antonio <xref ref-type="bibr" rid="B27">Milani (2015</xref>), <italic>São Paulo, cidade punk: práticas, espaços, representações (1982-1998)</italic>, de André Abreu da <xref ref-type="bibr" rid="B39">Silva (2016</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B40"><italic>A música dos rebeldes: o</italic> punk <italic>paulistano e a resistência à indústria fonográfica</italic>, de Edson Alencar Silva (2020</xref>), e <italic>Movimento</italic> punk <italic>e seus processos comunicacionais nos anos da Ditadura Militar</italic>, de Renan Marchesini de Quadros <xref ref-type="bibr" rid="B46">Souza (2017</xref>).</p>
			<p>Além disso, cabe destacar também os trabalhos que exploraram a inserção do punk em localidades até então não estudadas. Sendo o caso de <italic>Resistência punk no Município de Cariacica/ES: uma narrativa estética, musical e teatral no meio underground</italic>, de Sandriani Muniz <xref ref-type="bibr" rid="B3">Alves (2019</xref>), <italic>O sertão também é punk: a trajetória do movimento punk em Delmiro Gouveia (Alto Sertão Alagoano, 1984 a 1996)</italic>, de Jose Rinaldo Queiroz de <xref ref-type="bibr" rid="B24">Lima (2020</xref>), <italic>“Faça você mesmo”: o fanzine como representação do movimento</italic> punk <italic>em Juiz de Fora</italic>, de Susana Azevedo <xref ref-type="bibr" rid="B35">Reis (2018</xref>), <italic>É que nossos corações preferem a auto-corrosão: uma história de vivencias anarcopunks em Teresina (1980-2000)</italic>, de Heitor Matos da <xref ref-type="bibr" rid="B41">Silva (2019</xref>), e “<italic>O punk nunca há de morrer: a trajetória da construção de identidades punk em Ilha Solteira-SP (1965-2001)</italic>”, de Tiago de Jesus <xref ref-type="bibr" rid="B52">Vieira (2012</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold><italic>Riot Girls</italic> e <italic>Straightedges</italic> em cena</bold></title>
			<p>Nos últimos 20 anos dois estilos de vida jovem ganharam destaque na pesquisa acadêmica em relação aos demais, são eles: o <italic>Riot Girl</italic><xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref> e o <italic>Straight Edge</italic><xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref><italic>,</italic> movimentos oriundos da cultura <italic>punk</italic> e que surgiram nos Estados Unidos em momentos distintos. Enquanto os “<italic>punks</italic> livre de drogas”<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref> deram seus primeiros gritos no início dos anos 1980, o movimento <italic>Riot Girl</italic> só veio a se consolidar uma década depois, no início dos anos 1990. Apesar desse hiato temporal, no Brasil ambos ganharam visibilidade ao mesmo tempo, tornando-se os movimentos de maior expressão da cena <italic>hardcore/punk</italic> brasileira dos anos 1990. Embora haja representantes de ambos os estilos de vida nos diferentes Estados brasileiros, o Estado de São Paulo, e especificamente a capital, reuniu a maior quantidade de bandas e eventos. O Festival <italic>Hardcore</italic> de São Paulo e a Verdurada<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>19</sup></xref> foram duas importantes atividades que ajudaram a dar visibilidade as bandas e a produção política ligada aos respectivos estilos. </p>
			<p>Nesse sentido, por mais que houvesse participação de mulheres na cena <italic>punk</italic> desde os anos 1980, até então não havia registro de organização de células femininas com o intuito de propagar a mensagem feminista. A novidade trazida pelo <italic>Riot Girl</italic> inspirou os primeiros trabalhos acadêmicos sobre o tema ainda na primeira década do século XXI, destacando as dissertações de Fernanda Gomes <xref ref-type="bibr" rid="B36">Rodrigues (2006</xref>) <italic>O grito das garotas</italic> e, de Érica <xref ref-type="bibr" rid="B26">Melo (2008</xref>), <italic>Cultura juvenil feminista riot girl em São Paulo</italic>. Já na década seguinte tivemos a produção da tese de doutorado de Gabriela Miranda <xref ref-type="bibr" rid="B25">Marques (2016</xref>), <italic>(Re) invenção do anarcofeminismo: anarcofeministas na cena punk (1990-2012)</italic> e das dissertações de mestrado de Flávia Lucchesi (2015), <italic>Riot Grrrl: capturas e metamorfoses de uma máquina de guerra</italic>, de Gabriela Cleveston <xref ref-type="bibr" rid="B19">Gelain (2017</xref>), “<italic>Releituras, transições e dissidências da subcultura feminista Riot Grrrl no Brasil</italic>” e de Priscilla Monteiro do Nascimento <xref ref-type="bibr" rid="B42">Silva (2018</xref>) <italic>Performances de gênero e música: etnografia de um movimento riot grrrl no Rio de Janeiro</italic>.</p>
			<p>Assim como o <italic>Riot Girl</italic>, o estilo de vida <italic>Straight Edge</italic> também chamou atenção dos pesquisadores e pesquisadoras no campo das Ciências Sociais que buscavam oferecer um contraponto às visões essencializadas e estereotipadas estampadas em jornais e revistas que, apoiadas em matérias sensacionalistas, insistiam em interpretar essa cultura juvenil urbana como uma espécie de “seita religiosa”. De maneira distinta, sociólogos(as) e antropólogos(as) buscavam pistas nos sentidos elaborados pelos jovens com o intuito de compreender pertencimentos, visões de mundo e formas de sociabilidade tecidas a partir da “identidade” <italic>straight edge.</italic> O primeiro trabalho acadêmico produzido sobre <italic>straight edges</italic> no Brasil foi a dissertação de mestrado <italic>Os straight edges e suas relações com a alteridade em São Paulo</italic> (2007), de Bruna Mantese, defendida no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP. Na década seguinte, tivemos a tese de doutorado <xref ref-type="bibr" rid="B9"><italic>Nas encruzilhadas da rebeldia: uma etnocartografia dos</italic> straightedges <italic>em São Paulo</italic> (2011</xref>),<xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>20</sup></xref> de João Batista de Menezes Bittencourt, que fora defendida no curso de Doutorado em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Campinas e das seguintes dissertações: <xref ref-type="bibr" rid="B47"><italic>Contestação, comunicação e consumo: a cena straight edge brasileira</italic> (2011), de Denise de Paiva Costa Tangerino</xref>, defendida no Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM e <italic>Straight edge: uma genealogia das condutas na encruzilhada do punk</italic> (2015), de Wallison Pereira Fernandes, defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC-SP. </p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title><bold>E os próximos 40 anos? reflexões sobre o futuro do <italic>punk</italic> na academia - considerações (in)conclusivas</bold></title>
			<p>Nesses 40 anos o <italic>punk</italic> enquanto fenômeno social foi mudando, refletindo a conjuntura política e as mudanças de comportamento da sociedade brasileira. Se na década de 1980 ele fora percebido como expressão da rebeldia de jovens pobres e periféricos, e muitas vezes lido sob a ótica do desvio e da criminalidade, nas últimas décadas surgiram novas tendências que contribuíram para diversificação e complexificação da leitura do fenômeno, forçando os pesquisadores e pesquisadoras a buscarem novas pistas interpretativas para elucidação das identidades que dialogam com o <italic>punk.</italic></p>
			<p>Nessa linha, ao se propor pensar os desdobramentos futuros das pesquisas sobre o <italic>punk</italic>, bem como o impacto dessas nas produções acadêmicas nos próximos anos, parte-se do princípio de que o tempo é uma referência importante para as pesquisas no campo das Ciências Humanas, especialmente na História. Por isso, muito provavelmente o <italic>punk</italic> nas próximas quatro décadas passará a ser visto com outros olhos por historiadores(as). Independente das disputas travadas pelo monopólio do conhecimento legítimo no seio dos diferentes campos do conhecimento, o <italic>punk</italic> já escreveu sua marca na história da sociedade brasileira de maneira decisiva, seja enquanto expressão cultural da urbe, seja como movimento social, político e estético surgido a partir do descontentamento e revolta de jovens subalternizados. Contudo, tais feitos ainda ocupam um espaço “marginal” nos currículos, cabendo assim um grande esforço no futuro, no sentido de repensar historicamente a inserção dos diversos agentes <italic>punks</italic>, sobretudo em momentos decisivos da história da sociedade brasileira, como por exemplo nos anos finais da Ditadura Militar, cujo não reconhecimento histórico de suas ações antiautoritárias<italic>,</italic> muito provavelmente, ainda remete à leitura equivocada que se fazia no meio acadêmico, nas décadas de 1980 e 1990, de que o <italic>punk</italic> era um fenômeno de jovens desviantes e despolitizados.</p>
			<p>Para além disso, nas Ciências Humanas em geral é necessário que os novos estudos cada vez mais interpelem o <italic>punk</italic> à luz da sua correlação com as questões referentes ao tema da diversidade. Nos últimos anos surgiram demandas e questionamentos dos próprios agentes adeptos do estilo de vida a respeito de uma certa “invisibilidade” em torno de alguns temas políticos. O conceito de interseccionalidade<xref ref-type="fn" rid="fn21"><sup>21</sup></xref> surgido no seio das lutas mobilizadas pelas feministas negras nos Estados Unidos ao longo dos anos 1970 e que depois fora sistematizado pela professora e teórica feminista Kiberlé Crenshaw, tornou-se central para pensar as práticas e discursos dos diferentes grupos. Pensando especificamente o <italic>punk</italic>, observa-se demandas de novos agentes que, cada vez mais, passaram a encontrar nesse meio um fecundo espaço para se expressar, como é o caso dos grupos LGBTQIA+. Outras problemáticas que ainda merecem devida atenção no meio acadêmico são aquelas que remetem a intersecção entre <italic>punk</italic> e questões raciais, sendo necessário, por exemplo, uma ampla historicização das práticas e representações de caráter racista e antirracista no meio <italic>punk</italic> ao longo desse período. Outro ponto que parece fértil para os pesquisadores nas próximas décadas será problematizar como o <italic>punk</italic> reagiu à recém ascensão de grupos autoritários e conservadores no Brasil contemporâneo.</p>
			<p>Por fim, outras demandas inscritas em novas dinâmicas sociais e temporais provavelmente também deverão ditar os rumos das pesquisas sobre o <italic>punk</italic> daqui para frente. Que venham os próximos 40 anos!</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ABRAMO, Helena Wendel. <italic>Grupos juvenis nos anos 80 em São Paulo:</italic> um estilo de atuação social. 1992. Dissertação (Mestrado em Sociologia) - Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1992.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ABRAMO</surname>
							<given-names>Helena Wendel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Grupos juvenis nos anos 80 em São Paulo:</italic> um estilo de atuação social</source>
					<year>1992</year>
					<comment content-type="degree">Mestrado</comment>
					<publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo</publisher-name>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>ALMEIDA, Maria Isabel Mendes; EUGÊNIO, Fernanda. <italic>Culturas jovens</italic>: novos mapas do afeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006. </mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALMEIDA</surname>
							<given-names>Maria Isabel Mendes</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>EUGÊNIO</surname>
							<given-names>Fernanda</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Culturas jovens</italic>: novos mapas do afeto</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Jorge Zahar</publisher-name>
					<year>2006</year>
				</element-citation>
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			<ref id="B3">
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				<mixed-citation>PEREIRA, Angélica Silvana. <italic>Somos expressão, não subversão!</italic>: a gurizada punk em Porto Alegre. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>PEREIRA, Jessica Meireles. “<italic>O concreto já rachou”</italic>: O movimento punk de Brasília como herdeiro da MPB. Dissertação (Mestrado em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado), Programa de Pós-graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado, Universidade Estadual de Goiás, Anápolis, 2017.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>POERNER, A. J. <italic>O Poder Jovem</italic> - história da participação política dos estudantes brasileiros. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. </mixed-citation>
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				<mixed-citation>PRADO, Gustavo dos Santos. <italic>“Caminho para a morte” na metrópole</italic>: cultura punk: fanzines, rock, política e mídia (1982-2004). Tese (Doutorado em História) - Programa de Pós-Graduação em História, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2017. </mixed-citation>
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				<mixed-citation>REIS, Susana Azevedo. <italic>“Faça você mesmo”</italic>: O fanzine como representação do movimento punk em Juiz de Fora. Dissertação (Mestrado em Comunicação), Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2018.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>RODRIGUES, Fernanda Gomes. <italic>O grito das garotas</italic>. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) - Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Universidade de Brasília, Brasília/DF, 2006.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>SANT’ANA, Ana Paula de. <italic>Punk Labirintos do Corpo:</italic> Movimento Punk em Cuiabá. 2009. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2009.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>SANTOS, Débora Gomes. <italic>Vivo na cidade</italic>: a experiência urbana na cultura punk. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2015.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>SILVA, André Abreu da. <italic>São Paulo, cidade punk</italic>: práticas, espaços, representações (1982-1998). Dissertação (Mestrado em História) - Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Guarapuava, 2016.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>SILVA, Edson Alencar. <italic>A música dos rebeldes</italic>: o punk paulistano e a resistência à indústria fonográfica. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2020.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>SILVA, Heitor Matos da. <italic>É que nossos corações preferem a auto-corrosão</italic>: uma história de vivências anarcopunks em Teresina (1980-2000). 2019. Dissertação (Mestrado em História), Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal do Piauí, Teressina, 2019.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>SILVA, Priscilla Monteiro do Nascimento. <italic>Performances de gênero e música</italic>: etnografia de um movimento <italic>Riot Grrrl</italic> no Rio de Janeiro. 2018. Dissertação (Mestrado em Antropologia) - Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2018.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>SOUSA, Lucas Padilha de. <italic>Eu amo tudo o que não presta</italic>. Punk e poética em trinta anos de Delinquentes. Dissertação (Mestrado em Artes) - Programa de Pós-Graduação em Artes, Universidade Federal do Pará, Belém, 2016.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>TURRA NETO, Nécio. <italic>Múltiplas trajetórias juvenis em Guarapuava</italic>: territórios e redes sociabilidade. Tese (Doutorado em Geografia) - Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Presidente Prudente, 2008.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>VAINFAS, Ronaldo. História cultural e historiografia brasileira. <italic>História:</italic> Questões e Debates, Curitiba, n. 50, p. 217-235, jan./jun. 2009.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>VIANNA JR, Hermano Paes. <italic>O Baile Funk</italic>: festas e estilos de vida metropolitanos. 1987. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) - Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1987.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>VIEIRA, Tiago de Jesus. <italic>O punk nunca há de morrer</italic>: a trajetória da construção de identidades <italic>punk</italic> em Ilha Solteira-SP (1965-2001). Dissertação (Mestrado em História) - Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2012.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>WHEELER, Jesse Samba Samuel. <italic>Dark matter towards an architectonics of rock, place, and identity in Brasília's utopian underground</italic>. Tese (Doutorado em Etnomusicologia) - University of California, Los Angeles, 2007.</mixed-citation>
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			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Não podemos deixar de destacar o fato de que em 2022 também teremos o aniversário de 40 anos da realização do primeiro festival <italic>punk</italic> de grande expressividade no país, o “Começo do fim do mundo”. O evento que aconteceu na cidade de São Paulo, nos dias 27 e 28 novembro de 1982, teve entre os organizadores o jornalista e dramaturgo Antônio Bivar.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>A coleção “Primeiros Passos” se caracterizou pela diversidade temática e pela editoração em formato de bolso, que articulado ao baixo valor de revenda contribuiu para o acesso do grande público as publicações da editora.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Reunindo diferentes perspectivas teóricas como o feminismo, o estruturalismo e o marxismo, as pesquisas do CCCS se propunham a olhar para as manifestações culturais das classes populares sob uma perspectiva crítica, percebendo estas como respostas simbólicas dos grupos subalternizados às contradições de classe. As práticas juvenis passaram a ter um status diferenciado na Inglaterra do pós-guerra, servindo como um objeto privilegiado para a observação de mudanças no plano econômico, cultural e dos costumes. Jovens das classes populares que na primeira metade do século XX eram percebidos quase que exclusivamente sob a marca da delinquência, passaram a ser vistos por estudiosos como atores que expressavam seu descontentamento por intermédio de identidades espetacularizadas. Ao lado de grupos como <italic>Mods</italic>, <italic>skinheads</italic> e <italic>Rockers</italic>, o punk rapidamente ganhou visibilidade e atenção da mídia, ora sendo percebido como uma ameaça a ordem social e ao status quo vigente, ora sendo celebrado como a nova “moda jovem”, uma tendência no mercado de estilos. Para os pesquisadores e pesquisadoras ligados ao CCCS, as subculturas juvenis seriam expressões de uma tensão “entre os que estão no poder e aqueles que estão condenados a posições subordinadas ”, e o punk expunha essa condição de maneira intensa, seja através do visual agressivo, seja através do discurso antiestablishment.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Quanto à triagem da produção temática, pautou-se nos seguintes procedimentos: na primeira etapa, busca pela palavra-chave <italic>punk</italic> nos bancos de dados da “Capes” e demais portais de armazenamento de trabalhos monográficos das universidades brasileiras, a fim de estabelecer um panorama inicial da produção do tema; na segunda etapa, pesquisa por “assunto” <italic>punk</italic> na Plataforma “Lattes”, a fim de ampliar os dados levantados na primeira etapa. Após esse levantamento se acredita ter chegado a um mapeamento próximo do total da produção de trabalhos defendidos nos programas de pós-graduação (teses e dissertações) sobre o tema <italic>punk</italic> no Brasil, contudo, não se pode descartar a possibilidade de alguns trabalhos terem escapado na referida triagem.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>“O papel das associações juvenis na aculturação dos japoneses”, de 1959, resultou de uma em nível de especialização na FFLCH-USP e posteriormente fora publicada na Revista de Antropologia dessa instituição. Ver: CARDOSO, Ruth Corrêa Leite. “O Papel das Associações Juvenis na Aculturação dos Japoneses”. <italic>Revista de Antropologia</italic>, vol. 7, 1959, pp. 101-122.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>O poder jovem, livro do historiador Arthur José Poerner, publicado em 1968, foi um dos primeiros a sofrer sanção do regime que se instalara.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Define-se como “década perdida” o período de estagnação econômica ocorrido em toda a América Latina ao longo da década de 80 e parte dos anos 90. No Brasil especificamente, tivemos o aumento da inflação e do individamento decorrente de uma tentativa forçosa de crescimento econômico mal administrado pelos militares.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Gênero musical surgido nos Estados Unidos e no Reino Unido no final da década de 70 e que gozou de grande sucesso década de 80. Englobando vários ritmos do rock ao pop, passando pelo eletrônico, o New Wave tornou-se um gênero bastante popular no mundo todo, valendo-se de uma estética colorida recheada de elementos futurísticos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>O <italic>Rock Br</italic> é uma designação para o <italic>rock</italic> feito no Brasil durante os anos 1980.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>No Brasil, o tema da juventude nas Ciências Humanas, especificamente nas Ciências Sociais, começou a ganhar força a partir de reflexões sobre as ações dos estudantes, especialmente do movimento estudantil ao longo dos anos 1970. Nesse sentido, os trabalhos desenvolvidos por Marialice <xref ref-type="bibr" rid="B18">Foracchi (1972</xref>;1974) foram fundamentais.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>Corrobora para esta percepção historiográfica o levantamento empreendido por <xref ref-type="bibr" rid="B16">Carlos Fico e Ronald Polito (1992</xref>, p.40), tendo em vista as pesquisas publicadas em periódicos da área de História na década de 1980, o qual evidensiou que apenas 7,1% dos trabalhos exploravam a temporalidade mais próxima, no caso, História do Brasil República pós-1964.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>O pós-estruturalismo se apresenta como uma concepção teórica que tal como o estruturalismo vislumbra a existência de estruturas que sobrepõe às ações objetivas, determinado, inclusive, as ações dos sujeitos. No entanto, para os pós-estruturalistas essas estruturas não se apresentam de forma rígida, passando por constante processo de redefinição. Em meio a essa corrente filosófica se destacaram os estudos de Jacques Derrida e Michel Foucault. Acerca do pós-estruturalismo. <italic>Cf.</italic> VASCONCELOS, José Antônio. A história sitiada. <italic>In</italic>: VASCONCELOS, José Antônio. <italic>Quem tem medo de teoria?</italic> A ameaça do pós-modernismo na historiografia americana. São Paulo: Annablume, 2005. p. 75- 152</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p><italic>Cf. FOUCAULT, Michel. Ceci n'est pas une pipe.</italic> Montpellier<italic>: Fata Morgana,</italic> 1973.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p><italic>Cf.</italic> ABRAMO, Helena. <italic>op. cit.</italic></p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p>Corrente epistemológica fundamentada na sobreposição das estruturas aos conteúdos objetivos. Desse modo, as estruturas possuem função determinante sobre as ações dos sujeitos. Assim, o gerativismo se estabelecia enquanto uma exigência explícita da corrente. <italic>Cf.</italic> DOSSE, François. <italic>História do Estruturalismo:</italic> o campo de signo - 1945/1966. v. 1. Bauru/SP: EDUSC, 2007; DOSSE, François<italic>. História do Estruturalismo:</italic> o canto do cisne, de 1967 a nossos dias. v. 2. Bauru/SP: EDUSC, 2007.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p><italic>Riot Girl</italic> ou <italic>Riot Grrrl</italic> é um movimento que surgiu no início dos anos 90, em Washington, Estados Unidos, a partir de uma junção entre política feminista e cultura <italic>punk</italic>. Enquanto cena musical, reunia diversas bandas formadas majoritariamente por garotas, como <italic>Bratmobile, Bikini Kill, Heavens to Betsy, Sleater-Kinney</italic>, etc. Enquanto movimento político, a proposta se conectava as preocupações do chamado feminismo da “terceira onda”, que começou a ganhar força nos anos 90 a partir de críticas contundentes às definições essencialistas de feminilidade. As jovens engajadas nessa cena musical e movimento político buscavam utilizar a música e estética punk para difundir a mensagem feminista.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>17</label>
				<p>Surgido em Washington, Estados Unidos, no início dos anos 80. O <italic>Straight Edge</italic> apareceu inicialmente como um incômodo particular de alguns jovens críticos da glamourização das drogas presente na cultura punk. Quando Ian Mc Kaye e Jeff Nelson escreveram a letra da canção “<italic>Straight Edge</italic>” não imaginavam que estariam lançando o embrião de algo que se tornaria um estilo de vida abraçado por jovens nas mais diversas partes do globo. Os(as) adeptos(as) desse estilo de vida não consomem nenhum tipo de droga, sejam elas lícitas ou ilícitas. O vegetarianismo e o boicote a indústria que explora os animais não-humanos também figuram como práticas comuns adotadas pelos(as) jovens, porém, não estavam presentes na proposta inicial.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>18</label>
				<p>Os <italic>straightedges</italic> são popularmente conhecidos nos países de língua inglesa como “<italic>Drug Free Youth</italic>” (Juventude livre de drogas).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn19">
				<label>19</label>
				<p>Evento organizado pelo Coletivo Verdurada, cuja a proposta era oferecer uma atividade que reunisse música e informação. Como era organizado por jovens <italic>straight edges</italic> não era permitido o consumo de drogas no espaço. Além da apresentação de bandas, havia palestras sobre temas de relevância política e social (reforma agrária, violência de gênero, direito à cidade, etc.) e ao final havia a distribuição de um jantar vegano para os(as) presentes.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn20">
				<label>20</label>
				<p>Em 2015 essa tese foi publicada pela editora Anablumme com o título <xref ref-type="bibr" rid="B10"><italic>Sóbrios, firmes e convictos: uma etnocartografia dos straightedges em São Paulo</italic></xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn21">
				<label>21</label>
				<p>O conceito de interseccionalidade foi cunhado pela intelectual afro-estadunidense Kimberlé Crenshaw para problematizar as experiências de mulheres negras a partir de uma percepção que une distintas formas de opressão como o racismo, o capitalismo e o cisheteropatriarcado. Ver: <xref ref-type="bibr" rid="B4">AKOTIRENE</xref>, <italic>op. cit.</italic>.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
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