Artigo
ENSINO EM ADMINISTRAÇÃO E DIRETRIZES CURRICULARES: REPRESENTAÇÕES DISCENTES SOBRE FORMAÇÃO E FUTURO NA PROFISSÃO
TEACHING IN ADMINISTRATION AND CURRICULUM GUIDELINES: STUDENT’S REPRESENTATIONS ABOUT COURSE AND FUTURE IN THE PROFESSION
ENSINO EM ADMINISTRAÇÃO E DIRETRIZES CURRICULARES: REPRESENTAÇÕES DISCENTES SOBRE FORMAÇÃO E FUTURO NA PROFISSÃO
Caderno de Administração, vol. 31, núm. 1, pp. 136-157, 2023
Unuversidade Estadual de Maringá
Recepção: 20 Setembro 2022
Aprovação: 21 Março 2023
RESUMO: O crescimento da formação em administração traz consigo a necessidade de decolonização no campo, tendo em vista a hegemonia na produção de conhecimento dos países do norte global. Nesta pesquisa buscou-se analisar as representações de discentes do curso de Administração, da figura de administrador brasileiro e os arquétipos apresentados na nova diretriz curricular nacional do curso - DCN. Para tanto, foi realizada uma pesquisa empírica por meio de desenhos feitos por dezesseis discentes do curso de graduação em administração de duas IFES do Estado do RJ. Com o auxílio da semiótica Greimasiana situacional foi possível perceber que há um distanciamento entre as percepções dos discentes e os arquétipos apresentados na DCN e que a adoção acrítica desta tende a corroborar para com o quadro de americanização no ensino em Administração e com a colonialidade do saber. Como limitação do trabalho, apontamos o número restrito de participantes e a delimitação geográfica do estudo. Para futuros trabalhos, os autores sugerem a ampliação da pesquisa em outras regiões do Estado do RJ e do país.
Palavras-chave: Ensino em Administração, Diretrizes Curriculares, Americanização, Colonialidade do Saber.
ABSTRACT: The growth of education in administration brings with it the need for decolonization in the field, in view of the hegemony of knowledge production in the countries of the global north. This research sought to analyze the representations of students of the Administration course, of the figure of the Brazilian administrator and the archetypes presented in the new national curricular guideline of the course - NCG. For that, an empirical research was carried out by means of drawings made by sixteen undergraduate students of two Federal Higher Education Institutions in the State of Rio de Janeiro. With the help of situational Greimasian semiotics, it was possible to perceive that there is a distance between the perceptions of the students and the archetypes presented in the NCG and that the uncritical adoption of this tends to corroborate the Americanization of Administration teaching and the coloniality of knowledge. As a limitation of the work, we point out the restricted number of participants and the geographic delimitation of the study. For future work, the authors suggest expanding the research to other regions of the State of RJ and the country.
Keywords: Management Education, Curricular Guideline, Americanization, Coloniality of Knowledge.
1. INTRODUÇÃO
Em 1952 se iniciou o ensino de administração no Brasil (CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO, 2022), e o ano de 2022 marca os 70 anos deste processo. Atualmente, mais de 2830 cursos de bacharelado presenciais e EAD estão autorizados pelo Ministério da Educação - MEC - a oferecer vagas (MEC, 2022). Existem 105 programas de pós-graduação credenciados na Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração - ANPAD e, em 2022, 1352 trabalhos foram apresentados no Encontro Nacional da ANPAD - ENANPAD, que é realizado há quatro décadas, sendo o maior da área no país (ANPAD, 2023). A história do ensino de administração revela um ambiente de aprendizagem dinâmico em função de fatores estruturais e institucionais (LIMA; SILVA, 2019).
A inserção da formação profissional no país tem a influência estadunidense desde a sua gênese. A figura dos EUA como principal ator geopolítico do capitalismo liberal colocou o país como referência hegemônica na forma de se gerenciarem as organizações (BARROS; CARRIERI, 2015). A disseminação dos modelos de gestão concebidos e praticados nos EUA tinham um contexto geopolítico e serviam como um instrumento na disputa estadunidense pela liderança do “mundo livre” (BERTERO; BARROS; ALCADIPANI, 2019).
Nas duas das principais escolas brasileiras de administração de empresas no Brasil, a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV) e a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), os traços da americanização se fazem presentes, seja como fonte de conteúdos na implantação de cursos ou com a capacitação de docentes brasileiros nos EUA (CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO, 2022).
Esses aspectos foram acentuados com a globalização ocorrida a partir dos anos 1980, sendo observados, nos estudos em administração, pela expansão e rearticulação de diferentes mecanismos de colonialidade comandados inicialmente pela Europa e atualmente pelos EUA. O país é apontado como agente construtor de um quadro de assimetria no campo de administração/gestão, que acaba por subalternizar os saberes do resto do mundo, a partir de uma lógica colonial (ADBALLA; FARIA, 2017). Em resposta a esse quadro surge a crítica decolonial, denunciando o “imperialismo” dos estudos culturais, pós-coloniais e subalternos que não realizaram a devida crítica ao uso de autores euro-estadunidenses (MIGNOLO, 2003). Além disso, a crítica decolonial revela que as epistemologias e metodologias nortecêntricas estão baseadas em uma lógica cartesiana, eurocentrada e racializada. A decolonialidade surge então como um movimento de resistência à lógica da modernidade/colonialidade (DULCI; MALHEIROS, 2021).
Nesse contexto, refletir sobre como se dá o atual ensino em administração no Brasil se mostra importante. Entre os autores que discutem o currículo dos cursos de graduação de administração, existe certa unanimidade de que uma formação conveniente do administrador depende de um currículo adequado (SILVA; FISCHER, 2008; KITAHARA, 2008; ALVES; NASCIMENTO, 2018; FIGUEIRÓ; SILVA; PHILERENO, 2019).
Em 2020, o Conselho Nacional de Educação formalizou o Parecer nº 438/2020, aprovado em 10/7/2020, que elaborou novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do curso de graduação em administração. Em seu bojo, o documento traz a importância da preparação de profissionais com competências voltadas ao processo de globalização das empresas. A nova DCN traz um “novo perfil discente” subdividido em nove arquétipos que reúnem as competências necessárias para a conversa contínua entre homens e máquinas, alinhando-se com as demandas da revolução da indústria 4.01 (BRASIL, 2021).
Porém, o advento da indústria 4.0 e o fenômeno da globalização não são simétricos e não promovem as mesmas transformações a todos de maneira igualitária. O que vemos é uma dicotomia entre o Norte e o Sul, e entre teoria e prática, tendo o hemisfério Norte um caráter hegemônico na produção e disseminação de conhecimento em gestão e organizações, cabendo ao Sul o papel de objeto na simples reprodução acrítica deste conhecimento (ROSA; ALVES 2011, FARIA, 2023). A América latina é colocada no foco de tal processo, já que se entende que a colonialidade persiste por um longo período, mesmo após a eliminação da dominação política do colonialismo nas esferas econômica e política, impondo a racionalidade da modernidade de uma perspectiva racista e meramente europeia (WANDERLEY; BARROS, 2019).
Diante desse panorama, cabe questionar de que formas as representações dos discentes sobre o curso de administração e sobre a carreira de administrador brasileiro se alinham com os arquétipos apresentados na nova DCN. Para responder essa questão foi realizada uma pesquisa empírica com alunos de graduação em administração de duas instituições federais de ensino superior. Alguns artigos, como os de Borges, Medeiros e Casado (2011), Oliveira, Barreto, Souza e Calbino (2011) e Gonzaga, Oliveira e Chagas (2015), trabalham com representações de discentes da área de administração, porém utilizam predominantemente aspectos textuais na fase de coleta de dados. Pensar também o(a) profissional de administração como sujeito se revela um tema ainda pouco explorado pela academia, limitando-se a normas e regras relativas à carreira (SHIMADA; CRUBELLATE, 2013). Optamos pela pesquisa baseada em artes (PBA) como estratégia de coleta de dados, por meio de desenhos à mão livre, visto que a utilização de artes visuais na pesquisa social abre caminhos para perspectivas feministas, pós-coloniais e outras perspectivas críticas (LEAVY, 2015). A análise das imagens coletadas foi feita através da semiótica Greimasiana situacional (MATTE; LARA, 2009), com base na qual deve-se levar em consideração o contexto espacial e temporal no qual a obra foi elaborada.
Dessa forma, este trabalho teórico-empírico tem como objetivo promover uma reflexão acerca da nova DCN nos cursos de graduação em administração e as representações sobre ser aluno(a) do curso de administração e do ser administrador(a) brasileiro. Por conseguinte, demonstramos as possíveis relações entre os arquétipos presentes na DCN, o processo de americanização intencional no ensino em administração (BARROS; CARRIERI, 2015, WANDERLEY; BARROS 2019) e à colonialidade do saber (QUIJANO, 2000). Buscamos também responder à questão: as representações se alinham à nova diretriz ou reforçam o distanciamento entre os saberes em administração e a realidade local?
O artigo está dividido em cinco partes, além desta introdução. Na primeira parte é feita uma revisão sobre a “americanização intencional” (ALCADIPANI; CALDAS, 2012; CORAIOLA et al., 2021) no ensino em administração e a sua conexão com a perspectiva decolonial; na segunda é feito o aprofundamento sobre a nova DCN e dos três arquétipos mais ligados à área de administração (BRASIL, 2021); posteriormente apresenta-se a estratégia metodológica empreendida na pesquisa; e, por fim, é realizada a análise dos dados coletados na fase empírica, seguida pelas considerações finais.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. AMERICANIZAÇÃO DO ENSINO EM ADMINISTRAÇÃO SOB A ÓTICA DECOLONIAL
Os impactos da globalização no ensino em administração podem ser observados pela expansão e pela rearticulação de diferentes mecanismos de colonialidade comandados inicialmente pela Europa e atualmente pelos Estados Unidos (ADBALLA; FARIA, 2017). Este cenário ainda persiste, pois, mesmo com a recente “virada histórica” no conhecimento em gestão e organizações, a literatura da área não tem promovido a inclusão de autores, teorias, conceitos, objetos e temas de outras geografias (WANDERLEY; BARROS, 2019). Rosa e Alves (2011) questionam a hegemonia do idioma inglês no campo científico e a sua contribuição para a reprodução de ideais colonizadores que impedem os pesquisadores nativos de regiões periféricas de produzirem sentido dentro de sua língua materna. Cabe ressaltar que a necessidade de integração internacional das pesquisas em administração é importante, mas isso não determina que seja aceita a hegemonia da língua inglesa de maneira acrítica. Além disso, o uso do hegemônico do inglês na administração brasileira pode ser um fator que reproduz exclusão e impede a diversidade (TEIXEIRA et al., 2021).
As raízes históricas desse cenário estão ligadas à gênese da formação em administração no Brasil e o conceito de americanização, que é o processo de disseminação dos valores estadunidenses em países sob influência dos EUA. Essa influência se acentuou entre o fim da Primeira Guerra Mundial e o início da Segunda Guerra Mundial, quando em todo o mundo os EUA passaram a ser considerados uma potência emergente. A introdução de referências americanas no Brasil nesse período também foi impulsionada pelos claros sinais de prosperidade econômica e industrial que os Estados Unidos exibiram ao mundo. Tal prosperidade estava atrelada aos avanços técnicos e materiais, possibilitada pelo modo de produção taylorista e fordista na década de 1920. Esses fatores foram suficientes para alçar os EUA ao patamar de modelo de eficiência e modernização para a incipiente elite industrial brasileira, especialmente em São Paulo, berço da industrialização brasileira (ALCADIPANI; CALDAS, 2012).
Após a Segunda Guerra Mundial, os EUA implementaram uma política específica para a América Latina, conhecida como a Aliança para o Progresso (ALPRO). A ALPRO foi um programa de ajuda inspirado pelo Plano Marshall e lançado pelo presidente Kennedy, em 1961, para promover o desenvolvimento na América Latina. O objetivo central era conter o potencial de expansão do comunismo na América Latina após a Revolução Cubana, introduzindo a teoria da modernização como um dispositivo de colonização (WANDERLEY; BARROS, 2020).
Parte integrante da ALPRO, a teoria da modernização foi desenvolvida por acadêmicos do Departamento de Relações Sociais de Harvard e do Centro de Estudos Internacionais do Massachusetts Institute of Technology - MIT, para promover o desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo. Parte deste programa tinha como objetivo o investimento na criação, modernização e expansão das instituições de ensino em administração na região. Um dos expoentes da teoria da modernização, Walt Rostow, do MIT, afirmou que a maioria dos países subdesenvolvidos estaria no estágio dois de sua escala de cinco estágios de risco de intervenção comunista (WANDERLEY; BARROS, 2020). Segundo Rostow (1960) se fazia necessário um plano baseado no desenvolvimento econômico e social, bem como na exportação do ideal democrático dos EUA, a fim de convencer as autoridades locais e as populações a aceitar a intervenção estrangeira.
Um dos principais frutos dessa aliança entre EUA e Brasil se deu no ano de 1959, quando um acordo de fomento ao ensino superior em administração foi firmado. O ato envolvendo a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e as suas escolas - Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) e Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE) - teve como objetivo a consolidação dos cursos na área em quatro universidades federais nos estados da Bahia, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Pernambuco. (BARROS; CARRIERI, 2013).
A posição dos EUA como modelo de administração que representasse um ideal modernizante foi decisiva para a sua aceitação no Brasil, fazendo com que tudo que tivesse origem estadunidense fosse visto como algo positivo a ser adotado. No caso das duas escolas de administração mais importantes do Brasil, a EAESP/FGV e a FEA/USP, a associação com os EUA foi estratégica, pois também atendia a necessidade da elite industrial paulista que entendia que esse era o caminho para a modernização e desenvolvimento. A criação dessas escolas de administração estava ligada às necessidades locais e foram esforços para enfrentar as barreiras da dependência brasileira (VALE; BERTERO; SILVEIRA, 2013; WANDERLEY; ALCADIPANI; BARROS, 2021).
Ao passar dos anos, as raízes do alinhamento com os EUA foram se aprofundando, e são percebidas atualmente no campo. Vergara e Pinto (2001) apontam que, no período de 1994 a 1998, as referências de origem estadunidense foram as mais utilizadas nos anais dos Encontros da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (EnANPAD) e nos periódicos da Revista de Administração de Empresas (RAE), Revista de Administração Pública (RAP) e RAUSP Management Journal em trabalhos sobre Análise Organizacional, o que as deixou à frente dos autores nacionais. Em trabalho semelhante, Andrade e Jung (2013) revelam que, de 1994 a 2011, as referências de língua inglesa nas citações na Revista Gestão e Produção representaram mais de sessenta e cinco por cento. Os autores conjecturam que isto pode estar relacionado à crença de que as pesquisas estrangeiras possuem maior qualidade em detrimento das nacionais. Carrieri e Correia (2020) corroboram com este pensamento, ao realizarem um levantamento da literatura recente sobre o tema, constatam que o conhecimento teórico tradicionalmente produzido na administração é anglocentrado e, antes mesmo, eurocentrado, o que leva à reprodução da exclusão, pois restringe a possibilidade de sermos sujeitos da nossa própria história de gestão.
A hegemonia estadunidense na área de administração suscitou questionamentos por parte dos acadêmicos locais que, sob a lente decolonial, denunciam o caráter ideológico e colonizador deste fenômeno no Brasil e América Latina. A perspectiva decolonial reúne autores que discordam da visão eurocêntrica de mundo e seu respectivo historicismo, criando um movimento de resistência teórico e prático, político e epistemológico, à lógica da modernidade/colonialidade (BALLESTRIN, 2013; ADBALLA; FARIA, 2017).
Ao representar o ideal de modernidade, o conhecimento hegemônico europeu e estadunidense se coloca como ponto de origem da civilização ocidental, celebrando as suas conquistas, enquanto esconde, ao mesmo tempo, o seu lado mais escuro, a “colonialidade”. A colonialidade, em outras palavras, é constitutiva da modernidade - não há modernidade sem colonialidade. Nesse sentido, Mignolo (2017) não observa a modernidade como um fenômeno apartado do colonialismo. Para o autor, o sistema-mundo2 moderno capitalista não pode ser entendido sem a América.
Essas estruturas de controle coloniais criam rótulos para o conhecimento produzido fora da estrutura colonial, que acaba sendo cerceado por uma espécie de “racismo epistêmico” que dispensa o conhecimento produzido fora de suas fronteiras. Maldonado-Torres (2008) define esse tipo de racismo como uma amnésia sistêmica que esquece as relações geopolíticas que trabalham na construção da modernidade. Isso resulta no não reconhecimento de epistemologias radicalmente diferentes, desconsiderando a capacidade epistêmica de certos grupos de pessoas. Como todas as formas de racismo, o racismo epistêmico está ligado à política e à dimensão social e pode ser baseado em metafísica ou ontologia, mas seus resultados são os mesmos: a evasão do reconhecimento dos outros como seres totalmente humanos reproduzindo o racismo epistêmico que reafirma a Europa como um local de privilégio epistêmico. Soma-se a isso um traço particular da cultura brasileira, com raízes históricas, culturais, econômicas e institucionais, que é a valorização acentuada de modelos organizacionais, metodologias e teorias produzidos fora do país, não havendo preocupação com o alinhamento desses modelos à realidade local (MOTTA; ALCADIPANI; BRESLER, 2001; WANDERLEY; CELANO; OLIVEIRA, 2018).
Cria-se, então, uma dicotomia entre o Norte e Sul epistemológicos, em que o conhecimento gerado no Norte assume uma posição universal, enquanto os saberes do Sul são relegados a uma posição de inferioridade, sendo caracterizados como particularísticos, ou seja, incapazes de alcançar a “universalidade” (MIGNOLO, 2006). Isso acaba por criar um cenário no contexto da administração no Brasil no qual a valorização do estrangeiro se torna um traço cultural marcante. Essa valorização “se dá mascarada por uma pretensa busca de modernidade”. Assim, historicamente, o ser moderno e de boa qualidade é automaticamente associado com o ser estrangeiro, fazendo com que nossa análise organizacional e nossa administração se desenvolvam a partir destes referenciais importados (MOTTA; ALCADIPANI; BRESLER, 2001, p. 61).
2.2 AS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS E O NOVO PERFIL DISCENTE
A palavra currículo é oriunda do latim scurrere, significando carreira, caminhada ou jornada. A raiz da palavra transmite a ideia de continuidade e de sequência orientada (SILVA; FISCHER, 2008). A reflexão sobre o currículo no ensino em administração é importante, na medida em que a natureza e a estrutura do conhecimento são pontos de referência quando se constroem currículos ou se desenham programas (RIBEIRO; SACRAMENTO, 2009).
Ribeiro e Sacramento (2009) enumeram três correntes teóricas formuladoras de currículos: as teorias tradicionais, as teorias críticas e os chamados estudos multiculturalistas. A corrente teórica tradicional tem sido a mais influente na área da educação durante grande parte do século XX. Nesta perspectiva, os currículos emergem como um campo profissional e especializado de estudos e pesquisas americanas, realizadas a partir dos anos 1920 (SILVA; FISCHER, 2008). Informada por uma lógica funcionalista presente na administração científica e outras escolas mais tradicionais neste campo do conhecimento, a corrente tradicional preconiza que a formulação curricular deve se basear, fundamentalmente, no conceito da eficiência organizacional (RIBEIRO; SACRAMENTO, 2009).
Nesta corrente predominante, o currículo se traduz na organização de conteúdos sistematizados, segundo uma lógica determinada, conforme padrões previamente definidos. Nos cursos da área de administração, a concepção do currículo deve ter como principal objetivo atender de forma eficiente às necessidades econômico-financeiras das organizações, visando à busca da eficiência e da geração de resultados. Assim, a corrente tradicional formuladora de currículos na área de administração se alinha a conceitos tayloristas de linha de montagem (RIBEIRO; SACRAMENTO, 2009).
As mudanças provocadas pelo taylorismo e fordismo no início do Século XIX trouxeram consequências, tanto na migração da produção doméstica para a produção industrial, quanto para a administração e a prática educacional. A posição dos EUA como foco deste processo propiciou que o campo de estudo do currículo surgisse naquele país. A conjunção entre industrialização e os movimentos imigratórios intensificou a massificação da escolarização, acabando por impulsionar a racionalização do processo de construção, desenvolvimento e validação dos currículos escolares (SILVA; FISCHER, 2008).
No contexto brasileiro, o currículo no ensino de administração no Brasil passou por três momentos históricos: a aprovação de currículos mínimos em 1966 e 1993, e as Diretrizes Curriculares Nacionais homologadas em 2003 (idem, ibidem). Em 8 de julho de 1966, o Conselho Federal de Educação fixou o primeiro currículo mínimo do curso de administração. Dessa forma, foram institucionalizadas, no Brasil, a profissão e a Formação de Técnico em Administração (CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO, 2020). Já em 1993 houve uma reformulação, regulamentada pela Resolução nº 02/93, que visou atualizar a formação de administrador aos avanços das ciências e da tecnologia que traziam impactantes transformações às organizações (SILVA; FISCHER, 2008). Em junho de 2003 é aprovado o parecer CES/CNE 134/2003, que traz as diretrizes curriculares para os cursos de graduação em administração. O documento aponta para a necessidade de desenvolvimento de profissionais resilientes e com a suficiente autonomia intelectual e de conhecimento para que se ajustem sempre às necessidades emergentes do ambiente organizacional (SILVA; FISCHER, 2008).
Aprovado em 10/7/2020 e homologado em 13/10/2021, o parecer do Conselho Nacional de Educação nº 438/2020 instituiu novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do curso de graduação em administração. O documento faz um balanço do atual cenário na graduação em administração, mostrando dados sobre o quantitativo de curso de graduação, o perfil médio dos docentes e dos discentes do curso. Também é apresentado um panorama sobre as mudanças nas empresas e organizações, trazendo questões sobre o processo de globalização das empresas, as competências necessárias para ser um bom executivo global e revelando o impacto da tecnologia nos processos de trabalho. Para isso, a nova DCN se baseia em exemplos de empresas como Kodak, Amazon, Airbnb e Uber para justificar a necessidade de adequação do currículo na formação de profissionais que saibam lidar com Big Data, ao uso de algoritmos e inteligência artificial (BRASIL, 2021).
O documento afirma que as escolas em administração ainda estão preocupadas com conteúdos relativos à “Revolução Industrial 3.0”, ensinando competências não necessariamente ligadas à “conversa contínua entre homens e máquinas”, e deixando o administrador em formação vulnerável a estas transformações (BRASIL, 2021, p.5). A intenção do documento é preparar o administrador com competências que atualmente não são tão iminentes: capacidade analítica e entender como as máquinas funcionam ou “pensam”. Segundo a nova DCN, sem esses dois pontos o administrador terá dificuldades no “Universo 4.0” (idem, ibidem).
Na íntegra do documento, apenas duas fontes são formalmente referenciadas. O primeiro é o estudo de caso GE's Two-Decade Transformation: Jack Welch's Leadership, de autoria de Christopher Bartlett (1999), que narra as iniciativas de revitalização na General Eletric, nos EUA, no final dos anos 1980 e 1990. Essa fonte é utilizada para basear o ponto relativo às mudanças que estão ocorrendo no mercado de trabalho devidas ao avanço da tecnologia. A segunda referência é utilizada para transmitir a ideia de que o empreendedorismo é uma realidade. A DCN afirma que “empreender de forma coletiva ou individual tem encantado muitos, mas poucos estão preparados para esse momento, sejam eles executivos, empresas ou indivíduos, ou mesmo as próprias instituições de ensino” (BRASIL, 2021, p. 5). Essa afirmação é baseada no estudo realizado pelo instituto Innovate + Educate chamado Shift Happens 2 - Finding Strong Footing: The Future of Assessment in the Learning-to-Employment Landscape. O instituto Innovate + Educate é uma organização estadunidense sem fins lucrativos localizada em Santa Fé, Novo México, que trabalha localmente para criar caminhos para treinamento e emprego com base em competências e habilidades (INNOVATE+EDUCATE, 2019).
Porém, em um dos pontos centrais do texto da DCN, o “Novo Perfil Discente”, o documento tomado coma base não é formalmente referenciado. Com base em pesquisa na página eletrônica do Institute for the Future-IFTF, encontramos o relatório Global Youth Skills Toolkit. O IFTF, organização não governamental situada em Palo Alto, Califórnia - EUA, produziu o relatório baseado na vida de 60 pessoas reais em seis cidades ao redor do mundo: Austin, Berlim, Chongqing, Jeddah, Lagos e Cidade do México. O público abordado no relatório são jovens de 16 a 30 anos que estão “abrindo o caminho para o futuro com uma variedade de habilidades, estratégias e recursos de aprendizagem que vão muito além das escolas tradicionais, universidades e locais de trabalho” (IFTF, 2019, tradução nossa).
No novo perfil discente, a DCN se baseia na tradução dos nove arquétipos formulados pelo IFTF, conforme quadro 1:

Podemos perceber que a DCN vem seguindo a tendência da formação de profissionais voltados à lógica do mercado e da busca da eficiência. Além disso, a DCN se baseia em referências e experiências estadunidenses ou exógenas em geral, podendo gerar alienação dos futuros profissionais em relação à realidade brasileira. Tal orientação curricular poderá formar administradores acríticos em relação à sua realidade social. Nesse sentido, o conceito de Redução Sociológica cunhado por Guerreiro Ramos se mostra importante na reflexão sobre o conteúdo da DCN. Segundo Ramos (1996), a Redução Sociológica é um método para assimilar o pensamento social estrangeiro no Brasil, por meio de um processo crítico-assimilativo do produto estrangeiro. A Redução Sociológica estimula uma consciência crítica para que as pessoas entendam os fatores e elementos subjacentes que determinam suas realidades.
Fischer, Waiandt e Silva (2006) alertam que a tendência colonizadora e a ausência de pensamento mais reflexivo sobre o ensino de administração atendem aos interesses do status quo vigente do sistema capitalista, em detrimento dos demais interessados no processo. Assim, faz-se necessário repensar os caminhos teóricos presentes na concepção de DCN´s, entendendo o seu papel transformador no ensino da área, a fim de que tenhamos uma formação mais crítica e menos ferramental.
3. ESTRATÉGIA METODOLÓGICA
A fim de responder à questão central do trabalho, optamos pela estratégia de Pesquisa Baseada em Artes (PBA). A PBA é conceituada como um tipo de pesquisa qualitativa de base crítica que usa meios artísticos para dar conta de práticas e experiências em que tanto os diferentes sujeitos (pesquisador, leitor, colaborador) e interpretações de suas experiências revelam aspectos que não são visíveis em outros tipos de pesquisa (BARONE; EISNER, 2011). A PBA estimula intencionalmente a imaginação dos sujeitos de pesquisa, sendo uma metodologia baseada na noção de possibilidade de transformação, oriunda de uma tradição de pesquisa crítica, que é pós-colonial, pluralista e ética. O lastro diferenciador da PBA são seus desafios à hegemonia e à tradição, à proteção sistêmica e aos hábitos mentais e modos de ser colonizadores (FINLEY, 2018).
A PBA tem um amplo espectro que possibilita abordagens baseadas na música, poesia, dança, teatro, fotografias, desenhos, entre outras. O desenho, quando utilizado como ferramenta de pesquisa, possui uma longa e perene história em áreas do saber como a medicina, a psicologia e a sociologia. Na pesquisa organizacional e gerencial, o desenho, junto com outros métodos de pesquisa baseados em artes visuais, não é comumente utilizado (WARD; KING, 2020). Isso pode ser um traço da predominância do paradigma funcionalista na área, que privilegia orientações epistemológicas positivistas no conhecimento em administração/gestão e deslegitima e destrói a riqueza dos múltiplos olhares (COSTA; BARROS; MARTINS, 2010). Além disso, a influência do produtivismo acadêmico gera preferência de alguns pesquisadores com a metodologia quantitativa, pois é possível se trabalhar com modelos estatísticos que podem ser replicados em vários artigos científicos (SEVERIANO et al., 2021). Dessarte, a PBA desafia os métodos mais tradicionais de pesquisa adotados nas ciências sociais que, em geral, são quantitativos e concebidos sob a luz do positivismo (GIL; REIS, 2021).
Denzin e Lincoln (2018) afirmam que uma das dificuldades dos métodos que focalizam as experiências pessoais é o constante movimento de reflexão de dentro para fora e para frente e para trás. Isso supõe uma tensão permanente no processo narrativo ou performativo. Além disso, o pesquisador em PBA deve refletir e praticar suas análises, assim como os artistas aprimoram suas habilidades e consciência estética, estando aptos a desenvolverem habilidades para observar, prestar atenção aos detalhes e descobrir relações implícitas das partes dentro do todo (LEAVY, 2015).
Na PBA, com uso de desenhos, os participantes são solicitados a fazer ilustrações, podendo usar canetas, lápis, giz de cera e papel, desde que seja uma imagem que se relacione com a proposição em questão. Trata-se de um método participativo, com firmes raízes construcionistas, que estimula de maneira ampla os pesquisados a projetarem visualmente suas experiências, sentimentos, emoções e pensamentos no desenho, na tentativa de explorá-los e dar sentido a eles (WARD; KING, 2020).
Neste trabalho, o instrumento de coleta de dados foi baseado na proposta de dois desenhos a serem feitos à mão livre pelos estudantes, expressando as suas ideias e os seus sentimentos sobre cada proposição. Foi esclarecido, ainda, que a qualidade artística do desenho não seria avaliada, a fim de que o discente se sentisse livre ao produzir seu desenho. Mesmo quando produzida por amadores, as artes visuais podem ser ferramentas poderosas como meios de transmissão de emoção e dos múltiplos significados articulados por meio da arte (LEAVY, 2015).
Na primeira proposta de desenho solicitou-se que o estudante demonstrasse qual a sua percepção sobre ser discente brasileiro(a) do curso de administração. Na segunda proposta pediu-se que o estudante demonstrasse, em forma de desenho, qual era a sua percepção sobre ser um futuro administrador(a) brasileiro(a).
O corpus pesquisado foi composto por discentes do curso de administração de empresas de duas Instituições Federais de Ensino Superior - IFES, uma localizada na região Centro Sul-Fluminense e a outra localizada na região Médio Paraíba, ambas relativamente distantes da região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Os respondentes da pesquisa estavam matriculados em disciplinas do 1º, 2º, 3º, 6º, 7º e 9º períodos. No total, foram obtidos dezesseis instrumentos de coleta validados e oito invalidados. Três discentes pesquisados não eram do curso de graduação em administração e cinco discentes utilizaram imagens prontas extraídas da internet, não atendendo aos requisitos do instrumento de coleta de dados. Devido às restrições sociais em virtude da pandemia de Covid-19, o contato com os estudantes para elaboração da pesquisa se deu via meio eletrônico, tendo sido a coleta realizada a partir do segundo semestre do ano de 2020 até o segundo semestre de 2021. Ressalta-se que os participantes, todos com 18 anos ou mais de idade, foram devidamente avisados sobre a confidencialidade de suas identidades e, ainda, de que os dados seriam utilizados para fins estritamente científicos. Além disso, foi solicitado que os respondentes assinassem o termo de consentimento livre e esclarecido para participar da pesquisa.
Para a análise dos desenhos foi utilizada a semiótica Greimasiana situacional (MATTE; LARA, 2009), na qual deve-se considerar o contexto temporal e espacial presente no texto (verbal ou não-verbal) elaborado. Por meio da análise semiótica é possível compreender aquilo a que as mensagens se referem, ou a que se aplicam, ou que indicam (SANTAELLA, 2002). Ao focar os signos visuais, a semiótica visual auxilia o pesquisador de duas maneiras: ao determinar as especificidades da imagem como signo e; a descobrir as particularidades dos diferentes tipos de imagens, sejam desenhos, pinturas, fotografias, ilustração digital, dentre outros. Assim, a teoria semiótica Greimasiana busca examinar as estruturas subjacentes à materialidade da expressão, levando em conta o contexto em que foram produzidas, bem como o aspecto temporal, com o objetivo de perceber as sutilezas da geração do sentido sob um percurso, tomando o sentido por sua inteligibilidade (MATTE; LARA, 2009; SANTOS; CURADO, 2018).
Na área da administração, a semiótica tem sido uma opção metodológica na análise de produtos da cultura contemporânea, como filmes, propagandas, embalagens, marcas, entre outros (LIMA; CARVALHO, 2012). Além disso, a semiótica se revela uma importante técnica de análise no contexto da PBA com desenhos, pois, ao estimular o pesquisado a se expressar artisticamente, pode-se perceber que “em todo processo de signos ficam marcas deixadas pela história, pelo nível de desenvolvimento das forças produtivas econômicas, pela técnica e pelo sujeito que as produz” (SANTAELLA, 2002, p. 05). Assim, neste trabalho, a análise semiótica tem o objetivo de “investigar como os significantes são combinados de forma seletiva e padronizada para estruturar significados em um modo particular de apresentação de uma mensagem” (CARVALHO et al., 2010, p.11). Entende-se que a análise semiótica da manifestação artística dos pesquisados em forma de desenhos livres pode expressar os significados acerca do dilema da pesquisa, contribuindo para a visualização da relação entre a nova DCN e seus arquétipos com os estudantes de administração. O esquema de análise utilizado neste trabalho leva em consideração a tríade expressão/contexto/percepção da semiótica Greimasiana situacional, conforme pode ser observado no Quadro 2.

Inicialmente realizou-se uma pré-análise dos desenhos, tendo emergido significantes primários (aspectos relacionados à figura central que, no caso dos desenhos elaborados para esta pesquisa, representam o discente, no caso da primeira proposta de desenho, e um profissional, no caso da segunda) e significantes secundários (adereços ou objetos em geral desenhados pelos respondentes para contextualizar o cenário no qual está a figura central). Ressalta-se que, nesta fase da pesquisa, foram realizadas pré-análises do significante primário e do significante secundário que mais vezes apareceu para cada uma das propostas.
4. ANÁLISE DOS DADOS
4.1. SIGNIFICANTES PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS
A seguir será apresentada uma síntese dos significantes identificados a partir das autorrepresentações dos discentes em seus desenhos. No Quadro 3 observam-se os significantes primários e secundários presentes nas ilustrações dos discentes acerca de como é ser aluno(a) brasileiro(a) do curso de administração.

A partir da análise dos desenhos apresentados pelos participantes pode-se perceber que o significante primário mais recorrente foi a de uma figura que representa o próprio aluno de administração portando uma feição preocupada (olhos arregalados, boca aberta e sobrancelhas franzidas). Compondo o conjunto com a expressão, as representações desses sujeitos indicavam preocupação através do posicionamento das mãos na testa ou no queixo.
Os significantes secundários mais recorrentes, por sua vez, foram os símbolos que remetem ao mercado financeiro, tais como moedas e notas, gráficos de ações de mercado, cifras e relatórios. Ainda, uma explosão acontecendo diretamente no topo da cabeça do estudante, na qual saem os significantes anteriormente expostos, e uma nuvem de pontos de interrogação emergem na presente síntese como pontos de interesse para análise.
No quadro 4, a seguir, sintetizam-se os significantes primários e secundários identificados nos desenhos dos estudantes de administração, no que diz respeito à sua percepção sobre ser um futuro administrador(a) brasileiro(a).

Consoante exposto no quadro 4, o significante primário mais recorrente foi a representação de um profissional sem rosto, sendo três dessas quatro ocorrências desenhos de bonecos palito, sem forma, corpo e rosto, representados em tamanho menor aos significantes secundários ao seu redor. Os significantes secundários predominantes, por sua vez, foram as vestimentas sociais e objetos que compõem um local de trabalho. As roupas sociais podem apontar para um status social de poder e sucesso, reforçado por outros elementos desenhados em conjunto, tais como bolsas cheias de dinheiro, notebooks da marca Apple, representações de ações, cadeiras e mesas que compõem um escritório próprio e, ainda, diplomas pendurados na parede.
Ainda no que diz respeito ao Quadro 4, pôde-se observar que também são significantes recorrentes o currículo, a composição de um ambiente de seleção para emprego e caminhos longos a serem percorridos. Ambos os significantes apontam para um mesmo significado geral, ligados aos percalços que os administradores devem enfrentar na sua caminhada profissional, sem necessariamente alcançar o sucesso que é idealizado, ou seja, não conseguirem ingressar no mercado de trabalho na área de administração.
4.2. TRIANGULAÇÃO DOS DADOS COLETADOS
Neste tópico realiza-se uma triangulação dos dados coletados pela PBA, sob a luz da semiótica Greimasiana situacional (MATTE; LARA, 2009), a abordagem decolonial, o processo de americanização no ensino de administração no Brasil e os arquétipos citados na DCN.
Como apontado na subseção anterior, com relação aos desenhos realizados acerca da primeira questão do instrumento de coleta, na qual pediu-se que os respondentes demonstrassem a sua percepção sobre ser aluno (a) brasileiro (a) do curso de administração, os significantes que mais emergiram, consoante quadro 3, foram: o “discente com feição de preocupação”, como significante primário, e “ações e mercado acionário”, como significante secundário.
Chamou a atenção ao analisar os desenhos elaborados para responder à primeira proposta a ênfase dada pelos discentes, em sua maioria, para questões relacionadas ao mercado financeiro. Isso foi percebido, nas ilustrações, a partir da expressão facial de preocupação das figuras humanas (significante primário) desenhadas juntamente a figuras e objetos (significante secundário) relacionados ao mercado financeiro. Isso pode ser observado na figura 2, desenhada por três dos discentes pesquisados:

Tal preocupação sobre o aprendizado, com enfoque em aspectos relacionados ao mercado financeiro, e não em demais âmbitos de gestão ensinados nos cursos de administração, pode estar relacionada ao próprio perfil do curso de graduação na área no Brasil. Historicamente existe uma excessiva ênfase mercadológica e instrumental na formação, com base na qual se busca fomentar nas subjetividades dos discentes preocupações que coadunam com os interesses do mercado, o que, na prática, reduz a capacidade dos estudantes a fim de que possam desenvolver olhares críticos em relação à área de gestão ou mesmo a outras realidades próximas a eles (CAGGY; FISCHER, 2014; RIBEIRO; SACRAMENTO, 2009).
Ademais, como apontado por Tordino (2009), a formação do administrador é influenciada por diversos atores que possuem interesses no que é, e como é ensinado no processo de ensino-aprendizagem no curso de administração, sendo esses diretamente impactados pelos modismos relacionados ao mercado em dadas épocas e regiões. No Brasil, percebe-se que o mercado acionário tem atraído nos últimos anos um número cada vez maior de pessoas físicas realizando investimentos (LUNA, 2020), assim como tem batido recordes históricos de movimentação financeira (PURCHIO, 2021), fazendo com que o mercado financeiro faça parte do imaginário discente. Não parece haver consideração por parte dos discentes o fato de que o âmbito privado do Brasil seja composto de 99% de empresas de micro e pequeno porte, as quais são responsáveis pela geração de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) e por empregar 55% da mão de obra ativa do país (SEBRAE, 2020).
Outro aspecto que pode explicar a emersão de figuras que remetem ao mercado acionário como significante secundário na primeira proposta é, também, a previamente mencionada americanização intencional no ensino em administração no Brasil (ALCADIPANI; CALDAS, 2012). Esta influência está presente desde a formação dos primeiros cursos da área no país (BARROS; CARRIERI, 2013; CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO, 2022) e tem impacto na adoção acrítica de práticas de gestão e teorias estadunidenses na formação do administrador no Brasil. Trazendo também práticas majoritárias na sociedade dos EUA, caso da relevância do mercado acionário local, no qual metade da população do país aporta seus investimentos (TAKAR, 2019).
Cabe-se destacar que, sob a ótica decolonial, o cenário apontado indica a configuração da colonialidade do saber (QUIJANO, 2000) na formação do futuro administrador, conceito no qual aponta-se como a geopolítica do conhecimento está relacionada, no caso da América Latina, à imposição do pensamento eurocêntrico/estadunidense. Uma formação que esteja ancorada na concepção de modernidade pode impedir ou dificultar a compreensão da sociedade a partir das epistemes e especificidades locais (LANDER, 2005).
Consoante apresentado no quadro 4, o significante primário que mais emergiu para a segunda proposta presente no instrumento de coleta foi a de um “profissional sem face”, ao passo que o significante secundário com mais aparições foi o de “vestimentas sociais e ambiente de trabalho”, embora os significantes “currículo e ambiente de seleção para emprego” e “trajeto de longa distância a ser percorrido” tenham o mesmo significado, o receio em relação a não conseguirem ingressar no mercado de trabalho na área almejada. Isso pode ser observado na figura 3, obtida em desenhos de três discentes pesquisados:

O significante primário “profissional sem face” se afasta da autorrepresentação, podendo indicar que os discentes ainda não se veem em tal contexto. Os significantes secundários passam a ideia de que é esperado por esses alunos um sucesso profissional que passa, necessariamente, pelo acúmulo de capital e poder de compra, além da necessidade de pontuar, através de marcas estrangeiras e exposição de diplomas, seu dito sucesso e ascensão profissional. Contudo, a presença desses caminhos longos demonstra uma certa consciência, por parte dos alunos, de que a vida profissional não é fácil, e que esse sucesso e ascensão esperados não são rápidos e nem garantidos.
Tal cenário pode indicar um administrador (sem gênero, forma, cor, caracterização) que almeja cargos hierarquicamente relevantes, em empresas de grande porte, salários substanciais e sucesso profissional, mas que, no fundo, tem o fantasma da realidade macroeconômica do país indicando que o caminho será longo e dificultoso e, dessa forma, a preocupação acerca do (não) ingresso no mercado de trabalho.
Barbosa, Menezes e Silva (2018) apontaram que as principais dificuldades para ingresso do administrador recém-formado no mercado de trabalho são fatores como a saturação do próprio mercado e a falta de experiência de muitos dos egressos. Somado a tal fato, cabe-se destacar o próprio cenário macroeconômico do país que, em crise, iniciada em 2010 e aprofundada a partir de 2014, tem ocasionado uma redução drástica na quantidade de empregos formais (GOMES et al., 2019; MATTEI; CUNHA, 2020) e um aumento substancial no quantitativo de profissionais que atuam na informalidade (PEREIRA; CABRAL, 2019).
O cenário acima relatado indica um descompasso entre as percepções de discentes brasileiros do curso de administração e os arquétipos apresentados na DCN, visto que, ao passo que nesta é indicado - apenas considerando os 3 arquétipos indicados, no documento, como sendo os mais próximos da realidade do administrador - que os estudantes devem ter como características: a busca constante pela criação de novos negócios (artista de startups), mestres da mudança (transicionista), e trabalhar para criar, construir e ensinar novas regras (cidadão global) (BRASIL, 2021); os discentes brasileiros do curso de administração parecem estar mais preocupados em conseguir ingressar e se manter em um mercado de trabalho cada vez mais concorrido, ainda que isso signifique atuar em áreas que não são sua preferência.
Além disso, como apontado previamente nesta pesquisa, a DCN busca a formação de profissionais voltados à lógica de mercado, sem constar quaisquer indicações da relevância do aprofundamento de aspectos críticos na formação dos discentes do curso de administração. Essa questão se torna mais urgente quando é considerado que esses conteúdos informadores são acriticamente importados de organizações estadunidenses sem a devida redução sociológica (RAMOS, 1996). Levando em conta que a administração é uma área do saber que historicamente é herdeira da tradição anglo-saxônica, trazendo consigo teorias e epistemologias ancoradas em perspectivas funcionalistas e positivistas oriundas dos países centrais (KOPELKE; BOEIRA, 2016), a DCN tende a aprofundar as assimetrias e injustiças já existentes no campo da gestão (ABDALLA; FARIA 2017).
Foi possível perceber o distanciamento entre as representações dos discentes acerca do curso e da profissão com as novas DCN. Tal fato não enfraquece importância da influência estadunidense no ensino na área, que, como visto, está na raiz e no cerne do processo de implantação do ensino em administração no Brasil, mas reforça a condição de subalternidade dos países periféricos em relação ao conhecimento em gestão e organizações. Este conhecimento é imposto por uma lógica colonial, sem levar em consideração o Sistema-Mundo. Ademais, revela o quanto descontextualizado é o conteúdo da nova DCN, ignorando as condições materiais de um país em processo de desindustrialização, principalmente nos setores ligados à indústria 4.0, e com aumento da informalidade (BRESSER-PEREIRA, 2010; MAIA, 2020).
Outro aspecto que pode estar relacionado a isso é a localização geográfica dos cursos pesquisados. Por estarem localizados no interior do Estado do RJ, a visão dos discentes, mais alinhada à busca de trabalho formal, tende a reforçar o distanciamento das DCN com a realidade do contexto local em ambientes distantes dos grandes centros urbanos, mais alinhados à influência hegemônica na produção e disseminação de conhecimento em administração (WANDERLEY; BARROS, 2020). Neste sentido, entendemos ser necessária a consideração do contexto local para a formação na área, por meio da (re)conexão da ciência da administração com o contexto nacional e, consequentemente, prover conteúdo relevante para discentes e egressos (WANDERLEY; CELANO; OLIVEIRA, 2018).
Por se tratar de um documento legal que guiará os cursos de graduação em administração em todo o país, a nova DCN e os arquétipos apresentados no novo perfil discente se inserem no contexto de americanização intencional no ensino em administração no Brasil. Isso vai de encontro ao apontado por pesquisadores como Abdalla e Faria (2017), que indicam a relevância da elaboração e realização de um processo de decolonização no campo da administração no Brasil, pois, dessa forma, se fará possível que epistemologias próprias do Sul possam ganhar espaço e se tornarem reconhecidas em seu âmbito.
Em suma, apontamos como relevante a reflexão sobre a nova DCN e sua inserção no contexto de americanização da administração no Brasil, as possibilidades que a PBA ofereceu para a execução da pesquisa e os distanciamentos entre o “Perfil discente” buscado na DCN com as condições materiais do mercado de trabalho brasileiro.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na presente pesquisa, caracterizada como teórico-empírica, buscou-se promover uma reflexão acerca da nova DCN nos cursos de graduação em administração, a partir da análise das representações dos discentes do curso de administração e os arquétipos apresentados na nova DCN. Para isso, foram utilizados como aporte teórico a perspectiva decolonial e o contexto de influência estadunidense na geopolítica do conhecimento em gestão e organizações.
Apontamos como contribuição metodológica o uso da PBA na administração, pois existe uma lacuna no campo referente ao uso de artes em pesquisas na área de administração (WARD; KING, 2020). A PBA possibilitou que os discentes se expressassem de maneira livre e sem medo de julgamentos por parte dos pesquisadores (BARONE; EISNER, 2011), fornecendo dados que não seriam possíveis de serem coletados de maneira textual.
Foi possível constatar que as percepções dos discentes brasileiros sobre o curso de administração e enquanto futuros administradores se distanciam das DCN, dado que, ao passo que estas apontam a necessidade de características de criação de oportunidades de negócios, de novas regras, e capacidade de mudança, aqueles indicam que suas preocupações e interesses se aproximam pela busca de conseguir o ingresso no mercado de trabalho e alcançar uma relativa segurança laboral, ainda que não seja na vaga que mais desejam, o que pode ser explicado pelas idiossincrasias do contexto local e pelo cenário macroeconômico do país.
Por meio da análise empreendida neste trabalho, apontamos ainda que a adoção da DCN, acriticamente importada, confirma o quadro de americanização intencional (ALCADIPANI; CALDAS, 2012) no ensino em administração e, em um sentido mais amplo, à colonialidade do saber (QUIJANO, 2000). A pouca influência de epistemologias alternativas, ou “epistemologias outras”, no caso, epistemologias oriundas das subjetividades dos próprios discentes, brasileiros e subalternos - em relação às populações dos países centrais - nas diretrizes do curso de administração, indica a relevância cada vez maior de um processo de decolonização no campo da administração no Brasil (FARIA, 2017).
As limitações deste estudo estão relacionadas ao baixo quantitativo de sujeitos da pesquisa (fato corroborado pelas restrições sociais impostas pela pandemia de Covid-19). Embora seja uma pesquisa qualitativa e, portanto, não exista o compromisso com uma “amostra significativa”, entendemos que uma quantidade maior de sujeitos da pesquisa e, consequentemente, de desenhos, possibilitaria a emergência de mais significantes, o que aprofundaria e enriqueceria a análise. Outra questão é que o corpus ficou concentrado em regiões do interior do Estado do Rio de Janeiro, o que pode evidenciar questões mais específicas dessa região.
Como sugestões de pesquisas futuras, propõe-se uma análise crítica da nova DCN, em seus mais diversos aspectos, considerando-se a relevância do documento legal para a área, assim como a análise, com base na pesquisa baseada em artes, com discentes de outras regiões do Estado do Rio de Janeiro e do país, visto que os aspectos culturais, geográficos e econômicos tendem a impactar nos significantes e significados da pesquisa.
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Notas