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			<journal-id journal-id-type="nlm-ta">Rev. Psicol. Saúde</journal-id>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rpsaude</journal-id>
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				<journal-title>Revista Psicologia e Saúde</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Universidade Católica Dom Bosco,
					Programa de Mestrado e Doutorado em Psicologia</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2177-093X</issn>
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				<publisher-name>Universidade Católica Dom Bosco, Programa de Mestrado e Doutorado em
					Psicologia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.20435/pssa.v11i1.643</article-id>
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					<subject>RELATOS DE PESQUISA</subject>
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				<article-title>A compreensão de masculinidade em discursos de profissionais de
					unidades básicas de saúde</article-title>
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					<trans-title>The understanding of masculinity in the speeches of professionals
						of basic health units</trans-title>
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					<trans-title>La comprensión de la masculinidad en discursos de profesionales de
						unidades básicas de salud</trans-title>
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						<surname>Morais</surname>
						<given-names>Lúcia Jamilly Oliveira</given-names>
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						<surname>Filho</surname>
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				<label>2</label>
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					<label>a</label><bold>Endereço de Contato:</bold> Lúcia Jamilly Oliveira Morais,
					Rua Antônio Joaquim Pequeno, 242, Apartamento 02. Bairro Conjunto dos
					Professores Campina Grande, Paraíba, Brasil. E-mail:
						<email>jamillypsic@gmail.com</email></corresp>
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					<label>*</label>
					<p>Mestranda em Psicologia da Saúde pela Universidade Estadual da Paraíba.
						E-mail: jamillypsic@gmail.com</p>
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					<label>**</label>
					<p>Doutorado em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São
						Paulo. Mestrado em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba.
						Graduado em Psicologia pela Universidade Estadual da Paraíba. Professor
						associado I do Curso de Psicologia na Universidade Federal de Campina
						Grande, PB. E-mail: deoliveirafilhopedro@gmail.com</p>
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			</author-notes>
			<!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>06</day>
				<month>07</month>
				<year>2020</year>
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				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Apr</season>
				<year>2019</year>
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			<volume>11</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>155</fpage>
			<lpage>167</lpage>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Este artigo objetiva analisar as definições de masculinidade em formulações de
					profissionais de saúde da Atenção Primária. Este estudo é motivado pela
					compreensão de que, no âmbito da atenção à saúde dos homens, os profissionais de
					saúde tem participação fundamental nas ações em saúde destinada ao público
					masculino. Utilizou-se como abordagem teórico-metodológica a Psicologia Social
					Discursiva, uma abordagem no contexto da Psicologia Social que privilegia, em
					termos analíticos, a função do discurso e as estratégias retóricas utilizadas em
					sua elaboração. A pesquisa, de natureza qualitativa, contemplou 11 entrevistas
					semiestruturadas com profissionais de oito Unidades Básicas de Saúde da cidade
					de Campina Grande, PB. Os homens, em seus relatos, teriam diferentes atributos,
					dentre eles a despreocupação com a saúde, e tais atributos seriam
					fundamentalmente determinados por fatores socioculturais.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This article aims to analyze the definitions of masculinity in formulations of
					health professionals of Primary Care. This study is motivated by the
					understanding that, in the context of health care for men, health professionals
					have a fundamental role in health actions for the male population. It was used
					as a theoretical-methodological approach the Discursive Social Psychology, an
					approach in the context of Social Psychology that privileges, in analytical
					terms, the discourse function and the rhetorical strategies used in its
					elaboration. The research, of qualitative nature, included 11 semi-structured
					interviews with professionals from eight Basic Health Units of the city from
					Campina Grande, PB. Men, in their reports, would have different attributes,
					among them the unconcern with health, and such attributes would be fundamentally
					determined by sociocultural factors.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Este artículo objetiva analizar las definiciones de masculinidad en formulaciones
					de profesionales de salud de la Atención Primaria. Este estudio está motivado
					por la comprensión de que, en el ámbito de la atención a la salud de los
					hombres, los profesionales de salud tienen participación fundamental en las
					acciones en salud destinada al público masculino. Se utilizó como abordaje
					teórico-metodológico la Psicología Social Discursiva, un abordaje en el contexto
					de la Psicología Social que privilegia, en términos analíticos, la función del
					discurso y las estrategias retóricas utilizadas en su elaboración. La
					investigación, de naturaleza cualitativa, contempló 11 entrevistas
					semiestructuradas con profesionales de ocho Unidades Básicas de Salud de la
					ciudad de Campina Grande, PB. Los hombres, en sus relatos, tendrían diferentes
					atributos, entre ellos la despreocupación con la salud, y tales atributos serían
					fundamentalmente determinados por factores socioculturales.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>masculinidade</kwd>
				<kwd>saúde pública</kwd>
				<kwd>profissionais da saúde</kwd>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>masculinity</kwd>
				<kwd>public health</kwd>
				<kwd>health professionals</kwd>
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				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>masculinidade</kwd>
				<kwd>salud pública</kwd>
				<kwd>profesionales de la salud</kwd>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Este artigo é um recorte de uma pesquisa mais ampla que aborda a atenção à saúde dos
				homens na perspectiva de profissionais que trabalham em Unidades Básicas de Saúde. A
				relação entre homens e saúde vem sendo bastante discutida nos últimos anos, e essa
				discussão vem dando visibilidade a diversas questões que permeiam esse campo, como
				as questões de gênero, a atenção à saúde destinada ao público masculino, a
				paternidade, o acesso dos homens aos serviços de saúde, dentre outros assuntos.
				Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B10">Gomes (2011</xref>), nos anos 70 a relação
				entre homens e saúde era pensada e discutida, sobretudo, pautando-se em questões
				biológicas e epidemiológicas, e somente a partir dos anos 90 é que as discussões
				sobre esse tema passaram a considerar outras variáveis, como as questões de gênero e
				masculinidade, portanto, pensando saúde-doença a partir de uma perspectiva
				relacional de gênero (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Schwarz et al., 2012</xref>;
					<xref ref-type="bibr" rid="B25">Schraiber, Gomes, &amp; Couto, 2005</xref>)</p>
			<p>Na esfera da saúde pública brasileira, a saúde do homem recebeu menos atenção se
				comparada a ênfase tradicionalmente dispensada à saúde da mulher (<xref
					ref-type="bibr" rid="B6">Couto et al., 2010</xref>), uma vez que as políticas de
				controle populacional e de caráter higienista, que começaram no espaço público e
				depois direcionaram-se para o espaço privado, foram voltadas, em sua maioria, a
				outros grupos sociais, como mulheres, idosos e crianças (<xref ref-type="bibr"
					rid="B5">Carrara, Russo, &amp; Faro, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B30">Vieira, 2002</xref>).</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B30">Vieira (2002</xref>), o suposto potencial
				ameaçador do corpo feminino, no que diz respeito à ordem social e à moral, o tornou
				alvo das investidas de controle do Estado e da medicina. Desse modo, enquanto as
				mulheres tiveram seus corpos expropriados pelas ações de saúde higienistas e por
				estratégias biopolíticas de disciplina e controle reprodutivo, os homens, por sua
				vez, continuaram a ser vistos como representantes universais.</p>
			<p>Nesse contexto, a partir dos anos 70, os movimentos feministas e de
					<italic>gays</italic> passaram a lutar pela redução das desigualdades de gênero,
				buscando a inclusão de outras questões do feminino para além de uma atenção à saúde
				estritamente materno-infantil, e possibilitando pensar a saúde, de homens e
				mulheres, a partir de uma perspectiva relacional de gênero (<xref ref-type="bibr"
					rid="B24">Rohden, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">Aquino,
					2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B30">Vieira, 2002</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B12">Gomes, Nascimento, &amp; Araújo, 2007</xref>).</p>
			<p>Nas décadas seguintes alguns estudos identificaram uma maior mortalidade e uma menor
				expectativa de vida da população masculina em comparação com a população feminina, e
				atribuíram essa suposta diferença tanto a fatores biológicos quanto a fatores
				socioculturais (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Figueiredo, 2005</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B16">Laurenti, Mello-Jorge, &amp; Gotlieb, 2005</xref>;
					<xref ref-type="bibr" rid="B5">Carrara et al., 2009</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B11">Gomes, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29"
					>Vieira, Gomes, Borba, &amp; Costa, 2013</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">Medrado, Lyra, Azevedo, Granja, e Vieira
					(2009</xref>) chamam atenção para os altos índices de adoecimento e mortalidade
				dos homens relativos a "causas externas", tais como o suicídio, a violência,
				acidentes, etc. Essas causas seriam, em parte, reflexos do modo de ser homem na
				sociedade brasileira, que ainda está bastante relacionado a práticas de risco, ao
				poder e à violência, construindo assim uma masculinidade, para a qual "ser homem"
				seria sinônimo do não exercício de práticas de cuidado de si e dos outros. Para
					<xref ref-type="bibr" rid="B25">Schraiber et al. (2005</xref>), a interface
				entre violência e masculinidade fica mais nítida se pensada através da perspectiva
				de gênero, uma vez que o exercício da violência faz parte, por vezes, do processo de
				socialização e reafirmação da masculinidade hegemônica, podendo, inclusive, trazer
				consequências desvantajosas para a saúde desse grupo social. Nesse contexto, vale
				salientar que, ao falarmos sobre gênero, não estamos nos restringindo a dicotomia
				homem e mulher, mas pensando em uma dimensão maior que se pauta sobretudo na
				diversidade e na desconstrução de uma lógica binária e hierarquizada (Medrado &amp;
				Lyra, 2014).</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B26">Scott (1995</xref>), 'gênero' passa a
				ser compreendido como "construções sociais" sobre os papéis próprios de homens e
				mulheres dentro de uma realidade social. Nesse sentido, ser homem ou ser mulher
				consistiria na incorporação dessas construções sociais pelos sujeitos. Scott (1995)
				conceitua 'gênero' sugerindo as seguintes proposições: "(1) o gênero é um elemento
				constitutivo de relações sociais baseadas nas diferenças percebidas entre os sexos e
				(2) o gênero é uma forma primária de dar significado às relações de poder" (p.
				86).</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B14">Korin (2001</xref>), falar de gênero requer
				considerar diversos fatores e marcadores sociais (como etnia, classe social, raça,
				idade, questões socioeconômicas, etc.) que atravessam esta concepção,
				distanciando-se de uma definição de gênero monolítica e estereotipada, e dando
				visibilidade a uma pluralidade de modos de ser.</p>
			<p>Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B28">Vale de Almeida (1996</xref>) ressalta
				que a compreensão de masculinidade não se reduz aos homens, uma vez que os termos
				masculinidade e feminilidade são metáforas de poder e de ação disponíveis tanto para
				homens como para mulheres. Desse modo, é plausível considerar que ao tratarmos sobre
				a saúde dos homens, ou no caso deste estudo da atenção à saúde dos homens, não
				referimos, necessariamente, a indivíduos que possuem um corpo com atributos do sexo
				masculino, mas sim a "sujeitos em exercício de masculinidades" (<xref
					ref-type="bibr" rid="B25">Schraiber et al., 2005</xref>). No contexto da saúde,
				compreender os homens a partir dessa perspectiva faz com que as ações destinadas a
				esse público sejam elaboradas de modo mais plural e abrangente, não restringido a um
				determinado grupo de homens.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B11">Gomes (2012</xref>), no que diz
				respeito à atenção à saúde dos homens, e principalmente para que as ações voltadas a
				esse público tenham êxito, faz-se necessário compreender a existência de uma
				pluralidade de formas de exercer a masculinidade, não restringindo-se a um único
				modelo, dito hegemônico. Essas variadas formas de masculinidade são influenciadas
				por vários fatores, como a raça, classe social, grupo etário, etc. e devem ser
				considerados pelos serviços e profissionais de saúde ao elaborarem ações voltadas
				aos homens.</p>
			<p>Em 2008, tendo em vista os altos índices de morbimortalidade da população masculina e
				os resultados de vários estudos que apontavam uma menor frequência dos homens nas
				Unidades Básicas de Saúde, o Ministério da Saúde criou a Política Nacional de
				Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), na tentativa de promover uma maior
				presença dos homens nos serviços de saúde (especialmente na Atenção Primária à
				Saúde), e de incentivar uma maior atenção dos serviços e profissionais de saúde
				junto as demandas do público masculino (Brasil, 2009).</p>
			<p>Essa política, que vem se consolidando ao decorrer dos anos, tem feito parte de
				muitos estudos, sendo, inclusive, alvo de algumas considerações críticas. Para
				alguns autores (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Medrado et al., 2009</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B5">Carrara et al., 2009</xref>; Medrado, Lyra, Azevedo,
				&amp; Noca, 2010), a PNAISH pauta-se, sobretudo, por uma literatura epidemiológica
				tradicional sobre "riscos", apresentando uma compreensão clássica do adoecimento e
				mortalidade dos homens, e deixando as questões de gênero em um segundo plano. Outros
				autores (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Martins &amp; Malamut, 2013</xref>)
				salientam ainda que a PNAISH foi construída e tem sido implementada em "nome dos
				homens", mas pouco dá voz a essa categoria no que diz respeito aos processos
				decisórios da política.</p>
			<p>Nos objetivos da PNAISH, observa-se uma preocupação legítima com os profissionais de
				saúde que compõem os serviços, uma vez que são eles os responsáveis por executar as
				ações em saúde junto ao público masculino. Tendo em conta que o modo como os
				profissionais definem a masculinidade pode influenciar no processo de construção de
				estratégias de atendimento e acolhimento do público masculino (<xref ref-type="bibr"
					rid="B29">Vieira et al., 2013</xref>), esta pesquisa buscou compreender como os
				profissionais de saúde de uma cidade média da Paraíba, que trabalham em Unidades
				Básicas de Saúde, definem a masculinidade.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Procedimentos metodológicos</title>
			<p>A pesquisa, de natureza qualitativa, foi realizada com profissionais de saúde de
				Unidades Básicas de Saúde da cidade de Campina Grande, Paraíba. A quantidade de
				participantes da pesquisa não foi definida a priori, uma vez que buscou-se atingir o
				maior número de participantes até que o material coletado chegasse ao seu ponto de
				saturação, ou seja, quando começasse a haver repetição de conteúdos nas entrevistas
					(<xref ref-type="bibr" rid="B15">Lang, Campos, &amp; Demartini, 2001</xref>). O
				contato com os profissionais deu-se por conveniência (<xref ref-type="bibr" rid="B7"
					>Cozby, 2003</xref>), uma vez que alguns participantes foram indicações de
				amigos e outros já eram conhecidos de um dos pesquisadores.</p>
			<p>A coleta de dados deste estudo foi realizada durante os meses de Outubro e Novembro
				de 2016, após a anuência formal por parte da Secretaria de Saúde da cidade e a
				referida aprovação do estudo pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade
				Estadual da Paraíba. Objetivando contemplar os aspectos éticos fundamentais em
				pesquisa indicados pela Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, que
				define as diretrizes para estudos com seres humanos e normatiza a proteção dos
				direitos dos envolvidos na pesquisa, as entrevistas com os profissionais de saúde
				foram realizadas somente após a concordância voluntária dos participantes e mediante
				a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e um Termo de
				Gravação de Voz.</p>
			<p>Na coleta de dados, foram realizadas 11 entrevistas semiestruturadas com
				profissionais de 8 Unidades Básicas de Saúde da cidade. A entrevista semiestruturada
				foi composta por um roteiro básico de perguntas referentes ao tema de pesquisa.
				Todas as entrevistas foram gravadas em um dispositivo de captura de áudio e depois
				foram transcritas em arquivo Word, transcrição que procurou ser fiel ao conteúdo e à
				forma da oralidade. Foi utilizada a expressão "participante nº" para identificar os
				entrevistados, objetivando manter em sigilo suas identidades. Os seguintes
				profissionais foram entrevistados: seis profissionais de enfermagem, dois de
				medicina, uma profissional de serviço social e dois técnicos em enfermagem. Dentre
				os entrevistados, nove são mulheres e dois são homens. No que diz respeito ao
				período de atuação profissional, há uma variabilidade de 1 a 30 anos.</p>
			<p>Este estudo utilizou como abordagem teórico-metodológica a Psicologia Social
				Discursiva, uma abordagem construcionista que se utiliza do método de análise de
				discurso. Este não é um método padronizado, que estabelece procedimentos sequenciais
				que devem ser seguidos à risca no intuito de obter um resultado final que exprima um
				conhecimento verdadeiro sobre determinado fenômeno. Na Análise de Discurso, o que se
				propõe é trabalhar a linguagem em uso, seu papel na vida social, e suas funções,
				buscando analisar as mais diversas manifestações discursivas (<xref ref-type="bibr"
					rid="B1">Antaki, Billig, Edwards, &amp; Potter, 2003</xref>; Potter, 1998;
				Potter &amp; Wetherell, 1987).</p>
			<p>Após a transcrição das entrevistas, foram realizadas leituras intensas e cuidadosas
				do material discursivo obtido, uma vez que tal exercício permite uma maior
				aproximação dos analistas em relação ao conteúdo. No método da Análise de Discurso a
				codificação consiste em uma análise preliminar que visa organizar o material bruto
				em categorias, possibilitando uma análise mais minuciosa, uma análise atenta aos
				detalhes do discurso (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Potter &amp; Wetherell,
					1987</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Gill, 2003</xref>). A análise do
				material obtido objetiva identificar o modo de construção e as funções do discurso,
				buscando evidenciar o modo como os argumentos discursivos são arranjados
				retoricamente para construir versões de ações, do eu e das estruturas sociais
				(Potter, 1998; Wetherell &amp; Potter, 1992).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e Discussão</title>
			<sec>
				<title>Definindo a Masculinidade</title>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bento (2006</xref>) salienta que questões do tipo
					"O que é ser homem" ou "O que é ser mulher" possibilitam a expressão e a
					construção de idealizações e pressuposições acerca dos gêneros, permitindo a
					elaboração de um conjunto de verdades e normas que podem, inclusive, provocar
					uma hierarquização entre os gêneros.</p>
				<p>Os modos de compreender a masculinidade se ampliaram nos últimos anos,
					concomitantemente às discussões pautadas numa perspectiva relacional entre os
					gêneros. A ideia de uma única masculinidade, a hegemônica, deu lugar ao que
						<xref ref-type="bibr" rid="B14">Korin (2001</xref>) denomina de uma
					pluralidade dos modos de ser que procura distanciar-se de uma definição de
					gênero estereotipada, estática e binária.</p>
				<p>Nos discursos analisados os participantes apresentaram diferentes definições de
					masculinidade e as fundamentaram em pressupostos biologizantes, socioculturais e
					individualizantes. Os biologizantes pautam-se, principalmente, em elementos
					anatômicos e fisiológicos. Os pressupostos socioculturais versam, sobretudo,
					sobre um conjunto de idealizações e de papéis socioculturais que seriam próprios
					a cada gênero. Os pressupostos individualizantes colocam em primeiro plano a
					autonomia do sujeito no processo de definição de sua identidade de gênero.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Definições biologizantes</title>
				<p>Um único participante apresentou uma definição de masculinidade fundamentada
					unicamente na biologia, como se pode ver abaixo.</p>
				<p><disp-quote>
						<p><bold>
								<italic>Entrevistadora: De que modo você compreende o que é ser
									homem? Participante 6: Eu entendo do ponto de vista biológico,
									aquele que nasce com... os cromossomos XY.</italic>
							</bold> (Médico, 38 anos)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>O participante 6 afirma que homem é "<italic>aquele que nasce com...os
						cromossomos XY</italic>". No campo de estudo da Biologia, a determinação do
					sexo dos seres humanos dá-se pelo sistema XY. Nesse sistema as fêmeas são os
					seres que possuem dois cromossomos sexuais do mesmo tipo (XX) e os machos são os
					seres que possuem dois cromossomos sexuais diferentes (XY).</p>
				<p>O modo como ele define a masculinidade contém em si uma afirmação tácita, não
					dita, afirmação que emerge como consequência daquilo que ele diz. O participante
					não afirma, como é comum em argumentos biologizantes mais elaborados, que os
					homens (e as mulheres) possuem determinadas qualidades morais e psicológicas que
					são próprias deles e que são determinadas pela biologia. Na verdade, ele não
					menciona quaisquer qualidades morais ou psicológicas que seriam próprias dos
					homens. O que ele diz é que compreende os homens (e por consequência as
					mulheres) partindo "do ponto de vista biológico", o que é uma outra maneira de
					dizer que os compreende como seres essencialmente biológicos. Essa é uma maneira
					tácita de dizer que tudo o que supostamente define os homens (e as mulheres), em
					termos morais e psicológicos, pode ser explicado por sua natureza biológica. Sua
					definição é muito curta e exclui todos os outros fatores que são recorrentemente
					mobilizados, por diferentes atores acadêmicos e sociais, na tentativa de
					compreender o modo (ou os modos) de ser masculino: a cultura, a sociedade, a
					história.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Definições Socioculturais</title>
				<p>Os participantes mencionaram reiteradamente atributos supostamente masculinos
					(atributos psicológicos, morais, sociais) e mobilizaram fatores socioculturais
					para explicar a existência desses atributos. Algumas vezes, essas qualidades
					morais, psicológicas e sociais se apresentavam misturadas em uma mesma
					formulação com atributos puramente biológicos, que faziam referência ao corpo,
					ao fenótipo (embora não sejam biologizantes).</p>
				<p><disp-quote>
						<p><bold>
								<italic>Entrevistadora: Unrrum. Certo. É... de que modo você
									compreende o que é ser ho mem? Participante 9:</italic>
							</bold> [pausa] <italic>O que é ser homem? É ser... um ser em
								si</italic> [pausa breve] <italic>como... com todas as suas
								complexos</italic> [<italic>sic</italic>]<italic>, todas a suas
								dimensões, é... lutando por uma sobrevida tanto... eu num, eu num
								vejo o, o homem como homem em si, eu vejo o homem como ser humano.
								Como qualquer, com suas complexidades, com... com suas
								predisposições às doenças, né? Com, com os cuidados necessários que
								ele tem a ser. E dentro de um, de um contexto social, dependendo da
								cultura em que ele está inserido, que ele procure a.... a.... de uma
								certa forma, ser feliz dentro da sua estrutura de vida.</italic>
							(Enfermeira, 50 anos)</p>
						<p><bold>
								<italic>Participante 10 - Questão de gênero, né? É... ser homem
									ainda está muito ligado à questão de ser o provedor da família,
									né? De ser o mais vulnerável, porque justamente não se cuida,
									né? E... e... A gente lembra muito da questão do mundo do
									trabalho também, né? E que por essas razões e outras eles não...
									não são muito assíduos no acompanhamento de saúde.</italic>
							</bold> (Assistente social, 39 anos)</p>
						<p><bold>
								<italic>Participante 2: É...</italic>
							</bold> [pausa breve] <italic>Rapaz....</italic> [risos] <italic>Assim,
								eu acho que ser homem vai além de ser homem propriamente no gênero,
								de nascer masculino, mas vai essa questão de caráter, da
								personalidade, acho que ser homem, pra mim, é ter responsabilidade,
								é constituir uma família, é se cuidar também, porque homem tem essa
								história de que não se cuida, né, de que não adoece e tem aquela
								estigma de ser o fortão, então acho que ser homem vai além dessa...
								disso que a sociedade quer passar pra gente.</italic> (Enfermeira,
							24 anos)</p>
						<p><bold>
								<italic>Participante 4: Mulher, dependendo... é...</italic>
							</bold> [pausa] <italic>dependendo da pessoa que esteja à minha frente é
								que eu vou direcionar meu olhar.</italic> [pausa]
								<italic>Porque</italic> [pausa] <italic>é...</italic> [pausa]
								<italic>ele é homem porque ele...</italic> [pausa] <italic>ele tem
								órgãos sexuais que relaciona a ser homem. Mas dependendo da história
								dele, a necessidade dele não é eu vê-lo apenas como a pessoa do sexo
								masculino, eu tenho que direcionar um outro olhar. Cuidar da saúde
								dele, mas sem</italic> [reproduz uma fala] <italic>"é homem, é
								homem, é homem". Ele pode tá precisando de um olhar um pouco
								diferenciado, então</italic> [pausa] <italic>o que é ser homem? É
								uma pessoa que nasce do sexo masculino</italic> [pausa] <italic>e
								que, com isso, tem necessidades pra ser cuidado relacionado a isso,
								que é da natureza do corpo do homem,</italic> [pausa] <italic>mas
								também tem questões</italic> [pausa] <italic>que vai além da questão
								do corpo,</italic> [pausa] <italic>biológico. Tem questões
								psicossociais também, relacionadas a essa questão de ser homem. Até
								mesmo da responsabilidade que eles tem de assumir a questão da
								sobrevivência da família. Também isso tá relacionado. Então ser
								homem é isso:</italic> [pausa] <italic>é uma pessoa que nasce do
								sexo masculino, que tem um corpo de homem, que deve ser cuidado
								dentro dessa... da sua necessidade, mas também tem que ser vista com
								um olhar mais aberto.</italic> (Enfermeira, 43 anos)</p>
						<p><bold>
								<italic>Participante 3:</italic>
							</bold> [pausa] <italic>O ser homem... a sociedade da gente,
								é...</italic> [pausa breve] <italic>e eu também, compreendo que é a
								responsabilidade. Como a gente trabalha muito em área... mais de
								baixo... de baixo... grau de escolaridade, de mais baixo de nível
								social , a maioria dos homens, 90%, eles ainda têm a
								responsabilidade de cuidar da família, de trabalhar, de manter...
								menos se cuidar. Eles não têm tempo de vim ao posto, nem querem
								também. Eles não têm essa cultura de...se tratar. É mais a
								responsabilidade. É coisa deles.</italic> (Enfermeira, 29 anos)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>Diferentemente da formulação do participante 6, na qual não se afirma
					explicitamente que determinados atributos morais, psicológicos ou mesmo sociais
					seriam próprios dos homens, nas formulações supracitadas vários atributos
					morais, psicológicos e sociais são apresentados como próprios dos homens. O
					homem é "provedor da família", é aquele que assume a "sobrevivência da família",
					que tem a responsabilidade de cuidar da família, "não se cuida", nem é assíduo
					no "acompanhamento de saúde", por isso é mais "vulnerável". O homem tem "o
					estigma de ser fortão", não tem tempo de ir ao "posto", mas se tivesse não iria
					porque não quer ir.</p>
				<p>Em todas essas falas um grande fator sociocultural aparece, implícita ou
					explicitamente, como princípio explicativo para todos esses atributos. Esse
					princípio explicativo é nomeado de diferentes maneiras: "contexto social", "a
					questão de gênero", a "cultura", "aquilo que a sociedade quer passar para a
					gente". Em pelo menos uma dessas falas, a da participante 10, um fator de
					natureza socioeconômica emerge como explicação para o fato de homem não se
					cuidar: a "questão do mundo do trabalho". Mas no contexto de sua fala esse fator
					parece ser dependente do que ela denomina de "questão de gênero". Nessa fala o
					homem, em razão da "questão de gênero", ainda "está muito ligado à questão de
					ser o provedor da família", por isso é mais preso ao "mundo do trabalho" e não
					tem tempo de cuidar da saúde. Essas formulações indicam, inequivocamente, o
					contato dessas profissionais com modelos explicativos que se distanciam do velho
					naturalismo biológico.</p>
				<p>Em uma dessas formulações, a da participante 2, há uma clara dicotomia entre
					aquilo que o homem é em virtude dos condicionamentos sociais do presente
					("fortão", descuidado com a saúde) e aquilo que ele poderia se tornar por meio
					de uma mudança de valores (uma pessoa com "responsabilidade", que constitui "uma
					família", que cuida do próprio corpo). Quando ela afirma que "ser homem vai além
					dessa... disso que a sociedade quer passar pra gente", ela não está contrapondo
					uma espécie de identidade inata e autêntica àquela que é construída socialmente.
					Ela está contrapondo o homem construído pela sociedade atual com o homem que
					poderia ser construído se a sociedade fosse outra.</p>
				<p>Uma dessas participantes, a participante 9, não menciona atributos masculinos,
					mas em sua fala o que quer que o homem se torne será uma consequência do
					"contexto social", "da cultura em que ele está inserido". Há todo um cuidado em
					sua fala no sentido de evitar apresentar os homens como uma categoria de pessoas
					com características distintivas, assim ela não vê o homem "como homem em si",
					ela o vê "como ser humano". Trata-se de uma outra maneira de dizer que a
					identidade humana, comum a homens e mulheres, é mais importante ou mais
					fundamental do que a identidade de gênero. É interessante comparar essa
					estratégia de diluir duas categorias dicotômicas (homens e mulheres) em uma
					categoria mais ampla (o ser humano) com a mesma estratégia sendo usada com
					categorias de outra natureza. Em um estudo realizado com brancos da Nova
					Zelândia (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Wetherell e Potter, 1992</xref>), em
					que eles falavam de sua relação com os Maoris, muito frequentemente se definia a
					tolerância racial (ou a ausência de preconceito racial) como a capacidade de
					entender que os indivíduos desses dois grupos (Maoris e brancos) são
					essencialmente membros da espécie humana. No Brasil, pesquisa realizada por
						<xref ref-type="bibr" rid="B21">Oliveira Filho (2009</xref>) identificou, na
					fala de brancos paulistas, o uso da categoria "mestiços" para negar a existência
					das categorias "negros" e "brancos" no Brasil.</p>
				<p>Trata-se de uma estratégia, própria de um certo humanismo (que alguns
					considerariam ingênuo), que parece pressupor que o conflito entre categorias
					sociais pode ser eliminado por meio da diluição dessas categorias numa categoria
					mais ampla (supraordenada), a identidade humana. Que parece pressupor que a
					simples afirmação de diferenças entre duas categorias é, por si só, uma
					formulação essencialista.</p>
				<p>As outras participantes que afirmam diferenças não podem ser definidas como
					essencialistas simplesmente por isso. Na verdade, a atenção às diferenças é
					fundamental para profissionais que trabalham em políticas públicas. Um técnico
					de uma instituição que combate à exploração sexual de adolescentes seria menos
					eficaz se ele não estivesse atento para as diferenças entre a exploração de
					adolescentes do sexo feminino e exploração de adolescentes do sexo masculino. Da
					mesma forma, as políticas públicas de combate à pobreza seriam menos eficazes se
					não estivessem atentas para as diferenças entre famílias negras pobres e
					famílias brancas pobres (essas últimas não sofrem os efeitos do racismo). É essa
					atenção às diferenças que é ressaltada na intervenção da participante 4. Quando
					ela afirma que o cuidado em saúde direcionado aos homens deve levar em "a
					natureza do corpo do homem" está afirmando o óbvio. Corpos de homens e mulheres
					têm muita coisa em comum, mas têm muitas diferenças que devem ser levadas em
					conta por profissionais de saúde se querem cuidar de maneira eficaz da saúde de
					homens e mulheres, mas ela não está atenta somente às diferenças corporais. Como
					ela mesma diz, "tem questões" que se situam "além da questão do corpo": questões
					psicossociais" para as quais o profissional de saúde deve dar atenção se quiser
					cuidar de fato dos homens.</p>
				<p>Vimos que não faz sentido sugerir que essas profissionais reproduzem um discurso
					essencialista simplesmente porque afirmam características nos homens que os
					diferenciariam das mulheres. No entanto, o predomínio de modelos explicativos de
					natureza sociológica ou antropológica em suas explicações não as vacina contra
					formulações essencialistas. Podemos ser profundamente essencialistas usando
					modelos explicativos de natureza sociológica ou antropológica. Como afirmam
						<xref ref-type="bibr" rid="B31">Wetherell e Potter (1992</xref>), olhar
					simplesmente para o conteúdo de um discurso sem considerar a sua linha
					argumentativa não nos diz muito sobre a sua natureza. Nas falas acima, não
					obstante os modelos explicativos de natureza sociocultural, há momentos em que
					as descrições dos atributos masculinos assumem um tom marcadamente
					essencialista, como nos momentos em que mencionam a suposta falta de cuidado do
					homem com sua saúde: "porque justamente não se cuida"; "eles não têm essa
					cultura de...se tratar".</p>
				<p>Não há nada de problemático com a afirmação segundo a qual os homens cuidam menos
					de sua saúde quando comparados com as mulheres. Há evidências empíricas que
					sustentam essa afirmação. Ela somente se torna essencialista quando é
					apresentada como uma característica (não importa se de origem social ou
					biológica) que se faz presente em todos os homens ou na maioria deles. Quando
					não se considera as variações nessa característica em homens de diferentes
					classes sociais. Quando se desconsidera que muitas mulheres, de diferentes
					classes sociais, cuidam muito pouco de sua saúde quando comparadas com outras
					mulheres e com homens. Enfim, quando se considera que homens sem esse atributo
					(ser descuidado com saúde) não são verdadeiramente homens ou são exceções
					raríssimas que contrariam a regra geral.</p>
				<p>Em uma dessas falas, a da participante 3, observa-se a utilização do recurso
					retórico que <xref ref-type="bibr" rid="B23">Potter (1998</xref>) denomina de
					"quantificação", quando ela apresenta um dado numérico/estatístico no trecho "a
					maioria dos homens, 90%, eles ainda têm a responsabilidade de cuidar da família,
					de trabalhar, de manter... menos se cuidar". O uso desse recurso retórico
					implica em uma suposta objetividade e veracidade dos dados apresentados, na
					expectativa de precisar, em números, que a maior parte dos membros de um grupo
					social (90% dos homens) tem a "responsabilidade de cuidar da família", de
					trabalhar, etc., e por isso não cuidam da saúde, reiterando a ideia que os que
					fogem desse padrão não são verdadeiramente homens ou são exceções raríssimas que
					contrariam a regra geral.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Definições Individualizantes</title>
				<p>Algumas formulações apresentaram outra perspectiva, colocaram em primeiro plano a
					autonomia do sujeito no processo de definição de sua identidade de gênero.
					Destacam-se os relatos de duas participantes, uma médica e outra enfermeira, que
					construíram suas percepções de masculinidade pautando-se, sobretudo, na ideia de
					identidade de gênero. Vejamos:</p>
				<p><disp-quote>
						<p><bold>
								<italic>Entrevistadora: Certo... De que modo você compreende o que é
									ser homem? Participante 11:</italic>
							</bold> [Desconforto ao iniciar] <italic>Bom, aí é bem difícil da gente
								responder, principalmente hoje em dia, que tanto se discute questão
								de gênero, sexualidade e de tudo, né?</italic> [pausa] <italic>De um
								modo geral, tem a parte biológica, né? Do nascer geneticamente
								homem; tem a parte fenotípica, né? Dele se apresentar homem,
								de...</italic> [pausa] <italic>do gênero masculino, do se sentir
								homem, e da questão de sexualidade, que aí já é outra coisa mais
								diferente, né?</italic> [pausa - interrupção externa]. <italic>Mas
								de um modo geral ser homem é...</italic> [pausa] <italic>seria o se
								sentir, né? O que a pessoa entende por ela mesma. Se ela se acha um
								homem, se sente do sexo masculino, nada a ver com questões de...não
								gosto de citar quando pergunta disso, de questão de machismo, de
								papel na sociedade, nem de nada disso. Acho que é o que o indivíduo
								entende por ele mesmo ser homem.</italic> (Médica, 26 anos)</p>
						<p><bold>
								<italic>Entrevistadora: Unrrum...</italic>
							</bold> [pausa breve].<bold>
								<italic>É... De que modo você compreende o que é ser homem?
									Participante 1:</italic>
							</bold> [pausa]<bold>
								<italic>Ser homem é você se assumir do sexo masculino.
									Entrevistadora: Unrrum. Participante 1:</italic>
							</bold> [pausa breve] <italic>Porque...</italic> [pausa breve]
								<italic>você pode nascer do sexo masculino e não se assumir como
								homem.</italic> (Enfermeira, 35 anos)</p>
					</disp-quote></p>
				<p>A participante 11 constrói uma percepção de masculinidade pautada em duas
					instâncias. A primeira refere-se ao homem a partir de uma perspectiva biológica
					e genética, em que ser homem pode ser entendido como aquele que possui um
					fenótipo que o insere nesta categoria. A segunda diz respeito a autonomia do
					sujeito no que diz respeito à definição de sua identidade de gênero. Para ela,
					sentir-se homem está para além das características biológicas, sendo mais
					propriamente uma questão de identificar-se como homem, como expressa na seguinte
					passagem: "<italic>Mas de um modo geral ser homem é...</italic> [pausa]
						<italic>seria o se sentir, né? O que a pessoa entende por ela
						mesma".</italic> Nesse tipo de compreensão os elementos corporais não
					determinam o gênero dos sujeitos.</p>
				<p>Como forma de endossar e ratificar sua percepção de masculinidade, a participante
					11 critica as construções que utilizam elementos como o machismo, e o papel do
					homem na sociedade para caracterizar e/ou definir o que é "ser homem". Ao
					exemplificar essas outras formas de compreensão de masculinidade, a
					participante, implicitamente, se apresenta como alguém que, apesar de saber da
					existência destas outras formas, as recusa em defesa da autonomia do indivíduo
					na definição de sua identidade de gênero.</p>
				<p>Observa-se que nessa compreensão de masculinidade a participante posiciona o
					sujeito como autônomo frente a sua identidade de gênero, sendo ele o responsável
					por designar o que o identifica ou não como homem: "<italic>Acho que é o que o
						indivíduo entende por ele mesmo ser homem"</italic>.</p>
				<p>Da mesma forma, a participante 1 também elabora sua compreensão de masculinidade
					baseada na ideia de autonomia individual, que diz respeito ao modo como os
					sujeitos individuais se reconhecem no mundo e como cada um se identifica e
					afirma seu gênero. Para a participante 1, 'ser homem' diz respeito à identidade,
					trata-se de assumir uma posição de gênero, independente das características
					biológicas que constituem o corpo do sujeito. A compreensão de masculinidade
					elaborada por esta participante permite-nos pensar acerca das possibilidades de
					apresentar-se homem em uma sociedade, como por exemplo o homem transexual. Homem
					transexual, a saber, é aquele que nasceu com características corporais
					referentes ao sexo feminino, mas identifica-se como homem, e, portanto, pode,
					inclusive, realizar alterações corporais para obter uma equivalência estética
					que lhe satisfaça e que esteja em consonância com sua identidade de gênero. Em
					conformidade com as percepções de masculinidade das participantes 11 e 1, <xref
						ref-type="bibr" rid="B13">Jesus (2012</xref>) assinala que o homem
					transexual é o sujeito que pleiteia um reconhecimento legal e social enquanto
					homem.</p>
				<p>A construção discursiva da participante 1 também posiciona o sujeito como
					autônomo frente à sua identidade de gênero, quando expressa que "<italic>ser
						homem é você se assumir do sexo masculino"</italic>, criticando,
					implicitamente, a normatização do gênero baseada no sexo biológico.</p>
				<p>Os discursos apresentados nesta categoria de análise diferenciam-se dos vistos
					anteriormente, uma vez que colocam em primeiro plano o sujeito individual,
					construindo-o como ativo e autônomo em relação à construção de sua identidade de
					gênero.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>A análise dos discursos dos participantes deste estudo identificou diferentes formas
				de definir a masculinidade. Um dos participantes mobilizou fatores biologizantes,
				utilizando o sistema cromossômico XY para elaborar sua definição de masculinidade.
				Esta definição pode ser considerada uma construção essencialmente biológica, uma vez
				que o participante não menciona quaisquer outros fatores em sua argumentação.</p>
			<p>Outros participantes, por sua vez, mencionaram atributos supostamente masculinos
				(atributos psicológicos, morais, sociais) e mobilizaram fatores socioculturais para
				explicar a existência desses atributos. Esses participantes descreveram o homem como
				"provedor da família", como aquele que assume a "sobrevivência da família", que tem
				a responsabilidade de cuidar da família, que "não se cuida", que não tem tempo de ir
				ao "posto", etc. A existência desses atributos seria uma decorrência de fatores
				socioculturais.</p>
			<p>Há que se ressaltar que, não poucas vezes, acentuar ou exagerar a presença de
				determinado traço psicológico ou moral em um grupo social pode fazer parte de uma
				estratégia, não necessariamente consciente, de desresponsabilização de um grupo. No
				caso específico desta pesquisa, apresentar os homens como essencialmente
				despreocupados com a própria saúde é uma maneira bastante eficaz de colocar no
				esquecimento a parte de responsabilidade que cabe às instituições públicas de saúde
				pela baixa frequência dos homens nessas instituições.</p>
			<p>Alguns participantes ainda mencionaram a autonomia dos sujeitos individuais no
				processo de definição de si mesmos, relativizando a influência da cultura, da
				sociedade e da biologia na definição da identidade masculina.</p>
			<p>Os resultados discutidos mostram a ausência de um significado unívoco para o que se
				entende por masculinidade. Observa-se que os participantes mobilizaram variados
				fatores para elaborar um conceito de masculinidade, utilizando diferentes
				repertórios. É interessante destacar que participantes de uma mesma categoria
				profissional construíram concepções de masculinidade distintas, como os
				participantes 6 e 11, ambos profissionais da medicina, mas que mobilizaram fatores
				diferentes em suas conceituações.</p>
			<p>As definições construídas por esses participantes podem, ainda que de forma não
				consciente, orientar o modo como esses profissionais direcionam as ações em saúde ao
				público masculino. Se faz necessário, portanto, a realização de mais estudos sobre a
				atenção que vem sendo destinada ao público masculino, e uma atenção especial aos
				variados discursos que circulam nos contextos de saúde.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
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