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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rpsaude</journal-id>
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				<journal-title>Revista Psicologia e Saúde</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Universidade Católica Dom Bosco,
					Programa de Mestrado e Doutorado em Psicologia</abbrev-journal-title>
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				<publisher-name>Universidade Católica Dom Bosco, Programa de Mestrado e Doutorado em
					Psicologia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.20435/pssa.v0i0.571</article-id>
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					<subject>ARTIGOS</subject>
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				<article-title>(Re)Conhecendo a escuta como recurso terapêutico no cuidado à saúde
					da mulher</article-title>
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					<trans-title>Recognizing listening as a therapeutic resource in the care for
						women's health</trans-title>
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					<trans-title>Reconociendo la escucha como recurso terapéutico en la atención a
						la salud de las mujeres</trans-title>
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						<surname>Silveira</surname>
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					<label>a</label><bold>Endereço de Contato:</bold> Lia Márcia Cruz da Silveira,
					Rua Bulhões de Carvalho, 329/702 - Copacabana, Rio de Janeiro, RJ CEP 22081-000.
					Tel: 21- 98877 8786 E-mail: <email>liadasilveira@gmail.com</email></corresp>
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					<label>*</label>
					<p>Psicóloga, Residente Multiprofissional em Saúde da Mulher (HESFA/UFRJ).
						E-mail: suzylopees@gmail.com</p>
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					<p>Mestre em Tecnologia Educacional em Saúde (UFRJ). E-mail:
						liadasilveira@gmail.com</p>
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			<lpage>42</lpage>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>A Atenção Básica é a principal porta de entrada do sistema de saúde em que,
					normalmente, ocorre o acolhimento das demandas do público em geral e, em
					especial, do feminino. Evidencia-se, portanto, a necessidade de profissionais
					qualificados por meio da escuta. Este estudo objetiva analisar o
					(re)conhecimento da escuta como recurso terapêutico pelos profissionais de saúde
					que atuam na assistência à saúde da mulher na Atenção Básica. Os resultados
					evidenciam discrepâncias entre o que é preconizado pelas políticas e a realidade
					nos serviços de saúde, assim como o discurso dos profissionais acerca da escuta,
					demonstrando conhecimento sobre o conceito, mas não sobre a prática. Em relação
					ao gênero, existe a compreensão das questões relacionadas à mulher, mas não das
					repercussões na saúde.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The Primary Care is the main entrance to the health system and is the system that
					receives the demands of the general public, and especially women. Therefore, the
					need for qualified professionals is evidenced through listening. This study aims
					to analyze the acknowledgement of hearing as a therapeutic resource by health
					professionals who work in the health care of women in the Primary Care system.
					The results show discrepancies between what has been advocated by policies and
					the reality in health services, as well as in the professionals' discourse about
					listening, which demonstrates knowledge about the concept but not about the
					practice. Regarding the gender, there is an understanding of issues related to
					women, but not of the repercussions on health.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>La Atención Básica es la principal puerta de entrada del sistema de salud y es
					donde normalmente ocurre la acogida de las demandas del público en general y en
					especial el femenino. Se evidencia, por lo tanto, la necesidad de profesionales
					calificados, por medio de la escucha. Este estudio objetiva analizar el (re)
					conocimiento de la escucha como recurso terapéutico por los profesionales de
					salud que actúan en la asistencia a la salud de la mujer en la Atención Básica.
					Los resultados evidencian discrepancias entre lo que es preconizado por las
					políticas y la realidad en los servicios de salud, así como el discurso de los
					profesionales acerca de la escucha, demostrando conocimiento sobre el concepto,
					pero no sobre la práctica. En cuanto al género, existe la comprensión de las
					cuestiones relacionadas con la mujer, pero no de las repercusiones en la
					salud.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>acolhimento</kwd>
				<kwd>formação profissional em saúde</kwd>
				<kwd>assistência integral à saúde da mulher</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>hosting</kwd>
				<kwd>human resource training in health</kwd>
				<kwd>comprehensive health care</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>acogimiento</kwd>
				<kwd>capacitación de recursos humanos en salud</kwd>
				<kwd>atención integral de salud</kwd>
			</kwd-group>
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		</article-meta>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>A Residência Multiprofissional em Saúde articula ensino-assistência e tem o objetivo
				de estimular e propiciar mudanças no modelo de formação dos profissionais de saúde
				mediante a formação em serviço, auxiliando na capacitação desses profissionais,
				sobretudo no desenvolvimento de práticas assistenciais no contexto do Sistema Único
				de Saúde (SUS). Dentre essas práticas, as discussões sobre gênero e suas implicações
				na saúde são frequentes no cotidiano da Residência em Saúde da Mulher, que busca
				abordar diversos aspectos que constituem e perpassam a sua vida. Estar imersa nesse
				campo como residente me fez refletir sobre a importância de considerar a escuta e,
				nela, as questões de gênero ao prestar assistência à mulher que busca cuidado em
				saúde.</p>
			<p>Ao considerar que as mulheres são as principais usuárias do SUS e não somente o
				utilizam para o seu próprio atendimento, mas, sobretudo, para acompanhar crianças e
				outros familiares, pessoas idosas, com deficiência, vizinhos e/ou amigos (Brasil,
				2004), mostra-se a importância de atentarmos para as demandas próprias dessa
				população, refletindo sobre a influência das questões de gênero na saúde e no
				adoecimento. Como a Atenção Básica se configura como o nível de atenção à saúde em
				que, na maioria das vezes, ocorre o acolhimento das demandas do público feminino,
				evidencia-se, assim, a necessidade de profissionais qualificados que atentem para as
				singularidades dessa população, considerando as diversas particularidades do "ser
				mulher" que repercutem diretamente em sua saúde.</p>
			<p>Nesse modelo assistencial proposto, a Atenção Básica configura-se como a principal
				porta de entrada ao sistema de saúde, funcionando como coordenadora do cuidado do
				usuário nas demais Redes de Atenção, visando garantir à população acesso a uma
				assistência à saúde de qualidade (Brasil, 2012). A Rede de Atenção à Saúde (RAS) é
				um arranjo organizativo de ações e serviços de saúde que visa melhorar o desempenho
				do Sistema de Saúde por meio de relações horizontais entre os pontos de atenção,
				tendo como eixo de comunicação a Atenção Básica, em razão do foco nas necessidades
				de saúde da população e responsabilização na atenção contínua e integral (Brasil,
				2010). Essa mudança da lógica tradicional médico-centrada para uma prática
				assistencial em equipe voltada às necessidades da população tem como base de atuação
				o vínculo com a comunidade e a responsabilização dos profissionais pelas ações de
				saúde coletivas e individuais (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Matumoto et al.,
					2005)</xref>.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B9">Campos (1997)</xref>, a facilidade de acesso
				aos profissionais de saúde e o cuidado longitudinal que a Atenção Básica propõe
				tornam esse nível de cuidado um contexto estratégico para estreitar o vínculo com o
				paciente e buscar uma ação terapêutica resolutiva. Para o autor (Campos, 1997), não
				há construção de vínculo sem que o usuário seja reconhecido na condição de sujeito,
				que fala, julga e deseja. Por sua vez, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gonze
					(2009)</xref> destaca que o acolhimento, a produção de vínculos e a escuta,
				negligenciados diante do aparato tecnológico das máquinas de última geração, são
				resgatados por meio do princípio da integralidade que sustenta que o usuário é um
				sujeito complexo e suas necessidades devem ser acolhidas sob um olhar integral. Já
				para <xref ref-type="bibr" rid="B25">Merhy (2002b)</xref>, a integralidade do
				cuidado à saúde requer escuta, acolhimento e ações resolutivas que culminem com a
				humanização das práticas.</p>
			<p>Na literatura, algumas expressões são utilizadas para nomear a escuta como processo
				terapêutico, como escuta ativa, escuta integral ou atenta, escuta qualificada e
				escuta terapêutica. Neste trabalho, adotaremos a expressão escuta terapêutica por
				ter como fundamento a valorização do paciente como sujeito, possibilitando que este
				se reinvente ao se reconhecer como sujeito e agente ativo no processo de cuidado.
				Dessa forma, o usuário se percebe como protagonista de seu cuidado, exercendo,
				assim, um papel tão importante quanto o do profissional de saúde nas suas interações
					(<xref ref-type="bibr" rid="B34">Souza, Pereira, &amp; Kantorski,
				2003)</xref>.</p>
			<p>Nesta perspectiva, compreendemos que o cuidado começa na escuta, ou seja, é no espaço
				oferecido ao usuário para que possa falar e expor suas necessidades que é possível
				produzir atos, ações, procedimentos e cuidados com os quais pode se chegar à
				cura/cuidado que repercute em modo qualificado de se levar a vida (<xref
					ref-type="bibr" rid="B24">Merhy, 2002a)</xref>. Portanto, a escuta tem uma
				função terapêutica atrelada à inclinação do profissional em proporcionar
				acolhimento, cuidado e atenção (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Rinaldi,
					2000)</xref> e depende da valoração da "dimensão dialógica do encontro, isto é,
				a abertura para um autêntico interesse em ouvir o outro" (<xref ref-type="bibr"
					rid="B1">Ayres, 2004</xref>, p. 23).</p>
			<p>No que diz respeito à saúde da mulher, percebe-se a importância de o cuidado em saúde
				ser pautado no acolhimento com escuta sensível às necessidades, considerando a
				influência das relações de gênero no processo de saúde e adoecimento (C<xref
					ref-type="bibr" rid="B11">oelho, Silva, Oliveira, &amp; Almeida, 2009)</xref>.
				Essa escuta proporciona um cuidado em saúde que reconhece as necessidades da mulher
				para além das especificidades reprodutivas, com base no pressuposto da
				integralidade, considerando as especificidades de saúde da população feminina e as
				diversas implicações de "ser mulher" na atualidade (Brasil, 2004).</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B35">Souto (2008)</xref>, a integralidade e a
				perspectiva de gênero precisam repercutir nas práticas de saúde, "desde o
				acolhimento até a recuperação de homens e mulheres, condições <italic>sine qua
					non</italic> para a humanização e qualidade da atenção à saúde que implicam o
				estabelecimento de relações entre sujeitos" (p. 176). De acordo com esse
				entendimento, <xref ref-type="bibr" rid="B33">Scott (1995)</xref> conceitua gênero
				como uma construção social sobreposta a um corpo sexuado. É construído e alimentado
				com base em símbolos, normas e instituições que definem modelos de masculinidade e
				feminilidade e padrões de comportamento aceitáveis ou não para homens e mulheres,
				levando em conta a subjetividade de cada sujeito, sendo única sua forma de reagir ao
				que lhe é oferecido em sociedade.</p>
			<p>Para compreendermos a singularidade do atendimento à mulher, é importante refletirmos
				sobre as modificações históricas do seu papel diante da sociedade. Para Castells
					(<xref ref-type="bibr" rid="B12">Fontenele-Mourão, 2006)</xref>, a redefinição
				do papel da mulher na modernidade está baseada, principalmente, em três fatores: a
				entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho, o planejamento familiar por meio
				do controle reprodutivo com o advento da pílula anticoncepcional e a influência do
				movimento feminista. Diante desses aspectos, houve uma redefinição do lugar da
				mulher, que, antes, era restrito ao espaço privado, enquanto o espaço público era
				ocupado majoritariamente por homens.</p>
			<p>A partir da compreensão de uma "nova mulher", fruto da atuação dos movimentos de
				mulheres, foi criado o Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM) na
				década de 1980, demonstrando a necessidade de ampliação do olhar sobre a saúde da
				mulher que, até a década de 1970, era restrito à dimensão procriativa (<xref
					ref-type="bibr" rid="B22">Medeiros &amp; Guareschi, 2009)</xref>. O PAISM trouxe
				a concepção de que a atenção à saúde não poderia se restringir a um determinado
				aspecto do sujeito, sendo necessário considerá-lo em sua integralidade.</p>
			<p>No que tange à contemporaneidade, a mulher enfrenta dupla ou tripla jornada de
				trabalho relacionada à cobrança para que exerçam o papel de cuidadoras. A isso,
				associa-se o aumento da violência contra as mulheres em decorrência da divisão
				sexual do trabalho e, consequentemente, do poder doméstico. Essas peculiaridades
				atreladas às questões de gênero evidenciam a importância de considerar a
				especificidade dessa população no atendimento à saúde da mulher, a fim de
				proporcionar um cuidado integral.</p>
			<p>Diante das mudanças no modelo de assistência do SUS e na concepção de saúde acerca da
				mulher, que passa a não se reduzir ao aparelho reprodutivo e a considera sujeito
				integral e com demandas específicas, a formação dos profissionais de saúde ainda
				está muito distante de corresponder ao que a realidade da assistência tem exigido.
					<xref ref-type="bibr" rid="B30">Pierantoni (2001)</xref> ressalta o
				distanciamento do setor educacional nas reformas no setor saúde, o que acarreta uma
				inviabilidade para os modelos propostos, ou seja, a inadequada formação de
				profissionais tem sido um obstáculo para as mudanças no modelo assistencial, já que
				os cursos de graduação e pós-graduação não formam o aluno para as necessidades do
				SUS. Com isso, há uma necessidade crescente de educação permanente para esses
				profissionais, com o objetivo de (re)significar seus perfis de atuação, para
				implantação e fortalecimento da atenção à saúde no SUS (<xref ref-type="bibr"
					rid="B2">Batista &amp; Gonçalves, 2011)</xref>.</p>
			<p>Com base nessas considerações, identificamos a importância de discutir como a
				formação acadêmica tem preparado profissionais para lidar com essas mudanças e novas
				exigências no campo da saúde, o que requer cada vez mais recursos da "caixa de
				ferramentas" do profissional de saúde ante a complexidade das necessidades de saúde
				e as nuances da singularidade de cada atendimento (<xref ref-type="bibr" rid="B14"
					>Franco &amp; Merhy, 2005)</xref>. Neste trabalho, atentaremo-nos à escuta como
				um desses recursos que possibilitam a integralidade do cuidado à mulher. Adotamos o
				termo "recurso" ao compreender que a escuta é algo que advém do profissional de
				saúde, não sendo, portanto, algo do campo externo do qual este decide fazer uso.
				Entende-se que isso não é dado, mas construído por meio da formação. Por isso,
				discutiremos sobre o papel da formação na saúde. Assim, elencamos como objeto de
				estudo o discurso dos profissionais de saúde em relação à escuta como um recurso
				terapêutico no cuidado à mulher.</p>
			<p>Utilizaremos o termo (re)conhecer por entendermos que, diante da reflexão acerca
				dessa temática, alguns profissionais poderão reconhecer a escuta terapêutica na sua
				prática como um recurso utilizado, enquanto outros poderão conhecer a escuta, porém
				sem utilizá-la como um recurso terapêutico. Portanto, o <bold>objetivo</bold> do
				presente estudo é analisar o (re)conhecimento da escuta como recurso terapêutico
				pelos profissionais de saúde no cuidado oferecido às mulheres na Atenção Básica. O
				objetivo específico é registrar o entendimento dos profissionais de saúde sobre o
				reconhecimento da escuta às mulheres nas suas singularidades. Diante disso, pautamos
				este estudo na seguinte questão de pesquisa: os profissionais de saúde que atuam na
				Atenção Básica reconhecem a escuta como recurso terapêutico no cuidado à saúde da
				mulher?</p>
			<p>Este estudo mostrou-se relevante por reconhecer a escuta como um recurso a ser
				utilizado no cotidiano das práticas de saúde, valorizando a sua capacidade de
				fomentar a pactuação entre a necessidade de saúde do usuário e a possibilidade de
				resposta do serviço, traduzida em qualificação da produção de saúde. Ao tomar por
				base essa compreensão, a escuta é um tema importante a ser estudado para que
				possamos refletir sobre a produção do cuidado integral oferecido à mulher na Atenção
				Básica e os entraves existentes à sua efetivação. Além disso, chama a atenção para a
				instrumentalização dos profissionais atuantes na Atenção Básica para realizar uma
				escuta que considere as questões de gênero um item importante a ser problematizado,
				a fim de dar visibilidade a essa temática e contribuir para a qualificação do
				serviço em saúde.</p>
			<p>Além disso, esta pesquisa se enquadra na Agenda Nacional de Pesquisa na Saúde
				(Brasil, 2008), no que tange ao item "Sistemas e Políticas de Saúde" que traz como
				prioridade os estudos sobre modelos de atenção à saúde adequados às populações em
				condições diferenciadas, destacando-se os aspectos geográficos, comportamentais, de
				gênero e transgêneros; de avaliação sobre qualidade e humanização no atendimento,
				resolutividade dos níveis hierárquicos do SUS, acesso aos serviços de saúde e às
				ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação; e sobre a Estratégia Saúde
				da Família: avaliação de impactos e sobre tecnologias de cuidado, orientação
				alimentar e inserção de novos profissionais na equipe. Diante dessas considerações,
				acredita-se que tal estudo seja relevante para a Agenda de Pesquisa em Saúde ao
				suscitar a reflexão acerca da prática profissional no campo da atenção básica em
				relação ao cuidado oferecido às mulheres. Dessa forma, pretende-se contribuir para a
				formação profissional no campo da saúde visando à qualificação da assistência
				prestada a mulheres usuárias da atenção básica, assim como trazer a discussão da
				influência das questões de gênero no cuidado em saúde.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Método</title>
			<p>Para o presente estudo, optou-se por realizar uma pesquisa de caráter qualitativo,
				tendo como fonte primária de dados o discurso dos profissionais de saúde que atuam
				na Atenção Básica no Instituto de Atenção à Saúde São Francisco de Assis da
				Universidade Federal do Rio de Janeiro (HESFA/UFRJ). O HESFA, localizado no
				município do Rio de Janeiro, RJ, faz parte do Complexo Hospitalar da UFRJ. Os
				cenários de pesquisa para o presente estudo foram a Unidade de Cuidados Básicos
				(UCB) e o Centro de Saúde Escola São Francisco de Assis do HESFA/UFRJ, por serem
				dois campos de prática do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da
				Mulher, nos quais atuam profissionais da Atenção Básica.</p>
			<p>A UCB é a unidade assistencial do HESFA responsável pelo atendimento ambulatorial que
				envolve ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde em nível primário.
				Dentre os serviços prestados pelo setor, estão a enfermagem ginecológica, o
				acompanhamento psicológico, o tratamento de infecções sexualmente transmissíveis
				(ISTs), a cardiologia, a pediatria, a nutrição e a orientação psicossocial. A equipe
				de profissionais que atuam na UCB é composta de três médicos, seis enfermeiros, uma
				psicóloga, uma assistente social, um técnico de enfermagem e uma atendente,
				totalizando 13 profissionais atuantes nesse setor.</p>
			<p>O Centro de Saúde Escola São Francisco de Assis atua na perspectiva da Estratégia
				Saúde da Família, sendo responsável pelo atendimento da população que reside na
				Comunidade do São Carlos e adjacências, pertencentes à área programática 1.0 do
				estado do Rio de Janeiro. A unidade é composta de três equipes formadas por um
				médico, um enfermeiro, um técnico de enfermagem e seis agentes comunitários de saúde
				em cada equipe. Foi inaugurado em 2011 e conta com 34 profissionais que atuam na
				unidade.</p>
			<p>Ao considerar o objeto de estudo e os objetivos desta pesquisa, a entrevista
				individual semiestruturada foi escolhida como técnica de coleta de dados por
				permitir um contato direto com o entrevistado, possibilitando compreender o que ele
				pensa acerca do tema da pesquisa, além de proporcionar reflexões sobre o assunto.
				Para <xref ref-type="bibr" rid="B15">Gaskell (2008)</xref>, na entrevista
				individual, considera-se a profundidade, sendo esta uma conversação um a um, uma
				interação díade. Sobre a entrevista semiestruturada, <xref ref-type="bibr" rid="B19"
					>Manzini (2003)</xref> refere que é direcionada por um roteiro previamente
				elaborado que pode ser completado por outras questões ao longo da entrevista.
				Existe, assim, a possibilidade de livre troca de informações, não ficando
				condicionada a um padrão de perguntas.</p>
			<p>O instrumento para a coleta de dados é o roteiro de entrevista semiestruturada criado
				para direcionar o presente estudo por meio de perguntas abertas, contendo uma
				questão de escala tipo Likert. Essa escala visa apontar o grau de concordância ou
				discordância do entrevistado em relação a um objeto de estudo, de acordo com o grau
				de intensidade, permitindo avaliar a atitude (<xref ref-type="bibr" rid="B27"
					>Oliveira, 2001)</xref>. Utilizaremos apenas uma afirmativa nesse modelo,
				buscando apreender a opinião dos profissionais quanto à escuta, analisando
				qualitativa e individualmente esse dado, articulando-o com o conteúdo da
				entrevista.</p>
			<p>As entrevistas foram realizadas em uma sala reservada na UCB. O tempo de duração
				delas variou entre 20 e 40 minutos. Os participantes da pesquisa foram profissionais
				de saúde de nível superior que atuam diretamente no atendimento às mulheres usuárias
				dos serviços de saúde da UCB do HESFA e do Centro de Saúde Escola São Francisco de
				Assis, independentemente do tempo de formação e contratação, e que aceitaram o
				convite para participar da pesquisa mediante a assinatura do termo de consentimento
				livre e esclarecido (TCLE). O critério adotado para interrupção da coleta de dados
				foi entrevistar todos os profissionais de nível superior que atuam na assistência à
				mulher nos setores mencionados. O estudo foi realizado de acordo com a Resolução nº
				466/2012, que trata de pesquisa com seres humanos. Esse estudo teve parecer aprovado
				para a sua realização em 22 de junho de 2016 pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
				Escola de Enfermagem Anna Nery e pelo Instituto de Atenção à Saúde São Francisco de
				Assis da UFRJ (Cepe/EEAN/HESFA/UFRJ).</p>
			<p>A técnica de análise de dados escolhida foi a análise de discurso francesa. Tal
				técnica tem como pressuposto a ideia de que a linguagem tem importância central na
				construção da vida social, não sendo um meio neutro de refletir ou descrever o
				mundo. <xref ref-type="bibr" rid="B16">Gill (2008)</xref> considera que a análise de
				discurso tem quatro temas principais: preocupação com o discurso em si mesmo; visão
				da linguagem como construtiva (criadora) e construída; ênfase no discurso como forma
				de ação; convicção na organização retórica do discurso.</p>
			<p>No primeiro tema da análise de discurso, há preocupação dos analistas com o conteúdo
				e a organização dos textos, não havendo um enfoque no "o que estaria por trás", e,
				sim, nos textos em si mesmos. O segundo tema traz a noção de construção da
				linguagem, no sentido de que diferentes tipos de textos constroem o mundo. O
				terceiro tema realça o discurso/linguagem como uma prática social, que não ocorre em
				um vácuo social empregado pelas pessoas para fazer coisas e que, para isso,
				orientam-se pelo contexto interpretativo em que se encontram. Por fim, o quarto tema
				diz respeito à abordagem da análise de discurso ao ver a vida social caracterizada
				por diversos conflitos, nos quais a linguagem possui natureza retórica, com o
				intuito de se tornar persuasiva, isto é, cada discurso traz uma visão de mundo que
				compete com a versão de outros discursos.</p>
			<p>No que diz respeito à prática da análise de discurso, <xref ref-type="bibr" rid="B16"
					>Gill (2008)</xref> orienta sobre alguns passos necessários à sua realização.
				Primeiramente, é preciso formular suas questões de pesquisa, pois, pelo fato de os
				analistas de discurso estarem interessados no texto em si mesmo, é interessante que
				sejam feitas diferentes perguntas. Após a escolha do texto a ser analisado, é
				preciso transcrevê-lo em detalhes, "a transcrição não pode sintetizar a fala, nem
				deve ser 'limpada', ou corrigida; ela deve registrar a fala literalmente, com todas
				as características possíveis da fala" (Gill, 2008, p. 251). Uma vez feita a
				transcrição, inicia-se uma leitura cética do material, ou seja, há suspensão da
				crença daquilo que é considerado dado e, em seguida, codifica-se o material
				estudado. Tendo completado a codificação, pode-se começar a análise. O importante é
				captar a marca linguística e relacioná-la aos contextos social e histórico.</p>
			<p>Dessa forma, compreendemos que a análise de discurso auxiliará na abordagem ao
				discurso das participantes da pesquisa como falas integrantes de um contexto, sem
				perder a sensibilidade para os detalhes individuais de cada fala e, com isso,
				analisá-las como forma de estar-agir no mundo desses profissionais.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e Discussão</title>
			<p>Foram entrevistados 16 profissionais que atuavam nos serviços. Os profissionais
				participantes da pesquisa pertenciam às seguintes categorias: médicos (5),
				enfermeiros (9), psicólogo (1) e assistente social (1). Para garantir a
				confidencialidade e assegurar o sigilo da identidade desses profissionais, todas as
				falas foram identificadas pela palavra "participante" seguida de um número.
				Empregou-se a codificação do material transcrito que resultou nas categorias
				apresentadas a seguir, relacionadas com objetivo deste trabalho. As categorias
				derivaram do agrupamento de palavras que mais apareceram no discurso dos
				participantes.</p>
			<sec>
				<title>Entendimento dos Participantes Acerca da Escuta na sua Prática
					Profissional</title>
				<p>Neste item, as categorias resultantes foram: "Acolhimento", "Vínculo"; "Empatia",
					"Comunicações verbal e não verbal" e "Compreensão integral".</p>
				<p>Nas falas dos participantes, o "Acolhimento" esteve atrelado à possibilidade de
					oferecer um ambiente agradável, no qual as queixas do paciente são ouvidas,
					identificando-se suas necessidades, de forma que este se sinta à vontade e
					vincule-se ao serviço e ao profissional.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Quando a gente os escuta, eles se sentem mais acolhidos, eles se
								abrem mais. Eles acabam criando um vínculo com a gente</italic>.
							(Participante 11).</p>

						<p><italic>Tem que acolher muito bem para que ela volte, pois, às vezes, ela
								vem fazer o preventivo e nem volta para buscar o resultado</italic>.
							(Participante 6).</p>

						<p><italic>Só o fato de ter desabafado, falado e alguém escutou, parou de
								escrever e olhou para ela, já vê que já conseguiu acolher e já cria
								um vínculo maior com a pessoa, e aí vai ter mais abertura de falar
								até de outras coisas pertinentes até mesmo ali à conduta que você
								vai ter de acordo com o problema que ela apresente</italic>.
							(Participante 8).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Em consonância com o aporte teórico adotado para a análise dos dados,
					identificamos que a compreensão dos profissionais em relação à escuta como forma
					de acolhimento está de acordo com o que <xref ref-type="bibr" rid="B23">Merhy
						(1997)</xref> destaca ao considerar o acolhimento um componente do processo
					de criação de vínculo e do processo terapêutico. Para o autor, o acolhimento
					consiste na humanização das relações, nas quais os usuários e profissionais
					produzem uma relação de escuta e responsabilidade, constituindo vínculos e
					compromissos entre si. Dessa forma, percebe-se que escuta, acolhimento e vínculo
					são termos associados por serem recursos terapêuticos no cuidado em saúde.</p>
				<p>O acolhimento foi citado e relacionado ao "<bold>Vínculo</bold>", em diversas
					falas dos entrevistados, como condição para estabelecer uma relação de confiança
					em que o paciente se sinta à vontade para falar e possa ser possível realizar a
					escuta. Diante disso, entende-se a confiança no profissional como um fator
					indispensável para que o paciente se vincule.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Você precisa deixar que a pessoa confie em você para chegar e
								abrir a alma, aí você consegue, às vezes, chegar ao submundo da
								alma. Então, eu acho que isso é muito importante, você cria um
								vínculo, esse vínculo emocional entre médico e paciente é muito
								importante</italic>. (Participante 7)</p>

						<p><italic>Primeiro que eles têm que conhecer o profissional para se
								sentirem à vontade. E aí gradativamente isso vai melhorando, porque
								eles vão se sentindo acolhidos, vão se sentindo tratados e aí parte
								dessas queixas vai acabando, porque eles são extremamente
								carentes</italic>. (Participante 16)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Essas falas reforçam o que <xref ref-type="bibr" rid="B10">Campos (2003)</xref>
					defende, trazendo a compreensão de que o vínculo, assim como a responsabilização
					e o acolhimento, faz parte do arsenal tecnológico da terapêutica e, por
					consequência, da clínica. Dessa forma, podemos dizer que a escuta está atrelada
					a esse pensamento, ao entender que o vínculo, a responsabilização e o
					acolhimento se constroem a partir da escuta. <xref ref-type="bibr" rid="B21"
						>Matumoto et al. (2005)</xref> destacam que a mudança da lógica tradicional
					médico-centrada por uma prática assistencial em equipe voltada às necessidades
					da população tem como base de atuação o vínculo com a comunidade e a
					responsabilização dos profissionais pelas ações de saúde coletivas e
					individuais. Nesse sentido, é importante destacar que o vínculo estabelecido com
					o usuário, assim como o acolhimento e o significado que se dão na relação
					profissional-usuário, é apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B13">Franco e
						Magalhães Jr. (2004)</xref> como fator importante para a resolutividade na
					rede básica, aliado ao recurso instrumental e ao conhecimento técnico dos
					profissionais.</p>
				<p>Em relação a essa compreensão, os entrevistados destacaram a necessidade de se
					disponibilizar para o outro, ressaltando que isso requer investimento de tempo
					para escutar com atenção as demandas do paciente.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Você tem que estar disposto a ouvi-la sem pressa</italic>.
							(Participante 9)</p>

						<p><italic>Escuta é a capacidade que o profissional tem de parar, sentar,
								olhar, ouvir e depois fazer as interpretações, mas tem que ter olho
								no olho, com disponibilidade de tempo, paciência para ouvir, não
								pode ter pressa</italic>. (Participante 6)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Por meio das falas, percebe-se que os profissionais associam a escuta com o tempo
					de atendimento. Isso corrobora com a literatura, pois <xref ref-type="bibr"
						rid="B18">Lima (2014)</xref> destaca que "para que o sujeito fale, é preciso
					que o profissional esteja disposto a escutá-lo" (p. 342). Nesse sentido, a
					escuta passa pela questão do desejo, da disponibilidade interna do profissional
					em querer escutar o outro e também do tempo para fazê-lo. Atrelada a essa
					compreensão, alguns dos entrevistados pontuaram como entrave a grande demanda de
					pacientes a serem atendidos, o que muitas vezes impossibilita a prática da
					escuta.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Obviamente, a gente queria fazer uma coisa muito maior, de ter
								mais tempo de ouvir um pouco mais, mas infelizmente a rotina não
								permite, e aí a gente acaba escutando a queixa</italic>.
							(Participante 10)</p>

						<p><italic>É necessário que a gente perca um tempo com o paciente para
								ouvi-lo, porque em muitas das vezes são tantas as queixas que a
								gente se depara e a gente acaba vendo que parte dessas queixas são
								sintomas devido aos problemas que ele está vivendo e muitas das
								vezes vai se resolver com conversa, com papo, então eu acho que essa
								escuta é muito importante</italic>. (Participante 12).</p>

						<p><italic>Acho que nessa escuta, como médica, tem que ser aprofundada,
								embora no PSF a gente não tenha muito tempo para isso</italic>.
							(Participante 7)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Diante dessas falas, podemos refletir que, embora haja valorização da escuta para
					a qualidade do atendimento, a dinâmica do trabalho leva os entrevistados a
					avaliar o uso do tempo destinado a escutar o paciente como "perda de tempo",
					pressionados pelo processo de trabalho que é composto de grande demanda de
					pacientes a serem atendidos. Nesse processo, percebe-se valorização do tempo em
					detrimento ao espaço dado ao paciente, evidenciando a não priorização da escuta
					como parte da ação de cuidado diante de um processo de trabalho pautado na
					produção. <xref ref-type="bibr" rid="B37">Vieira, Silveira e Franco
						(2011)</xref> enfatizam a necessidade de profunda transformação nos
					processos de trabalho em saúde, em que a fala e a escuta dos sujeitos sejam
					valorizadas como ponto de partida para as relações de cuidado.</p>
				<p>Com base nas falas dos entrevistados, podemos perceber uma incongruência no que
					diz respeito à disponibilidade do profissional em escutar e nas impossibilidades
					do contexto ao qual o profissional está inserido. Nessa perspectiva, é
					importante pensar sobre a discrepância em relação à preconização do vínculo
					colocado como um dos princípios que norteiam a Atenção Básica (Brasil, 2012) e a
					realidade, que, por vezes, não permite a atuação pautada nesse princípio. No
					entanto, em meio a essa rotina de muitos atendimentos, percebemos que alguns
					profissionais mencionaram estratégias utilizadas a fim de realizar uma escuta
					voltada às necessidades do paciente, driblando os entraves existentes no
					contexto de atuação e buscando meios para exercer a escuta.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Eu tenho uma rotina de seguir uma avaliação, mas eu tento me
								manter um pouco aberta para ouvir mais e ir pegando os sinais que
								forem me passando para eu tentar no pouco tempo que é o que a gente
								tem por conta da demanda, para ouvir o máximo que eu puder</italic>.
							(Participante 10).</p>

						<p><italic>Eu acho que nessa escuta como médica, eu tenho que ir mais
								profundamente, embora no PSF a gente não tenha muito tempo para
								isso, a verdade é essa. Às vezes quando eu vejo que preciso ir muito
								mais a fundo então eu não perco essa cliente do meu contato. Hoje em
								dia eu percebo que eu posso ter um pouquinho hoje, amanhã posso ter
								mais um pouco, aí vou juntando os retalhos da colcha. Essa primeira
								escuta eu acho muito importante e eu gostaria que fosse até na
								primeira consulta, mas aqui pela nossa realidade porque são muitos
								clientes em um dia só então geralmente não é em uma primeira
								escuta</italic>. (Participante 7).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Com base na fala dos entrevistados, compreende-se que, em meio às
					impossibilidades do contexto de atuação dos profissionais, estes demonstraram
					capacidade criativa a fim de proporcionar ao usuário um cuidado de qualidade.
					Atrelado a esse entendimento, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bertachini
						(2012)</xref> destaca que a escuta tem como essência a valorização do outro,
					sendo necessário oferecer prontidão e tempo para acolher as demandas do paciente
					e suas particularidades.</p>
				<p>No que diz respeito à "<bold>Empatia</bold>", os entrevistados destacaram que se
					colocar no lugar do outro é fundamental para entender o que o paciente está
					trazendo como demanda e, assim, compreender sua necessidade. Essa compreensão só
					é possível quando o profissional de saúde reconhece esse usuário como sujeito, o
					que pressupõe a valorização da alteridade e da relação sujeito-sujeito no
					cuidado em saúde. Para <xref ref-type="bibr" rid="B9">Campos (1997)</xref>, não
					há construção de vínculo sem que o usuário seja reconhecido na condição de
					sujeito que fala, julga e deseja. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B26"
						>Mesquita e Carvalho (2014)</xref>, a humanização do cuidado em saúde
					depende da nossa capacidade de escutar a voz do outro e do diálogo com os nossos
					semelhantes, ou seja, estar frente a frente, "olho no olho", pessoa a pessoa
					constituindo uma relação de proximidade e afinidade. Nesse sentido, entende-se
					que perceber o usuário como semelhante é primordial para a humanização dos
					serviços de saúde.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Eu sempre me coloco no lugar da pessoa porque eu acho que se você
								não fizer isso, você não vai entender o problema dela, então é
								importante sairmos da posição de médico e nos colocamos como
								pacientes</italic>. (Participante 7)</p>

						<p><italic>Acho que se a gente começar a se colocar no lugar do outro, a
								gente começa a ter mais sensibilidade e, muitas vezes, acaba sendo
								resolutivo sem uso de medicamentos</italic>. (Participante 14)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>A escuta também foi identificada como meio de exercer "<bold>comunicações verbal
						e não verbal</bold>", ou seja, um recurso que possibilita compreender o que
					o paciente necessita e, às vezes, não é mencionado como queixa. Portanto, é
					preciso acessar informações que "estão por trás da queixa" e, por meio da
					escuta, identificar as reais necessidades do paciente.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>É escutar o que a clientela quer na realidade, porque às vezes
								elas vêm com uma queixa e não é aquilo. Eu trabalho, por exemplo,
								fazendo preventivo, mas às vezes não é isso que a pessoa está
								procurando. É outra coisa que ela está procurando e é nessa escuta,
								nesse momento que você para e entende o problema do paciente, você
								consegue inclusive ver o que ele realmente está precisando</italic>.
							(Participante 9).</p>

						<p><italic>A gente pode observar e ver o que pode ser feito para ajudar este
								paciente. Não necessa riamente só pela dor que ele veio, por essa
								demanda e sim pelo que está por trás disso</italic>. (Participante
							4)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Diante dessas afirmações, podemos confirmar o que <xref ref-type="bibr" rid="B24"
						>Merhy (2002a)</xref> defende ao dizer que o cuidado começa na escuta, ou
					seja, é no espaço oferecido ao usuário, para falar e expor suas necessidades,
					que é possível produzir atos, ações, procedimentos e cuidados com os quais se
					pode chegar à cura ou a um modo qualificado de se levar a vida. Entende-se,
					portanto, que a escuta é um recurso utilizado a fim de acessar as necessidades
					do paciente e, assim, produzir cuidado. Às vezes, essas necessidades não são
					explicitadas de forma clara e direta, por isso os entrevistados destacaram que é
					necessário conhecer o que está "por trás da queixa", que são as reais
					necessidades do paciente.</p>
				<p>Diante dessa questão, é importante diferenciarmos necessidade de saúde e demanda
					de saúde, que diferem pelo fato de a necessidade estar atrelada àquilo que o
					sujeito realmente precisa e, por vezes, não é explicitado, enquanto a demanda é
					aquilo que ele traz como uma questão a ser resolvida pelo serviço de saúde.
					Nesse sentido, entende-se que a escuta permite um cuidado ampliado ao
					possibilitar o acesso às necessidades de saúde do usuário e não somente a
					demanda. Essa compreensão é demarcada pelo Ministério da Saúde, ao enfatizar que
					para a atenção básica ser resolutiva, deve ter a capacidade ampliada de escuta
					(e análise), um escopo ampliado de ofertas para lidar com a complexidade de
					sofrimentos, adoecimentos, demandas e necessidades de saúde aos quais as equipes
					estão constantemente expostas (Brasil, 2013).</p>
				<p>Ainda em relação à comunicação, os profissionais destacaram a importância de se
					atentar para o não verbal, trazendo um sentido ampliado para a questão da escuta
					que não se restringe ao discurso do paciente, mas atenta-se para o que se "fala"
					com o corpo, por meio de gestos, do olhar, do tom de voz etc. Esse entendimento
					é enfatizado por <xref ref-type="bibr" rid="B26">Mesquita e Carvalho
						(2014</xref>, p. 512) ao compreender a comunicação como componente
					importante da escuta terapêutica, envolvendo o entendimento do que a outra
					pessoa diz e sente. Segundo esses autores, a base da comunicação terapêutica é a
					relação estabelecida com o usuário, de modo que este utilize os seus recursos
					comunicativos (palavras, narrativas, expressões verbais e não verbais) para
					descrever sua história de vida e percepção de mundo.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>A escuta pra mim tem que ser atenta. É estar atenta a tudo o que
								a mulher está falando e também ao que ela não está falando, às vezes
								por meio dos gestos, por meio dos olhares, às vezes por meio das
								palavras que não são claras</italic>. (Participante 13).</p>

						<p><italic>A escuta é a escuta da pessoa como um todo, na maneira de falar,
								no tom da voz, na postura, na fisionomia, nos gestos... então, tudo
								isso pra mim, está dentro da escuta</italic>. (Participante 3)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Os entrevistados ressaltaram também que a escuta é um recurso que possibilita
						"<bold>compreensão integral</bold>" do usuário, trazendo a concepção da
					saúde de forma ampliada, que não se restringe à doença orgânica, destacando a
					importância de escutar o que o paciente traz em relação à vida, ao seu contexto
					etc. Esse olhar ampliado sobre o sujeito está intimamente ligado ao conceito de
					integralidade que considera as dimensões biológica, psicológica, cultural e
					social do usuário, orientando políticas e ações de saúde capazes de atender às
					demandas e necessidades da população (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Pinheiro,
						2009)</xref>. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B20">Mattos (2006)</xref>,
					tal integralidade implica recusa ao reducionismo, à objetivação dos sujeitos e,
					talvez, uma afirmação de abertura ao diálogo. Percebe-se, portanto, que os
					profissionais têm o entendimento desse conceito e trazem essa compreensão no seu
					discurso.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>É estar pronto a ouvir o que ele tem a falar, da queixa dele, de
								tudo, da ponta do fio de cabelo à unha. É qualquer coisa relacionada
								à saúde como também da vida pessoal, do trabalho, da família... Tudo
								o que tiver relacionado ao bem-estar, né?</italic> (Participante
							16)</p>

						<p><italic>É um cuidado bem minucioso dessa mulher, um cuidado integral,
								porque não é só olhar a paciente como um sistema reprodutor
								feminino, como uma vagina, como um colo uterino, como uma mama, mas
								como um todo</italic>. (Participante 15)</p>
					</disp-quote></p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Reconhecimento da Escuta como Recurso Terapêutico</title>
				<p>Solicitamos aos participantes que marcassem, em uma escala de 1 a 5, o
					reconhecimento da escuta como um recurso terapêutico em sua prática
					profissional. Todos os participantes, sem exceção, marcaram o grau máximo na
					escala. Eles explicitaram mudança perceptível na forma como o paciente chega à
					consulta e como sai desta ao ser escutado pelo profissional de saúde.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Deixar a pessoa falar é o mais importante e isso tem efeito
								terapêutico sim. Normalmente as pessoas saem melhores do que
								entraram só pelo fato de falar</italic>. (Participante 2)</p>

						<p><italic>Você vê que às vezes ela entra com uma feição e sai com outra bem
								melhor, só pelo fato de ter falado</italic>. (Participante 11)</p>

						<p><italic>Ela sai mais aliviada, porque eu escutei. A escuta por si própria
								já alivia</italic>. (Participante 7).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Assim, percebemos que a escuta é entendida como um meio de atenuar as angústias
					do paciente, ao oferecer um espaço para que este exponha as suas questões, sendo
					esta uma compreensão destacada por <xref ref-type="bibr" rid="B10">Campos
						(2003)</xref>, ao colocar a intervenção terapêutica como parte "essencial da
					clínica que estuda e põe em prática meios adequados para curar, reabilitar,
					aliviar o sofrimento e prevenir danos futuros" (p. 68). No entanto, por meio das
					falas dos profissionais, percebemos que estes não reconhecem a escuta como uma
					intervenção, sendo colocada de forma simplificada e reduzida ao mencionarem que
					"só" escutaram o paciente ou não reconhecem essa escuta como parte integrante da
					consulta.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>A pessoa vai embora, e nem faz a consulta, não toma remédio, nada
								e sai satisfeita.</italic> (Participante 4)</p>

						<p><italic>Em diversos atendimentos eu percebo isso, que as pessoas vêm só
								para falar e não necessariamente porque estão doentes ou precisando
								de uma intervenção. E no final elas dizem "Já saí daqui aliviada,
								estou saindo melhor" e ela só falou</italic>. (Participante 13)</p>

						<p><italic>A pessoa se sente atendida na necessidade dela, mesmo que essa
								necessidade não seja expressa verbalmente, ela vem com uma série de
								emoções tipo carência, e aí só o fato de escutar, como olhar também,
								normalmente tem um efeito, eu percebo isso</italic>. (Participante
							5)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Diante disso, entende-se que os profissionais percebem o resultado terapêutico da
					escuta no paciente, mas não a identificam como um recurso a ser utilizado para
					produzir cuidado. Essa compreensão é dissonante ao que <xref ref-type="bibr"
						rid="B13">Franco e Magalhães Jr. (2004)</xref> propõem sobre um processo de
					trabalho centrado nas tecnologias leves e leve-duras como condição para que o
					serviço seja produtor do cuidado. No entanto, no cotidiano dos serviços de
					saúde, ainda há a prevalência das tecnologias duras em detrimento das
					tecnologias leves (das relações). <xref ref-type="bibr" rid="B24">Merhy
						(2002a)</xref> destaca que o desafio que se coloca é a transformação da
					atenção sanitária centrada no procedimento em uma atenção centrada no usuário.
					Isso requer inversão das tecnologias de cuidado a serem utilizadas na produção
					da saúde. Segundo essa perspectiva, destacamos algumas falas nas quais os
					profissionais fazem um comparativo da escuta em relação ao exame físico.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>É melhor você ter uma boa escuta do que às vezes você ter um
								exame físico, porque uma boa história leva você a fazer um bom
								diagnóstico, mais do que, às vezes, um exame físico.</italic>
							(Participante 5)</p>

						<p><italic>É fundamental o papel da história na avaliação do paciente, no
								sentido, dele te contar as queixas. É 90% do diagnóstico e às vezes
								mais e às vezes um pouco menos de acordo com a doença. O exame
								físico traz muito pouco</italic>. (Participante 2)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Percebemos que os profissionais destacaram a importância de escutar a história do
					paciente para construir uma conduta terapêutica resolutiva. Por meio do discurso
					dos profissionais, entende-se que a escuta é colocada como um recurso que
					auxilia no diagnóstico, não sendo identificada em si como intervenção em saúde.
					Atrelada a essa compreensão, identificamos algumas falas dos entrevistados que
					demarcam a contraposição da escuta em relação à prescrição médica, evidenciando
					o pensamento dicotômico dos profissionais acerca da escuta no contexto do
					atendimento de saúde.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Eu acho que em muitos casos é fundamental</italic> [a escuta].
								<italic>Claro que o paciente também precisa da medicação</italic>.
							(Participante 12)</p>

						<p><italic>Às vezes também a escuta pode resolver o problema, mas não
								sozinha também, porque às vezes tem que entrar com medicação
								querendo ou não. Às vezes é só um problema familiar e aí só ouvindo
								resolve. Às vezes o problema familiar levou a uma depressão. Aí tem
								que entrar com medicação, então depende do caso</italic>.
							(Participante 16)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Dessa forma, entende-se que há a concepção do uso de um recurso em substituição
					de outro, não havendo a compreensão da escuta como parte integrante do aparato
					tecnológico de cuidado do profissional de saúde. Diante dessa concepção,
					percebe-se que os profissionais conhecem a escuta e o resultado que esta
					proporciona, no entanto não a reconhecem como recurso integrante da prática
					profissional.</p>
				<p>Entre as falas dos profissionais, destacou-se a compreensão da escuta como
					terapêutica por possibilitar a identificação das reais necessidades do paciente,
					seja de ordem física, psicológica ou social, por meio do estabelecimento de uma
					relação dialógica com o usuário, considerando o contexto em que este está
					inserido. Diante dessas considerações, percebe-se que a escuta detém um papel
					importante na construção de uma relação terapêutica entre profissional e
					usuário. Com isso, é possível realizar um cuidado pautado na identificação das
					necessidades e problemas da pessoa escutada para o planejamento das ações em
					saúde (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Souza et al., 2003)</xref>. Portanto, a
					escuta é um recurso dos profissionais de saúde que cuidam e o interesse maior
					não é na narrativa pronta, mas no que esta traz para reconhecer as necessidades
					e demandas desse sujeito.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>A escuta é um recurso terapêutico muito valioso. Porque é a
								partir da escuta que você vai conhecer a paciente e vai saber quais
								são as necessidades que ela tem e como direcioná-la</italic>.
							(Participante 15)</p>

						<p><italic>Não é o fato de você estar ali parada, acompanhando o que a
								pessoa está dizendo que significa que você está fazendo uma escuta
								terapêutica. Você pode estar só ouvindo, mas não está fazendo de
								fato uma escuta, porque você não está considerando todos os fatores,
								todo o contexto no qual aquela pessoa está inserida</italic>.
							(Participante 3)</p>
					</disp-quote></p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Reconhecimento da Singularidade do Atendimento à Mulher</title>
				<p>Ao serem questionados se concordavam com ou discordavam da afirmativa "A escuta é
					um recurso terapêutico no atendimento à saúde da mulher", todos os entrevistados
					concordaram e enfatizaram que a escuta deve ser inerente a todos os usuários e
					não somente às mulheres.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Sei que a sua pesquisa é mais para a saúde da mulher, mas escutar
								o doente é muito fundamental para todos</italic>. (Participante
							12).</p>

						<p><italic>Em minha opinião ela é importante em todos para todos os grupos,
								faixas etárias, enfim acho muito importante como um modo terapêutico
								para que as pessoas tenham um espaço de falar, ter um espaço de
								colocar as coisas que às vezes ela não consegue falar com um amigo,
								com um familiar ou com ninguém e aí com o profissional de saúde ela
								vai ter essa possibilidade</italic>. (Participante 13).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Diante dessas falas, percebe-se o reconhecimento da importância da escuta para o
					cuidado em saúde de todos os usuários, enfatizando que esse recurso deve ser
					utilizado em todo e qualquer atendimento. Essa compreensão nos faz pensar que os
					entrevistados entendem que a escuta não deve ser destinada a apenas um público
					específico - já que enfatizamos o cuidado oferecido às mulheres neste estudo -,
					destacando, assim, a importância da escuta para todos os usuários.</p>
				<p>Alguns profissionais enfatizaram que não há diferença na escuta no que diz
					respeito ao gênero da pessoa que está sendo atendida. Percebe-se que os
					profissionais salientaram não haver diferenciação em relação ao gênero, no
					intuito de caracterizar igualdade no cuidado oferecido tanto para homens quanto
					para mulheres.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Eu não consigo separar e ver essa diferença entre a escuta para o
								homem ou a escuta para a mulher. Não consigo fazer essa separação
								não</italic>. (Participante 15).</p>

						<p><italic>Mas a minha maneira de escutar, independente de ser mulher ou
								homem, seria a mesma. Eu escuto os dois da mesma maneira. Não tem
								nenhuma peculiaridade por ser mulher, da minha parte
								profissional</italic>. (Participante 6).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Com base nas falas dos profissionais, podemos dizer que essa não diferenciação em
					relação à escuta dos homens e das mulheres traz a compreensão de igualdade no
					atendimento visando à não discriminação. No entanto, pontuamos a necessidade de
					considerar as especificidades da população atendida, trabalhando com um dos
					princípios do SUS que é a equidade. A noção de equidade diz respeito à
					necessidade de "não tratar desigualmente os desiguais", de modo a alcançar a
					igualdade de oportunidades de sobrevivência, de desenvolvimento pessoal e social
					entre os membros de uma dada sociedade (<xref ref-type="bibr" rid="B36"
						>Teixeira, 2011)</xref>. Diante dessa compreensão, entende-se que é preciso
					reconhecer a desigualdade entre as pessoas e os grupos sociais, assim como as
					injustiças que devem ser superadas. Nesse sentido, compreende-se que a igualdade
					só é possível quando consideramos as diferentes necessidades dos usuários.
					Portanto, é preciso considerar as especificidades da população feminina, a fim
					de produzir um cuidado pautado nas necessidades dessa população, buscando,
					assim, a equidade da atenção à saúde.</p>
				<p>Algumas falas dos entrevistados enfatizaram esse aspecto ao mencionar questões
					que permeiam a vida das mulheres, trazendo o entendimento da necessidade de um
					cuidado integral diante da singularidade dessa população. Com base nas falas,
					percebe-se que as questões de gênero atravessam a vida da mulher que busca
					atendimento de saúde e, por isso, é importante que sejam consideradas, a fim de
					proporcionar um cuidado integral que considera o contexto e a singularidade da
					usuária.</p>
				<p>Segundo essa perspectiva, C<xref ref-type="bibr" rid="B11">oelho et al.
						(2009)</xref> destacam a importância de o cuidado em saúde ser pautado no
					acolhimento com escuta sensível às demandas, considerando a influência das
					relações de gênero no processo de saúde e adoecimento. Dessa forma, entende-se
					que a integralidade e a perspectiva de gênero precisam repercutir nas práticas
					de saúde, "desde o acolhimento até a recuperação de homens e mulheres, condições
						<italic>sine qua non</italic> para a humanização e qualidade da atenção à
					saúde que implicam o estabelecimento de relações entre sujeitos" (<xref
						ref-type="bibr" rid="B35">Souto, 2008</xref>, p. 176).</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>A mulher tem diversas questões. Tem aquela mulher que quer fazer
								um aborto, ou aquela que sofreu algum tipo de violência, ou aquela
								mulher que não aguenta mais trabalhar para ter que sustentar o filho
								sozinha, então tem coisas específicas da mulher que são mais duras
								ou talvez mais cruéis comparado com outras coisas.</italic>
							(Participante 13)</p>

						<p><italic>A mulher vive diversas dificuldades por conta da sociedade que a
								gente vive, da subjulgação que a maioria delas. É de uma submissão,
								"Ah, ele não quer, então não". E a minha vontade? E o meu desejo? O
								que eu quero? Onde fica? Eu nunca? Só o outro? Porque qualquer
								pessoa que não expressa os seus desejos, que não faz aquilo que
								também quer em algum momento a cabeça vai ficar ruim</italic>.
							(Participante 12).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Ainda segundo a compreensão das questões específicas da população feminina, outro
					aspecto que permeou o discurso dos profissionais foi o papel social da mulher e
					as suas implicações no cotidiano e, até mesmo, na sua saúde. Ficou marcado nas
					falas o papel da mulher como cuidadora, sendo ela a responsável pelo cuidado da
					família, confirmando o que a Política Nacional de Atenção à Saúde da Mulher
					(Brasil, 2004) sinaliza.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Antes a mulher era uma dona de casa, mas hoje ela faz muitas mais
								coisas, hoje em dia ele tem que ser dona de casa, ela tem que
								trabalhar, agradar o marido, estar bonita e cheirosa tudo isso junto
								e o homem Alguns já estão ajudando a mulher nos afazeres de casas,
								mas existem muitos ainda que são machistas, que trabalham e acham
								que a mulher mesmo trabalhando chega em casa e tem que fazer tudo e
								dar na mão dela. Ainda persiste esse modelo</italic>. (Participante
							7).</p>

						<p><italic>A mulher deixa a vida dela de lado. Vive para todo mundo menos
								para ela mesma. Até me relação ao seu cuidado mesmo. Ela tem tempo
								para trazer cinco filhos para a puericultura, mas ela não tem tempo
								de fazer um preventivo, porque ela tem que arrumar a casa, levar o
								filho na escola, tem que fazer muita coisa e acaba banalizando um
								pouco a saúde dela para cuidar dos outros</italic>. (Participante
							10).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Com base no discurso dos entrevistados, é possível constatar que há a compreensão
					dos profissionais acerca de uma escuta diferenciada ao público feminino por
					todas as questões do "ser mulher" nos dias de hoje, diante do papel social que
					esta exerce. No entanto, pouco se percebeu nas falas dos profissionais a
					implicação que essas questões podem trazer para a saúde da mulher, o que nos faz
					refletir sobre a necessidade de capacitação específica para os profissionais de
					saúde acerca das questões de gênero e sua relação com a saúde.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Abordagem do Tema da Escuta na Formação</title>
				<p>Diante das demandas da atualidade, destaca-se a necessidade de discutir como a
					formação acadêmica tem preparado profissionais para lidar com essas mudanças e
					novas exigências no campo da saúde. Com isso, exigem-se cada vez mais recursos
					da "caixa de ferramentas" de quem atende ante a complexidade das necessidades de
					saúde e as nuances da singularidade de cada atendimento (<xref ref-type="bibr"
						rid="B14">Franco &amp; Merhy, 2005)</xref>.</p>
				<p>Entre os entrevistados desse estudo, nove eram enfermeiros, cinco médicos, um
					assistente social e uma psicóloga. Identificamos certa heterogeneidade em
					relação ao tempo de exercício da profissão dos entrevistados, pois, entre os
					enfermeiros, variou de um a trinta anos, assim como entre os médicos (de um a
					quarenta anos). O tempo de formação da assistente social e da psicóloga foi de
					13 e 20 anos, respectivamente.</p>
				<p>No que diz respeito à abordagem da escuta na formação dos profissionais
					entrevistados, três enfermeiros e três médicos responderam que esse assunto não
					foi abordado na formação. Dentre os que disseram que a escuta foi abordada na
					formação, três enfermeiros e dois médicos mencionaram que foi apenas na
					graduação, enquanto três enfermeiros, um médico, um assistente social e uma
					psicóloga destacaram que a escuta foi abordada na graduação e na
					pós-graduação.</p>
				<p>Com base nos dados descritos anteriormente, percebemos que a escuta foi abordada
					na formação da maioria dos profissionais entrevistados. No entanto, no que se
					refere às experiências de aprendizagem em relação a essa temática, percebemos
					que a escuta pouco foi valorizada como recurso importante na prática clínica,
					sendo, por vezes, vista como algo irrelevante. As seguintes falas destacam esse
					aspecto:</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Na graduação, talvez tenha sido abordada, mas assim, não tendo a
								importância que ela deveria ter. Passou</italic>... (Participante
							6)</p>

						<p>[A escuta] <italic>foi abordada no sentido de fazer parte da
								propedêutica, do estudo do paciente para fazer um diagnóstico, mas
								não em termos de uma pessoa que vem falar das coisas dela com você.
								Até mesmo na Psicologia Médica, porque quando você tem que colocar
								uma especialidade para te dar aula sobre o assunto, já é uma maneira
								de você dizer assim 'Isso aqui é um negócio que você pode esquecer.
								É uma invenção de meia dúzia, mas isso na realidade não é verdade.
								Aliás, mesmo que seja verdade, pouco importa. É uma coisa que temos
								que te ensinar, mas pode esquecer'. Isso é uma coisa
								transdisciplinar, devia ser visto em todas as disciplinas que a
								gente estuda.</italic> (Participante 5)</p>

						<p><italic>Dentro da Medicina, essas outras questões não foram abordadas. Eu
								acho que isso falta na formação do médico. E se você parar para
								escutar o paciente, muitos reclamam da falta de escuta do
								médico.</italic> (Participante 12)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>As falas dos entrevistados também evidenciaram a vinculação da escuta ao campo da
					Psicologia ao relatarem as suas experiências de aprendizagem acerca desse tema.
					Entende-se que os profissionais associam a escuta a um recurso que pertence ao
					campo da Saúde Mental e, por isso, relacionaram o aprendizado desse recurso às
					disciplinas desse campo de saber.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Faz muito tempo que eu me formei, mas eu tive Saúde Mental em
								todos os períodos da faculdade. Então, eu acredito que a escuta foi
								abordada na formação sim.</italic> (Participante 1)</p>

						<p><italic>Ela estava chorando e aí eu a ouvi, conversei, mas era paciente
								psiquiátrica. Aí acaba que a gente cai de novo nessa questão da
								Psiquiatria. Mas ela vem aqui quase todo dia e sempre está chorando,
								sempre tem uma queixa, entendeu? Talvez ela precise ser
								ouvida</italic> (Risos). (Participante 16).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Nesse sentido, entende-se que a escuta é reconhecida como pertencente a um campo
					específico e, portanto, não está na alçada do campo da saúde como um todo. Essa
					compreensão reflete, mais uma vez, a resistência em fazer uso de um recurso que
					é da "caixa de ferramentas" de um outro campo de saber, reforçando a falta de
					integração entre as especificidades. Isso fica evidente nas seguintes falas:</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>O processo terapêutico desse tipo de distúrbio de ansiedade, de
								depressão, não é com a gente, mas é mais com a Psicologia que toma a
								frente disso, que é basicamente ouvir, para haver a associação de
								ideias, buscando iluminar aquelas áreas do oceano que o paciente não
								consegue ver</italic>. (Participante 5).</p>

						<p><italic>A enfermagem deixa você muito prática. Você vai lá, faz o
								procedimento, você faz, você atende. E na saúde mental não tem essa
								nossa prática, é escuta mesmo, é avaliação da situação e escuta do
								cliente com suas dificuldades e da família</italic>. (Participante
							12).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>No discurso dos profissionais, percebe-se a rigidez entre os campos de saberes,
					não havendo confluência entre os diferentes modos de fazer saúde. Essa postura
					contrapõe-se ao que a Política Nacional de Humanização preconiza ao trazer o
					conceito da Transversalidade, que, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B29"
						>Pedroso e Vieira (2009)</xref>, significa colocar os saberes e práticas de
					saúde no mesmo plano comunicacional, provocando a desestabilização das
					fronteiras dos saberes, territórios de poder e modos instituídos nas relações de
					trabalho, para a produção de um plano comum. Nesse sentido, entende-se a
					importância da interlocução de diferentes saberes, buscando apreender variadas
					ferramentas para a sua "caixa", a fim de possibilitar um cuidado mais
					integral.</p>
				<p>Outro aspecto destacado pelos entrevistados foi quanto ao modelo de saúde,
					explicitado nas falas no reconhecimento de a formação ser voltada para a doença,
					para realização de diagnósticos, não valorizando um olhar voltado para o sujeito
					e seu contexto. Destacamos duas falas de profissionais que se formaram
					recentemente e retratam essa questão, sinalizando que a formação ainda é pautada
					no Modelo Biomédico e, por isso, não privilegia a prevenção de doenças nem a
					escuta, por exemplo, como foi mencionado pelos entrevistados.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Pra gente que é médico aqui no Brasil fomos treinados a passar
								medicação pra resolver tudo, diferente de outros lugares. Não sei
								como é hoje em Cuba, mas lá é bem voltado para Medicina Preventiva e
								não ficam só na medicação.</italic> (Participante 16 - formado há um
							ano).</p>

						<p><italic>Quando aprendemos a escuta não seguimos um modelo biomédico, de
								que é só dar um diagnóstico e passar medicação, mas é tentar
								entender o que está por trás daquele diagnóstico, compreender o
								contexto através da escuta</italic>. (Participante 14 - formada há
							dois anos).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Diante disso, percebe-se que mesmo com a proposta da Atenção Básica de
					proporcionar ao usuário um cuidado integral, tendo como premissa a ampliação dos
					modos de pensar-fazer saúde, ainda há o predomínio do modelo tradicional
					biomédico na formação profissional. Essa questão corrobora o que foi mencionado
					por <xref ref-type="bibr" rid="B30">Pierantoni (2001)</xref> ao ressaltar o
					distanciamento do setor educacional das reformas no setor saúde como um fator
					que acarreta a inviabilidade dos modelos propostos. Diante disso, entende-se que
					a inadequada formação de profissionais tem sido um obstáculo às mudanças no
					modelo assistencial, já que os cursos de graduação e pós-graduação não formam o
					aluno para as necessidades do SUS.</p>
				<p>Os profissionais também ressaltaram que a formação não valorizou a escuta de
					forma efetiva e, por isso, as experiências de aprendizagem não foram eficazes.
					Nas falas a seguir, percebemos que a escuta não é colocada como uma habilidade
					importante a ser aprendida e exercitada pelo profissional de saúde, sendo
					abordada apenas de forma superficial.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Eu estou fazendo pós em saúde da família. Comecei a fazer
								semestre passado e ainda não foi abordado não. Não falaram nada
								sobre escuta ativa. Eles até falam, mas muito rápido, falam que é
								importante ter, mas ninguém chega assim para desmembrar, detalhar,
								essas coisas</italic>. (Participante 4)</p>

						<p><italic>Eu me lembro que nos primeiros estágios que a gente chega ao
								hospital os professores falam isso que é importante escutar, mas não
								explicam o que é escuta, que não é só você ouvir, é você se atentar,
								você observar o que está por trás do que ele está falando, essas
								coisas todas</italic>. (Participante 14)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Com base nas falas citadas, percebemos que a escuta é abordada apenas no nível
					teórico, de forma que não há a compreensão do "como fazer", a fim de trazer o
					entendimento da prática da escuta como um recurso na atuação profissional.
					Diante disso, podemos refletir sobre a eficácia das estratégias de
					ensino-aprendizagem que estão sendo utilizadas na graduação e na
					pós-graduação.</p>
				<p>Alguns entrevistados mencionaram algumas experiências de aprendizagem, sempre
					remetendo à questão da vivência prática, trazendo exemplos do contato com o
					paciente e dos estágios realizados, destacando que o aprendizado se deu no
					contato com o campo de atuação. As falas seguintes retratam esse aspecto:</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>O estágio no hospital psiquiátrico, foi extremamente marcante.
								Porque ali você lida com escuta muito fora da realidade, então
								aprendi muito como escutar, mesmo quando não faz o menor sentido
								àquilo que está sendo dito e conseguir dali compreender esse
								sujeito, o que ele está passando, que sofrimento é aquele, mesmo não
								tendo a menor lógica aquilo que ele está falando</italic>.
							(Participante 3).</p>

						<p><italic>Quando eu fiz o curso de facilitadores de educação permanente, a
								gente teve que fazer algumas atividades na prática, então você
								aprende a ouvir, foi um curso de aperfeiçoamento e a questão da
								escuta foi muito abordada</italic>. (Participante 13).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Com base nessas falas, evidencia-se a valorização dos profissionais em relação às
					vivências, demonstrando que as experiências no campo prático foram o que mais
					demarcou o aprendizado acerca desse tema. Dessa forma, entende-se que o contato
					com atividades vivenciais é potente, no que diz respeito à escuta, para a
					aprendizagem dos alunos. Essa questão foi demarcada nas falas dos entrevistados
					ao relatarem experiências na formação, nas quais foram realizadas vivências no
					contexto de aprendizagem, sendo vista de forma positiva pelos profissionais.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Eu lembro que a professora na época, isso há muitos anos atrás, a
								gente tentava vivenciar, a gente criava situações em relação ao
								enfermeiro e o paciente e as colegas da turma tinham que avaliar,
								escrever. Eu lembro muito disso e era muito legal.</italic>
							(Participante 4).</p>

						<p><italic>A gente fazia um internato e nós tínhamos uma salinha, porque a
								Saúde Mental nos últimos períodos era 'Vivendo vivências' e aí a
								gente ia para essa salinha, todo mundo sentava no chão e aí a gente
								falava das nossas experiências para saber trabalhar com aquilo
								porque a gente acaba levando o paciente pra casa, porque não está
								acostumado com aquilo e vai carregando tudo. Era um momento para a
								gente conseguir separar, de colocar pra fora, de conseguir trabalhar
								isso e era muito bom. Eu fazia questão de ir. Nossa! Eu fazia
								questão que fosse todo mundo</italic>. (Participante 1).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>A questão da prática foi um aspecto mencionado como aquilo que produziu a
					compreensão e o conhecimento acerca da escuta, tanto no contexto de formação
					como na atuação profissional. Alguns entrevistados destacaram que a escuta não
					foi abordada na formação, sendo, portanto, necessário aprender sobre essa
					temática no exercício profissional.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>A formação em si não me instrumentalizou para essa questão da
								escuta, só me despertou para a importância, mas a prática que foi
								importante e que me fez exercer isso</italic>. (Participante
							15).</p>

						<p><italic>Não tive</italic> [experiência de aprendizagem]. <italic>Em
								estágio de Medicina é assim: Entra e atende</italic> (ênfase na
								fala)<italic>. Isso é estágio de Medicina</italic> (Risos).
								<italic>Então não tem muito isso... . Mas eu acho que a gente vive
								aprendendo todos os dias, e aí na sua vida você vai ver coisas boas
								e ruins e aí você vai filtrar o que você quer pra você. Como é que é
								a sua prática? O que você interpreta como boa prática? E aí vai
								utilizando</italic>. (Participante 12).</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Até mesmo aqueles que demarcaram a discussão da escuta na sua formação
					ressaltaram a prática como essencial para compreender esse recurso. Por meio do
					discurso dos participantes, é possível perceber a valorização da atuação
					profissional como aquilo que proporciona sentido para o que é aprendido na
					teoria.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Foi abordada, com certeza. O que mais se falava era sobre escuta.
								Mas só na prática que a gente começa a entender que escuta é
								essa</italic> (risos). (Participante 3)</p>

						<p><italic>Na pós-graduação, não é que eu tenha ouvido mais, mais ficou mais
								marcado, conforme também eu já estava no serviço, já estava atuando
								como profissional, então eu já estava fazendo uma relação da teoria
								e a prática. Na graduação você vê mais a teoria, mas aí você vai
								aprimorando mais com a prática também</italic>. (Participante
							13)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Diante disso, é importante enfatizar a necessidade de a formação profissional
					valorizar o aprendizado baseado na prática, trabalhando conceitos da saúde
					aplicados na prática. É no campo de atuação que o profissional se depara com as
					possibilidades e impossibilidades do seu fazer. Segundo <xref ref-type="bibr"
						rid="B28">Paim (1993)</xref>, é o serviço, em sua realização concreta, que
					pode permitir a demonstração de que o contexto social e econômico não é externo
					ou alheio à Saúde ou à Medicina (um envoltório como aparece nos esquemas), mas
					intrínseco e mediador em todas as práticas. Portanto, é na prática da
					assistência que é possível compreender a multiplicidade de fatores que
					influenciam diretamente o cuidado em saúde, possibilitando, assim, que o
					profissional em formação considere esses diferentes aspectos em sua atuação.</p>
				<p>Os entrevistados também consideraram a escuta uma tendência própria do
					profissional de saúde, sendo, assim, uma habilidade própria da personalidade do
					sujeito. As falas dos entrevistados demarcaram a compreensão da escuta como algo
					intrínseco ao indivíduo.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><italic>Eu tenho a tendência a escutar mesmo, acho que é uma questão de
								personalidade</italic>. (Participante 2).</p>

						<p><italic>Eu acho que isso é uma característica minha. Independente da
								formação profissional. Porque eu vejo pessoas que fizeram na mesma
								época que eu fiz e não são iguais, então eu acho que é do
								profissional mesmo</italic>. (Participante 15)</p>

						<p><italic>Acho que não só a minha faculdade, eu acho que o meu jeito mesmo
								sempre me possibilitou ter uma escuta muito ativa com os pacientes,
								eu costumo realmente escutar e tudo mais</italic>. (Participante
							4)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Nesse sentido, é importante pensarmos sobre essa compreensão que os entrevistados
					trouxeram, remetendo a escuta à personalidade, a uma disposição própria do
					indivíduo. No entanto, precisamos entender que a escuta é um recurso da prática
					profissional, logo é aprendida e exercida com base na apreensão do conhecimento
					ao atuar no cuidado em saúde. Diante dessa questão levantada pelos
					entrevistados, percebemos que é importante desconstruir essa compreensão da
					escuta como algo intrínseco, que pode se configurar como um entrave à
					aprendizagem desse recurso.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>Com a mudança da lógica tradicional médico-centrada por uma prática assistencial em
				equipe voltada às necessidades da população que a Atenção Básica preconiza,
				propõe-se uma atuação baseada no vínculo e na corresponsabilização. No entanto,
				percebe-se uma dissonância entre o que é preconizado pelas Políticas Públicas e o
				que é demandado ao profissional no contexto de atuação, exigindo quantitativos de
				atendimentos em detrimento da qualidade da assistência. Diante dessa discrepância,
				percebe-se que o profissional de saúde fica ambivalente entre valorizar o tempo e a
				produção de atendimentos ou a escuta ao usuário, a fim de proporcionar um cuidado
				integral. Nesse sentido, fica a cargo do profissional optar por uma conduta
				valorizada nas políticas de formação em saúde, mas negligenciada na dinâmica dos
				serviços de saúde. Com isso, emerge a busca por estratégias criativas diante de um
				processo de trabalho que dificulta e não valoriza a escuta, exigindo do profissional
				a construção de meios e recursos diante desse contexto ante os preceitos da Atenção
				Básica.</p>
			<p>Na análise das entrevistas, cabe ressaltar o discurso dos profissionais sobre o
				conhecimento destes em relação à escuta como conceito. Todos a valorizam e
				conhecem-na, no entanto, percebe-se que a escuta foi (re)conhecida e valorizada como
				um recurso terapêutico na atuação profissional, de forma empírica, sem a prática
				vivenciada, significada e específica. Diante disso, podemos pensar quais estratégias
				de aprendizagem estão sendo utilizadas na formação do profissional para capacitá-lo
				ao exercício de uma escuta realmente efetiva como preconizado pelas políticas
				públicas. Sendo assim, é preciso que a formação busque ensinar o "como fazer",
				trabalhando com o estudante a prática dessa ferramenta no cotidiano da assistência.
				Enfatizamos, assim, a necessidade da formação em saúde reconhecer, valorizar e
				capacitar profissionais que identifiquem a escuta como recurso terapêutico,
				oportunizando o exercício da escuta no processo formativo, por se tratar de um
				recurso aprendido.</p>
			<p>Em relação à valorização da escuta, percebe-se que os profissionais reconhecem o
				resultado que a escuta proporciona no cuidado em saúde, sendo um recurso que
				possibilita acessar a necessidade do usuário, atenuar angústias e sofrimentos, assim
				como construir uma terapêutica mais eficaz. Contudo, não há o (re)conhecimento da
				escuta como uma forma de intervenção em saúde, sendo, por vezes, colocada como algo
				que não faz parte da consulta. Diante disso, percebemos que essa incongruência entre
				a valorização desse recurso e a inclusão da escuta nas práticas de saúde é uma
				questão a ser problematizada com os profissionais de saúde, por meio da Educação
				Permanente, possibilitando que estes reflitam sobre as suas práticas e incorporem
				esses recursos à assistência ao usuário.</p>
			<p>Um aspecto destacado nos resultados foi a compreensão da escuta como um recurso
				pertencente a um campo de saber específico, sendo relacionado à atuação da Saúde
				Mental, assim como o campo teórico correlacionado a essa especificidade. Com base
				nesse achado, podemos refletir sobre a relação existente entre o modelo de atenção e
				de formação profissional, pois esse discurso está atrelado à compreensão pautada no
				pensamento cartesiano cuja premissa é a dicotomia mente-corpo. Nesse sentido,
				percebe-se que a formação em saúde ainda não está pautada na compreensão integral do
				sujeito e esse pensamento orienta a prática profissional e repercute em atenção
				fragmentada ao usuário, independentemente da especificidade. Nessa perspectiva, a
				Residência Multiprofissional em Saúde tem uma contribuição a dar, levando ao campo
				de atenção práticas de interconsultas e consultas conjuntas, que incluam todos os
				profissionais envolvidos no cuidado ao usuário na prática da escuta.</p>
			<p>Em relação à compreensão dos profissionais sobre as questões de gênero e suas
				implicações na saúde, percebe-se que os entrevistados (re)conhecem as diversas
				questões relacionadas à mulher. No entanto, não trazem esses aspectos atrelados à
				saúde da mulher e, portanto, não consideram a especificidade do atendimento a essa
				população. Diante dessa compreensão que os profissionais trouxeram em relação às
				questões atreladas ao gênero, podemos destacar a importância da Educação Permanente
				nesse contexto, a fim de que os profissionais reflitam sobre as especificidades de
				cada população e suas implicações na saúde.</p>
			<p>Ainda em relação ao gênero, destaca-se, por meio desse estudo, a influência do gênero
				nas relações como um todo, até mesmo entre profissional e usuário, sendo este um
				aspecto ressaltado pelos entrevistados e percebido como um fator que interfere na
				relação terapêutica e, por conseguinte, no cuidado em saúde. Diante disso,
				percebemos que essa temática precisa estar presente no processo de formação dos
				profissionais de saúde, a fim de haver uma reflexão acerca da importância de se
				considerar as questões de gênero no cuidado em saúde, assim como as implicações do
				contexto e da sociedade em que estamos inseridos.</p>
			<p>Por meio da análise dos resultados, percebemos que o estudo possibilitou a reflexão
				sobre esse tema com base na entrevista realizada com os profissionais de saúde,
				sendo um meio de sensibilização do entendimento e valorização da escuta como recurso
				terapêutico. Essa compreensão ocorreu diante da percepção da mudança do discurso no
				decorrer da entrevista e, no final, todos os profissionais enfatizaram a escuta como
				um recurso terapêutico no cuidado à saúde da mulher. Tomando isso por base,
				entende-se que esta é uma questão latente, sendo necessário haver um espaço de
				reflexão entre os profissionais sobre as suas práticas, visando, assim, enriquecer a
				atuação em saúde por meio da compreensão, discussão e instrumentalização de recursos
				e ferramentas para um cuidado integral e resolutivo.</p>
			<p>Como desdobramento do estudo, pode-se sugerir que as ações cujo objetivo seja
				sensibilizar e capacitar profissionais de saúde para uma escuta qualificada incluam
				os agentes comunitários de saúde, que atuam diretamente no acolhimento das mulheres
				que acessam o serviço de Atenção Básica. Além disso, o gestor da unidade de saúde
				também pode contribuir com uma visão da gestão da assistência que valorize e reforce
				a compreensão da escuta como recurso terapêutico.</p>
			<p>Por meio desse estudo, foi possível evidenciar a necessidade imperativa de a Educação
				Permanente fazer parte do cotidiano dos profissionais de saúde por tratar-se de um
				recurso de aprendizagem que possibilita ressignificar as práticas em saúde e
				promover a adequação dos perfis de atuação dos profissionais qualificando-os para
				qualificar a assistência que prestam aos usuários.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>Ayres, J. R. C. M. (2004). Cuidado e reconstrução das práticas de
					saúde. <italic>Interface - Comunicação, Saúde, Educação</italic>,
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					<year>2004</year>
					<article-title>Cuidado e reconstrução das práticas de saúde</article-title>
					<source>Interface - Comunicação, Saúde, Educação</source>
					<volume>8</volume>
					<issue>14</issue>
					<fpage>73</fpage>
					<lpage>91</lpage>
				</element-citation>
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