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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rpsaude</journal-id>
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				<journal-title>Revista Psicologia e Saúde</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Psicol.Saúde</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2177-093X</issn>
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				<publisher-name>Universidade Católica Dom Bosco, Programa de Mestrado e Doutorado em
					Psicologia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.20435/pssa.v15i1.2068</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00003</article-id>
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					<subject>Artigo</subject>
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			<title-group>
				<article-title>Atuação de Psicólogas Clínicas Perante o Sofrimento Psíquico Originado pelo Racismo</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Clinical Psychologists’ Practice Against Psychic Suffering Originated from Racism</trans-title>
				</trans-title-group>
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					<trans-title>Práctica de Psicólogas Clínicas Contra el Sufrimiento Psíquico Originado por el Racismo</trans-title>
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						<surname>Santos</surname>
						<given-names>Felipe Barbosa dos</given-names>
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						<surname>Machado</surname>
						<given-names>Veridiana Silva</given-names>
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						<surname>Lisboa</surname>
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						<surname>Souto</surname>
						<given-names>Verena Souza</given-names>
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				 <email>psi.felipebsantos@gmail.com</email>
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				 <email>marildacastelar@bahiana.edu.br</email>
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				<email>veridianamachado@bahiana.edu.br</email>
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				 <email>milenalisboa@bahiana.edu.br</email>
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				 <email>verena.souto@gmail.com,</email>
			</aff>
			<author-notes>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn1">
					<p><bold>Felipe Barbosa dos Santos:</bold> Mestrando em Psicologia e
						Intervenções em Saúde pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública,
						Salvador, BA. Bolsista pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia
						(FAPESB). <bold>E-mail:</bold><email>psi.felipebsantos@gmail.com</email>,
							<bold>Orcid</bold>: 
					</p>
				</fn>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn2">
					<p><bold>Marilda Castelar:</bold> Doutora em Psicologia Social pela Pontifícia
						Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora adjunta do Mestrado
						em Psicologia e Intervenções em Saúde da Escola Bahiana de Medicina e Saúde
						Pública (EBMSP).
							<bold>E-mail:</bold><email>marildacastelar@bahiana.edu.br</email>,
					</p>
				</fn>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn3">
					<p><bold>Veridiana Silva Machado:</bold> Doutoranda em Estudos Étnicos e
						Africanos da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professora assistente da
						Graduação em Psicologia e Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde
						Pública (EBMSP).
							<bold>E-mail:</bold><email>veridianamachado@bahiana.edu.br</email>,
					</p>
				</fn>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn4">
					<p><bold>Milena Silva Lisboa:</bold> Doutora em Psicologia Social pela
						Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora do
						Mestrado Profissional em Psicologia e Intervenções em Saúde e do Curso de
						Graduação em Psicologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
						(EBMSP). <bold>E-mail:</bold><email>milenalisboa@bahiana.edu.br</email>,
					</p>
				</fn>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn5">
					<p><bold>Verena Souza Souto:</bold> Doutoranda em Medicina e Saúde Humana e
						mestra em Tecnologias em Saúde pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde
						Pública (EBMSP). <bold>E-mail:</bold><email>verena.souto@gmail.com</email>,
					</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<!--<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>15</day>
				<month>09</month>
				<year>2023</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">-->
				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>jan/dez</season>
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			<volume>15</volume>
			<issue>1</issue>
			<elocation-id>e1532068</elocation-id>
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				<license license-type="open-access"
					xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<sec>
					<title>Introdução</title>
					<p>Segundo seu código de ética, as profissionais de psicologia devem combater
						qualquer tipo de violência e discriminação, dessa forma, reconhecendo o
						racismo como determinante na saúde. O estudo objetivou analisar a atuação de
						psicólogas clínicas de Salvador perante o racismo e a demanda de atendimento
						fruto do racismo. Métodos: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva
						e exploratória. Foram analisadas seis entrevistas com psicólogas de Salvador
						que se autoidentificaram como negras/os e trabalham com relações raciais.
						Resultados: Os resultados demonstram que o racismo aparece na atuação
						clínica, em demanda primária ou associada a um outro estado de sofrimento.
						Discussões e Conclusões: Após a identificação, existe uma preocupação em
						potencializar as formas de elaboração desse sofrimento específico. Os dados
						podem contribuir para o exercício em psicologia perante o sofrimento
						psíquico originado pelo racismo.</p>
				</sec>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<sec>
					<title>Introduction</title>
					<p>According to their code of ethics, psychology professionals must fight any
						type of violence and discrimination, thus recognizing racism as a
						determinant in health. This study aims to analyze Salvador’s clinical
						psychologist’s ways of practice against racism, and racism-related patient
						demands. Methods: It’s a qualitative, descriptive, and exploratory research.
						We analyzed six interviews with Salvador psychologists who identify as black
						and work with race relations. Results: The results show that racism appears
						in clinical practice, as a primary demand or related to another suffering
						state. Discussions and Conclusions: After identifying it, there’s a concern
						about potentialize ways of elaboration of this specific suffering. This data
						can help psychological activity about psychic suffering brought on by
						racism.</p>
				</sec>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>Resumen</title>
				<sec>
					<title>Introducción</title>
					<p>De acuerdo con su código de ética, los profesionales de la psicología deben
						combatir cualquier tipo de violencia y discriminación, reconociendo así el
						racismo como un determinante en la salud. El estudio tiene como objetivo
						analizar la actuación clínica de psicólogas de Salvador de Bahía frente al
						racismo y la demanda de atendimiento fruto del racismo. Método: Se trata de
						una investigación cualitativa, descriptiva y exploratoria. Fueron analizadas
						seis entrevistas con psicólogas de Salvador que se autoidentificaron como
						personas negras y trabajan con relaciones raciales en clínica. Resultado:
						Los resultados demuestran que el racismo aparece en la actuación clínica, en
						demanda primaria o asociada a un otro estado de sufrimiento. Debates y
						Conclusiones: Tras la identificación existe una preocupación en potenciar
						las formas de elaboración de este sufrimiento específico. Los datos pueden
						contribuir para el ejercicio en psicología frente al sufrimiento psíquico
						originado por el racismo.</p>
				</sec>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Psicologia clínica</kwd>
				<kwd>racismo</kwd>
				<kwd>saúde mental</kwd>
				<kwd>psicoterapia</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords</title>
				<kwd>Clinical psychology</kwd>
				<kwd>racism</kwd>
				<kwd>mental health</kwd>
				<kwd>psychotherapy</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave</title>
				<kwd>Psicología clínica</kwd>
				<kwd>racismo</kwd>
				<kwd>salud mental</kwd>
				<kwd>psicoterapia</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>As consequências do processo de colonização e miscigenação na formação do Brasil
				caracterizam esse país por uma parcela significativa da população negra (composta
				por pessoas que se autodenominam pretas e pardas), que vivenciam e acumulam o
				sofrimento -psíquico ao longo de gerações. Portanto, existe uma demanda reprimida
				que precisa de estratégias para o cuidado por parte das profissionais de Psicologia,
				para enfrentar possíveis situações constrangedoras e discriminatórias, ao longo de
				suas vidas (Conselho Federal de Psicologia [CFP], <xref ref-type="bibr" rid="B6"
					>2017</xref>, p. 109). Assim, o conhecimento sobre os problemas relativos às
				questões raciais torna-se imprescindível para a atuação da profissional na
				Psicologia Clínica (neste texto, esta área de atuação estará correlacionada à
				psicoterapia), especialmente em cidades como Salvador, que carrega demograficamente
				o maior quantitativo de pessoas negras do país, correspondendo a 82,5% da população
					(<xref ref-type="bibr" rid="B9">Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
					[IBGE], 2020</xref>). Nesse sentido, é importante que a população se reconheça e
				não se discuta como racializada, pois, do contrário, isso dificulta o investimento e
				desenvolvimento em práticas que acabem ou minimizem o racismo.</p>
			<p>Segundo o Código de Ética Profissional ([CFP, <xref ref-type="bibr" rid="B5"
					>2005</xref>), a Psicologia no Brasil deve promover a saúde e contribuir para
				evitar quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração e opressão aos
				indivíduos. Ainda, de acordo com seu código de ética, as profissionais de Psicologia
				no Brasil recebem demandas direta ou indiretamente em seus atendimentos clínicos.
				Logo, em situações em que haja determinadas populações com especificidades, a
				Psicologia é convocada e estimulada a agir de forma a combater essas discriminações,
				e deve estar preparada, apropriando-se de um repertório teórico-prático, para
				acolher e elaborar o sofrimento psíquico e constrangedor oriundo do racismo, uma vez
				que ele promove uma discriminação baseada na cor, colocando a pessoa negra como
				inferior à branca (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Munanga, 2004</xref>).</p>
			<p>Muitas pessoas que sofrem mentalmente podem apresentar sintomas somáticos como
				cansaço, irritação, esquecimento, redução da capacidade de concentração, ansiedade e
				depressão (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Lucchese et al., 2014</xref>). A
				apresentação desses sintomas pela população negra é mais comum, já que a incidência
				desse transtorno afeta, principalmente, habitantes que possuem condições de vida
				associadas à pobreza, a eventos estressantes e recursos sociais e econômicos
				limitados, uma vez que vivem em regiões muitas vezes periféricas, que não têm
				saneamento básico, possuem altos índices de violência, falta de infraestrutura e
				segurança. Assim, é necessário discussão, tomada de posicionamentos e decisões pelas
				psicólogas acerca da saúde mental associada às relações raciais, visto que o racismo
				cria e mantém determinadas formas de existir que geram grande constrangimento e
				sofrimento.</p>
			<p>O CFP disponibiliza referências técnicas desde 2017, a fim de sugerir possibilidades
				de atuação das psicólogas quanto ao assunto. Em um aspecto geral, essa referência
				traça uma contextualização da temática racial, mostrando os tipos de racismo e as
				principais lutas do movimento negro no Brasil, para, apenas no final, efetivamente,
				especificar a atuação da Psicologia. Esse material disponibiliza norteadores a
				partir de perguntas que problematizam a atuação profissional em Psicologia, se esta
				atende às demandas específicas da população negra, se há referenciais teóricos que
				dão o suporte necessário, além de colocar a Psicologia na luta antirracista, por ser
				uma formadora de opinião (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CFP, 2017</xref>, p. 110).
				Além disso, esse material apresenta também uma ênfase na atuação perante o racismo
				institucional e marca a posição do Conselho quanto ao reconhecimento do racismo e às
				diferentes formas de combatê-lo, indicando, inclusive, formas para complementar
				outras frentes de atuação.</p>
			<p>Devido à adaptação de discriminações como o racismo ao longo do tempo, há uma intensa
				reconstrução desse fenômeno na cultura; por isso, reconhecer esses fatores é
				importante para combatê-lo. Em realidades como a do Brasil, em que há um grande
				quantitativo de pessoas negras (pretos e pardos), faz-se necessária uma constante
				atualização, pois mitos como a “democracia racial” podem dificultar a discussão do
				racismo, tornando-o erroneamente um problema individual, e não algo construído e
				mantido estruturalmente. A disseminação da crença da democracia racial refere-se à
				ideia de que não há racismo no Brasil, devido ao seu intenso processo histórico de
				miscigenação (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Pereira, 2019</xref>). Desse modo,
				torna-se difícil discutir o racismo como uma fonte de sofrimento, especialmente
				quando as psicólogas reproduzem esse tipo de discurso no <italic>setting</italic>
				terapêutico e em outros contextos, seja negando sua existência, seja culpabilizando
				a pessoa em sofrimento ou dificultando o seu acesso ao atendimento psicológico na
				modalidade de consultório privado.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Schucman e Martins (2017)</xref>, ao
				discorrerem historicamente sobre algumas características do racismo no Brasil,
				concluíram que o mito da democracia racial e o branqueamento influenciaram as
				práticas psicológicas, de forma a negligenciar por grande parte de sua história
				demandas da população negra. Apesar de pontuarem que houve uma melhora na discussão
				de relações raciais na Psicologia, mediante influências de movimentos sociais, elas
				ainda percebem essa temática pouco comentada e discutida pela categoria
				profissional. Nesse sentido, é importante considerar esse tema de forma integral, a
				partir da relação de aspectos socioeconômicos, políticas públicas e crenças
				culturais, a fim de ampliar a visão dos sujeitos.</p>
			<p>Assim, a elaboração do impacto do racismo só poderá ser feita considerando a saúde em
				sua integralidade, a partir da interseccionalidade, conceito que articula diferentes
				dimensões da vida social atravessadas por relações de dominação estruturadas
				historicamente, que se potencializam quando são vividas por uma mesma pessoa (<xref
					ref-type="bibr" rid="B1">Akotirene, 2018</xref>). Partindo desse pressuposto,
				percebe-se que a discussão de formas de atuação em Psicologia sobre relações
				raciais, principalmente na clínica, ainda é incipiente (<xref ref-type="bibr"
					rid="B6">CFP, 2017</xref>; Schuman &amp; Martins, 2017; <xref ref-type="bibr"
					rid="B19">Tavares &amp; Kuratani, 2019</xref>).</p>
			<p>Pretende-se, portanto, neste trabalho, contribuir para o exercício profissional,
				mostrando de forma específica como a prática em Psicologia pode atender às
				necessidades e demandas de pessoas negras, colaborando, assim, para a promoção da
				saúde integral da população e sensibilizando outros profissionais de Psicologia
				sobre a necessidade de combater o racismo. Compreende-se que o reconhecimento do
				racismo como fonte de sofrimento é necessário para o planejamento das formas de
				enfrentamento na clínica. É preciso entender como as psicólogas pretas ou pardas
				atuam diante das demandas de saúde mental da população negra em Salvador, Bahia.
				Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo principal analisar suas
				atuações perante o racismo e as demandas de saúde mental da população negra, em uma
				grande cidade. Vale ressaltar a importância desta pesquisa, considerando o fato de
				ela acontecer em uma cidade como Salvador, com um perfil populacional de maioria
				negra, em que as profissionais precisam estar atentas às particularidades e ao
				exercício das possíveis demandas dessa população.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Metodologia</title>
			<p>Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória. Foram realizadas
				entrevistas com psicólogas de Salvador, no ano de 2019, entre os meses de agosto e
				dezembro. As entrevistas foram gravadas em áudio, transcritas e analisadas, segundo
				análise de conteúdo (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Deslandes et al., 2002</xref>).
				Foi utilizada uma abordagem qualitativa, como forma de analisar o conteúdo,
				legitimar o discurso das entrevistadas e abordar temas pouco discutidos.</p>
			<p>Foi utilizada uma amostragem não probabilística, chamada “bola de neve”, a partir do
				grupo de pesquisa “Psicologia, Diversidade e Saúde” na Escola Bahiana de Medicina e
				Saúde Pública. Essa amostragem propõe que as pessoas que participem da pesquisa
				sejam indicadas a partir de um grupo selecionado anteriormente, até se conseguir a
				quantidade de participantes planejada (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Vinuto,
					2014</xref>). Dessa forma, as entrevistadas foram indicadas, e essas indicaram
				novas participantes da sua rede de conhecidas que trabalhassem relações raciais na
				clínica e que atendessem pessoas negras.</p>
			<p>Os critérios para inclusão das participantes foram: psicólogas que se autodefinem
				como negras, possuem alguma divulgação do seu trabalho com relações raciais e tempo
				de atuação em seus consultórios particulares de, no mínimo, dois anos. Foi
				estabelecido contato com as psicólogas por redes sociais, e as entrevistas foram
				marcadas próximas ao seu local de disponibilidade. No total, foram realizadas seis
				sessões de entrevistas, em que uma das entrevistadas se pronunciou duas vezes,
				devido à necessidade de colher mais informações.</p>
			<p>Foram entrevistadas quatro mulheres e um homem, todas atuantes na região de Salvador.
				Duas dessas mulheres tinham mais de dez anos na clínica, ambas com formação em
				Psicologia, e se consideravam psicanalistas no que diz respeito à abordagem teórica.
				As outras duas mulheres tinham dois anos de atuação; uma delas se considera
				terapeuta sistêmica e a outra não se identifica por nenhuma corrente específica. O
				psicólogo tinha treze anos de experiência na clínica e atua com um referencial da
				Psicologia Analítica.</p>
			<p>Foram realizadas entrevistas individuais e semiestruturadas, com roteiro que
				consistiu em perguntas sobre a concepção de preconceito e racismo; reconhecimento de
				alguma demanda específica da população negra, atuação no manejo do sofrimento
				específico do racismo, cuidado com a própria saúde como profissional da saúde; e
				percepção da preocupação de suas colegas de profissão sobre essas demandas.</p>
			<p>Este trabalho faz parte de um projeto mais amplo já aprovado no Comitê de Ética, CAAE
				80467917.7.0000.5544. Todas as participantes assinaram o Termo de Consentimento
				Livre e Esclarecido (TCLE). Os locais das entrevistas foram os espaços de trabalho
				das participantes, de acordo com sua preferência, sendo elas realizadas em momentos
				em que se pudessem garantir o sigilo e um ambiente acusticamente protegido para a
				gravação dos áudios. Foram geradas 6 horas, 24 minutos e 32 segundos de gravação e
				86 páginas de transcrição. Estes dados serão guardados no banco de dados do Grupo de
				Pesquisa Psicologia Diversidade e Saúde, sob responsabilidade da coordenadora da
				pesquisa mais ampla.</p>
			<p>A análise de conteúdo, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B13">Minayo (2012)</xref>,
				desdobra-se nas etapas de ordenação dos dados, classificação e análise final, que
				consistem na estruturação e reestruturação das hipóteses e na exploração do
				material, com objetivo de achar as categorias de significados pelas palavras que têm
				forte função com o tema de referência a ser trabalhado. Dessa forma, o pesquisador
				tem uma maior apropriação com o tema discutido e com a produção de uma análise mais
				próxima da sistematização e do aprofundamento que ampliem o escopo das pesquisas
				qualitativas (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Deslandes et al., 2002</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B13">Minayo, 2012</xref>).</p>
			<p>Para classificar os dados obtidos, foram utilizadas as categorias de análise que
				consistem em reunir palavras e expressões significativas que ressoam nos conteúdos
				trazidos nas -entrevistas. Foram realizadas leituras flutuantes de cada transcrição
				e leituras horizontais por assunto, envolvendo todas as entrevistas. Nesse processo,
				emergiram as seguintes categorias de análises sintonizadas com os objetivos da
				pesquisa: <bold>“1. Demandas da população negra”</bold> e <bold>“2. Formas de
					atuação na identificação da demanda como fruto do racismo”.</bold> Por meio das
				demandas, foram identificados alguns tipos de sofrimento psíquico mais frequentes,
				como consequência do racismo, de acordo com os relatos das entrevistadas. Desse
				modo, formas de atuação na identificação da demanda como fruto do racismo foram
				incluídas em relatos que explicavam como essas profissionais lidavam com o
				sofrimento, incluindo algumas variações de seus referenciais teóricos.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e Discussão</title>
			<sec>
				<title>Demandas da População Negra</title>
				<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fanon (2020)</xref>, a pessoa negra, além
					de se representar como indivíduo, representa os seus ancestrais, uma vez que é
					constantemente lembrada de sua fisionomia a partir da interação em sociedade. A
					partir dessa perspectiva, a ideia do que caracteriza a pessoa negra na sociedade
					é influenciada pelos estereótipos sociais que esse corpo carrega. Nesse momento,
					o racismo pode ser direcionado a qualquer integrante dessa população, somente
					pelo fato da sua representação fenotípica. Além disso, o racismo coloca a
					população negra no lugar de inferioridade e exclusão ao qual a população branca
					não quer ser associada, transformando, desse modo, o sujeito negro em algo a se
					distanciar, na medida em que se privilegiam valores da branquitude (<xref
						ref-type="bibr" rid="B10">Kilomba, 2019</xref>). A partir das análises das
					entrevistas, identificou-se a estética como uma das mais frequentes demandas da
					população negra, como se observa a partir da fala do entrevistado 5:</p>
				<p><disp-quote>
					<p><italic>Eu acho que a estética fala sobre isso. Eu acho que muito do que se
							traz é sintomático e uma construção do ser quem é, da sua própria
							identidade, que tem a ver com o atrelamento da sua história, da sua
							origem, dos seus costumes, com a ideia de ser quem você quer ser. E de
							como determinar um estereótipo, determinado traçado, torna a vida do
							sujeito mais estressora, então eu percebo que a possibilidade de
							desenvolvimento de transtorno tal, ou suscetível a determinados
							sintomas, somatizadores, eles estão atrelados . . . à condição de ser
							negro. Então, você se coloca no dia a dia, por ser negro, você acaba
							vivendo situações tão sociais quanto relacionais mais susceptíveis às
							agressões, injúria, a uma diminuição, então isso tem a ver com a própria
							saúde e bem-estar</italic> (Entrevistado 5, Junguiano).</p>
				</disp-quote></p>
				<p>A estética, nesse momento, mostra-se como uma forma de se relacionar com o
					exterior, sendo que apresenta marcadores de identidade, a qual constrói uma
					ampla gama de significações aos sujeitos. Também são apontados como a
					justificativa para as discriminações raciais, algo que não se refere,
					diretamente, à pessoa, mas a um povo.</p>
				<p>Devido à dificuldade de explicitamente se reconhecer o racismo, geralmente pela
					negação de quem o pratica, é complexo perceber os sinais de ocorrência. No
					entanto, -independentemente do reconhecimento, haverá, de alguma forma, um
					impacto negativo para a pessoa negra (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CFP,
						2017</xref>). Logo, ao se referir a um processo de vivência, como a
					expressão de fenótipos pela estética negra, o indivíduo terá mais chances de
					sofrer violências, mesmo não percebendo que foi causado pelo racismo.</p>
				<p>A estética também pode ser associada com outra demanda da população negra, a
					hipersexualização, nesse momento, relacionada à mulher negra, como apresenta-se
					a seguir:</p>
				<p><disp-quote>
					<p><italic>Agora uma coisa que eu acho muito interessante, específico da mulher
							negra, é essa coisa do objeto sexual, de ser tratada desse lugar, como
							algo que faz sofrer muito, “só querem me comer”, o que eu vivi também,
							quando era jovem, eu entendia isso, de que as pessoas não queriam
							namorar comigo, queriam “me comer”. Isso acontece muito, muito
							frequente</italic> (Entrevistada 2, psicanálise).</p>
				</disp-quote></p>
				<p>A mulher negra, nesse momento, é retratada a partir da sexualização do seu corpo,
					o que está influenciando diretamente nas suas relações amorosas e a colocando
					como um objeto sexual, sendo essa uma característica específica dessa parte da
					população, que, além de sofrer racismo, sofre também pelo machismo. Nesse
					sentido, na interseccionalidade de raça e gênero, as mulheres negras têm um
					fator “adoecedor” por terem suas demandas duplamente invisibilizadas. Existe uma
					demanda que se intensifica na interação com o racismo, são a de serem mulheres e
					negras. Desse modo, surgem fatores para essas mulheres que permeiam tanto as
					questões de raça quanto de gênero.</p>
				<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B2">Barbosa et al. (2018)</xref>, é a partir
					da consideração de que há singularidades na relação entre raça, gênero e classe
					que se pode elaborar as melhores formas de se lidar com essas demandas. Dessa
					forma, essas discriminações se potencializariam, ou seja, seriam amplificadas
					por múltiplos fatores de preconceitos.</p>
				<p>Outra demanda frequente trazida pelas entrevistadas foi a desesperança trazida
					pelo contexto social:</p>
				<p><disp-quote>
					<p><italic>Esse desespero tem a ver também com o momento político do nosso país,
							os cortes, as notícias, a forma como a população negra ela é tratada, e
							a intensificação desse agravo nos últimos três anos [2016-2019], por
							exemplo. As notícias de pessoas sendo assassinadas, as notícias de
							grandes massacres, e de muita injustiça, tem deixado as pessoas
							desesperançosas, então, por exemplo, ações afirmativas que antes faziam
							sentido, dá uma esperança a essas pessoas de mobilidade social, hoje,
							com esses agravos, com esses cortes e essas violações, as pessoas vêm
							todos os dias, se perguntando se de fato faz sentido continuar fazendo o
							que se vem fazendo, enfim. Então, esse é um sentimento
							recorrente</italic> (Entrevistada 4, Sistêmica).</p>
				</disp-quote></p>
				<p>Nesse comentário, a psicóloga ressalta a relevância de políticas reparadoras para
					o suporte da sobrevivência da população negra. Pela falta de uma perspectiva de
					melhora, há adoecimento, já que não são apresentadas formas de melhorar a
					qualidade de vida, principalmente sem o apoio de políticas públicas.</p>
				<p>Além disso, essa desesperança chega associada como consequência dos outros tipos
					de racismo, institucional, interpessoal e estrutural, pois há a potencialização
					de todas essas discriminações (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bujato &amp;
						Souza, 2020</xref>). Desse modo, a demanda está presente quando essa
					população se encontra desassistida de diversos fatores para além dos
					individuais.</p>
				<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B12">Madeira e Gomes (2018)</xref>, a
					independência da população negra se dará quando várias dimensões forem
					consideradas além da economia, como cultura, classe, raça e gênero nas políticas
					de intervenção do Estado. Também é importante reforçar a presença da população
					negra nas diversas esferas de poder, assim como sua valorização na estética, na
					arte e no conhecimento.</p>
				<p>Destarte, as demandas da população negra chegam de forma a abranger a experiência
					de vida dessa população, sendo as discriminações atravessadas e potencializadas
					a partir de significantes como raça, gênero e classe. Cabe à psicóloga estar
					atenta a essas transversalizações e aos impactos desse sofrimento, a fim de
					tentar atender essas pessoas em sua integralidade.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Formas de Atuação Perante as Demandas Originadas pelo Racismo</title>
				<p>A análise das respostas às entrevistas permitiu chegar a formas semelhantes e/ou
					distintas em relação a como essas psicólogas agem ao trabalhar o sofrimento
					psíquico oriundo do racismo na clínica. De forma distinta, as duas psicólogas
					que trabalham a partir da Psicanálise têm modelos similares para a elaboração
					desse sofrimento. A entrevistada 2 relata:</p>
				<p><disp-quote>
					<p><italic>Então, hoje eu entrego para o meu paciente a palavra racismo como um
							significante possível. Não é que antes eu não faria. Hoje, eu faço,
							trago esse significante para o jogo simbólico, e acho que tem feito
							bastante diferença na psicoterapia</italic> (Entrevistada 2,
						Psicanálise).</p>
				</disp-quote></p>
				<p>Desse modo, a psicóloga atua de forma ativa por meio da identificação do que ela
					considera racismo na fala do paciente, ou seja, as formas de associações da
					experiência vivida com o racismo também podem ser trazidas por essa
					profissional. Além disso, a nomeação da palavra “racismo” por essa profissional
					se torna relevante ao trazer para elaboração desse termo a consciência e indo
					por outros caminhos para além da forma tradicional na clínica.</p>
				<p>Na mesma direção, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Rosa e Braga (2018)</xref>
					trabalham com base em uma perspectiva de Psicanálise implicada, a partir de um
					“sujeito dividido” que estará sempre inscrito no laço social, compreendendo
					tanto pacientes quanto analistas. Portanto, situando essa atuação em um contexto
					histórico por relações de poder em uma sociedade desigual.</p>
				<p>Neste momento do atendimento, o saber da Psicologia se torna imprescindível,
					pois, se a demanda chegar sob olhos desatentos, as implicações do racismo
					acabarão não sendo trabalhadas. Isto significa que a falta do conhecimento das
					formas e expressões do racismo por parte do analista dificulta a sua elaboração.
					Esse aspecto da fala da entrevistada 2 também pode ser constatado em outras
					entrevistas. Quando questionada sobre especificidade do racismo, a entrevistada
					1 respondeu:</p>
				<p><disp-quote>
					<p><italic>Eu acho que o ponto da especificidade é escutar a dor que o racismo
							provoca . . . não colocar em um pacote como naturalizado ou passar por
							cima. É, por exemplo, uma pessoa que tem ansiedade, uma pessoa negra, é
							uma ansiedade e tem uma especificidade, que tem uma polícia correndo
							atrás. É poder escutar esse viés que, muitas vezes, passa despercebido
							até pela própria pessoa, ela só se acha ansiosa. Saber que é ansiosa,
							mas que tem algo aí que objetivamente essa ansiedade está presente e tem
							um motivo, aí já é um deslocamento</italic> (Entrevistada 1,
						Psicanálise).</p>
				</disp-quote></p>
				<p>Pode-se observar que essa forma de atuação busca compreender os motivos mais
					profundos da ansiedade. Esse processo fará parte da resolução da queixa, na
					medida que busca tornar consciente ou trazer à tona aspectos da origem dessa
					demanda. Pode-se concluir, então, que as demandas do racismo conseguem atingir
					de forma que o paciente não reconheça suas verdadeiras origens, e que a
					experiência do sofrimento do racismo também pode vir associada a outros fatores.
					Exige-se, assim, ainda mais da profissional de Psicologia que se encontre nessa
					posição, pois terá de discernir, desvelar e diferenciar quais são as formas de
					racismos expressas na fala da paciente.</p>
				<p>No momento em que as demandas do racismo já se encontram mais explícitas, esta
					pode vir associada às formas mais diretivas de intervenção, como no relato a
					seguir:</p>
				<p><disp-quote>
					<p><italic>Primeiro eu anuncio o que há de sintomático e os efeitos do racismo
							que têm a ver com o sintoma, para que ele possa fazer as articulações
							desses sintomas, entende o que eu estou falando . . . na verdade, as
							intervenções têm de ser ou no momento que já tá fazendo sentido para o
							paciente, ou um pouquinho antes, só para que ele se desloque e possa
							entender da intervenção que foi feita e o faça produzir, pensar e se
							reestruturar</italic> (Entrevistada 1, Psicanálise).</p>
				</disp-quote></p>
				<p>O relato pode estar revelando outro momento de atuação ou mesmo outro modelo mais
					direto de intervenção. De todo modo, essas intervenções foram pautadas a partir
					da consideração do analista sobre o próprio sintoma do paciente.</p>
				<p>Em outras entrevistas percebe-se direções semelhantes, no entanto, neste momento
					a partir do acolhimento desse sofrimento:</p>
				<p><disp-quote>
					<p><italic>Eu penso muito que a primeira coisa como psicóloga [deve] fazer é a
							validação do sofrimento . . . é [necessário] de fato que a pessoa
							entenda que tem alguém prestando atenção ao que ela diz, entendendo por
							que que ela sofre. E, muitas vezes, o crescimento das condições
							estruturais ajudam a pessoa a trazer esse sofrimento e a entender que de
							fato ela está sofrendo, mas nem tudo é, uma coisa que foi criada por
							ela. A responsabilidade dela é parcial dentro de uma estrutura que é
							muito maior. Então, tomar consciência disso também é pensar
							possibilidades de transformação e inclusive tirar um pouco, por exemplo,
							aquela coisa da culpa</italic> (Entrevistada 4, Sistêmica).</p>
				</disp-quote></p>
				<p>Segundo essa entrevistada, o primeiro passo da intervenção é a atitude do
					profissional de Psicologia de levar em consideração os sentimentos da pessoa
					atendida. Por meio da validação do sofrimento, a psicóloga escuta sem haver o
					julgamento, fornecendo um espaço para a abertura de elaboração dessas demandas,
					além de ajudar a reconhecer que há uma relação de sofrimento com o que está
					surgindo. Desse modo, desenvolvendo um vínculo saudável e seguro para a melhor
					expressão da pessoa e suas demandas.</p>
				<p>Outro ponto marcante é a não culpabilização do sujeito pelo que está sofrendo,
					inserindo-o em um contexto que ele tem, apenas, uma responsabilidade dentro
					dessa estrutura racista. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B3">Batista e
						Mastroni (2018)</xref>, com o capitalismo, o racismo se redefiniu para além
					de se adaptar a essa estrutura. Desse modo, essa discriminação já acontecia
					antes desse modelo econômico; logo, ela está além de problemas individuais, mas
					que se moldam e fazem agir de forma estereotipada. E, assim, o racismo foi muito
					além do processo de adaptação, este contribui de forma efetiva para manter essa
					estrutura de desigualdade social produzida pelo sistema.</p>
				<p>De maneira mais ampla, outro psicólogo menciona que trabalha os sintomas do
					racismo: <italic>“Da mesma forma que são trabalhados todos os outros
						sintomas”</italic> (Entrevistado 5, Junguiano). A partir dessa perspectiva
					de atuação, problematiza-se como o sintoma do racismo é válido, uma vez que o
					compara a qualquer outro. Logo, considera-se que há uma estrutura para sua
					intervenção, como descreve a seguinte frase:</p>
				<p><disp-quote>
					<p><italic>Primeiro, acolhendo a queixa, aderindo uma atitude consciente frente
							a ela, e enfrentando. E esse enfrentamento, ele atrela-se também [a] uma
							atitude cidadã, uma atitude política. Então, pouco diferenciado das
							outras queixas. É . . . então, estar trabalhando comigo a situação do
							racismo é você ter um atrelamento, de formar seus referenciais teóricos,
							seus referenciais bibliográficos, referenciais de grupos de apoio, da
							construção de rede de apoio e acolhimento</italic> (Entrevistado 5,
						Junguiano).</p>
				</disp-quote></p>
				<p>Esses sintomas são elaborados, inicialmente, a partir da legitimação do
					sofrimento; posteriormente, por meio da discussão em clínica e, então, com um
					incentivo a uma atitude política, revendo seus referenciais, constantemente.
					Assim, além dos pontos já discutidos em outras entrevistas, destaca-se a atitude
					de uma clínica política e a discussão dos seus referenciais. Segundo <xref
						ref-type="bibr" rid="B12">Madeira e Gomes (2018)</xref>, é de grande
					importância a criação de laços identitários pela população negra, como
					movimentos ligados à arte, estética, e ações afirmativas para uma identidade
					negra fortalecida. Dessa forma, a atuação da psicóloga também está pautada na
					ajuda em ressignificar esta identidade e no reconhecimento da importância do
					engajamento em movimentos sociais, seja para mobilização política, seja pela
					inserção em grupos diversos em que a pessoa possa se reconhecer do ponto de
					vista identitário.</p>
				<p>Outro fator relevante encontrado nas entrevistas foi a utilização de referenciais
					externos como narrativas de mulheres negras para melhor elaboração dos seus
					sintomas:</p>
				<p><disp-quote>
					<p><italic>Então, quando eu fazia umas perguntas era meio que aquelas respostas,
							assim, superficiais . . . Então, como a maioria tinha no primeiro
							contato, nessa primeira entrevista, faziam panorama de uma vida, de
							serem de família mais volumosas, e aí eu comecei a fazer uma associação
							que, poxa, a escrevivência da Conceição Evaristo traz muito, de muitas
							nós, E aí eu levo para ler, e aí como eu voltava, voltava assim, como se
							fosse realmente um processo de catarse orquestrado, porque teve ali um
							disparador, que [é] eu acessar uma escritora que fala sobre algo que é
							realmente sobre mim também</italic> (Entrevistada 3, relata não adotar
						uma abordagem específica).</p>
				</disp-quote></p>
				<p>Assim, ao fornecer experiências semelhantes à história de vida dessas pacientes,
					é possível fazer com que elas reconheçam que as suas dores não são somente
					individuais, mas compartilhadas por outras pessoas. Além disso, mobilizando-as
					de uma forma que comecem a ressignificar suas vidas a partir de elementos
					raciais trazidos nessas histórias.</p>
				<p>A literatura se mostra como uma apropriação de conhecimento e perpetuação da
					cultura de sua época, a qual fornece contribuições para alterações na sociedade
					e se apresenta como parte importante de formação do sujeito, além de transmitir
					outros pontos de perspectivas que estão presentes na cultura. A “escrevivência”
					é um termo usado por Conceição Evaristo para representar uma escrita que se
					relaciona com a sua experiência, mediante suas lembranças individuais e a da
					população negra (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Remenche &amp; Sippel,
						2019</xref>). Dessa forma, essa psicóloga parece formar relações das
					experiências de suas pacientes com a história de seu povo, formando novas
					referências.</p>
				<p>Para a população negra, é importante a formação e o reconhecimento em
					representações positivas, já que o racismo traz como repercussões a
					representação de si como inferior, desagradável e inadequado (<xref
						ref-type="bibr" rid="B19">Tavares &amp; Kuratani, 2019</xref>). Logo, ao
					mostrar a possibilidade de reflexão das suas próprias demandas por meio dessas
					narrativas, essa psicóloga começa a, junto a essas pacientes, resgatar sua
					própria identidade.</p>
				<p>Pode ser visto, na atuação dessas psicólogas, o reconhecimento do racismo como
					fonte de sofrimento, o acolhimento das demandas e a tentativa de enfrentamento
					diante dele; dessa forma, ajudando a elaborar as possibilidades de significação
					que os pacientes dão a esse sofrimento como um processo causado historicamente.
					Entende-se que estratégias estão sendo elaboradas por essas psicólogas no
					enfrentamento aos sintomas do racismo na clínica, assim, indo ao encontro do que
					é exigido da profissão a partir do seu código de ética, como exemplo demonstrado
					pela atuação com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a
					realidade política, econômica, social e cultural e, dessa maneira, deslocando-se
					da adaptação das formas tradicionais de atuação com o objetivo de atender a
					população negra.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>O presente estudo possibilitou analisar as formas de atuação de psicólogas no
				enfrentamento ao sofrimento do racismo na clínica. O trabalho consistiu em uma
				pesquisa qualitativa que utilizou entrevistas com psicólogas de Salvador que se
				autodefiniram como negras, possuíam alguma divulgação do seu trabalho com relações
				raciais e tempo de atuação na clínica de no mínimo dois anos.</p>
			<p>A partir das entrevistas, foram discutidos aspectos sobre a concepção de preconceito
				e racismo, as demandas da população negra e algumas hipóteses sobre como acontece a
				atuação no manejo do sofrimento específico do racismo, dentre outros aspectos, como
				territorialidade. As psicólogas admitiram que a temática do racismo na clínica é
				algo frequentemente trazido por seus pacientes, seja como uma demanda primária, seja
				associado a um outro estado de sofrimento. Por meio da identificação do racismo no
					<italic>setting</italic> terapêutico, elas potencializam as formas de elaboração
				do sofrimento.</p>
			<p>As principais limitações da pesquisa foram encontrar profissionais com mais de dois
				anos de atendimento psicoterápico que trabalhassem com raça, além da limitação do
				tempo para a realização da entrevista. Esta procura se deu pelo método “bola de
				neve”. A maioria dos profissionais indicados tinha tempo de formação de até dois
				anos, o que pode dar indícios de que a formação para uma clínica antirracista tem se
				popularizado mais a partir da década de 2010. O tempo para realização da entrevista
				foi definido junto às entrevistadas, de acordo com suas agendas. Em alguns casos,
				foi perceptível uma preocupação com a duração do diálogo. Dentro da categoria
				“demandas da população negra”, foi debatido que as questões trazidas por essa
				população não passam necessariamente por uma conexão direta com o racismo. Desse
				modo, cabe à profissional de psicologia conhecer as formas possíveis de racismo e,
				junto ao paciente, elaborar estratégias de enfrentamento. Na categoria “Formas de
				atuação perante as demandas originadas pelo racismo”, foi evidenciada a importância
				de se ter uma posição ativa no atendimento pela psicóloga e o papel do acolhimento
				do sofrimento como uma forma válida.</p>
			<p>Um dado que apareceu nos resultados da pesquisa, mas não pode ser aprofundado nos
				resultados obtidos, foi a territorialidade. Esse dado foi trazido como um dos
				principais fatores para alcançá-los, uma vez que é a partir dessas regiões que se
				constroem subjetividades e existências. Fica a questão: para quem estão dirigidos
				hoje os serviços de psicoterapia em Salvador? Para atingir a população negra,
				percebe-se que essa Psicologia pretendeu focar um espaço em que elas seriam a
				maioria e com uma maior disponibilidade aos meios de transportes públicos.</p>
			<p>Vale ressaltar, portanto, que quem pensa no formato da clínica para o atendimento da
				população negra considera buscar novas formas de se atuar neste espaço, o que
				aparenta ser a adaptação das formas tradicionais de atuação. O território, a partir
				da concentração de pessoas negras que habitam o local, e a mobilidade urbana para
				facilitar seu acesso são fatores importantes ao se tratar essas especificidades.
				Nesse sentido, estudos futuros poderão ser aprofundados sobre o tema, além de
				incluírem o território, considerando a distribuição territorial da população negra e
				o acesso aos serviços prestados pelos profissionais de psicologia em consultórios de
				Salvador. Pode-se questionar, também, qual população os profissionais de Psicologia
				no Brasil estão atendendo e os motivos para que, no início do século XXI, o trabalho
				na construção de uma Psicologia Antirracista esteja mais evidente. Onde estava/está
				a execução do potencial de um país com um intenso processo de miscigenação, grande
				diversidade cultural e produtor de conhecimento imprescindível, no mundo? Afinal, o
				que mudou para estarmos falando de raça mais uma vez?</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<app-group>
			<app id="app1">
				<title>Anexo</title>
				<sec>
					<title>Protocolo de Entrevista</title>
					<sec>
						<title>Dados Pessoais</title>
						<list list-type="order">
							<list-item>
								<p>Nome:</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Idade:</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Qual a sua cor/raça: ( ) Branca ( ) Preta ( ) Parda ( ) Amarela (
									) Indígena</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Naturalidade:</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Estado civil:</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Escolaridade:</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Religião:</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Profissão/formação:</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Tempo de profissão/no campo específico de atuação:</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Instituições às quais pertence (trabalho, ONG etc.):</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Cargos e funções que ocupa:</p>
								<p><bold>Perguntas</bold></p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Descreva sua atuação profissional.</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Possui uma orientação teórica?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Quais os principais autores em que se inspira?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Qual a porcentagem de população negra que você atende?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Como você descreve sua atuação específica com essa população? O
									que é diferente? O que muda?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Como chega a demanda de racismo? Quais as principais demandas
									sobre racismo?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Você percebe nos relatos de seus pacientes/clientes posturas
									racistas (ações, pensamentos)?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Como são trabalhados os sintomas do racismo?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Você identifica que seus pares (colegas de consultório,
									supervisão, grupo de estudos) trabalham o sofrimento psíquico
									fruto do racismo?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Por que você começou a se dedicar a trabalhar o sofrimento
									psíquico fruto do racismo?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Qual a sua experiência no seu próprio processo terapêutico? Você
									trabalhou ou trabalha o racismo?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Você sente que é procurado por ser uma psicóloga negra? Como você
									percebe e trabalha isso na relação com o paciente?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Você se considera um/a militante?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Como você definiria preconceito?</p>
							</list-item>
							<list-item>
								<p>Como você definiria racismo?</p>
							</list-item>
						</list>
					</sec>
				</sec>
			</app>
		</app-group>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>Akotirene, C. (2018). <italic>O que é Interseccionalidade?</italic>
					Letramento. (Coleções Feminismos Plurais).</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Akotirene</surname>
							<given-names>C.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2018</year>
					<source>O que é Interseccionalidade? Letramento</source>
					<comment>(Coleções Feminismos Plurais)</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>Barbosa, I. M., Souza, J. W. F., &amp; Vieira, M. M. (2018).
					Relações étnico-raciais, políticas de gênero e interseccionalidades.
						<italic>Caderno Espaço Feminino, 3</italic>(1), 30-39. <ext-link
						ext-link-type="uri" xlink:href="http://dx.doi.org/10.14393/CEF-v31n1-2018-2"
						>http://dx.doi.org/10.14393/CEF-v31n1-2018-2</ext-link>
				</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Barbosa</surname>
							<given-names>I. M.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Souza</surname>
							<given-names>J. W. F.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Vieira</surname>
							<given-names>M. M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2018</year>
					<article-title>Relações étnico-raciais, políticas de gênero e
						interseccionalidades</article-title>
					<source>Caderno Espaço Feminino</source>
					<volume>3</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>30</fpage>
					<lpage>39</lpage>
					<comment>
						<ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://dx.doi.org/10.14393/CEF-v31n1-2018-2"
							>http://dx.doi.org/10.14393/CEF-v31n1-2018-2</ext-link>
					</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
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